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UFSC2026Prova 2Questao 1HistóriaDitadura Militar no BrasilMediaLeia os textos a seguir. Texto 1 No dia 3 de abril de 1964, um grupo de pessoas depredou e incendiou uma livraria no centro da cidade de Florianópolis. O escritor Salim Miguel, que havia sido proprietário da livraria, assim descreveu o acontecimento:
Rubras as chamas balouçam, fagulhas explodem, batida pela aragem a negra fumaça se eleva, lambe folhas de arbustos, pessoas assustadas recuam, olhares pasmos diante do que ocorre. Centenas de livros dos mais variados gêneros e procedências, tendências e colorações continuam chegando, são atirados à fogueira. Ainda se pode entrever: lado a lado ali estão, folhas se confundindo-consumindo, O capital de Karl Marx e A capital do Eça de Queirós, O vermelho e o negro de Stendhal e Seara vermelha do Jorge Amado, O alienista de Machado de Assis e Memórias do cárcere do Graciliano Ramos, O príncipe de Maquiavel e Pinocchio do Collodi, todos sem dúvida subversivos. Faz pouco a porta da livraria foi arrombada. Com furor e ódio, aos berros de fogo-fogo, os livros vão sendo arrancados das prateleiras da livraria Anita Garibaldi – nome também altamente subversivo. Poucos passos até aquela esquina entre a rua Conselheiro Mafra e a praça XV de Novembro, pleno centro de Florianópolis, e os volumes vêm alimentar a fogueira. Circulando em torno dela, os incendiários trocam palavras de ordem, comandam, provocam, açulam, buscam incentivar os que ali se detêm para que participem, vamos, ajudem a trazer mais livros. Atraídos pelas chamas, pela fumaça, pelos estalidos, por gritos e acenos constantes de andem, carreguem, joguem tudo no fogo, rápido, não deve sobrar nada deste lixo.
MIGUEL, S. Primeiro de abril: narrativas da cadeia. Florianópolis: EdUFSC, 2025. p. 47.
Texto 2 Em entrevista a um jornal, um dos envolvidos no episódio, o historiador Nereu Pereira, assim relatou o que aconteceu no dia 3 de abril de 1964:
Acho que foi um equívoco histórico que podia ter sido evitado, mas a livraria era um centro de difusão de ideias marxistas, contra os interesses do Brasil. [...] Comecei o discurso, para criar o ambiente, e um colega nosso, ex-comunista, deu início ao incêndio dos livros. São embates políticos e ideológicos que deixam marcas, mas que não duram a vida toda. No entanto, eu faria tudo de novo.
‘Ninguém conhece mais a Ilha do que eu’: Nereu Pereira, a ‘memória viva’ de Florianópolis. Jornal ND+. Florianópolis, 4 jun. 2023. Disponível em: https://ndmais.com.br/cultura/ninguem-conhece-mais-a-ilha-do-que-eu-nereu-pereira-a-memoria-viva-de-florianopolis.
Com base nos textos e no contexto histórico da época, é correto afirmar que:
- 01)a depredação da livraria Anita Garibaldi e a queima dos livros aconteceram logo após o golpe militar que derrubou o presidente João Goulart.
- 02)os textos 1 e 2 demonstram que o golpe que instaurou a ditadura no Brasil (1964-1985) contou com o apoio de parte da sociedade civil.
- 04)a principal pauta do governo de João Goulart eram as reformas de base, um conjunto de medidas nacionalistas que previam a intervenção do Estado na economia e maior controle dos investimentos estrangeiros no país.
- 08)o texto 2 demonstra que foram os comunistas que incendiaram a livraria Anita Garibaldi.
- 16)tanto o livro de Salim Miguel quanto a entrevista de Nereu Pereira não podem ser consideradas fontes históricas, visto que são relatos parciais sem a objetividade e a neutralidade necessárias para um documento histórico.
- 32)os textos 1 e 2 concordam com a queima dos livros, pois argumentam que eram subversivos, ou seja, contra os interesses do Brasil.
- 64)os opositores de Jango insuflaram “o furor e o ódio” da população ao afirmar que as reformas de base seriam sinônimo de “comunização” do Brasil.
UFSC2026Prova 2Questao 2HistóriaPeríodo Regencial e revoltas (1831-1840)MediaLeia o texto abaixo.
Guerras e batalhas brasileiras
Uma Guerra pode ter várias motivações. Enquanto alguns lutam por causas coletivas, como a independência política, outros se entregam a necessidades muito mais básicas e imediatas. Como terra, comida e direito de viver “no mato”. No turbulento período regencial – entre a abdicação de D. Pedro I (1831) e a maioridade de D. Pedro II (1840) –, vários conflitos sangrentos sacudiram o país. Boa parte deles consagrada nos livros didáticos [...].
CARVALHO, M. J. M. Sangue no mato. In: Guerras e batalhas brasileiras. Coleção Revista de História no Bolso. Org. Luciano Figueiredo.
Sobre as revoltas que eclodiram no Brasil durante o período regencial (1831-1840) e seus desdobramentos, é correto afirmar que:
- 01)a Guerra de Canudos (1832-1838), movimento popular liderado pelo beato Antônio Conselheiro no sertão da Bahia, reuniu milhares de fiéis em luta pela terra e pelo retorno do imperador Dom Pedro I, tornando-se um símbolo do messianismo no Brasil.
- 02)a Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador (BA) em 1835, contou com a participação de centenas de escravizados e ex-escravizados originários de regiões da África que haviam sido convertidas ao islamismo.
- 04)a Balaiada foi uma revolta de caráter elitista deflagrada na província de Pernambuco que, com a liderança de Frei Caneca, proclamou uma República independente no Nordeste brasileiro após atritos com o governo regencial em função do aumento dos impostos sobre a produção de açúcar no país.
- 08)no atual Rio Grande do Sul, entre 1835 e 1845, irrompeu a Guerra dos Farrapos, movimento de caráter monarquista e expansionista que tinha por objetivo central a recuperação do território da antiga província Cisplatina.
- 16)a Sabinada ocorreu em Salvador (BA) entre 1837 e 1838, envolveu pessoas ligadas ao meio urbano e representou, basicamente, uma reação de grupos liberais ao domínio do governo central sobre as províncias.
- 32)no Grão-Pará eclodiu a Cabanagem (1835-1840), revolta provocada por divergências entre as elites locais, mas que também contou com a participação ativa das camadas populares, especialmente indígenas, negros e mestiços.
UFSC2026Prova 2Questao 3HistóriaIntervenções dos EUA na América LatinaMediaLoris Zanatta assim descreveu a atuação dos Estados Unidos em regiões do Caribe no final do século XIX e que se estendeu durante o século XX:
Assim o Caribe, de lago europeu, tornou-se um lago americano, realizando um antigo sonho estadunidense de exercer o controle sobre a região e, com isso, garantir a segurança das suas fronteiras meridionais.
ZANATTA, L. Uma breve história da América Latina. São Paulo: Cultrix, 2017. p. 96.
Sobre o trecho citado e a atuação dos Estados Unidos na América Latina, é correto afirmar que:
- 01)os Estados Unidos estimularam a luta pela independência de nacionalistas panamenhos contra a Colômbia e, em troca, foram beneficiados com o direito de construir um canal interoceânico, o Canal do Panamá.
- 02)a Operação Condor, um acordo de colaboração entre as ditaduras do Cone Sul, foi feita à revelia dos Estados Unidos, que pressionavam os governantes de Brasil, Argentina e Chile para a adoção de regimes democráticos e liberais, em consonância com os princípios capitalistas.
- 04)a política do Big Stick foi um conjunto de medidas por parte de governos estadunidenses com o objetivo de intervir diplomática e militarmente nos territórios da América Latina, principalmente no Caribe e na América Central.
- 08)durante o governo de Salvador Allende no Chile, os Estados Unidos realizaram operações de desestabilização do regime suspendendo créditos e apoiando setores militares insatisfeitos com o governo.
- 16)os Estados Unidos atuaram nos países latino-americanos em função da preocupação em salvaguardar a segurança de suas fronteiras.
- 32)os Estados Unidos impuseram uma emenda à Constituição da Cuba recém-independente a qual dava àqueles o direito de atuar militarmente na ilha caribenha em caso de “instabilidade interna”.
UFSC2026Prova 2Questao 4HistóriaQuestão agrária no BrasilMediaLeia o texto abaixo.
Questão agrária, uma herançа соmum
Um simples olhar atual sobre a América Latina, com seus inúmeros conflitos – tais como a guerra dos índios zapatistas mexicanos, as lutas camponesas na Guatemala e El Salvador ou a maré montante do Movimento dos Sem-Terra, no Brasil –, nos mostraria a importância, e a urgência, das questões relativas à posse e uso da terra no continente. Se voltarmos um pouco na história poderíamos mesmo acreditar, como muitos o fazem, que a questão agrária na América Latina é um nó indeslindável, uma dessas taras ou doenças que afligem sociedades que começaram mal e cujos homens com responsabilidade política nada, ou quase nada, fizeram para corrigir. As origens do atraso e da desigualdade residiriam ora na origem colonial e no caráter do colonizador – principalmente quando ibérico, português ou espanhol –, ora no caráter da própria colonização.
LINHARES, M. Y.; SILVA, F. C. T. Terra prometida: uma história da questão agrária no Brasil. Rio de Janeiro:
A respeito do texto e da questão da terra no Brasil e na América Latina, é correto afirmar que:
- 01)segundo os autores do texto, a responsabilidade pelas desigualdades nas estruturas agrárias do Brasil e da América Latina está atrelada exclusivamente aos modelos de colonização adotados.
- 02)segundo os autores do texto, os problemas estruturais da questão agrária latino-americana estão diretamente relacionados à atuação descontrolada de movimentos sociais camponeses como os zapatistas no México, as Ligas Camponesas na América Central e o MST no Brasil.
- 04)o processo de privatização das terras no Brasil foi desencadeado no século XVI com a distribuição de capitanias hereditárias entre a nobreza lusitana e a venda das chamadas “Sesmarias de terras”, documento que estabelecia a propriedade privada da terra no Brasil.
- 08)a Guerra do Contestado (1912-1916), ocorrida em território catarinense, está relacionada à construção de uma ferrovia, ao estabelecimento da indústria madeireira na região e à formação de um movimento social de luta pela terra e de caráter messiânico.
- 16)a Lei de Terras, assinada em 1950 pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, tornou-se um grande marco na reestruturação agrária brasileira com a adoção efetiva de medidas direcionadas ao estabelecimento de uma reforma agrária no Brasil.
- 32)entre as décadas de 1950 e 1960, as Ligas Camponesas tiveram atuação intensa, principalmente na região Nordeste, com o objetivo de organizar os trabalhadores rurais para lutar por melhores condições de vida, direitos trabalhistas e, sobretudo, pela reforma agrária no Brasil.
UFSC2026Prova 2Questao 5HistóriaAlemanha: unificação e Guerras MundiaisMediaLeia o texto abaixo. Os alemães Para muitos alemães, a derrota de 1918 foi uma experiência inesperada e altamente traumática. Atingiu um ponto sensível no habitus nacional e foi sentida como um regresso ao tempo da fraqueza alemã, dos exércitos estrangeiros no país, de uma vida de sombra de um passado mais grandioso. Estava em risco todo o processo de recuperação da Alemanha. Muitos membros das classes média e superior alemãs – talvez a grande maioria – sentiram que não poderiam viver com tamanha humilhação. Concluíram que deviam preparar-se para a guerra seguinte, com melhores chances de uma vitória alemã, mesmo que, no começo, não estivesse claro como isso poderia ser feito. ELIAS, N. Os alemães: a luta pelo poder e a evolução do habitus nos séculos XIX e XX. São Paulo: Zahar, 1997. Sobre o texto acima e a história do povo alemão, é correto afirmar que:
- 01)a expressão “regresso ao tempo de fraqueza” diz respeito à derrota alemã na Guerra FrancoPrussiana de 1871, que impediu a consolidação do Império Alemão no século XIX.
- 02)a derrota alemã na Primeira Guerra Mundial atingiu de forma sensível o sentimento nacionalista e impactou diretamente a mobilização para uma nova guerra.
- 04)fundado durante o período medieval após a fragmentação do Império Carolíngio, o Sacro Império Romano-Germânico é considerado o Primeiro Reich alemão e durou até o início do século XIX, quando foi derrotado pelo exército napoleônico.
- 08)a unificação alemã no século XIX foi liderada pelo Reino da Prússia e consolidada após a vitória sobre os franceses e a anexação de Alsácia e Lorena, determinando a formação do Império Alemão ou Segundo Reich.
- 16)na Alemanha, a ascensão do Partido Nazista e a posse de Adolf Hitler ao cargo de chanceler, em 1932, deram início à chamada República de Weimar, também conhecida como Terceiro Reich.
- 32)com o fim da Segunda Guerra Mundial e a derrota alemã, as potências vencedoras assinaram o Tratado de Versalhes, que dividiu a Alemanha em quatro áreas de influência – uma estadunidense, uma francesa, uma soviética e uma chinesa. Por fim, as duas primeiras formaram a Alemanha Ocidental e as duas seguintes, a Alemanha Oriental.
UFSC2026Prova 2Questao 6HistóriaRússia: revoluções e União SoviéticaMediaSobre a história da Rússia, é correto afirmar que:
- 01)as perdas militares do país durante a Primeira Guerra Mundial, associadas à inflação, ao desemprego e à falta de alimento, contribuíram para manifestações contra o czar, que culminaram com o processo revolucionário de 1917.
- 02)durante a Primavera de Praga, a União Soviética apoiou um conjunto de reformas democráticas propostas por Alexander Dubcek em 1968.
- 04)a Crimeia, antigo território russo cujo controle foi transferido para a Ucrânia em 1954, foi incorporada novamente pela Rússia em 2014.
- 08)em 2025, completam-se 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, quando os soviéticos tiveram papel central na vitória dos Aliados sobre o Eixo com a descoberta do campo de concentração de Auschwitz e a conquista de Berlim em 1945.
- 16)durante o processo revolucionário, o país foi tomado por uma guerra civil entre dois grupos comunistas: os vermelhos, liderados por Stálin, e os brancos, liderados por Trótsky.
- 32)por viverem em um país de origens rurais e conservadoras, as mulheres russas não participaram diretamente nas batalhas da Segunda Guerra Mundial, restringindo-se às enfermarias e às cozinhas das tropas.
- 64)a guerra entre União Soviética e Afeganistão é considerada a última da Guerra Fria, marcada pela derrota dos soviéticos por meio do apoio dos Estados Unidos aos resistentes afegãos, entre os quais estava Osama Bin Laden.
UFSC2026Prova 2Questao 7HistóriaConceitos de barbárie e civilizaçãoDificilLeia os textos abaixo. Texto 1 Decidi estudar economia para tentar entender como podia se manter tanta barbárie e primitivismo e como, ao mesmo tempo, essa situação podia ser apresentada como se fosse natural. DOWBOR, L. A era do capital improdutivo: por que oito famílias têm mais riqueza do que metade da população do mundo? São Paulo:
Texto 2
[...] simplesmente desancar a barbárie social de um outro tempo traz implícita a sugestão de que somos menos bárbaros hoje em dia, de que fizemos realmente algum “progresso” dos tempos da escravidão até hoje. A ideia de que “progredimos” de cem anos para cá é, no mínimo, angelical e sádica: ela supõe ingenuidade e cegueira diante de tanta injustiça social, e parte também da estranha crença de que sofrimentos humanos intensos podem ser de alguma forma pesados ou medidos.
CHALHOUB, S. Visões da liberdade: uma história das últimas décadas da escravidão na corte. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p. 53-54.
Sobre os textos acima e os conceitos de “barbárie” e “civilização”, é correto afirmar que:
- 01)entre os principais adversários dos romanos estavam os germanos, povos que não falavam a língua nem adotavam os costumes daqueles, por isso eram chamados de bárbaros, em referência à ideia romana de civilização versus barbárie.
- 02)os dois autores divergem quanto ao conceito de barbárie; enquanto o primeiro estabelece uma simetria entre capitalismo e barbárie, o segundo faz elogios ao modelo capitalista contrapondo-o ao conceito de barbárie.
- 04)o autor do texto 2 defende o conceito de progresso para explicar a história do Brasil, na qual a barbárie representada pela escravidão foi gradualmente substituída pela civilização capitalista dos tempos atuais.
- 08)os dois autores concordam que o capitalismo estadunidense representa o ápice da civilização por ter permitido o desenvolvimento das forças de livre mercado e, através da globalização, levar esse progresso a regiões ainda não civilizadas.
- 16)no século XIX, as ações imperialistas que culminaram na partilha da África pelas potências europeias foram respaldadas, entre outras justificativas, pelo discurso de que os europeus seriam os responsáveis por levar aos africanos os ideais de civilização e progresso.
- 32)no século XIX, missionários europeus criaram a antropologia como ciência para defender com veemência os valores culturais e religiosos dos diversos povos africanos, em contraposição aos discursos de superioridade racial utilizados na dominação europeia.
- 64)durante o processo de conquista da América, os povos indígenas foram caracterizados como “selvagens” em contraposição ao conceito de “civilização” emanado pelos impérios coloniais europeus.
UFSC2025Prova 2Questao 1HistóriaRevolução IndustrialMediaO historiador britânico Edward P. Thompson, em seu estudo “Tempo, disciplina de trabalho e o capitalismo industrial”, cita o depoimento de um operário da região de Dundee, na Escócia, durante a Revolução Industrial:
Na realidade não havia horas regulares: os mestres e os gerentes faziam conosco o que desejavam. Os relógios nas fábricas eram frequentemente adiantados de manhã e atrasados à noite; em vez de serem instrumentos para medir o tempo, eram usados como disfarces para encobrir o engano e a opressão. Embora isso fosse do conhecimento dos trabalhadores, todos tinham medo de falar, e o trabalhador tinha medo de usar relógio, pois não era incomum despedirem aqueles que ousavam saber demais sobre a ciência das horas.
THOMPSON, E. P. Tempo, disciplina de trabalho e o capitalismo industrial. In: THOMPSON, E. P. Costumes em comum.
Sobre o contexto da citação e as relações de trabalho ao longo da história, é correto afirmar que:
- 01)o processo que levou à Revolução Industrial foi marcado tanto por leis que cercaram terras, expropriando camponeses e estimulando a migração para as cidades, quanto por invenções que aumentaram a produção têxtil, como a máquina a vapor.
- 02)a divisão e a simplificação do trabalho industrial provocaram um deslocamento do controle da produção e da visão global do processo de trabalho dos operários para os donos das fábricas, gerando nos trabalhadores aquilo que Karl Marx conceituou como “alienação”.
- 04)as greves durante a Revolução Industrial podem ser explicadas pela incapacidade dos trabalhadores em compreender o mindset relacionado ao benchmarking corporativo dos empreendedores ingleses, obstinados a tornarem-se players importantes no mercado global.
- 08)conforme relatado no excerto, o controle do tempo nas fábricas por meio do relógio favoreceu os trabalhadores por estabelecer limites rígidos de jornada de trabalho, de modo que o tempo excedente fosse remunerado como “hora extra”.
- 16)por ser uma sociedade liberal e pautada na ideia de direitos iguais, mulheres britânicas reivindicaram e conquistaram o direito de trabalhar nas fábricas com suas crianças no início do século XIX.
- 32)o pioneirismo inglês na Revolução Industrial foi marcado pela horizontalidade do processo produtivo, no qual não havia hierarquia entre trabalhadores, mestres e contramestres, estimulando a produtividade a partir da cooperação entre os colaboradores.
- 64)ao adiantar ou atrasar o relógio das fábricas, os capitalistas britânicos mencionados no texto ampliavam a mais-valia extraída do processo de produção, ou seja, aumentavam seu lucro a partir do aumento da jornada de trabalho não paga aos operários.
UFSC2025Prova 2Questao 2HistóriaEscravidão e abolição no Brasil ImpérioMediaAo longo do século XIX, os debates sobre a escravidão e seu possível fim foram constantes. A Lei do Ventre Livre surgiu nesse contexto. A esse respeito, leia o texto a seguir, do historiador Sidney Chalhoub.
O que estava em jogo, entre outras coisas, era precisamente o reconhecimento ou não da validade do princípio de que “o parto segue o ventre” – ou seja, a ideia, vigente na escravidão ocidental havia séculos, de que a condição do filho seguia a do ventre da mãe. Assim, filho de ventre livre nascia ingênuo, de ventre escravo nascia escravo. [...] Vários deputados que se opunham ao projeto subiram à tribuna para discordar do governo e do parecer da comissão parlamentar na questão do ventre livre e dos filhos livres da mulher escrava. [...] Em suma, para o barão e tantos dos seus pares, não havia escravidão possível sem a vigência da noção de inviolabilidade da vontade senhorial, e eles achavam que a lei proposta, em vários de seus dispositivos, destruía esse significado social central ao escravismo no Brasil.
CHALHOUB, Sidney. Machado de Assis, historiador. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. p. 171, 172, 176.
Com relação aos debates produzidos pela elite política sobre a Lei do Ventre Livre e o contexto histórico relacionado à escravidão, é correto afirmar que:
- 01)o conceito de que o “parto segue o ventre”, instituído pela Lei Áurea, vale até os dias atuais. Portanto, todos os nascidos são livres e, do ponto de vista jurídico, não existe “trabalho análogo à escravidão”.
- 02)a Lei do Ventre Livre estabeleceu que os filhos de escravizados seriam considerados livres; no entanto, garantiu aos senhores uma indenização paga pelo Estado ou o serviço compulsório do filho até os 21 anos.
- 04)o regime senhorial escravista brasileiro é considerado um exemplo para os movimentos trabalhistas contemporâneos que defendem a não interferência do Estado nas relações entre empregados e patrões.
- 08)a promulgação da Lei do Ventre Livre foi possível pois havia um consenso sobre o direito à liberdade do filho, mesmo que sua mãe fosse escravizada.
- 16)em 1850 foi criada a Lei dos Povos Miscigenados, um dispositivo jurídico que incentivava a mistura de raças baseada no conceito de “democracia racial”, com o objetivo de promover a integração entre negros, indígenas e brancos no Brasil.
- 32)escravistas contrários à Lei do Ventre Livre afirmavam que o Estado não deveria interferir nas relações entre senhores e escravos, visto que essa intervenção abalaria um aspecto estruturante da sociedade escravista brasileira: o domínio senhorial.
UFSC2025Prova 2Questao 3HistóriaReligião e poder (Inquisição, Cruzadas e Reforma)MediaA relação entre política e religião ao longo da história é marcada por momentos variados, que vão da integração de matrizes religiosas até a sua perseguição pelo poder político. A esse respeito, leia o excerto a seguir.
Marcha para Jesus em SP tem propaganda de caravanas turísticas para Israel
Os símbolos de Israel estão muito presentes no evento. A bandeira e a estrela de Davi, entre outras representações do Estado judeu, têm sido frequentemente usadas por igrejas evangélicas no Brasil.
Disponível em: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2024/05/30/marcha-para-jesus-pacote-turistico-israel-sp.htm.
https://midias.correiobraziliense.com.br/_midias/jpg/2024/05/30/675x450/1_000_34ud7up-37577265.jpg?20240530223228?20240530223228.
Sobre o excerto, a imagem e os movimentos religiosos ao longo da história, é correto afirmar que:
- 01)criado em 1233, o Tribunal do Santo Ofício, conhecido como Inquisição, utilizou métodos de tortura para extrair confissões dos chamados hereges, entre os quais estavam judeus, muçulmanos e cristãos que questionavam os dogmas da Igreja.
- 02)por ser o Brasil um estado teocrático, não há separação entre Igreja e Estado; assim, as leis que nos regem são pautadas por dogmas religiosos.
- 04)as Cruzadas, movimento destinado a retomar o controle da cidade de Jerusalém para os católicos durante o período medieval, tinham interesses que iam além das motivações religiosas, como o estabelecimento de rotas comerciais e o controle de territórios economicamente rentáveis.
- 08)a relação amistosa entre judeus e cristãos durante a Marcha para Jesus remete ao processo de Inquisição na Europa durante o período medieval, quando cristãos e judeus se uniram para combater o islamismo.
- 16)entre os pontos criticados por Martinho Lutero, expoente da Reforma Protestante, estava a venda de indulgência (perdão dos pecados) feita pela Igreja Católica no século XVI.
- 32)os organizadores da Marcha para Jesus criaram o movimento Igreja sem Partido, o qual proíbe que pastores se candidatem a cargos públicos.
UFSC2025Prova 2Questao 4HistóriaGuerra Fria e memória históricaMediaLeia o discurso a seguir de um presidente dos Estados Unidos da América no contexto da Guerra Fria.
Com os filhos dos Estados Unidos nos campos de batalha, distantes, com o futuro dos Estados Unidos em jogo em seu próprio território, com as esperanças do mundo na paz em balanço, não creio que eu poderia dedicar uma hora sequer da minha vida à política personalista ante os meus solenes deveres da Presidência. Por conseguinte, não buscarei e nem aceitarei a designação do meu partido para o novo período como vosso presidente.
Depoimento do presidente dos Estados Unidos Lyndon Johnson em 31 de março de 1968 desistindo da candidatura à reeleição pelo Partido Democrata. Fonte: Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 2 abr. 1968. Disponível em: http://memoria.bn.gov.br/DocReader/030015_08/113601.
Sobre o texto acima, seu contexto e a história das eleições nos Estados Unidos, é correto afirmar que:
- 01)Donald Trump foi o primeiro candidato a presidente dos Estados Unidos a sofrer uma tentativa de homicídio.
- 02)assim como Robert F. Kennedy, Martin Luther King, um dos líderes do movimento pelos direitos civis dos negros dos Estados Unidos, também foi assassinado em 1968, o que contribuiu para que esse ano ficasse marcado na história política e social estadunidense.
- 04)Lyndon Johnson foi o único presidente eleito pelo Partido Democrata que desistiu de concorrer à reeleição.
- 08)ao mencionar os “filhos dos Estados Unidos” em “campos de batalha, distantes”, Lyndon Johnson faz referência à Guerra do Vietnã (1955-1975), marcada pela morte de soldados e pela derrota dos estadunidenses.
- 16)o macartismo foi um conjunto de ideias e práticas de questionamento da sociedade capitalista dos anos 1950 e 1960, capitaneado pelo senador Joseph McCarthy, que buscava um alinhamento dos setores culturais norte-americanos à cultura soviética.
UFSC2025Prova 2Questao 5HistóriaEra VargasDificilLeia o fragmento abaixo, extraído da obra Parque Industrial, de Patrícia Galvão (Pagu), publicada em 1933.
Nas latrinas sujas as meninas passam o minuto de alegria roubada ao trabalho escravo. ‒ O chefe disse que agora só pode vir de duas em duas! ‒ Credo! Você viu quanta porcaria que está escrito? ‒ É porque aqui antes era a latrina dos homens! [...] ‒ O que quer dizer essa palavra ‘fascismo’? ‒ Trouxa! É aquela coisa do Mussolini. ‒ Não senhora! O Pedro disse que aqui no Brasil também tem fascismo. ‒ É a coisa do Mussolini sim. ‒ Na saída a gente pergunta. Chi! Já está acabando o tempo e eu ainda não mijei!
GALVÃO, Patrícia. Parque Industrial. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p. 18. Sobre o contexto histórico em que a obra de Pagu está inserida, é correto afirmar que:
- 01)ao contrário do que propõe o fragmento de Parque Industrial, durante a década de 1930 não existiu no Brasil movimento ou organização política que se aproximasse do ideário fascista de Mussolini, tampouco se pode afirmar que existiam adeptos do fascismo vivendo no país naquele período.
- 02)inspirado por ideais anarquistas e socialistas, o movimento operário que se desenvolveu no Brasil durante a Primeira República foi responsável por mobilizar trabalhadoras e trabalhadores e organizar grandes greves, como a ocorrida em 1917.
- 04)com o lema “Pátria, Deus e Família”, a Ação Integralista Brasileira (AIB), organização política fundada em 1932, compartilhava alguns princípios com o fascismo italiano, como o nacionalismo, o combate ao comunismo e o antiliberalismo.
- 08)em relação aos direitos das mulheres, a Constituição de 1934 estabeleceu o sufrágio universal, reivindicação do movimento feminista da época, e proibiu a diferença de salário para um mesmo trabalho por motivo de idade, sexo, nacionalidade ou estado civil.
- 16)a obra Parque Industrial, de Pagu, retrata uma realidade improvável para o Brasil da década de 1930, visto que durante esse período o trabalho feminino estava restrito ao ambiente doméstico e a participação da mulher no trabalho industrial era irrisória.
- 32)a crise econômica provocada pela Primeira Guerra Mundial, o capital acumulado pela economia agrária e o excesso de trabalhadores desempregados nas grandes cidades foram fatores que contribuíram para o fortalecimento da indústria brasileira nas primeiras décadas do século XX.
- 64)o processo de industrialização brasileiro aconteceu de forma tardia se comparado à Europa. Tal atraso favoreceu a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) já na primeira década do século XX.