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Questões de Português do UECE

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Português no UECE (tópico × ano)

2026
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Tópicos de Português que mais caem

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Questões de Português do UECE

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UECE20261ª ediçãoQuestao 1PortuguêsMedia
TEXTO 1 Ponciá Vicêncio deitou-se na cama imunda ao lado do homem e de barriga para cima ficou com o olhar encontrando o nada. Veio-lhe a imagem de porcos no chiqueiro que comem e dormem para serem sacrificados um dia. Seria isto vida, meu Deus? Os dias passavam, estava cansada, fraca para viver, mas coragem para morrer, também não tinha ainda. O homem gostava de dizer que ela era pancada da ideia. Seria? Seria! Às vezes, se sentia, mesmo, como se a sua cabeça fosse um grande vazio, repleto de nada e de nada. Quando Ponciá Vicêncio resolveu sair do povoado onde nascera, a decisão chegou forte e repentina. Estava cansada de tudo ali. De trabalhar o barro com a mãe, de ir e vir às terras dos brancos e voltar de mãos vazias. De ver a terra dos negros coberta de plantações, cuidadas pelas mulheres e crianças, pois os homens gastavam a vida trabalhando nas terras dos senhores, e depois a maior parte das colheitas ser entregue aos coronéis. Cansada da luta insana, sem glória, a que todos se entregavam para amanhecer cada dia mais pobres, enquanto alguns conseguiam enriquecer-se a todo o dia. Ela acreditava que poderia traçar outros caminhos, inventar uma vida nova. E avançando sobre o futuro, Ponciá partiu no trem do outro dia, pois tão cedo a máquina não voltaria ao povoado. Nem tempo de se despedir do irmão teve. E agora, ali deitada de olhos arregalados, penetrados no nada, perguntava-se se valera a pena ter deixado a sua terra. O que acontecera com os sonhos tão certos de uma vida melhor? Não eram somente sonhos, eram certezas! Certezas que haviam sido esvaziadas no momento em que perdera o contato com os seus. E agora feito morta-viva, vivia. EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio, 2003. p. 32-33. O trecho do livro Ponciá aborda, da narradora, o sentimento de
  1. A)cansaço após um dia exaustivo de trabalhos domésticos que marca sua rotina na cidade.
  2. B)saudade de casa e de um passado feliz com os familiares que deixou na cidade grande.
  3. C)dificuldade de adaptação a uma realidade marcada pela incessante busca por dignidade.
  4. D)frustração pelo tempo perdido com sonhos de aquisição de riquezas materiais.
UECE20261ª ediçãoQuestao 2PortuguêsMedia
TEXTO 1 Ponciá Vicêncio deitou-se na cama imunda ao lado do homem e de barriga para cima ficou com o olhar encontrando o nada. Veio-lhe a imagem de porcos no chiqueiro que comem e dormem para serem sacrificados um dia. Seria isto vida, meu Deus? Os dias passavam, estava cansada, fraca para viver, mas coragem para morrer, também não tinha ainda. O homem gostava de dizer que ela era pancada da ideia. Seria? Seria! Às vezes, se sentia, mesmo, como se a sua cabeça fosse um grande vazio, repleto de nada e de nada. Quando Ponciá Vicêncio resolveu sair do povoado onde nascera, a decisão chegou forte e repentina. Estava cansada de tudo ali. De trabalhar o barro com a mãe, de ir e vir às terras dos brancos e voltar de mãos vazias. De ver a terra dos negros coberta de plantações, cuidadas pelas mulheres e crianças, pois os homens gastavam a vida trabalhando nas terras dos senhores, e depois a maior parte das colheitas ser entregue aos coronéis. Cansada da luta insana, sem glória, a que todos se entregavam para amanhecer cada dia mais pobres, enquanto alguns conseguiam enriquecer-se a todo o dia. Ela acreditava que poderia traçar outros caminhos, inventar uma vida nova. E avançando sobre o futuro, Ponciá partiu no trem do outro dia, pois tão cedo a máquina não voltaria ao povoado. Nem tempo de se despedir do irmão teve. E agora, ali deitada de olhos arregalados, penetrados no nada, perguntava-se se valera a pena ter deixado a sua terra. O que acontecera com os sonhos tão certos de uma vida melhor? Não eram somente sonhos, eram certezas! Certezas que haviam sido esvaziadas no momento em que perdera o contato com os seus. E agora feito morta-viva, vivia. EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio, 2003. p. 32-33. Os personagens apresentados pelo texto são predominantemente masculinos e não recebem nomes próprios. Isso ocorre porque
  1. A)são muitos homens e há dificuldade de nomeá-los, neutralizando-os para facilitar a compreensão do enredo.
  2. B)há o interesse de destacar a força de uma mulher negra e as ações de mudanças em sua vida.
  3. C)é uma história marcada pela subserviência dos personagens, servis à força de uma mulher determinada.
  4. D)é a representação universal de brancos e negros que não se relacionam com a história da personagem.
UECE20261ª ediçãoQuestao 3PortuguêsMedia
TEXTO 1 Ponciá Vicêncio deitou-se na cama imunda ao lado do homem e de barriga para cima ficou com o olhar encontrando o nada. Veio-lhe a imagem de porcos no chiqueiro que comem e dormem para serem sacrificados um dia. Seria isto vida, meu Deus? Os dias passavam, estava cansada, fraca para viver, mas coragem para morrer, também não tinha ainda. O homem gostava de dizer que ela era pancada da ideia. Seria? Seria! Às vezes, se sentia, mesmo, como se a sua cabeça fosse um grande vazio, repleto de nada e de nada. Quando Ponciá Vicêncio resolveu sair do povoado onde nascera, a decisão chegou forte e repentina. Estava cansada de tudo ali. De trabalhar o barro com a mãe, de ir e vir às terras dos brancos e voltar de mãos vazias. De ver a terra dos negros coberta de plantações, cuidadas pelas mulheres e crianças, pois os homens gastavam a vida trabalhando nas terras dos senhores, e depois a maior parte das colheitas ser entregue aos coronéis. Cansada da luta insana, sem glória, a que todos se entregavam para amanhecer cada dia mais pobres, enquanto alguns conseguiam enriquecer-se a todo o dia. Ela acreditava que poderia traçar outros caminhos, inventar uma vida nova. E avançando sobre o futuro, Ponciá partiu no trem do outro dia, pois tão cedo a máquina não voltaria ao povoado. Nem tempo de se despedir do irmão teve. E agora, ali deitada de olhos arregalados, penetrados no nada, perguntava-se se valera a pena ter deixado a sua terra. O que acontecera com os sonhos tão certos de uma vida melhor? Não eram somente sonhos, eram certezas! Certezas que haviam sido esvaziadas no momento em que perdera o contato com os seus. E agora feito morta-viva, vivia. EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio, 2003. p. 32-33. A correspondência entre os conectores destacados e o sentido que denotam no trecho está devidamente estabelecida em: I. “mas coragem para morrer, também não tinha ainda”(linhas 06-07) — adversidade e adição. II. “pois os homens gastavam a vida trabalhando nas terras dos senhores, e depois a maior parte das colheitas ser entregue aos coronéis” (linhas 16-18) — explicação e finalidade. III. “a que todos se entregavam para amanhecer cada dia mais pobres, enquanto alguns conseguiam enriquecer-se a todo o dia” (linhas 19-21) — finalidade e transitoriedade. Estão corretas as complementações contidas em
  1. A)I e II apenas.
  2. B)II e III apenas.
  3. C)I e III apenas.
  4. D)I, II e III.
UECE20261ª ediçãoQuestao 4PortuguêsMedia
TEXTO 1 Ponciá Vicêncio deitou-se na cama imunda ao lado do homem e de barriga para cima ficou com o olhar encontrando o nada. Veio-lhe a imagem de porcos no chiqueiro que comem e dormem para serem sacrificados um dia. Seria isto vida, meu Deus? Os dias passavam, estava cansada, fraca para viver, mas coragem para morrer, também não tinha ainda. O homem gostava de dizer que ela era pancada da ideia. Seria? Seria! Às vezes, se sentia, mesmo, como se a sua cabeça fosse um grande vazio, repleto de nada e de nada. Quando Ponciá Vicêncio resolveu sair do povoado onde nascera, a decisão chegou forte e repentina. Estava cansada de tudo ali. De trabalhar o barro com a mãe, de ir e vir às terras dos brancos e voltar de mãos vazias. De ver a terra dos negros coberta de plantações, cuidadas pelas mulheres e crianças, pois os homens gastavam a vida trabalhando nas terras dos senhores, e depois a maior parte das colheitas ser entregue aos coronéis. Cansada da luta insana, sem glória, a que todos se entregavam para amanhecer cada dia mais pobres, enquanto alguns conseguiam enriquecer-se a todo o dia. Ela acreditava que poderia traçar outros caminhos, inventar uma vida nova. E avançando sobre o futuro, Ponciá partiu no trem do outro dia, pois tão cedo a máquina não voltaria ao povoado. Nem tempo de se despedir do irmão teve. E agora, ali deitada de olhos arregalados, penetrados no nada, perguntava-se se valera a pena ter deixado a sua terra. O que acontecera com os sonhos tão certos de uma vida melhor? Não eram somente sonhos, eram certezas! Certezas que haviam sido esvaziadas no momento em que perdera o contato com os seus. E agora feito morta-viva, vivia. EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio, 2003. p. 32-33. Sobre o termo destacado nos trechos: “ficou com o olhar encontrando o nada (linhas 02-03); “repleto de nada e de nada” (linha 10) e “ali deitada de olhos arregalados, penetrados no nada” (linha 26), é correto afirmar que
  1. A)se apresentam como substantivos, uma vez que a narradora individualiza o termo para exprimir o sentimento de desolação.
  2. B)se referem a manifestações de pronome indefinido, porque há distinção de usos intencionais do sentimento expresso pela narradora.
  3. C)são adjetivos, pois denotam qualidades do sentimento vivenciado pela narradora.
  4. D)são advérbios negativos, porque enfatizam o estado da narradora diante do sentimento de tristeza.
UECE20261ª ediçãoQuestao 5PortuguêsMedia
TEXTO 1 Ponciá Vicêncio deitou-se na cama imunda ao lado do homem e de barriga para cima ficou com o olhar encontrando o nada. Veio-lhe a imagem de porcos no chiqueiro que comem e dormem para serem sacrificados um dia. Seria isto vida, meu Deus? Os dias passavam, estava cansada, fraca para viver, mas coragem para morrer, também não tinha ainda. O homem gostava de dizer que ela era pancada da ideia. Seria? Seria! Às vezes, se sentia, mesmo, como se a sua cabeça fosse um grande vazio, repleto de nada e de nada. Quando Ponciá Vicêncio resolveu sair do povoado onde nascera, a decisão chegou forte e repentina. Estava cansada de tudo ali. De trabalhar o barro com a mãe, de ir e vir às terras dos brancos e voltar de mãos vazias. De ver a terra dos negros coberta de plantações, cuidadas pelas mulheres e crianças, pois os homens gastavam a vida trabalhando nas terras dos senhores, e depois a maior parte das colheitas ser entregue aos coronéis. Cansada da luta insana, sem glória, a que todos se entregavam para amanhecer cada dia mais pobres, enquanto alguns conseguiam enriquecer-se a todo o dia. Ela acreditava que poderia traçar outros caminhos, inventar uma vida nova. E avançando sobre o futuro, Ponciá partiu no trem do outro dia, pois tão cedo a máquina não voltaria ao povoado. Nem tempo de se despedir do irmão teve. E agora, ali deitada de olhos arregalados, penetrados no nada, perguntava-se se valera a pena ter deixado a sua terra. O que acontecera com os sonhos tão certos de uma vida melhor? Não eram somente sonhos, eram certezas! Certezas que haviam sido esvaziadas no momento em que perdera o contato com os seus. E agora feito morta-viva, vivia. EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio, 2003. p. 32-33. No trecho: “Ponciá partiu no trem do outro dia, pois tão cedo a máquina não voltaria ao povoado” (linhas 23-24), os termos destacados denotam a figura de linguagem denominada
  1. A)catacrese, porque não tem um significado específico entre os termos, e o segundo elemento foi usado de forma aleatória.
  2. B)ironia, porque há a necessidade de mostrar termos com sentido contrário ao habitual para ilustrar a situação.
  3. C)paradoxo, porque não há lógica entre os termos e, na expressão, causam estranhamento.
  4. D)metonímia, porque houve a substituição para evitar repetição, marcando entre eles uma relação de proximidade.
UECE20261ª ediçãoQuestao 6PortuguêsMedia
TEXTO 1 Ponciá Vicêncio deitou-se na cama imunda ao lado do homem e de barriga para cima ficou com o olhar encontrando o nada. Veio-lhe a imagem de porcos no chiqueiro que comem e dormem para serem sacrificados um dia. Seria isto vida, meu Deus? Os dias passavam, estava cansada, fraca para viver, mas coragem para morrer, também não tinha ainda. O homem gostava de dizer que ela era pancada da ideia. Seria? Seria! Às vezes, se sentia, mesmo, como se a sua cabeça fosse um grande vazio, repleto de nada e de nada. Quando Ponciá Vicêncio resolveu sair do povoado onde nascera, a decisão chegou forte e repentina. Estava cansada de tudo ali. De trabalhar o barro com a mãe, de ir e vir às terras dos brancos e voltar de mãos vazias. De ver a terra dos negros coberta de plantações, cuidadas pelas mulheres e crianças, pois os homens gastavam a vida trabalhando nas terras dos senhores, e depois a maior parte das colheitas ser entregue aos coronéis. Cansada da luta insana, sem glória, a que todos se entregavam para amanhecer cada dia mais pobres, enquanto alguns conseguiam enriquecer-se a todo o dia. Ela acreditava que poderia traçar outros caminhos, inventar uma vida nova. E avançando sobre o futuro, Ponciá partiu no trem do outro dia, pois tão cedo a máquina não voltaria ao povoado. Nem tempo de se despedir do irmão teve. E agora, ali deitada de olhos arregalados, penetrados no nada, perguntava-se se valera a pena ter deixado a sua terra. O que acontecera com os sonhos tão certos de uma vida melhor? Não eram somente sonhos, eram certezas! Certezas que haviam sido esvaziadas no momento em que perdera o contato com os seus. E agora feito morta-viva, vivia. EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio, 2003. p. 32-33. Na passagem: “Estava cansada de tudo ali. De trabalhar o barro com a mãe, de ir e vir às terras dos brancos e voltar de mãos vazias. De ver a terra dos negros coberta de plantações, cuidadas pelas mulheres e crianças, pois os homens gastavam a vida trabalhando nas terras dos senhores, e depois a maior parte das colheitas ser entregue aos coronéis.” (linhas 12-18), evidencia-se
  1. A)coesão referencial catafórica, porque o termo “a vida” é apresentado inicialmente, antecipando o referente.
  2. B)coesão referencial anafórica por meio da elipse verbal da expressão “estava cansada”, uma vez que apenas os complementos são textualizados em seguida.
  3. C)substituição lexical, porque o enunciador trabalha com sinônimos, hiperônimos e hipônimos para retomar um mesmo referente no texto, o objeto do cansaço.
  4. D)dêixis, uma vez que a referência situacional que aponta para o contexto, a exemplo do aqui e agora, são aspectos fundantes para a construção do trecho.
UECE20261ª ediçãoQuestao 7PortuguêsMedia
TEXTO 1 Ponciá Vicêncio deitou-se na cama imunda ao lado do homem e de barriga para cima ficou com o olhar encontrando o nada. Veio-lhe a imagem de porcos no chiqueiro que comem e dormem para serem sacrificados um dia. Seria isto vida, meu Deus? Os dias passavam, estava cansada, fraca para viver, mas coragem para morrer, também não tinha ainda. O homem gostava de dizer que ela era pancada da ideia. Seria? Seria! Às vezes, se sentia, mesmo, como se a sua cabeça fosse um grande vazio, repleto de nada e de nada. Quando Ponciá Vicêncio resolveu sair do povoado onde nascera, a decisão chegou forte e repentina. Estava cansada de tudo ali. De trabalhar o barro com a mãe, de ir e vir às terras dos brancos e voltar de mãos vazias. De ver a terra dos negros coberta de plantações, cuidadas pelas mulheres e crianças, pois os homens gastavam a vida trabalhando nas terras dos senhores, e depois a maior parte das colheitas ser entregue aos coronéis. Cansada da luta insana, sem glória, a que todos se entregavam para amanhecer cada dia mais pobres, enquanto alguns conseguiam enriquecer-se a todo o dia. Ela acreditava que poderia traçar outros caminhos, inventar uma vida nova. E avançando sobre o futuro, Ponciá partiu no trem do outro dia, pois tão cedo a máquina não voltaria ao povoado. Nem tempo de se despedir do irmão teve. E agora, ali deitada de olhos arregalados, penetrados no nada, perguntava-se se valera a pena ter deixado a sua terra. O que acontecera com os sonhos tão certos de uma vida melhor? Não eram somente sonhos, eram certezas! Certezas que haviam sido esvaziadas no momento em que perdera o contato com os seus. E agora feito morta-viva, vivia. EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio, 2003. p. 32-33. Em “Ponciá Vicêncio deitou-se na cama imunda ao lado do homem” (linhas 01-02) e “O homem gostava de dizer que ela era pancada da ideia” (linhas 07-08), o efeito de sentido provocado pelo uso do artigo está na
  1. A)demonstração do elemento a que se faz referência no texto, uma vez que diferencia esse personagem dos demais.
  2. B)determinação de maneira vaga, indeterminada ou imprecisa do termo, podendo ser aplicado a outros elementos do texto.
  3. C)indicação de um conjunto de seres ou uma espécie inteira de seres humanos.
  4. D)exposição de recurso expressivo para reforçar enunciados com teor exclamativo.
UECE20261ª ediçãoQuestao 8PortuguêsMedia
TEXTO 1 Ponciá Vicêncio deitou-se na cama imunda ao lado do homem e de barriga para cima ficou com o olhar encontrando o nada. Veio-lhe a imagem de porcos no chiqueiro que comem e dormem para serem sacrificados um dia. Seria isto vida, meu Deus? Os dias passavam, estava cansada, fraca para viver, mas coragem para morrer, também não tinha ainda. O homem gostava de dizer que ela era pancada da ideia. Seria? Seria! Às vezes, se sentia, mesmo, como se a sua cabeça fosse um grande vazio, repleto de nada e de nada. Quando Ponciá Vicêncio resolveu sair do povoado onde nascera, a decisão chegou forte e repentina. Estava cansada de tudo ali. De trabalhar o barro com a mãe, de ir e vir às terras dos brancos e voltar de mãos vazias. De ver a terra dos negros coberta de plantações, cuidadas pelas mulheres e crianças, pois os homens gastavam a vida trabalhando nas terras dos senhores, e depois a maior parte das colheitas ser entregue aos coronéis. Cansada da luta insana, sem glória, a que todos se entregavam para amanhecer cada dia mais pobres, enquanto alguns conseguiam enriquecer-se a todo o dia. Ela acreditava que poderia traçar outros caminhos, inventar uma vida nova. E avançando sobre o futuro, Ponciá partiu no trem do outro dia, pois tão cedo a máquina não voltaria ao povoado. Nem tempo de se despedir do irmão teve. E agora, ali deitada de olhos arregalados, penetrados no nada, perguntava-se se valera a pena ter deixado a sua terra. O que acontecera com os sonhos tão certos de uma vida melhor? Não eram somente sonhos, eram certezas! Certezas que haviam sido esvaziadas no momento em que perdera o contato com os seus. E agora feito morta-viva, vivia. EVARISTO, Conceição. Ponciá Vicêncio, 2003. p. 32-33. No trecho “Quando Ponciá Vicêncio resolveu sair do povoado onde nascera, a decisão chegou forte e repentina.” (linhas 11-12), o elemento destacado apresenta-se como recurso linguístico responsável por
  1. A)assegurar a progressão textual, estabelecendo temporalmente a sequência de eventos.
  2. B)introduzir uma frase interrogativa indireta, denotando episódios de dúvida.
  3. C)demonstrar uma concessão estabelecida pela quebra de expectativas da personagem.
  4. D)estabelecer uma relação de proporcionalidade entre as ações elencadas no texto.
UECE20261ª ediçãoQuestao 9PortuguêsMedia
TEXTO 2 Os seis minutos Luis Fernando Veríssimo A primeira coisa a fazer, já que o Thiago Silva não poderia jogar, era apresentar o David Luiz ao Dante. Os dois conversariam, talvez num jantarzinho, trocariam confidências e fotos das crianças, e combinariam como jogar contra os alemães. Aparentemente, isto não aconteceu. Quando David Luiz e Dante finalmente se conheceram, se apertaram as mãos (“muito prazer”, “muito prazer”, “precisamos nos encontrar!”) já estava cinco a zero para a Alemanha. Outra coisa: houve uma confusão nas convocações. O Felipão chamou o Fred do ano passado, um dos melhores jogadores da Copa das Confederações, e quem apareceu foi o Fred deste ano, claramente um impostor. Ninguém se lembrou de checar sua documentação. E o Felipão não poderia saber que tinha convocado o Fred errado. Outro azar: a partida ter terminado em 7 a 1. Até os 7 a 1 foi um desastre, um vexame, um escândalo — tudo que saiu nos jornais. Mas ainda estava dentro dos limites do concebível. Era cruel, era difícil de engolir, mas era um escore até com precedentes, inclusive na história das Copas. Mas se os alemães tivessem feito mais três gols, apenas mais três, entraríamos no terreno do fantástico, do inimaginável, da galhofa cósmica. A única reação possível a um 10 a 1 seria uma grande gargalhada, que nos salvaria do desespero terminal. Nada mais teria sentido no mundo, portanto nada mais nos afligiria, e todos estariam perdoados, inclusive o Felipão e a CBF, absolvidos pelo ridículo. Mas não tivemos nem a benção de perder de 10. Proponho o seguinte consolo: vamos descontar aqueles seis minutos em que os alemães fizeram quatro gols como uma invasão do sobrenatural. Uma espécie de catatonia coletiva, de origem desconhecida, que paralisou nosso time. Os quatro gols marcados durante os seis minutos de inconsciência só de um lado, portanto, não valeram. O escore real, livre de qualquer intervenção extrafutebol, foi 3 a 1. Um escore respeitável, com o qual todos poderemos viver. FINAL E Argentina e Alemanha farão a grande final, no domingo. Todos torcendo pela América contra a Europa, nossos irmãos continentais contra os nossos algozes, nossos co-colonizados contra os senhores do mundo etc. A esta altura, só nos resta a hipocrisia. VERÍSSIMO, Luis Fernando. Os Seis Minutos. In: O Globo, 30 ago. 2025. Cultura. Acesso em: 31 ago. 2025. Com base no texto 2, Os seis minutos, analise as seguintes assertivas: I. O texto denota complexidade narrativa, por apresentar personagens multifacetados e imprevisíveis. II. O enunciador utiliza o humor para suavizar um episódio simbólico do futebol brasileiro, que se configura como um elemento representativo da cultura e do esporte. III. No texto, são abordados elementos que estão além do futebol, a exemplo da atuação específica de jogadores, do financiamento e de uma possível infração ética por parte da seleção da Alemanha. IV. Para além da crítica sobre a derrota do Brasil para a Alemanha, o autor realiza paralelos entre o imaginável e o inimaginável, bem como suposições para atingir uma catarse coletiva em relação ao episódio. Está correto somente o que se afirma em
  1. A)I e III.
  2. B)II e III.
  3. C)I e IV.
  4. D)II e IV.
UECE20261ª ediçãoQuestao 10PortuguêsMedia
TEXTO 2 Os seis minutos Luis Fernando Veríssimo A primeira coisa a fazer, já que o Thiago Silva não poderia jogar, era apresentar o David Luiz ao Dante. Os dois conversariam, talvez num jantarzinho, trocariam confidências e fotos das crianças, e combinariam como jogar contra os alemães. Aparentemente, isto não aconteceu. Quando David Luiz e Dante finalmente se conheceram, se apertaram as mãos (“muito prazer”, “muito prazer”, “precisamos nos encontrar!”) já estava cinco a zero para a Alemanha. Outra coisa: houve uma confusão nas convocações. O Felipão chamou o Fred do ano passado, um dos melhores jogadores da Copa das Confederações, e quem apareceu foi o Fred deste ano, claramente um impostor. Ninguém se lembrou de checar sua documentação. E o Felipão não poderia saber que tinha convocado o Fred errado. Outro azar: a partida ter terminado em 7 a 1. Até os 7 a 1 foi um desastre, um vexame, um escândalo — tudo que saiu nos jornais. Mas ainda estava dentro dos limites do concebível. Era cruel, era difícil de engolir, mas era um escore até com precedentes, inclusive na história das Copas. Mas se os alemães tivessem feito mais três gols, apenas mais três, entraríamos no terreno do fantástico, do inimaginável, da galhofa cósmica. A única reação possível a um 10 a 1 seria uma grande gargalhada, que nos salvaria do desespero terminal. Nada mais teria sentido no mundo, portanto nada mais nos afligiria, e todos estariam perdoados, inclusive o Felipão e a CBF, absolvidos pelo ridículo. Mas não tivemos nem a benção de perder de 10. Proponho o seguinte consolo: vamos descontar aqueles seis minutos em que os alemães fizeram quatro gols como uma invasão do sobrenatural. Uma espécie de catatonia coletiva, de origem desconhecida, que paralisou nosso time. Os quatro gols marcados durante os seis minutos de inconsciência só de um lado, portanto, não valeram. O escore real, livre de qualquer intervenção extrafutebol, foi 3 a 1. Um escore respeitável, com o qual todos poderemos viver. FINAL E Argentina e Alemanha farão a grande final, no domingo. Todos torcendo pela América contra a Europa, nossos irmãos continentais contra os nossos algozes, nossos co-colonizados contra os senhores do mundo etc. A esta altura, só nos resta a hipocrisia. VERÍSSIMO, Luis Fernando. Os Seis Minutos. In: O Globo, 30 ago. 2025. Cultura. Acesso em: 31 ago. 2025. O texto 2 questiona como os torcedores podem reagir ao que é considerado inconcebível. Essa atitude é evidenciada pelo trecho:
  1. A)“A primeira coisa a fazer, já que o Thiago Silva não poderia jogar, era apresentar o David Luiz ao Dante”. (linhas 33-34)
  2. B)“Ninguém se lembrou de checar sua documentação. E o Felipão não poderia saber que tinha convocado o Fred errado”. (linhas 46-48)
  3. C)“Mas ainda estava dentro dos limites do concebível”. (linhas 51-52)
  4. D)“Proponho o seguinte consolo: vamos descontar aqueles seis minutos em que os alemães fizeram quatro gols como uma invasão do sobrenatural”. (linhas 63-65)
UECE20261ª ediçãoQuestao 11PortuguêsMedia
TEXTO 2 Os seis minutos Luis Fernando Veríssimo A primeira coisa a fazer, já que o Thiago Silva não poderia jogar, era apresentar o David Luiz ao Dante. Os dois conversariam, talvez num jantarzinho, trocariam confidências e fotos das crianças, e combinariam como jogar contra os alemães. Aparentemente, isto não aconteceu. Quando David Luiz e Dante finalmente se conheceram, se apertaram as mãos (“muito prazer”, “muito prazer”, “precisamos nos encontrar!”) já estava cinco a zero para a Alemanha. Outra coisa: houve uma confusão nas convocações. O Felipão chamou o Fred do ano passado, um dos melhores jogadores da Copa das Confederações, e quem apareceu foi o Fred deste ano, claramente um impostor. Ninguém se lembrou de checar sua documentação. E o Felipão não poderia saber que tinha convocado o Fred errado. Outro azar: a partida ter terminado em 7 a 1. Até os 7 a 1 foi um desastre, um vexame, um escândalo — tudo que saiu nos jornais. Mas ainda estava dentro dos limites do concebível. Era cruel, era difícil de engolir, mas era um escore até com precedentes, inclusive na história das Copas. Mas se os alemães tivessem feito mais três gols, apenas mais três, entraríamos no terreno do fantástico, do inimaginável, da galhofa cósmica. A única reação possível a um 10 a 1 seria uma grande gargalhada, que nos salvaria do desespero terminal. Nada mais teria sentido no mundo, portanto nada mais nos afligiria, e todos estariam perdoados, inclusive o Felipão e a CBF, absolvidos pelo ridículo. Mas não tivemos nem a benção de perder de 10. Proponho o seguinte consolo: vamos descontar aqueles seis minutos em que os alemães fizeram quatro gols como uma invasão do sobrenatural. Uma espécie de catatonia coletiva, de origem desconhecida, que paralisou nosso time. Os quatro gols marcados durante os seis minutos de inconsciência só de um lado, portanto, não valeram. O escore real, livre de qualquer intervenção extrafutebol, foi 3 a 1. Um escore respeitável, com o qual todos poderemos viver. FINAL E Argentina e Alemanha farão a grande final, no domingo. Todos torcendo pela América contra a Europa, nossos irmãos continentais contra os nossos algozes, nossos co-colonizados contra os senhores do mundo etc. A esta altura, só nos resta a hipocrisia. VERÍSSIMO, Luis Fernando. Os Seis Minutos. In: O Globo, 30 ago. 2025. Cultura. Acesso em: 31 ago. 2025. O enunciador utiliza recursos expressivos para caracterizar o episódio narrado. No trecho “Mas se os alemães tivessem feito mais três gols, apenas mais três, entraríamos no terreno do fantástico, do inimaginável, da galhofa cósmica.” (linhas 54-56), observa-se, entre as orações, a relação semântica de
  1. A)contradição e consequência.
  2. B)concessão e oposição.
  3. C)condição e resultado.
  4. D)proporção e comparação.
UECE20261ª ediçãoQuestao 12PortuguêsMedia
TEXTO 2 Os seis minutos Luis Fernando Veríssimo A primeira coisa a fazer, já que o Thiago Silva não poderia jogar, era apresentar o David Luiz ao Dante. Os dois conversariam, talvez num jantarzinho, trocariam confidências e fotos das crianças, e combinariam como jogar contra os alemães. Aparentemente, isto não aconteceu. Quando David Luiz e Dante finalmente se conheceram, se apertaram as mãos (“muito prazer”, “muito prazer”, “precisamos nos encontrar!”) já estava cinco a zero para a Alemanha. Outra coisa: houve uma confusão nas convocações. O Felipão chamou o Fred do ano passado, um dos melhores jogadores da Copa das Confederações, e quem apareceu foi o Fred deste ano, claramente um impostor. Ninguém se lembrou de checar sua documentação. E o Felipão não poderia saber que tinha convocado o Fred errado. Outro azar: a partida ter terminado em 7 a 1. Até os 7 a 1 foi um desastre, um vexame, um escândalo — tudo que saiu nos jornais. Mas ainda estava dentro dos limites do concebível. Era cruel, era difícil de engolir, mas era um escore até com precedentes, inclusive na história das Copas. Mas se os alemães tivessem feito mais três gols, apenas mais três, entraríamos no terreno do fantástico, do inimaginável, da galhofa cósmica. A única reação possível a um 10 a 1 seria uma grande gargalhada, que nos salvaria do desespero terminal. Nada mais teria sentido no mundo, portanto nada mais nos afligiria, e todos estariam perdoados, inclusive o Felipão e a CBF, absolvidos pelo ridículo. Mas não tivemos nem a benção de perder de 10. Proponho o seguinte consolo: vamos descontar aqueles seis minutos em que os alemães fizeram quatro gols como uma invasão do sobrenatural. Uma espécie de catatonia coletiva, de origem desconhecida, que paralisou nosso time. Os quatro gols marcados durante os seis minutos de inconsciência só de um lado, portanto, não valeram. O escore real, livre de qualquer intervenção extrafutebol, foi 3 a 1. Um escore respeitável, com o qual todos poderemos viver. FINAL E Argentina e Alemanha farão a grande final, no domingo. Todos torcendo pela América contra a Europa, nossos irmãos continentais contra os nossos algozes, nossos co-colonizados contra os senhores do mundo etc. A esta altura, só nos resta a hipocrisia. VERÍSSIMO, Luis Fernando. Os Seis Minutos. In: O Globo, 30 ago. 2025. Cultura. Acesso em: 31 ago. 2025. Os termos destacados na passagem: “Mas se os1 alemães tivessem feito mais três gols, apenas mais três2, entraríamos no terreno do fantástico, do inimaginável, da galhofa cósmica3.” (linhas 54-56) classificam-se respectivamente como
  1. A)adjunto adverbial1; predicativo do objeto2; adjunto adverbial3.
  2. B)sujeito1; adjunto adnominal2; adjunto adnominal3.
  3. C)adjunto adnominal1; aposto2; adjunto adverbial3.
  4. D)objeto direto1; complemento nominal2; aposto3.
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