Literatura contemporânea · ENEM

Literatura contemporânea: questões do ENEM

16 questões de Literatura contemporânea (Português) no ENEM (2016–2025). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Literatura contemporânea no ENEM

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ENEM2025Fase unicaQuestao 21PortuguêsLiteratura contemporâneaMedia
O meu medo é entrar na faculdade e tirar zero eu que nunca fui bom de matemática fraco no inglês eu que nunca gostei de química geografia e português o que é que eu faço agora hein mãe não sei. [...] O meu medo é a vida piorar e eu não conseguir arranjar emprego nem de faxineiro nem de porteiro nem de ajudante de pedreiro e o pessoal dizer que o governo já fez o que pôde já pôde o que fez já deu a sua cota de participação hein mãe não sei. O meu medo é que mesmo com diploma debaixo do braço andando por aí desiludido e desempregado o policial me olhe de cara feia e eu acabe fazendo uma burrice sei lá uma besteira será que eu vou ter direito a uma cela especial hein mãe não sei. FREIRE, M. Contos negreiros. Rio de Janeiro: Record, 2005. Nesse texto, a reiteração dos medos e das angústias do narrador exprime
  1. A)inseguranças sobre o futuro familiar.
  2. B)dilemas resultantes de seu fracasso escolar.
  3. C)incertezas centradas em sua condição social.
  4. D)hesitações em relação à sua formação profissional.
  5. E)preocupações com as políticas públicas assistenciais.
ENEM2025Fase unicaQuestao 29PortuguêsLiteratura contemporâneaDificil
Só entende os corações desse lugar quem mergulha nesse mar a perder de vista e recoberto de cana caiana, cana fita, cana roxa, cana-de-macaco, açúcar, melado, rapadura, aguardente, fumo, mandioca, quiabos, pimentas, moendas, frutas, fruta-pão, sobrados, senzalas, tachos, casa de purgar. Um reino dentro de outro, com tudo o que se tem direito: reis, rainhas, príncipes e princesas, bobos da corte, cortesãos, conselheiros e escravos, muitos escravos. […] A corte do massapé, como qualquer outra na história da humanidade, fazia tudo para não deixar escapar nenhum mísero grão dos seus domínios para quem estivesse de fora do seu apertado círculo. Os nomes se repetiam de pai para filho, para sobrinho, para netos e bisnetos, de forma concêntrica e repetitiva, para que não pairasse nenhuma dúvida de que são todos da mesma parentela. As farinhas todas num mesmo saco brasonado. CRUZ, E. A. Água de barrela. Rio de Janeiro: Malê, 2018. Nesse fragmento, o narrador enumera o resultado do trabalho com a terra, o qual, no contexto em que aparece,
  1. A)espelha a permanência dos privilégios de classe.
  2. B)oferece um panorama da população do campo.
  3. C)mostra os benefícios da fartura na agricultura.
  4. D)defende a importância da atividade coletiva.
  5. E)valoriza o trabalho ao longo das gerações.
ENEM2023Fase unicaQuestao 7PortuguêsLiteratura contemporâneaDificil
Mais iluminada que outras Tenho dois seios, estas duas coxas, duas mãos que me são muito úteis, olhos escuros, estas duas sobrancelhas que preencho com maquiagem comprada por dezenove e noventa e orelhas que não aceitam bijuterias. Este corpo é um corpo faminto, dentado, cruel, capaz e violento. Movo os braços e multidões correm desesperadas. Caminho no escuro com o rosto para baixo, pois cada parte isolada de mim tem sua própria vida e não quero domá-las. Animal da caatinga. Forte demais. Engolidora de espadas e espinhos. Dizem e eu ouvi, mas depois também li, que o estado do Ceará aboliu a escravidão quatro anos antes do restante do país. Todos aqueles corpos que eram trazidos com seus dedos contados, seus calcanhares prontos e seus umbigos em fogo, todos eles foram interrompidos no porto. Um homem — dizem e eu ouvi e depois também li — liderou o levante. E todos esses corpos foram buscar outros incômodos. Foram ser incomodados. ARRAES, J. Redemoinho em dia quente. São Paulo: Alfaguara, 2019. Nesse texto, os recursos expressivos usados pela narradora
  1. A)revelam as marcas da violência de raça e de gênero na construção da identidade.
  2. B)questionam o pioneirismo do estado do Ceará no enfrentamento à escravidão.
  3. C)reproduzem padrões estéticos em busca da valorização da autoestima feminina.
  4. D)sugerem uma atmosfera onírica alinhada ao desejo de resgate da espiritualidade.
  5. E)mimetizam, na paisagem, os corpos transformados pela violência da escravidão.
ENEM2023Fase unicaQuestao 22PortuguêsLiteratura contemporâneaDificil
Alguém muito recentemente cortara o mato, que na época das chuvas crescia e rodeava a casa da mãe de Ponciá Vicêncio e de Luandi. Havia também vestígios de que a terra fora revolvida, como se ali fosse plantar uma pequena roça. Luandi sorriu. A mãe devia estar bastante forte, pois ainda labutava a terra. Cantou alto uma cantiga que aprendera com o pai, quando eles trabalhavam na terra dos brancos. Era uma canção que os negros mais velhos ensinavam aos mais novos. Eles diziam ser uma cantiga de voltar, que os homens, lá na África, entoavam sempre, quando estavam regressando da pesca, da caça ou de algum lugar. O pai de Luandi, no dia em que queria agradar à mulher, costumava entoar aquela cantiga ao se aproximar de casa. Luandi não entendia as palavras do canto; sabia, porém, que era uma língua que alguns negros falavam ainda, principalmente os velhos. Era uma cantiga alegre. Luandi, além de cantar, acompanhava o ritmo batendo com as palmas das mãos em um atabaque imaginário. Estava de regresso à terra. Voltava em casa. Chegava cantando, dançando a doce e vitoriosa cantiga de regressar. EVARISTO, C. Ponciá Vicêncio. Rio de Janeiro: Pallas, 2018. A leitura do texto permite reconhecer a “cantiga de voltar” como patrimônio linguístico que
  1. A)representa a memória de uma língua africana extinta.
  2. B)exalta a rotina executada por jovens afrodescendentes.
  3. C)preserva a ancestralidade africana por meio da tradição oral.
  4. D)resgata a musicalidade africana por meio de palavras inteligíveis.
  5. E)remonta à tristeza dos negros mais velhos com saudade da África.
ENEM2023Fase unicaQuestao 25PortuguêsLiteratura contemporâneaDificil
Passado muito tempo, resolvi tentar falar, porque estava sozinha me embrenhando na mesma vereda que Donana costumava entrar. Ainda recordo da palavra que escolhi: arado. Me deleitava vendo meu pai conduzindo o arado velho da fazenda carregado pelo boi, rasgando a terra para depois lançar grãos de arroz em torrões marrons e vermelhos revolvidos. Gostava do som redondo, fácil e ruidoso que tinha ao ser enunciado. “Vou trabalhar no arado.” “Vou arar a terra.” “Seria bom ter um arado novo, esse arado tá troncho e velho.” O som que deixou minha boca era uma aberração, uma desordem, como se no lugar do pedaço perdido da língua tivesse um ovo quente. Era um arado torto, deformado, que penetrava a terra de tal forma a deixá-la infértil, destruída, dilacerada. VIEIRA JR., I. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019. Com a perda de parte da língua na infância, a narradora tenta voltar a falar. Essa tentativa revela uma experiência que
  1. A)reflete o olhar do pai sobre as etapas do plantio.
  2. B)metaforiza a linguagem como ferramenta de lavoura.
  3. C)explicita, na busca pela palavra, o medo da solidão.
  4. D)confirma a frustração da narradora com relação à terra.
  5. E)sugere, na ausência da linguagem, a estagnação do tempo.
ENEM2023Fase unicaQuestao 30PortuguêsLiteratura contemporâneaDificil
Enquanto estivemos entretidos com os urubus outras coisas andaram acontecendo na cidade. A Companhia baixou novas proibições, umas inteiramente bobocas, só pelo prazer de proibir (ninguém podia cuspir pra cima, nem carregar água em jacá, nem tapar o sol com peneira, como se todo mundo estivesse abusando dessas esquisitices); mas outras bem irritantes, como a de pular muro pra cortar caminho, tática que quase todo mundo que não sofria de reumatismo vinha adotando ultimamente, principalmente os meninos. E não confiando na proibição só, nem na força dos castigos, que eram rigorosos, a Companhia ainda mandou fincar cacos de garrafa nos muros. Achei isso um exagero, e comentei o assunto com mamãe. Meu pai ouviu lá do quarto e veio explicar. Disse que em épocas normais bastava uma coisa ou outra; mas agora a Companhia não podia admitir nenhuma brecha em suas ordens; se alguém desobedecesse à proibição podia se cortar nos cacos; se alguém conseguisse pular um muro quebrando o corte de alguns cacos, ou jogando um couro por cima, era apanhado pela proibição, nhoc — e fez o gesto de quem torce o pescoço de um frango. VEIGA, J. J. Sombras de reis barbudos. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. Sob a perspectiva do menino que narra, os fatos ficcionais oferecem um esboço do momento político vigente na década de 1970, aqui representado pelo
  1. A)culto ao medo, infiltrado em situações do cotidiano.
  2. B)sentimento de dúvida quanto à veracidade das informações.
  3. C)ambiente de sonho, delineado por imagens perturbadoras.
  4. D)incentivo ao desenvolvimento econômico com a iniciativa privada.
  5. E)espaço urbano marcado por uma política de isolamento das crianças.
ENEM2023Fase unicaQuestao 31PortuguêsLiteratura contemporâneaDificil
Migalhas Entre a toalha branca e um bule de café seria inapropriado dizer eu não te amo mais. Era necessário algo mais solene, um jardim japonês para as perdas pensadas, um noturno de tempestade para arrebentar de dor, uma praia de pedras para chorar em silêncio, uma cama alta para o incenso da despedida, uma janela dando para o abismo. No entanto você abaixa os olhos e recolhe lentamente as migalhas de pão sobre a mesa posta para dois. MARQUES, A. M. A vida submarina. São Paulo: Cia. das Letras, 2021. Nesse poema, a representação do sentimento amoroso recupera a tradição lírica, mas se ajusta à visão contemporânea ao
  1. A)invocar o interlocutor para uma tomada de posição.
  2. B)questionar a validade do envolvimento romântico.
  3. C)diluir em banalidade a comoção de um amor frustrado.
  4. D)transformar em paz as emoções conflituosas do casal.
  5. E)condicionar a existência da paixão a espaços idealizados.
ENEM2022Fase unicaQuestao 43PortuguêsLiteratura contemporâneaMedia
Vanda vinha do interior de Minas Gerais e de dentro de um livro de Charles Dickens. Sem dinheiro para criá-la, sua mãe a dera, com seus sete anos, a uma conhecida. Ao recebê-la, a mulher perguntou o que a garotinha gostava de comer. Anotou tudo num papel. Mal a mãe virou as costas, no entanto, a fulana amassou a lista e, como uma vilã de folhetim, decretou: “A partir de hoje, você não vai mais nem sentir o cheiro dessas comidas!”. Vanda trabalhou lá até os quinze anos, quando recebeu a carta de uma prima com uma nota de cem cruzeiros, saiu de casa com a roupa do corpo e fugiu num ônibus para São Paulo. Todas as vezes que eu e minha irmã a importunávamos com nossas demandas de criança mimada, ela nos contava histórias da infância de gata-borralheira, fazia-nos apertar seu nariz quebrado por uma das filhas da “patroa” com um rolo de amassar pão e nos expulsava da cozinha: “Sai pra lá, peste, e me deixa acabar essa janta”. PRATA, A. Nu de botas. São Paulo: Cia. das Letras, 2013 (adaptado). Pela ótica do narrador, a trajetória da empregada de sua casa assume um efeito expressivo decorrente da
  1. A)citação a referências literárias tradicionais.
  2. B)alusão à inocência das crianças da época.
  3. C)estratégia de questionar a bondade humana.
  4. D)descrição detalhada das pessoas do interior.
  5. E)representação anedótica de atos de violência.
ENEM2021Fase unicaQuestao 24PortuguêsLiteratura contemporâneaMedia
Seus primeiros anos de detento foram difíceis; aos poucos entendeu como o sistema funciona. Apanhou dezenas de vezes, teve o crânio esmagado, o maxilar deslocado, braços e pernas quebrados; por fim, um dia ficou lesionado da perna quando foi jogado da laje de um pavilhão. Nem todas as vezes ele soube por que apanhou, muito menos da última, quando foi deixado para morrer, mas sobreviveu. Seu corpo, moído no inferno, aguarda o fim dos seus dias. Já não questiona mais. Obedece. Cumpre as ordens. Baixa a cabeça e se retira. Apanha, às vezes com motivo, às vezes sem. Por onde passou, derramaram seu sangue. Seu rastro pode ser seguido. Intriga ter sobrevivido durante tantos anos. Pouquíssimos chegaram à terceira idade encarcerados. MAIA, A. P. Assim na terra como embaixo da terra. Rio de Janeiro: Record, 2017. A narrativa concentra sua força expressiva no manejo de recursos formais e numa representação ficcional que
  1. A)buscam perpetuar visões do senso comum.
  2. B)trazem à tona atitudes de um estado de exceção.
  3. C)promovem a interlocução com grupos silenciados.
  4. D)inspiram o sentimento de justiça por meio da empatia.
  5. E)recorrem ao absurdo como forma de traduzir a realidade.
ENEM2018Fase unicaQuestao 16PortuguêsLiteratura contemporâneaDificil
Somente uns tufos secos de capim empedrados crescem na silenciosa baixada que se perde de vista. Somente uma árvore, grande e esgalhada mas com pouquíssimas folhas, abre-se em farrapos de sombra. Único ser nas cercanias, a mulher é magra, ossuda, seu rosto está lanhado de vento. Não se vê o cabelo, coberto por um pano desidratado. Mas seus olhos, a boca, a pele – tudo é de uma aridez sufocante. Ela está de pé. A seu lado está uma pedra. O sol explode. Ela estava de pé no fim do mundo. Como se andasse para aquela baixada largando para trás suas noções de si mesma. Não tem retratos na memória. Desapossada e despojada, não se abate em autoacusações e remorsos. Vive. Sua sombra somente é que lhe faz companhia. Sua sombra, que se derrama em traços grossos na areia, é que adoça como um gesto a claridade esquelética. A mulher esvaziada emudece, se dessangra, se cristaliza, se mineraliza. Já é quase de pedra como a pedra a seu lado. Mas os traços de sua sombra caminham e, tornando-se mais longos e finos, esticam-se para os farrapos de sombra da ossatura da árvore, com os quais se enlaçam. FRÓES, L. Vertigens: obra reunida. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. Na apresentação da paisagem e da personagem, o narrador estabelece uma correlação de sentidos em que esses elementos se entrelaçam. Nesse processo, a condição humana configura-se
  1. A)amalgamada pelo processo comum de desertificação e de solidão.
  2. B)fortalecida pela adversidade extensiva à terra e aos seres vivos.
  3. C)redimensionada pela intensidade da luz e da exuberância local.
  4. D)imersa num drama existencial de identidade e de origem.
  5. E)imobilizada pela escassez e pela opressão do ambiente.
ENEM2018Fase unicaQuestao 20PortuguêsLiteratura contemporâneaMedia
Vó Clarissa deixou cair os talheres no prato, fazendo a porcelana estalar. Joaquim, meu primo, continuava com o queixo suspenso, batendo com o garfo nos lábios, esperando a resposta. Beatriz ecoou a palavra como pergunta, “o que é lésbica?”. Eu fiquei muda. Joaquim sabia sobre mim e me entregaria para a vó e, mais tarde, para toda a família. Senti um calor letal subir pelo meu pescoço e me doer atrás das orelhas. Previ a cena: vó, a senhora é lésbica? Porque a Joana é. A vergonha estava na minha cara e me denunciava antes mesmo da delação. Apertei os olhos e contraí o peito, esperando o tiro. [...] [...] Pensei na naturalidade com que Taís e eu levávamos a nossa história. Pensei na minha insegurança de contar isso à minha família, pensei em todos os colegas e professores que já sabiam, fechei os olhos e vi a boca da minha vó e a boca da tia Carolina se tocando, apesar de todos os impedimentos. Eu quis saber mais, eu quis saber tudo, mas não consegui perguntar. A situação narrada revela uma tensão fundamentada na perspectiva do
  1. A)conflito com os interesses de poder.
  2. B)silêncio em nome do equilíbrio familiar.
  3. C)medo instaurado pelas ameaças de punição.
  4. D)choque imposto pela distância entre as gerações.
  5. E)apego aos protocolos de conduta segundo os gêneros.
ENEM2018Fase unicaQuestao 42PortuguêsLiteratura contemporâneaDificil
A Casa de Vidro Houve protestos. Deram uma bola a cada criança e tempo para brincar. Elas aprenderam malabarismos incríveis e algumas viajavam pelo mundo exibindo sua alegre habilidade. (O problema é que muitos, a maioria, não tinham jeito e eram feios de noite, assustadores. Seria melhor prender essa gente – havia quem dissesse.) Houve protestos. Aumentaram o preço da carne, liberaram os preços dos cereais e abriram crédito a juros baixos para o agricultor. O dinheiro que sobrasse, bem, digamos, ora o dinheiro que sobrasse! Houve protestos. Diminuíram os salários (infelizmente aumentou o número de assaltos) porque precisamos combater a inflação e, como se sabe, quando os salários estão acima do índice de produtividade eles se tornam altamente inflacionários, de modo que. Houve protestos. Proibiram os protestos. E no lugar dos protestos nasceu o ódio. Então surgiu a Casa de Vidro, para acabar com aquele ódio. ÂNGELO, I. A casa de vidro. São Paulo: Círculo do Livro, 1985. Publicado em 1979, o texto compartilha com outras obras da literatura brasileira escritas no período as marcas do contexto em que foi produzido, como a
  1. A)referência à censura e à opressão para alegorizar a falta de liberdade de expressão característica da época.
  2. B)valorização de situações do cotidiano para atenuar os sentimentos de revolta em relação ao governo instituído.
  3. C)utilização de metáforas e ironias para expressar um olhar crítico em relação à situação social e política do país.
  4. D)tendência realista para documentar com verossimilhança o drama da população brasileira durante o Regime Militar.
  5. E)sobreposição das manifestações populares pelo discurso oficial para destacar o autoritarismo do momento histórico.
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