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Questões de Português do FAMERP

120 questões de Português do FAMERP (2015–2026): os tópicos que mais caem e uma amostra para treinar de graça.

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Português no FAMERP (tópico × ano)

2015–2026
Topico202620252024202320222021202020192018201720162015
Interpretação de texto (TIC)135213332
Figuras de linguagem211121111
Interpretação de texto25
Literatura brasileira (prosa)232
Semântica112111
Sintaxe (sujeito, concordância e pronomes)2121
Análise sintática: funções do período1112
Arcadismo12
Interpretação literária3
Orações subordinadas111

Tópicos de Português que mais caem

  • Figuras de linguagem9% · 11 questões
  • Semântica6% · 7 questões
  • Literatura brasileira (prosa)6% · 7 questões
  • Interpretação de texto6% · 7 questões
  • Sintaxe (sujeito, concordância e pronomes)5% · 6 questões
  • Análise sintática: funções do período4% · 5 questões
  • Orações subordinadas3% · 3 questões

Questões de Português do FAMERP

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FAMERP20261a faseQuestao 1PortuguêsGêneros multimodaisFacil
Examine o meme publicado pelo perfil @itoldmy.therapist no Instagram em 23.10.2024. No meme, o autor caracteriza sua mãe como uma pessoa
Imagens anexadas
  1. A)impulsiva.
  2. B)sensível.
  3. C)indiscreta.
  4. D)rancorosa.
  5. E)carismática.
FAMERP20261a faseQuestao 2PortuguêsMetalinguagemMedia
leia o soneto “Tortura”, da poeta portuguesa Florbela Espanca (1894-1930). Tirar dentro do peito a Emoção, A lúcida Verdade, o Sentimento! — E ser, depois de vir do coração, Um punhado de cinza esparso ao vento!... Sonhar um verso de alto pensamento, E puro como um ritmo de oração! — E ser, depois de vir do coração, O pó, o nada, o sonho dum momento... São assim ocos, rudes, os meus versos: Rimas perdidas, vendavais dispersos, Com que eu iludo os outros, com que minto! Quem me dera encontrar o verso puro, O verso altivo e forte, estranho e duro, Que dissesse, a chorar, isto que sinto!! (Florbela Espanca. Sonetos, 2025.) O soneto de Florbela Espanca caracteriza-se, sobretudo, pelo seu teor
  1. A)religioso.
  2. B)social.
  3. C)nostálgico.
  4. D)metalinguístico.
  5. E)irônico.
FAMERP20261a faseQuestao 3PortuguêsInterpretação de texto literárioMedia
leia o soneto “Tortura”, da poeta portuguesa Florbela Espanca (1894-1930). Tirar dentro do peito a Emoção, A lúcida Verdade, o Sentimento! — E ser, depois de vir do coração, Um punhado de cinza esparso ao vento!... Sonhar um verso de alto pensamento, E puro como um ritmo de oração! — E ser, depois de vir do coração, O pó, o nada, o sonho dum momento... São assim ocos, rudes, os meus versos: Rimas perdidas, vendavais dispersos, Com que eu iludo os outros, com que minto! Quem me dera encontrar o verso puro, O verso altivo e forte, estranho e duro, Que dissesse, a chorar, isto que sinto!! (Florbela Espanca. Sonetos, 2025.) Depreende-se do soneto que o ideal estético do eu lírico norteia-se pelo seguinte critério:
  1. A)beleza.
  2. B)sinceridade.
  3. C)compreensibilidade.
  4. D)erudição.
  5. E)originalidade.
FAMERP20261a faseQuestao 4PortuguêsParnasianismoMedia
leia o soneto “Tortura”, da poeta portuguesa Florbela Espanca (1894-1930). Tirar dentro do peito a Emoção, A lúcida Verdade, o Sentimento! — E ser, depois de vir do coração, Um punhado de cinza esparso ao vento!... Sonhar um verso de alto pensamento, E puro como um ritmo de oração! — E ser, depois de vir do coração, O pó, o nada, o sonho dum momento... São assim ocos, rudes, os meus versos: Rimas perdidas, vendavais dispersos, Com que eu iludo os outros, com que minto! Quem me dera encontrar o verso puro, O verso altivo e forte, estranho e duro, Que dissesse, a chorar, isto que sinto!! (Florbela Espanca. Sonetos, 2025.) Contemporânea dos poetas portugueses Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca não se filiou a nenhuma escola literária e sua poesia é considerada de difícil classificação. Considerando os aspectos formais (gênero poético adotado, métrica empregada e esquema de rimas), o soneto de Florbela Espanca aproxima-se do
  1. A)Romantismo.
  2. B)Naturalismo.
  3. C)Realismo.
  4. D)Modernismo.
  5. E)Parnasianismo.
FAMERP20261a faseQuestao 5PortuguêsAnálise sintática: funções do períodoMedia
leia o soneto “Tortura”, da poeta portuguesa Florbela Espanca (1894-1930). Tirar dentro do peito a Emoção, A lúcida Verdade, o Sentimento! — E ser, depois de vir do coração, Um punhado de cinza esparso ao vento!... Sonhar um verso de alto pensamento, E puro como um ritmo de oração! — E ser, depois de vir do coração, O pó, o nada, o sonho dum momento... São assim ocos, rudes, os meus versos: Rimas perdidas, vendavais dispersos, Com que eu iludo os outros, com que minto! Quem me dera encontrar o verso puro, O verso altivo e forte, estranho e duro, Que dissesse, a chorar, isto que sinto!! (Florbela Espanca. Sonetos, 2025.) Sujeito posposto é aquele que aparece após o verbo, alterando assim a ordem direta de uma oração. O verbo sublinhado tem um sujeito posposto no seguinte verso:
  1. A)“São assim ocos, rudes, os meus versos:” (3a estrofe)
  2. B)“Quem me dera encontrar o verso puro,” (4a estrofe)
  3. C)“Sonhar um verso de alto pensamento,” (2a estrofe)
  4. D)“Tirar dentro do peito a Emoção,” (1a estrofe)
  5. E)“Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!” (4a estrofe)
FAMERP20261a faseQuestao 6PortuguêsFiguras de linguagemFacil
leia o ensaio “Mercúrio” do neurologista inglês Oliver Sacks (1933-2015), cuja morte completou 10 anos em 30 de agosto deste ano. 1    Noite passada sonhei com o mercúrio: glóbulos enormes, brilhantes, ora subindo, ora descendo. O mercúrio é o elemento número 80, e meu sonho é um lembrete de que na terça-feira farei oitenta anos. Elementos químicos e aniversários andam ligados para mim desde menino, quando aprendi sobre os números atômicos. Com onze anos eu podia dizer “sou sódio” (elemento 11), e agora, aos 79, sou ouro. Alguns anos atrás, quando dei um frasco de mercúrio de presente a um amigo pelo seu octogésimo aniversário — um recipiente especial que não vaza nem se quebra —, ele me olhou de um jeito esquisito, mas depois me enviou uma cartinha simpática, gracejando: “Tomo um pouco toda manhã, para a saúde”. Oitenta! É difícil de acreditar. Muitas vezes sinto que a vida está prestes a começar, e percebo que está quase no fim. Beirando os oitenta, com esparsos problemas de saúde e cirurgias, nenhum deles incapacitante, me sinto feliz por estar vivo — “Estou feliz por não estar morto!” é uma frase que às vezes irrompe lá dentro de mim quando o tempo está perfeito. Sou grato por ter vivenciado muitas coisas — algumas fascinantes, outras horríveis — e por ter sido capaz de escrever uma dúzia de livros, de receber incontáveis cartas de amigos, colegas e leitores e de desfrutar do que Nathaniel Hawthorne chamou de “um intercurso com o mundo”. Lamento ter perdido (e ainda perder) tanto tempo; lamento ser tão angustiantemente tímido aos oitenta quanto era aos vinte; lamento não falar outra língua além da materna e não ter viajado ou vivenciado outras culturas de modo tão produtivo quanto deveria. Sinto que precisaria tentar concluir minha vida, seja o que for “concluir uma vida”. Quanto a mim, não creio em (nem desejo) uma existência após a morte, exceto na memória dos amigos e na esperança de que alguns dos meus livros ainda possam “falar” às pessoas depois que eu morrer. Quando chegar a minha hora, espero que eu possa morrer na ativa, como o biólogo molecular Francis Crick. Quando lhe informaram que seu câncer de cólon tinha voltado, de início ele não disse nada; simplesmente olhou ao longe por um minuto, depois retomou o que vinha pensando. Ao lhe perguntarem sobre seu diagnóstico algumas semanas depois, ele respondeu: “Tudo o que tem um começo deve ter um fim”. Morreu aos 88 anos, ainda totalmente comprometido com seu trabalho mais criativo. 5    Meu pai, que viveu até os 94 anos, costumava dizer que seus oitenta anos tinham sido uma das décadas mais agradáveis de sua vida. Ele sentiu, como começo a sentir, não um encolhimento, e sim uma expansão da vida mental e da perspectiva. Nesta altura já tivemos uma longa experiência de vida, não só da nossa, mas também da de outros. Já vimos triunfos e tragédias, altos e baixos, revoluções e guerras, grandes realizações e profundas ambiguidades também. Já assistimos notáveis teorias ascenderem e acabarem derrubadas por fatos teimosos. Somos mais conscientes da transitoriedade e, talvez, da beleza. Aos oitenta podemos relembrar um vasto panorama e ter um senso claro de história vivida impossível aos mais novos. Posso imaginar, sentir nos ossos, o que é um século, coisa que não podia fazer aos quarenta ou sessenta. Não penso na velhice como uma fase cada vez mais penosa que é preciso suportar e levar o melhor possível, mas como um período de liberdade e tempo descomprometido, sem as infundadas urgências de outrora, livre para explorar o que eu quiser e para amarrar os pensamentos e sentimentos de toda uma vida. Não vejo a hora de fazer oitenta anos. (Oliver Sacks. Gratidão, 2015. Adaptado.) Oliver Sacks recorre a um enunciado antitético no seguinte trecho do ensaio:
  1. A)“Nesta altura já tivemos uma longa experiência de vida, não só da nossa, mas também da de outros.” (5o parágrafo)
  2. B)“Sinto que precisaria tentar concluir minha vida, seja o que for ‘concluir uma vida’.” (3o parágrafo)
  3. C)“Muitas vezes sinto que a vida está prestes a começar, e percebo que está quase no fim.” (2o parágrafo)
  4. D)“Elementos químicos e aniversários andam ligados para mim desde menino, quando aprendi sobre os números atômicos.” (1o parágrafo)
  5. E)“Posso imaginar, sentir nos ossos, o que é um século, coisa que não podia fazer aos quarenta ou sessenta.” (5o parágrafo)
FAMERP20261a faseQuestao 7PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Facil
leia o ensaio “Mercúrio” do neurologista inglês Oliver Sacks (1933-2015), cuja morte completou 10 anos em 30 de agosto deste ano. 1    Noite passada sonhei com o mercúrio: glóbulos enormes, brilhantes, ora subindo, ora descendo. O mercúrio é o elemento número 80, e meu sonho é um lembrete de que na terça-feira farei oitenta anos. Elementos químicos e aniversários andam ligados para mim desde menino, quando aprendi sobre os números atômicos. Com onze anos eu podia dizer “sou sódio” (elemento 11), e agora, aos 79, sou ouro. Alguns anos atrás, quando dei um frasco de mercúrio de presente a um amigo pelo seu octogésimo aniversário — um recipiente especial que não vaza nem se quebra —, ele me olhou de um jeito esquisito, mas depois me enviou uma cartinha simpática, gracejando: “Tomo um pouco toda manhã, para a saúde”. Oitenta! É difícil de acreditar. Muitas vezes sinto que a vida está prestes a começar, e percebo que está quase no fim. Beirando os oitenta, com esparsos problemas de saúde e cirurgias, nenhum deles incapacitante, me sinto feliz por estar vivo — “Estou feliz por não estar morto!” é uma frase que às vezes irrompe lá dentro de mim quando o tempo está perfeito. Sou grato por ter vivenciado muitas coisas — algumas fascinantes, outras horríveis — e por ter sido capaz de escrever uma dúzia de livros, de receber incontáveis cartas de amigos, colegas e leitores e de desfrutar do que Nathaniel Hawthorne chamou de “um intercurso com o mundo”. Lamento ter perdido (e ainda perder) tanto tempo; lamento ser tão angustiantemente tímido aos oitenta quanto era aos vinte; lamento não falar outra língua além da materna e não ter viajado ou vivenciado outras culturas de modo tão produtivo quanto deveria. Sinto que precisaria tentar concluir minha vida, seja o que for “concluir uma vida”. Quanto a mim, não creio em (nem desejo) uma existência após a morte, exceto na memória dos amigos e na esperança de que alguns dos meus livros ainda possam “falar” às pessoas depois que eu morrer. Quando chegar a minha hora, espero que eu possa morrer na ativa, como o biólogo molecular Francis Crick. Quando lhe informaram que seu câncer de cólon tinha voltado, de início ele não disse nada; simplesmente olhou ao longe por um minuto, depois retomou o que vinha pensando. Ao lhe perguntarem sobre seu diagnóstico algumas semanas depois, ele respondeu: “Tudo o que tem um começo deve ter um fim”. Morreu aos 88 anos, ainda totalmente comprometido com seu trabalho mais criativo. 5    Meu pai, que viveu até os 94 anos, costumava dizer que seus oitenta anos tinham sido uma das décadas mais agradáveis de sua vida. Ele sentiu, como começo a sentir, não um encolhimento, e sim uma expansão da vida mental e da perspectiva. Nesta altura já tivemos uma longa experiência de vida, não só da nossa, mas também da de outros. Já vimos triunfos e tragédias, altos e baixos, revoluções e guerras, grandes realizações e profundas ambiguidades também. Já assistimos notáveis teorias ascenderem e acabarem derrubadas por fatos teimosos. Somos mais conscientes da transitoriedade e, talvez, da beleza. Aos oitenta podemos relembrar um vasto panorama e ter um senso claro de história vivida impossível aos mais novos. Posso imaginar, sentir nos ossos, o que é um século, coisa que não podia fazer aos quarenta ou sessenta. Não penso na velhice como uma fase cada vez mais penosa que é preciso suportar e levar o melhor possível, mas como um período de liberdade e tempo descomprometido, sem as infundadas urgências de outrora, livre para explorar o que eu quiser e para amarrar os pensamentos e sentimentos de toda uma vida. Não vejo a hora de fazer oitenta anos. (Oliver Sacks. Gratidão, 2015. Adaptado.) A resposta de Francis Crick, ao ser perguntado sobre seu diagnóstico, deixa transparecer o seguinte sentimento:
  1. A)mágoa.
  2. B)resignação.
  3. C)indignação.
  4. D)incredulidade.
  5. E)perplexidade.
FAMERP20261a faseQuestao 8PortuguêsFiguras de linguagemFacil
leia o ensaio “Mercúrio” do neurologista inglês Oliver Sacks (1933-2015), cuja morte completou 10 anos em 30 de agosto deste ano. 1    Noite passada sonhei com o mercúrio: glóbulos enormes, brilhantes, ora subindo, ora descendo. O mercúrio é o elemento número 80, e meu sonho é um lembrete de que na terça-feira farei oitenta anos. Elementos químicos e aniversários andam ligados para mim desde menino, quando aprendi sobre os números atômicos. Com onze anos eu podia dizer “sou sódio” (elemento 11), e agora, aos 79, sou ouro. Alguns anos atrás, quando dei um frasco de mercúrio de presente a um amigo pelo seu octogésimo aniversário — um recipiente especial que não vaza nem se quebra —, ele me olhou de um jeito esquisito, mas depois me enviou uma cartinha simpática, gracejando: “Tomo um pouco toda manhã, para a saúde”. Oitenta! É difícil de acreditar. Muitas vezes sinto que a vida está prestes a começar, e percebo que está quase no fim. Beirando os oitenta, com esparsos problemas de saúde e cirurgias, nenhum deles incapacitante, me sinto feliz por estar vivo — “Estou feliz por não estar morto!” é uma frase que às vezes irrompe lá dentro de mim quando o tempo está perfeito. Sou grato por ter vivenciado muitas coisas — algumas fascinantes, outras horríveis — e por ter sido capaz de escrever uma dúzia de livros, de receber incontáveis cartas de amigos, colegas e leitores e de desfrutar do que Nathaniel Hawthorne chamou de “um intercurso com o mundo”. Lamento ter perdido (e ainda perder) tanto tempo; lamento ser tão angustiantemente tímido aos oitenta quanto era aos vinte; lamento não falar outra língua além da materna e não ter viajado ou vivenciado outras culturas de modo tão produtivo quanto deveria. Sinto que precisaria tentar concluir minha vida, seja o que for “concluir uma vida”. Quanto a mim, não creio em (nem desejo) uma existência após a morte, exceto na memória dos amigos e na esperança de que alguns dos meus livros ainda possam “falar” às pessoas depois que eu morrer. Quando chegar a minha hora, espero que eu possa morrer na ativa, como o biólogo molecular Francis Crick. Quando lhe informaram que seu câncer de cólon tinha voltado, de início ele não disse nada; simplesmente olhou ao longe por um minuto, depois retomou o que vinha pensando. Ao lhe perguntarem sobre seu diagnóstico algumas semanas depois, ele respondeu: “Tudo o que tem um começo deve ter um fim”. Morreu aos 88 anos, ainda totalmente comprometido com seu trabalho mais criativo. 5    Meu pai, que viveu até os 94 anos, costumava dizer que seus oitenta anos tinham sido uma das décadas mais agradáveis de sua vida. Ele sentiu, como começo a sentir, não um encolhimento, e sim uma expansão da vida mental e da perspectiva. Nesta altura já tivemos uma longa experiência de vida, não só da nossa, mas também da de outros. Já vimos triunfos e tragédias, altos e baixos, revoluções e guerras, grandes realizações e profundas ambiguidades também. Já assistimos notáveis teorias ascenderem e acabarem derrubadas por fatos teimosos. Somos mais conscientes da transitoriedade e, talvez, da beleza. Aos oitenta podemos relembrar um vasto panorama e ter um senso claro de história vivida impossível aos mais novos. Posso imaginar, sentir nos ossos, o que é um século, coisa que não podia fazer aos quarenta ou sessenta. Não penso na velhice como uma fase cada vez mais penosa que é preciso suportar e levar o melhor possível, mas como um período de liberdade e tempo descomprometido, sem as infundadas urgências de outrora, livre para explorar o que eu quiser e para amarrar os pensamentos e sentimentos de toda uma vida. Não vejo a hora de fazer oitenta anos. (Oliver Sacks. Gratidão, 2015. Adaptado.) No último parágrafo, a seguinte expressão pode ser vista como exemplo de personificação:
  1. A)“notáveis teorias”.
  2. B)“longa experiência”.
  3. C)“infundadas urgências”.
  4. D)“fatos teimosos”.
  5. E)“profundas ambiguidades”.
FAMERP20261a faseQuestao 9PortuguêsOrações subordinadasMedia
leia o ensaio “Mercúrio” do neurologista inglês Oliver Sacks (1933-2015), cuja morte completou 10 anos em 30 de agosto deste ano. 1    Noite passada sonhei com o mercúrio: glóbulos enormes, brilhantes, ora subindo, ora descendo. O mercúrio é o elemento número 80, e meu sonho é um lembrete de que na terça-feira farei oitenta anos. Elementos químicos e aniversários andam ligados para mim desde menino, quando aprendi sobre os números atômicos. Com onze anos eu podia dizer “sou sódio” (elemento 11), e agora, aos 79, sou ouro. Alguns anos atrás, quando dei um frasco de mercúrio de presente a um amigo pelo seu octogésimo aniversário — um recipiente especial que não vaza nem se quebra —, ele me olhou de um jeito esquisito, mas depois me enviou uma cartinha simpática, gracejando: “Tomo um pouco toda manhã, para a saúde”. Oitenta! É difícil de acreditar. Muitas vezes sinto que a vida está prestes a começar, e percebo que está quase no fim. Beirando os oitenta, com esparsos problemas de saúde e cirurgias, nenhum deles incapacitante, me sinto feliz por estar vivo — “Estou feliz por não estar morto!” é uma frase que às vezes irrompe lá dentro de mim quando o tempo está perfeito. Sou grato por ter vivenciado muitas coisas — algumas fascinantes, outras horríveis — e por ter sido capaz de escrever uma dúzia de livros, de receber incontáveis cartas de amigos, colegas e leitores e de desfrutar do que Nathaniel Hawthorne chamou de “um intercurso com o mundo”. Lamento ter perdido (e ainda perder) tanto tempo; lamento ser tão angustiantemente tímido aos oitenta quanto era aos vinte; lamento não falar outra língua além da materna e não ter viajado ou vivenciado outras culturas de modo tão produtivo quanto deveria. Sinto que precisaria tentar concluir minha vida, seja o que for “concluir uma vida”. Quanto a mim, não creio em (nem desejo) uma existência após a morte, exceto na memória dos amigos e na esperança de que alguns dos meus livros ainda possam “falar” às pessoas depois que eu morrer. Quando chegar a minha hora, espero que eu possa morrer na ativa, como o biólogo molecular Francis Crick. Quando lhe informaram que seu câncer de cólon tinha voltado, de início ele não disse nada; simplesmente olhou ao longe por um minuto, depois retomou o que vinha pensando. Ao lhe perguntarem sobre seu diagnóstico algumas semanas depois, ele respondeu: “Tudo o que tem um começo deve ter um fim”. Morreu aos 88 anos, ainda totalmente comprometido com seu trabalho mais criativo. 5    Meu pai, que viveu até os 94 anos, costumava dizer que seus oitenta anos tinham sido uma das décadas mais agradáveis de sua vida. Ele sentiu, como começo a sentir, não um encolhimento, e sim uma expansão da vida mental e da perspectiva. Nesta altura já tivemos uma longa experiência de vida, não só da nossa, mas também da de outros. Já vimos triunfos e tragédias, altos e baixos, revoluções e guerras, grandes realizações e profundas ambiguidades também. Já assistimos notáveis teorias ascenderem e acabarem derrubadas por fatos teimosos. Somos mais conscientes da transitoriedade e, talvez, da beleza. Aos oitenta podemos relembrar um vasto panorama e ter um senso claro de história vivida impossível aos mais novos. Posso imaginar, sentir nos ossos, o que é um século, coisa que não podia fazer aos quarenta ou sessenta. Não penso na velhice como uma fase cada vez mais penosa que é preciso suportar e levar o melhor possível, mas como um período de liberdade e tempo descomprometido, sem as infundadas urgências de outrora, livre para explorar o que eu quiser e para amarrar os pensamentos e sentimentos de toda uma vida. Não vejo a hora de fazer oitenta anos. (Oliver Sacks. Gratidão, 2015. Adaptado.) “Ele sentiu, como começo a sentir, não um encolhimento, e sim uma expansão da vida mental e da perspectiva.” (5o parágrafo) No contexto em que se insere, a oração sublinhada expressa ideia de
  1. A)condição.
  2. B)causa.
  3. C)comparação.
  4. D)concessão.
  5. E)consequência.
FAMERP20261a faseQuestao 10PortuguêsRegência e correção gramaticalDificil
leia o ensaio “Mercúrio” do neurologista inglês Oliver Sacks (1933-2015), cuja morte completou 10 anos em 30 de agosto deste ano. 1    Noite passada sonhei com o mercúrio: glóbulos enormes, brilhantes, ora subindo, ora descendo. O mercúrio é o elemento número 80, e meu sonho é um lembrete de que na terça-feira farei oitenta anos. Elementos químicos e aniversários andam ligados para mim desde menino, quando aprendi sobre os números atômicos. Com onze anos eu podia dizer “sou sódio” (elemento 11), e agora, aos 79, sou ouro. Alguns anos atrás, quando dei um frasco de mercúrio de presente a um amigo pelo seu octogésimo aniversário — um recipiente especial que não vaza nem se quebra —, ele me olhou de um jeito esquisito, mas depois me enviou uma cartinha simpática, gracejando: “Tomo um pouco toda manhã, para a saúde”. Oitenta! É difícil de acreditar. Muitas vezes sinto que a vida está prestes a começar, e percebo que está quase no fim. Beirando os oitenta, com esparsos problemas de saúde e cirurgias, nenhum deles incapacitante, me sinto feliz por estar vivo — “Estou feliz por não estar morto!” é uma frase que às vezes irrompe lá dentro de mim quando o tempo está perfeito. Sou grato por ter vivenciado muitas coisas — algumas fascinantes, outras horríveis — e por ter sido capaz de escrever uma dúzia de livros, de receber incontáveis cartas de amigos, colegas e leitores e de desfrutar do que Nathaniel Hawthorne chamou de “um intercurso com o mundo”. Lamento ter perdido (e ainda perder) tanto tempo; lamento ser tão angustiantemente tímido aos oitenta quanto era aos vinte; lamento não falar outra língua além da materna e não ter viajado ou vivenciado outras culturas de modo tão produtivo quanto deveria. Sinto que precisaria tentar concluir minha vida, seja o que for “concluir uma vida”. Quanto a mim, não creio em (nem desejo) uma existência após a morte, exceto na memória dos amigos e na esperança de que alguns dos meus livros ainda possam “falar” às pessoas depois que eu morrer. Quando chegar a minha hora, espero que eu possa morrer na ativa, como o biólogo molecular Francis Crick. Quando lhe informaram que seu câncer de cólon tinha voltado, de início ele não disse nada; simplesmente olhou ao longe por um minuto, depois retomou o que vinha pensando. Ao lhe perguntarem sobre seu diagnóstico algumas semanas depois, ele respondeu: “Tudo o que tem um começo deve ter um fim”. Morreu aos 88 anos, ainda totalmente comprometido com seu trabalho mais criativo. 5    Meu pai, que viveu até os 94 anos, costumava dizer que seus oitenta anos tinham sido uma das décadas mais agradáveis de sua vida. Ele sentiu, como começo a sentir, não um encolhimento, e sim uma expansão da vida mental e da perspectiva. Nesta altura já tivemos uma longa experiência de vida, não só da nossa, mas também da de outros. Já vimos triunfos e tragédias, altos e baixos, revoluções e guerras, grandes realizações e profundas ambiguidades também. Já assistimos notáveis teorias ascenderem e acabarem derrubadas por fatos teimosos. Somos mais conscientes da transitoriedade e, talvez, da beleza. Aos oitenta podemos relembrar um vasto panorama e ter um senso claro de história vivida impossível aos mais novos. Posso imaginar, sentir nos ossos, o que é um século, coisa que não podia fazer aos quarenta ou sessenta. Não penso na velhice como uma fase cada vez mais penosa que é preciso suportar e levar o melhor possível, mas como um período de liberdade e tempo descomprometido, sem as infundadas urgências de outrora, livre para explorar o que eu quiser e para amarrar os pensamentos e sentimentos de toda uma vida. Não vejo a hora de fazer oitenta anos. (Oliver Sacks. Gratidão, 2015. Adaptado.) “Quanto a mim, não creio em (nem desejo) uma existência após a morte, exceto na memória dos amigos e na esperança de que alguns dos meus livros ainda possam ‘falar’ às pessoas depois que eu morrer.” (3o parágrafo) Nesse trecho, a posição dos parênteses, após a preposição “em” e não imediatamente após o verbo “creio”, explica-se por uma questão
  1. A)de concordância verbal.
  2. B)de concordância nominal.
  3. C)meramente estilística.
  4. D)de regência nominal.
  5. E)de regência verbal.
FAMERP20251a faseQuestao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
leia o poema “A cinta de Vênus”, do poeta árcade Silva Alvarenga. Cai a cinta a Vênus 1 bela, Sem cautela recostada; E turbada 2 entre os pesares Pede aos mares que lha deem. O tesouro se procura, Os desejos se interessam, Os cuidados já se apressam, E a ternura vai também. Empenhou-se, ó Glaura, o zelo; Mas em vão: que perda triste! Só eu vi, sei onde existe; E dizê-lo não convém. Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha deem. Roubador do puro ornato Foi Antero e foi Cupido 3; E o levaram escondido Com recato, eu sei a quem. Receosos pelo insulto, Que traidores cometeram, No teu seio se acolheram, Onde oculto asilo têm. Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha deem. Dos meus olhos não se escondem Os meninos 4, a quem amo: Se os procuro, espreito e chamo, Correspondem, mas não vêm. Com acenos expressivos De alegria suspeitosa Mostram faixa preciosa, Que atrativos mil contêm. Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha deem. Se piedade aflito rogo, E que cessem teus rigores, (Ah cruéis, lindos Amores!) Fogem logo e com desdém. Abrandá-los não consigo, E já deles tenho medo: Guarda, Ninfa, este segredo, Que não digo a mais ninguém. Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha deem. (Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005.) 1 Vênus: deusa do Amor. 2 turbada: aflita, transtornada. 3 Antero e Cupido: irmãos, filhos de Vênus. 4 meninos: os filhos de Vênus, ou seja, Antero e Cupido. Depreende-se do poema que Antero e Cupido se esconderam
  1. A)no peito do eu lírico.
  2. B)no peito de Glaura.
  3. C)no peito de Vênus.
  4. D)nos mares.
  5. E)nos olhos do eu lírico.
FAMERP20251a faseQuestao 2PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
leia o poema “A cinta de Vênus”, do poeta árcade Silva Alvarenga. Cai a cinta a Vênus 1 bela, Sem cautela recostada; E turbada 2 entre os pesares Pede aos mares que lha deem. O tesouro se procura, Os desejos se interessam, Os cuidados já se apressam, E a ternura vai também. Empenhou-se, ó Glaura, o zelo; Mas em vão: que perda triste! Só eu vi, sei onde existe; E dizê-lo não convém. Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha deem. Roubador do puro ornato Foi Antero e foi Cupido 3; E o levaram escondido Com recato, eu sei a quem. Receosos pelo insulto, Que traidores cometeram, No teu seio se acolheram, Onde oculto asilo têm. Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha deem. Dos meus olhos não se escondem Os meninos 4, a quem amo: Se os procuro, espreito e chamo, Correspondem, mas não vêm. Com acenos expressivos De alegria suspeitosa Mostram faixa preciosa, Que atrativos mil contêm. Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha deem. Se piedade aflito rogo, E que cessem teus rigores, (Ah cruéis, lindos Amores!) Fogem logo e com desdém. Abrandá-los não consigo, E já deles tenho medo: Guarda, Ninfa, este segredo, Que não digo a mais ninguém. Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha deem. (Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005.) 1 Vênus: deusa do Amor. 2 turbada: aflita, transtornada. 3 Antero e Cupido: irmãos, filhos de Vênus. 4 meninos: os filhos de Vênus, ou seja, Antero e Cupido. No poema, o eu lírico manifesta um sentimento contraditório em relação aos filhos de Vênus. Tal sentimento contraditório está explícito no seguinte trecho:
  1. A)“Dos meus olhos não se escondem / Os meninos, a quem amo:” (8a estrofe)
  2. B)“Se os procuro, espreito e chamo, / Correspondem, mas não vêm.” (8a estrofe)
  3. C)“Receosos pelo insulto, / Que traidores cometeram,” (6a estrofe)
  4. D)“(Ah cruéis, lindos Amores!) / Fogem logo e com desdém.” (11a estrofe)
  5. E)“Abrandá-los não consigo, / E já deles tenho medo:” (12a estrofe)
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