Leia a terceira estrofe do poema “Súplica”, de Maria Firmina dos Reis, autora maranhense do século XIX, pioneira na literatura afro-brasileira:
[...] Pra que viver, se esta vida É martírio eterno, e lento? E frágua toda a existência, É século cada momento: Pra que a vida, Senhor, Se a vida vale um tormento!!![...]
REIS, Maria Firmina dos. Cantos à beira-mar e outros poemas. Círculo de Poemas, 2024.
Nesses versos, o eu-lírico reflete sobre a dor de existir e sobre a ausência de sentido no prolongamento do sofrimento humano. Décadas mais tarde, inquietações dessa natureza seriam colocadas no centro das reflexões de uma importante corrente filosófica do século XX. Essa corrente denomina-se
A)Decolonialismo.
B)Materialismo.
C)Existencialismo.
D)Neopragmatismo.
E)Construtivismo.
UEMA20261a faseQuestao 32FilosofiaMichel Foucault e sexualidadeMedia
Leia os dois fragmentos de textos a seguir. O primeiro foi extraído de uma cena do romance de Lygia Fagundes Telles; o segundo, do livro História da Sexualidade I: Vontade de saber, de Michel Foucault.
I “Ana Clara contou que tinha um namorado que endoidava quando ela tirava os cílios postiços, a cena do biquíni não tinha a menor importância, mas assim que começava a tirar os cílios, era a glória. Em verdade vos digo que chegará o dia em que a nudez dos olhos será mais excitante do que a do sexo. Pura convenção achar o sexo obsceno. E a boca? Inquietante a boca mordendo, mastigando, mordendo” (Telles, 2009, p. 14).
TELLES, Lygia Fagundes. As meninas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
II “A sexualidade é o nome que se pode dar a um dispositivo histórico: não à realidade subterrânea que se apreende com dificuldade, mas à grande rede da superfície em que a estimulação dos corpos, a intensificação dos prazeres, a incitação ao discurso, a formação dos conhecimentos, o reforço dos controles e das resistências, encadeiam-se uns aos outros, segundo algumas grandes estratégias de saber e de poder” (Foucault, 1988, p. 99).
FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade I: A vontade de saber. 13ed. Rio de Janeiro, Edições Graal, 1988. Ambos os fragmentos compartilham um mesmo tema, a sexualidade, e, ao compará-los, pode-se concluir que expressam uma perspectiva semelhante, pois
A)sugerem que os objetos de desejo são imutáveis.
B)afirmam a sexualidade como algo puramente natural.
C)pensam a sexualidade como uma construção cultural.
D)desvinculam a sexualidade de normas sociais.
E)reduzem a sexualidade à prática sexual explícita.
UEMA20261a faseQuestao 33FilosofiaFilosofia política (Maquiavel)Media
Para responder à questão, você deverá estabelecer relação entre o famoso capítulo XVII de O Príncipe e o conto de Colasanti, O reino por um cavalo, em que a autora narra os caprichos de um Rei que alimenta o seu cavalo com ouro, símbolo de ostentação e de luxo. O pensador Maquiavel afirma que tanto o governante amado quanto o temido podem-se manter no poder. O autor adverte, no entanto, que se deve, sobretudo, evitar o ódio dos súditos, pois esse conduz mais facilmente à ruína. Leia o trecho dessa famosa obra:
“Deve, no entanto, o príncipe fazer-se temer de modo que, se não conquista o amor, que fuja ao ódio, porque podem muito bem estar juntos o temor e a ausência de ódio, o que alcançará sempre, desde que se abstenha dos bens de seus cidadãos e seus súditos, das suas mulheres.”
MAQUIAVEL, Nicolau. O príncipe. 6. ed. São Paulo: Vozes, 2011.
Partindo da afirmação de Maquiavel, pode-se inferir que o personagem Rei, protagonista do referido conto, se arrisca, fortemente, a ser odiado no seguinte fragmento:
A)“Fundos eram os cofres do Rei. Um cesto de moedas a menos não fazia diferença. Nem dez”.
B)“o Rei desceu às cavalariças esvoaçando o manto pelas escadas, alegre como há muito não se via”.
C)“Com rápida determinação, antes que o Grão-Curador ouvisse, mandou que se matasse o cavalo”.
D)“E, sem hesitar, ordenou a instituição de uma nova taxa, o Imposto do Cavalo, a ser pago diariamente por todos os súditos”.
E)“Andava pensativo pelos corredores e era visto, às vezes, descendo para as estrebarias, onde se demorava em silêncio, sem sorrir”.
UEMA20261a faseQuestao 34FilosofiaOrigem da FilosofiaMedia
Com relação à origem da palavra ‘filosofia’, Molefi Kete Asante afirma:
Existem duas partes na palavra “filosofia”, como ela chegou até nós a partir do grego, “Philo”, que significa amigo (brother) ou amante e “Sophia”, que significa sabedoria ou sábio. Assim, um filósofo é chamado de “amante da sabedoria”.
A origem de “Sophia” está evidente na língua africana Mdu Ntr, a língua do antigo Egito, onde a palavra “Seba”, que significa “o sábio”, aparece pela primeira vez em 2052 a.C., no túmulo de Antef I, muito antes da existência da Grécia ou do grego. A palavra tornou-se “Sebo” em copta e “Sophia” em grego. Como para o filósofo, o amante da sabedoria é precisamente aquilo que se entende por “Seba”, o Sábio, em escritos antigos de túmulos egípcios (2014, p. 118).
ASANTE, Molefi Kete. Uma Origem Africana da Filosofia: Mito ou Realidade?. Capoeira-Humanidades e Letras, v. 1, n. 1, p. 116-121, 2014. Pode-se inferir que o autor busca enfatizar, com a explicação, a origem africana da palavra “filosofia”, evidenciando sua ligação com o termo egípcio “Seba”, porque
https://www.instagram.com/p/DAWd7JFvAsw/?igsh=bmRpNGQzcHFueTA2. Considerando a perspectiva do humanismo ético e filosófico, analise as seguintes afirmações:
I. O “outro”, referência na primeira e na segunda cenas, deve ser familiar. II. O “pouco de nós”, que morre, ao naturalizar a violência, é a nossa humanidade. III. A desumanização do outro é uma consequência direta da desumanização de si. IV. A “morte do outro”, na segunda cena, para além do sentido literal, também pode ser uma metáfora para o silenciamento e a invisibilidade.
Estão corretas, apenas, as seguintes assertivas:
A)I, II e III.
B)I, II e IV.
C)I e IV.
D)II e III.
E)II, III e IV.
UEMA20251a faseQuestao 31FilosofiaMedia
Leia essa passagem do livro Manuelzão e Miguilim. ― "Dito, como é que a gente sabe certo como não deve de fazer alguma coisa, mesmo os outros não estando vendo?" — "A gente sabe, pronto." O trecho reflete a curiosidade e a busca de entendimento do mundo por parte de Miguilim, um menino que vive no Mutúm, um lugar remoto e isolado. O personagem questiona seu irmão Dito sobre como saber o que é certo ou errado, mesmo quando ninguém está observando.
ROSA, João Guimarães. Manuelzão e Miguilim. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. A resposta simples de Dito, “A gente sabe, pronto”, sugere que compreensão filosófica da moralidade?
A)A moralidade é baseada na consciência moral, na medida em que sabemos o que é certo ou errado, independentemente das consequências.
B)A moralidade é determinada pelo resultado das ações, ou seja, devemos fazer o que traz o maior bem para o maior número de pessoas.
C)Agir moralmente é uma questão de desenvolver boas características de caráter, como a honestidade e a coragem.
D)A ação moral é pautada em relações e em responsabilidades interpessoais, o que nos leva ao dever de cuidar uns dos outros.
E)A moralidade é marcada pela subjetividade e depende das crenças e dos valores individuais ou culturais.
UEMA20251a faseQuestao 32FilosofiaMedia
Heidegger, no texto O que isto – a filosofia?, indaga sobre a atitude filosófica. O filósofo diz que: “Quando perguntamos: O que é isto – a filosofia?, falamos sobre filosofia. Perguntando desta maneira, permanecemos num ponto acima da filosofia e isto quer dizer fora dela. Porém, a meta de nossa questão é penetrar na filosofia, demorarmo-nos nela, submeter nosso comportamento às suas leis, quer dizer, ‘filosofar’” .
Para o filósofo Martin Heidegger, o que significa "filosofar"?
A)A partir de um olhar objetivo, analisar as leis da filosofia.
B)Penetrar na filosofia, submetendo-se às categorias metafísicas.
C)Demorar-se na filosofia, chegando a certezas.
D)Deixar-se conduzir para o interior da atividade filosófica.
E)Submeter o comportamento à erudição filosófica.
UEMA20251a faseQuestao 33FilosofiaMedia
Ubuntu é um dos conceitos mais importantes quando se fala de filosofia africana. Com relação a esse assunto, leia atentamente o que diz o professor Renato Nogueira: “Ubuntu pode ser traduzido como “o que é comum a todas as pessoas”. A máxima zulu e xhosa, umuntu ngumuntu ngabantu (uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas) indica que um ser humano só se realiza quando humaniza outros seres humanos”.
Nogueira, Renato. Ubuntu como modo de existir: Elementos gerais para uma ética afroperspectivista. Revista da ABPN, Curitiba, v. 3, n. 6, p. 147-150, nov.2011/fev.2012.
Considerando a perspectiva do referido professor, a assertiva mais adequada a uma ética, inspirada no Ubuntu, é a seguinte:
A)A caridade é necessária como forma de estar bem consigo mesmo.
B)Quanto mais competição, mais bem-estar para a comunidade.
C)Só por meio da solidariedade os seres humanos se realizam.
D)É preciso muita resiliência para suportar a realidade opressora.
E)Há necessidade de isolamento para alcançar o autoconhecimento.
UEMA20251a faseQuestao 34FilosofiaMedia
Leia a sequência em quadrinhos que apresenta uma situação do nosso cotidiano.
Tirinha de André Dahmer
Na filosofia, há, pelo menos, quatro noções de verdade: I) verdade como adequação dos anunciados aos fatos; II) como coerência com o sistema em que se insere; III) como consenso entre os agentes discursivos; IV) como pragmática, isto é, conforme o que é útil ou bom para a vida.
Zilles, Urbano. Teoria do conhecimento. São Paulo: Paulus, 2005 (Coleção Filosofia). A noção de verdade abordada pelos personagens e que está em desaparecimento, segundo a fala específica da segunda cena, é a verdade
Imagens anexadas
A)pragmática.
B)como coerência.
C)consensual.
D)intuitiva.
E)como adequação.
UEMA20251a faseQuestao 35FilosofiaMedia
Ao ser perguntado, no Acessíveis Cast, sobre algum lugar que todo brasileiro deveria conhecer, o apresentador Zeca Camargo respondeu de forma entusiasmada: “Todo brasileiro e todo estrangeiro precisam conhecer os Lençóis Maranhenses. [...] Os Lençóis é uma paisagem... Olha! I’ve been around... Não tem igual daquele jeito em nenhum lugar do mundo. E é tão único, independente da época que você vai. [...] Eu acho uma viagem fundamental. Todo habitante do planeta Terra tem que conhecer ali”. ACESSÍVEIS CAST. Zeca Camargo – Acessíveis Cast #16. YouTube, 2 de novembro de 2023. 1h26min. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v KANT, Immanuel. Crítica da faculdade de julgar. Editora Vozes Limitada, 2017.
Na perspectiva de Immanuel Kant, há juízo estético nesse tipo de declaração, porque o enunciador
A)possui a delicadeza necessária para se deixar afetar por emoções sutis.
B)refere-se a uma beleza ideal que transcende a própria paisagem admirada.
C)tem a expectativa de que todos concordem com sua afirmação subjetiva.
D)demonstra ter alcançado a perfeição do conhecimento sensitivo.
E)experimentou a catarse, isto é, uma intensa descarga emocional.
Em A República, diálogo de Platão (séc. IV a. C.), mais especificamente no Livro V, é apresentada, pela primeira vez, uma visão sobre gêneros, na qual o referido filósofo vai destacar o papel da mulher na estrutura da pólis (cidade). Para ele, se a alma é só uma, enquanto constituição, não se difere em suas potencialidades, independente do corpo ser masculino ou feminino. [...] Portanto - prossegui eu - se se evidenciar que, ou o sexo masculino, ou o feminino, é superior um ao outro no exercício de uma arte ou de qualquer outra ocupação, diremos que se deverá confiar essa função a um deles. Se, porém, se vir que a diferença consiste apenas no facto de a mulher dar à luz e o homem procriar, nem por isso diremos que está mais bem demonstrado que a mulher difere do homem em relação ao que dizemos, mas continuaremos a pensar que os nossos guardiões e as suas mulheres devem desempenhar as mesmas funções. (A República, V, 454d-e).
Se, para o referido filósofo, as potências dos gêneros são as mesmas, de que forma, em sua filosofia, Platão propõe solucionar as funções a serem desempenhadas pelos dois gêneros?
A)Pela fisiologia, pois, ao darem à luz a homens, as mulheres são educadas a se considerarem superiores a eles.
B)Pelo biológico, pois, preocupadas com as questões da esfera privada, a família, as mulheres vivem para a maternidade.
C)Pela natureza, pois o silêncio passa a ser visto, por homens e mulheres, como adjetivo necessário à harmonia da pólis.
D)Pela religião, pois, homens e mulheres resguardam a lei por meio da oração, em obediência às divindades que definem os destinos.
E)Pela educação, pois homens e mulheres igualam-se em habilidades, ao aperfeiçoarem suas potencialidades, podem exercer os mesmos ofícios.
Os casos de feminicídio, no século XXI, têm sido constantemente anunciados na mídia. Embora possa parecer “algo novo”, já se afirmava a violência à mulher em séculos anteriores. Leia os textos sobre o tema. O primeiro descreve as formas de opressão sofridas pelas mulheres; o segundo define o conceito de feminicídio no mundo contemporâneo. TEXTO I
NAS MÃOS DE UM HOMEM, A LÓGICA É MUITAS VEZES VIOLÊNCIA
0 casamento incita o homem a um imperialismo caprichoso: a tentação de dominar é a mais universal, a mais irresistível que existe; muitas vezes não basta ao esposo ser aprovado, admirado, aconselhar, guiar: ele ordena, representa o papel de soberano. Todos os rancores acumulados em sua infância, durante sua vida, acumulados quotidianamente entre os outros homens cuja existência o freia e fere, ele descarrega em casa, acenando para a mulher com sua autoridade; mima a violência, a força, a intransigência: dá ordens com voz severa, ou grita, bate na mesa; essa comédia é para a mulher uma realidade quotidiana. Ele se acha tão convencido de seus direitos que a menor autonomia conservada pela mulher lhe parece uma rebeldia; gostaria de impedi-la de respirar sem ele.
BEAUVOIR, Simone. Segundo Sexo. São Paulo, Nova Fonteira: 2020. TEXTO II
O CONCEITO DE FEMINICÍDIO
“Trata-se de um crime de ódio. O conceito surgiu na década de 1970 com o fim de reconhecer e dar visibilidade à discriminação, opressão, desigualdade e violência sistemática contra as mulheres, que, em sua forma mais aguda, culmina na morte. Essa forma de assassinato não constitui um evento isolado e nem repentino ou inesperado; ao contrário, faz parte de um processo contínuo de violências, cujas raízes misóginas caracterizam o uso de violência extrema. Inclui uma vasta gama de abusos, desde verbais, físicos e sexuais, como o estupro, e diversas formas de mutilação e de barbárie.” Eleonora Menicucci
https://dossies.agenciapatriciagalvao.org.br/feminicidio/capitulos/o-que-e-feminicidio/#o-que-e-feminicidio.
Da leitura dos dois textos, pode-se afirmar que Beauvoir já identificava, nos anos 40 do século XX, que a violência contra a mulher sempre foi
A)combatida pelo capitalismo ao lhe inserir no mundo do trabalho. É um feminicídio por serem ações ofensivas à mulher na sociedade.
B)realizada por meio das bandeiras iluministas na revolução industrial. É um feminicídio por estarem alinhadas à visão: “Existo, logo penso”.
C)presente na história da humanidade porque “a mulher é o outro do outro”. É um feminicídio por serem ações de opressão nas formações das sociedades.
D)fruto de um desequilíbrio de valores entre homens e mulheres, salvo pela meritocracia liberal. É um feminicídio por se efetivar pelas diferenças salariais.
E)dada na adequação das condições sociais aos valores essencialistas. É um feminicídio por permitir à mulher a experiência do relativismo.
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