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UNICENTRO20241a faseQuestao 1PortuguêsMediaLeia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 5.
Aquela narrativa-padrão segundo a qual não houve tensões e conflitos em nossa formação linguística, que dizia que o português se instalou no Brasil e foi apenas “influenciado” pelas línguas dos povos originários e escravizados (ou, como ouvi na escola, de índios e escravos), já se provou inadequada para descrever o tamanho do impacto que tiveram na trajetória do nosso país as línguas que existiam aqui quando se deu o desembarque dos marinheiros da esquadra de Cabral. A mesma coisa, você já deve estar imaginando, se aplica ao estudo das alterações geradas em nosso idioma pela presença dos africanos escravizados desde os primeiros momentos da colonização real do território, e de modo bem mais acentuado a partir do estabelecimento de ciclos econômicos como o do açúcar e o do café, que dependiam da exploração cada vez mais intensiva de números crescentes de escravizados. Não é à toa que, descontada a fortuna singular do nheengatu, cujo destino ia se desenrolando numa área que estava (e, em certa medida, ainda está) “isolada” do Brasil litorâneo e mais densamente povoado, o fim do período de ouro da língua geral paulista coincida com o início desse novo modelo econômico. Num movimento que partia fundamentalmente do Nordeste açucareiro (onde as línguas gerais nunca tiveram a mesma prevalência), o Brasil de brancos e indígenas seria substituído por um Brasil cada vez mais negro. E de maneira curiosa, e até irônica, como veremos, quando se pensa nas tentativas conscientes de embranquecer a população brasileira a partir de meados do século XIX, a fim de garantir a manutenção de um modelo europeu, talvez o fator determinante para a vitória do português em terras brasileiras tenha sido a dispersão dessa mão de obra negra por seu território. [...] Uma alteração importante nesse nosso ponto de vista é a noção de que alguns escravizados podem já ter chegado ao Brasil com graus variados de conhecimento da língua portuguesa. Primeiro, porque a presença do idioma em Angola ia se estabelecendo como uma realidade. Segundo, pelo fato de que as pessoas capturadas em regiões no interior com frequência acabavam passando longos períodos presas nos entrepostos do litoral. Nessas feitorias, onde havia africanos lusitanizados e portugueses, é possível que a língua estivesse se instalando como instrumento de contato entre falantes de idiomas diferentes. Antes de aportarem no Rio de Janeiro ou em Salvador, essas pessoas faziam viagens transatlânticas que, a depender dos pontos de partida e de chegada, podiam se estender por cerca de três meses, de novo num ambiente multilíngue cuja única constante era o português.
(GALINDO, C. W. Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p.164- 165;172.)
Sobre as ideias veiculadas no texto, assinale a alternativa correta.
- A)A região Nordeste foi a última a adotar o português como língua geral.
- B)A língua portuguesa falada no Brasil tem origem no modelo europeu padrão.
- C)O português do Brasil tem diversas origens linguísticas, sendo os negros escravizados determinantes para sua expansão.
- D)O português expandiu-se no Brasil por intermédio dos marinheiros das esquadras de Cabral.
- E)O português modelo a ser expandido para todo o território brasileiro era o paulista.
UNICENTRO20241a faseQuestao 2PortuguêsMediaLeia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 5.
Aquela narrativa-padrão segundo a qual não houve tensões e conflitos em nossa formação linguística, que dizia que o português se instalou no Brasil e foi apenas “influenciado” pelas línguas dos povos originários e escravizados (ou, como ouvi na escola, de índios e escravos), já se provou inadequada para descrever o tamanho do impacto que tiveram na trajetória do nosso país as línguas que existiam aqui quando se deu o desembarque dos marinheiros da esquadra de Cabral. A mesma coisa, você já deve estar imaginando, se aplica ao estudo das alterações geradas em nosso idioma pela presença dos africanos escravizados desde os primeiros momentos da colonização real do território, e de modo bem mais acentuado a partir do estabelecimento de ciclos econômicos como o do açúcar e o do café, que dependiam da exploração cada vez mais intensiva de números crescentes de escravizados. Não é à toa que, descontada a fortuna singular do nheengatu, cujo destino ia se desenrolando numa área que estava (e, em certa medida, ainda está) “isolada” do Brasil litorâneo e mais densamente povoado, o fim do período de ouro da língua geral paulista coincida com o início desse novo modelo econômico. Num movimento que partia fundamentalmente do Nordeste açucareiro (onde as línguas gerais nunca tiveram a mesma prevalência), o Brasil de brancos e indígenas seria substituído por um Brasil cada vez mais negro. E de maneira curiosa, e até irônica, como veremos, quando se pensa nas tentativas conscientes de embranquecer a população brasileira a partir de meados do século XIX, a fim de garantir a manutenção de um modelo europeu, talvez o fator determinante para a vitória do português em terras brasileiras tenha sido a dispersão dessa mão de obra negra por seu território. [...] Uma alteração importante nesse nosso ponto de vista é a noção de que alguns escravizados podem já ter chegado ao Brasil com graus variados de conhecimento da língua portuguesa. Primeiro, porque a presença do idioma em Angola ia se estabelecendo como uma realidade. Segundo, pelo fato de que as pessoas capturadas em regiões no interior com frequência acabavam passando longos períodos presas nos entrepostos do litoral. Nessas feitorias, onde havia africanos lusitanizados e portugueses, é possível que a língua estivesse se instalando como instrumento de contato entre falantes de idiomas diferentes. Antes de aportarem no Rio de Janeiro ou em Salvador, essas pessoas faziam viagens transatlânticas que, a depender dos pontos de partida e de chegada, podiam se estender por cerca de três meses, de novo num ambiente multilíngue cuja única constante era o português.
(GALINDO, C. W. Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p.164- 165;172.)
Acerca dos recursos linguísticos empregados no texto, considere as afirmativas a seguir.
I. As aspas usadas em determinadas palavras do texto servem para enfatizar ou ironizar as ideias apresentadas. II. O uso dos parênteses ao longo do texto gera um efeito de sentido redundante às ideias que são expostas. III. No segundo parágrafo, o uso do termo “você” tem o objetivo de tornar o texto mais formal devido ao assunto tratado. IV. No terceiro parágrafo, o uso da expressão “como veremos” indica a inclusão do leitor no processo de leitura.
Assinale a alternativa correta.
- A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
- B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
- C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
- D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
- E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
UNICENTRO20241a faseQuestao 3PortuguêsMediaLeia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 5.
Aquela narrativa-padrão segundo a qual não houve tensões e conflitos em nossa formação linguística, que dizia que o português se instalou no Brasil e foi apenas “influenciado” pelas línguas dos povos originários e escravizados (ou, como ouvi na escola, de índios e escravos), já se provou inadequada para descrever o tamanho do impacto que tiveram na trajetória do nosso país as línguas que existiam aqui quando se deu o desembarque dos marinheiros da esquadra de Cabral. A mesma coisa, você já deve estar imaginando, se aplica ao estudo das alterações geradas em nosso idioma pela presença dos africanos escravizados desde os primeiros momentos da colonização real do território, e de modo bem mais acentuado a partir do estabelecimento de ciclos econômicos como o do açúcar e o do café, que dependiam da exploração cada vez mais intensiva de números crescentes de escravizados. Não é à toa que, descontada a fortuna singular do nheengatu, cujo destino ia se desenrolando numa área que estava (e, em certa medida, ainda está) “isolada” do Brasil litorâneo e mais densamente povoado, o fim do período de ouro da língua geral paulista coincida com o início desse novo modelo econômico. Num movimento que partia fundamentalmente do Nordeste açucareiro (onde as línguas gerais nunca tiveram a mesma prevalência), o Brasil de brancos e indígenas seria substituído por um Brasil cada vez mais negro. E de maneira curiosa, e até irônica, como veremos, quando se pensa nas tentativas conscientes de embranquecer a população brasileira a partir de meados do século XIX, a fim de garantir a manutenção de um modelo europeu, talvez o fator determinante para a vitória do português em terras brasileiras tenha sido a dispersão dessa mão de obra negra por seu território. [...] Uma alteração importante nesse nosso ponto de vista é a noção de que alguns escravizados podem já ter chegado ao Brasil com graus variados de conhecimento da língua portuguesa. Primeiro, porque a presença do idioma em Angola ia se estabelecendo como uma realidade. Segundo, pelo fato de que as pessoas capturadas em regiões no interior com frequência acabavam passando longos períodos presas nos entrepostos do litoral. Nessas feitorias, onde havia africanos lusitanizados e portugueses, é possível que a língua estivesse se instalando como instrumento de contato entre falantes de idiomas diferentes. Antes de aportarem no Rio de Janeiro ou em Salvador, essas pessoas faziam viagens transatlânticas que, a depender dos pontos de partida e de chegada, podiam se estender por cerca de três meses, de novo num ambiente multilíngue cuja única constante era o português.
(GALINDO, C. W. Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p.164- 165;172.)
Em relação à formação das palavras usadas no texto, assinale a alternativa correta.
- A)A palavra composta “mão de obra” é formada pelo processo de justaposição.
- B)A palavra “nheengatu” é um exemplo de onomatopeia.
- C)O termo “narrativa-padrão” exemplifica o processo de composição por aglutinação.
- D)O termo “embranquecer” é formado pelo processo de derivação prefixal.
- E)O vocábulo “multilíngue” caracteriza um neologismo usado na língua portuguesa.
UNICENTRO20241a faseQuestao 4PortuguêsMediaLeia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 5.
Aquela narrativa-padrão segundo a qual não houve tensões e conflitos em nossa formação linguística, que dizia que o português se instalou no Brasil e foi apenas “influenciado” pelas línguas dos povos originários e escravizados (ou, como ouvi na escola, de índios e escravos), já se provou inadequada para descrever o tamanho do impacto que tiveram na trajetória do nosso país as línguas que existiam aqui quando se deu o desembarque dos marinheiros da esquadra de Cabral. A mesma coisa, você já deve estar imaginando, se aplica ao estudo das alterações geradas em nosso idioma pela presença dos africanos escravizados desde os primeiros momentos da colonização real do território, e de modo bem mais acentuado a partir do estabelecimento de ciclos econômicos como o do açúcar e o do café, que dependiam da exploração cada vez mais intensiva de números crescentes de escravizados. Não é à toa que, descontada a fortuna singular do nheengatu, cujo destino ia se desenrolando numa área que estava (e, em certa medida, ainda está) “isolada” do Brasil litorâneo e mais densamente povoado, o fim do período de ouro da língua geral paulista coincida com o início desse novo modelo econômico. Num movimento que partia fundamentalmente do Nordeste açucareiro (onde as línguas gerais nunca tiveram a mesma prevalência), o Brasil de brancos e indígenas seria substituído por um Brasil cada vez mais negro. E de maneira curiosa, e até irônica, como veremos, quando se pensa nas tentativas conscientes de embranquecer a população brasileira a partir de meados do século XIX, a fim de garantir a manutenção de um modelo europeu, talvez o fator determinante para a vitória do português em terras brasileiras tenha sido a dispersão dessa mão de obra negra por seu território. [...] Uma alteração importante nesse nosso ponto de vista é a noção de que alguns escravizados podem já ter chegado ao Brasil com graus variados de conhecimento da língua portuguesa. Primeiro, porque a presença do idioma em Angola ia se estabelecendo como uma realidade. Segundo, pelo fato de que as pessoas capturadas em regiões no interior com frequência acabavam passando longos períodos presas nos entrepostos do litoral. Nessas feitorias, onde havia africanos lusitanizados e portugueses, é possível que a língua estivesse se instalando como instrumento de contato entre falantes de idiomas diferentes. Antes de aportarem no Rio de Janeiro ou em Salvador, essas pessoas faziam viagens transatlânticas que, a depender dos pontos de partida e de chegada, podiam se estender por cerca de três meses, de novo num ambiente multilíngue cuja única constante era o português.
(GALINDO, C. W. Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p.164- 165;172.)
Sobre os recursos linguístico-semânticos utilizados no texto, considere as afirmativas a seguir.
I. Em “num ambiente multilíngue cuja única constante era o português”, o pronome “cuja” pode ser substituído pelo termo “onde”, sem prejuízo de sentido. II. No fragmento “a fim de garantir a manutenção de um modelo europeu”, a expressão “a fim de” indica a finalidade das atitudes vivenciadas no Brasil. III. No trecho “onde havia africanos lusitanizados e portugueses”, a palavra “onde” pode ser substituída pela expressão “em que” sem alterar o sentido original. IV. No trecho “ciclos econômicos como o do açúcar e o do café”, o termo “como” foi empregado para exemplificar as informações apresentadas.
Assinale a alternativa correta.
- A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
- B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
- C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
- D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
- E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
UNICENTRO20241a faseQuestao 5PortuguêsMediaLeia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 5.
Aquela narrativa-padrão segundo a qual não houve tensões e conflitos em nossa formação linguística, que dizia que o português se instalou no Brasil e foi apenas “influenciado” pelas línguas dos povos originários e escravizados (ou, como ouvi na escola, de índios e escravos), já se provou inadequada para descrever o tamanho do impacto que tiveram na trajetória do nosso país as línguas que existiam aqui quando se deu o desembarque dos marinheiros da esquadra de Cabral. A mesma coisa, você já deve estar imaginando, se aplica ao estudo das alterações geradas em nosso idioma pela presença dos africanos escravizados desde os primeiros momentos da colonização real do território, e de modo bem mais acentuado a partir do estabelecimento de ciclos econômicos como o do açúcar e o do café, que dependiam da exploração cada vez mais intensiva de números crescentes de escravizados. Não é à toa que, descontada a fortuna singular do nheengatu, cujo destino ia se desenrolando numa área que estava (e, em certa medida, ainda está) “isolada” do Brasil litorâneo e mais densamente povoado, o fim do período de ouro da língua geral paulista coincida com o início desse novo modelo econômico. Num movimento que partia fundamentalmente do Nordeste açucareiro (onde as línguas gerais nunca tiveram a mesma prevalência), o Brasil de brancos e indígenas seria substituído por um Brasil cada vez mais negro. E de maneira curiosa, e até irônica, como veremos, quando se pensa nas tentativas conscientes de embranquecer a população brasileira a partir de meados do século XIX, a fim de garantir a manutenção de um modelo europeu, talvez o fator determinante para a vitória do português em terras brasileiras tenha sido a dispersão dessa mão de obra negra por seu território. [...] Uma alteração importante nesse nosso ponto de vista é a noção de que alguns escravizados podem já ter chegado ao Brasil com graus variados de conhecimento da língua portuguesa. Primeiro, porque a presença do idioma em Angola ia se estabelecendo como uma realidade. Segundo, pelo fato de que as pessoas capturadas em regiões no interior com frequência acabavam passando longos períodos presas nos entrepostos do litoral. Nessas feitorias, onde havia africanos lusitanizados e portugueses, é possível que a língua estivesse se instalando como instrumento de contato entre falantes de idiomas diferentes. Antes de aportarem no Rio de Janeiro ou em Salvador, essas pessoas faziam viagens transatlânticas que, a depender dos pontos de partida e de chegada, podiam se estender por cerca de três meses, de novo num ambiente multilíngue cuja única constante era o português.
(GALINDO, C. W. Latim em pó: um passeio pela formação do nosso português. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p.164- 165;172.)
Acerca dos recursos de construção do texto, considere as afirmativas a seguir.
I. As expressões “marinheiros da esquadra de Cabral” e “colonização real do território” são empregadas como sinônimas na progressão textual. II. O uso do trecho “embranquecer a população brasileira” exemplifica uma figura de linguagem chamada hipérbole. III. Os trechos “falantes de idiomas diferentes” e “ambiente multilíngue” apresentam equivalência de sentidos no contexto utilizado. IV. O uso da expressão “Brasil cada vez mais negro” está no sentido denotativo, conforme as informações veiculadas no texto.
Assinale a alternativa correta.
- A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
- B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
- C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
- D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
- E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
UNICENTRO20241a faseQuestao 6PortuguêsMediaLeia o soneto, de Luís Vaz de Camões, a seguir.
Quando o sol encoberto vai mostrando Aqui esteve sentada, ali me viu, Ao mundo a luz quieta e duvidosa, Erguendo aqueles olhos, tão isentos; Ao longo de ˜ua praia deleitosa Aqui movida um pouco, ali segura. Vou na minha inimiga imaginando. Aqui se entristeceu, ali se riu. Aqui a vi, os cabelos concertando; E, enfim, nestes cansados pensamentos Ali, co’a mão na face tão, fermosa; Passo esta vida vã, que sempre dura. Aqui falando alegre, ali cuidosa; Agora estando queda, agora andando.
(CAMÕES, Luis De. Obra completa. Aguilar; 1963. p. 292.)
A partir da leitura desse soneto, assinale a alternativa correta.
- A)Quanto à métrica, os versos são decassílabos, à exceção da última estrofe, o que ilustra o paradoxo entre duração da vida e tamanho menor dos versos.
- B)As rimas ricas aparecem tanto nos quartetos, como em “fermosa” e “cuidosa”, quanto nos tercetos, como em “segura” e “dura”.
- C)A imagem da “luz quieta e duvidosa” exemplifica o uso da linguagem poética, com riqueza dos sentidos, tão frequente na lírica camoniana.
- D)O segundo e o terceiro versos da estrofe inicial já constituem rimas raras, por possuírem terminações sonoras e palavras muito incomuns.
- E)A ideia de “vida vã” do sujeito lírico acentua a indiferença e o tédio pela figura feminina que é repudiada no poema.
UNICENTRO20241a faseQuestao 7PortuguêsMediaLeia o poema, de Carlos Drummond de Andrade, a seguir.
A rua diferente Na minha rua estão cortando árvores botando trilhos construindo casas. Minha rua acordou mudada. Os vizinhos não se conformam. Eles não sabem que a vida tem dessas exigências brutas. Só minha filha goza o espetáculo e se diverte com os andaimes, a luz da solda autógena e o cimento escorrendo nas formas. (ANDRADE, C. D. Nova reunião. v.1. Rio de Janeiro: José Olympio, 1983. p.12.)
Com base nesse poema e nos conhecimentos sobre literatura, assinale a alternativa correta.
- A)A primeira estrofe revela um senso ecológico indisfarçável, imune aos apelos da modernização, que se consolida progressivamente nas demais estrofes do poema.
- B)A indignação dos vizinhos, exposta na segunda estrofe, é compreendida pelo sujeito lírico como uma resistência ideológica da qual ele diverge, embora reconheça a efetividade.
- C)O corte de árvores e o desapreço pelo progresso e pelas medidas de urbanização proporcionam justificativas para que aquelas exigências sejam consideradas “brutas”.
- D)Os andaimes e o cimento como fonte de diversão para a filha traduzem a consciência daquele momento lírico e sua postura lúdica diante das transformações da vida moderna.
- E)Os versos livres do poema estão em conformidade com o estado de espírito dos vizinhos e com os procedimentos modernistas que se iniciariam mais tarde com Mário e Oswald de Andrade.
UNICENTRO20241a faseQuestao 8PortuguêsMediaLeia o trecho do romance A Falência, de Júlia Lopes de Almeida, a seguir.
– O livro? – Está aqui. – Já leu? – Já. Trata-se de um amor um pouco parecido com o nosso. – Então não leio. Sei que está cheio de injustiças e de mentiras perversas. Os senhores romancistas não perdoam às mulheres; fazem-nas responsáveis por tudo – como se não pagássemos caro a felicidade que fruímos! Nesses livros tenho sempre medo do fim; revolto-me contra os castigos que eles infligem às nossas culpas, e desespero-me por não poder gritar-lhes: hipócritas! hipócritas! Leve o seu livro; não me torne a trazer desses romances. Basta-me o nosso para eu ter medo do fim. – Não tenha remorsos; o nosso não acabará! – Remorsos... remorsos de quê? Pensa, Gervásio, que, desde o primeiro ano de casado, o meu marido não me traiu também? Qual é a mulher, por mais estúpida, ou mais indiferente, que não adivinhe, que não sinta o adultério do marido no próprio dia em que ele é cometido? Há sempre um vestígio da outra, que se mostra em um gesto, em um perfume, em uma palavra, em um carinho... (ALMEIDA, J. L. A Falência. São Paulo: Via Leitura, 2018. p.31-32.)
Com base nesse trecho e na leitura integral desse romance, assinale a alternativa correta.
- A)A caracterização dos conflitos experimentados pela protagonista representa aprofundamento na complexidade da mulher, em comparação com o desejo que move as personagens femininas no Naturalismo.
- B)A revolta com os romancistas homens demonstrada pela protagonista deve-se à sua conscientização quanto à inclemência masculina com a trajetória das mulheres pontuada pela hipocrisia e pela ingenuidade.
- C)A estupidez e a indiferença das mulheres são traços entendidos pela protagonista como a raiz e a motivação dos adultérios cometidos pelos homens e respaldados pelos romancistas sexistas.
- D)As intercalações de comentários críticos do narrador em terceira pessoa com as falas das personagens no diálogo são evidentes nas três últimas frases do trecho.
- E)O romance é narrado em primeira pessoa pela protagonista Camila, como atesta o trecho aqui transcrito, que contém diálogo entre ela, uma mulher casada, e seu amante Gervásio.
UNICENTRO20241a faseQuestao 9PortuguêsMediaAnuladaO conto “O x do problema”, do volume O Seminário dos Ratos, de Lygia Fagundes Telles, expõe personagens diante de um programa de televisão cujo nome intitula a narrativa. A partir da leitura desse conto, considere as afirmativas a seguir que contêm interpretações das falas de personagens.
I. Em “E subiu mais, viu, César? O rio. O moço do jornal já avisou que vai ser que nem no domingo, o céu já tá preto, esta parede num vai aguentar.”, há referências a previsões meteorológicas que ameaçam as já precárias condições de vida daqueles moradores, o que contribui para a ambiguidade do título: o problema enfrentado por eles mesmos. II. Em “O Mário da Nena disse que esse programa é tudo marmelada, que foi combinado pergunta e resposta, ele conhece o Aryosvaldo, disse que é um cabeleireiro fajuto que sabe dessa Marquesa de Santos tanto quanto a gente.”, há um discurso que aponta a farsa dos programas televisivos e tem ressonância nas demais personagens, redefinindo a narrativa. III. Em “Ah, coitado, me dá um nervo (...) Fedor desgraçado, acho que essa lama veio do inferno.”, a personagem desvia-se da dinâmica e do suspense do programa para debochar do participante e se conscientizar sobre os próprios problemas causados pela chuva e pelas enchentes que afetam aquela moradia. IV. Em “Diz que vai ter agora um cara falando de Pelé, mas quem quer Pelé? Pelé está velho, eu queria o Zico. Zico, Zico!”, sobressai a inclinação pelo efêmero com a rejeição a um ídolo com a tradição de Pelé e a expectativa de sua substituição por um ídolo mais jovem, emergente na época, como Zico.
Assinale a alternativa correta.
- A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
- B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
- C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
- D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
- E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
UNICENTRO20241a faseQuestao 10PortuguêsMediaLeia o trecho do romance Suíte Tóquio, de Giovana Madalosso, a seguir.
Motorista é empregado, com carga pra entregar, horário pra cumprir, não vai ficar estuprando durante o expediente. Pra mostrar que sou mulher direita, vou até o banco, pego a Picochuca. Volto com ela dormindo no meu colo, levanto a mão. Outro vem e passa direto por mim. Não demora muito e aparece uma cegonha. Esse vai parar, leva tanto carro, o que custa levar uma mulher e uma menina? Deve custar alguma coisa, porque o motorista não para. Talvez não tenha enxergado a gente. Resolvo avançar um pouco mais, meu pé direito em cima da faixa amarela. Lá vem mais um e penso que foi enviado pra mim, no para-choque escrito bem grande Rastreado por Deus. Mas esse também não para, assim como a carreta e o caminhão-tanque que vem atrás dela e passa como se eu não existisse. Fico pensando o que é que está acontecendo, a vida arrancou o coração de todas essas pessoas? Depois de alguns minutos, vem outro. Pra minha surpresa, o caminhão freia. A porta abre. Um homem me olha lá de cima. Tenho medo dele, mas parece que ele também tem medo de mim. Me observa, desconfiado, do assento coberto por bolinhas de madeira, que nem as que o Lauro usava pra relaxar no trânsito. Tô indo pra São Paulo, falo pra ele. Eu também, sobe aí, diz, e estende a mão pra me ajudar. Não sei se é a gentileza ou o banco igual ao do Lauro, mas não sinto tanto medo dele, só um pouco. Sento, me ajeito sem acordar a Picochuca, ponho o cinto de segurança. É tua filha?, pergunta. Digo que sim. (MADALOSSO, G. Suíte Tóquio. São Paulo: Todavia, 2020. p.157-158.)
Com base nesse trecho, na leitura integral do romance e nas correlações com Niketche, de Paulina Chiziane, e A Falência, de Júlia Lopes de Almeida, assinale a alternativa correta.
- A)A referência ao medo e ao risco de estupro quando Maju pede carona põe em evidência a violência sexual cometida por homens contra as mulheres e sofrida pela babá em relacionamentos anteriores. Tal temor desponta em Rami no romance Niketche, devido ao casamento conturbado com Tony, que espanca as demais amantes, e aos diversos relatos de vítimas de estupro reproduzidos na narrativa.
- B)A reflexão de Maju, ao demorar a conseguir carona, sobre a falta de piedade das pessoas destaca-se como um sentimento perturbador no mundo contemporâneo quanto ao desprezo dos seres humanos na vida social. Em A Falência, esse incômodo manifesta-se em Francisco Theodoro, atormentado pelo adultério da esposa e pela agressividade do mundo dos negócios; ambas as situações levam-no ao suicídio.
- C)O trecho compõe um retrato falsamente favorável à conduta de Maju, que, afinal, é uma sequestradora bárbara de crianças que maltrata Cora em vários outros episódios. Esse quadro é próximo do desempenho de Camila como esposa adúltera e mãe desligada dos problemas experimentados pelo marido e pelos filhos no romance A Falência.
- D)O trecho é narrado em primeira pessoa por Maju, uma babá, assim como as demais passagens e capítulos do romance, ainda que o foco seja dividido com outras personagens, como a patroa Fernanda. Essa forma de narrar é a mesma de Niketche, que tem Rami como narradora, embora o foco se distribua entre outras esposas e amantes de Tony, tão abordadas no romance quanto Rami.
- E)O trecho inicia-se com um comentário a respeito da condição de trabalhador a que se submete o motorista e que impõe determinados ajustes à rotina e à vida de Maju. Esse tópico é menos focalizado em A Falência, pois, nesse romance, Camila, a protagonista, é a patroa, e a dimensão mais explorada é a afetiva, embora o desenrolar da trama conduza a alterações na vida doméstica ali representada.
UNICENTRO20241a faseQuestao 11InglêsMediaLeia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 3.
What does ‘brain dead’ really mean? The battle over how science defines the end of life Ideological differences threaten to muddy the definition of death in the United States – with potentially negative consequences for clinicians and people awaiting organ transplants. • Max Kozlov • Published on 11 July 2023 Dead in California but alive in New Jersey: that was the status of 13-year-old Jahi McMath after physicians in Oakland, California, declared her brain dead in 2013, after complications from a tonsillectomy. Unhappy with the care that their daughter received and unwilling to remove life support, McMath’s family moved with her to New Jersey, where the law allowed them to lodge a religious objection to the declaration of brain death and keep McMath connected to life-support systems for another four and a half years. Prompted by such legal discrepancies and a growing number of lawsuits around the United States, a group of neurologists, physicians, lawyers and bioethicists is attempting to harmonize state laws surrounding the determination of death. They say that imprecise language in existing laws – as well as research done since the laws were passed – threatens to undermine public confidence in how death is defined worldwide. “It doesn’t really make a lot of sense,” says Ariane Lewis, a neurocritical care clinician at NYU Langone Health in New York City. “Death is something that should be a set, finite thing. It shouldn’t be something that’s left up to interpretation.” Since 2021, a committee in the Uniform Law Commission (ULC), a non-profit organization in Chicago, Illinois, that drafts model legislation for states to adopt, has been revising its recommendation for the legal determination of death. The drafting committee hopes to clarify the definition of brain death, determine whether consent is required to test for it, specify how to handle family objections and provide guidance on how to incorporate future changes to medical standards. The broader membership of the ULC will offer feedback on the first draft of the revised law at a meeting on 26 July. After members vote on it, the text could be ready for state legislatures to consider by the middle of next year. (Disponível em: <https://www.nature.com/articles/d41586-023-02226-z>. Acesso em: 12 set. 2023.)
Leia o fragmento do texto a seguir. They say that imprecise language in existing laws – as well as research done since the laws were passed – threatens to undermine public confidence in how death is defined worldwide. Com base no fragmento do texto, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o sinônimo da palavra “undermine”.
- A)countenance
- B)enhance
- C)improve
- D)jeopardize
- E)strengthen
UNICENTRO20241a faseQuestao 12InglêsMediaLeia o texto a seguir e responda às questões de 1 a 3.
What does ‘brain dead’ really mean? The battle over how science defines the end of life Ideological differences threaten to muddy the definition of death in the United States – with potentially negative consequences for clinicians and people awaiting organ transplants. • Max Kozlov • Published on 11 July 2023 Dead in California but alive in New Jersey: that was the status of 13-year-old Jahi McMath after physicians in Oakland, California, declared her brain dead in 2013, after complications from a tonsillectomy. Unhappy with the care that their daughter received and unwilling to remove life support, McMath’s family moved with her to New Jersey, where the law allowed them to lodge a religious objection to the declaration of brain death and keep McMath connected to life-support systems for another four and a half years. Prompted by such legal discrepancies and a growing number of lawsuits around the United States, a group of neurologists, physicians, lawyers and bioethicists is attempting to harmonize state laws surrounding the determination of death. They say that imprecise language in existing laws – as well as research done since the laws were passed – threatens to undermine public confidence in how death is defined worldwide. “It doesn’t really make a lot of sense,” says Ariane Lewis, a neurocritical care clinician at NYU Langone Health in New York City. “Death is something that should be a set, finite thing. It shouldn’t be something that’s left up to interpretation.” Since 2021, a committee in the Uniform Law Commission (ULC), a non-profit organization in Chicago, Illinois, that drafts model legislation for states to adopt, has been revising its recommendation for the legal determination of death. The drafting committee hopes to clarify the definition of brain death, determine whether consent is required to test for it, specify how to handle family objections and provide guidance on how to incorporate future changes to medical standards. The broader membership of the ULC will offer feedback on the first draft of the revised law at a meeting on 26 July. After members vote on it, the text could be ready for state legislatures to consider by the middle of next year. (Disponível em: <https://www.nature.com/articles/d41586-023-02226-z>. Acesso em: 12 set. 2023.)
Em relação à discussão sobre morte cerebral, atribua V (verdadeiro) ou F (falso) às afirmativas a seguir.
( ) A discussão sobre o tema não tem avançado, uma vez que só é de interesse de médicos diretamente envolvidos e familiares de pacientes considerados, em alguns estados, como mortos. ( ) Mudanças nas leis estaduais enfrentam, contudo, resistência de grupos religiosos. ( ) Há quem considere que a definição de morte não deveria estar aberta a interpretações. ( ) Legislações estaduais que consideram certos grupos de pessoas mortas não refletem resultados de estudos recentes. ( ) Um comitê estadunidense trabalha na proposição de um texto-base para padronizar, na medida do possível, a redação de leis estaduais sobre o assunto.
Assinale a alternativa que contém, de cima para baixo, a sequência correta.
- A)V, V, F, V, F.
- B)V, F, V, V, F.
- C)V, F, F, F, V.
- D)F, V, V, F, F.
- E)F, F, V, V, V.