Recursos expressivos · ENEM

Recursos expressivos: questões do ENEM

15 questões de Recursos expressivos (Português) no ENEM (2016–2025). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Recursos expressivos no ENEM

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ENEM2025Fase unicaQuestao 10PortuguêsRecursos expressivosMedia
De próprio punho A escrita e suas tecnologias sofrem interessantes metamorfoses, numa ciranda que vai do simples bilhete aos originais de um livro 1 Estranhei muito na primeira vez que escutei a expressão “de próprio punho”. Parecia 2 que eu ia bater em alguém. Não era bem o caso. Foi numa situação bancária, dessas bem 3 burocráticas, e eu devia escrever algo bem breve, mas com minhas mãos. Na verdade, 4 o que importava era a autenticidade da minha caligrafia, que à época ainda era mais 5 fluente e firme. Depois dos teclados de computador, ela rateia bastante. Minha letra, 6 hoje, tem uma espécie de alternância: dia sim, dia não, trêmula e firme, forte e fraca, 7 mais rotunda e mais cheia de arestas. 8 É claro que já escrevi muito mais de próprio punho ou, numa palavra mais bonita, 9 manuscrevi (prefiro a mão ao punho, embora ele também seja usado na tarefa). Mas isso 10 não é um feito individual. Em larga medida, é social. Muita gente sente o mesmo que 11 eu, isto é, escreve bem menos usando as mãos, ou melhor, empregando algum tipo de 12 tecnologia (lápis, caneta etc.) para escrever com grafite ou tinta ou giz ou carvão ou 13 sangue e o que mais. É importante lembrar que ainda há gente que não sabe escrever 14 neste país, neste planeta, mas muita gente sabe e tem um combo de tecnologias mais 15 ou menos à disposição para isso. Sou dessas pessoas privilegiadas que têm várias 16 possibilidades, e uma delas nunca deixou de ser o uso das minhas mãos. Ainda hoje, 17 são elas que batucam meu teclado de computador ou que tocam suavemente duas ou 18 três telas sensíveis. Mas não expressam mais a minha letra. No lugar, aparecem Times 19 New Roman, Arial, Calibri e mais uma centena de “letras” à minha escolha. Eu e Deus 20 e o mundo. 21 A despeito desse rol de chances e ferramentas para escrever, o manuscrito nunca 22 deixou de pintar aqui e ali, muitas vezes como obrigação. Na escola, por exemplo, até 23 hoje ele é soberano. No Enem também. Curioso, não? Fico pensando em que espaços 24 e ocasiões ainda uso minha letra. Olhando ao redor, na minha casa, minha letra está 25 em espaços muito delimitados e específicos: bilhetes. Eles estão principalmente na 26 cozinha, em especial na porta da geladeira, a fim de manter a comunicação com meus 27 coabitantes, sempre muito esquecidos ou relapsos. Mas também há bilhetes em post its 28 na minha mesa do escritório, textinhos em garranchos por meio dos quais me comunico 29 comigo mesma, a evitar um comportamento esquecido e relapso. 30 No escritório, costumo ser mais suave comigo mesma, mas também muito mais 31 lacônica, a ponto de nem eu me entender, se passar o tempo. Em todos os casos vai 32 minha letra, menos e mais redonda, a lápis e a tinta azul, em post its rosa-choque, colados 33 precariamente, e todos com destino à lixeira, em breve. Justo porque eles funcionam 34 como lembretes de tarefas e coisas que devem ser vencidas e, claro, substituídas por 35 outras, num fluxo infinito, às vezes ansiogênico, com que a maioria dos adultos (e mais 36 ainda as adultas) precisa conviver. 37 As formas de escrever mudam, as necessidades também, e o resultado é um elenco 38 complexo, em que nada dispensa nada, a depender da tarefa ou da importância das coisas 39 ou de suas funções, claro. A escrita e suas tecnologias incríveis vão se reposicionando, 40 mudando de status, numa ciranda interessante e importante que pode ser vista à luz de 41 certa diversidade que encontra suas oportunidades e seus efeitos, aqui e ali. Não adianta 42 muito pensar sempre como se tudo fosse excludente. Estão aí minha farta comunicação 43 por bilhetes, minha gaveta alegre de post its de toda cor, esperando para serem usados, 44 e o cheque do cartório, em que quase tudo já é digital. “Do punho ao pixel” não é uma 45 frase filosoficamente correta. O negócio é mais “o punho e o pixel”. RIBEIRO, A. E. Disponível em: https://rascunho.com.br. Acesso em: 16 jan. 2024 (adaptado). O recurso linguístico usado para marcar a síntese da opinião da autora sobre a temática desenvolvida foi o(a)
  1. A)emprego da primeira pessoa em “Estranhei muito na primeira vez que escutei a expressão ‘de próprio punho’”. (l. 1)
  2. B)utilização de locução adverbial em “Na verdade, o que importava era a autenticidade da minha caligrafia”. (l. 3-4)
  3. C)uso de pronome possessivo em “Minha letra, hoje, tem uma espécie de alternância”. (l. 5-6)
  4. D)adoção de termo autorreflexivo em “No escritório, costumo ser mais suave comigo mesma”. (l. 30)
  5. E)substituição da expressão “Do punho ao pixel” (l. 44) pela expressão “o punho e o pixel”. (l. 45)
ENEM2025Fase unicaQuestao 35PortuguêsRecursos expressivosMedia
Margot Robbie foi criticada por “não ser bonita o suficiente” para interpretar a Barbie. Recentemente, Paolla Oliveira foi chamada de gorda. Só fico pensando o que serei eu com mais de 50 (também no peso), com a minha aparência comum. O corpo da mulher vive um reality show permanente: é sempre vigiado e fiscalizado, como se fosse domínio público. A mulher que não atender aos estereótipos está sujeita a sofrer penalidades básicas, como distúrbios, obsessões, medo do próprio corpo e, é claro, dietas à base de rúcula. “A dieta é o sedativo político mais potente na história das mulheres”, escreveu Naomi Wolf, em 1991. A regra é não haver singularidade, mascarar a passagem do tempo, imobilizar a beleza (já imaginou como isso seria enfadonho?). O mandamento é obedecer às regras sociais do bom comportamento corporal, “como deve ser”, não nos atos, mas na forma. KORICH, B. S. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 22 jan. 2024 (adaptado). Nesse texto, para introduzir a ideia de que a fiscalização permanente sobre o corpo afeta todas as mulheres, a autora
  1. A)faz um comentário sobre sua própria imagem.
  2. B)destaca avaliações particulares entre parênteses.
  3. C)cita um formato de programa influente no segmento da beleza.
  4. D)utiliza declaração de uma jornalista como argumento de autoridade.
  5. E)enumera críticas à aparência de mulheres consideradas padrões de beleza.
ENEM2022Fase unicaQuestao 18PortuguêsRecursos expressivosDificil
Morte lenta ao luso infame que inventou a calçada portuguesa. Maldito D. Manuel I e sua corja de tenentes Eusébios. Quadrados de pedregulho irregular socados à mão. À mão! É claro que ia soltar, ninguém reparou que ia soltar? Branco, preto, branco, preto, as ondas do mar de Copacabana. De que me servem as ondas do mar de Copacabana? Me deem chão liso, sem protuberâncias calcárias. Mosaico estúpido. Mania de mosaico. Joga concreto em cima e aplaina. Buraco, cratera, pedra solta, bueiro-bomba. Depois dos setenta, a vida se transforma numa interminável corrida de obstáculos. A queda é a maior ameaça para o idoso. “Idoso”, palavra odienta. Pior, só “terceira idade”. A queda separa a velhice da senilidade extrema. O tombo destrói a cadeia que liga a cabeça aos pés. Adeus, corpo. Em casa, vou de corrimão em corrimão, tateio móveis e paredes, e tomo banho sentado. Da poltrona para a janela, da janela para a cama, da cama para a poltrona, da poltrona para a janela. Olha aí, outra vez, a pedrinha traiçoeira atrás de me pegar. Um dia eu caio, hoje não. TORRES, F. Fim. São Paulo: Cia. das Letras, 2013. O recurso que caracteriza a organização estrutural desse texto é o(a)
  1. A)justaposição de sequências verbais e nominais.
  2. B)mudança de eventos resultante do jogo temporal.
  3. C)uso de adjetivos qualificativos na descrição do cenário.
  4. D)encadeamento semântico pelo uso de substantivos sinônimos.
  5. E)inter-relação entre orações por elementos linguísticos lógicos.
ENEM2022Fase unicaQuestao 33PortuguêsRecursos expressivosMedia
Soluços, lágrimas, casa armada, veludo preto nos portais, um homem que veio vestir o cadáver, outro que tomou a medida do caixão, caixão, essa, tocheiros, convites, convidados que entravam, lentamente, a passo surdo, e apertavam a mão à família, alguns tristes, todos sérios e calados, padre e sacristão, rezas, aspersões d’água benta, o fechar do caixão, a prego e martelo, seis pessoas que o tomam da essa, e o levantam, e o descem a custo pela escada, não obstante os gritos, soluços e novas lágrimas da família, e vão até o coche fúnebre, e o colocam em cima e traspassam e apertam as correias, o rodar do coche, o rodar dos carros, um a um... Isto que parece um simples inventário eram notas que eu havia tomado para um capítulo triste e vulgar que não escrevo. O recurso linguístico que permite a Machado de Assis considerar um capítulo de Memórias póstumas de Brás Cubas como inventário é a
  1. A)enumeração de objetos e fatos.
  2. B)predominância de linguagem objetiva.
  3. C)ocorrência de período longo no trecho.
  4. D)combinação de verbos no presente e no pretérito.
  5. E)presença de léxico do campo semântico de funerais. TRABALHO DE BASE De 2 a 5 anos Até 10 anos O tempo de exposição às telas deve Devem ter acesso controlado ser limitado a 1 hora por dia. Crianças a computadores e dispositivos dessa faixa etária devem ser mais móveis. Crianças de até 10 protegidas da violência virtual, pois anos não devem usar TV ou não sabem separar fantasia de realidade. computador no próprio quarto. Disponível em: https://tab.uol.com.br. Acesso em: 25 ago. 2017 (adaptado). Notas ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 25 jul. 2022.
ENEM2020Fase unicaQuestao 11PortuguêsRecursos expressivosDificil
Na sua imaginação perturbada sentia a natureza toda agitando-se para sufocá-la. Aumentavam as sombras. No céu, nuvens colossais e túmidas rolavam para o abismo do horizonte... Na várzea, ao clarão indeciso do crepúsculo, os seres tomavam ares de monstros... As montanhas, subindo ameaçadoras da terra, perfilavam-se tenebrosas... Os caminhos, espreguiçando-se sobre os campos, animavam-se quais serpentes infinitas... As árvores soltas choravam ao vento, como carpideiras fantásticas da natureza morta... Os aflitivos pássaros noturnos gemiam agouros com pios fúnebres. Maria quis fugir, mas os membros cansados não acudiam aos ímpetos do medo e deixavam-na prostrada em uma angústia desesperada. ARANHA, J. P. G. Canaã. São Paulo: Ática, 1997. No trecho, o narrador mobiliza recursos de linguagem que geram uma expressividade centrada na percepção da
  1. A)relação entre a natureza opressiva e o desejo de libertação da personagem.
  2. B)confluência entre o estado emocional da personagem e a configuração da paisagem.
  3. C)prevalência do mundo natural em relação à fragilidade humana.
  4. D)depreciação do sentido da vida diante da consciência da morte iminente.
  5. E)instabilidade psicológica da personagem face à realidade hostil.
ENEM2020Fase unicaQuestao 23PortuguêsRecursos expressivosDificil
Eu tenho empresas e sou digno do visto para ir a Nova York. O dinheiro que chove em Nova York é para pessoas com poder de compra. Pessoas que tenham um visto do consulado americano. O dinheiro que chove em Nova York também é para os nova-iorquinos. São milhares de dólares. [...] Estou indo para Nova York, onde está chovendo dinheiro. Sou um grande administrador. Sim, está chovendo dinheiro em Nova York. Deu no rádio. Vejo que há pedestres invadindo a via onde trafega o meu carro vermelho, importado da Alemanha. Vejo que há carros nacionais trafegando pela via onde trafega o meu carro vermelho, importado da Alemanha. Ao chegar em Nova York, tomarei providências. SANT’ANNA, A. O importado vermelho de Noé. In: MORICONI, I. (Org.). Os cem melhores contos. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. As repetições e as frases curtas constituem procedimentos linguísticos importantes para a compreensão da temática do texto, pois
  1. A)expressam a futilidade do discurso de poder e de distinção do narrador.
  2. B)disfarçam a falta de densidade das angústias existenciais narradas.
  3. C)ironizam a valorização da cultura norte-americana pelos brasileiros.
  4. D)explicitam a ganância financeira do capitalismo contemporâneo.
  5. E)criticam os estereótipos sociais das visões de mundo elitistas.
ENEM2020Fase unicaQuestao 39PortuguêsRecursos expressivosFacil
Hino à Bandeira Em teu seio formoso retratas Este céu de puríssimo azul, A verdura sem par destas matas, E o esplendor do Cruzeiro do Sul. Contemplando o teu vulto sagrado, Compreendemos o nosso dever, E o Brasil por seus filhos amado, Poderoso e feliz há de ser! Sobre a imensa Nação Brasileira, Nos momentos de festa ou de dor, Paira sempre sagrada bandeira Pavilhão da justiça e do amor! BILAC, O.; BRAGA, F. Disponível em: www2.planalto.gov.br. Acesso em: 10 dez. 2017 (fragmento). No Hino à Bandeira, a descrição é um recurso utilizado para exaltar o símbolo nacional na medida em que
  1. A)remete a um momento futuro.
  2. B)promove a união dos cidadãos.
  3. C)valoriza os seus elementos.
  4. D)emprega termos religiosos.
  5. E)recorre à sua história.
ENEM2019Fase unicaQuestao 7PortuguêsRecursos expressivosMedia
Um amor desse Era 24 horas lado a lado Um radar na pele, aquele sentimento alucinado Coração batia acelerado Bastava um olhar pra eu entender Que era hora de me entregar pra você Palavras não faziam falta mais Ah, só de lembrar do seu perfume Que arrepio, que calafrio Que o meu corpo sente Nem que eu queira, eu te apago da minha mente Ah, esse amor Deixou marcas no meu corpo Ah, esse amor Só de pensar, eu grito, eu quase morro AZEVEDO, N.; LEÃO, W.; QUADROS, R. Coração pede socorro. Rio de Janeiro: Som Livre, 2018 (fragmento). Essa letra de canção foi composta especialmente para uma campanha de combate à violência contra as mulheres, buscando conscientizá-las acerca do limite entre relacionamento amoroso e relacionamento abusivo. Para tanto, a estratégia empregada na letra é a
  1. A)revelação da submissão da mulher à situação de violência, que muitas vezes a leva à morte.
  2. B)ênfase na necessidade de se ouvirem os apelos da mulher agredida, que continuamente pede socorro.
  3. C)exploração de situação de duplo sentido, que mostra que atos de dominação e violência não configuram que direitos amor.
  4. D)divulgação da importância de denunciar a violência doméstica, que atinge um grande número de mulheres no país.
  5. E)naturalização de situações opressivas, que fazem parte da vida de mulheres que vivem em uma sociedade patriarcal.
ENEM2019Fase unicaQuestao 42PortuguêsRecursos expressivosMedia
A ciência do Homem-Aranha Muitos dos superpoderes do querido Homem-Aranha de fato se assemelham às habilidades biológicas das aranhas e são objeto de estudo para produção de novos materiais. O “sentido-aranha” adquirido por Peter Parker funciona quase como um sexto sentido, uma espécie de habilidade premonitória e, por isso, soa como um mero elemento ficcional. No entanto, as aranhas realmente têm um sentido mais aguçado. Na verdade, elas têm um dos sistemas sensoriais mais impressionantes da natureza. Os pelos sensoriais das aranhas, que estão espalhados por todo o corpo, funcionam como uma forma muito boa de perceber o mundo e captar informações do ambiente. Em muitas espécies, esse tato por meio dos pelos tem papel mais importante que a própria visão, uma vez que muitas aranhas conseguem prender e atacar suas presas na completa escuridão. E por que os pelos humanos não são tão eficientes como órgãos sensoriais como os das aranhas? Primeiro, porque um ser humano tem em média 60 fios de pelo em cada cm² do corpo, enquanto algumas espécies de aranha podem chegar a ter 40 mil pelos por cm²; segundo, porque cada pelo das aranhas possui até 3 nervos para fazer a comunicação entre a sensação percebida e o cérebro, enquanto nós, seres humanos, temos apenas 1 nervo por pelo. Disponível em: http://cienciahoje.org.br. Acesso em: 11 dez. 2018 (adaptado). Como estratégia de progressão do texto, o autor simula uma interlocução com o público leitor ao recorrer à
  1. A)revelação do “sentido-aranha” adquirido pelo super-herói como um sexto sentido.
  2. B)caracterização do afeto do público pelo super-herói marcado pela palavra “querido”.
  3. C)comparação entre os poderes do super-herói e as habilidades biológicas das aranhas.
  4. D)pergunta retórica na introdução das causas da eficiência do sistema sensorial das aranhas.
  5. E)comprovação das diferenças entre a constituição física do homem e da aranha por meio de dados numéricos.
ENEM2019Fase unicaQuestao 44PortuguêsRecursos expressivosDificil
Toca a sirene na fábrica, e o apito como um chicote bate na manhã nascente e bate na tua cama no sono da madrugada. Ternuras da áspera lona pelo corpo adolescente. É o trabalho que te chama. Às pressas tomas o banho, tomas teu café com pão, tomas teu lugar no bote no cais do Capibaribe. Deixas chorando na esteira teu filho de mãe solteira. Levas ao lado a marmita, contendo a mesma ração do meio de todo o dia, a carne-seca e o feijão. De tudo quanto ele pede dás só bom-dia ao patrão, e recomeças a luta na engrenagem da fiação. MOTA, M. Canto ao meio. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1964. Nesse texto, a mobilização do uso padrão das formas verbais e pronominais
  1. A)ajuda a localizar o enredo num ambiente estático.
  2. B)auxilia na caracterização física do personagem principal.
  3. C)acrescenta informações modificadoras às ações dos personagens.
  4. D)alterna os tempos da narrativa, fazendo progredir as ideias do texto.
  5. E)está a serviço do projeto poético, auxiliando na distinção dos referentes.
ENEM2018Fase unicaQuestao 17PortuguêsRecursos expressivosMedia
Aconteceu mais de uma vez: ele me abandonou. Como todos os outros. O quinto. A gente já estava junto há mais de um ano. Parecia que dessa vez seria para sempre. Mas não: ele desapareceu de repente, sem deixar rastro. Quando me dei conta, fiquei horas ligando sem parar – mas só chamava, chamava, e ninguém atendia. E então fiz o que precisava ser feito: bloqueei a linha. A verdade é que nenhum telefone celular me suporta. Já tentei de todas as marcas e operadoras, apenas para descobrir que eles são todos iguais: na primeira oportunidade, dão no pé. Esse último aproveitou que eu estava distraído e não desceu do táxi junto comigo. Ou será que ele já tinha pulado do meu bolso no momento em que eu embarcava no táxi? Tomara que sim. Depois de fazer o que me fez, quero mais é que ele tenha ido parar na sarjeta. [...] Se ainda fossem embora do jeito que chegaram, tudo bem. [...] Mas já sei o que vou fazer. No caminho da loja de celulares, vou passar numa papelaria. Pensando bem, nenhuma das minhas agendinhas de papel jamais me abandonou. FREIRE, R. Começar de novo. O Estado de S. Paulo, 24 nov. 2006. Nesse fragmento, a fim de atrair a atenção do leitor e de estabelecer um fio condutor de sentido, o autor utiliza-se de
  1. A)primeira pessoa do singular para imprimir subjetividade ao relato de mais uma desilusão amorosa.
  2. B)ironia para tratar da relação com os celulares na era de produtos altamente descartáveis.
  3. C)frases feitas na apresentação de situações amorosas estereotipadas para construir a ambientação do texto.
  4. D)quebra de expectativa como estratégia argumentativa para ocultar informações.
  5. E)verbos no tempo pretérito para enfatizar uma aproximação com os fatos abordados ao longo do texto.
ENEM2018Fase unicaQuestao 18PortuguêsRecursos expressivosMedia
Enquanto isso, nos bastidores do universo Você planeja passar um longo tempo em outro país, trabalhando e estudando, mas o universo está preparando a chegada de um amor daqueles de tirar o chão, um amor que fará você jogar fora seu atlas e criar raízes no quintal como se fosse uma figueira. Você treina para a maratona mais desafiadora de todas, mas não chegará com as duas pernas intactas na hora da largada, e a primeira perplexidade será esta: a experiência da frustração. O universo nunca entrega o que promete. Aliás, ele nunca prometeu nada, você é que escuta vozes. No dia em que você pensa que não tem nada a dizer para o analista, faz a revelação mais bombástica dos seus dois anos de terapia. O resultado de um exame de rotina coloca sua rotina de cabeça para baixo. Você não imaginava que iriam tantos amigos à sua festa, e tampouco imaginou que justo sua grande paixão não iria. Quando achou que estava bela, não arrasou corações. Quando saiu sem maquiagem e com uma camiseta puída, chamou a atenção. E assim seguem os dias à prova de planejamento e contrariando nossas vontades, pois, por mais que tenhamos ensaiado nossa fala e estejamos preparados para a melhor cena, nos bastidores do universo alguém troca nosso papel de última hora, tornando surpreendente a nossa vida. MEDEIROS, M. O Globo, 21 jun. 2015. Entre as estratégias argumentativas utilizadas para sustentar a tese apresentada nesse fragmento, destaca-se a recorrência de
  1. A)estruturas sintáticas semelhantes, para reforçar a velocidade das mudanças da vida.
  2. B)marcas de interlocução, para aproximar o leitor das experiências vividas pela autora.
  3. C)formas verbais no presente, para exprimir reais possibilidades de concretização das ações.
  4. D)construções de oposição, para enfatizar que as expectativas são afetadas pelo inesperado.
  5. E)sequências descritivas, para promover a identificação do leitor com as situações apresentadas.
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