Prova · UPE 2026

Prova UPE 2026: questões por disciplina

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Questões da prova UPE 2026

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UPE2026SSA 3Questao 1PortuguêsMedia
Leia, a seguir, a reprodução de uma postagem do Instagram da escritora e performer recifense Luna Vitrolira (@luna_vitrolira), na qual a artista declama um poema em homenagem ao Dia da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, numa prática de linguagem do campo artístico-literário. Texto do vídeo (legenda sobre a imagem): "fomos feitas para revolucionar" Legenda da postagem — luna_vitrolira (Áudio original): ser negra, além de cor, é caminho. é nascer no centro do alvo e ainda assim aprender a dançar. ser negra é ter pele que conta histórias, corpo que carrega o mundo e mesmo assim inventa sorriso. é saber que o espelho já foi inimigo, mas virou altar. é ouvir que não pode, e abrir caminhos mesmo assim. ser negra é carregar a sabedoria das que vieram antes: as que pariram liberdade na beira do abismo, as que cozinharam resistência em panela de ferro, as que pentearam esperança com mão de avó. ser Mulher Negra Latino-Americana, Caribenha é ser raiz que não se arranca, é ser tambor que não se cala, é ser mapa do que a história tentou esconder. somos muitas. somos quilombo, maré, tempestade. somos negras de pele, de alma, de destino. e hoje, no dia que é nosso, lembramos: nós não fomos feitas pra caber — fomos feitas pra revolucionar. com Axé, com ternura, e com fogo nos olhos prontas para queimar quem ousar atravessar nosso caminho #25dejulho #25dejulhodiainternacionaldamulhernegraelatinoamericanaecaribenha #diadamulhernegra #terezadebenguela Disponível em: https://www.instagram.com/reel/DMiJ7b4uf89/. Acesso em: 27 jul. 2025. No contexto de circulação da ciberliteratura, a forma digital do texto amplia a repercussão política do poema. Na publicação em questão, essa ampliação reforça o efeito de contestação a partir
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  1. A)da interação analógica do usuário da rede social, que, pelo clique e pelo compartilhamento, engaja ativamente a autoria para a propagação da crítica.
  2. B)da relação transmídia da folia carnavalesca impressa no vídeo, que une o visual de uma festa popular e o poema de protesto e ressignifica a cultura.
  3. C)da remidiação do texto poético, que sai da versão verbal escrita para o formato de vídeo de curta duração e democratiza, assim, o seu alcance ideológico.
  4. D)das hashtags, que, com a certeza de vinculação entre diferentes mídias, funcionam como um link entre a crítica e a realidade desse contexto social.
  5. E)dos ícones de like, comentar e compartilhar, que transformam o leitor em um agente ativo na performance e difusão do texto nas diferentes mídias.
UPE2026SSA 1Questao 1ArtesMedia
Leia o trecho e observe as imagens a seguir. O Teatro de Bonecos Popular do Nordeste, ou mamulengo, realizado tradicionalmente por artistas populares, está presente em pequenas localidades interioranas dos estados nordestinos, mas também em comunidades nos grandes centros urbanos, construindo as identidades e elementos da diversidade cultural brasileira. Essa arte teatral e os saberes a ela relacionados vêm sendo recriados e reinterpretados nos locais onde se fixou, assumindo configurações diferenciadas ao longo do tempo, inclusive na região Sudeste e Centro Sul do Brasil, destacando-se pela renovação estética, a inclusão e a mediação pedagógica, através de uma nova geração advinda da educação formal. Disponível em: https://bcr.iphan.gov.br/bens-culturais/teatro-de-bonecos-popular-do-nordeste-mamulengo-babau-joao-redondo-e-cassimiro-coco/. Acesso em: 5 jun. 2025. Adaptado. Sobre as imagens ilustrativas dessa arte, podemos afirmar que as semelhanças entre elas se refletem no(s)/na
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  1. A)artistas: ambos são jovens, usam microfone, o que sugere um formato mais contemporâneo ou adaptado ao público urbano/escolar, pois ambos foram formados dentro da tradição oral popular.
  2. B)cenário: os dois ambientes são abertos e arborizados, e as apresentações são encenadas em uma estrutura simples com pano florido ao fundo e palco adaptado (provavelmente itinerante).
  3. C)bonecos: os três bonecos da imagem da direita e os dois da esquerda interpretam uma cena cômica ou crítica social, de cerimônia matrimonial, comum no mamulengo tradicional, comum em metrópoles e na zona rural.
  4. D)expressividade: os artistas olham para cima, diretamente para os bonecos, totalmente integrados ao ato de manipulação, evidenciando a relação corporal e emocional que ambos mantêm com os bonecos.
  5. E)contexto: ambos os contextos indicam uma interpretação tipicamente tradicional do mamulengo, com intenções educativas e de valorização da diversidade étnico-racial ou pedagógica, típica de zonas rurais.
UPE2026SSA 2Questao 1PortuguêsMedia
Texto 1 Invisibilidade social: a cor da desigualdade Na sua vigésima edição em SP, a Marcha da Consciência Negra em 2023 é a primeira desde que 20 de novembro é feriado. Monyse Ravena. 24 nov. 2023. Por Ana Paula Alvarenga Hoje, 20 de novembro, dia em que escrevo este breve artigo, é dia de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra. Não tenho a pretensão de explicar as causas do racismo, as causas da invisibilidade e exclusão da população negra e as causas das muitas formas de violência real e simbólica vivenciadas cotidianamente pelas pessoas pretas no Brasil. No breve espaço de um artigo, a intenção é apenas denunciar, me juntando às muitas vozes, que a desigualdade e a miséria têm cor, que a violência tem cor e que a exclusão social também tem cor. A cor negra. A cor preta. Na sociedade contemporânea, um fenômeno insidioso e prejudicial persiste, muitas vezes ignorado ou negligenciado: a invisibilidade social. Embora todos os indivíduos e grupos mereçam igual reconhecimento e oportunidades, a invisibilidade social afeta desproporcionalmente aqueles que enfrentam discriminação, marginalização e falta de representação. Grupos invisibilizados, ignorados, sub-representados ou negligenciados na sociedade, sob várias formas e em diversas esferas, incluindo a social, a política, a econômica e a cultural. Dentre esses grupos, as pessoas negras, que, segundo os dados do IBGE, representam 56% do total da população brasileira. Esses dados estão recheados de subjetividades: são histórias, memórias, vivências, vidas reais. São rostos pretos e histórias de pessoas pretas que enfrentam diariamente as consequências de um sistema racista que as invisibiliza e marginaliza, uma realidade vivida por seres humanos que veem suas oportunidades limitadas devido a barreiras sistêmicas baseadas em preconceitos. [...] Em relação às mulheres negras, os dados são ainda mais dramáticos: uma em cada seis mulheres negras ocupadas (15,8%) trabalha como empregada doméstica, uma em cada quatro das mulheres negras aptas a compor a força de trabalho (26,6%) estavam desocupadas, desalentadas ou subocupadas, número muito inferior à população não negra em geral, e sobretudo em relação ao percentual de homens brancos nas mesmas situações. Carolina de Jesus, uma das mais importantes escritoras brasileiras, autora do livro Quarto de Despejo, lançado em 1960, protestou: "Não digam que fui rebotalho, que vivi à margem da vida. Digam que eu procurava trabalho, mas fui sempre preterida. Digam ao povo brasileiro que meu sonho era ser escritora, mas eu não tinha dinheiro para pagar uma editora". Combater a invisibilidade social requer luta, conscientização, mudanças nas estruturas sociais e também na legislação, promovendo a inclusão e a real igualdade. Neste processo é fundamental reconhecer e dar voz aos grupos invisibilizados, a fim de construir uma sociedade mais justa e equânime. [...] Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/colunista/avesso-do-direito/2023/11/24/invisibilidade-social-a-cor-da-desigualdade/. Acesso em: 6 jun. 2025. Adaptado. Leia o título do Texto 1 e observe a fotografia que o segue. Considerando que se trata de um texto do campo jornalístico, é CORRETO afirmar que
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  1. A)a fotografia cumpre o seu papel específico, que é o de traduzir, em imagem e com exatidão, o título da reportagem.
  2. B)a manchete e a imagem se juntam em prol de um único objetivo: obter a adesão do leitor a favor de uma manifestação popular.
  3. C)o título denuncia a prevalência da injustiça e da desigualdade racial; já a fotografia mostra que a população negra resiste.
  4. D)o texto e a imagem empregam a mesma linguagem para denunciar o problema da desigualdade social na população negra.
  5. E)o principal objetivo do título e da imagem é enaltecer heróis e heroínas da resistência negra, a fim de construir uma nova história.
UPE2026SSA 1Questao 2PortuguêsMedia
O texto a seguir, do campo jornalístico-midiático, nos faz um alerta importante. Com base nesse texto, responda às questões 2 e 3. O ChatGPT não é seu terapeuta A discussão sobre saúde mental é um dos grandes debates da contemporaneidade, especialmente depois da pandemia de COVID-19, quando o confinamento nos obrigou a romper, por um período, com as lógicas de sociabilidade no trabalho, na família e nos demais círculos a que estamos acostumados cotidianamente. Com a crescente disseminação de ferramentas de inteligência artificial generativa nos últimos dois anos, não era difícil de se imaginar que esses dois mundos, aparentemente distantes, se cruzariam em algum momento. É exatamente o que está acontecendo com o uso de IA para simular sessões com psicólogos, detectado por alguns relatórios e estudos, mostrando que questões psicossociais e máquinas estão cada vez mais entranhadas. [...]. Como mostram os estudos, os usos recentes da IA estão mais relacionados a padrões comportamentais íntimos do que a questões de produtividade no trabalho. É como se as pessoas vissem no ChatGPT uma espécie de terapeuta ou amigo que pode auxiliá-las a melhorar o bem-estar, escutando problemas e impulsionando reflexões existenciais. Os dilemas em torno disso são muitos. Um chatbot não tem acesso ao seu histórico e à sua bagagem de vida, o que implica diretamente na progressão do tratamento e na escolha de abordagens e focos personalizados. Também não observa nuances de expressão facial e postura, como um profissional durante uma sessão com seu paciente, e não tem a dimensão ética e o sigilo profissional dessa relação. Simplesmente porque estamos falando de máquinas, e não de seres humanos — máquinas otimizadas para reagir a nossos sentimentos e promover a sensação de acolhimento, mas não para entender de fato o nosso contexto e as dificuldades por que passamos. Há, ainda, questões referentes à própria IA: essas tecnologias podem trazer informações enganosas ou inventadas, que reproduzem vieses e discursos bastante problemáticos. Ademais, os dados nela inseridos não estão necessariamente protegidos, o que significa que podem ser copiados ou vazados. E, se estamos tratando de questões íntimas e sensíveis, a privacidade é fundamental. […] É sabido que o acesso a tratamentos psicológicos é escasso e pode ser demorado no Sistema Único de Saúde (SUS). Tratamentos particulares, por sua vez, são caríssimos em um país extremamente desigual como o Brasil. A possibilidade de “conversar” gratuitamente a qualquer hora e sem julgamentos com “alguém” sobre seus problemas pessoais acaba sendo bastante sedutora para muita gente. Mesmo que esse “alguém” seja uma tela em branco. [...] A aparente naturalidade com que essas máquinas dialogam conosco, suas respostas empáticas e, mais do que isso, um mercado que as apresenta como humanoides amigáveis ou fofos, convertem-se em uma armadilha para os que estão mais vulneráveis. Uma educação digital fortalecedora deve lançar um olhar crítico sobre essas tecnologias e como elas funcionam, desconstruindo um imaginário que as apresenta como “quase humanas” e evitando os riscos que podem resultar disso. Mariana Mandelli. Disponível em: https://www.palavraaberta.org.br/artigo/o-chatgpt-nao-e-seu-terapeuta. Acesso em: 5 ago. 2025. Adaptado. O texto apresentado, assim como outros do mesmo gênero, tem como uma de suas características
  1. A)a utilização de uma linguagem rebuscada, com organização sintática complexa e excesso de rigor formal e estilístico.
  2. B)uma flagrante imprecisão estrutural, que não define a introdução, o desenvolvimento e a conclusão, com prejuízo ao gênero textual
  3. C)a prevalência da subjetividade, com parcialidade na exposição dos fatos e opiniões pessoais tendenciosas.
  4. D)o foco na expressividade, com emprego de uma linguagem subjetiva, visando transmitir emoções a seu público-alvo.
  5. E)a abordagem de tema da atualidade, interessante e relevante para o público leitor, a partir de uma perspectiva humana.
UPE2026SSA 3Questao 2PortuguêsMedia
Observe, a seguir, o perfil pessoal de Atila Iamarino no LinkedIn, uma rede social de currículos web, numa prática de linguagem do campo da vida pessoal. Atila Iamarino Explicador do mundo São Paulo, São Paulo, Brasil · 465 conexões [Botão: Cadastre-se para se conectar] Não Ficção | Universidade de São Paulo | Sites Sobre Escrevo e produzo vídeos de educação e ciência. Palestrante e comunicador científico. Sou responsável por um canal no YouTube com mais de 1 milhão de inscritos e também pelos vídeos de ciência no canal Nerdologia ambos no Youtube. Com experiência em Design de Cursos Online (MOOCs), Educação Digital, Comunicação Científica, Estratégia Digital e Criação de Comunidades. Pesquisador com Doutorado em Microbiologia pela Universidade de São Paulo. Disponível em: https://www.linkedin.com/in/atilaiamarino/?locale=pt_BR. Acesso em: 30 ago. 2025. Na construção de seu perfil profissional, a seleção vocabular é um elemento essencial para promover a imagem de Atila como "explicador do mundo". Pensando nos gêneros textuais de apresentação pessoal e seus múltiplos contextos como definidores da escolha vocabular, é CORRETO afirmar que
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  1. A)a circulação do currículo on-line é impulsionada pelo uso de termos que o associam à comunicação de temas simples, típicos do cotidiano de seu público.
  2. B)a circulação do currículo web se dá por meio de termos como "Nerdologia" e "divulgação científica", que ampliam seu alcance em outras plataformas digitais.
  3. C)a produção do perfil digital de Atila Iamarino emprega variados termos técnicos, fazendo uso de um vocabulário científico para estabelecer sua autoridade.
  4. D)a recepção de sua apresentação pessoal nessa rede social se baseia em itens lexicais que se relacionam com os elementos multimodais do currículo web.
  5. E)a recepção do currículo no LinkedIn é facilitada pelo emprego de palavras-chave que posicionam Iamarino como especialista em biologia e comunicação científica.
UPE2026SSA 2Questao 2PortuguêsMedia
Texto 1 Invisibilidade social: a cor da desigualdade Na sua vigésima edição em SP, a Marcha da Consciência Negra em 2023 é a primeira desde que 20 de novembro é feriado. Monyse Ravena. 24 nov. 2023. Por Ana Paula Alvarenga Hoje, 20 de novembro, dia em que escrevo este breve artigo, é dia de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra. Não tenho a pretensão de explicar as causas do racismo, as causas da invisibilidade e exclusão da população negra e as causas das muitas formas de violência real e simbólica vivenciadas cotidianamente pelas pessoas pretas no Brasil. No breve espaço de um artigo, a intenção é apenas denunciar, me juntando às muitas vozes, que a desigualdade e a miséria têm cor, que a violência tem cor e que a exclusão social também tem cor. A cor negra. A cor preta. Na sociedade contemporânea, um fenômeno insidioso e prejudicial persiste, muitas vezes ignorado ou negligenciado: a invisibilidade social. Embora todos os indivíduos e grupos mereçam igual reconhecimento e oportunidades, a invisibilidade social afeta desproporcionalmente aqueles que enfrentam discriminação, marginalização e falta de representação. Grupos invisibilizados, ignorados, sub-representados ou negligenciados na sociedade, sob várias formas e em diversas esferas, incluindo a social, a política, a econômica e a cultural. Dentre esses grupos, as pessoas negras, que, segundo os dados do IBGE, representam 56% do total da população brasileira. Esses dados estão recheados de subjetividades: são histórias, memórias, vivências, vidas reais. São rostos pretos e histórias de pessoas pretas que enfrentam diariamente as consequências de um sistema racista que as invisibiliza e marginaliza, uma realidade vivida por seres humanos que veem suas oportunidades limitadas devido a barreiras sistêmicas baseadas em preconceitos. [...] Em relação às mulheres negras, os dados são ainda mais dramáticos: uma em cada seis mulheres negras ocupadas (15,8%) trabalha como empregada doméstica, uma em cada quatro das mulheres negras aptas a compor a força de trabalho (26,6%) estavam desocupadas, desalentadas ou subocupadas, número muito inferior à população não negra em geral, e sobretudo em relação ao percentual de homens brancos nas mesmas situações. Carolina de Jesus, uma das mais importantes escritoras brasileiras, autora do livro Quarto de Despejo, lançado em 1960, protestou: "Não digam que fui rebotalho, que vivi à margem da vida. Digam que eu procurava trabalho, mas fui sempre preterida. Digam ao povo brasileiro que meu sonho era ser escritora, mas eu não tinha dinheiro para pagar uma editora". Combater a invisibilidade social requer luta, conscientização, mudanças nas estruturas sociais e também na legislação, promovendo a inclusão e a real igualdade. Neste processo é fundamental reconhecer e dar voz aos grupos invisibilizados, a fim de construir uma sociedade mais justa e equânime. [...] Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/colunista/avesso-do-direito/2023/11/24/invisibilidade-social-a-cor-da-desigualdade/. Acesso em: 6 jun. 2025. Adaptado. Ao abordar o tema, a autora do Texto 1 faz uso de alguns recursos linguísticos que promovem certos efeitos de sentido. Acerca desses recursos, assinale a alternativa CORRETA.
  1. A)O emprego da primeira pessoa, como em "Hoje, 20 de novembro, dia em que escrevo este breve artigo", resulta em certo distanciamento entre a locutora e seus leitores.
  2. B)O processo de repetição em "a intenção é denunciar que a desigualdade e a miséria têm cor, que a violência tem cor e que a exclusão social também tem cor" compromete a estrutura e o ritmo desse trecho.
  3. C)A sequência dos adjetivos em "Grupos invisibilizados, ignorados, sub-representados ou negligenciados na sociedade" imprime grande força neste trecho e, discursivamente, torna tais grupos "visíveis".
  4. D)Em "um fenômeno insidioso e prejudicial persiste, muitas vezes ignorado ou negligenciado", cada termo dos pares "insidioso e prejudicial" e "ignorado ou negligenciado" partilha entre si sentidos frontalmente opostos.
  5. E)Processos de reiteração como em "A cor negra. A cor preta." têm repercussão no nível estilístico, mas não contribuem, efetivamente, com os efeitos de sentido do texto.
UPE2026SSA 2Questao 3PortuguêsMedia
Texto 1 Invisibilidade social: a cor da desigualdade Na sua vigésima edição em SP, a Marcha da Consciência Negra em 2023 é a primeira desde que 20 de novembro é feriado. Monyse Ravena. 24 nov. 2023. Por Ana Paula Alvarenga Hoje, 20 de novembro, dia em que escrevo este breve artigo, é dia de Zumbi dos Palmares e da Consciência Negra. Não tenho a pretensão de explicar as causas do racismo, as causas da invisibilidade e exclusão da população negra e as causas das muitas formas de violência real e simbólica vivenciadas cotidianamente pelas pessoas pretas no Brasil. No breve espaço de um artigo, a intenção é apenas denunciar, me juntando às muitas vozes, que a desigualdade e a miséria têm cor, que a violência tem cor e que a exclusão social também tem cor. A cor negra. A cor preta. Na sociedade contemporânea, um fenômeno insidioso e prejudicial persiste, muitas vezes ignorado ou negligenciado: a invisibilidade social. Embora todos os indivíduos e grupos mereçam igual reconhecimento e oportunidades, a invisibilidade social afeta desproporcionalmente aqueles que enfrentam discriminação, marginalização e falta de representação. Grupos invisibilizados, ignorados, sub-representados ou negligenciados na sociedade, sob várias formas e em diversas esferas, incluindo a social, a política, a econômica e a cultural. Dentre esses grupos, as pessoas negras, que, segundo os dados do IBGE, representam 56% do total da população brasileira. Esses dados estão recheados de subjetividades: são histórias, memórias, vivências, vidas reais. São rostos pretos e histórias de pessoas pretas que enfrentam diariamente as consequências de um sistema racista que as invisibiliza e marginaliza, uma realidade vivida por seres humanos que veem suas oportunidades limitadas devido a barreiras sistêmicas baseadas em preconceitos. [...] Em relação às mulheres negras, os dados são ainda mais dramáticos: uma em cada seis mulheres negras ocupadas (15,8%) trabalha como empregada doméstica, uma em cada quatro das mulheres negras aptas a compor a força de trabalho (26,6%) estavam desocupadas, desalentadas ou subocupadas, número muito inferior à população não negra em geral, e sobretudo em relação ao percentual de homens brancos nas mesmas situações. Carolina de Jesus, uma das mais importantes escritoras brasileiras, autora do livro Quarto de Despejo, lançado em 1960, protestou: "Não digam que fui rebotalho, que vivi à margem da vida. Digam que eu procurava trabalho, mas fui sempre preterida. Digam ao povo brasileiro que meu sonho era ser escritora, mas eu não tinha dinheiro para pagar uma editora". Combater a invisibilidade social requer luta, conscientização, mudanças nas estruturas sociais e também na legislação, promovendo a inclusão e a real igualdade. Neste processo é fundamental reconhecer e dar voz aos grupos invisibilizados, a fim de construir uma sociedade mais justa e equânime. [...] Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/colunista/avesso-do-direito/2023/11/24/invisibilidade-social-a-cor-da-desigualdade/. Acesso em: 6 jun. 2025. Adaptado. O primeiro parágrafo do Texto 1 é todo elaborado a partir de informações que a autora indica não pretender explicar. Contudo, de suas palavras, qual informação podemos inferir?
  1. A)Ela é contra o racismo, mas desconhece as causas desse fenômeno no Brasil.
  2. B)Ela reconhece a exclusão das pessoas negras, mas essa não é a sua luta.
  3. C)Por ser uma mulher negra, ela se sente profundamente afetada pelo racismo.
  4. D)No Brasil, a violência assume formas distintas, conforme a cor da pele.
  5. E)Pessoas brancas e negras estão igualmente expostas à violência cotidiana.
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O texto a seguir, do campo jornalístico-midiático, nos faz um alerta importante. Com base nesse texto, responda às questões 2 e 3. O ChatGPT não é seu terapeuta A discussão sobre saúde mental é um dos grandes debates da contemporaneidade, especialmente depois da pandemia de COVID-19, quando o confinamento nos obrigou a romper, por um período, com as lógicas de sociabilidade no trabalho, na família e nos demais círculos a que estamos acostumados cotidianamente. Com a crescente disseminação de ferramentas de inteligência artificial generativa nos últimos dois anos, não era difícil de se imaginar que esses dois mundos, aparentemente distantes, se cruzariam em algum momento. É exatamente o que está acontecendo com o uso de IA para simular sessões com psicólogos, detectado por alguns relatórios e estudos, mostrando que questões psicossociais e máquinas estão cada vez mais entranhadas. [...]. Como mostram os estudos, os usos recentes da IA estão mais relacionados a padrões comportamentais íntimos do que a questões de produtividade no trabalho. É como se as pessoas vissem no ChatGPT uma espécie de terapeuta ou amigo que pode auxiliá-las a melhorar o bem-estar, escutando problemas e impulsionando reflexões existenciais. Os dilemas em torno disso são muitos. Um chatbot não tem acesso ao seu histórico e à sua bagagem de vida, o que implica diretamente na progressão do tratamento e na escolha de abordagens e focos personalizados. Também não observa nuances de expressão facial e postura, como um profissional durante uma sessão com seu paciente, e não tem a dimensão ética e o sigilo profissional dessa relação. Simplesmente porque estamos falando de máquinas, e não de seres humanos — máquinas otimizadas para reagir a nossos sentimentos e promover a sensação de acolhimento, mas não para entender de fato o nosso contexto e as dificuldades por que passamos. Há, ainda, questões referentes à própria IA: essas tecnologias podem trazer informações enganosas ou inventadas, que reproduzem vieses e discursos bastante problemáticos. Ademais, os dados nela inseridos não estão necessariamente protegidos, o que significa que podem ser copiados ou vazados. E, se estamos tratando de questões íntimas e sensíveis, a privacidade é fundamental. […] É sabido que o acesso a tratamentos psicológicos é escasso e pode ser demorado no Sistema Único de Saúde (SUS). Tratamentos particulares, por sua vez, são caríssimos em um país extremamente desigual como o Brasil. A possibilidade de “conversar” gratuitamente a qualquer hora e sem julgamentos com “alguém” sobre seus problemas pessoais acaba sendo bastante sedutora para muita gente. Mesmo que esse “alguém” seja uma tela em branco. [...] A aparente naturalidade com que essas máquinas dialogam conosco, suas respostas empáticas e, mais do que isso, um mercado que as apresenta como humanoides amigáveis ou fofos, convertem-se em uma armadilha para os que estão mais vulneráveis. Uma educação digital fortalecedora deve lançar um olhar crítico sobre essas tecnologias e como elas funcionam, desconstruindo um imaginário que as apresenta como “quase humanas” e evitando os riscos que podem resultar disso. Mariana Mandelli. Disponível em: https://www.palavraaberta.org.br/artigo/o-chatgpt-nao-e-seu-terapeuta. Acesso em: 5 ago. 2025. Adaptado. Releia a negativa que está posta no título do texto. Para defender essa negativa, a autora apresenta, no texto, alguns argumentos. Um desses argumentos é o de que o ChatGPT
  1. A)consegue simular com certa maestria sessões com psicólogos, mas não se mostra eficiente para tratar questões psicossociais.
  2. B)funciona como um terapeuta ou amigo que escuta nossos problemas, porém não é suficiente para melhorar nosso bem-estar.
  3. C)é uma criação do ser humano e, assim como os humanos, ele também falha em questões como ética e sigilo profissional.
  4. D)é uma tecnologia que ainda está em aperfeiçoamento, e, por isso, os dados que ela recebe vão necessariamente vazar.
  5. E)é apenas uma máquina, sendo incapaz, portanto, de compreender a complexidade e as dificuldades do ser humano.
UPE2026SSA 3Questao 3PortuguêsMedia
Leia o trecho a seguir, do romance A Paixão segundo G.H., de Clarice Lispector, no qual a narradora realiza algumas reflexões existenciais, numa prática de linguagem do campo artístico-literário. Até aquele momento eu não havia percebido totalmente a minha luta, tão mergulhada estivera nela. Mas agora, pelo silêncio onde enfim eu caíra, sabia que havia lutado, que havia sucumbido e que cedera. E, agora sim, eu estava realmente no quarto. Tão dentro dele como um desenho há trezentos mil anos numa caverna. E eis que eu cabia dentro de mim mesma gravada na parede. LISPECTOR, Clarice. A paixão segundo G.H. Rio de Janeiro: Rocco, 2020. p. 44. Num dos momentos desse fragmento, percebe-se a reflexão de G.H. a respeito do silêncio. Como é CORRETO explicar a construção discursiva do silêncio nesse trecho e na obra como um todo?
  1. A)É uma ausência do existir que elimina a possibilidade da narradora G.H. atribuir sentido ao que é vivido.
  2. B)É um vazio intenso que reduz a linguagem a um gesto sem quaisquer possibilidades de ressignificação.
  3. C)É um espaço interior que permite à personagem confrontar-se com sua própria experiência existencial.
  4. D)É uma marca do fracasso, da incapacidade da narradora para enfrentar as suas descobertas no quarto.
  5. E)É a suspensão dos pensamentos da personagem em busca de compreensão do ambiente que a cerca.
UPE2026SSA 1Questao 4PortuguêsMedia
Observe, a seguir, a reprodução da capa da obra O Karaíba: uma história do pré-Brasil, de autoria de Daniel Munduruku e ilustrada por Mauricio Negro. De acordo com as ideias da obra, a construção dessa capa apresenta aspectos multissemióticos que revelam um discurso combativo ao
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  1. A)sugerir uma conexão entre a figura indígena e o colonizador a partir do olhar do primeiro.
  2. B)apagar as figuras de colonizadores e elementos que pudessem sugerir alguma dominação.
  3. C)centralizar a figura indígena em destaque e com um olhar fixo direcionado ao colonizador.
  4. D)empregar traços orgânicos na construção do protagonista retratado em material natural.
  5. E)transmitir a ideia de ancestralidade por meio de cores com tons terrosos e mais naturais.
UPE2026SSA 3Questao 4PortuguêsMedia
Leia a carta a seguir, que apresenta uma crítica direta ao Projeto de Lei 2.159/2021, uma proposta parlamentar de flexibilização das leis de exploração ambiental, texto do campo de atuação na vida pública. CARTA ABERTA EM DEFESA DA VIDA, DOS POVOS ORIGINÁRIOS E DA MÃE NATUREZA Brasil, 22 de maio de 2025. Ao povo brasileiro, À consciência viva dos filhos e filhas da Terra, Às lideranças de bem, aos protetores dos rios, florestas e saberes ancestrais, Com o coração em chamas e a alma em vigília, dirigimo-nos a cada cidadã e cidadão consciente deste país sagrado para denunciar um dos mais sombrios capítulos da história recente do Brasil. Foi aprovado pelo Senado Federal o Projeto de Lei nº 2.159/2021 — um ataque frontal à Mãe Natureza, aos direitos dos povos originários e quilombolas, à democracia ambiental e ao futuro ecológico do nosso país. Esse PL 2.159/2021 é um instrumento perverso de destruição institucionalizada, promovido em plena era da emergência climática, quando o planeta clama por responsabilidade, regeneração e justiça ecológica. Não é apenas uma decisão política. É uma ruptura com a ética, com os direitos humanos, com a ciência, com os compromissos internacionais e, sobretudo, com a própria vida. Por isso, fazemos este chamado à ação. Às lideranças indígenas, quilombolas e camponesas: seguimos com vocês, lado a lado, em resistência viva. Às juventudes conscientes: ergam suas vozes com coragem, porque o tempo da regeneração só nascerá com luta. Às organizações socioambientais, espirituais, jurídicas, científicas e internacionais: unamos forças e acendamos as fogueiras da denúncia, da mobilização e do boicote a esse crime legalizado. Ao Supremo Tribunal Federal, último bastião da justiça, rogamos que atue como guardião da Constituição e da dignidade ambiental brasileira. Aos parlamentares conscientes, não desistam de lutar dentro das estruturas, denunciando esse retrocesso e propondo a revogação urgente do PL. Esta carta é um grito. É também uma oração. É o clamor das águas envenenadas. É a dor das florestas caladas. É o choro das crianças que herdarão desertos. É a revolta ancestral dos que foram expulsos de suas terras em nome do "progresso". Mas também é o sopro da esperança viva, da semente que resiste na escuridão, da luta coletiva que floresce em cada canto onde ainda pulsa o amor à Terra. Disponível em: https://www.change.org/p/carta-aberta-em-defesa-da-vida-contra-o-retrocesso-representado-pelo-pl-2-159-2021. Acesso em: 28 maio 2025. Adaptado. Esse texto é organizado a partir de argumentos que cumprem funções dentro do que se espera de uma carta aberta. Nesse caso específico, uma característica do texto que recobre, ao mesmo tempo, (1) seu caráter reivindicatório, (2) uma atuação baseada em princípios democráticos e éticos e (3) a defesa de uma causa socioambiental, é revelada quando a carta
  1. A)expõe consequências da aprovação do PL, de forma objetiva, para o desenvolvimento nacional.
  2. B)convoca agentes sociais para a mobilização contra o PL, que ameaça direitos e o futuro do país.
  3. C)utiliza uma linguagem simples e direta para denunciar os riscos associados à aprovação do PL.
  4. D)reforça a falta de justiça por meio de figuras de linguagem que dramatizam a situação do país.
  5. E)apresenta uma argumentação com dados técnicos e científicos para contestar a validade do PL.
UPE2026SSA 2Questao 4PortuguêsMedia
Texto 2 Mesquinho e humilde livro é este que vos apresento, leitor. Sei que passará entre o indiferentismo glacial de uns e o riso mofador de outros. E ainda assim o dou a lume. Não é a vaidade de adquirir nome que me cega, nem o amor-próprio de autor. Sei que pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e a conversação dos homens ilustrados [...]. Então por que o publicas? perguntará o leitor. Como uma tentativa, e mais ainda, por este amor materno, que não tem limites, que tudo desculpa – os defeitos, os achaques, as deformidades do filho – e gosta de enfeitá-lo e aparecer com ele em toda a parte, mostrá-lo a todos os conhecidos e vê-lo mimado e acariciado. O nosso romance, gerou-o a imaginação, e não o soube colorir, nem aformosentar. Pobre avezinha silvestre, anda terra a terra, e nem olha para as planuras onde gira a águia. [...] Deixai, pois, que a minha ÚRSULA, tímida e acanhada, sem dotes da natureza, nem enfeites e louçanias da arte, caminhe entre vós. Não a desprezeis, antes amparai-a nos seus incertos e titubeantes passos para assim dar alento à autora de seus dias, que talvez que com essa proteção cultive mais o seu engenho, e venha a produzir coisa melhor, ou quando menos, sirva esse bom acolhimento de incentivo para outras, que com imaginação mais brilhante, com educação mais acurada, com instrução mais vasta e liberal, tenham mais timidez do que nós. REIS, Maria Firmina dos. Úrsula. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2018. p. 47-48. (Texto introdutório ao romance) No Texto 2, a escritora maranhense Maria Firmina dos Reis apresenta ao público leitor o seu primeiro romance, Úrsula, lançado em 1859, um grande feito para uma mulher negra, em pleno séc. XIX. Assinale a alternativa em que as palavras da escritora explicitam uma realidade social de então.
  1. A)Mesquinho e humilde livro é este que vos apresento, leitor.
  2. B)Sei que passará entre o indiferentismo glacial de uns e o riso mofador de outros.
  3. C)Não é a vaidade de adquirir nome que me cega, nem o amor-próprio de autor.
  4. D)Sei que pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher.
  5. E)O nosso romance, gerou-o a imaginação, e não o soube colorir.
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