Figuras de linguagem · FAMEMA

Figuras de linguagem: questões do FAMEMA

10 questões de Figuras de linguagem (Português) no FAMEMA (2017–2026). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Figuras de linguagem no FAMEMA

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FAMEMA20261a faseQuestao 6PortuguêsFiguras de linguagemMedia
1    — Quer comprar o meu banco? Ele não está à venda. Falava com superioridade de banqueiro que se sabe forte na praça, capaz de resistir à pressão de grupos econômicos poderosos. Tornou-se arrogante: — Não vendo ele de jeito nenhum. Já recusei muitas propostas. Por que havia de vender? Gosto dele, não vai mudar de proprietário enquanto eu for vivo. — Perdão, eu não queria comprar. 5    — Queria então o quê? — Queria permissão para ver. Estou estudando mobiliário barroco, e soube que o senhor tem em casa uma peça valiosa. — Valiosa? Pra mim ele não pode ser avaliado em cruzeiros. Nem em dólar, que aliás hoje não é mais lá essas coisas. O senhor quer ver apenas? — Ver e, com sua licença, fotografar. — Ah, fotografar pra quê? Pra botar no jornal? 10   — Não trabalho em jornal. — Então, trabalha pro governo, já vi tudo. Vem ver o meu banco, tira retrato, faz relatório, depois, pimba: o governo desapropria o meu banco por essa tal de utilidade pública. Muito bonito. — O senhor está completamente enganado. Não sou funcionário público, sou estudante e trabalho no escritório da Light1. Olhe aqui as minhas carteiras. — Carteiras? Carteira não prova nada. — Bem, se não acredita… 15   — Prefiro acreditar na sua cara, que me parece de gente de bem. Pode entrar. A salinha era pobre, só o banco impunha sua classe, misturado a trastes sem estilo. — Século XVII, no duro. Joia. — Eu sei, eu conheço o que é meu. — O senhor permite que eu tome as medidas? 20   — Pra que tirar medida? Não chega tirar retrato? — Para documentar bem a peça. Vou fazer um sucesso danado lá na Escola, com o trabalho sobre este banco. A desconfiança voltou a acinzentar os olhos do dono: — Sei não. Este seu interesse pelo meu banco… — O senhor está pensando que eu vim a mando de algum antiquário? Dou minha palavra de honra que faço uma pesquisa escolar. 25   — Bom, pode tirar as medidas. O rapaz aproximou-se, alisou o couro lavrado, com carinho. Banco de igreja nordestina, jacarandá venerando, oito pés retorcidos, duas traves torneadas, como é que um tesouro desses foi parar naquela casinha vulgar de Madureira? — Vou dar ao senhor cópias das fotos. — Não carece, moço. Prefiro olhar pro meu banco do que olhar pro retrato dele. — O senhor… posso saber como essa coisa linda veio ter às suas mãos? 30   — Olha só a curiosidade dele. Eu não falei? Agora tem fiscalização de móveis na casa da gente? — Não precisa responder, é claro. Está se vendo que isto é um bem de família, o senhor herdou de seu pai. — E meu pai de meu avô. Meu avô do pai dele, ou da mãe, sei lá. Negócio muito do antigório. — Mas este banco não é do tempo do seu bisavô. É muito mais antigo. — Como é que eu posso saber quem foi a primeira pessoa da minha família que possuiu este banco? Não sou adivinhão. 35   — Bem, ele saiu duma igreja. — Isso eu sei. — Não estou duvidando de sua família, claro. Absolutamente. Mas seus pais não lhe contaram nada, nada, não lhe falaram de uma tradição da família em torno deste banco? Ficou pensativo, coçando a testa. — Parece que tinha um padre… 40   — Lógico que tinha um padre. — Vou confiar no senhor. Negócio perdido na fumaceira do tempo, né? a gente pode contar. — Isso. — Uma dona da nossa família era casada com ele. Naquela base, entende? O padre morreu, a comadre guardou o banco de lembrança. O senhor vê que este banco é sagrado. Não vendo ele pra Onassis2 nenhum. Ninguém tem o direito de sentar nele. Nem eu. Sou pobre mas sustento a honra do passado. Agora que já sabe tudo, o senhor aceita uma xicra de café coado na hora? (Carlos Drummond de Andrade. 70 historinhas, 2016.) 1 Light: antiga companhia de energia elétrica do Rio de Janeiro. 2 Onassis: Aristóteles Onassis (1906-1975), antigo empresário rico e famoso. A figura de linguagem denominada antítese é explorada no seguinte trecho:
  1. A)“Pra mim ele não pode ser avaliado em cruzeiros.” (7o parágrafo)
  2. B)“Vou fazer um sucesso danado lá na Escola, com o trabalho sobre este banco.” (21o parágrafo)
  3. C)“A salinha era pobre, só o banco impunha sua classe, misturado a trastes sem estilo.” (16o parágrafo)
  4. D)“Estou estudando mobiliário barroco, e soube que o senhor tem em casa uma peça valiosa.” (6o parágrafo)
  5. E)“Está se vendo que isto é um bem de família, o senhor herdou de seu pai.” (31o parágrafo)
FAMEMA20251a faseQuestao 5PortuguêsFiguras de linguagemMedia
Examine a tirinha do cartunista Snelse, publicada no perfil @twonkscomic no Instagram, em 09.07.2024. Para obter seu efeito de humor, a tirinha mobiliza essencialmente o seguinte recurso expressivo:
Imagens anexadas
  1. A)intertextualidade.
  2. B)hipérbole.
  3. C)eufemismo.
  4. D)metalinguagem.
  5. E)ambiguidade.
FAMEMA20241a faseQuestao 2PortuguêsFiguras de linguagemMedia
examine a tirinha do cartunista Adão Iturrusgarai. (Adão Iturrusgarai. La vie en rose, 2015.) Na construção do sentido de sua tirinha, o cartunista explora, sobretudo, o recurso expressivo denominado
Imagens anexadas
  1. A)ambiguidade.
  2. B)metalinguagem.
  3. C)eufemismo.
  4. D)intertextualidade.
  5. E)hipérbole.
FAMEMA20241a faseQuestao 6PortuguêsFiguras de linguagemFacil
A nota de cinco mil cruzeiros estava preocupada. Anunciaram para breve a sua entrada em circulação, e já passavam muitos sóis sem que a retirassem do almoxarifado. No almoxarifado, chega-lhe o zum-zum de que continuamente as coisas sobem de preço e as notas baixam de valor. Embora os algarismos continuem os mesmos, cada dia significam uma realidade menor. Quando chegar minha vez de andar por aí — receia a nota de cinco mil — quanto valerão meus cinco mil? Ao ser desenhada, sentira-se toda garbosa, cheia de minhocas na cabeça. Iria suplantar as coleguinhas, dando a vera ideia de grandeza. Mas até agora nada, e a nota inquieta-se: — Quando vejo o cruzeiro metálico passar do tamanho de medalha de chocolate ao de botão de manga de camisa (e amanhã ele chegará talvez a semente de tangerina), sinto que meu futuro não será nada fagueiro. Vão-me reduzir às proporções de ficha de ônibus, feita de papel, e servirei para pagar a passagem de um coletivo circular. No máximo. Estava nessa tristeza quando lhe apareceu, ainda em forma de neblina futura, o projeto da nota de cinco milhões, com efígie de cabeça para baixo, e sussurrou-lhe: — Maninha, depois de mim virá a cédula de cinco trilhões, e assim sucessivamente, pois infinito é o número dos números. Até que um dia o homem se cansará de escrever no papel grandezas que são insignificâncias, e passará a escrever insignificâncias que valham grandezas. Já pressinto no horizonte maravilhosa nota zero, que nos resumirá a todas e alcançará o máximo valor metafísico. (Carlos Drummond de Andrade. Contos plausíveis, 2012.) Na construção de seu conto, Drummond recorre essencialmente ao seguinte recurso retórico:
  1. A)hipérbole.
  2. B)eufemismo.
  3. C)antítese.
  4. D)personificação.
  5. E)pleonasmo.
FAMEMA20241a faseQuestao 9PortuguêsFiguras de linguagemFacil
A nota de cinco mil cruzeiros estava preocupada. Anunciaram para breve a sua entrada em circulação, e já passavam muitos sóis sem que a retirassem do almoxarifado. No almoxarifado, chega-lhe o zum-zum de que continuamente as coisas sobem de preço e as notas baixam de valor. Embora os algarismos continuem os mesmos, cada dia significam uma realidade menor. Quando chegar minha vez de andar por aí — receia a nota de cinco mil — quanto valerão meus cinco mil? Ao ser desenhada, sentira-se toda garbosa, cheia de minhocas na cabeça. Iria suplantar as coleguinhas, dando a vera ideia de grandeza. Mas até agora nada, e a nota inquieta-se: — Quando vejo o cruzeiro metálico passar do tamanho de medalha de chocolate ao de botão de manga de camisa (e amanhã ele chegará talvez a semente de tangerina), sinto que meu futuro não será nada fagueiro. Vão-me reduzir às proporções de ficha de ônibus, feita de papel, e servirei para pagar a passagem de um coletivo circular. No máximo. Estava nessa tristeza quando lhe apareceu, ainda em forma de neblina futura, o projeto da nota de cinco milhões, com efígie de cabeça para baixo, e sussurrou-lhe: — Maninha, depois de mim virá a cédula de cinco trilhões, e assim sucessivamente, pois infinito é o número dos números. Até que um dia o homem se cansará de escrever no papel grandezas que são insignificâncias, e passará a escrever insignificâncias que valham grandezas. Já pressinto no horizonte maravilhosa nota zero, que nos resumirá a todas e alcançará o máximo valor metafísico. (Carlos Drummond de Andrade. Contos plausíveis, 2012.) O Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa define “onomatopeia” como “formação de uma palavra a partir da reprodução aproximada, com os recursos de que a língua dispõe, de um som natural a ela associado”. Ocorre onomatopeia no seguinte trecho:
  1. A)“Quando vejo o cruzeiro metálico passar do tamanho de medalha de chocolate ao de botão de manga de camisa (e amanhã ele chegará talvez a semente de tangerina), sinto que meu futuro não será nada fagueiro.” (3o parágrafo)
  2. B)“No almoxarifado, chega-lhe o zum-zum de que continuamente as coisas sobem de preço e as notas baixam de valor.” (1o parágrafo)
  3. C)“Vão-me reduzir às proporções de ficha de ônibus, feita de papel, e servirei para pagar a passagem de um coletivo circular.” (3o parágrafo)
  4. D)“Até que um dia o homem se cansará de escrever no papel grandezas que são insignificâncias, e passará a escrever insignificâncias que valham grandezas.” (5o parágrafo)
  5. E)“Já pressinto no horizonte maravilhosa nota zero, que nos resumirá a todas e alcançará o máximo valor metafísico.” (5o parágrafo)
FAMEMA20221a faseQuestao 9PortuguêsFiguras de linguagemMedia
Assinale a opção que indica a frase que se estrutura a partir de uma metáfora.
  1. A)A melhor maneira de formar crianças boas é fazê-las felizes.
  2. B)Crianças são as mensagens vivas para um tempo que não veremos.
  3. C)Você pode aprender muito com crianças; observe-as.
  4. D)Seja legal com suas crianças. Elas escolherão seu asilo.
  5. E)As crianças encontram tudo em nada.
FAMEMA20201a faseQuestao 10PortuguêsFiguras de linguagemMedia
[...] no tempo em que se passavam os fatos que vamos narrando nada mais havia comum do que ter cada casa um, dois e às vezes mais agregados. Em certas casas os agregados eram muito úteis, porque a família tirava grande proveito de seus serviços, e já tivemos ocasião de dar exemplo disso quando contamos a história do finado padrinho de Leonardo; outras vezes porém, e estas eram maior número, o agregado, refinado vadio, era uma verdadeira parasita que se prendia à árvore familiar, que lhe participava da seiva sem ajudá-la a dar frutos, e o que é mais ainda, chegava mesmo a dar cabo dela. E o caso é que, apesar de tudo, se na primeira hipótese o esmagavam com o peso de mil exigências, se lhe batiam a cada passo com os favores na cara, se o filho mais velho da casa, por exemplo, o tomava por seu divertimento, e à menor e mais justa queixa saltavam-lhe os pais em cima tomando o partido de seu filho, no segundo aturavam quanto desconcerto havia com paciência de mártir, o agregado tornava-se quase um rei em casa, punha, dispunha, castigava os escravos, ralhava com os filhos, intervinha enfim nos mais particulares negócios. Em qual dos dois casos estava ou viria estar em breve o nosso amigo Leonardo? O leitor que decida pelo que se vai passar. (Manuel Antônio de Almeida. Memórias de um Sargento de Milícias, 1994.) A hipérbole é uma figura de linguagem que expressa ideia de exagero; a metáfora, por sua vez, expressa ideia de semelhança. As passagens do segundo parágrafo do texto que exemplificam essas figuras são, respectivamente:
  1. A)“Em certas casas os agregados eram muito úteis”; “chegava mesmo a dar cabo dela”.
  2. B)“o esmagavam com o peso de mil exigências”; “que lhe participava da seiva sem ajudá-la a dar frutos”.
  3. C)“se lhe batiam a cada passo com os favores na cara”; “quando contamos a história do finado padrinho de Leonardo”.
  4. D)“saltavam-lhe os pais em cima tomando o partido de seu filho”; “intervinha enfim nos mais particulares negócios”.
  5. E)“se o filho mais velho da casa, por exemplo, o tomava por seu divertimento”; “que se prendia à árvore familiar”.
FAMEMA20191a faseQuestao 10PortuguêsFiguras de linguagemFacil
Leia o poema “Namorados” de Manuel Bandeira (1886-1968). O rapaz chegou-se para junto da moça e disse: – Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com [a sua cara. A moça olhou de lado e esperou. – Você não sabe quando a gente é criança e de repente [vê uma lagarta listada? A moça se lembrava: – A gente fica olhando... A meninice brincou de novo nos olhos dela. O rapaz prosseguiu com muita doçura: – Antônia, você parece uma lagarta listada. A moça arregalou os olhos, fez exclamações. O rapaz concluiu: – Antônia, você é engraçada! Você parece louca. (Estrela da vida inteira, 2009.) Verifica-se a ocorrência de personificação no seguinte verso:
  1. A)“– Antônia, você parece uma lagarta listada.”
  2. B)“A moça arregalou os olhos, fez exclamações.”
  3. C)“A meninice brincou de novo nos olhos dela.”
  4. D)“– Antônia, você é engraçada! Você parece louca.”
  5. E)“A moça olhou de lado e esperou.”
FAMEMA20181a faseQuestao 3PortuguêsFiguras de linguagemMedia
Ao coração que sofre, separado Do teu, no exílio em que a chorar me vejo, Não basta o afeto simples e sagrado Com que das desventuras me protejo. Não me basta saber que sou amado, Nem só desejo o teu amor: desejo Ter nos braços teu corpo delicado, Ter na boca a doçura de teu beijo. E as justas ambições que me consomem Não me envergonham: pois maior baixeza Não há que a terra pelo céu trocar; E mais eleva o coração de um homem Ser de homem sempre e, na maior pureza, Ficar na terra e humanamente amar. (Melhores poemas, 2000.) A preocupação formal com a musicalidade dos versos é confirmada pelo emprego da
  1. A)metáfora em “Não basta o afeto simples e sagrado”.
  2. B)aliteração em “Ter na boca a doçura de teu beijo”.
  3. C)prosopopeia em “Com que das desventuras me protejo”.
  4. D)hipérbole em “Ao coração que sofre, separado / Do teu”.
  5. E)antítese em “Ficar na terra e humanamente amar”.
FAMEMA20171a faseQuestao 7PortuguêsFiguras de linguagemMedia
Vossas excelências, ilustríssimos senhores e senhoras, trago notícias urgentes de um reino distante. É mister vos alertar, Vossas Excelências, que nesta estranha terra os habitantes criaram um país onde os mui digníssimos e respeitáveis representantes do povo são tratados, imaginem Vossas Senhorias, como o próprio povo. Insânia! Dirão que as histórias que aqui relato são meras alucinações de contos de fada, pois há neste rico reino, que chamam de Suécia, rei, rainha e princesas. Mas não se iludam! Os habitantes desta terra já tiraram todos os poderes do rei, em nome de uma democracia que proclama uma tal igualdade entre todos, e o que digo são coisas que tenho visto com os olhos que esta mesma terra um dia há de comer. Nestas longínquas comarcas, os mui distintos parlamentares, ministros e prefeitos viajam de trem ou de ônibus para o trabalho, em sua labuta para adoçar as mazelas do povo. De ônibus, Eminências! E muitos castelos há pelos quatro cantos deste próspero reino, mas aos egrégios representantes do povo é oferecido abrigo apenas em pífias habitações de um cômodo, indignas dos ilustríssimos defensores dos direitos dos cidadãos e da democracia. Este reino está cercado por outros ricos reinos, numa península chamada Escandinávia, onde também há príncipes e reis, e onde os representantes do povo vivem como sobrevive um súdito qualquer. E isto eu também vi, com os olhos que esta terra há de comer: em um dos povos vizinhos, conhecido como o reino dos noruegueses, os nobres representantes do povo chegam a almoçar sanduíches que trazem de casa, e que tiram dos bolsos dos paletós quando a fome aperta. É preciso cautela, Vossas Excelências. Deste reino, que chamam de Suécia ainda pouco se ouve falar. Mas as notícias sobre o igualitário reino dos suecos se espalham. Estocolmo, 6 de janeiro de 2013. (Um país sem excelências e mordomias, 2014. Adaptado.) Assinale a alternativa em que ocorre um pleonasmo.
  1. A)“Dirão que as histórias que aqui relato são meras alucinações de contos de fada”
  2. B)“em sua labuta para adoçar as mazelas do povo”
  3. C)“trago notícias urgentes de um reino distante”
  4. D)“o que digo são coisas que tenho visto com os olhos que esta mesma terra um dia há de comer”
  5. E)“Os habitantes desta terra já tiraram todos os poderes do rei”
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