Interpretação de texto (TIC) · UEM

Interpretação de texto (TIC): questões do UEM

8 questões de Interpretação de texto (TIC) (Português) no UEM (2019–2024). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Interpretação de texto (TIC) no UEM

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UEM2024InvernoQuestao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Pelo prazer de enganar, todo sofrimento vale a pena Ricardo Araújo Pereira* Quando leio as notícias segundo as quais os professores universitários pedem trabalhos aos alunos e recebem textos impecáveis, sem gralhas nem erros ortográficos, descobrindo assim que os alunos encomendam os trabalhos ao ChatGPT, fico naturalmente preocupado. Preocupado e indignado. São alunos universitários. O futuro do país. E fazem isso. Eles não têm o discernimento de acrescentar uma gralha aqui, colocar mal uma vírgula acolá, de modo a camuflar o fato de o texto ter sido escrito por uma máquina. Que esperança podemos ter num mundo melhor se os homens e mulheres de amanhã não possuem a mais básica capacidade de enganar professores? Com que competências vão enfrentar o mercado de trabalho e a vida em geral? Esta geração está perdida. No meu tempo não havia ChatGPT e estudávamos pelos apontamentos da Susana. E nos exames tínhamos de conseguir disfarçar que estávamos todos a copiar pelo Mendonça. Estes jovens de agora não querem esforçar-se para nada. Isto são malandros que não sabem ser malandros. Dão mau nome à malandragem. O malandro é malandro por uma razão essencial: enganar os outros dá muito prazer. Quem não entende a malandragem julga que o malandro é malandro para facilitar a sua vida. Ora, nem sempre isso acontece. Às vezes, dá mais trabalho ser malandro do que viver uma vida a que se costuma chamar honesta. Por exemplo: mentir é muito cansativo. Alguém pergunta: “Você já leu tal livro?” E a gente diz: “Claro.” Mas não leu. Segue-se um conjunto extenuante de tarefas. É necessário memorizar que, sempre que estivermos na presença daquela pessoa, para todos os efeitos lemos aquele livro. Além disso, é preciso falar do livro que não se leu sem deixar que se perceba que não foi lido. Parece difícil, mas é mais difícil do que parece. Não basta dizer frases genéricas, do gênero: “Trata-se de uma obra admirável”. Há que ser mais preciso, não deixando de ser vago. “Ah, sim, ‘Os Irmãos Karamazov’. Não é possível entender a Rússia sem ele. Uma das tragédias da minha vida é não poder ler a versão original. Para captar de fato aqueles ambientes.” E daí passar para uma reflexão sobre a precariedade do acto de traduzir. Daria muito menos trabalho ler o raio do livro. Ou admitir que não o lemos. Há muitos livros no mundo, não é vergonha não ter lido um. Mas, pelo prazer de enganar, todo o sofrimento vale a pena. É um sacerdócio. Respeitem-no, jovens. * Humorista português, membro do coletivo Gato Fedorento. É autor de “Boca do Inferno”. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2023/12/peloprazer-de-enganar-todo-sofrimento-vale-a-pena.shtml Acesso: 26/03/2024. Em seu texto, o autor tece uma série de considerações sobre a malandragem. Assinale a(s) alternativa(s) que expressa(m) corretamente a visão irônica do autor a respeito da malandragem.
  1. 01)É uma habilidade natural dos jovens e não precisa de aprendizado.
  2. 02)É uma atitude que não tem lugar no mundo moderno e acadêmico.
  3. 04)É um sacerdócio que deve ser valorizado e praticado com prazer.
  4. 08)É uma forma de enganar que requer pouco esforço e não tem valor.
  5. 16)É uma maneira de facilitar a vida e não deve ser vista como uma virtude.
UEM2024InvernoQuestao 2PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Pelo prazer de enganar, todo sofrimento vale a pena Ricardo Araújo Pereira* Quando leio as notícias segundo as quais os professores universitários pedem trabalhos aos alunos e recebem textos impecáveis, sem gralhas nem erros ortográficos, descobrindo assim que os alunos encomendam os trabalhos ao ChatGPT, fico naturalmente preocupado. Preocupado e indignado. São alunos universitários. O futuro do país. E fazem isso. Eles não têm o discernimento de acrescentar uma gralha aqui, colocar mal uma vírgula acolá, de modo a camuflar o fato de o texto ter sido escrito por uma máquina. Que esperança podemos ter num mundo melhor se os homens e mulheres de amanhã não possuem a mais básica capacidade de enganar professores? Com que competências vão enfrentar o mercado de trabalho e a vida em geral? Esta geração está perdida. No meu tempo não havia ChatGPT e estudávamos pelos apontamentos da Susana. E nos exames tínhamos de conseguir disfarçar que estávamos todos a copiar pelo Mendonça. Estes jovens de agora não querem esforçar-se para nada. Isto são malandros que não sabem ser malandros. Dão mau nome à malandragem. O malandro é malandro por uma razão essencial: enganar os outros dá muito prazer. Quem não entende a malandragem julga que o malandro é malandro para facilitar a sua vida. Ora, nem sempre isso acontece. Às vezes, dá mais trabalho ser malandro do que viver uma vida a que se costuma chamar honesta. Por exemplo: mentir é muito cansativo. Alguém pergunta: “Você já leu tal livro?” E a gente diz: “Claro.” Mas não leu. Segue-se um conjunto extenuante de tarefas. É necessário memorizar que, sempre que estivermos na presença daquela pessoa, para todos os efeitos lemos aquele livro. Além disso, é preciso falar do livro que não se leu sem deixar que se perceba que não foi lido. Parece difícil, mas é mais difícil do que parece. Não basta dizer frases genéricas, do gênero: “Trata-se de uma obra admirável”. Há que ser mais preciso, não deixando de ser vago. “Ah, sim, ‘Os Irmãos Karamazov’. Não é possível entender a Rússia sem ele. Uma das tragédias da minha vida é não poder ler a versão original. Para captar de fato aqueles ambientes.” E daí passar para uma reflexão sobre a precariedade do acto de traduzir. Daria muito menos trabalho ler o raio do livro. Ou admitir que não o lemos. Há muitos livros no mundo, não é vergonha não ter lido um. Mas, pelo prazer de enganar, todo o sofrimento vale a pena. É um sacerdócio. Respeitem-no, jovens. * Humorista português, membro do coletivo Gato Fedorento. É autor de “Boca do Inferno”. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2023/12/peloprazer-de-enganar-todo-sofrimento-vale-a-pena.shtml Acesso: 26/03/2024. Para ilustrar o conceito de malandragem, o autor utiliza o exemplo da mentira. Assinale o que for correto, de acordo com o texto, sobre as dificuldades no ato de mentir.
  1. 01)É difícil manter a mentira por muito tempo sem ser descoberto.
  2. 02)É difícil mentir sem sentir culpa.
  3. 04)É difícil mentir sem prejudicar os outros.
  4. 08)É cansativo sustentar as mentiras contadas.
  5. 16)É difícil inventar uma mentira convincente.
UEM2023InvernoQuestao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
O que faz o Brasil ter a maior população de domésticas do mundo Marina Wentzel Se organizasse um encontro de todos os seus trabalhadores domésticos, o Brasil reuniria uma população maior que a da Dinamarca, composta majoritariamente por mulheres negras, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo dados de 2017, o país emprega cerca de 7 milhões de pessoas no setor − o maior grupo no mundo. São três empregados para cada grupo de 100 habitantes − e a liderança brasileira nesse ranking só é contestada pela informalidade e falta de dados confiáveis de outros países. Com um perfil predominante feminino, afrodescendente e de baixa escolaridade, o trabalho doméstico é alimentado pela desigualdade e pela dinâmica social criada principalmente após a abolição da escravatura no Brasil, afirmam especialistas. […] “Ainda hoje o trabalho doméstico é uma das principais ocupações entre as mulheres, que são a maioria no setor em todo o mundo, cerca de 80%. No Brasil, permanece sendo a principal fonte de emprego entre as mulheres”, diz Claire Hobden, especialista em Trabalhadores Vulneráveis da OIT. […] O professor e pesquisador americano David Evan Harris é um dos especialistas que defendem que o cenário do trabalho doméstico no Brasil atual é herança do período escravagista. “O Brasil foi um dos últimos países do mundo a acabar com a escravidão. Se olharmos para quem são as empregadas, veremos que elas tendem a ser pessoas de cor”, diz o acadêmico, formado pela Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, e mestre pela USP. […] Segundo a historiadora e escritora Marília Bueno de Araújo Ariza, mesmo após a abolição, em 1888, mulheres e homens negros continuaram sendo servos ou escravos informais, o que também deixou seu legado no mercado de trabalho. […] As domésticas de hoje são majoritariamente afrodescendentes porque “justamente eram essas pessoas que ocupavam os postos de trabalho mais aviltados na saída da escravidão e na entrada da liberdade no pós-abolição”, afirmou ela à BBC Brasil. A ideia de ter um servo na família era muito comum, mesmo entre quem não era rico e vivia nas regiões semiurbanas do século 19, segundo Ariza. “A escravidão brasileira foi diversa, mas foi sobretudo uma escravidão de pequena posse. No Brasil, todo mundo tinha escravos. Quando as pessoas tinham dinheiro, elas compravam escravos com muita frequência.” […] “Racismo estrutural” Ariza acredita que o Brasil do século 21 herdou do passado colonial, imperial e escravista uma “profunda desigualdade na sociedade que não foi resolvida” e “um racismo estrutural”. “Essas duas coisas combinadas nos levam a um quadro contemporâneo que usa racionalmente o trabalho doméstico porque ele é mal remunerado e, até recentemente, não tinha quaisquer direitos reconhecidos”, resume. […] “Apesar dos esforços dos governos recentes em trazer essas empregadas para a formalidade, o que se vê hoje é o aumento da informalidade”, pondera o professor e doutor em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Eduardo Coutinho da Costa. […] “Já que o trabalho formal é um meio de ascensão, as oportunidades nesse âmbito foram administradas por um viés racial, no qual negros foram encaminhados aos postos inferiores, mais precarizados, para que não evoluíssem economicamente”, diz Coutinho da Costa. […] Desigualdade Em sua tese de mestrado na USP, o pesquisador americano David Evan Harris comparou a relação da sociedade com os trabalhadores domésticos no Brasil e nos Estados Unidos. Para ele, em ambos os países os empregados são explorados, apesar das diferenças culturais. No Brasil, diz Harris, predomina o discurso da proximidade afetiva, na qual a empregada é tratada “praticamente como se fosse alguém da família”. Já nos EUA, elas costumam ser terceirizadas e recrutadas via empresas de serviços de limpeza. Essa profissionalização daria o distanciamento necessário para que a “culpa” e o “constrangimento moral” das famílias americanas por causa da desigualdade social fossem mitigados. “Se formos observar os diferentes países ao redor do mundo e quantos serviçais eles têm, ou quão predominante a ocupação doméstica é, veremos, grosso modo, que o número de empregadas por porcentagem da população corresponde ao nível de desigualdade daquele país”, afirma Evans. “Há dois fatores majoritários que são muito importantes para avaliar se um país vai ter uma grande população de serviçais. Primeiro, desigualdade e, segundo, acesso à educação de qualidade pública, para que as pessoas consigam alcançar oportunidades que vão além do trabalho doméstico.” […] A OIT não chega a afirmar que haja uma dinâmica de causa e consequência, mas reconhece que ambos os aspectos – alta incidência de trabalho doméstico e desigualdade social – estão de alguma forma relacionados. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43120953. Acesso: 16 mai 2023. Conforme o texto, assinale o que for correto.
  1. 01)O Brasil lidera o ranking de maior empregador de trabalhadores domésticos do mundo, com uma média de três empregados para cada grupo de 100 habitantes.
  2. 02)O perfil predominantemente feminino, afrodescendente e de baixa escolaridade dos trabalhadores domésticos no Brasil é alimentado pela desigualdade e pela dinâmica social do país.
  3. 04)Como o Brasil foi um dos últimos países do mundo a acabar com a escravidão, as empregadas domésticas brasileiras são descendentes diretas de escravos negros.
  4. 08)Uma diferença marcante entre Brasil e EUA no tratamento às empregadas domésticas é que neste último as trabalhadoras são tratadas como alguém da família.
  5. 16)Em todo o mundo, o trabalho doméstico é uma atividade majoritariamente desempenhada pelas mulheres, em torno de 80%, e no Brasil é a principal fonte de emprego para elas.
UEM2022VerãoQuestao 11PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
TEXTO Aporofobia: aversão a pessoas pobres está presente até na arquitetura (Giacomo Vicenzo. Disponível em uol.com.br/ecoa. Acesso em 12 set. 2022.) 1 A palavra aporofobia tem ganhado holofotes com 2 as denúncias feitas pelo padre Júlio Lancellotti, da 3 Pastoral do Povo de Rua. Entre as fotos postadas em 4 suas redes sociais ele mostra elementos da chamada 5 “arquitetura antipobres”, que impedem, nos espaços 6 públicos, a estadia, descanso ou passagem de pessoas 7 em situação de rua. “Grades, dutos de água, pedras 8 pontiagudas. Há os que querem disfarçar com vasos e 9 com paisagismo”, diz ele para Ecoa. 10 Aporofobia significa aversão, medo e desprezo 11 aos pobres e desfavorecidos financeiramente. O termo, 12 que se tornou um neologismo no Brasil, deriva do grego 13 da junção das palavras á-poros [pobres] + fobos [medo]. 14 Para entender como a aporofobia se enraíza na 15 sociedade e cria uma construção mental que entende 16 pessoas como mais ou menos humanas, Ecoa 17 conversou com Lancellotti e com um doutor em 18 psicologia social que estuda as causas e as 19 consequências do preconceito. 20 21 O que é aporofobia e quando o termo surgiu? 22 O termo aporofobia foi usado pela primeira vez em 23 meados dos anos 90 pela filósofa espanhola Adela 24 Cortina, que estuda, entre outros temas, a aversão aos 25 pobres. Em 2017, foi escolhido como palavra do ano 26 pela Fundación del Español Urgente (Fundéu) e no 27 mesmo ano foi integrado ao dicionário da língua 28 espanhola. 29 Assim como o termo xenofobia, que quer dizer 30 aversão ou medo direcionado aos estrangeiros, Cortina 31 procurou uma palavra que desse conta de descrever a 32 rejeição aos pobres. Ela defende, aliás, que a 33 verdadeira “fobia” só é direcionada contra os 34 estrangeiros pobres e não pelos que detêm recurso 35 financeiro ou boa condição de vida e passam a viver em 36 um novo país. 37 “A aporofobia é um sentimento sempre presente 38 no ser humano, segundo a Adela Cortina. Esse medo 39 do pobre faz parte da nossa estrutura de pensamento, 40 mas pode ser mudado por meio de uma educação”, 41 explica Lancellotti para Ecoa. “Acontece também com 42 os refugiados, que morrem nos mares mediterrâneos, 43 pois os países da Europa se negam a socorrê-los”. 44 45 Quais são os alvos da aporofobia? 46 Para James Moura Jr., doutor em psicologia social 47 pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e 48 pesquisador visitante do Boston College (EUA), que 49 estuda as consequências da aporofobia, é preciso 50 entender a pobreza de uma perspectiva 51 multidimensional para analisar alguns impactos sutis 52 desse preconceito. 53 “Quando se pensa na ideia de linhas de pobreza, 54 é o dinheiro que é usado como régua. Mas o filósofo e 55 economista Amartya Sen traz ao debate a 56 compreensão de que ela deve ser entendida como 57 privação de forma mais ampla, para além da pobreza 58 financeira”, alerta. 59 “Nesse caso, a pessoa é privada de formas de ser 60 e fazer, por exemplo, a falta de acesso à educação, 61 mobilidade e cultura. Assim, é possível ser considerado 62 pobre em uma perspectiva multidimensional. É uma 63 forma mais ampla de compreender a pobreza”, 64 completa ele, afirmando que é por isso que muitas 65 pessoas podem não se sentir bem-vindas em um lugar, 66 mesmo quando podem pagar por ele. 67 No Brasil, no começo dos anos 2000, o grupo 68 Racionais MC's popularizou, entre as suas muitas 69 composições, os versos da música “Negro Drama”: “O 70 dinheiro tira um homem da miséria, mas não pode 71 arrancar, de dentro dele, a favela”. 72 Os versos forjados na periferia de São Paulo vão 73 ao encontro das explicações feitas por Moura Jr., para 74 quem os símbolos que representam “os pobres” e seus 75 territórios não desaparecem, mesmo com a ascensão 76 econômica, e são percebidos e repudiados pela elite. 77 Sobretudo entre os períodos de 2002 a 2015, 78 momentos em que houve queda ininterrupta da 79 desigualdade de renda no Brasil, como mostra estudo 80 do Insper e publicado em reportagem na Folha. 81 “Depois desse período de incremento da renda, 82 outras pessoas começaram a frequentar espaços 83 elitizados como aeroportos, pois muitos que não tinham 84 como pagar passaram a ter essa possibilidade”, lembra 85 o doutor em psicologia social. 86 “No entanto, havia uma construção das classes 87 mais altas de uma espécie de preconceito aos pobres, 88 pois eles ainda eram reconhecidos como pessoas de 89 classes mais baixas por uma série de sinais simbólicos”, 90 completa. 91 Entre as afirmações de preconceito, o pesquisador 92 lembra de falas como a do Ministro da Economia Paulo 93 Guedes em um evento privado, que comentava o 94 período em que o dólar estava a R$ 1,80: “Todo mundo 95 indo pra Disneylândia, empregada doméstica indo pra 96 Disneylândia, uma festa danada”, disse na ocasião. 97 Para Lancellotti, esse preconceito vem 98 aumentando na proporção em que o empobrecimento 99 cresce. “Está acontecendo um empobrecimento 100 acelerado, temos uma população de rua que aumentou 101 53% em 2019 [de acordo com dados da Prefeitura de 102 São Paulo]. Mas esses números estavam abaixo da 103 realidade, pois consideravam menos de 25 mil e nós 104 acreditávamos que já tínhamos 32 mil pessoas nessas 105 condições à época”, aponta o padre. (…) De acordo com o texto, assinale o que for correto.
  1. 01)A declaração de Paulo Guedes sobre o uso do transporte aéreo por empregadas domésticas configura-se preconceito contra os pobres por pressupor que não podem ocupar os mesmos espaços que a elite.
  2. 02)De acordo com o padre Júlio Lancellotti, o preconceito contra pobres vem crescendo recentemente de forma proporcional ao aumento da pobreza no Brasil.
  3. 04)Os versos dos Racionais MC’s (linhas 69-71) sustentam que, mesmo após a ascensão social, indivíduos originalmente pobres sempre sofrerão preconceito.
  4. 08)O vocábulo “aporofobia” é de uso corrente e antigo na língua portuguesa e foi incorporado à língua espanhola a partir da década de 1990 por iniciativa da filósofa Adela Cortina.
  5. 16)Por se tratar de uma fobia, a aporofobia deve ser considerada um transtorno de saúde mental individual.
UEM2022VerãoQuestao 12PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
TEXTO Aporofobia: aversão a pessoas pobres está presente até na arquitetura (Giacomo Vicenzo. Disponível em uol.com.br/ecoa. Acesso em 12 set. 2022.) 1 A palavra aporofobia tem ganhado holofotes com 2 as denúncias feitas pelo padre Júlio Lancellotti, da 3 Pastoral do Povo de Rua. Entre as fotos postadas em 4 suas redes sociais ele mostra elementos da chamada 5 “arquitetura antipobres”, que impedem, nos espaços 6 públicos, a estadia, descanso ou passagem de pessoas 7 em situação de rua. “Grades, dutos de água, pedras 8 pontiagudas. Há os que querem disfarçar com vasos e 9 com paisagismo”, diz ele para Ecoa. 10 Aporofobia significa aversão, medo e desprezo 11 aos pobres e desfavorecidos financeiramente. O termo, 12 que se tornou um neologismo no Brasil, deriva do grego 13 da junção das palavras á-poros [pobres] + fobos [medo]. 14 Para entender como a aporofobia se enraíza na 15 sociedade e cria uma construção mental que entende 16 pessoas como mais ou menos humanas, Ecoa 17 conversou com Lancellotti e com um doutor em 18 psicologia social que estuda as causas e as 19 consequências do preconceito. 20 21 O que é aporofobia e quando o termo surgiu? 22 O termo aporofobia foi usado pela primeira vez em 23 meados dos anos 90 pela filósofa espanhola Adela 24 Cortina, que estuda, entre outros temas, a aversão aos 25 pobres. Em 2017, foi escolhido como palavra do ano 26 pela Fundación del Español Urgente (Fundéu) e no 27 mesmo ano foi integrado ao dicionário da língua 28 espanhola. 29 Assim como o termo xenofobia, que quer dizer 30 aversão ou medo direcionado aos estrangeiros, Cortina 31 procurou uma palavra que desse conta de descrever a 32 rejeição aos pobres. Ela defende, aliás, que a 33 verdadeira “fobia” só é direcionada contra os 34 estrangeiros pobres e não pelos que detêm recurso 35 financeiro ou boa condição de vida e passam a viver em 36 um novo país. 37 “A aporofobia é um sentimento sempre presente 38 no ser humano, segundo a Adela Cortina. Esse medo 39 do pobre faz parte da nossa estrutura de pensamento, 40 mas pode ser mudado por meio de uma educação”, 41 explica Lancellotti para Ecoa. “Acontece também com 42 os refugiados, que morrem nos mares mediterrâneos, 43 pois os países da Europa se negam a socorrê-los”. 44 45 Quais são os alvos da aporofobia? 46 Para James Moura Jr., doutor em psicologia social 47 pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e 48 pesquisador visitante do Boston College (EUA), que 49 estuda as consequências da aporofobia, é preciso 50 entender a pobreza de uma perspectiva 51 multidimensional para analisar alguns impactos sutis 52 desse preconceito. 53 “Quando se pensa na ideia de linhas de pobreza, 54 é o dinheiro que é usado como régua. Mas o filósofo e 55 economista Amartya Sen traz ao debate a 56 compreensão de que ela deve ser entendida como 57 privação de forma mais ampla, para além da pobreza 58 financeira”, alerta. 59 “Nesse caso, a pessoa é privada de formas de ser 60 e fazer, por exemplo, a falta de acesso à educação, 61 mobilidade e cultura. Assim, é possível ser considerado 62 pobre em uma perspectiva multidimensional. É uma 63 forma mais ampla de compreender a pobreza”, 64 completa ele, afirmando que é por isso que muitas 65 pessoas podem não se sentir bem-vindas em um lugar, 66 mesmo quando podem pagar por ele. 67 No Brasil, no começo dos anos 2000, o grupo 68 Racionais MC's popularizou, entre as suas muitas 69 composições, os versos da música “Negro Drama”: “O 70 dinheiro tira um homem da miséria, mas não pode 71 arrancar, de dentro dele, a favela”. 72 Os versos forjados na periferia de São Paulo vão 73 ao encontro das explicações feitas por Moura Jr., para 74 quem os símbolos que representam “os pobres” e seus 75 territórios não desaparecem, mesmo com a ascensão 76 econômica, e são percebidos e repudiados pela elite. 77 Sobretudo entre os períodos de 2002 a 2015, 78 momentos em que houve queda ininterrupta da 79 desigualdade de renda no Brasil, como mostra estudo 80 do Insper e publicado em reportagem na Folha. 81 “Depois desse período de incremento da renda, 82 outras pessoas começaram a frequentar espaços 83 elitizados como aeroportos, pois muitos que não tinham 84 como pagar passaram a ter essa possibilidade”, lembra 85 o doutor em psicologia social. 86 “No entanto, havia uma construção das classes 87 mais altas de uma espécie de preconceito aos pobres, 88 pois eles ainda eram reconhecidos como pessoas de 89 classes mais baixas por uma série de sinais simbólicos”, 90 completa. 91 Entre as afirmações de preconceito, o pesquisador 92 lembra de falas como a do Ministro da Economia Paulo 93 Guedes em um evento privado, que comentava o 94 período em que o dólar estava a R$ 1,80: “Todo mundo 95 indo pra Disneylândia, empregada doméstica indo pra 96 Disneylândia, uma festa danada”, disse na ocasião. 97 Para Lancellotti, esse preconceito vem 98 aumentando na proporção em que o empobrecimento 99 cresce. “Está acontecendo um empobrecimento 100 acelerado, temos uma população de rua que aumentou 101 53% em 2019 [de acordo com dados da Prefeitura de 102 São Paulo]. Mas esses números estavam abaixo da 103 realidade, pois consideravam menos de 25 mil e nós 104 acreditávamos que já tínhamos 32 mil pessoas nessas 105 condições à época”, aponta o padre. (…) De acordo com o texto, assinale o que for correto.
  1. 01)Para Moura Jr., a pobreza deve ser entendida como fenômeno de ordem financeira que não envolve outros tipos de privação, como falta de acesso à educação ou à cultura.
  2. 02)Considerando o título da música “Negro Drama” e os versos citados nas linhas 69-71, é possível depreender que a canção do grupo Racionais MC’s explora não apenas a questão da pobreza, mas também a questão racial.
  3. 04)De acordo com Lancellotti, a aporofobia nem sempre é explícita; muitas vezes ela é disfarçada mediante o emprego de recursos paisagísticos.
  4. 08)Como a aporofobia está sempre presente no ser humano, o texto sugere que cabe aos pobres reverter essa situação, esforçando-se mais para mudar de classe social.
  5. 16)Em última instância, a aporofobia traça uma linha divisória entre as pessoas, agrupando-as nas categorias mais humana e menos humana.
UEM2021VerãoQuestao 11PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Leia o texto a seguir para responder às questões de 11 a 20. Mineração e garimpo disputam área maior do que a Bélgica dentro da Terra Indígena Yanomami (Naira Hofmeister / Pedro Papini) 1 Tiros de fuzil, bombas de gás, ameaças. Indígenas da 2 terra Yanomami, um imenso território no coração da 3 Amazônia, passaram o último mês sob ataque de 4 garimpeiros. Desde 10 de maio, quando sete embarcações 5 abriram fogo contra dezenas de indígenas sentados à beira 6 do rio Uraricoera, nenhuma semana se passou sem que 7 novas ameaças fossem registradas. A mais recente foi em 17 8 de junho, quando garimpeiros afundaram uma canoa com 9 crianças a bordo, que precisaram nadar para se salvar do 10 ataque. 11 Informações coletadas pela Rede Amazônica de 12 Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG), 13 dão conta de 43 pontos de garimpo ativos no rio Uraricoera, 14 que nasce perto da fronteira com a Venezuela e chega quase 15 até Boa Vista, capital de Roraima, tendo a aldeia de Palimiú 16 como uma espécie de centro geográfico. A comunidade se 17 transformou no epicentro da guerra com o garimpo ilegal 18 depois que seus habitantes decidiram interceptar a rota 19 fluvial de abastecimento dos acampamentos. 20 Agora, dados do Amazônia Minada, projeto do 21 InfoAmazonia que monitora requerimentos de mineração 22 em áreas protegidas da Amazônia, revelam uma outra 23 camada desse conflito. A Terra Indígena (TI) Yanomami, 24 um vasto território de quase 10 milhões de hectares 25 divididos entre Amazonas e Roraima, é a terra indígena 26 brasileira com maior área formalmente requisitada para 27 mineração. São cerca de 3,3 milhões de hectares (34,3% da 28 área total da TI) requeridos para extração mineral em 500 29 pedidos registrados na Agência Nacional de Mineração 30 (ANM) − uma extensão territorial maior do que a Bélgica 31 (3 mi ha) ou que o estado de Alagoas (2,7 mi ha) em 32 disputa com mineradores. Quase um terço de todos esses 33 pedidos registrados buscam por ouro. [...] 34 São solicitações que não podem prosperar porque 35 ainda não há no Brasil uma lei que autorize a exploração 36 mineral em terras indígenas. Apesar disso, elas permanecem 37 intocadas, na expectativa de uma mudança legislativa, que 38 cresceu com a chegada de Jair Bolsonaro ao Palácio do 39 Planalto em 2019. 40 “O presidente já falou que iria lutar pela liberação da 41 mineração nos territórios demarcados. Ele também apoia o 42 garimpo, por isso que os garimpeiros têm avião, 43 combustível, maquinários, armas muito pesadas”, critica 44 Dário Kopenawa Yanomami, vice-presidente da Hutukara 45 Associação Yanomami, que representa publicamente a etnia 46 em ações judiciais ou no contato direto com órgãos públicos, 47 por exemplo. [...] 49 Garimpo e mineração, heranças da ditadura 50 A intensidade dos ataques neste último mês exige dos 51 Yanomami uma mobilização especial. Sem medidas 52 efetivas das autoridades, os indígenas decidiram monitorar 53 seu território por conta própria, para prevenir novas 54 investidas. “Nosso povo sabe se proteger em uma guerra e 55 agora é isso que estamos fazendo. Sabemos onde o inimigo 56 está”, revela a liderança. No último dia 14, o Ministério da 57 Justiça autorizou o uso da Força Nacional para conter o 58 conflito na região, mas até a conclusão desta reportagem 59 nenhuma ação havia sido tomada. 60 A experiência desses indígenas na guerra contra o 61 garimpo, entretanto, é longa. Começou nos anos 1970, 62 quando a ditadura militar lançou o primeiro mapeamento 63 mineral da região, o projeto Radam, que em pouco tempo 64 atraiu pelo menos 500 garimpeiros para o território, ainda 65 não reconhecido formalmente pelo país como terra indígena 66 (o que só veio a acontecer em 1992). No auge dessa corrida 67 pelas riquezas do subsolo, a região chegou a ter 40.000 68 garimpeiros — quase o dobro da população indígena atual. 69 “Isso é um problema antigo, na década de 80, quando eu era 70 criança, quem enfrentava os 40.000 garimpeiros que 71 estavam aqui era o meu pai”, recorda Dário, herdeiro de 72 Davi Kopenawa, xamã e porta-voz desse povo por décadas. 73 Foi esse mapeamento mineral promovido pela 74 ditadura que despertou a cobiça pelo subsolo amazônico. 75 Mais tarde, em 1986, uma pista de pouso aberta pelo 76 Ministério da Aeronáutica foi o elemento que faltava para o 77 boom de ilegalidades na área — ela fornecia acesso direto a 78 50 garimpos no interior da floresta, segundo registra o 79 geógrafo Estevão Senra em sua tese de doutorado, defendida 80 em janeiro na Universidade Nacional de Brasília (UnB). 81 Senra é consultor da Hutukara e monitora as áreas abertas 82 pelo garimpo na TI. [...] 83 Agora, essa visão está mais viva do que nunca no 84 discurso de Bolsonaro. Uma visita recente do presidente ao 85 Amazonas marcou sua primeira incursão em uma terra 86 indígena brasileira — mas foi interpretada como ato de apoio 87 aos ilegais, embora na ocasião Bolsonaro tenha prometido 88 respeitar a vontade dos indígenas sobre a exploração 89 econômica de seus territórios. Além disso, a recente 90 nomeação do militar da reserva Leandro Silva Peixoto da 91 Costa como coordenador da Frente de Proteção 92 Etnoambiental Yanomami Ye’Kuana da Funai reacende a 93 memória de um passado que os Yanomami não querem 94 esquecer, mas lutam para superar. 95 “Nossos territórios foram invadidos pela ditadura 96 militar e hoje isso tudo está se repetindo”, lamenta 97 Kopenawa. “A estratégia de Bolsonaro é a mesma de 98 governos passados, é a lógica do pensamento do europeu 99 que chegou, tomou a terra, extraiu minérios. Isso 100 infelizmente continua”, conclui. [...] Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em 13/10/2021. (adaptado) Assinale o que for correto.
  1. 01)A leitura do parágrafo inicial leva a concluir que “Tiros de fuzil, bombas de gás, ameaças.” (linha 1) são as formas de agressão praticadas por garimpeiros contra os Yanomami.
  2. 02)Ao declarar que a aldeia de Palimiú “se transformou no epicentro da guerra com o garimpo ilegal” (linhas 16 e 17), o texto apresenta essa comunidade como principal ponto de tensões entre os Yanomami e os garimpeiros.
  3. 04)O sentido da expressão “mudança legislativa” (linha 37) diz respeito à promulgação de uma lei que proíba a extração mineral em terra indígena.
  4. 08)De acordo com o texto, a extensão total do território Yanomami no Brasil é o equivalente a uma área superior à da Bélgica ou à da ocupada pelo estado de Alagoas.
  5. 16)A expressão “lógica do pensamento do europeu” (linha 98) remete ao modo como os europeus exploraram o Brasil no período colonial. Vestibular 2021
UEM2021VerãoQuestao 13PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Leia o texto a seguir para responder às questões de 11 a 20. Mineração e garimpo disputam área maior do que a Bélgica dentro da Terra Indígena Yanomami (Naira Hofmeister / Pedro Papini) 1 Tiros de fuzil, bombas de gás, ameaças. Indígenas da 2 terra Yanomami, um imenso território no coração da 3 Amazônia, passaram o último mês sob ataque de 4 garimpeiros. Desde 10 de maio, quando sete embarcações 5 abriram fogo contra dezenas de indígenas sentados à beira 6 do rio Uraricoera, nenhuma semana se passou sem que 7 novas ameaças fossem registradas. A mais recente foi em 17 8 de junho, quando garimpeiros afundaram uma canoa com 9 crianças a bordo, que precisaram nadar para se salvar do 10 ataque. 11 Informações coletadas pela Rede Amazônica de 12 Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG), 13 dão conta de 43 pontos de garimpo ativos no rio Uraricoera, 14 que nasce perto da fronteira com a Venezuela e chega quase 15 até Boa Vista, capital de Roraima, tendo a aldeia de Palimiú 16 como uma espécie de centro geográfico. A comunidade se 17 transformou no epicentro da guerra com o garimpo ilegal 18 depois que seus habitantes decidiram interceptar a rota 19 fluvial de abastecimento dos acampamentos. 20 Agora, dados do Amazônia Minada, projeto do 21 InfoAmazonia que monitora requerimentos de mineração 22 em áreas protegidas da Amazônia, revelam uma outra 23 camada desse conflito. A Terra Indígena (TI) Yanomami, 24 um vasto território de quase 10 milhões de hectares 25 divididos entre Amazonas e Roraima, é a terra indígena 26 brasileira com maior área formalmente requisitada para 27 mineração. São cerca de 3,3 milhões de hectares (34,3% da 28 área total da TI) requeridos para extração mineral em 500 29 pedidos registrados na Agência Nacional de Mineração 30 (ANM) − uma extensão territorial maior do que a Bélgica 31 (3 mi ha) ou que o estado de Alagoas (2,7 mi ha) em 32 disputa com mineradores. Quase um terço de todos esses 33 pedidos registrados buscam por ouro. [...] 34 São solicitações que não podem prosperar porque 35 ainda não há no Brasil uma lei que autorize a exploração 36 mineral em terras indígenas. Apesar disso, elas permanecem 37 intocadas, na expectativa de uma mudança legislativa, que 38 cresceu com a chegada de Jair Bolsonaro ao Palácio do 39 Planalto em 2019. 40 “O presidente já falou que iria lutar pela liberação da 41 mineração nos territórios demarcados. Ele também apoia o 42 garimpo, por isso que os garimpeiros têm avião, 43 combustível, maquinários, armas muito pesadas”, critica 44 Dário Kopenawa Yanomami, vice-presidente da Hutukara 45 Associação Yanomami, que representa publicamente a etnia 46 em ações judiciais ou no contato direto com órgãos públicos, 47 por exemplo. [...] 49 Garimpo e mineração, heranças da ditadura 50 A intensidade dos ataques neste último mês exige dos 51 Yanomami uma mobilização especial. Sem medidas 52 efetivas das autoridades, os indígenas decidiram monitorar 53 seu território por conta própria, para prevenir novas 54 investidas. “Nosso povo sabe se proteger em uma guerra e 55 agora é isso que estamos fazendo. Sabemos onde o inimigo 56 está”, revela a liderança. No último dia 14, o Ministério da 57 Justiça autorizou o uso da Força Nacional para conter o 58 conflito na região, mas até a conclusão desta reportagem 59 nenhuma ação havia sido tomada. 60 A experiência desses indígenas na guerra contra o 61 garimpo, entretanto, é longa. Começou nos anos 1970, 62 quando a ditadura militar lançou o primeiro mapeamento 63 mineral da região, o projeto Radam, que em pouco tempo 64 atraiu pelo menos 500 garimpeiros para o território, ainda 65 não reconhecido formalmente pelo país como terra indígena 66 (o que só veio a acontecer em 1992). No auge dessa corrida 67 pelas riquezas do subsolo, a região chegou a ter 40.000 68 garimpeiros — quase o dobro da população indígena atual. 69 “Isso é um problema antigo, na década de 80, quando eu era 70 criança, quem enfrentava os 40.000 garimpeiros que 71 estavam aqui era o meu pai”, recorda Dário, herdeiro de 72 Davi Kopenawa, xamã e porta-voz desse povo por décadas. 73 Foi esse mapeamento mineral promovido pela 74 ditadura que despertou a cobiça pelo subsolo amazônico. 75 Mais tarde, em 1986, uma pista de pouso aberta pelo 76 Ministério da Aeronáutica foi o elemento que faltava para o 77 boom de ilegalidades na área — ela fornecia acesso direto a 78 50 garimpos no interior da floresta, segundo registra o 79 geógrafo Estevão Senra em sua tese de doutorado, defendida 80 em janeiro na Universidade Nacional de Brasília (UnB). 81 Senra é consultor da Hutukara e monitora as áreas abertas 82 pelo garimpo na TI. [...] 83 Agora, essa visão está mais viva do que nunca no 84 discurso de Bolsonaro. Uma visita recente do presidente ao 85 Amazonas marcou sua primeira incursão em uma terra 86 indígena brasileira — mas foi interpretada como ato de apoio 87 aos ilegais, embora na ocasião Bolsonaro tenha prometido 88 respeitar a vontade dos indígenas sobre a exploração 89 econômica de seus territórios. Além disso, a recente 90 nomeação do militar da reserva Leandro Silva Peixoto da 91 Costa como coordenador da Frente de Proteção 92 Etnoambiental Yanomami Ye’Kuana da Funai reacende a 93 memória de um passado que os Yanomami não querem 94 esquecer, mas lutam para superar. 95 “Nossos territórios foram invadidos pela ditadura 96 militar e hoje isso tudo está se repetindo”, lamenta 97 Kopenawa. “A estratégia de Bolsonaro é a mesma de 98 governos passados, é a lógica do pensamento do europeu 99 que chegou, tomou a terra, extraiu minérios. Isso 100 infelizmente continua”, conclui. [...] Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em 13/10/2021. (adaptado) Assinale o que for correto.
  1. 01)De acordo com o texto, o interesse pelo subsolo amazônico é antigo e tem sua origem em projeto de mapeamento mineral promovido pela ditadura militar na década de 70.
  2. 02)Os indígenas passaram a combater as invasões ilegais apenas recentemente, o que reflete uma nova conscientização por parte desses povos originários na defesa de seus territórios.
  3. 04)O texto deixa implícito que ações governamentais, tais como a autorização do uso da Força Nacional para intervir no conflito e a visita do presidente Bolsonaro a uma terra indígena, têm sido fundamentais para tranquilizar os Yanomami.
  4. 08)Os autores mostram que os ataques aos indígenas não são somente de ordem física, como comprovam as centenas de pedidos solicitando autorização para explorar o espaço territorial dos Yanomami.
  5. 16)O texto aponta que a escalada de violência se justifica, pois ela teve início quando os indígenas decidiram interceptar as rotas fluviais que permitem o abastecimento dos garimpos.
UEM2019InvernoQuestao 3PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Pagu "Mexo, remexo na inquisição Só quem já morreu na fogueira Sabe o que é ser carvão (...) Porque nem toda feiticeira é corcunda Nem toda brasileira é bunda Meu peito não é de silicone Sou mais macho que muito homem." Rita Lee e Zélia Duncan, álbum 3001, ano 2000. Os versos de Rita Lee e Zélia Duncan remetem à Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício, bem como às circunstâncias da trajetória feminina em sociedades androcêntricas. Acerca desses temas, assinale o que for correto.
  1. 01)A Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício, criado pela Igreja Católica no século XIII, foi responsável por condenar muitas mulheres à morte na fogueira sob a acusação de feitiçaria.
  2. 02)A hipersexualização do corpo feminino é uma forma de converter as mulheres em objeto na sociedade brasileira. As autoras questionam essa situação afirmando que nem toda brasileira é bunda.
  3. 04)Espanha e Portugal, ao estabelecerem suas colônias na América, abriram mão de trazer consigo o Tribunal do Santo Ofício.
  4. 08)A Inquisição ou Tribunal do Santo Ofício perdurou do século XIII até o XIX.
  5. 16)O trecho transcrito da canção, denominada "Pagu", é uma homenagem a Patrícia Rehder Galvão, que foi artista, intelectual e ativista em defesa dos direitos das mulheres no século XX.
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