A Baía de Guanabara tinha cerca de 468 km2 de superfície nos anos de 1500. Por ser instável, a estrutura geológica do local possui uma tendência natural ao acúmulo sedimentar, mas a atuação antrópica foi fundamental para a aceleração desse processo. A invasão dos colonizadores marcou o início dessa transição, e o crescimento urbano do último século acentuou de forma mais drástica as transformações na paisagem, em especial com aterros como os das ilhas do Fundão e do Governador e dos bairros do Flamengo e do Centro. Hoje, o espelho d’água da Baía, bastante reduzido, tem aproximadamente 374 km2.
Os processos socioespaciais ocorridos no entorno da Baía de Guanabara, sobretudo ao longo do século XX, tiveram enorme impacto na deterioração das “águas da Guanabara”, hoje diferentes daquelas percorridas pelo “navegante negro”. As intervenções antrópicas observadas na imagem e descritas na reportagem contribuíram para essa deterioração. Muitas dessas intervenções tinham a finalidade de favorecer a:
para apoiar as construtoras na ação de reabilitação de prédios na área central da metrópole. Essa reabilitação está amparada por legislação aprovada em abril de 2021, que concedeu generosos incentivos fiscais e flexibilização de regulamentos para os interessados em promover o chamado retrofit de imóveis antigos. No retrofit, o prédio vazio (ou esvaziado) é objeto de reforma completa e posterior venda para aqueles que podem pagar o preço do imóvel reabilitado. Essa orientação difere significativamente daquela que busca promover gradativa e progressiva melhoria dos edifícios, com os moradores permanecendo neles enquanto se realizam tais melhorias – em consonância com a pauta da regularização fundiária. Essa ideia do retrofit, como mecanismo para promoção de alterações profundas na área de intervenção, também difere de uma ideia de reabilitação capaz de valorizar os recursos e as relações sociais existentes enquanto garante a utilização de espaços já construídos.
A política urbana apresentada na reportagem resultará em mudanças com efeitos diversos para as áreas afetadas. Um efeito positivo e outro negativo estão indicados, respectivamente, em:
A)supressão do controle estatal − crescimento da verticalização urbana
B)democratização do território citadino − declínio da atividade comercial
C)barateamento do custo habitacional − ampliação do movimento pendular
D)aproveitamento da infraestrutura existente − expulsão da população local
Uma nova região metropolitana, ainda em formação no estado do Rio de Janeiro, é a da Bacia de Campos, que integra 12 municípios com cerca de 1,3 milhão de habitantes e três capitais regionais (Campos dos Goytacazes, Macaé e Cabo Frio). Para identificar a aglomeração urbana em formação, citada na notícia, um parâmetro relevante é:
QUANDO NÓS MESMOS PRODUZIMOS AS TRAGÉDIAS
A tragédia no litoral paulista teve como causa imediata a excepcional chuva, a maior da história. Mas o que ocorreu se deve à ação humana. A ocupação do litoral norte de São Paulo é um exemplo: escolhido como lugar de descanso dos paulistanos de mais alta renda, teve suas terras parceladas por empreendedores que ocupavam até áreas públicas da serra do Mar para casas de veraneio nos melhores lugares da orla. Assim, restou à população trabalhadora instalar-se nas encostas, nas chamadas ocupações informais.
(JOÃO WHITAKER e GUILHERME WISNIK — Adaptado de Folha de S. Paulo, 22/02/2023)
Em relação à tragédia relatada na matéria jornalística, os impactos da ação humana são derivados do seguinte processo:
Belo Horizonte proíbe canalização de córregos
Entrou em vigor o novo Plano Diretor de Belo Horizonte que, entre outras medidas, proíbe a canalização de córregos, um dos maiores problemas da cidade. Como efeito das últimas chuvas que atingiram o município, em janeiro, bueiros explodiram em uma importante via da região Centro-Sul, e a rua se tornou um rio caudaloso, cuja correnteza arrastou carros, placas e tudo o mais que havia pela frente. De acordo com a Superintendência de Desenvolvimento da Capital, dos 654 quilômetros da malha fluvial do município, 208 estão escondidos sob ruas, avenidas e construções. Na última década, a capital mineira passou por diversas obras que agravaram a situação.
A medida implantada através do novo Plano Diretor de Belo Horizonte pode contribuir para minimizar os problemas ambientais apontados na reportagem, ao produzir o seguinte impacto sobre o ambiente urbano:
Considere a sequência de mapas a seguir, que apresenta a expansão da mancha urbana na cidade do Rio de Janeiro e seu entorno em cinco momentos (1888, 1930, 1972, 1994 e 2007), tendo como base a divisão municipal atual.
O período no qual se identifica a formação de áreas conurbadas, que caracterizam a metropolização fluminense, foi:
Em uma cidade contemporânea, desenrolam-se, há muitas décadas, os processos paralelos de atomização e massificação. Na esteira deles, a cidade foi deixando de ser um mosaico de bairros coerentes, cada um polarizado por sua própria centralidade, até se chegar à cidade como um todo, nitidamente polarizada por seu Central Business District (CBD – Distrito Central de Negócios), para se tornar, hoje, uma estrutura muito mais complexa e difícil de resumir. Muitos bairros viram seus centros de comércio e serviços desaparecerem ou serem reduzidos à irrelevância e, não raro, o próprio CBD perder prestígio e decair.
Adaptado de SOUZA, M. L. Os conceitos fundamentais da pesquisa sócio-espacial. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2015.
A transformação para a atual estrutura interna das metrópoles, descrita no texto, é evidenciada pelo seguinte processo:
Nas imagens, estão representadas a malha urbana da cidade de Toledo, com suas ruas estreitas de origem medieval, e a de um bairro de Los Angeles, cidade estadunidense que se expandiu principalmente após a Segunda Guerra Mundial.
A diferença entre as duas malhas urbanas é explicada pela relação entre dois fatores que contribuíram para a organização desses espaços, embora em épocas bastante distintas. Esses fatores estão apontados em:
Imagens anexadas
A)concentração financeira – processo de verticalização
O mapa a seguir mostra o índice de progresso social (IPS) no município do Rio de Janeiro.
O Índice de Progresso Social (IPS) varia de 0 a 100 e é calculado levando em consideração 36 indicadores. Entre eles, estão acesso a esgoto sanitário e água canalizada, mobilidade, taxa de homicídios, incidência de dengue, mortalidade por tuberculose e HIV, homicídios de jovens negros e frequência no ensino superior. Não são levadas em conta variáveis econômicas, como renda.
A análise do mapa e dos dados aponta tanto para aspectos sociais que se modificaram quanto para aqueles que permaneceram, no que diz respeito a bairros e regiões do município do Rio de Janeiro. Um dos aspectos que explica a situação das regiões administrativas com os mais baixos índices de progresso social é:
Imagens anexadas
A)redução da rede de saneamento básico
B)desigualdade no acesso a vias de transporte
C)redistribuição da força de segurança pública
D)uniformização na oferta de assistência hospitalar
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