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UFU20251a faseQuestao 9FilosofiaRousseau (origem da desigualdade)MediaRousseau apresenta, no texto abaixo, elementos que introduzem a desigualdade entre os homens no estado de natureza. Os homens até então errantes pelos bosques, depois de adquirirem uma situação mais fixa, aproximam-se lentamente [...] Uma vizinhança permanente não pode deixar de engendrar, afinal, alguma ligação entre diversas famílias. Jovens de diferentes sexos moram em cabanas vizinhas, o relacionamento passageiro, exigido pela natureza, traz logo outro não menos doce e mais permanente, pelo convívio mútuo. [...] Adquirem insensivelmente idéias de mérito e de beleza que produzem sentimentos de preferência. À força de se verem, já não podem passar sem se ver novamente. Um sentimento terno e doce insinua-se na alma e, à menor oposição, torna-se um furor impetuoso: o ciúme desperta com o amor; a discórdia triunfa, e a mais doce das paixões recebe sacrifícios de sangue humano. [...] Cada qual começou a olhar os outros e a querer ser olhado por sua vez, e a estima pública teve um preço. Aquele que cantava ou dançava melhor; o mais belo, o mais forte, o mais hábil ou o mais eloqüente passou a ser o mais considerado, e foi esse o primeiro passo para a desigualdade e para o vício ao mesmo tempo; dessas primeiras preferências nasceram, de um lado a vaidade e o desprezo, do outro a vergonha e o desejo; e a fermentação causada por esses novos germes produziu por fim compostos funestos à felicidade e à inocência. Rousseau, J.J. Discurso sobre a origem e o fundamento da desigualdade entre os homens. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p.210-211. Considerando o texto acima e como Rousseau compreende o estado de natureza, é INCORRETO afirmar que
- A)a constituição de associações humanas introduz nos indivíduos o desejo de ser melhor do que os outros.
- B)a origem da desigualdade se deve exclusivamente a quem por primeiro tomou algo comum como sua propriedade.
- C)sem associações humanas constituídas, seres humanos viveriam em um estado de inocência, sem a necessidade de regras legais e morais.
- D)o surgimento da inveja e do ciúme estabelece o vício e o fim da inocência na medida em que a desconfiança se instala entre as pessoas.
UFU20251a faseQuestao 10FilosofiaSimone de Beauvoir (feminismo)MediaSimone de Beauvoir, em “O segundo sexo”, apresenta a seguinte constatação.
Libertar a mulher é recusar encerrá-la nas relações que mantém com o homem [...] É quando for abolida a escravidão de uma metade da humanidade e todo o sistema de hipocrisia que implica, que a “divisão” da humanidade revelará sua significação autêntica e que o casal humano encontrará sua forma verdadeira. Beauvoir, S. O segundo sexo: a experiência vivida. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1967. p. 500.
Considere o texto acima e como a autora compreende o papel da mulher e assinale a alternativa INCORRETA.
- A)A mulher terá liberdade e se assumirá como sujeito apenas ao recusar qualquer relação com o homem.
- B)O papel social da mulher não é resultado da constituição de seu corpo, mas de relações sociais que lhe conferem um papel inferior ao do homem.
- C)A inferioridade em que a mulher historicamente foi colocada se deve ao fato de sua identidade estar determinada pela relação que tem com o homem.
- D)A consciência da feminilidade não se dá à mulher por ela ser fêmea de uma espécie, mas por estar inserida como membro de uma sociedade.
UFU20251a faseQuestao 11FilosofiaSócrates (Apologia)MediaNa Apologia de Sócrates, Platão apresenta como teria sido a defesa que Sócrates fez em relação às acusações que sofreu. É nesse contexto que a passagem abaixo se insere.
Terrível seria se, na verdade, pudesse alguém com justiça levar-me a tribunal por não acatar os deuses e desprezar o oráculo e temer a morte, julgando ser sabedor sem o ser. Pois temer a morte, homens, não é mais do que julgar ser sábio sem o ser, porque é julgar saber o que se não sabe. Pois ninguém sabe o que é a morte, ninguém sabe se não será o maior dos bens para o homem, mas temem-na como se soubesse que era o maior dos males. Ora, não será a mais censurável das ignorâncias julgar saber o que não sabe? Talvez nisso eu difira da maioria dos homens e, se dissesse que em qualquer coisa era mais sábio, seria nisso, pois, não sabendo o bastante sobre o Hades, nem, por isso, julgo saber. Platão, Apologia de Sócrates (29a-c). Lisboa: Casa da Moeda, 1993. p.83. Considerando o texto acima, assinale a alternativa INCORRETA.
- A)A ignorância socrática, por consistir em saber que nada sabe, resulta em um saber mais amplo do que o saber proferido por quem acha que sabe.
- B)Sócrates diz que não teme a morte, porque ela, na medida em que não é um mal, seria um bem.
- C)O temor da morte é um ato de ignorância na medida em que só se pode temer o que se julga ser um mal, embora não seja possível saber o que ocorre após a morte.
- D)A decisão de condenar Sócrates à morte revela a ignorância dos juízes, que acreditam, sem saber, que a morte é uma punição.
UFU20251a faseQuestao 12FilosofiaAristóteles (prudência)MediaAristóteles, na “Ética a Nicômaco”, entende que a prudência exerce um papel necessário na determinação das ações moralmente virtuosas. Considere as seguintes afirmações sobre a prudência na filosofia moral de Aristóteles.
I. Consiste na compreensão do dever moral. II. Determina, por deliberação, qual é o meio-termo para uma ação. III. Envolve a compreensão correta das circunstâncias do agente. IV. Delibera os modos e meios para alcançar e promover um fim prático. V. Pode ser aplicada a qualquer ação, mesmo as moralmente reprováveis.
Assinale a alternativa que apresenta apenas asserções VERDADEIRAS.:
- A)I, II e IV
- B)II, III e IV
- C)II, IV e V
- D)I, III e V
UFU20251a faseQuestao 13FilosofiaHume (empirismo)MediaDavid Hume apresenta a seguinte distinção entre pensamentos ou ideias e impressões:
Podemos aqui dividir todas as percepções da mente em duas classes ou espécies que se distinguem por seus diferentes graus de força e vivacidade. As que são menos fortes e vivazes são comumente denominadas pensamentos ou idéias [...] Entendo pelo termo impressão, portanto, todas as nossas percepções mais vívidas, sempre que ouvimos, ou vemos, ou sentimos, ou amamos, ou odiamos, ou desejamos ou exercemos nossa vontade. E impressões são distintas das idéias, que são as percepções menos vívidas, das quais estamos conscientes quando refletimos sobre quaisquer umas das sensações ou atividades já mencionadas. [...] para expressar-me em linguagem filosófica, todas as nossas idéias, ou percepções mais tênues, são cópias de nossas impressões, ou percepções mais vívidas. HUME, D. Investigações sobre o entendimento humano e sobre os princípios da moral. São Paulo: Unesp, 2004. p.34-36.
Com base no texto acima e na distinção entre ideia e impressão, é CORRETO afirmar que
- A)ideias ou pensamentos empregados em artes ficcionais, como sobre seres fantásticos, não podem ser cópias de impressões, pois esses seres não existem.
- B)as ideias e impressões originam-se da percepção humana, mas a compreensão do tempo e do espaço está presente no ser humano desde seu nascimento.
- C)pela percepção, temos impressões das relações de causalidade entre os fatos que ocorrem no mundo.
- D)a operação do pensamento pode ocorrer independentemente do que possa existir em alguma parte do mundo.
UFU20251a faseQuestao 14FilosofiaMarx e Engels (ideologia)MediaMarx e Engels, em A Ideologia Alemã, apresentam a relação entre os pensamentos e a posse dos meios de produção nos seguintes termos.
Os pensamentos da classe dominante são também, em todas as épocas, os pensamentos dominantes; em outras palavras, a classe que é o poder material dominante numa determinada sociedade é também o poder espiritual dominante. A classe que dispõe dos meios da produção material dispõe também dos meios da produção intelectual, de tal modo que o pensamento daqueles aos quais são negados os meios de produção intelectual está submetido também à classe dominante. Os pensamentos dominantes nada mais são do que a expressão ideal das relações materiais dominantes; eles são essas relações materiais dominantes consideradas sob forma de idéias, portanto a expressão das relações que fazem de uma classe a classe dominante; em outras palavras, são as idéias de sua dominação. MARX, K.; ENGELS, F., A Ideologia Alemã. São Paulo: Martins Fontes, 2001. p.48.
Sobre a relação entre os pensamentos e a posse dos meios de produção, é INCORRETO afirmar que
- A)a posse dos meios de produção intelectual pela classe dominante permite a ela controlar todos os pensamentos de uma época.
- B)sistemas filosóficos, jurídicos representam os pensamentos da classe dominante e, portanto, os seus interesses.
- C)pessoas pertencentes à classe não dominante reproduzem o pensamento dominante que expressa a relação de classes a que estão submetidas.
- D)os valores morais e políticos da classe dominante de uma época são apresentados como valores universais e abstraídos das circunstâncias materiais de sua origem.
UFU20251a faseQuestao 15FilosofiaMaquiavel (virtù e fortuna)MediaNo texto abaixo, Maquiavel usa uma analogia para apresentar a relação entre virtù e fortuna.
Comparo a fortuna a um desses rios impetuosos que, quando se iram, alagam as planícies, derrubam as árvores e as casas, arrastam terras de um lado para levar a outro: todos fogem deles, todos cedem a seu ímpeto sem poder detê-los em parte alguma. Mesmo assim, nada impede que, quando os tempos estão calmos, os homens tomem providências, construam barreiras e diques, de modo que, quando a cheia se repetir, ou os rios fluem por um canal, ou seu ímpeto não seria nem tão licencioso nem tão danoso. O mesmo acontece com a fortuna, que demonstra sua potência onde não encontra uma virtù ordenada, pronta para resistir-lhe, e volta seu ímpeto para onde sabe que não erguidos diques nem barreiras para contê-la. Maquiavel, N. O Príncipe. São Paulo: Martins Fontes, 2010. p. 121-122
Considerando o texto acima, assinale a alternativa que descreve FALSAMENTE a relação entre virtù e fortuna.
- A)A virtù diz respeito à capacidade que o príncipe deve ter de antecipar e lidar com as circunstâncias problemáticas para seu governo.
- B)A fortuna é caracterizada por sua imprevisibilidade e, tendo ganhado força, o livre-arbítrio humano não é capaz de controlá-la.
- C)O sucesso do governante repousa na sua virtù, que lhe permite conhecer as leis que regem a fortuna.
- D)A virtù do príncipe não é concebida como uma qualidade moral e a fortuna não favorece esse príncipe.
UFU20251a faseQuestao 16FilosofiaKant (fenômeno e coisa em si)DificilSobre o fenômeno e a coisa em si, Kant afirma que:
O conceito de um númeno, isto é, de uma coisa que não deve ser pensada como objeto dos sentidos, mas como coisa em si (exclusivamente por um entendimento puro) [...] é necessário para não alargar a intuição sensível até às coisas em si e para limitar, portanto, a validade objetiva do conhecimento sensível (pois as coisas restantes, que a intuição sensível não atinge, se chamam por isso mesmo númenos, para indicar que os conhecimentos sensíveis não podem estender o seu domínio sobre tudo o que o pensamento pensa). Mas, em definitivo, não é possível compreender a possibilidade de tais númenos e o que se estende para além da esfera dos fenômenos é (para nós) vazio. Kant. I. Crítica da Razão Pura. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2001.p.296.
Sobre o fenômeno e a coisa em si, assinale a alternativa correta.
- A)A coisa em si (númeno) constitui-se em um objeto do pensamento na medida em que pode ter suas características espaço-temporais abstraídas.
- B)A coisa em si (númeno) denomina o conjunto de coisas abstratas cuja existência podemos conhecer pelo entendimento puro.
- C)A coisa em si (númeno) constitui-se como objeto das ciências na medida em que não possui características acidentais.
- D)A coisa em si (númeno) não é objeto da nossa intuição sensível, porém pode ser pensada sem contradição por um entendimento puro.
UFU20241a faseQuestao 9FilosofiaKant e o CriticismoDificilSobre a revolução copernicana na filosofia de Immanuel Kant, é correto afirmar que o objeto do conhecimento
- A)é análogo ao sol, e a razão humana é análoga aos planetas.
- B)deve se adequar à razão humana.
- C)existe fora da mente e está submetido às leis físicas do tempo e do espaço.
- D)deve ser apreendido em si mesmo, sem influência do intelecto humano.
UFU20241a faseQuestao 10FilosofiaSanto AgostinhoDificilEfetivamente, em qualquer lugar onde olhares, a sabedoria te fala pelos vestígios que imprimiu em todas as suas obras. E quando recais de novo no amor às coisas exteriores, é valendo-se da própria beleza dos seres exteriores que ela te chama a teu interior. E isso a fim de que, vendo tudo quanto te encanta nos corpos e te seduz, através dos sentidos corporais, reconheças que está repleto de números. Ao indagares de onde vem isso, entra em ti mesmo e compreende tua impotência de julgar para o bem ou para o mal os objetos percebidos por teus sentidos. Pois não poderias aprovar ou desaprová-los, se não tivesses dentro de ti certas leis estéticas, às quais confrontas todas as belezas sensíveis do mundo exterior. SANTO AGOSTINHO, O Livre Arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995, p.128.
O acesso perceptivo à realidade exterior e sensível oferece um obstáculo ao conhecimento do que é inteligível, pois o inteligível tem natureza distinta do sensível. Marque a alternativa correta acerca da resposta de Santo Agostinho a esse problema. Para ele, a realidade exterior contém em sua natureza a beleza da criação e, ao ser percebida pela alma, favorece a possibilidade do reconhecimento das verdades inteligíveis
- A)porque permite a formação de raciocínios indutivos.
- B)pela reminiscência das formas divinas.
- C)por ação da iluminação divina.
- D)por abstração da essência presente em cada particular.
UFU20241a faseQuestao 11FilosofiaTomás de AquinoDificilSobre as verdades que são preâmbulos da fé e sobre a relação entre fé e razão, Tomás de Aquino afirma
[...] portanto, deve-se dizer que a existência de Deus e as outras verdades referentes a Deus, acessíveis à razão natural, como diz o Apóstolo, não são artigos de fé, mas preâmbulos dos artigos. A fé pressupõe o conhecimento natural, como a graça pressupõe a natureza, e a perfeição o que é perfectível. No entanto, nada impede que aquilo que, por si, é demonstrável e compreensível, seja recebido como objeto de fé por aquele que não consegue apreender a demonstração. TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica. São Paulo: Loyola, 2009, p.165. V.1.
Tomando como referência o excerto acima, assinale a alternativa correta.
- A)A partir do conhecimento natural, não se chega ao conhecimento de verdades como a existência de Deus, que são conhecidas apenas pela graça divina, sendo necessário ter fé em Deus para compreendê-las.
- B)A partir dos efeitos das obras divinas, não se pode conhecer Deus, pois esses efeitos, que constituem o mundo natural, são todos finitos e, por meio de coisas desse tipo, não se pode conhecer Deus, que é infinito, exceto pelas Escrituras.
- C)A partir dos efeitos da obra divina, podemos nos aproximar do conhecimento de certas verdades, como a existência de Deus, e esse conhecimento é chamado de preâmbulo da fé porque se limita a essa aproximação que nunca é completa apenas pela razão.
- D)A partir de efeitos que são mais manifestos para os seres humanos, é possível fazer uma demonstração da causa, sendo esse o procedimento usado nas cinco provas da existência de Deus, que servem de preâmbulo para as verdades da fé.
UFU20241a faseQuestao 12FilosofiaOrigem da FilosofiaMediaVernant, ao descrever uma das teorias que explicam o surgimento da filosofia grega antiga, diz: “Na terra jônica, o logos ter-se-ia desprendido bruscamente do mito, como as escamas caem dos olhos do cego. E à luz desta razão, uma vez por todas revelada, não teria mais deixado de iluminar os progressos do espírito humano. "Os filósofos jônios, escreve Burnet, abriram o caminho que a ciência depois só teve que seguir." E precisa, em outra passagem: "Seria inteiramente falso procurar as origens da ciência jônica numa concepção mítica qualquer."” VERNANT, J. P. As origens do pensamento grego. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002, p.71
Considerando as principais teorias sobre o surgimento da filosofia, o texto acima se refere à teoria
- A)da continuidade entre mito e filosofia.
- B)do milagre grego.
- C)do surgimento político da filosofia.
- D)da influência oriental.