Uma amostra das questões. Crie uma conta para resolver todas com correção e comentário.
UNIOESTE20251a faseQuestao 19FilosofiaMediaNo primeiro livro de sua Metafísica, Aristóteles afirma que os seres humanos munidos de experiência (empeiría) apresentam menos sabedoria que os munidos de arte (tekhne, saber técnico); os primeiros fazem o que fazem por hábito, mas sem conhecer as causas; os segundos, porém, fazem devido ao conhecimento das causas e, por isso, podem ensinar – característica que os distingue notavelmente.
Aplicando esse raciocínio às intenções da metafísica ou “filosofia primeira” aristotélica, assinale a alternativa CORRETA.
- A)O conhecimento dos primeiros princípios e causas do ser é característico dos seres humanos vinculados à experiência.
- B)O conhecimento habitual é característico apenas dos seres humanos vinculados à arte.
- C)A filosofia primeira é o estudo das sensações.
- D)A filosofia primeira é a investigação das causas e princípios primeiros.
- E)A sabedoria provém do hábito, e por isso a experiência fundamenta a educação pelas causas.
UNIOESTE20251a faseQuestao 20FilosofiaMediaMarcelo Perine, em seu artigo “Mito e filosofia” (Revista PHILÓSOPHOS, 2002.2, Goiânia-GO: UFG, 2002, p. 35-56), explicando as diferenças e o caminho que segue do mito ao pensamento filosófico afirma que “o mito, embora surgindo num universo pré-categorial e estático, prepara, na sua evolução, o advento do universo categorial e formalizado [pensamento filosófico], por causa de uma espécie de dialética interna. Ao mesmo tempo em que evoca uma realidade, ele mesmo não se esgota e não a esgota, (...). O sentido de totalidade a que o mito se refere é constitutivo do próprio ser humano”.
Com base no trecho acima, assinale a alternativa INCORRETA.
- A)A filosofia, ainda que estabeleça relação de concorrência com o mito, mantém com ele afinidade intrínseca.
- B)O mito, como o pensamento filosófico, almeja dizer um sentido de totalidade que caracteriza o ser humano.
- C)Por sua afinidade intrínseca, mito e filosofia se atêm a um universo pré-categorial e estático.
- D)O discurso mítico se caracteriza por surgir em
meio a figurações não formalizadas.
- E)O discurso filosófico se caracteriza como âmbito categorial formalizado.
UNIOESTE20251a faseQuestao 21FilosofiaMediaLocke, em Ensaio acerca do entendimento humano (5ª ed, 1706), Livro II, Capítulo I, escreve sobre a origem de nosso conhecimento:
Suponhamos, pois, que a mente é, como dissemos, um papel branco, desprovida de todos os caracteres, sem quaisquer ideias; como ela será suprida? (...) De onde apreende todos os materiais da razão e do conhecimento? A isso respondo, numa palavra, da experiência. Todo o nosso conhecimento está nela fundado, e dela deriva fundamentalmente o próprio conhecimento. (...) Afirmo que estas duas, a saber, as coisas materiais externas, como objeto da sensação, e as operações de nossas próprias mentes, como objeto da reflexão, são, a meu ver, os únicos dados originais dos quais as ideias derivam. LOCKE, Ensaio acerca do entendimento humano. São Paulo: Abril Cultural, 1973.
Com base no texto acima e na definição de ideia como conteúdo mental, assinale a alternativa CORRETA.
- A)A nossa mente possui, desde o nascimento, as ideias verdadeiras.
- B)Experiência é apenas a sensação dos objetos externos.
- C)Apenas a reflexão nos fornece conteúdo para a constituição de ideias.
- D)As sensações apenas nos atrapalham no processo de obtenção de ideias.
- E)A origem do conhecimento está na experiência, que é dupla: experiência externa (sensações) e experiência interna (reflexões).
UNIOESTE20251a faseQuestao 22FilosofiaMediaPode vir o dia em que o resto da criação animal adquira aqueles direitos que nunca lhes deveriam ter sido tirados, se não fosse por tirania. […] Pode chegar o dia em que se reconhecerá que o número de pernas, a pele peluda, ou a extremidade do os sacrum [estrutura óssea] constituem razões igualmente insuficientes para abandonar um ser sensível à mesma sorte. Que outro fator poderia demarcar a linha divisória que distingue os homens dos outros animais? Seria a faculdade de raciocinar, ou talvez a de falar? Todavia, um cavalo ou um cão adulto é incomparavelmente mais racional e mais social e educado que um bebê de um dia, ou de uma semana, ou mesmo de um mês. Entretanto, suponhamos que o caso fosse outro: mesmo nesta hipótese, que se demonstraria com isso? O problema não consiste em saber se os animais podem raciocinar; tampouco interessa se falam ou não; o verdadeiro problema é este: podem eles sofrer? BENTHAM, Jeremy, Princípios da moral e da legislação, trad. Luiz João Baraúna. São Paulo: Abril Cultural, Os Pensadores, 1974, p. 69.
No trecho citado, temos o exemplo da crítica que um precursor do utilitarismo clássico, como Jeremy Bentham, faz ao modo como os seres humanos tratam os interesses dos animais não-humanos. Para essa vertente do pensamento ético, que ganhará notoriedade na contemporaneidade com Peter Singer, a senciência (capacidade de sentir prazer ou dor) assegura que um ser possui interesses e, portanto, tem direito à vida. Sobre essa preocupação ética com os direitos dos animais sencientes, assinale a alternativa CORRETA.
- A)Seres humanos são os únicos seres sencientes na natureza.
- B)Apenas seres racionais devem ser objeto de preocupação ética.
- C)Cavalos e cães adultos têm mais direito à vida do que bebês humanos.
- D)Animais humanos e não-humanos sencientes partem do mesmo princípio da igual consideração de interesses.
- E)Animais humanos e não-humanos que possuem a capacidade de raciocinar possuem iguais interesses morais.
UNIOESTE20251a faseQuestao 23FilosofiaMedia(…) para resolver de maneira mais curta e mais segura o problema de saber se uma promessa mentirosa é conforme ao dever, preciso só de perguntar a mim mesmo: – Ficaria eu satisfeito de ver a minha máxima (de me tirar de apuros por meio de uma promessa não verdadeira) tomar o valor de lei universal (tanto para mim como para os outros)? E poderia eu dizer a mim mesmo – Toda a gente pode fazer uma promessa mentirosa quando se acha numa dificuldade de que não pode sair de outra maneira? KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes, trad. Paulo Quintela, Lisboa: Edições 70, pp. 35-6.
A citação diz respeito a uma das formulações do Imperativo Categórico apresentado por Immanuel Kant. Assinale a alternativa que corresponde CORRETAMENTE a tal imperativo.
- A)“Aja de tal modo que a tua máxima possa se converter em lei universal”.
- B)“Dentre os males, escolha o menor”.
- C)“Faz o que tu queres, há de ser tudo da Lei”.
- D)“Para atingir um específico, aja desta ou daquela maneira”.
- E)“Uma ação é correta se é orientada por uma regra que traz mais consequências boas que más”.
UNIOESTE20251a faseQuestao 24FilosofiaMediaOutro dia fiz um comentário público de que a ideia de sustentabilidade era uma vaidade pessoal, e isso irritou muitas pessoas. Disseram que eu estava fazendo uma afirmação que desorganizava uma série de iniciativas que tinham como propósito educar as pessoas sobre o gasto excessivo de tudo. Eu concordo que precisamos nos educar sobre isso, mas não é inventando o mito da sustentabilidade que nós vamos avançar. […] eu não vou me salvar sozinho de nada, estamos todos enrascados. E, quando eu percebo que sozinho não faço a diferença, me abro para outras perspectivas. É dessa afetação pelos outros que pode sair uma outra compreensão sobre a vida na Terra. KRENAK, Ailton. A vida não é útil. São Paulo: Editora Schwarcz, 2020.
Com base no pensamento do líder indígena Ailton Krenak e com base em seus conhecimentos sobre política e cultura dos povos indígenas, assinale a alternativa CORRETA.
- A)Os povos indígenas não se interessam por iniciativas de desenvolvimento sustentável do planeta.
- B)A mudança de comportamento de um indivíduo é suficiente para a preservação da natureza.
- C)A redução do consumo de recursos naturais não é suficiente para mudar a relação dos seres humanos com a vida na Terra.
- D)A preocupação dos povos indígenas com relação à preservação da natureza é uma questão de vaidade pessoal.
- E)É preciso educar as pessoas para que consumam mais recursos naturais do planeta terra.
UNIOESTE20251a faseQuestao 25FilosofiaMediaAristóteles, em Poética, Livro VII, seção 44, apresenta uma definição de belo:
(...) o belo – ser vivente ou o que quer que se componha de partes – não só deve ter essas partes ordenadas, mas também uma grandeza que não seja qualquer. Porque o belo consiste na grandeza e na ordem, e portanto um organismo vivente, pequeníssimo, não poderia ser belo (pois a visão é confusa quando se olha por tempo quase imperceptível); e também não seria belo, grandíssimo (porque faltaria a visão do conjunto, escapando à vista dos espectadores a unidade e a totalidade); imagine-se, por exemplo, um animal de dez mil estádios [muitos milhares de metros]. (...) os corpos e os organismos viventes devem possuir uma grandeza, e esta bem perceptível como um todo. ARISTÓTELES. Poética. Nova Cultural, 1991. Considerando o texto, assinale a alternativa CORRETA.
- A)O sentido da visão não é importante para a percepção do belo.
- B)Apenas os seres vivos são belos.
- C)O tamanho de um objeto não define se ele é belo ou não.
- D)O belo é resultado da ordenação e da proporcionalidade das partes, de tal modo que o objeto possa ser apreciado visualmente.
- E)Quanto menor o objeto mais belo ele é.
UNIOESTE20251a faseQuestao 26FilosofiaMediaSobre a concepção de ciência em Karl Popper, Chalmers nos diz:
Um elemento essencial na construção do falseacionismo de Popper é a ideia do conteúdo empírico de uma teoria. Segundo Popper, na ciência buscamos teorias de grande conteúdo empírico; determinada mudança de teoria estará em andamento se a nova teoria aceita tiver conteúdo empírico maior do que sua predecessora. (...) Popper (A lógica da investigação científica) define o conteúdo empírico de uma teoria como a classe de seus falseadores potenciais. Um falseador potencial é uma combinação de afirmações sobre a observação (...) que entra em conflito com a teoria. Chalmers, Alan. A fabricação da ciência. UNESP, 1994, tradução adaptada.
Com base no texto acima e na filosofia da ciência de Popper apresentada em A lógica da investigação científica, assinale a alternativa INCORRETA.
- A)A atividade científica se caracteriza por tentar demonstrar a verdade de uma teoria.
- B)Uma teoria, para ser científica, deve ser passível de ser falseada.
- C)O falseamento potencial de uma teoria envolve o
desacordo entre a previsão dessa teoria e o resultado experimental.
- D)Uma teoria descreve melhor a realidade, ou seja, seu teor científico é maior, se seu conteúdo empírico for maior.
- E)Na filosofia da ciência de Popper, podemos apenas ter certeza da falsidade de uma teoria, mas não de sua verdade.
UNIOESTE20251a faseQuestao 27FilosofiaMediaA dedução lógica ou silogismo é o argumento cuja conclusão é inferida necessariamente de duas premissas, ocorrendo a ligação de dois termos por meio de um terceiro. Se o silogismo estiver formalmente correto e as duas premissas forem verdadeiras, a conclusão será necessariamente verdadeira. Veja o exemplo, no qual o termo médio é “homem”:
(Premissa Maior) Todos os homens são mortais. (Premissa Menor) Sócrates é homem. ---------------------------------------------------------- (Conclusão) Portanto, Sócrates é mortal
Sobre o silogismo, assinale a alternativa INCORRETA.
- A)Embora seja um argumento rigoroso, o silogismo não traz de fato um conhecimento novo, já que as informações estão contidas nas premissas.
- B)“Homem” é o termo médio nesse silogismo porque seu grau de universalidade é intermediário entre “ser mortal” e o indivíduo “Sócrates”.
- C)Se o silogismo estiver formalmente correto, a conclusão será sempre verdadeira, independentemente da verdade das premissas.
- D)A Premissa Maior tem esse nome porque é constituída pela proposição de maior grau de universalidade.
- E)Ao contrário da dedução, a indução é um argumento em que, a partir de dados singulares, obtém-se uma inferência universal.
UNIOESTE20241a faseQuestao 19FilosofiaMediaEm um texto de suas Preleções sobre a História da Filosofia, o filósofo alemão Hegel (1770-1831) afirma:
I Que a proposição fundamental daquele que é considerado o primeiro filósofo, Tales de Mileto, é filosófica porque afirma a unidade da totalidade dos seres; II Que essa afirmação da unidade do Todo se distingue do discurso homérico, marcado pelos mitos, porque em Homero supõem-se muitas realidades e princípios, sem unidade clara; III Que o erro da proposição de Tales está em nomear e entender a unidade absoluta como água, já que água é um dos seres, e não o princípio universal (arkhé).
É indiferente que haja ordem ou desordem no visto, mas o critério para essa ordenação ou para a desordem, ou seja, a possibilidade mesma de que o múltiplo intuído (o “visto imediatamente”) tenha alguma ordem é uma representação prévia ao intuído, que lhe dá forma.
A partir do que se disse, é INCORRETO afirmar.
- A)“Arkhé” indica o princípio fundamental da totalidade dos seres.
- B)Hegel entende a filosofia como enunciação da unidade universal do Todo.
- C)Hegel afirma haver um erro básico na formulação de Tales sobre a água ser a unidade do Todo; por isso, a proposição é, segundo sua leitura, ainda mítica.
- D)Homero não é propriamente um filósofo; ele não afirma a arkhé universal.
- E)A forma da proposição de Tales sobre a água padece do equívoco de tomar um dos seres como a arkhé.
UNIOESTE20241a faseQuestao 20FilosofiaMediaA suposta teoria dos dois mundos diz que, ao diferenciar dóxa [opinião] e epistéme [conhecimento], no final do livro V [do diálogo República], é justificado dizer que Platão propõe uma visão que implica compreender a realidade como cindida entre duas totalidades paralelas: o mundo das aparências e o mundo das ideias. MARQUES, Marcelo Pimenta. “Contra a teoria dos dois mundos na filosofia de Platão (República V 476e-478e)” In CONTE, J. & BAUSCHWITZ,O.F. (orgs). O QUE É METAFÍSICA?, Atas do III Colóquio Internacional de Metafísica. Natal, RN: Ed.UFRN, 20l1.
Contra essa interpretação tradicional, porém, Marcelo Pimenta conclui que, “no caso do livro V da República, na participação entre coisas múltiplas visíveis e Formas inteligíveis, podemos dizer que a Forma participada é o que é, existe, tem sua determinação total e é causa da determinação maior ou menor de outros seres; mas também as coisas que aparecem são o que são; elas não são menos que as Formas, não têm menos “quantidade” de ser; elas são de modo diferente, ou seja, existem e são menos determinadas, têm um grau menor de determinação, do que quer que sejam. A meu ver, essa compreensão articulada pode e deve nos levar a rejeitar a tal doutrina dualista e a nos posicionarmos contra a teoria dos dois mundos na filosofia de Platão”.
Considerando seus conhecimentos em filosofia e a posição da interpretação enunciada acima, assinale a alternativa INCORRETA.
- A)Marcelo Pimenta Marques se posiciona contrariamente à separação entre mundo sensível e mundo das Formas (Ideias) em Platão.
- B)A teoria dos dois mundos afirma que as Formas (Ideias) pertenceriam a uma totalidade paralela à do mundo das aparências.
- C)As aparências, segundo o autor do artigo, têm menos determinação que as Formas (Ideias), porém não menor realidade.
- D)As Formas (Ideias) dão causa à determinação dos seres, em diversos graus.
- E)O que distingue o mundo sensível, constituído pelo que Platão nomeia “aparências”, do mundo das Formas (Ideias) é a quantidade de ser, segundo Pimenta Marques.
UNIOESTE20241a faseQuestao 21FilosofiaMediaComo a moral, portanto, tem uma influência sobre as ações e os afetos, segue-se que não pode ser derivada da razão, porque a razão sozinha, como já provamos, nunca poderia ter tal influência. A moral desperta paixões, e produz ou impede ações. A razão, por si só, é inteiramente impotente quanto a esse aspecto. As regras da moral, portanto, não são conclusões da razão. HUME, David. Tratado sobre a natureza humana. São Paulo: Edunesp, 2009, p. 497.
Sobre a teoria do sentimento moral de David Hume é INCORRETO afirmar.
- A)A razão é escrava das paixões.
- B)A teoria moral de Hume privilegia os sentimentos em detrimento da razão.
- C)O agir moral depende de princípios racionais bem fundamentados.
- D)As regras da moral não provêm da razão.
- E)Nossas paixões e sentimentos influenciam diretamente o nosso agir.