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FUVEST20261a faseQuestao 9HistóriaEducação e pensamento socialDificilEm meados do século XIX, Nísia Floresta publicou no Brasil seu Opúsculo Humanitário, uma ardente defesa da educação como meio para eliminar os obstáculos que impediam as mulheres de contribuir, em condições de igualdade com os homens, com a sociedade brasileira. Para tanto, contrapõe o estado da educação das mulheres nas nações ditas civilizadas e cultas ao péssimo estado da educação, pública e privada, religiosa e laica no Brasil, assumindo que a educação é uma expressão do grau de civilização das nações e muito influente sobre sua moralidade. Meio século mais tarde, Émile Durkheim dedicou duas obras à educação escolar: Educação e Sociologia e A Educação Moral. Nelas, o sociólogo francês concebe a escola como um espaço de transmissão da civilização às novas gerações por meio da sua socialização nos sentimentos, ideias e valores da sociedade, além da promoção da solidariedade com as múltiplas sociedades das quais participamos e com a humanidade como um todo. Ao funcionar como uma forma de vinculação às normas sociais por meio de uma compreensão racional da moralidade que subjaz a esses sentimentos, ideias e valores, a escola seria também um espaço de produção de autonomia. Mas, para que assim seja, esses sentimentos, ideias e valores deveriam ser justificáveis exclusivamente pela razão, sem invocar princípios religiosos, que são exclusivistas. É correto afirmar que em seus escritos sobre educação, Durkheim e Floresta convergem ao
- A)reafirmar a importância dos valores religiosos da sociedade na educação como um projeto moralizante, ainda que critiquem a educação católica.
- B)conceber a educação das mulheres como manifestação de uma lei necessária do progresso das nações, expressão do positivismo dos autores.
- C)indicar a função da escola de integrar seus estudantes às normas e valores morais característicos de uma sociedade para permitir que com ela contribuam.
- D)justificar uma educação escolar segregada de grupos menos integrados socialmente, como as mulheres, em virtude de normas e valores da sociedade.
- E)defender uma educação com caráter cívico e nacionalista, que afirme a superioridade da nação e promova as glórias da civilização nacional.
FUVEST20261a faseQuestao 20HistóriaAmérica Latina: dependência e imperialismoMediaO indígena sofre menos sob a República do que sob a dominação espanhola? Não existem mais corregimientos nem encomiendas, mas persistem os trabalhos forçados e os recrutamentos. O sofrimento que lhe provocamos basta para descarregar sobre nós a execração dos seres humanos. Nós o conservamos na ignorância e na servidão, o envilecemos no quartel, o embrutecemos com o álcool, o lançamos a destroçar-se nas guerras civis e, de tempos em tempos, organizamos caçadas e matanças.
Manuel González Prada. “Nuestros índios”. In: Ideas en torno de Latinoamérica. México: UNAM, 1986. Adaptado. O excerto, extraído de um texto publicado no início do século XX pelo peruano Manuel González Prada,
- A)identifica mudanças na condição dos indígenas após a emancipação política, mas afirma a persistência de sua exploração no trabalho e de sua marginalização social.
- B)valoriza a ativa participação dos indígenas no processo de emancipação política, mas admite a dificuldade política de incorporá-los à nova ordem social.
- C)reconhece os crimes contra os indígenas cometidos durante a colonização espanhola, mas enfatiza a melhoria nas relações sociais e na condição indígena sob a República.
- D)defende a persistência da exclusão social dos indígenas na República, mas a justifica em função das heranças recebidas do período de colonização espanhola.
- E)critica a obrigatoriedade do alistamento militar dos indígenas, mas insiste na importância de sua participação e de seu envolvimento na construção da República.
FUVEST20261a faseQuestao 21HistóriaBrasil Colonial — jesuítasMediaNa documentação jesuítica quinhentista, há constantes referências ao desejo dos índios de entregarem seus filhos para que fossem ensinados pelos padres. Talvez o ensino das crianças indígenas pudesse representar, também, uma possibilidade de estabelecer alianças entre grupos indígenas e padres, revelando outra dimensão da evangelização das crianças como ‘grande meio’ para se converter o gentio. É difícil determinar ao certo qual foi a imagem a respeito dos portugueses construída pelas várias tribos indígenas e, principalmente, dos religiosos da Companhia de Jesus, mas a construção de alianças, a partir das crianças (os índios dando seus filhos), pode ter constituído uma possibilidade frutífera de relacionamento para alguns grupos.
Rafael Chambouleyron. “Jesuítas e as crianças no Brasil quinhentista”. In: Mary del Priore. História das crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 1999. Com base no excerto, é correto afirmar:
- A)A aliança entre grupos indígenas e padres implicava total submissão dos primeiros aos segundos.
- B)A catequização das crianças significava uma estratégia de construção de relacionamento entre os povos envolvidos na colonização portuguesa.
- C)A documentação evidencia a imagem que as várias tribos indígenas tinham a respeito dos portugueses.
- D)As ações pedagógicas visavam preparar os indígenas para a administração colonial.
- E)A instrução religiosa era o único objetivo no ensino de crianças indígenas.
FUVEST20261a faseQuestao 39HistóriaBrasil Republica - imigracao e cafeMediaOs grotões transformaram-se em jardins cortados a meio pelas avenidas e pela sombra dos viadutos não há mais sapo. Nos jardins encontrareis recintos fechados com instrutoras, dentistas, educadoras sanitárias dentro. São os parques infantis, onde as crianças proletárias se socializam aprendendo nos brinquedos o cooperativismo e a consciência do homem social.
Mário de Andrade. “Dia de São Paulo”. Revista do Arquivo Municipal. São Paulo: Departamento de Cultura, 1936, nº 19. O excerto relata alterações na paisagem urbana paulistana com a implantação de novos equipamentos que visavam
- A)substituir o ambiente degradado e nocivo dos cortiços e vilas operárias por espaços públicos marcados pela flora da Mata Atlântica.
- B)disciplinar o lazer das crianças com a introdução de noções de saúde preventiva e de atividades racionais e pedagógicas.
- C)produzir formas de ajustamento social que afastassem os jovens do ócio e dos vícios, por meio da educação profissionalizante.
- D)promover valores cristãos através da evangelização e do assistencialismo baseado na caridade e na recreação.
- E)organizar um novo programa escolar voltado para as crianças proletárias, adotando uma pedagogia pautada no nacionalismo e civismo.
FUVEST20261a faseQuestao 49HistóriaIdade Media - renascimento urbano e comercialMedia[...] as lendárias Rotas da Seda, longe de serem meras rotas comerciais, eram rodovias culturais que desempenhavam um papel fundamental na ligação entre o leste e o oeste, reunindo intermitentemente nômades e moradores da cidade, povos pastoris e agricultores, mercadores e monges, soldados e peregrinos. A noção de movimento é, portanto, central para a compreensão das relações entre os povos [...]. Um diálogo entre culturas significa trocas não apenas de bens, mas também de ideias.
Vadime Elisséeff. “Introduction. Approaches Old and New to Silk Roads”. The Silk roads: highways of culture and commerce. New York: Berghahn Books, 2000. Traduzido e adaptado. Com base no excerto, que aborda o complexo de rotas terrestres que se estenderam, durante a Idade Média, por boa parte da Ásia, Leste da África e Sul da Europa, as trocas culturais e os deslocamentos tiveram impacto na
- A)vulgarização de bens como tecidos, especiarias e porcelanas, que alteraram os hábitos de diferentes povos ao longo do trajeto.
- B)divulgação do Direito Romano entre os povos orientais e a derrocada das práticas fundadas na tradição e na oralidade.
- C)difusão do cristianismo no Oriente Médio e Extremo Oriente, por meio da ação de soldados e peregrinos que atuaram nas Cruzadas.
- D)apropriação de técnicas e saberes científicos formulados por europeus, como cartografia, astrolábio e papel.
- E)circulação de padrões arquitetônicos greco-romanos, que forjaram nova identidade visual para santuários, pagodes e templos orientais.
FUVEST20261a faseQuestao 50HistóriaIslã medievalMediaEntre os deveres de todo devoto do Islã está a obrigatoriedade de pelo menos uma vez na vida fazer uma peregrinação a Meca, cidade sagrada na qual Maomé primeiro pregou a religião. Nem todos podiam fazer a peregrinação, mas muitos faziam, geralmente juntando-se às caravanas que percorriam o Saara, chegando a Meca a partir do Cairo. Essa circulação de pessoas, que entravam em contato com os lugares nos quais era intenso o ensino do Islã, criava vínculos entre todo o mundo muçulmano do Sael, norte da África e península Arábica. Os ensinamentos islâmicos eram ainda reforçados pela ação dos ulemás, estudiosos do Alcorão que se assentavam em algumas cidades ou passavam períodos em diferentes lugares. As escolas corânicas, nas quais os meninos liam e decoravam o Alcorão, também eram lugares de atuação dos ulemás, que mantinham vivo o ensino do islã.
Marina de Mello e Souza. África e Brasil africano. São Paulo: Ática, 2007. Ao tratar do islamismo na Idade Média, o texto caracteriza
- A)a transformação abrupta nas práticas e hábitos religiosos dos fiéis e o autodidatismo do ensino religioso na alfabetização de adultos e crianças.
- B)o fanatismo dos líderes religiosos e a exigência contínua de obediência e subserviência dos fiéis que desejavam alcançar a salvação.
- C)a igualdade de gêneros na formação religiosa de crianças e adultos e a ausência de preocupação com a unidade institucional da religião.
- D)o caráter educativo e doutrinário das peregrinações dos fiéis e a homogeneidade da origem étnico-racial do conjunto dos fiéis.
- E)a disposição de ampliar o conhecimento de textos religiosos pelos fiéis e a formação de redes de relações entre povos e grupos sociais distintos.
FUVEST20261a faseQuestao 51HistóriaMundo contemporâneo: Guerra ao TerrorFacilNo Afeganistão, em vinte anos de guerra, morreram mais de 157 mil pessoas; no Iraque, de 2003 até hoje, dez anos depois de as tropas americanas se retirarem do país, foram mortas entre 308 e 600 mil; e no Paquistão, o aliado dos Estados Unidos na Guerra ao Terror, 70 mil. As violações de direitos humanos por militares americanos, como os abusos e a tortura de prisioneiros, muitas vezes inocentes, na prisão de Abu Ghraib, no Iraque, e na base de Guantánamo, em Cuba, geraram ainda mais ressentimento nas populações desses países. A Guerra ao Terror provocou mais radicalização religiosa, conflitos internos, forçou milhões de pessoas a abandonar suas casas e a fugir para outros países, aumentando ainda mais o preconceito em relação a muçulmanos e árabes. Dizem que o mundo nunca mais foi o mesmo depois do Onze de Setembro.
Simone Duarte. O vento mudou de direção: o Onze de Setembro que o mundo não viu. São Paulo: Fósforo, 2021. O excerto traz informações sobre a atuação militar norteamericana na Ásia após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e afirma que essas investidas militares
- A)provocaram novos confrontos locais e mundiais e acirraram perseguições de caráter étnico e religioso.
- B)definiram uma nova ordem internacional e promoveram o bilateralismo que hoje caracteriza as relações entre as duas superpotências.
- C)consolidaram a hegemonia das organizações e alianças militares ocidentais nas áreas de conflito étnico e religioso do Oriente Médio e do Sul asiático.
- D)contribuíram para o estabelecimento da paz no mundo árabe, ao custo de terem provocado mais de quinhentas mil mortes em países asiáticos.
- E)erradicaram as organizações terroristas responsáveis pelos atentados, embora tenham recorrido a práticas contrárias aos princípios humanitários defendidos pela ONU.
FUVEST20261a faseQuestao 54HistóriaGrécia antiga: democraciaMediaNossa forma de governo não entra em rivalidade com as instituições dos outros. Nosso governo não copia o de nossos vizinhos, mas é um exemplo para eles. É verdade que somos chamados de democracia, pois a administração está nas mãos de muitos e não de poucos. Mas, enquanto existe justiça igual para todos e igualmente em suas disputas privadas, a reivindicação de excelência também é reconhecida; e quando um cidadão é de alguma forma distinto, ele é preferido para o serviço público, não como uma questão de privilégio, mas como recompensa do mérito. Nem a pobreza é um obstáculo, pois um homem pode beneficiar seu país, seja qual for a obscuridade de sua condição. Não há exclusividade em nossa vida pública, e em nossos negócios privados não suspeitamos uns dos outros [...]. Enquanto estamos assim sem restrições em nossos negócios privados, um espírito de reverência permeia nossos atos públicos; somos impedidos de fazer o mal pelo respeito às autoridades e às leis, tendo uma consideração especial por aquelas que são ordenadas para a proteção dos prejudicados, bem como por aquelas leis não escritas.
Tucídides. Oração Fúnebre de Péricles. University of Minnesota. Human Rights Library. Richard Hoocker, 1996. Adaptado. O excerto, que pretende reproduzir o discurso fúnebre de Péricles (século V a.C.) na Guerra do Peloponeso,
- A)equipara os comportamentos privados às condutas públicas.
- B)oferece uma visão crítica da democracia representativa.
- C)reproduz a opinião da época sobre a política nas pólis gregas.
- D)enaltece a democracia como marca da superioridade ateniense.
- E)defende que todas as pessoas tenham igual acesso a cargos públicos.
FUVEST20261a faseQuestao 88HistóriaBrasil Império — escravidãoMediaEntre 1810 e 1850 os debates acalorados giraram em torno do fim do tráfico internacional, da sua legislação, da sua repressão, num impressionante vaivém, ou na famosa expressão: “Para inglês ver”. Até que o comércio internacional de almas fosse extinto em 1850, e na verdade alguns anos depois, muita pressão externa foi necessária. O fim do tráfico não significou a abolição da escravidão, que ainda permaneceria forte por quase quarenta anos.
Lilia M. Schwarcz e Flávio Gomes. “Apresentação”. In: Dicionário da escravidão e liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. Adaptado. De acordo com o excerto, é correto afirmar:
- A)O fim do tráfico internacional de escravizados em 1850 implicou a substituição da mão de obra africana pela indígena.
- B)Os importadores de escravizados foram duramente prejudicados com a promulgação da lei Feijó de 1831.
- C)Os debates parlamentares entre os anos 1810 e 1850 defendiam formas de indenização aos proprietários.
- D)O fim do tráfico internacional após 1850 favoreceu o tráfico interprovincial.
- E)Os apelos internacionais pela abolição do tráfico revelavam os interesses de imigrantes europeus.
FUVEST20261a faseQuestao 89HistóriaPós-abolição e relações raciaisDificilA família de Neide fazia questão de conservar o pomposo sobrenome, “Paranhos”, herdado dos tempos da escravatura. A manutenção do nome dos descendentes dos antigos colonizadores, cuja família era tradicional na cidade, para o clã descendente de africanos escravizados, ganhara um sentido de enfrentamento aos brancos “Paranhos”. Para além de ser um destino histórico, era uma velada reivindicação de uma fortuna familiar dos brancos, que em grande parte era de pertença dos negros “Paranhos”.
Conceição Evaristo. Canção para ninar menino grande. No excerto, o uso do mesmo nome por uma família branca e uma família negra indica
- A)a ascensão social dos “Paranhos” negros após o fim da escravidão, alcançada por meio dos programas governamentais de ajuda a ex-escravizados, e a decadência dos “Paranhos” brancos trazida pela crise do café.
- B)o racismo expresso nas ações e decisões das instituições políticas monárquicas, provenientes do período colonial, e a manutenção da dominação socioeconômica dos “Paranhos” negros pelos “Paranhos” brancos.
- C)a persistência de um vínculo desigual entre as famílias, oriundo do período da escravidão, e um esforço dos “Paranhos” negros de afirmar sua participação no enriquecimento dos “Paranhos” brancos.
- D)o esforço de construção de uma ordem social harmoniosa, desenvolvida durante a Primeira República, e a persistência de ressentimentos e rivalidades pessoais entre os “Paranhos” brancos e os “Paranhos” negros.
- E)a dependência financeira dos “Paranhos” negros em relação aos “Paranhos” brancos, provocada por sua condição de escravizados, e a valorização da mistura racial como característica de formação do povo brasileiro.
FUVEST20251a faseQuestao 4HistóriaBrasil Colonial: ocupação territorialFacil“E assim como o branco e os mamelucos se aproveitaram não raro das veredas dos índios, há motivo para pensar que estes, por sua vez, foram, em muitos casos, simples sucessores dos animais selvagens, do tapir especialmente, cujos carreiros ao longo dos rios e riachos, ou em direção a nascentes de águas, se adaptavam perfeitamente às necessidades e hábitos daquelas populações.”
HOLANDA, Sergio Buarque de. Caminhos e fronteiras. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975. p.35.
De acordo com o excerto, a ocupação territorial da América portuguesa pelos colonizadores foi inicialmente marcada
- A)pela construção de caminhos que os afastassem dos cursos dos rios.
- B)pela desconsideração das rotas de deslocamento abertas pelos animais.
- C)pela utilização de picadas abertas pelas comunidades indígenas.
- D)pelo emprego de tropas de muares, responsáveis por abrir trilhas nas matas.
- E)pela exploração do transporte fluvial e marítimo por meio de pirogas.
FUVEST20251a faseQuestao 13HistóriaAmérica colonial comparadaMediaAs formas de colonização ibérica e inglesa na América foram, durante muito tempo, consideradas processos isolados, estruturados em dois modelos opostos: as colônias de exploração e as de povoamento, respectivamente. No entanto, elas constituíram um emaranhado de experiências compartilhadas pelos impérios atlânticos. Os aspectos comuns a essas formas de colonização foram a
- A)partida dos colonizadores da metrópole, da qual saíram por fatores religiosos, e a adoção do trabalho livre como base da produção.
- B)dominação e a exploração dos povos originários e o emprego sistemático do trabalho forçado dessas populações.
- C)introdução de colonos sem interesse na ocupação demográfica e o objetivo exclusivo da extração de riquezas minerais.
- D)produção local organizada em pequenas propriedades e a utilização primordial da força de trabalho familiar.
- E)falta de interesse metropolitano pela exploração comercial e a inexistência de benefícios financeiros para a metrópole.