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UNESP20261a faseQuestao 41SociologiaRelações raciais e racismo estruturalMedia
Analise parte da letra da música “Tô ouvindo alguém me chamar”, de Mano Brown, faixa de Sobrevivendo no inferno, álbum lançado em 1997 pelos Racionais MC’s. Nunca mais vi meu irmão Diz que ele pergunta de mim (não sei não) A gente nunca teve muito a ver Outra ideia, outro rolê Os maluco lá do bairro Já falava de revólver, droga, carro Pela janela da classe, eu olhava lá fora A rua me atraía mais do que a escola Fiz dezessete, tinha que sobreviver Agora eu era um homem, tinha que correr No mundão você vale o que tem Eu não podia contar com ninguém [...] fica você com seu sonho de doutô Quando acordar cê me avisa, morô? Eu e meu irmão era como óleo e água Quando eu saí de casa trouxe muita mágoa Isso há mais ou menos seis anos atrás [...]
Meu sobrinho nasceu Diz que o rosto dele é parecido com o meu É, diz... Um pivete eu sempre quis Meu irmão merece ser feliz Deve estar a essa altura Bem perto de fazer a formatura Acho que é direito, advocacia Acho que era isso que ele queria Sinceramente, eu me sinto feliz Graças a Deus, não fez o que eu fiz Minha finada mãe, proteja o seu menino O diabo agora guia o meu destino Se o júri for generoso comigo Quinze anos pra cada latrocínio Sem dinheiro pra me defender [...] (Sobrevivendo no inferno, 2018.) O excerto da letra identifica
A)o reconhecimento da criminalidade como problema de caráter moral nas áreas de grande concentração populacional no Brasil republicano.
B)a denúncia da inexistência de políticas públicas, durante o regime militar brasileiro, voltadas ao acolhimento de jovens negros das periferias das grandes cidades.
C)a constatação dos efeitos do racismo estrutural, surgido na sociedade brasileira após a abolição da escravidão nos anos finais do Segundo Reinado.
D)o contraste entre os padrões normatizados de conduta na sociedade brasileira contemporânea e a marginalização social de parte da população pobre.
E)a supressão, após o fim do regime militar brasileiro, das políticas educacionais e do estímulo ao emprego para a população negra das grandes metrópoles.
Os movimentos sociais em rede, como todos os movimentos sociais da história, trazem a marca de sua sociedade. São amplamente constituídos de indivíduos que convivem confortavelmente com as tecnologias digitais no mundo híbrido da realidade virtual. Seus valores, objetivos e estilo organizacional referem-se diretamente à cultura da autonomia que caracteriza as novas gerações de um novo século. Não poderiam existir sem a internet. Mas seu significado é muito mais profundo. Eles são talhados para o papel de agentes da mudança na sociedade em rede, num contraste agudo com as instituições políticas obsoletas herdadas de uma estrutura social historicamente superada. (Manuel Castells. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet, 2013.) O tipo de movimento social caracterizado no excerto é exemplificado
A)na invasão russa da Ucrânia, que se concentrou na desmontagem das bases de comunicação digital ucranianas.
B)nos ataques do Hamas, que capturou pessoas em meio a um festival de música e impediu que elas se comunicassem com parentes.
C)na recente lei brasileira que proibiu o uso de celulares por estudantes nas escolas de educação básica e ensino superior.
D)no Occupy Wall Street, que reuniu investidores do mercado financeiro numa campanha de arrecadação de fundos pela internet.
E)na Primavera Árabe, que ocorreu em diversos países e recorreu à circulação ágil de mensagens por redes sociais.
UNESP20261a faseQuestao 49SociologiaCiência, tecnologia e sociedadeMedia
Analise os recortes dos webstories publicados pela revista Exame sobre uma tendência (trend) que se espalhou nas redes sociais em 2025: o uso da inteligência artificial para gerar imagens que copiam a estética de um estúdio de animação japonês, o Studio Ghibli.
(https://exame.com, 05.04.2025. Adaptado.) Problematizado pelos webstories, o uso da inteligência artificial para a geração de imagens permite o debate sobre a
Imagens anexadas
A)flexibilização dos direitos autorais em serviços que degradam a natureza, como no caso dos produtos que consomem recursos hídricos em sua produção.
B)alienação dos consumidores de bens e serviços sobre processos produtivos, como no caso do uso de recursos hídricos.
C)lei da oferta e da procura no estabelecimento de preços aos consumidores, como o praticado no uso de recursos hídricos.
D)imprecisão das informações na internet sobre impactos ambientais, como os dados que expressam o reduzido consumo de recursos hídricos pela população.
E)oferta de serviços públicos para garantir a sustentabilidade do setor digital, como o uso racional de recursos hídricos nas linhas de produção.
Se antes a informação era um produto comercializado pelas grandes instituições e emissoras, agora é também feita pelos indivíduos. Cada usuário das redes sociais se configura como um grande emissor; cada indivíduo se torna uma mídia poderosa. No entanto, repete-se a fórmula na qual a relevância das informações está vinculada não ao seu potencial emancipatório, mas à audiência que é capaz de gerar (entendida como o número de compartilhamentos, seguidores, tempo de permanência). Enquanto não se desenvolver uma cultura crítica do uso dos meios em benefício da libertação humana, os meios digitais se parecerão, cada vez mais, com os meios de comunicação de massa. A massificação se torna remassificação. (Patricio Dugnani. “Meios de Comunicação de Massa e Meios Digitais: remassificação e internetilização”. In: Anagramas Rumbos y Sentidos de la Comunicación, 2024. Adaptado.) O excerto revela que a comunicação contemporânea mantém traços centrais dos conceitos de indústria cultural, teorizados pela Escola de Frankfurt, que podem ser identificados a partir da
A)reprodução da alienação em favor de interesses hegemônicos.
B)neutralização da função ideológica dos dispositivos midiáticos.
C)consolidação de uma esfera pública digital voltada à emancipação do indivíduo.
D)valorização da linguagem digital como forma de autonomia simbólica.
E)reconfiguração estética das mídias voltada à legitimação democrática.
UNESP20261a faseQuestao 60SociologiaTecnologia e relações sociaisMedia
Leia o trecho de uma entrevista concedida por Tarcízio Silva, autor do livro Racismo Algorítmico: mídia, inteligência artificial e discriminação nas redes digitais. Quais os impactos do racismo algorítmico, principalmente em relação a minorias raciais no Brasil e no mundo? — As tecnologias digitais possuem dualidades que podem pender para a opressão em sociedades marcadas pelas desigualdades. Manifestações mais individualizadas do racismo algorítmico podem acontecer em quase todas as esferas da vida e são cada vez mais mediadas por tecnologias digitais como plataformas, aplicativos e sistemas de classificação e ranqueamento. Assim, a mediação algorítmica de decisões em áreas como serviços públicos, liberdade de expressão, trabalho, remuneração, segurança e até acesso à saúde pode aumentar as disparidades já conhecidas socialmente.
Seria o racismo algorítmico apenas uma consequência do racismo estrutural? — O racismo algorítmico é uma espécie de atualização do racismo estrutural. Nesse contexto, o desenvolvimento de tecnologias algorítmicas se alimenta do histórico social para oferecer uma pretensa inteligência artificial, ou seja, que, na verdade, é comprometida com o patriarcado e o colonialismo. Essa desinteligência artificial atualiza opressões como o racismo estrutural. (Daiane Batista. “Tarcízio Silva: ‘O racismo algorítmico é uma espécie de atualização do racismo estrutural’”. https://cee.fiocruz.br, 30.03.2023. Adaptado.) Com base nas respostas de Tarcízio Silva, compreender o racismo algorítmico como uma forma atualizada de racismo estrutural implica reconhecer que
A)a falta de domínio técnico sobre algoritmos justifica efeitos desiguais.
B)os dados imparciais podem corrigir desigualdades históricas.
C)os vieses algorítmicos são falhas técnicas facilmente ajustáveis.
D)o avanço tecnológico auxilia na superação dos conflitos sociais.
E)as estruturas de dominação são preservadas sob aparência neutra.
UNESP20251a faseQuestao 56SociologiaQuestão ambiental e sociedadeMedia
Projeção de mortes por excesso de calor, segundo medidas de adaptação climática
(www.letrasambientais.org.br, 19.11.2023.) Chamamos de racismo ambiental as injustiças sociais e ambientais que recaem de forma implacável sobre grupos étnicos vulnerabilizados e sobre outras comunidades, discriminadas por sua “raça”, origem ou cor. O racismo ambiental não se configura apenas por meio de ações que tenham uma intenção racista, mas igualmente por meio de ações que tenham impacto racial, não obstante a intenção que lhes tenha dado origem. (Tania Pacheco. https://racismoambiental.net.br, 2007. Adaptado.)
O gráfico e o conceito apresentados no excerto dialogam sobre o impacto ambiental resultante
Imagens anexadas
A)da ausência de organizações ambientais internacionais.
B)da escassez de políticas de acesso a oportunidades de bem-estar social.
C)do negacionismo científico expresso por grupos minoritários.
D)da supressão dos investimentos em campanhas de conscientização.
E)do baixo lucro de empresas de economia verde.
UNESP20251a faseQuestao 57SociologiaCidadania e espaço urbanoMedia
“Arquitetura hostil” refere-se a estratégias de design urbano que utilizam elementos para restringir certos comportamentos nos espaços públicos, dificultando o acesso e a presença de pessoas, especialmente pessoas em situação de rua. [...] Segundo o historiador especializado em arquitetura Iain Borden, [...] a emergência deste estilo de arquitetura hostil data da década de 1990, nas gestões de um desenho urbano que sugere, segundo suas palavras, “que só somos cidadãos se estamos trabalhando ou consumindo bens diretamente”. (Juliana Sayuri. www.nexojornal.com.br, 28.12.2023.) O excerto retrata um fenômeno social brasileiro que representa
A)a reformulação de mecanismos de democratização do espaço público.
B)a manutenção da cultura de estranhamento e de segregação.
C)o fortalecimento do viés tradicional do exercício da cidadania.
D)o desafio de políticas públicas para a garantia de emprego formal.
E)a anulação da oportunidade de socialização entre indivíduos.
UNESP20241a faseQuestao 33SociologiaCultura e visões de mundoMedia
O mundo natural é o concreto, que tocamos, sentimos, no qual vivemos. O mundo social é resultado da nossa vida em grupo e em determinado meio ambiente. O mundo sobrenatural é o das religiões, da magia, ao qual os homens só têm acesso parcial, por meio de determinados ritos e cerimônias. Ele é mais ou menos importante, dependendo da sociedade. Numa sociedade como a nossa, na qual quase tudo é explicado pela ciência e pelo pensamento lógico e racional, o espaço do sobrenatural é bastante limitado. Já nas sociedades africanas, onde foram capturados os escravizados trazidos para o Brasil, toda a vida na terra estava ligada ao além, a dimensões que só conhecedores dos ritos e objetos sacralizados podiam atingir. (Marina de Mello e Souza. África e Brasil africano, 2007. Adaptado.) Ao comparar o pensamento lógico predominante no Ocidente contemporâneo com as mentalidades das sociedades africanas de onde foi proveniente a maioria das pessoas trazidas ao Brasil como escravizadas, o excerto
A)critica a relativização dos valores morais e religiosos nas sociedades africanas e europeias no período do tráfico de escravizados.
B)identifica o descompasso entre o primitivismo dos povos africanos e o avanço civilizatório da Europa colonizadora.
C)caracteriza duas percepções de mundo, enfatizando sua diferença na relação com as dimensões míticas e sagradas.
D)distingue dois modelos de pensamento, sustentando a superioridade daquele que é movido pelo esforço racional.
E)valoriza a religiosidade do mundo atual, destacando a centralidade das crenças e das práticas religiosas cotidianas.
UNESP20241a faseQuestao 40SociologiaIdentidade e culturaDificil
Era a Índia que nos sustentava nas dificuldades de nossas circunstâncias. Era um aspecto de nossa identidade, da identidade comum que tínhamos desenvolvido e que, na Trinidad multirracial, se tornara uma identidade racial. Era essa a identidade que eu levara para a Índia em minha primeira visita em 1962. Ao chegar, percebi que isso nada significava na Índia. A ideia de uma comunidade indiana — na verdade uma ideia europeia de nossa identidade indiana — apenas tinha sentido quando a comunidade era muito pequena, minoritária e isolada. Na torrente da Índia, com suas centenas de milhões, onde a ameaça eram o caos e o vazio, essa noção europeia em nada ajudava. (V.S. Naipaul. Índia: um milhão de motins agora, 1997.) O excerto traz o relato de um escritor de ascendência indiana, nascido em Trinidad e Tobago, quando de sua primeira viagem para a Índia. Segundo ele, há
A)um impasse sociopolítico na Índia atual, pois o país teve um passado glorioso, mas não conseguiu se reorganizar política e economicamente após o fim do domínio colonial britânico sobre a região.
B)uma continuidade entre a Índia do período de colonização europeia e a Índia independente, pois os indianos que vivem dentro e fora do país sentem-se pertencentes ao mesmo grupo nacional-identitário.
C)uma identidade comum de origem religiosa, que se manifesta de maneira igual no conjunto de indianos que vivem na Índia e nas comunidades de descendentes de indianos organizadas em outros países.
D)um descompasso entre a percepção da Índia que se tem de fora do país asiático, e que é afetada por valores nacionais de origem europeia, e a percepção que os próprios indianos têm de seus vínculos sociais.
E)uma ruptura entre o passado histórico indiano, que se associa ao domínio político-militar que o país exerceu sobre o subcontinente asiático, e o presente de superpopulação provocada pela colonização europeia.
UNESP20241a faseQuestao 58SociologiaTecnologia e sociedadeMedia
A emergência do ChatGPT, chatbot (software capaz de simular a conversação humana) desenvolvido pela OpenAI, chamou a atenção internacional. Essa nova ferramenta de inteligência artificial pode revolucionar um leque extremamente amplo de atividades humanas, mas não deixou de despertar também um considerável número de preocupações entre especialistas de tecnologia. O ChatGPT é capaz de entender a linguagem humana natural e gerar uma resposta semelhante ao fruto do intelecto humano após receber um pedido. A ferramenta ganhou destaque pelo nível extremamente refinado de suas respostas.
(Luca Belli e Nina da Hora. “ChatGPT: o que anima e o que assusta na nova inteligência artificial”. Folha de S.Paulo, 20.01.2023. Adaptado.) Diante do cenário descrito no excerto, a utilização da nova tecnologia de maneira eticamente responsável requer a
A)livre concorrência para disputa comercial entre empresas privadas.
B)massificação de dispositivos de tecnologias de linguagem natural.
C)promoção de campanhas sobre os prejuízos do uso desse tipo de software.
D)permissão de acesso a assinantes dessa ferramenta devidamente identificados.
E)censura estatal do avanço de programas de inteligência artificial.
UNESP20241a faseQuestao 59SociologiaMundo do trabalhoMedia
A uberização nomeia um novo tipo de gestão e controle da força de trabalho, também compreendida como uma tendência passível de se generalizar no âmbito das relações de trabalho. […] Resultando das formas contemporâneas de eliminação de direitos, transferência de riscos e custos para os trabalhadores e novos arranjos produtivos, ela em alguma medida sintetiza processos em curso há décadas, ao mesmo tempo em que se apresenta como tendência para o futuro do trabalho. O tema ganha visibilidade com a formação de enormes contingentes de trabalhadores controlados por empresas que operam por meio de plataformas digitais.
(Ludmila Costhek Abílio et al. “Uberização e plataformização do trabalho no Brasil: conceitos, processos e formas”. Sociologias, 2021.) O excerto aborda as novas relações trabalhistas mediadas por plataformas digitais. Com tais relações, nos próximos anos o futuro do trabalho será definido pela
A)autogestão do trabalhador na relação com grandes empresas.
B)queda na geração de vagas no setor informal.
C)persistência de mecanismos de exploração.
D)extinção de postos de serviço no setor primário.
E)flexibilidade na jornada de trabalho do profissional não autônomo.
UNESP20231a faseQuestao 41SociologiaGênero e raçaDificil
Nenhum grupo de mulheres brancas conheceu melhor a diferença entre seu próprio status e o status das mulheres negras do que o grupo de mulheres brancas politicamente conscientes e ativistas na luta pelos direitos civis. Ainda assim, várias dessas mulheres deslocaram-se das lutas pelos direitos civis para as lutas pela libertação da mulher e lideraram um movimento feminista em que suprimiram e negaram a consciência sobre as diferenças que viram e ouviram. Elas entraram para o movimento feminista apagando e negando a diferença, sem pensar em raça e gênero juntos, mas eliminando raça do cenário. (bell hooks. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras, 2018. Adaptado.) Ao abordar aspectos do Movimento pelos Direitos Civis nos Estados Unidos da década de 1960, o excerto
A)aponta o insucesso das reivindicações de igualdade de raça e gênero e a persistência de padrões históricos de desigualdade na sociedade norte-americana.
B)lamenta a ausência de uma história de mobilizações feministas e negras e de uma disposição das mulheres brancas para atuar em defesa das conquistas de direitos sociais.
C)identifica a ocorrência em paralelo de ações afirmativas das mulheres e dos negros e a falta de conexão entre esses dois campos de reivindicação de direitos.
D)caracteriza a mudança radical por que passou a sociedade norte-americana no período e o nascimento de interconexões entre os movimentos negro e feminista.
E)enfatiza a importância da estratégia política do ativismo feminista e sua influência sobre as mobilizações posteriores de reivindicação de direitos da população negra.
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