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FAMEMA20251a faseQuestao 9PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Medialeia o poema “Congresso internacional do medo”, de Carlos Drummond de Andrade.
Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o ódio porque esse não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas. (Carlos Drummond de Andrade. Sentimento do mundo, 1998.)
Esse poema de Drummond exemplifica sua poesia de cunho
- A)lírico-amoroso.
- B)místico-religioso.
- C)satírico.
- D)nostálgico.
- E)social.
FAMEMA20251a faseQuestao 10PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Medialeia o poema “Congresso internacional do medo”, de Carlos Drummond de Andrade.
Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços, não cantaremos o ódio porque esse não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas. (Carlos Drummond de Andrade. Sentimento do mundo, 1998.)
Uma característica que afasta esse poema da estética parnasiana, ainda em voga no início do século XX no Brasil, é
- A)o uso de vocabulário rebuscado.
- B)a ocorrência de rimas raras.
- C)o emprego do verso livre.
- D)a métrica rigorosa.
- E)a contenção lírica.
FAMEMA20201a faseQuestao 3PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)FacilVem um Sapateiro com seu avental e carregado de formas, chega ao batel1 infernal, e diz: Hou da barca! Diabo – Quem vem aí? Santo sapateiro honrado, como vens tão carregado? Sapateiro – Mandaram-me vir assi... Mas para onde é a viagem? Diabo – Para a terra dos danados. Sapateiro – E os que morrem confessados onde têm sua passagem? Diabo – Não cures de mais linguagem! que esta é tua barca, esta! Sapateiro – Renegaria eu da festa e da barca e da barcagem! Como poderá isso ser, confessado e comungado? Diabo – Tu morreste excomungado, não no quiseste dizer. Esperavas de viver; calaste dez mil enganos, tu roubaste bem trinta anos o povo com teu mister. Embarca, pobre de ti, que há já muito que te espero! Sapateiro – Pois digo-te que não quero! Diabo – Que te pese, hás de ir, si, si! (Gil Vicente. Auto da Barca do Inferno. Adaptado.) 1 batel: pequena embarcação.
Na situação apresentada, o sapateiro
- A)espanta-se com a ideia de ir para o inferno, mas o diabo admite que não pode levá-lo por ter sido um homem cristão em vida.
- B)opõe-se à ideia de ir para o inferno, alegando que fora religioso em vida, mas o diabo o relembra dos pecados cometidos.
- C)mostra entusiasmo por seguir na embarcação do diabo e reconhece que, mesmo tendo sido religioso, acha justa a punição.
- D)sujeita-se à ordem do diabo e toma lugar em sua embarcação, com a esperança de que sua disposição para o trabalho ainda possa salvá-lo.
- E)confronta o diabo, considerando que este possa se intimidar ao descobrir que fora um homem religioso em vida.
FAMEMA20201a faseQuestao 4PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)MediaVem um Sapateiro com seu avental e carregado de formas, chega ao batel1 infernal, e diz: Hou da barca! Diabo – Quem vem aí? Santo sapateiro honrado, como vens tão carregado? Sapateiro – Mandaram-me vir assi... Mas para onde é a viagem? Diabo – Para a terra dos danados. Sapateiro – E os que morrem confessados onde têm sua passagem? Diabo – Não cures de mais linguagem! que esta é tua barca, esta! Sapateiro – Renegaria eu da festa e da barca e da barcagem! Como poderá isso ser, confessado e comungado? Diabo – Tu morreste excomungado, não no quiseste dizer. Esperavas de viver; calaste dez mil enganos, tu roubaste bem trinta anos o povo com teu mister. Embarca, pobre de ti, que há já muito que te espero! Sapateiro – Pois digo-te que não quero! Diabo – Que te pese, hás de ir, si, si! (Gil Vicente. Auto da Barca do Inferno. Adaptado.) 1 batel: pequena embarcação.
O texto transcrito de Gil Vicente assume caráter
- A)moralizante, uma vez que traz explícita crítica aos costumes do personagem.
- B)educativo, pois o personagem reconhece seu erro e, ao final, é perdoado.
- C)humorístico, com intenção de entreter mais do que condenar comportamentos.
- D)doutrinário, considerando a devoção do personagem à religião quando em vida.
- E)edificante, já que o comportamento do personagem se torna exemplo a seguir.
FAMEMA20201a faseQuestao 9PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Facil[...] no tempo em que se passavam os fatos que vamos narrando nada mais havia comum do que ter cada casa um, dois e às vezes mais agregados. Em certas casas os agregados eram muito úteis, porque a família tirava grande proveito de seus serviços, e já tivemos ocasião de dar exemplo disso quando contamos a história do finado padrinho de Leonardo; outras vezes porém, e estas eram maior número, o agregado, refinado vadio, era uma verdadeira parasita que se prendia à árvore familiar, que lhe participava da seiva sem ajudá-la a dar frutos, e o que é mais ainda, chegava mesmo a dar cabo dela. E o caso é que, apesar de tudo, se na primeira hipótese o esmagavam com o peso de mil exigências, se lhe batiam a cada passo com os favores na cara, se o filho mais velho da casa, por exemplo, o tomava por seu divertimento, e à menor e mais justa queixa saltavam-lhe os pais em cima tomando o partido de seu filho, no segundo aturavam quanto desconcerto havia com paciência de mártir, o agregado tornava-se quase um rei em casa, punha, dispunha, castigava os escravos, ralhava com os filhos, intervinha enfim nos mais particulares negócios. Em qual dos dois casos estava ou viria estar em breve o nosso amigo Leonardo? O leitor que decida pelo que se vai passar. (Manuel Antônio de Almeida. Memórias de um Sargento de Milícias, 1994.)
O romance de Manuel Antônio de Almeida aborda costumes da sociedade do Rio de Janeiro do século XIX. Um deles é a presença comum de agregados nas casas. No texto, essa figura é descrita
- A)com certa reserva, já que se tratava de uma pessoa que não era bem vista pela família.
- B)por dois vieses, conforme a sua relação com a família: ou era útil a esta ou a explorava.
- C)de modo divertido, como uma pessoa que surpreendia não raro pelo seu humor e pela sua simpatia.
- D)como vítima do sistema, uma vez que a família a explorava, chegando a tratá-la como um escravo.
- E)de forma positiva, dado que os laços afetivos estabelecidos com a família eram legítimos.
FAMEMA20191a faseQuestao 7PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)MediaA veia lírico-amorosa do poeta barroco Gregório de Matos (1636-1696) está bem exemplificada em:
- A)“Aquele não sei quê, que, Inês, te assiste No gentil corpo, e na graciosa face, Não sei donde te nasce, ou não te nasce, Não sei onde consiste, ou não consiste.”
- B)“Ofendi-vos, meu Deus, é bem verdade, É verdade, Senhor, que hei delinquido, Delinquido vos tenho, e ofendido, Ofendido vos tem minha maldade.”
- C)“Senhor Antão de Sousa de Meneses, Quem sobe a alto lugar, que não merece, Homem sobe, asno vai, burro parece, Que o subir é desgraça muitas vezes.”
- D)“Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te, Te lembra hoje Deus por sua Igreja; De pó te faz espelho, em que se veja A vil matéria, de que quis formar-te.”
- E)“A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar cabana e vinha; Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro.”
FAMEMA20191a faseQuestao 8PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)FacilRecusando as regras, os modelos e as normas, seus autores defendem a total liberdade criadora. Aos gêneros estanques opõem a sua mistura, conforme o livre-arbítrio do escritor; à ordem clássica, a aventura; ao equilíbrio racional, a anarquia, o caos; ao universalismo estético, o individualismo; ao Cosmos, o “eu” particular; o seu ego constitui a única paisagem que lhe interessa, de tal forma que a Natureza se lhe afigura mera projeção do seu mundo interior. (Massaud Moisés. Dicionário de termos literários, 2004. Adaptado.) O comentário do crítico Massaud Moisés refere-se aos autores do seguinte movimento literário:
- A)Arcadismo.
- B)Naturalismo.
- C)Realismo.
- D)Romantismo.
- E)Barroco.
FAMEMA20161a faseQuestao 1PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)MediaEste é tempo de partido, tempo de homens partidos.
Em vão percorremos volumes, viajamos e nos colorimos. A hora pressentida esmigalha-se em pó na rua. Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos. As leis não bastam. Os lírios não nascem da lei. Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra.
[...]
O poeta declina de toda responsabilidade na marcha do mundo capitalista e com suas palavras, intuições, símbolos e outras armas promete ajudar a destruí-lo como uma pedreira, uma floresta, um verme. (Reunião, 1969.)
No excerto, o eu lírico
- A)cria imagens para concretizar uma utopia capitalista, em contraposição ao mundo socialista então vigente.
- B)lamenta que alguns poetas, ao utilizarem a arte como instrumento para uma causa política, esqueçam-se da prioridade do valor estético da poesia.
- C)manifesta uma inquietação diante do momento histórico, colocando-se a serviço de uma transformação social, econômica e política.
- D)defende que a beleza pode nascer em qualquer situação, não apenas no domínio das obras artísticas.
- E)julga que são ínfimos os recursos do poeta, se o que se pretende é uma transformação social que ultrapasse os limites da estética.
FAMEMA20161a faseQuestao 3PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)FacilConvencida de que todos os seus inúmeros apaixonados, sem exceção de um, a pretendiam unicamente pela riqueza; Aurélia reagia contra essa afronta, aplicando a esses indivíduos o mesmo estalão. Assim costumava ela indicar o merecimento relativo de cada um dos pretendentes, dando-lhes certo valor monetário. Em linguagem financeira, Aurélia cotava os seus adoradores pelo preço que razoavelmente poderiam obter no mercado matrimonial. Uma noite, no Cassino, a Lísia Soares, que se fazia íntima com ela, e desejava ardentemente vê-la casada, dirigiu-lhe um gracejo acerca do Alfredo Moreira, rapaz elegante que chegara recentemente da Europa: − É um moço muito distinto, respondeu Aurélia sorrindo; vale bem como noivo cem contos de réis; mas eu tenho dinheiro para pagar um marido de maior preço, Lísia; não me contento com esse. Riam-se todos destes ditos de Aurélia, e os lançavam à conta de gracinhas de moça espirituosa; porém a maior parte das senhoras, sobretudo aquelas que tinham filhas moças, não cansavam de criticar desses modos desenvoltos, impróprios de meninas bem-educadas. Os adoradores de Aurélia sabiam, pois ela não fazia mistério, do preço de sua cotação no rol da moça; e longe de se agastarem com a franqueza, divertiam-se com o jogo que muitas vezes resultava do ágio de suas ações naquela empresa nupcial. (Senhora, 2013. Adaptado.)
A personagem Aurélia é descrita no trecho como
- A)uma jovem deslumbrada com o poder que sua beleza produz sobre os rapazes com quem convivia.
- B)uma pessoa que avalia a partir de critérios monetários os rapazes que se apresentam como postulantes a se casarem com ela.
- C)alguém que esconde as intenções mais mesquinhas atrás de uma aparência sociável e generosa.
- D)uma mulher admirada por todos por causa de seu senso prático, inclusive no que se refere às questões afetivas.
- E)uma moça independente, que não abriria mão de seu trabalho por causa das atribuições no casamento.