Literatura brasileira (prosa) · UNESP

Literatura brasileira (prosa): questões do UNESP

15 questões de Literatura brasileira (prosa) (Português) no UNESP (2017–2024). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Literatura brasileira (prosa) no UNESP

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UNESP20241a faseQuestao 13PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
Olha, Marília, as flautas dos pastores, Que bem que soam, como estão cadentes! Olha o Tejo a sorrir-se! Olha: não sentes Os Zéfiros 1 brincar por entre as flores? Vê como ali, beijando-se, os Amores Incitam nossos ósculos 2 ardentes! Ei-las de planta em planta as inocentes, As vagas borboletas de mil cores! Naquele arbusto o rouxinol suspira; Ora nas folhas a abelhinha para. Ora nos ares, sussurrando, gira. Que alegre campo! Que manhã tão clara! Mas ah!, tudo o que vês, se eu não te vira, Mais tristeza que a noite me causara. (Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974.) 1 Zéfiro: vento que sopra do ocidente. 2 ósculo: beijo. A paisagem retratada no soneto constitui um tópico recorrente na poesia
  1. A)realista.
  2. B)romântica.
  3. C)naturalista.
  4. D)arcádica.
  5. E)simbolista.
UNESP20241a faseQuestao 14PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
Olha, Marília, as flautas dos pastores, Que bem que soam, como estão cadentes! Olha o Tejo a sorrir-se! Olha: não sentes Os Zéfiros 1 brincar por entre as flores? Vê como ali, beijando-se, os Amores Incitam nossos ósculos 2 ardentes! Ei-las de planta em planta as inocentes, As vagas borboletas de mil cores! Naquele arbusto o rouxinol suspira; Ora nas folhas a abelhinha para. Ora nos ares, sussurrando, gira. Que alegre campo! Que manhã tão clara! Mas ah!, tudo o que vês, se eu não te vira, Mais tristeza que a noite me causara. (Manuel Maria Barbosa du Bocage. Poemas escolhidos, 1974.) 1 Zéfiro: vento que sopra do ocidente. 2 ósculo: beijo. No soneto, a capacidade de transfigurar a paisagem retratada é atribuída pelo eu lírico
  1. A)aos Amores.
  2. B)à noite.
  3. C)a Marília.
  4. D)à tristeza.
  5. E)aos pastores.
UNESP20241a faseQuestao 19PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Dificil
leia a crônica de Luis Fernando Verissimo. Esta ideia para um conto de terror é tão terrível que, logo depois de tê-la, me arrependi. Mas já estava tida, não adiantava mais. Você, leitor, no entanto, tem uma escolha. Pode parar aqui, e se poupar, ou ler até o fim e provavelmente nunca mais dormir. Vejo que decidiu continuar. Muito bem, vamos em frente. Talvez, posta no papel, a ideia perca um pouco do seu poder de susto. Mas não posso garantir nada. É assim: Um casal de velhos mora sozinho numa casa. Já criaram os filhos, os netos já estão grandes, só lhes resta implicar um com o outro. Retomam com novo fervor uma discussão antiga. Ela diz que ele ronca quando dorme, ele diz que é mentira. — Ronca. — Não ronco. — Ele diz que não ronca — comenta ela, impaciente, como se falasse com uma terceira pessoa. Mas não existe outra pessoa na casa. Os filhos raramente visitam. Os netos, nunca. A empregada vem de manhã, faz o almoço, deixa o jantar feito e sai cedo. Ficam os dois sozinhos. — Eu devia gravar os seus roncos, pra você se convencer — diz ela. E em seguida tem a ideia infeliz. — É o que eu vou fazer! Esta noite, quando você dormir, vou ligar o gravador e gravar os seus roncos. — Humrfm — diz o velho. Você, leitor, já deve estar sentindo o que vai acontecer. Pare de ler, leitor. Eu não posso parar de escrever. As ideias não podem ser desperdiçadas, mesmo que nos custem amigos, a vida ou o sono. Imagine se Shakespeare tivesse se horrorizado com suas próprias ideias e deixado de escrevê-las, por puro comedimento. Não que eu queira me comparar a Shakespeare. Shakespeare era bem mais magro. Tenho que exercer este ofício, esta danação. Você, no entanto, não é obrigado a me acompanhar, leitor. Vá passear, vá tomar sol. Uma das maneiras de controlar a demência solta no mundo é deixar os escritores falando sozinhos, exercendo sozinhos a sua profissão malsã, o seu vício solitário. Você ainda está lendo. Você é pior do que eu, leitor. Você tinha escolha. Sozinhos. Os velhos sozinhos na casa. Os dois vão para a cama. Quando o velho dorme, a velha liga o gravador. Mas em poucos minutos a velha também dorme. O gravador fica ligado, gravando. Pouco depois a fita acaba. Na manhã seguinte, certa do seu triunfo, a velha roda a fita. Ouvem-se alguns minutos de silêncio. Depois, alguém roncando. — Rará! — diz a velha, feliz. Pouco depois ouve-se o ronco de outra pessoa. A velha também ronca! — Rará! — diz o velho, vingativo. E em seguida, por cima do contraponto de roncos, ouve-se um sussurro. Uma voz sussurrando, leitor. Uma voz indefinida. Pode ser de homem, de mulher ou de criança. A princípio — por causa dos roncos — não se distingue o que ela diz. Mas aos poucos as palavras vão ficando claras. São duas vozes. É um diálogo sussurrado. “Estão prontos?” “Não, acho que ainda não…” “Então vamos voltar amanhã…” (Luis Fernando Verissimo. O suicida e o computador, 1992.) Na composição de sua crônica, Luis Fernando Verissimo lança mão dos seguintes procedimentos estilísticos que caracterizam a prosa madura do escritor Machado de Assis:
  1. A)inclusão do leitor na narrativa e recurso à metalinguagem.
  2. B)estilo digressivo e discurso apoiado em argumentos científicos.
  3. C)discurso socialmente engajado e recurso à intertextualidade.
  4. D)argumentação de teor moralizante e interlocução explícita com o leitor.
  5. E)discurso de caráter místico e recurso ao sobrenatural.
UNESP20221a faseQuestao 8PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
O tópico clássico do locus amoenus está bem exemplificado nos seguintes versos do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage:
  1. A)O ledo passarinho, que gorjeia D’alma exprimindo a cândida ternura, O rio transparente, que murmura, E por entre pedrinhas serpenteia:
  2. B)Já sobre o coche de ébano estrelado Deu meio giro a noite escura e feia; Que profundo silêncio me rodeia Neste deserto bosque, à luz vedado!
  3. C)Ante a doce visão com que me enlaças, Já murcho, estéril já, meu ser floresce: Mas súbito fantasma eis desvanece Chusma de encantos, que em teu sonho abraças:
  4. D)Já o Inverno, espremendo as cãs nevosas, Geme, de horrendas nuvens carregado; Luz o aéreo fuzil, e o mar inchado Investe ao Polo em serras escumosas;
  5. E)Quando por entre os véus da noite fria A máquina celeste observo acesa, Da angústia, de terror a imagens presa Começa a devorar-me a fantasia.
UNESP20221a faseQuestao 10PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Facil
leia a cena inicial da comédia O noviço, de Martins Pena. AMBRÓSIO: No mundo a fortuna é para quem sabe adquiri-la. Pintam-na cega... Que simplicidade! Cego é aquele que não tem inteligência para vê-la e a alcançar. Todo homem pode ser rico, se atinar com o verdadeiro caminho da fortuna. Vontade forte, perseverança e pertinácia são poderosos auxiliares. Qual o homem que, resolvido a empregar todos os meios, não consegue enriquecer-se? Em mim se vê o exemplo. Há oito anos, era eu pobre e miserável, e hoje sou rico, e mais ainda serei. O como não importa; no bom resultado está o mérito... Mas um dia pode tudo mudar. Oh, que temo eu? Se em algum tempo tiver de responder pelos meus atos, o ouro justificar-me-á e serei limpo de culpa. As leis criminais fizeram-se para os pobres... (Martins Pena. Comédias (1844-1845), 2007.) A fala de Ambrósio contém um elogio
  1. A)à humildade.
  2. B)à moderação.
  3. C)à meritocracia.
  4. D)à justiça.
  5. E)à burocracia.
UNESP20221a faseQuestao 13PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
Tal movimento deriva quase todos os seus critérios de probabilidade do empirismo das ciências naturais. Baseia seu conceito de verdade psicológica no princípio de causalidade, o desenvolvimento apropriado da trama na eliminação do acaso e dos milagres, sua descrição do ambiente na ideia de que todo e qualquer fenômeno natural tem lugar numa interminável cadeia de condições e motivos, sua utilização de detalhes característicos no método de observação científica – que não despreza circunstância alguma, por mais insignificante e trivial que seja. (Arnold Hauser. História social da arte e da literatura, 1994. Adaptado.) O texto refere-se ao movimento
  1. A)árcade.
  2. B)simbolista.
  3. C)realista.
  4. D)romântico.
  5. E)modernista.
UNESP20171a faseQuestao 8PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
leia o excerto de Auto da Barca do Inferno do escritor português Gil Vicente (1465?-1536?). A peça prefigura o destino das almas que chegam a um braço de mar onde se encontram duas barcas (embarcações): uma destinada ao Paraíso, comandada pelo anjo, e outra destinada ao Inferno, comandada pelo diabo. Vem um Frade com uma Moça pela mão […]; e ele mesmo fazendo a baixa1 começou a dançar, dizendo Frade: Tai-rai-rai-ra-rã  ta-ri-ri-rã; Tai-rai-rai-ra-rã  ta-ri-ri-rã; Tã-tã-ta-ri-rim-rim-rã, huha! Diabo: Que é isso, padre? Quem vai lá? Frade: Deo gratias2! Sou cortesão. Diabo: Danças também o tordião3? Frade: Por que não? Vê como sei. Diabo: Pois entrai, eu tangerei4 e faremos um serão. E essa dama, porventura? Frade: Por minha a tenho eu, e sempre a tive de meu. Diabo: Fizeste bem, que é lindura! Não vos punham lá censura no vosso convento santo? Frade: E eles fazem outro tanto! Diabo: Que preciosa clausura5! Entrai, padre reverendo! Frade: Para onde levais gente? Diabo: Para aquele fogo ardente que não temestes vivendo. Frade: Juro a Deus que não te entendo! E este hábito6 não me val7? Diabo: Gentil padre mundanal8, a Belzebu vos encomendo! Frade: Corpo de Deus consagrado! Pela fé de Jesus Cristo, que eu não posso entender isto! Eu hei de ser condenado? Um padre tão namorado e tanto dado à virtude? Assim Deus me dê saúde, que eu estou maravilhado! Diabo: Não façamos mais detença9 embarcai e partiremos; tomareis um par de remos. Frade: Não ficou isso na avença10. Diabo: Pois dada está já a sentença! Frade: Por Deus! Essa seria ela? Não vai em tal caravela minha senhora Florença? Como? Por ser namorado e folgar c’uma mulher? Se há um frade de perder, com tanto salmo rezado?! Diabo: Ora estás bem arranjado! Frade: Mas estás tu bem servido. Diabo: Devoto padre e marido, haveis de ser cá pingado11… (Auto da Barca do Inferno, 2007.) 1   baixa: dança popular no século XVI. 2   Deo gratias: graças a Deus. 3   tordião: outra dança popular no século XVI. 4   tanger: fazer soar um instrumento. 5   clausura: convento. 6   hábito: traje religioso. 7   val: vale. 8  mundanal: mundano. 9   detença: demora. 10  avença: acordo. 11  ser pingado: ser pingado com gotas de gordura fervendo (segundo o imaginário popular, processo de tortura que ocorreria no inferno). No excerto, o escritor satiriza, sobretudo,
  1. A)a compra do perdão para os pecados cometidos.
  2. B)a preocupação do clero com a riqueza material.
  3. C)o desmantelamento da hierarquia eclesiástica.
  4. D)a concessão do perdão a almas pecadoras.
  5. E)o relaxamento dos costumes do clero.
UNESP20171a faseQuestao 9PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
leia o excerto de Auto da Barca do Inferno do escritor português Gil Vicente (1465?-1536?). A peça prefigura o destino das almas que chegam a um braço de mar onde se encontram duas barcas (embarcações): uma destinada ao Paraíso, comandada pelo anjo, e outra destinada ao Inferno, comandada pelo diabo. Vem um Frade com uma Moça pela mão […]; e ele mesmo fazendo a baixa1 começou a dançar, dizendo Frade: Tai-rai-rai-ra-rã  ta-ri-ri-rã; Tai-rai-rai-ra-rã  ta-ri-ri-rã; Tã-tã-ta-ri-rim-rim-rã, huha! Diabo: Que é isso, padre? Quem vai lá? Frade: Deo gratias2! Sou cortesão. Diabo: Danças também o tordião3? Frade: Por que não? Vê como sei. Diabo: Pois entrai, eu tangerei4 e faremos um serão. E essa dama, porventura? Frade: Por minha a tenho eu, e sempre a tive de meu. Diabo: Fizeste bem, que é lindura! Não vos punham lá censura no vosso convento santo? Frade: E eles fazem outro tanto! Diabo: Que preciosa clausura5! Entrai, padre reverendo! Frade: Para onde levais gente? Diabo: Para aquele fogo ardente que não temestes vivendo. Frade: Juro a Deus que não te entendo! E este hábito6 não me val7? Diabo: Gentil padre mundanal8, a Belzebu vos encomendo! Frade: Corpo de Deus consagrado! Pela fé de Jesus Cristo, que eu não posso entender isto! Eu hei de ser condenado? Um padre tão namorado e tanto dado à virtude? Assim Deus me dê saúde, que eu estou maravilhado! Diabo: Não façamos mais detença9 embarcai e partiremos; tomareis um par de remos. Frade: Não ficou isso na avença10. Diabo: Pois dada está já a sentença! Frade: Por Deus! Essa seria ela? Não vai em tal caravela minha senhora Florença? Como? Por ser namorado e folgar c’uma mulher? Se há um frade de perder, com tanto salmo rezado?! Diabo: Ora estás bem arranjado! Frade: Mas estás tu bem servido. Diabo: Devoto padre e marido, haveis de ser cá pingado11… (Auto da Barca do Inferno, 2007.) 1   baixa: dança popular no século XVI. 2   Deo gratias: graças a Deus. 3   tordião: outra dança popular no século XVI. 4   tanger: fazer soar um instrumento. 5   clausura: convento. 6   hábito: traje religioso. 7   val: vale. 8  mundanal: mundano. 9   detença: demora. 10  avença: acordo. 11  ser pingado: ser pingado com gotas de gordura fervendo (segundo o imaginário popular, processo de tortura que ocorreria no inferno). No excerto, o traço mais característico do diabo é
  1. A)o autoritarismo, visível no seguinte trecho: “Não façamos mais detença”.
  2. B)a curiosidade, visível no seguinte trecho: “Danças também o tordião?”.
  3. C)a ironia, visível no seguinte trecho: “Que preciosa clausura!”.
  4. D)a ingenuidade, visível no seguinte trecho: “Fizeste bem, que é lindura!”.
  5. E)o sarcasmo, visível no seguinte trecho: “Pois dada está já a sentença!”.
UNESP20171a faseQuestao 10PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
leia o excerto de Auto da Barca do Inferno do escritor português Gil Vicente (1465?-1536?). A peça prefigura o destino das almas que chegam a um braço de mar onde se encontram duas barcas (embarcações): uma destinada ao Paraíso, comandada pelo anjo, e outra destinada ao Inferno, comandada pelo diabo. Vem um Frade com uma Moça pela mão […]; e ele mesmo fazendo a baixa1 começou a dançar, dizendo Frade: Tai-rai-rai-ra-rã  ta-ri-ri-rã; Tai-rai-rai-ra-rã  ta-ri-ri-rã; Tã-tã-ta-ri-rim-rim-rã, huha! Diabo: Que é isso, padre? Quem vai lá? Frade: Deo gratias2! Sou cortesão. Diabo: Danças também o tordião3? Frade: Por que não? Vê como sei. Diabo: Pois entrai, eu tangerei4 e faremos um serão. E essa dama, porventura? Frade: Por minha a tenho eu, e sempre a tive de meu. Diabo: Fizeste bem, que é lindura! Não vos punham lá censura no vosso convento santo? Frade: E eles fazem outro tanto! Diabo: Que preciosa clausura5! Entrai, padre reverendo! Frade: Para onde levais gente? Diabo: Para aquele fogo ardente que não temestes vivendo. Frade: Juro a Deus que não te entendo! E este hábito6 não me val7? Diabo: Gentil padre mundanal8, a Belzebu vos encomendo! Frade: Corpo de Deus consagrado! Pela fé de Jesus Cristo, que eu não posso entender isto! Eu hei de ser condenado? Um padre tão namorado e tanto dado à virtude? Assim Deus me dê saúde, que eu estou maravilhado! Diabo: Não façamos mais detença9 embarcai e partiremos; tomareis um par de remos. Frade: Não ficou isso na avença10. Diabo: Pois dada está já a sentença! Frade: Por Deus! Essa seria ela? Não vai em tal caravela minha senhora Florença? Como? Por ser namorado e folgar c’uma mulher? Se há um frade de perder, com tanto salmo rezado?! Diabo: Ora estás bem arranjado! Frade: Mas estás tu bem servido. Diabo: Devoto padre e marido, haveis de ser cá pingado11… (Auto da Barca do Inferno, 2007.) 1   baixa: dança popular no século XVI. 2   Deo gratias: graças a Deus. 3   tordião: outra dança popular no século XVI. 4   tanger: fazer soar um instrumento. 5   clausura: convento. 6   hábito: traje religioso. 7   val: vale. 8  mundanal: mundano. 9   detença: demora. 10  avença: acordo. 11  ser pingado: ser pingado com gotas de gordura fervendo (segundo o imaginário popular, processo de tortura que ocorreria no inferno). Com a fala “E eles fazem outro tanto!”, o frade sugere que seus companheiros de convento
  1. A)consideravam-se santos.
  2. B)estavam preocupados com a própria salvação.
  3. C)estranhavam seu modo de agir.
  4. D)comportavam-se de modo questionável.
  5. E)repreendiam-no com frequência.
UNESP20171a faseQuestao 11PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
leia o excerto de Auto da Barca do Inferno do escritor português Gil Vicente (1465?-1536?). A peça prefigura o destino das almas que chegam a um braço de mar onde se encontram duas barcas (embarcações): uma destinada ao Paraíso, comandada pelo anjo, e outra destinada ao Inferno, comandada pelo diabo. Vem um Frade com uma Moça pela mão […]; e ele mesmo fazendo a baixa1 começou a dançar, dizendo Frade: Tai-rai-rai-ra-rã  ta-ri-ri-rã; Tai-rai-rai-ra-rã  ta-ri-ri-rã; Tã-tã-ta-ri-rim-rim-rã, huha! Diabo: Que é isso, padre? Quem vai lá? Frade: Deo gratias2! Sou cortesão. Diabo: Danças também o tordião3? Frade: Por que não? Vê como sei. Diabo: Pois entrai, eu tangerei4 e faremos um serão. E essa dama, porventura? Frade: Por minha a tenho eu, e sempre a tive de meu. Diabo: Fizeste bem, que é lindura! Não vos punham lá censura no vosso convento santo? Frade: E eles fazem outro tanto! Diabo: Que preciosa clausura5! Entrai, padre reverendo! Frade: Para onde levais gente? Diabo: Para aquele fogo ardente que não temestes vivendo. Frade: Juro a Deus que não te entendo! E este hábito6 não me val7? Diabo: Gentil padre mundanal8, a Belzebu vos encomendo! Frade: Corpo de Deus consagrado! Pela fé de Jesus Cristo, que eu não posso entender isto! Eu hei de ser condenado? Um padre tão namorado e tanto dado à virtude? Assim Deus me dê saúde, que eu estou maravilhado! Diabo: Não façamos mais detença9 embarcai e partiremos; tomareis um par de remos. Frade: Não ficou isso na avença10. Diabo: Pois dada está já a sentença! Frade: Por Deus! Essa seria ela? Não vai em tal caravela minha senhora Florença? Como? Por ser namorado e folgar c’uma mulher? Se há um frade de perder, com tanto salmo rezado?! Diabo: Ora estás bem arranjado! Frade: Mas estás tu bem servido. Diabo: Devoto padre e marido, haveis de ser cá pingado11… (Auto da Barca do Inferno, 2007.) 1   baixa: dança popular no século XVI. 2   Deo gratias: graças a Deus. 3   tordião: outra dança popular no século XVI. 4   tanger: fazer soar um instrumento. 5   clausura: convento. 6   hábito: traje religioso. 7   val: vale. 8  mundanal: mundano. 9   detença: demora. 10  avença: acordo. 11  ser pingado: ser pingado com gotas de gordura fervendo (segundo o imaginário popular, processo de tortura que ocorreria no inferno). Assinale a alternativa cuja máxima está em conformidade com o excerto e com a proposta do teatro de Gil Vicente.
  1. A)“O riso é abundante na boca dos tolos.”
  2. B)“A religião é o ópio do povo.”
  3. C)“Pelo riso, corrigem-se os costumes.”
  4. D)“De boas intenções, o inferno está cheio.”
  5. E)“O homem é o único animal que ri dos outros.” Leia o soneto XLVI, de Cláudio Manuel da Costa
UNESP20171a faseQuestao 12PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
Não vês, Lise, brincar esse menino Com aquela avezinha? Estende o braço, Deixa-a fugir, mas apertando o laço, A condena outra vez ao seu destino. Nessa mesma figura, eu imagino, Tens minha liberdade, pois ao passo Que cuido que estou livre do embaraço, Então me prende mais meu desatino. Em um contínuo giro o pensamento Tanto a precipitar-me se encaminha, Que não vejo onde pare o meu tormento. Mas fora menos mal esta ânsia minha, Se me faltasse a mim o entendimento, Como falta a razão a esta avezinha. (Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes, 1996.) O tom predominante no soneto é de
  1. A)resignação.
  2. B)nostalgia.
  3. C)apatia.
  4. D)ingenuidade.
  5. E)inquietude.
UNESP20171a faseQuestao 13PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Dificil
Não vês, Lise, brincar esse menino Com aquela avezinha? Estende o braço, Deixa-a fugir, mas apertando o laço, A condena outra vez ao seu destino. Nessa mesma figura, eu imagino, Tens minha liberdade, pois ao passo Que cuido que estou livre do embaraço, Então me prende mais meu desatino. Em um contínuo giro o pensamento Tanto a precipitar-me se encaminha, Que não vejo onde pare o meu tormento. Mas fora menos mal esta ânsia minha, Se me faltasse a mim o entendimento, Como falta a razão a esta avezinha. (Domício Proença Filho (org.). A poesia dos inconfidentes, 1996.) No soneto, o menino e a avezinha, mencionados na primeira estrofe, são comparados, respectivamente,
  1. A)ao eu lírico e a Lise.
  2. B)a Lise e ao eu lírico.
  3. C)ao desatino e ao eu lírico.
  4. D)ao desatino e à liberdade.
  5. E)a Lise e à liberdade.
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