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UNICENTRO20221a faseQuestao 1PortuguêsMediaLeia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 5.
Calma, creio que não há motivo para alarme. Ou talvez deva falar no plural: alarmes. O primeiro alarme soou em Portugal. Várias crianças começaram a falar português do Brasil, por causa da exposição continuada a vídeos de um youtuber brasileiro durante a pandemia, e os pais afligiram-se. Os filhos dizem grama em vez de relva, geladeira em vez de frigorífico e usam a conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio (estou vendo) e não no infinitivo (estou a ver). Se o problema é as crianças falarem outra variante do português, então não há problema: aprenderam gramática e vocabulário, ficaram a saber mais sobre a sua língua e abriram a sensibilidade ao português brasileiro – uma sensibilidade que os brasileiros nem sempre têm em relação ao português europeu, tanto que até quando pretendem caricaturá-lo recorrem a uma expressão que, em 47 anos de vida, nunca ouvi um português usar: ora pois. O segundo alarme soou no Brasil. O caso seria mais uma prova de altivez linguística e de discriminação antibrasileira em Portugal. Ora, quando se apoquentam por seus filhos dedicarem demasiada atenção a um youtuber brasileiro, os pais portugueses não estão preocupados por ele ser brasileiro, estão preocupados por ele ser youtuber. Se os garotos tivessem começado a falar com sotaque por demasiada exposição a palestras sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, creio que os pais não se inquietariam. Por outro lado, se as crianças tivessem passado a falar com sotaque de São Miguel, por terem visto demasiados vídeos de youtubers açorianos, julgo que os pais se inquietariam de novo – até porque teriam dificuldade em entender os filhos. As diferenças entre a variante portuguesa e a brasileira, que são enriquecedoras, costumam ser vistas como um incômodo. Em ocasiões como esta, há sempre quem defenda que mais vale admitir que são duas línguas diferentes. Seria ótimo para mim. Posso, de um dia para o outro, enriquecer o meu currículo dizendo que falo outro idioma. Serei poliglota instantâneo sem estudar nada, que é o meu modo favorito de obter qualificações. O meu livro de português do sexto ano tinha aquele poema de Cecília Meireles: “Eu canto porque o instante existe/ e a minha vida está completa./ Não sou alegre nem sou triste:/ sou poeta.” Se o português do Brasil é outra língua, eu descubro agora, como o Monsieur Jourdain, que a falo desde criança. (Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. Cuidado, vem aí o gerúndio! Folha de S.Paulo. São Paulo, 14 de nov. de 2021. Ilustrada. C8.)
Acerca do trecho “Se o problema é as crianças falarem outra variante do português, então não há problema: aprenderam gramática e vocabulário”, considere as afirmativas a seguir.
I. O termo “então” pode ser substituído pela expressão “além disso”, sem gerar prejuízo de sentido ao texto. II. Os dois pontos podem ser substituídos por vírgula, sem alterar o sentido expresso pelo texto. III. A locução “uma vez que”, precedida de vírgula, pode ser empregada no lugar dos dois pontos, sem alterar o sentido do texto. IV. A conjunção “Se”, no início do período, tem por função introduzir um comentário sobre o que foi dito anteriormente, com valor condicional.
Assinale a alternativa correta.
- A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
- B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
- C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
- D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
- E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
UNICENTRO20221a faseQuestao 2PortuguêsMediaLeia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 5.
Calma, creio que não há motivo para alarme. Ou talvez deva falar no plural: alarmes. O primeiro alarme soou em Portugal. Várias crianças começaram a falar português do Brasil, por causa da exposição continuada a vídeos de um youtuber brasileiro durante a pandemia, e os pais afligiram-se. Os filhos dizem grama em vez de relva, geladeira em vez de frigorífico e usam a conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio (estou vendo) e não no infinitivo (estou a ver). Se o problema é as crianças falarem outra variante do português, então não há problema: aprenderam gramática e vocabulário, ficaram a saber mais sobre a sua língua e abriram a sensibilidade ao português brasileiro – uma sensibilidade que os brasileiros nem sempre têm em relação ao português europeu, tanto que até quando pretendem caricaturá-lo recorrem a uma expressão que, em 47 anos de vida, nunca ouvi um português usar: ora pois. O segundo alarme soou no Brasil. O caso seria mais uma prova de altivez linguística e de discriminação antibrasileira em Portugal. Ora, quando se apoquentam por seus filhos dedicarem demasiada atenção a um youtuber brasileiro, os pais portugueses não estão preocupados por ele ser brasileiro, estão preocupados por ele ser youtuber. Se os garotos tivessem começado a falar com sotaque por demasiada exposição a palestras sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, creio que os pais não se inquietariam. Por outro lado, se as crianças tivessem passado a falar com sotaque de São Miguel, por terem visto demasiados vídeos de youtubers açorianos, julgo que os pais se inquietariam de novo – até porque teriam dificuldade em entender os filhos. As diferenças entre a variante portuguesa e a brasileira, que são enriquecedoras, costumam ser vistas como um incômodo. Em ocasiões como esta, há sempre quem defenda que mais vale admitir que são duas línguas diferentes. Seria ótimo para mim. Posso, de um dia para o outro, enriquecer o meu currículo dizendo que falo outro idioma. Serei poliglota instantâneo sem estudar nada, que é o meu modo favorito de obter qualificações. O meu livro de português do sexto ano tinha aquele poema de Cecília Meireles: “Eu canto porque o instante existe/ e a minha vida está completa./ Não sou alegre nem sou triste:/ sou poeta.” Se o português do Brasil é outra língua, eu descubro agora, como o Monsieur Jourdain, que a falo desde criança. (Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. Cuidado, vem aí o gerúndio! Folha de S.Paulo. São Paulo, 14 de nov. de 2021. Ilustrada. C8.)
Considerando o conteúdo do texto, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a relação de sentido condizente com a expressa no texto.
- A)“O português são dois; o outro, mistério.” (Carlos Drummond de Andrade)
- B)“Última flor do lácio, inculta e bela.” (Olavo Bilac)
- C)“Esta língua é como um elástico que espicharam pelo mundo.” (Gilberto Mendonça Teles)
- D)“E esse papo de palavrão não liguem não, isso é apenas uma extensão da língua portuguesa. Valeu!” (Chorão)
- E)“Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões.” (Caetano Veloso)
UNICENTRO20221a faseQuestao 3PortuguêsMediaLeia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 5.
Calma, creio que não há motivo para alarme. Ou talvez deva falar no plural: alarmes. O primeiro alarme soou em Portugal. Várias crianças começaram a falar português do Brasil, por causa da exposição continuada a vídeos de um youtuber brasileiro durante a pandemia, e os pais afligiram-se. Os filhos dizem grama em vez de relva, geladeira em vez de frigorífico e usam a conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio (estou vendo) e não no infinitivo (estou a ver). Se o problema é as crianças falarem outra variante do português, então não há problema: aprenderam gramática e vocabulário, ficaram a saber mais sobre a sua língua e abriram a sensibilidade ao português brasileiro – uma sensibilidade que os brasileiros nem sempre têm em relação ao português europeu, tanto que até quando pretendem caricaturá-lo recorrem a uma expressão que, em 47 anos de vida, nunca ouvi um português usar: ora pois. O segundo alarme soou no Brasil. O caso seria mais uma prova de altivez linguística e de discriminação antibrasileira em Portugal. Ora, quando se apoquentam por seus filhos dedicarem demasiada atenção a um youtuber brasileiro, os pais portugueses não estão preocupados por ele ser brasileiro, estão preocupados por ele ser youtuber. Se os garotos tivessem começado a falar com sotaque por demasiada exposição a palestras sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, creio que os pais não se inquietariam. Por outro lado, se as crianças tivessem passado a falar com sotaque de São Miguel, por terem visto demasiados vídeos de youtubers açorianos, julgo que os pais se inquietariam de novo – até porque teriam dificuldade em entender os filhos. As diferenças entre a variante portuguesa e a brasileira, que são enriquecedoras, costumam ser vistas como um incômodo. Em ocasiões como esta, há sempre quem defenda que mais vale admitir que são duas línguas diferentes. Seria ótimo para mim. Posso, de um dia para o outro, enriquecer o meu currículo dizendo que falo outro idioma. Serei poliglota instantâneo sem estudar nada, que é o meu modo favorito de obter qualificações. O meu livro de português do sexto ano tinha aquele poema de Cecília Meireles: “Eu canto porque o instante existe/ e a minha vida está completa./ Não sou alegre nem sou triste:/ sou poeta.” Se o português do Brasil é outra língua, eu descubro agora, como o Monsieur Jourdain, que a falo desde criança. (Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. Cuidado, vem aí o gerúndio! Folha de S.Paulo. São Paulo, 14 de nov. de 2021. Ilustrada. C8.)
Sobre as características do texto, assinale a alternativa correta.
- A)A linguagem denotativa imprime ao texto um tom solene, condizente com a ideia a ser revelada pelo produtor.
- B)Ao longo da construção do texto, a preocupação do produtor é narrar objetivamente os fatos que eram notícia.
- C)O tom de humor empregado é reforçado pelos exemplos que são dados pelo produtor ao longo do texto.
- D)O uso de primeira pessoa reforça a subjetividade, característica de texto opinativo, exemplificado por meio de pronomes e verbos.
- E)Por ser texto jornalístico apresenta linguagem formal, sem marcas de oralidade, para reforçar a ideia de distanciamento de quem fala.
UNICENTRO20221a faseQuestao 4PortuguêsMediaLeia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 5.
Calma, creio que não há motivo para alarme. Ou talvez deva falar no plural: alarmes. O primeiro alarme soou em Portugal. Várias crianças começaram a falar português do Brasil, por causa da exposição continuada a vídeos de um youtuber brasileiro durante a pandemia, e os pais afligiram-se. Os filhos dizem grama em vez de relva, geladeira em vez de frigorífico e usam a conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio (estou vendo) e não no infinitivo (estou a ver). Se o problema é as crianças falarem outra variante do português, então não há problema: aprenderam gramática e vocabulário, ficaram a saber mais sobre a sua língua e abriram a sensibilidade ao português brasileiro – uma sensibilidade que os brasileiros nem sempre têm em relação ao português europeu, tanto que até quando pretendem caricaturá-lo recorrem a uma expressão que, em 47 anos de vida, nunca ouvi um português usar: ora pois. O segundo alarme soou no Brasil. O caso seria mais uma prova de altivez linguística e de discriminação antibrasileira em Portugal. Ora, quando se apoquentam por seus filhos dedicarem demasiada atenção a um youtuber brasileiro, os pais portugueses não estão preocupados por ele ser brasileiro, estão preocupados por ele ser youtuber. Se os garotos tivessem começado a falar com sotaque por demasiada exposição a palestras sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, creio que os pais não se inquietariam. Por outro lado, se as crianças tivessem passado a falar com sotaque de São Miguel, por terem visto demasiados vídeos de youtubers açorianos, julgo que os pais se inquietariam de novo – até porque teriam dificuldade em entender os filhos. As diferenças entre a variante portuguesa e a brasileira, que são enriquecedoras, costumam ser vistas como um incômodo. Em ocasiões como esta, há sempre quem defenda que mais vale admitir que são duas línguas diferentes. Seria ótimo para mim. Posso, de um dia para o outro, enriquecer o meu currículo dizendo que falo outro idioma. Serei poliglota instantâneo sem estudar nada, que é o meu modo favorito de obter qualificações. O meu livro de português do sexto ano tinha aquele poema de Cecília Meireles: “Eu canto porque o instante existe/ e a minha vida está completa./ Não sou alegre nem sou triste:/ sou poeta.” Se o português do Brasil é outra língua, eu descubro agora, como o Monsieur Jourdain, que a falo desde criança. (Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. Cuidado, vem aí o gerúndio! Folha de S.Paulo. São Paulo, 14 de nov. de 2021. Ilustrada. C8.)
Em relação ao fragmento “Os filhos dizem grama em vez de relva, geladeira em vez de frigorífico e usam a conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio (estou vendo) e não no infinitivo (estou a ver)”, considere as afirmativas a seguir.
I. Os pares de termos “grama/relva” e “geladeira/frigorífico” podem ser considerados sinônimos do ponto de vista do texto. II. O trecho do texto “ficaram a saber mais sobre a sua língua” apresenta um exemplo de conjugação perifrástica com o verbo no infinitivo, típico do português europeu. III. A conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio configura falta de conhecimento das normas gramaticais. IV. No fragmento de texto “Se os garotos tivessem começado a falar”, há um exemplo de conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio.
Assinale a alternativa correta.
- A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
- B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
- C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
- D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
- E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
UNICENTRO20221a faseQuestao 5PortuguêsMediaLeia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 5.
Calma, creio que não há motivo para alarme. Ou talvez deva falar no plural: alarmes. O primeiro alarme soou em Portugal. Várias crianças começaram a falar português do Brasil, por causa da exposição continuada a vídeos de um youtuber brasileiro durante a pandemia, e os pais afligiram-se. Os filhos dizem grama em vez de relva, geladeira em vez de frigorífico e usam a conjugação perifrástica com o verbo no gerúndio (estou vendo) e não no infinitivo (estou a ver). Se o problema é as crianças falarem outra variante do português, então não há problema: aprenderam gramática e vocabulário, ficaram a saber mais sobre a sua língua e abriram a sensibilidade ao português brasileiro – uma sensibilidade que os brasileiros nem sempre têm em relação ao português europeu, tanto que até quando pretendem caricaturá-lo recorrem a uma expressão que, em 47 anos de vida, nunca ouvi um português usar: ora pois. O segundo alarme soou no Brasil. O caso seria mais uma prova de altivez linguística e de discriminação antibrasileira em Portugal. Ora, quando se apoquentam por seus filhos dedicarem demasiada atenção a um youtuber brasileiro, os pais portugueses não estão preocupados por ele ser brasileiro, estão preocupados por ele ser youtuber. Se os garotos tivessem começado a falar com sotaque por demasiada exposição a palestras sobre a obra de Carlos Drummond de Andrade, creio que os pais não se inquietariam. Por outro lado, se as crianças tivessem passado a falar com sotaque de São Miguel, por terem visto demasiados vídeos de youtubers açorianos, julgo que os pais se inquietariam de novo – até porque teriam dificuldade em entender os filhos. As diferenças entre a variante portuguesa e a brasileira, que são enriquecedoras, costumam ser vistas como um incômodo. Em ocasiões como esta, há sempre quem defenda que mais vale admitir que são duas línguas diferentes. Seria ótimo para mim. Posso, de um dia para o outro, enriquecer o meu currículo dizendo que falo outro idioma. Serei poliglota instantâneo sem estudar nada, que é o meu modo favorito de obter qualificações. O meu livro de português do sexto ano tinha aquele poema de Cecília Meireles: “Eu canto porque o instante existe/ e a minha vida está completa./ Não sou alegre nem sou triste:/ sou poeta.” Se o português do Brasil é outra língua, eu descubro agora, como o Monsieur Jourdain, que a falo desde criança. (Adaptado de: PEREIRA, Ricardo Araújo. Cuidado, vem aí o gerúndio! Folha de S.Paulo. São Paulo, 14 de nov. de 2021. Ilustrada. C8.)
Acerca dos recursos utilizados no trecho “As diferenças entre a variante portuguesa e a brasileira, que são enriquecedoras, costumam ser vistas como um incômodo. Em ocasiões como esta, há sempre quem defenda que mais vale admitir que são duas línguas diferentes”, considere as afirmativas a seguir.
I. O fragmento “que são enriquecedoras” refere-se ao núcleo do sujeito da oração “diferenças”. II. O pronome “esta” faz referência direta à expressão citada anteriormente: variante portuguesa. III. O trecho todo possui cinco orações. IV. Na primeira ocorrência do termo “como”, a relação estabelecida no enunciado é de comparação.
Assinale a alternativa correta.
- A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
- B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
- C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
- D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
- E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
UNICENTRO20221a faseQuestao 6PortuguêsMediaLeia o poema a seguir.
lá ia eu toda exposta àquele olhar de garfo e faca vendo a mesa posta minhas postas em fatias ouvindo dos convivas piadas macarrônicas (RUIZ S, Alice. Dois em um. São Paulo: Iluminuras, 2018. p. 179.)
Com base no poema, assinale a alternativa correta.
- A)Em apenas nove versos, a autora usa termos como “exposta”, “posta” e “postas”, concretizando um deliberado jogo sonoro de palavras cujos significados são diferentes entre si.
- B)O uso de termos como “exposta”, “posta” e “postas” propicia a métrica regular no poema, amparada em versos isossilábicos, adequados para o registro da vida cotidiana.
- C)O sujeito lírico está no feminino, o que é comprovado com os termos “exposta”, “posta” e “postas” e com o fato de ser o poema de autoria feminina.
- D)A rima interna entre “posta” e “postas” é pobre porque o poema adota uma linguagem prosaica e os termos têm a mesma classe gramatical, embora estejam com flexão de número diferenciada.
- E)O sujeito lírico é masculino porque é nele que reside o poder, representado pelo “olhar de garfo e faca”, de subverter a métrica e transformar a mulher, que é objeto, em “postas”.
UNICENTRO20221a faseQuestao 7PortuguêsMediaLeia, a seguir, os trechos extraídos de A hora da estrela, de Clarice Lispector.
“É claro que, como todo escritor, tenho a tentação de usar termos suculentos: conheço adjetivos esplendorosos, carnudos substantivos...” (p. 21.)
“Agora não é confortável: para falar da moça tenho que não fazer a barba durante dias...” (p. 26.)
“Além de vestir-me com roupa rasgada.” (p. 26.)
“E a palavra não pode ser enfeitada e artisticamente vã, tem que ser apenas ela.” (p. 26.)
“Vejo agora que esqueci de dizer que por enquanto nada leio para não contaminar com luxos a simplicidade de minha linguagem.” (p. 29.)
“Tudo isso eu disse tão longamente por medo de ter prometido demais e dar apenas o simples e o pouco. Pois esta história é quase nada.” (p. 31.)
Com base nos trechos, assinale a alternativa correta.
- A)A tentação de usar “termos suculentos” está em harmonia com a convicção de que “a palavra não pode ser enfeitada”, pois é na fusão desses recursos aparentemente antagônicos que o narrador-escritor espera encontrar o tom apropriado para o retrato da protagonista.
- B)Ao sustentar que “esta história é quase nada”, o narrador-escritor reitera que os “luxos” de outras leituras são descartados para o registro dos acontecimentos vividos pela protagonista e de sua integração à vida social.
- C)Medidas adotadas pelo narrador-escritor, como em “não fazer a barba durante dias” e “vestir-me com roupa velha rasgada”, correspondem a uma pose, um artificialismo, que logo são abandonados por destoarem da construção da protagonista.
- D)O fato de conhecer e anunciar “adjetivos esplendorosos” e “carnudos substantivos” antecipa a concepção segundo a qual a protagonista é uma estrela destinada ao brilho e ao êxito, a despeito das adversidades sociais enfrentadas.
- E)O uso das palavras “artisticamente vã” pode comprometer o objetivo do narrador-escritor que é ter fidelidade à “simplicidade” de sua linguagem, traço autêntico de seu estilo, inerente a ele, que requer transformações e adaptações para compor a protagonista.
UNICENTRO20221a faseQuestao 8PortuguêsMediaLeia, a seguir, o trecho da crônica “O homem trocado”, de Luis Fernando Verissimo, e responda às questões de 8 a 10.
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista. – Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil. – O senhor não faz chamadas interurbanas? – Eu não tenho telefone! Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes. – Por quê? – Ela me enganava. Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer: – O senhor está desenganado. Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite. – Se você diz que a operação foi bem... A enfermeira parou de sorrir. – Apendicite? - perguntou, hesitante. – É. A operação era para tirar o apêndice. – Não era para trocar de sexo? (VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 28.)
Estabelecendo a correlação entre a crônica “O homem trocado”, de Luiz Fernando Verissimo, e contos de Sagarana, de Guimarães Rosa, considere as afirmativas a seguir.
I. A infelicidade conjugal pode ensejar o tom grave, sério e triste que percorre o conto “Sarapalha”, como pode ser observado no trecho “Só sei que se ela, por um falar, desse de chegar aqui de repente, até a febre sumia...”, mas, na crônica de Verissimo, se soma aos episódios de humor como mais um caso de engano entre os tantos relatados. II. No conto “A volta do marido pródigo”, há o seguinte trecho: “E, vai então pois então, Lalino teve um momento de fraqueza, e pediu a seu Oscar que procurasse a Ritinha e falasse, e dissesse, mas não dissesse isso, e calasse aquilo, mas dando a entender que... mas sem deixar que ela pensasse que... e aquil’outro, e também etc., e pronto.” O trecho é carregado de humor obtido com um arranjo de linguagem também encontrado no jogo entre engano e desengano, na crônica. III. No trecho do conto “São Marcos” – “Pé por p... Outra árvore que não me vê, ai!” –, o protagonista está cego e acerta a cabeça em uma árvore pela segunda vez. As circunstâncias em que o autor se manifesta poderiam desencadear a compaixão no leitor, mas é o humor que se sobrepõe, assim como nas desventuras da crônica. IV. No conto “A hora e vez de Augusto Matraga”, Nhô Augusto dirige-se a Joãozinho Bem-Bem, chefe do bando de jagunços: “se o senhor não se acanha de entrar em casa de pobre, eu lhe convido para passar mal e se arranchar comigo...”. O humor do trecho revela-se no convite para “passar mal” e na ironia do protagonista, que preparara tocaia para o bando, assim como a enfermeira é cruel para o protagonista da crônica.
Assinale a alternativa correta.
- A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
- B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
- C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
- D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
- E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
UNICENTRO20221a faseQuestao 9PortuguêsMediaLeia, a seguir, o trecho da crônica “O homem trocado”, de Luis Fernando Verissimo, e responda às questões de 8 a 10.
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista. – Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil. – O senhor não faz chamadas interurbanas? – Eu não tenho telefone! Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes. – Por quê? – Ela me enganava. Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer: – O senhor está desenganado. Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite. – Se você diz que a operação foi bem... A enfermeira parou de sorrir. – Apendicite? - perguntou, hesitante. – É. A operação era para tirar o apêndice. – Não era para trocar de sexo? (VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 28.)
Leia o trecho do conto “São Marcos” a seguir.
No desfecho do conto “São Marcos”, o protagonista chega à casa de João Mangolô e, após lutar contra o feiticeiro, lhe dá uma nota de dez mil-réis e assim se dirige a ele: “Olha, Mangolô: você viu que não arranja nada contra mim, porque eu tenho anjo bom, santo bom e reza-brava... Em todo o caso, mais serve não termos briga...”(p. 217.)
De acordo com o trecho do conto, assinale a alternativa correta.
- A)O trecho “Sá Nhá Rita Preta minha cozinheira [...] recomendou-me que não enjerizasse o Mangolô.” (p. 197.) contém uma advertência da cozinheira em resposta ao hábito irreverente do protagonista: zombar de Mangolô e de seus feitiços. O trecho final demonstra que o protagonista manterá seu desrespeito, pois se considera imune.
- B)O trecho “Os bambus! Belos, como um mar suspenso, ondulado e parado. Lindos até nas folhas lanceoladas, nas espiguetas peludas, nas oblongas glumas... Muito poéticos [...], rumorejantes aos voos do vento.” (p. 204.) exibe a contemplação da natureza que proporciona passagens líricas e a manifestação da sensibilidade. Essa sensibilidade é uniforme ao longo do conto quanto ao modo com que o protagonista se depara com práticas místicas.
- C)No trecho “Acontecer nunca me aconteceu nada; mas essas coisas são assim para rapaz. Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito, gosta de se comparecer. Hoje, não: estou percurando é sossego...” (p. 200.), Aurísio Manquitola profere um discurso a favor do sossego, que contrasta com os arroubos e com a inconsequência da juventude. O protagonista, no trecho final, ao entregar dinheiro ao feiticeiro, se revela mais amadurecido.
- D)No trecho “Passei os dedos pelos olhos; repuxei a pele [...] e nada! Então, pensei em um eclipse totalitário, em cataclismos, no fim do mundo.” (p. 212.), sobressai o cientificismo do protagonista para explicar sua própria cegueira repentina. São essas convicções que o levam, no final do conto, a querer encerrar a briga com o feiticeiro.
- E)No trecho “Ferido, moído, contuso de pancadas e picado de espinhos, aqui estou, ainda mais longe do meu destino, mais desamparado que nunca. Angustio-me, e chego a pique de chorar alto. Deus de todos! Oh... Diabos e diabos...” (p. 216.), o narrador-personagem, já desgastado com a cegueira, confessa seu sofrimento. Trata-se de breve momento de descontrole, pois, ao se defrontar com Mangolô, reaparece a arrogância, sem qualquer concessão para os feitiços.
UNICENTRO20221a faseQuestao 10PortuguêsMediaLeia, a seguir, o trecho da crônica “O homem trocado”, de Luis Fernando Verissimo, e responda às questões de 8 a 10.
Os enganos se sucediam. Na escola, vivia recebendo castigo pelo que não fazia. Fizera o vestibular com sucesso, mas não conseguira entrar na universidade. O computador se enganara, seu nome não apareceu na lista. – Há anos que a minha conta do telefone vem com cifras incríveis. No mês passado tive que pagar mais de R$ 3 mil. – O senhor não faz chamadas interurbanas? – Eu não tenho telefone! Conhecera sua mulher por engano. Ela o confundira com outro. Não foram felizes. – Por quê? – Ela me enganava. Fora preso por engano. Várias vezes. Recebia intimações para pagar dívidas que não fazia. Até tivera uma breve, louca alegria, quando ouvira o médico dizer: – O senhor está desenganado. Mas também fora um engano do médico. Não era tão grave assim. Uma simples apendicite. – Se você diz que a operação foi bem... A enfermeira parou de sorrir. – Apendicite? - perguntou, hesitante. – É. A operação era para tirar o apêndice. – Não era para trocar de sexo? (VERISSIMO, Luis Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 28.)
Com base no trecho da crônica, considere as afirmativas a seguir.
I. Os castigos escolares foram, segundo o homem vítima de tantos enganos, determinantes para o insucesso no vestibular e para lhe vedar a entrada na universidade. II. O diagnóstico médico do desengano revelou-se, afinal, ser mais um dos enganos, e a reação de “breve, louca alegria” justifica-se pelo sofrimento com o acúmulo de equívocos. III. A experiência conjugal foi marcada pelas ações de desencontros, embora haja diferenças sutis nessas ações: na primeira, há um erro involuntário; na segunda, ela o trai. IV. A hesitação da enfermeira, em sua penúltima fala, já denuncia mais um equívoco, e tanto a carga de humor quanto o grau do erro são intensificados com a pergunta final.
Assinale a alternativa correta.
- A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
- B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
- C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
- D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
- E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
UNICENTRO20221a faseQuestao 11InglêsMediaLeia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 5.
RUN TO THE HILLS Iron Maiden
White man came across the sea He brought us pain and misery He killed our tribes; he killed our creed He took our game for his own need
We fought him hard, we fought him well Out on the plains we gave him hell But many came, too much for Cree Oh, will we ever be set free?
Riding through dust clouds and barren wastes Galloping hard on the plains Chasing the redskins back to their holes Fighting them at their own game Murder for freedom the stab in the back Women and children and cowards, attack!
Run to the hills Run for your lives
Soldier blue in the barren wastes Hunting and killing their game Raping the women and wasting the men The only good Indians are tame Selling them whiskey and taking their gold Enslaving the young and destroying the old (Harris, Steve. Run To the Hills In The Number of the Beast, EMI Records. 1982, Vinil (39min11s). Faixa 6 (3min51s) Produtor Martin Birch. Disponível em: https://www.letras.mus.br/iron-maiden/19282/. Acesso em: 6 dez. 2021.)
Em relação à canção, considere as afirmativas a seguir.
I. A canção faz uma crítica ao comportamento de um grupo. II. A canção traz perspectivas diferentes para uma mesma história. III. Na canção, há um diálogo entre grupos que procuram entrar em consenso. IV. A canção sugere que a fuga, como meio de evitar o confronto, é a solução dos covardes.
Assinale a alternativa correta.
- A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
- B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
- C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
- D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
- E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
UNICENTRO20221a faseQuestao 12InglêsMediaLeia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 5.
RUN TO THE HILLS Iron Maiden
White man came across the sea He brought us pain and misery He killed our tribes; he killed our creed He took our game for his own need
We fought him hard, we fought him well Out on the plains we gave him hell But many came, too much for Cree Oh, will we ever be set free?
Riding through dust clouds and barren wastes Galloping hard on the plains Chasing the redskins back to their holes Fighting them at their own game Murder for freedom the stab in the back Women and children and cowards, attack!
Run to the hills Run for your lives
Soldier blue in the barren wastes Hunting and killing their game Raping the women and wasting the men The only good Indians are tame Selling them whiskey and taking their gold Enslaving the young and destroying the old (Harris, Steve. Run To the Hills In The Number of the Beast, EMI Records. 1982, Vinil (39min11s). Faixa 6 (3min51s) Produtor Martin Birch. Disponível em: https://www.letras.mus.br/iron-maiden/19282/. Acesso em: 6 dez. 2021.)
Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o tema central da canção.
- A)A inevitabilidade da morte, representada metaforicamente pelo galope dos cavaleiros.
- B)A indiferença daqueles que provocam guerras, mas não se responsabilizam pelas consequências.
- C)O conflito entre povos resultante da colonização da América do Norte.
- D)O processo de construção de uma identidade singular a partir do contato entre povos distintos.
- E)Os efeitos sociais das guerras travadas pela independência norte-americana.