Interpretação de texto · UEMA

Interpretação de texto: questões do UEMA

11 questões de Interpretação de texto (Português) no UEMA (2018–2026). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Interpretação de texto no UEMA

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UEMA20261a faseQuestao 1PortuguêsInterpretação de textoMedia
Em setembro de 2025, a Revista Bula fez uma seleção feminina suprema da Literatura Brasileira. As três autoras indicadas para este processo seletivo compõem essa escalação, que prima pela qualidade estética, relevância histórica, dentre tantas características fundamentais dessas autoras e de suas obras literárias. Tenha a certeza de que a literatura é força de transformação que nos ajuda a ressignificar nossa visão de mundo. Leia o fragmento de texto sobre o romance para responder às questões 01 e 02. O romance As meninas, de Lygia Fagundes Telles, merece constar entre os mais ousados da literatura brasileira, em primeiro lugar porque discute e relata explicitamente a barbárie dos porões da ditadura enquanto essa ainda estava em vigor no país, reproduzindo corajosamente, e pela primeira vez na ficção do Brasil, um depoimento de tortura de um preso político. [...] Assim, os efeitos da intervenção do regime político na vida individual da burguesia paulistana são amplamente questionados através da íntima trajetória das três amigas no intervalo de tempo em que a história acontece. Ainda que a opressão as afete de maneiras e com forças distintas, considerando as próprias diferenças de personalidade das meninas, o autoritarismo constitucionalizado as cerceia com igual eficiência, mantendo-as em um mesmo cativeiro. [...] Em segundo lugar, a obra é ousada também na forma. [...] Com a acurácia típica do narrador lygiano, as vozes das meninas se misturam, alternando-se sem aviso prévio, reforçando pelos seus próprios discursos a identidade de cada uma delas. Tal alternância frenética, e às vezes inesperada, faz com que o tempo do romance atue de modo muito particular, diferente do tradicional. [...] https://www.literatamy.com/post/as-meninas-lygia-fagundes-telles. Adaptado. Os gêneros textuais podem ser caracterizados, dentre outros fatores, por seus objetivos. O fragmento acima tem característica de um (uma)
  1. A)notícia de jornal, pois busca trazer informações acerca da obra da literatura brasileira indicada.
  2. B)resumo, pois sintetiza as informações mais relevantes da obra clássica brasileira indicada.
  3. C)resenha, pois apresenta uma avaliação crítica da produção literária brasileira indicada.
  4. D)divulgação científica, pois promove a divulgação de estudos literários de um clássico do modernismo brasileiro.
  5. E)sinopse, pois explica os aspectos relevantes de obra literária do modernismo brasileiro.
UEMA20241a faseQuestao 2PortuguêsInterpretação de textoMedia
Antônio Gonçalves Dias, filho de um comerciante português e de uma mestiça de negro com índio, nasceu em um sítio próximo à cidade maranhense de Caxias, em 1823. Além dos temas de amor, o poeta engajou-se com uma poética de cunho social, centrada, sobretudo, nas questões dos povos originários, ao enobrecer o indígena, em uma perspectiva do conhecido “Mito do bom selvagem”. Leia as estrofes extraídas de “O Canto do Piaga” para responder às questões 01 e 02. O CANTO DO PIAGA I Ó Guerreiros, o espectro que eu vi. Ó Guerreiros da Taba sagrada, Falam Deuses nos cantos do Piaga, Ó Guerreiros da Tribo Tupi, Falam Deuses nos cantos do Piaga, Ó Guerreiros, meus cantos ouvi! [...] Ó Guerreiros, meus cantos ouvi. Vem trazer-vos crueza, impiedade – Dons cruéis do cruel Anhangá; Esta noite - era a lua já morta – Anhangá me vedava sonhar; Vem quebrar-vos a maça valente, Profanar Manitôs, Maracás. Eis na horrível caverna, que habito, Rouca voz começou-me a chamar. Vem trazer-vos algemas pesadas, Abro os olhos, inquieto, medroso, Com que a tribo Tupi vai gemer; Hão-de os velhos servirem de escravos Manitôs! que prodígios que vi! Mesmo o Piaga inda escravo há de ser! Arde o pau de resina fumosa, Não fui eu, não fui eu, que o acendi! Fugireis procurando um asilo, Triste asilo por ínvio sertão; Eis rebenta a meus pés um fantasma, Anhangá de prazer há de rir-se, Um fantasma d’imensa extensão; Liso crânio repousa a meu lado, Vendo os vossos quão poucos serão. Feia cobra se enrosca no chão. Vossos Deuses, ó Piaga, conjura, Susta as iras do fero Anhangá. O meu sangue gelou-se nas veias, Todo inteiro - ossos, carnes – tremi. Manitôs já fugiram da Taba, Frio horror me coou pelos membros, Ó desgraça! ó ruína!! ó Tupá! Frio vento no rosto senti. Era feio, medonho, tremendo, DIAS, Gonçalves. Primeiros cantos. Belo Horizonte:Autêntica Ed.: 1998. Pode-se afirmar que, ao iniciar seu canto, o eu lírico confere ao Piaga No contexto poético, são versos que mais caracterizam enfaticamente o pavor do homem branco:
  1. A)“Eis na horrível caverna, que habito, / Manitôs! que prodígios que vi!
  2. B)“Esta noite - era a lua já morta – / Anhangá me vedava sonhar;”
  3. C)“Um fantasma d’imensa extensão; / Feia cobra se enrosca no chão.
  4. D)“Triste asilo por ínvio sertão;/ Anhangá de prazer há de rir-se,[...]”
  5. E)“Vem trazer-vos algemas pesadas, / Mesmo o Piaga inda escravo há de ser!
UEMA20241a faseQuestao 3PortuguêsInterpretação de textoMedia
Na década de 80, a canção Mulher (Sexo frágil) fez muito sucesso. Trata-se de uma declaração sobre a força feminina, que se vale do poder que as mulheres têm na relação com os homens. Ao mesmo tempo que a canção mostra a realidade de como a mulher é vista na sociedade, o eu lírico marca a posição de quão equivocada é essa perspectiva. Mulher (Sexo frágil) Canção de Erasmo Carlos Dizem que a mulher é o sexo frágil Mulher, mulher Mas que mentira absurda! Do barro de que você foi gerada Eu que faço parte da rotina de uma delas Me veio inspiração Sei que a força está com elas Pra decantar você nessa canção Vejam como é forte a que eu conheço Na escola em que você foi ensinada Sua sapiência não tem preço Jamais tirei um dez Satisfaz meu ego se fingindo submissa Sou forte mas não chego aos seus pés Mas no fundo me enfeitiça Mulher, mulher Quando eu chego em casa à noitinha Mulher, mulher Quero uma mulher só minha Mas pra quem deu luz não tem mais jeito Porque um filho quer seu peito O outro já reclama a sua mão E o outro quer o amor que ela tiver Quatro homens dependentes e carentes Da força da mulher https://www.letras.mus.br/erasmo-carlos/ A letra da canção deixa transparecer o machismo vigente na sociedade. Essa assertiva está comprovada nos seguintes versos:
  1. A)“Quatro homens dependentes e carentes /Da força da mulher”
  2. B)“Na escola em que você foi ensinada /Jamais tirei um dez”
  3. C)“Quando eu chego em casa à noitinha/ Quero uma mulher só minha”
  4. D)“Sei que a força está com elas /Vejam como é forte a que eu conheço”
  5. E)“Do barro de que você foi gerada/ “Me veio inspiração”
UEMA20241a faseQuestao 6PortuguêsInterpretação de textoMedia
Conceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água. O conto Maria serve de base para responder às questões de 05 a 09. MARIA Maria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos. [...] 2024 Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também. [...] O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos? [...] Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira: — Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos... Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão? Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado. Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho. EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016. No início do conto, primeiro parágrafo, a personagem Maria não é definida, nem apresentada ao leitor, porque o enunciador tem a expectativa de “Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Por que não podia ser de outra forma? Por que não podiam ser felizes?” Essa passagem inicia uma sequência que caracteriza a
  1. A)relação tênue de uma mulher com um homem do passado que luta com o homem do presente.
  2. B)irreverência de um homem que se apresenta de forma leviana para mostrar aos outros homens uma apropriação vitoriosa.
  3. C)hesitação de uma mulher confusa que descaracteriza um relacionamento do passado ao enfatizar com raiva seu presente.
  4. D)centralização no presente dos dois; o homem e a mulher conseguem escapar do passado com indiferença, sem conflito gerador de arrependimentos.
  5. E)fantasia feminina na perspectiva de que o distanciamento entre os dois apagará quaisquer resquícios de saudade do passado.
UEMA20241a faseQuestao 7PortuguêsInterpretação de textoMedia
Conceição Evaristo nasceu numa favela da zona sul de Belo Horizonte. Trabalhava como empregada doméstica, até concluir o Curso Normal, já então com 25 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro, tendo estudado Letras em uma universidade pública, a UFRJ. Suas obras abordam temas como discriminação racial, de gênero e de classe. A pobreza e a vulnerabilidade da população afro-brasileira, envolvendo mulheres e homens, é a tônica da autora em Olhos D’Água. O conto Maria serve de base para responder às questões de 05 a 09. MARIA Maria estava parada há mais de meia hora no ponto do ônibus. Estava cansada de esperar. Se a distância fosse menor, teria ido a pé. Era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada. O preço da passagem estava aumentando tanto! Além do cansaço, a sacola estava pesada. No dia anterior, no domingo, havia tido festa na casa da patroa. Ela levava para casa os restos. [...] 2024 Quando o ônibus apontou lá na esquina, Maria abaixou o corpo, pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas. O ônibus não estava cheio, havia lugares. Ela poderia descansar um pouco, cochilar até a hora da descida. Ao entrar, um homem levantou lá de trás, do último banco, fazendo um sinal para o trocador. Passou em silêncio, pagando a passagem dele e de Maria. Ela reconheceu o homem. Quanto tempo, que saudades! Como era difícil continuar a vida sem ele. Maria sentou-se na frente. O homem sentou-se a seu lado. Ela se lembrou do passado. Do homem deitado com ela. Da vida dos dois no barraco. Dos primeiros enjoos. Da barriga enorme que todos diziam de gêmeos, e da alegria dele. Que bom! Nasceu! Era um menino! E haveria de se tornar um homem. Maria viu, sem olhar, que era o pai de seu filho. Ele continuava o mesmo. Bonito, grande, o olhar assustado não se fixando em nada e em ninguém. Sentiu uma mágoa imensa. Por que não podia ser de uma outra forma? Por que não podiam ser felizes? E o menino, Maria? Como vai o menino? cochichou o homem. Sabe que sinto falta de vocês? Tenho um buraco no peito, tamanha a saudade! Tou sozinho! Não arrumei, não quis mais ninguém. Você já teve outros... outros filhos? A mulher baixou os olhos como que pedindo perdão. É. Ela teve mais dois filhos, mas não tinha ninguém também. [...] O homem falava, mas continuava estático, preso, fixo no banco. Cochichava com Maria as palavras, sem, entretanto, virar para o lado dela. Ela sabia o que o homem dizia. Ele estava dizendo de dor, de prazer, de alegria, de filho, de vida, de morte, de despedida. Do buraco-saudade no peito dele... Desta vez ele cochichou um pouquinho mais alto. Ela, ainda sem ouvir direito, adivinhou a fala dele: um abraço, um beijo, um carinho no filho. E, logo após, levantou rápido sacando a arma. Outro lá atrás gritou que era um assalto. Maria estava com muito medo. Não dos assaltantes. Não da morte. Sim da vida. Tinha três filhos. O mais velho, com onze anos, era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão. O de lá de trás vinha recolhendo tudo. O motorista seguia a viagem. Havia o silêncio de todos no ônibus. Apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente. O medo da vida em Maria ia aumentando. Meu Deus, como seria a vida dos seus filhos? [...] Os assaltantes desceram rápido. (...). Ela não conhecia assaltante algum. Conhecia o pai de seu primeiro filho. Conhecia o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto. Ouviu uma voz: Negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois. Outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou: Calma, gente! Se ela estivesse junto com eles, teria descido também. Alguém argumentou que ela não tinha descido só para disfarçar. Estava mesmo com os ladrões. Foi a única a não ser assaltada. Mentira, eu não fui e não sei por quê. Maria olhou na direção de onde vinha a voz e viu um rapazinho negro e magro, com feições de menino e que relembravam vagamente o seu filho. A primeira voz, a que acordou a coragem de todos, tornou-se um grito: Aquela puta, aquela negra safada estava com os ladrões! O dono da voz levantou e se encaminhou em direção à Maria. A mulher teve medo e raiva. Que merda! Não conhecia assaltante algum. Não devia satisfação a ninguém. Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!... Uns passageiros desceram e outros voaram em direção à Maria. O motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira: — Calma pessoal! Que loucura é esta? Eu conheço esta mulher de vista. Todos os dias, mais ou menos neste horário, ela toma o ônibus comigo. Está vindo do trabalho, da luta para sustentar os filhos... Lincha! Lincha! Lincha! Maria punha sangue pela boca, pelo nariz e pelos ouvidos. A sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão. Será que os meninos iriam gostar de melão? Tudo foi tão rápido, tão breve, Maria tinha saudades de seu ex-homem. Por que estavam fazendo isto com ela? O homem havia segredado um abraço, um beijo, um carinho no filho. Ela precisava chegar em casa para transmitir o recado. Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida. Quando o ônibus esvaziou, quando chegou a polícia, o corpo da mulher estava todo dilacerado, todo pisoteado. Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço, um beijo, um carinho. EVARISTO, Conceição. Olhos D’Água. Rio de Janeiro: Pallas: Fundação Biblioteca Nacional, 2016. No início do conto, primeiro parágrafo, a personagem Maria não é definida, nem apresentada ao leitor, porque o enunciador tem a expectativa de Em “Ouviu uma voz: negra safada, vai ver que estava de coleio com os dois.” e “Olha só, a negra ainda é atrevida, disse o homem, lascando um tapa no rosto da mulher. Alguém gritou: Lincha! Lincha! Lincha!...” , a seleção vocabular dos fragmentos revela, com veemência, por parte dos demais personagens da cena narrada, uma atitude (de)
  1. A)rancorosa em relação ao rótulos de malandragem e de preguiça imputados à protagonista.
  2. B)preconceituosa no que concerne à raça e ao gênero da protagonista.
  3. C)repúdio no tocante ao comportamento e à inércia da protagonista ante a violência da cena.
  4. D)desamor em referência aos cidadãos menos privilegiados socialmente no cotidiano urbano.
  5. E)enjeitamento com respeito à indolência dos que assistem às cenas de violência no dia a dia urbano.
UEMA20241a faseQuestao 10PortuguêsInterpretação de textoMedia
As charges utilizam os recursos do desenho e do humor para fazer algum tipo de crítica às situações do cotidiano. Analise a charge a seguir para responder à questão 10. http://www.onumulheres.org.br Sobre a charge da venezuelana Suprani, analise as seguintes assertivas e julgue aquelas que são verdadeiras. I) A expressão fisionômica da noiva, imagem à direita, é de surpresa em relação à imagem refletida no espelho, à esquerda. II) A imagem da noiva e seu reflexo descrevem, de forma precisa, as relações humanas em tempos globalizados. III) A charge apresenta uma crítica social contundente ao papel da mulher na sociedade. IV) A imagem, ao fazer uma crítica social, celebra as posições invertidas da mulher na sociedade. V) A charge desnuda, de forma crítica, o sonho do casamento e a realidade de estar casada. Estão corretas, apenas, as seguintes assertivas:
Imagens anexadas
  1. A)II, III, IV.
  2. B)III, IV, V.
  3. C)I, III, V.
  4. D)I, II, IV.
  5. E)II, IV, V.
UEMA20241a faseQuestao 13PortuguêsInterpretação de textoMedia
Leia o texto a seguir para responder às questões de 13 a 15. Igualdade de gênero é pilar de um mundo mais justo Desde o início do século passado, o Dia Internacional da Mulher é associado à luta por melhores condições de vida e de trabalho, por salários mais justos e, principalmente, por equidade de gênero. Há conquistas a celebrar, isso é indiscutível, mas prefiro destacar o longo caminho que ainda precisamos percorrer para que as demandas mobilizadas pelos movimentos de nossas pioneiras em várias partes do mundo sejam atendidas. Assim, o 8 de março reveste-se de singular importância – não pelo tom celebratório que alguns insistem em imprimir à data, mas pela oportunidade de reflexão. A data ainda faz sentido porque chama a atenção para a situação díspar das mulheres no mercado de trabalho, para a violência e a opressão que sofrem em casa e nos ambientes que frequentam, para a necessidade de se formularem políticas públicas que as contemplem e para as desiguais jornadas que ainda são obrigadas a cumprir nos âmbitos profissional e doméstico. Representa, ainda, uma possibilidade de refletir sobre as distâncias entre as muitas mulheres que foram, e têm sido silenciadas, ao longo dos tempos. Como a Universidade não é um ente deslocado das estruturas sociais, grande parte dessa situação vivida pelas mulheres também é reproduzida dentro dos muros da academia. As mulheres representam mais da metade do corpo discente (graduação e pós-graduação), mas essa proporção está longe de se refletir, por exemplo, no corpo docente de algumas áreas do conhecimento, na gestão da Universidade ou entre os pesquisadores que recebem bolsas do CNPq. Das 69 universidades federais, apenas 14 são comandadas por reitoras. As mulheres continuam sub-representadas nos principais espaços decisórios da academia e sofrem com a discriminação e os estereótipos de gênero, perpetuados por uma sociedade desigual e preconceituosa. [...] Temos que mostrar às novas gerações que as mulheres travam um bom combate permanente, que todas têm direitos que precisam ser assegurados – e, principalmente, que a igualdade de gênero não é boa só para as mulheres. Ela também é benéfica para os homens, para a sociedade e para o desenvolvimento econômico, pois é um dos pilares de um mundo mais justo e diverso. A escritora Simone de Beauvoir, inspiração para todas nós, nos ensina que nada pode nos limitar, nos definir ou nos sujeitar: “Que a liberdade seja nossa própria substância, já que viver é ser livre”. Que as mulheres, em toda a sua diversidade, sejam livres e respeitadas hoje e todos os dias! Sandra Regina Goulart Almeida | Reitora da UFMG Opinião. 08 de março de 2023. https://ufmg.br/comunicacao/noticias/opiniao-igualdade-de-genero-e-pilar-de-um-mundo-mais-justo (Adaptado). A tese defendida pela articulista pode ser atestada na seguinte premissa:
  1. A)O dia 08 de março é de extrema importância no calendário social.
  2. B)O combate travado pelas mulheres é permanente.
  3. C)A universidade reproduz os estereótipos sociais.
  4. D)A reflexão sobre as distâncias sociais das mulheres é necessária.
  5. E)O longo caminho já percorrido para a liberdade deve ser sempre destacado.
UEMA20231a faseQuestao 2PortuguêsInterpretação de textoMedia
As três palavras ou expressões que permitem que o leitor reconheça as alegrias de Joana, conforme o fragmento, são as seguintes:
  1. A)eternidade, liberdade, magicamente.
  2. B)orgânicas, terra, morte.
  3. C)tremulava, às vezes, impossibilidade.
  4. D)pensamento, impossibilidade, vazias.
  5. E)desgastava, corpo, bólido.
UEMA20231a faseQuestao 3PortuguêsInterpretação de textoMedia
O trecho a seguir, retirado de Alegrias de Joana, serve de base para responder à questão 03. "Definia eternidade e as explicações nasciam fatais como as pancadas do coração. Delas não mudaria um termo sequer, de tal modo eram sua verdade. Porém mal brotavam, tornavam-se vazias logicamente." Os efeitos semântico-discursivos conseguidos pelo narrador revelam que Joana deixa transparecer a sensação de
  1. A)desinteresse pela eternidade, pois não a questionava, já que as alegrias eram mínimas.
  2. B)impossibilidade para definir a eternidade, pois lhe era inatingível, ainda que suas alegrias fossem momentos eternos.
  3. C)mergulho no inconsciente, pois a eternidade perdia importância ou qualidade diante das situações vividas.
  4. D)fragilidade contínua, pois a eternidade, por ser estática, não traz princípios ou raízes.
  5. E)intolerância, pois trazia o reconhecimento de que a eternidade é um tempo frio e abstrato, ao anular a perpetuação das coisas.
UEMA20181a faseQuestao 13PortuguêsInterpretação de textoMedia
1° Etapa - 22/10/2017 das 13 às 18h Para responder às questões de 12 a 15, leia o artigo de opinião, extraído da Revista Planeta. Texto IX Homem e Máquina Desde que as primeiras máquinas começaram a atuar em fábricas, as queixas sobre a perda de postos de trabalho são constantes. Um estudo divulgado em 2015 revelou que a tecnologia, na verdade, criou mais empregos do que eliminou. “A tendência de reduzir postos de trabalho na agricultura e na indústria é compensada pelo rápido crescimento nos setores de serviços, criatividade e tecnologia”, dizem os economistas que analisaram dados dos últimos 144 anos para avaliar como os avanços na tecnologia afetaram o emprego na Inglaterra e no País de Gales. Eles falam em uma “mudança profunda” nas relações de trabalho. [...] Os dados confirmam a ideia de que os robôs livram o homem de trabalhos pesados ou degradantes. As inovações tecnológicas reduziram os postos de trabalho em atividades maçantes, perigosas e repetitivas. O setor agrícola foi o primeiro a se beneficiar disso. [...] Uma pesquisadora de Massachussets Institute of Technology (MIT), especialista nas relações humanosrobôs, é menos alarmista em relação à perda de postos para as máquinas. “A automação pode até ter substituído os humanos em algumas áreas, mas a tecnologia atual ainda não é suficiente para o trabalho totalmente sem humanos. Isso significa que boa parte do desenvolvimento hoje vai na direção de termos robôs criados para trabalhar com os humanos, em vez de substituí-los”, afirmou à PLANETA. Um professor do departamento de Ciência da Computação da USP preocupa-se com uma troca de mão de obra. “Os robôs deveriam substituir o trabalho humano apenas em duas condições: na medida em que o trabalho desagrada o ser humano e na medida em que se dê um trabalho mais digno para a pessoa substituída”, avalia. Para ele, há risco de as pessoas tratarem colegas como máquinas. Revista Planeta. 2017. (Adaptado). Considerando as ideias expostas no texto sobre a relação homem e máquina, compreende-se que o artigo apresenta No primeiro parágrafo, a expressão que serve para revelar a intenção do autor sobre o seu posicionamento, a respeito do que é dito, é
  1. A)“as queixas”.
  2. B)“desde que”.
  3. C)“na verdade”.
  4. D)“que eliminou”.
  5. E)“mais empregos”.
UEMA20181a faseQuestao 14PortuguêsInterpretação de textoMedia
1° Etapa - 22/10/2017 das 13 às 18h Para responder às questões de 12 a 15, leia o artigo de opinião, extraído da Revista Planeta. Texto IX Homem e Máquina Desde que as primeiras máquinas começaram a atuar em fábricas, as queixas sobre a perda de postos de trabalho são constantes. Um estudo divulgado em 2015 revelou que a tecnologia, na verdade, criou mais empregos do que eliminou. “A tendência de reduzir postos de trabalho na agricultura e na indústria é compensada pelo rápido crescimento nos setores de serviços, criatividade e tecnologia”, dizem os economistas que analisaram dados dos últimos 144 anos para avaliar como os avanços na tecnologia afetaram o emprego na Inglaterra e no País de Gales. Eles falam em uma “mudança profunda” nas relações de trabalho. [...] Os dados confirmam a ideia de que os robôs livram o homem de trabalhos pesados ou degradantes. As inovações tecnológicas reduziram os postos de trabalho em atividades maçantes, perigosas e repetitivas. O setor agrícola foi o primeiro a se beneficiar disso. [...] Uma pesquisadora de Massachussets Institute of Technology (MIT), especialista nas relações humanosrobôs, é menos alarmista em relação à perda de postos para as máquinas. “A automação pode até ter substituído os humanos em algumas áreas, mas a tecnologia atual ainda não é suficiente para o trabalho totalmente sem humanos. Isso significa que boa parte do desenvolvimento hoje vai na direção de termos robôs criados para trabalhar com os humanos, em vez de substituí-los”, afirmou à PLANETA. Um professor do departamento de Ciência da Computação da USP preocupa-se com uma troca de mão de obra. “Os robôs deveriam substituir o trabalho humano apenas em duas condições: na medida em que o trabalho desagrada o ser humano e na medida em que se dê um trabalho mais digno para a pessoa substituída”, avalia. Para ele, há risco de as pessoas tratarem colegas como máquinas. Revista Planeta. 2017. (Adaptado). Considerando as ideias expostas no texto sobre a relação homem e máquina, compreende-se que o artigo apresenta No penúltimo parágrafo do texto, a pesquisadora do MIT, em sua fala, demonstra
  1. A)ceticismo perante o avanço das pesquisas.
  2. B)prudência com as inovações tecnológicas.
  3. C)criticidade ante às limitações humanas.
  4. D)entusiasmo diante da relação homem/máquina.
  5. E)dúvida quanto à substituição dos homens pelos robôs.
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