Interpretação de texto (TIC) · FAMERP

Interpretação de texto (TIC): questões do FAMERP

23 questões de Interpretação de texto (TIC) (Português) no FAMERP (2015–2026). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Interpretação de texto (TIC) no FAMERP

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FAMERP20261a faseQuestao 7PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Facil
leia o ensaio “Mercúrio” do neurologista inglês Oliver Sacks (1933-2015), cuja morte completou 10 anos em 30 de agosto deste ano. 1    Noite passada sonhei com o mercúrio: glóbulos enormes, brilhantes, ora subindo, ora descendo. O mercúrio é o elemento número 80, e meu sonho é um lembrete de que na terça-feira farei oitenta anos. Elementos químicos e aniversários andam ligados para mim desde menino, quando aprendi sobre os números atômicos. Com onze anos eu podia dizer “sou sódio” (elemento 11), e agora, aos 79, sou ouro. Alguns anos atrás, quando dei um frasco de mercúrio de presente a um amigo pelo seu octogésimo aniversário — um recipiente especial que não vaza nem se quebra —, ele me olhou de um jeito esquisito, mas depois me enviou uma cartinha simpática, gracejando: “Tomo um pouco toda manhã, para a saúde”. Oitenta! É difícil de acreditar. Muitas vezes sinto que a vida está prestes a começar, e percebo que está quase no fim. Beirando os oitenta, com esparsos problemas de saúde e cirurgias, nenhum deles incapacitante, me sinto feliz por estar vivo — “Estou feliz por não estar morto!” é uma frase que às vezes irrompe lá dentro de mim quando o tempo está perfeito. Sou grato por ter vivenciado muitas coisas — algumas fascinantes, outras horríveis — e por ter sido capaz de escrever uma dúzia de livros, de receber incontáveis cartas de amigos, colegas e leitores e de desfrutar do que Nathaniel Hawthorne chamou de “um intercurso com o mundo”. Lamento ter perdido (e ainda perder) tanto tempo; lamento ser tão angustiantemente tímido aos oitenta quanto era aos vinte; lamento não falar outra língua além da materna e não ter viajado ou vivenciado outras culturas de modo tão produtivo quanto deveria. Sinto que precisaria tentar concluir minha vida, seja o que for “concluir uma vida”. Quanto a mim, não creio em (nem desejo) uma existência após a morte, exceto na memória dos amigos e na esperança de que alguns dos meus livros ainda possam “falar” às pessoas depois que eu morrer. Quando chegar a minha hora, espero que eu possa morrer na ativa, como o biólogo molecular Francis Crick. Quando lhe informaram que seu câncer de cólon tinha voltado, de início ele não disse nada; simplesmente olhou ao longe por um minuto, depois retomou o que vinha pensando. Ao lhe perguntarem sobre seu diagnóstico algumas semanas depois, ele respondeu: “Tudo o que tem um começo deve ter um fim”. Morreu aos 88 anos, ainda totalmente comprometido com seu trabalho mais criativo. 5    Meu pai, que viveu até os 94 anos, costumava dizer que seus oitenta anos tinham sido uma das décadas mais agradáveis de sua vida. Ele sentiu, como começo a sentir, não um encolhimento, e sim uma expansão da vida mental e da perspectiva. Nesta altura já tivemos uma longa experiência de vida, não só da nossa, mas também da de outros. Já vimos triunfos e tragédias, altos e baixos, revoluções e guerras, grandes realizações e profundas ambiguidades também. Já assistimos notáveis teorias ascenderem e acabarem derrubadas por fatos teimosos. Somos mais conscientes da transitoriedade e, talvez, da beleza. Aos oitenta podemos relembrar um vasto panorama e ter um senso claro de história vivida impossível aos mais novos. Posso imaginar, sentir nos ossos, o que é um século, coisa que não podia fazer aos quarenta ou sessenta. Não penso na velhice como uma fase cada vez mais penosa que é preciso suportar e levar o melhor possível, mas como um período de liberdade e tempo descomprometido, sem as infundadas urgências de outrora, livre para explorar o que eu quiser e para amarrar os pensamentos e sentimentos de toda uma vida. Não vejo a hora de fazer oitenta anos. (Oliver Sacks. Gratidão, 2015. Adaptado.) A resposta de Francis Crick, ao ser perguntado sobre seu diagnóstico, deixa transparecer o seguinte sentimento:
  1. A)mágoa.
  2. B)resignação.
  3. C)indignação.
  4. D)incredulidade.
  5. E)perplexidade.
FAMERP20251a faseQuestao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
leia o poema “A cinta de Vênus”, do poeta árcade Silva Alvarenga. Cai a cinta a Vênus 1 bela, Sem cautela recostada; E turbada 2 entre os pesares Pede aos mares que lha deem. O tesouro se procura, Os desejos se interessam, Os cuidados já se apressam, E a ternura vai também. Empenhou-se, ó Glaura, o zelo; Mas em vão: que perda triste! Só eu vi, sei onde existe; E dizê-lo não convém. Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha deem. Roubador do puro ornato Foi Antero e foi Cupido 3; E o levaram escondido Com recato, eu sei a quem. Receosos pelo insulto, Que traidores cometeram, No teu seio se acolheram, Onde oculto asilo têm. Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha deem. Dos meus olhos não se escondem Os meninos 4, a quem amo: Se os procuro, espreito e chamo, Correspondem, mas não vêm. Com acenos expressivos De alegria suspeitosa Mostram faixa preciosa, Que atrativos mil contêm. Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha deem. Se piedade aflito rogo, E que cessem teus rigores, (Ah cruéis, lindos Amores!) Fogem logo e com desdém. Abrandá-los não consigo, E já deles tenho medo: Guarda, Ninfa, este segredo, Que não digo a mais ninguém. Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha deem. (Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005.) 1 Vênus: deusa do Amor. 2 turbada: aflita, transtornada. 3 Antero e Cupido: irmãos, filhos de Vênus. 4 meninos: os filhos de Vênus, ou seja, Antero e Cupido. Depreende-se do poema que Antero e Cupido se esconderam
  1. A)no peito do eu lírico.
  2. B)no peito de Glaura.
  3. C)no peito de Vênus.
  4. D)nos mares.
  5. E)nos olhos do eu lírico.
FAMERP20251a faseQuestao 2PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
leia o poema “A cinta de Vênus”, do poeta árcade Silva Alvarenga. Cai a cinta a Vênus 1 bela, Sem cautela recostada; E turbada 2 entre os pesares Pede aos mares que lha deem. O tesouro se procura, Os desejos se interessam, Os cuidados já se apressam, E a ternura vai também. Empenhou-se, ó Glaura, o zelo; Mas em vão: que perda triste! Só eu vi, sei onde existe; E dizê-lo não convém. Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha deem. Roubador do puro ornato Foi Antero e foi Cupido 3; E o levaram escondido Com recato, eu sei a quem. Receosos pelo insulto, Que traidores cometeram, No teu seio se acolheram, Onde oculto asilo têm. Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha deem. Dos meus olhos não se escondem Os meninos 4, a quem amo: Se os procuro, espreito e chamo, Correspondem, mas não vêm. Com acenos expressivos De alegria suspeitosa Mostram faixa preciosa, Que atrativos mil contêm. Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha deem. Se piedade aflito rogo, E que cessem teus rigores, (Ah cruéis, lindos Amores!) Fogem logo e com desdém. Abrandá-los não consigo, E já deles tenho medo: Guarda, Ninfa, este segredo, Que não digo a mais ninguém. Cai a cinta a Vênus bela, Sem cautela recostada; E turbada entre os pesares Pede aos mares que lha deem. (Silva Alvarenga. Obras poéticas: poemas líricos, 2005.) 1 Vênus: deusa do Amor. 2 turbada: aflita, transtornada. 3 Antero e Cupido: irmãos, filhos de Vênus. 4 meninos: os filhos de Vênus, ou seja, Antero e Cupido. No poema, o eu lírico manifesta um sentimento contraditório em relação aos filhos de Vênus. Tal sentimento contraditório está explícito no seguinte trecho:
  1. A)“Dos meus olhos não se escondem / Os meninos, a quem amo:” (8a estrofe)
  2. B)“Se os procuro, espreito e chamo, / Correspondem, mas não vêm.” (8a estrofe)
  3. C)“Receosos pelo insulto, / Que traidores cometeram,” (6a estrofe)
  4. D)“(Ah cruéis, lindos Amores!) / Fogem logo e com desdém.” (11a estrofe)
  5. E)“Abrandá-los não consigo, / E já deles tenho medo:” (12a estrofe)
FAMERP20251a faseQuestao 7PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
leia o trecho de uma crônica de Machado de Assis, publicada originalmente em 16.06.1878. Estrugiram 1 os últimos foguetes de Santo Antônio; não tarda chegar a vez de S. João e de S. Pedro. [...] Indague quem quiser o motivo histórico deste foguetear os três santos, uso que herdamos dos nossos maiores; a realidade é que, não obstante o ceticismo do tempo, muita e muita dezena de anos há de correr, primeiro que o povo perca os seus antigos amores. Nestas noites abençoadas é que as crendices sãs abrem todas as velas. As consultas, as sortes, os ovos guardados em água, e outras sublimes ridicularias 2, ria-se delas quem quiser; eu vejo-as com respeito, com simpatia, e se alguma coisa me molestam é por eu não as saber já praticar. [...] Os dias passam, e os meses, e os anos, e as situações políticas, e as gerações e os sentimentos, e as ideias. Cada olimpíada 3 traz nas mãos uma nova andaina 4 do tempo. [...] Duas coisas, entretanto, perduram no meio da instabilidade universal: 1o a constância da polícia, que todos os anos declara editalmente ser proibido queimar fogos, por ocasião das festas de S. João e seus comensais; 2o a disposição do povo em desobedecer às ordens da polícia. A proibição não é simples vontade do chefe; é uma postura municipal de 1856. Anualmente aparece o mesmo edital, escrito com os mesmos termos; o chefe rubrica essa chapa inofensiva, que é impressa, lida e desrespeitada. Da tenacidade com que a polícia proíbe, e da teimosia com que o povo infringe a proibição, fica um resíduo comum: o trecho impresso e os fogos queimados. (Machado de Assis. Notas semanais, 2008.) 1 estrugir: soar ou vibrar fortemente. 2 ridicularia: coisa mínima e sem importância; insignificância. 3 olimpíada: período de quatro anos. 4 andaina: veste. De acordo com o cronista,
  1. A)as crendices do povo estão na iminência de se extinguirem.
  2. B)a teimosia do povo em desobedecer à polícia resiste à ação do tempo.
  3. C)as crendices do povo revelam-se imunes à ação do tempo.
  4. D)o povo tem mostrado disposição em se adaptar às determinações da polícia.
  5. E)nada há no mundo que escape à ação do tempo.
FAMERP20221a faseQuestao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Leia o poema “Vaso chinês”, de Alberto de Oliveira, para responder às questões de 01 a 03. Vaso chinês Estranho mimo aquele vaso! Vi-o. Casualmente, uma vez, de um perfumado Contador¹ sobre o mármor² luzidio, Entre um leque e o começo de um bordado. Fino artista chinês, enamorado, Nele pusera o coração doentio Em rubras flores de um sutil lavrado, Na tinta ardente, de um calor sombrio. Mas, talvez por contraste à desventura, Quem o sabe?... de um velho mandarim Também lá estava a singular figura; Que arte em pintá-la! a gente acaso vendo-a, Sentia um não sei quê com aquele chim³ De olhos cortados à feição de amêndoa. ¹ contador: armário, penteadeira. ² mármor: mármore. ³ chim: chinês. O eu lírico manifesta dúvida em relação
  1. A)a quem teria pintado o vaso.
  2. B)ao sentido que teria a figura do mandarim no vaso.
  3. C)à circunstância exata em que viu o vaso.
  4. D)a como o vaso teria chegado ao local onde estava.
  5. E)ao significado das flores pintadas no vaso.
FAMERP20221a faseQuestao 5PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
A propósito das botas Meu pai, que não me esperava, abraçou-me cheio de ternura e agradecimento. “— Agora é deveras?, disse ele. Posso enfim...?” Deixei-o nessa reticência, e fui descalçar as botas, que estavam apertadas. Uma vez aliviado, respirei à larga, e deitei-me a fio comprido, enquanto os pés, e todo eu atrás deles, entrávamos numa relativa bem-aventurança. Então considerei que as botas apertadas são uma das maiores venturas da Terra, porque, fazendo doer os pés, dão azo ao prazer de as descalçar. Mortifica os pés, desgraçado, desmortifica-os depois, e aí tens a felicidade barata, ao sabor dos sapateiros e de Epicuro1. [...] Quatro ou cinco dias depois, saboreava esse rápido, inefável e incoercível momento de gozo, que sucede a uma dor pungente, a uma preocupação, a um incômodo... Daqui inferi eu que a vida é o mais engenhoso dos fenômenos, porque só aguça a fome, com o fim de deparar a ocasião de comer, e não inventou os calos, senão porque eles aperfeiçoam a felicidade terrestre. Em verdade vos digo que toda a sabedoria humana não vale um par de botas curtas. Tu, minha Eugênia, é que não as descalçaste nunca; foste aí pela estrada da vida, manquejando da perna e do amor, triste como os enterros pobres, solitária, calada, laboriosa, até que vieste também para esta outra margem... (Memórias póstumas de Brás Cubas, 2008.) 1Epicuro: Filósofo grego (341 a.C. – 271 a.C.). O trecho exemplifica um procedimento típico de Machado de Assis:
  1. A)o cientificismo, em que o narrador defende uma tese com argumentos de caráter científico.
  2. B)o mistério, em que o narrador faz afirmações pouco claras, produzindo uma reflexão de sentido obscuro.
  3. C)o sarcasmo, em que o narrador fere a sensibilidade de outros personagens com a sua zombaria.
  4. D)a metalinguagem, em que o narrador faz considerações sobre a linguagem e a construção do livro.
  5. E)a digressão, em que o narrador se afasta do fluxo da narrativa para fazer uma reflexão sobre temas diversos.
FAMERP20221a faseQuestao 6PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
A propósito das botas Meu pai, que não me esperava, abraçou-me cheio de ternura e agradecimento. “— Agora é deveras?, disse ele. Posso enfim...?” Deixei-o nessa reticência, e fui descalçar as botas, que estavam apertadas. Uma vez aliviado, respirei à larga, e deitei-me a fio comprido, enquanto os pés, e todo eu atrás deles, entrávamos numa relativa bem-aventurança. Então considerei que as botas apertadas são uma das maiores venturas da Terra, porque, fazendo doer os pés, dão azo ao prazer de as descalçar. Mortifica os pés, desgraçado, desmortifica-os depois, e aí tens a felicidade barata, ao sabor dos sapateiros e de Epicuro1. [...] Quatro ou cinco dias depois, saboreava esse rápido, inefável e incoercível momento de gozo, que sucede a uma dor pungente, a uma preocupação, a um incômodo... Daqui inferi eu que a vida é o mais engenhoso dos fenômenos, porque só aguça a fome, com o fim de deparar a ocasião de comer, e não inventou os calos, senão porque eles aperfeiçoam a felicidade terrestre. Em verdade vos digo que toda a sabedoria humana não vale um par de botas curtas. Tu, minha Eugênia, é que não as descalçaste nunca; foste aí pela estrada da vida, manquejando da perna e do amor, triste como os enterros pobres, solitária, calada, laboriosa, até que vieste também para esta outra margem... (Memórias póstumas de Brás Cubas, 2008.) 1Epicuro: Filósofo grego (341 a.C. – 271 a.C.). A partir da imagem das botas apertadas, o narrador constrói a ideia de que
  1. A)o fim de uma situação incômoda pode gerar uma sensação de prazer que justifica o sofrimento.
  2. B)o mundo seria melhor se houvesse pequenos prazeres cotidianos disponíveis a todas as pessoas.
  3. C)algumas pessoas têm dificuldade de enxergar soluções simples para problemas cotidianos.
  4. D)a vida possui uma espécie de senso de justiça que distribui os prazeres igualmente a todas as pessoas.
  5. E)alguns homens se colocam em situações desagradáveis com a finalidade de se fortalecerem moralmente.
FAMERP20221a faseQuestao 8PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
No Brasil, como no restante do Novo Mundo, o que separa a história da pré-história é mais do que um mero prefixo. Existe, entre os dois períodos, um abismo de desconhecimento e incompreensão. Embora o trabalho dos arqueólogos literalmente se aprofunde cada vez mais, restam ainda imensas lacunas a respeito dos habitantes que, em tempos remotos, ocuparam o território que viria a ser o Brasil. O que já se sabe, porém, permite afirmar que a herança “pré-histórica” — ou seja, o legado dos povos que por no mínimo dez milênios aqui viveram — é bem mais sólida e está muito mais presente do que o senso comum em geral supõe. É preciso não esquecer, afinal, que, por pelo menos cem séculos, esses povos ancestrais — cuja própria origem ainda não pôde ser inteiramente esclarecida — testaram um repertório de alternativas e um leque de possibilidades alimentares, ecológicas e logísticas que os conquistadores europeus, sob risco de colocarem em perigo a própria sobrevivência, não puderam descartar desde o instante em que desembarcaram no então “novo” e desconhecido território, oficialmente em abril de 1500. Pode-se afirmar que as trilhas e os caminhos pelos quais o país se expandiu, os sítios onde se erguem suas grandes cidades, inúmeros produtos agrícolas que hoje saciam a fome da nação, bem como vários hábitos e costumes nacionais, são fruto direto de um conhecimento milenar — que, embora esteja dessa forma preservado, na essência se perdeu. É preciso ter em mente, portanto, que uma compreensão mais plena do Brasil impõe um mergulho no passado — e que esse passado é muito mais profundo do que apenas os últimos cinco séculos. (Brasil: uma história: cinco séculos de um país em construção, 2012.) Segundo o autor,
  1. A)a cultura dos povos nativos era útil para a sobrevivência no ambiente inóspito, mas incompatível com a construção de uma civilização europeia no Brasil.
  2. B)a cultura dos europeus tinha mais recursos para explorar o território do que a cultura dos povos nativos, o que levou à expansão europeia no território brasileiro.
  3. C)o encontro entre os povos nativos e os europeus que chegaram ao Brasil produziu um intercâmbio cultural que beneficiou ambos os grupos.
  4. D)os europeus, ao chegarem ao Brasil, a fim de melhor se adaptarem às condições locais, incorporaram conhecimentos e hábitos dos povos nativos.
  5. E)os povos nativos tinham uma rica cultura que, apesar da riqueza, foi descartada pelos europeus que chegaram ao Brasil e acabou por desaparecer.
FAMERP20221a faseQuestao 9PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
No Brasil, como no restante do Novo Mundo, o que separa a história da pré-história é mais do que um mero prefixo. Existe, entre os dois períodos, um abismo de desconhecimento e incompreensão. Embora o trabalho dos arqueólogos literalmente se aprofunde cada vez mais, restam ainda imensas lacunas a respeito dos habitantes que, em tempos remotos, ocuparam o território que viria a ser o Brasil. O que já se sabe, porém, permite afirmar que a herança “pré-histórica” — ou seja, o legado dos povos que por no mínimo dez milênios aqui viveram — é bem mais sólida e está muito mais presente do que o senso comum em geral supõe. É preciso não esquecer, afinal, que, por pelo menos cem séculos, esses povos ancestrais — cuja própria origem ainda não pôde ser inteiramente esclarecida — testaram um repertório de alternativas e um leque de possibilidades alimentares, ecológicas e logísticas que os conquistadores europeus, sob risco de colocarem em perigo a própria sobrevivência, não puderam descartar desde o instante em que desembarcaram no então “novo” e desconhecido território, oficialmente em abril de 1500. Pode-se afirmar que as trilhas e os caminhos pelos quais o país se expandiu, os sítios onde se erguem suas grandes cidades, inúmeros produtos agrícolas que hoje saciam a fome da nação, bem como vários hábitos e costumes nacionais, são fruto direto de um conhecimento milenar — que, embora esteja dessa forma preservado, na essência se perdeu. É preciso ter em mente, portanto, que uma compreensão mais plena do Brasil impõe um mergulho no passado — e que esse passado é muito mais profundo do que apenas os últimos cinco séculos. (Brasil: uma história: cinco séculos de um país em construção, 2012.) No contexto em que se encontra o trecho “em que desembarcaram no então “novo” e desconhecido território, oficialmente em abril de 1500” (2o parágrafo), as aspas em torno da palavra “novo”
  1. A)insinuam que, diferente do que conta a história, os europeus já teriam chegado ao Brasil antes de abril de 1500.
  2. B)ressaltam que o território brasileiro era uma novidade à época, mas agora, mais de 500 anos depois, não pode mais ser considerado novo.
  3. C)enfatizam que o território em questão, que era uma novidade para os europeus, não o era para os povos nativos.
  4. D)reforçam para o leitor a ideia de que, para os europeus, o território encontrado era inteiramente desconhecido.
  5. E)advertem o leitor sobre a relatividade do tempo histórico, coletivo, quando comparado ao tempo de vida de um indivíduo.
FAMERP20211a faseQuestao 2PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
É sina de minha amiga penar pela sorte do próximo, se bem que seja um penar jubiloso. Explico-me. Todo sofrimento alheio a preocupa, e acende nela o facho da ação, que a torna feliz. Não distingue entre gente e bicho, quando tem de agir, mas como há inúmeras sociedades (com verbas) para o bem dos homens, e uma só, sem recursos, para o bem dos animais, é nesta última que gosta de militar. Os problemas aparecem-lhe em cardume, e parece que a escolhem de preferência a outras criaturas de menor sensibilidade e iniciativa. Os cães postam-se no seu caminho, e: — Dona, me leva — murmuram-lhe os olhos surrados pela vida mas sempre meigos. Outro dia o cão vinha pela rua, mancando, amarrado a um barbante e puxado por um bêbado pobre, mas tão bêbado como qualquer outro. Com o aperto do laço, o infeliz punha a alma pela boca. E o bêbado resmungava ameaças confusas. Minha amiga aproximou-se, com jeito. — Não faça assim com o pobrezinho, que ele sufoca. — Faço o que eu quero, ele é meu. — Mas é proibido maltratar os animais. — Eu não vou maltratar. Vou matar com duas navalhadas. Minha amiga pulou como Ademar Ferreira da Silva1: — Me dá esse cachorro. — Dar, não dou, mas vendo. Dez cruzeiros selaram o negócio, e, livre do barbante, o cachorro embarcou no carro de minha amiga. Felizmente, anoitecia — e ela penetrou no apartamento, sem impugnação do porteiro. Que prodígios não faz para amortecer o latido dos hóspedes, lá dentro! (Uma vez, ante a reclamação do vizinho, explicou que era disco de jazz.) Já havia três cães instalados, não cabia mais. Tratou do bicho, chamou-lhe veterinário, curou-lhe a pata, deu-lhe vitamina e carinho. Só depois começou a providenciar uma casa de confiança para ele. Seu método consiste numa conversa mole com a pessoa: tem cachorro em casa? Por que não tem mais? Fugiu? Morreu de velho? (Se o cão fugiu, o dono não presta.) Conforme a ficha da pessoa, minha amiga lhe oferece o animal, ou não, e passa adiante. Desta vez o escolhido foi José, contínuo de autarquia (não carece ser rico, mas bom, paciente, bem-humorado). José tem crianças, espaço cercado e vocação para dedicar-se. Minha amiga ofereceu-se para levar o cachorro ao longe subúrbio, José disse que não precisava, ela insistiu, ele idem. Afinal foram juntos, o carro subiu ladeira, desceu ladeira, e no alto do morro desvendou-se a triste casa de José, que não era casa cercada, era um corredor de cabeça de porco2, com cinco crianças, mulher e sogra de José empilhadas. Minha amiga compreendeu. José era mais pobre do que o cachorro e sem um mínimo de dinheiro não se compra ar livre e espaço para brincar. Seria cruel dizer a José: “Volto com o cachorro”. Felizmente o animal salvou a situação, tentando morder um dos garotos que lhe fizera festa. Minha amiga iluminou-se: “Está vendo, José? Ele não se acostuma. Vou te trazer outro, novinho”. José, desolado, aquiesceu. Minha amiga saiu voando para a cidade, entrou numa dessas casas onde se martirizam animais à venda, e resgatou o menor dos cachorrinhos recém-nascidos, que já penava numa jaula sem água e alimento, a um sol de fogo. “Para este, qualquer coisa é negócio, e melhora a vida.” Levou-o rápido, para José, que o recebeu de alma embandeirada. Agora, minha amiga tem dois problemas: arranjar um dono para o cachorro do bêbado, e dar um jeito nos cinco filhos de José. Mas resolve, não tenham dúvida. (70 historinhas, 2016.) 1 Ademar Ferreira da Silva: atleta brasileiro, primeiro bicampeão olímpico do país; conquistou as medalhas de ouro no salto triplo nos Jogos de Helsinque 1952 e de Melbourne 1956. 2 cabeça de porco: cortiço. Constitui exemplo de interação do narrador com o seu leitor o trecho:
  1. A)“Mas resolve, não tenham dúvida.” (14o parágrafo)
  2. B)“Minha amiga compreendeu.” (13o parágrafo)
  3. C)“Que prodígios não faz para amortecer o latido dos hóspedes, lá dentro!” (11o parágrafo)
  4. D)“(Se o cão fugiu, o dono não presta.)” (11o parágrafo)
  5. E)“Com o aperto do laço, o infeliz punha a alma pela boca.” (3o parágrafo)
FAMERP20211a faseQuestao 8PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
leia o trecho do livro O mundo assombrado pelos demônios, de Carl Sagan, publicado originalmente em 1995. A ciência e a tecnologia não são apenas cornucópias1 despejando dádivas sobre o mundo. Os cientistas não só conceberam as armas nucleares; eles também pegaram os líderes políticos pela lapela, argumentando que a sua nação tinha que ser a primeira a fabricar uma dessas armas. E assim eles produziram mais de 60 mil armas nucleares. Durante a Guerra Fria, os cientistas nos Estados Unidos, na União Soviética, na China e em outras nações estavam dispostos a expor os seus conterrâneos à radiação — na maioria dos casos, sem o conhecimento deles — a fim de se preparar para a guerra nuclear. A nossa tecnologia produziu a talidomida, os CFCs, o agente laranja, os gases que atacam o sistema nervoso, a poluição do ar e da água, as extinções de espécies, e indústrias tão poderosas que podem arruinar o clima do planeta. Aproximadamente metade dos cientistas na Terra dedica parte de seu tempo de trabalho para fins militares. Embora alguns cientistas ainda sejam vistos como estranhos ao sistema, criticando corajosamente os males da sociedade e dando os primeiros avisos sobre catástrofes tecnológicas potenciais, muitos são considerados oportunistas submissos ou uma fonte complacente de lucros empresariais e de armas de destruição em massa - não importa quais sejam as consequências a longo prazo. Os perigos tecnológicos que a ciência apresenta, seu desafio implícito ao conhecimento recebido e sua visível dificuldade são razões para que as pessoas, desconfiadas, a evitem. Existe uma razão para as pessoas ficarem nervosas a respeito da ciência e da tecnologia. (O mundo assombrado pelos demônios, 2006. Adaptado.) 1 cornucópia: vaso em forma de chifre, com frutas e flores que dele extravasam profusamente, antigo símbolo da fertilidade, riqueza, abundância. Depreende-se do texto que
  1. A)os políticos são necessariamente corruptos.
  2. B)a ciência e a tecnologia são ambivalentes.
  3. C)os cientistas e os tecnólogos são necessariamente corruptos.
  4. D)os políticos corromperam a tecnologia.
  5. E)as pessoas superestimam o potencial destrutivo da ciência.
FAMERP20191a faseQuestao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Eles começam a mudar tudo na saúde. Para citar algumas das transformações: tornam o diagnóstico preciso, ajudam a desenhar tratamentos para cada paciente, a levar o cuidado a regiões distantes e a encontrar remédios eficazes em tempo recorde. Na saúde, assim como em outras áreas da vida contemporânea, os robôs revolucionam. “Seu uso é um ponto de virada na medicina”, afirma o médico Gregg Meyer, do Massachusetts General Hospital, da Universidade Harvard (EUA), e um dos mais respeitados estudiosos do assunto. Na edição deste ano do Fórum de Inovação Médica Mundial, realizada recentemente em Boston, o tema foi um dos destaques, reunindo 1,5 mil pessoas só para debatê-lo. Robô é o nome palatável encontrado para definir os complexos sistemas de algoritmos que baseiam a inteligência artificial. Em linhas gerais, trata-se da utilização do maior número possível de dados disponível sobre determinado assunto, seu cruzamento e, como consequência, a identificação de padrões. Na saúde, as informações geradas no processo esclarecem ou confirmam suspeitas diagnósticas e indicam a resposta do paciente ao tratamento. Além dos ganhos médicos, reduzem os custos ao evitar gastos em terapias desnecessárias. (https://istoe.com.br, 25.05.2018.) A frase que interpreta corretamente o texto e que está redigida com coesão, coerência e em conformidade com a norma-padrão da língua portuguesa é:
  1. A)A utilização da inteligência artificial na medicina resultou o engajamento de 1,5 mil especialistas na última edição do Fórum de Inovação Médica Mundial, que se tratou do tema dos robôs e seus avanços.
  2. B)Na medida em que tornam mais ágil e precisa a formulação de diagnósticos e evitam gastos com terapias dispensáveis, os robôs representam grande avanço na medicina.
  3. C)Os robôs tem revolucionado a sociedade contemporânea de modo geral e, com a medicina não poderia ser diferente. Contudo vem fazendo com que se tornem cada vez mais eficiente os tratamentos.
  4. D)Ao levar tratamento a regiões pouco acessíveis, os robôs promovem o avanço da medicina, especialmente por que contribuem sobre a facilidade de encontrar remédios comprovadamente eficazes.
  5. E)O fato que o uso de robôs na medicina é benéfico é inquestionável, contanto que auxiliam o tratamento. Conforme afirma o médico Gregg Meyer, considerado um dos estudiosos do assunto mais respeitado.
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