Literatura brasileira (prosa) · FUVEST

Literatura brasileira (prosa): questões do FUVEST

13 questões de Literatura brasileira (prosa) (Português) no FUVEST (2022–2024). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Literatura brasileira (prosa) no FUVEST

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FUVEST20241a faseQuestao 15PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Facil
Em Dois irmãos, de Milton Hatoum, os gêmeos Yaqub e Omar representam duas personalidades antagônicas que se enfrentam ao longo da narrativa. A rivalidade entre eles tem como resultado:
  1. A)A prosperidade econômica de ambos.
  2. B)A reconstrução dos laços entre eles.
  3. C)A ida de Nael a São Paulo para viver com Yaqub.
  4. D)A morte de Rânia, a irmã dos gêmeos.
  5. E)A desagregação e a ruína da família.
FUVEST20241a faseQuestao 16PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
A partir da leitura de Dois irmãos, com o foco na questão da paternidade de Nael, narrador do romance, pode-se afirmar:
  1. A)Nenhum dos dois irmãos assumiu a paternidade de Nael, nem Nael os reconheceu como pais.
  2. B)Nael é filho de Rochiram, de quem ganha a casa no fundo do terreno para escrever suas memórias.
  3. C)Nael gostaria que Yaqub fosse seu pai, pelos projetos e visão de mundo que compartilhava com ele.
  4. D)A cena final do romance, na qual Omar e Nael se encontram, confirma a paternidade de Omar.
  5. E)Embora não quisesse ter tido filhos, Halim é o pai de Nael, Omar e Yaqub.
FUVEST20241a faseQuestao 36PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
“Todos os dias que depois vieram, eram tempo de doer. Miguilim tinha sido arrancado de uma porção de coisas, e estava no mesmo lugar. Quando chegava o poder de chorar, era até bom – enquanto estava chorando, parecia que a alma toda se sacudia, misturando ao vivo todas as lembranças, as mais novas e as muito antigas. Mas, no mais das horas, ele estava cansado. Cansado e como que assustado. Sufocado. Ele não era ele mesmo. Diante dele, as pessoas, as coisas, perdiam o peso de ser. Os lugares, o Mutum – se esvaziavam, numa ligeireza, vagarosos. E Miguilim mesmo se achava diferente de todos. Ao vago, dava a mesma ideia de uma vez, em que, muito pequeno, tinha dormido de dia, fora de seu costume – quando acordou, sentiu o existir do mundo em hora estranha, e perguntou assustado: – ‘Uai, Mãe, hoje já é amanhã?!’” João Guimarães Rosa. Campo Geral. Conforme sugere o trecho, o sofrimento perturba a noção que Miguilim tinha do tempo, porque
  1. A)a falta de acuidade visual não lhe permite distinguir as épocas.
  2. B)o desamor ao pai o faz romper com a infância cedo demais.
  3. C)o aprendizado da morte embaralha os planos da memória.
  4. D)a sensação de vazio o leva a se sentir seguro no presente.
  5. E)os dias vividos no Mutum mostram-se cada vez mais curtos.
FUVEST20241a faseQuestao 37PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
A respeito dos contos “Nós matamos o Cão Tinhoso!”, “Dina”, “Papá, cobra e eu” e “Nhinguitimo”, de Nós matamos o Cão Tinhoso!, é possível afirmar:
  1. A)Os narradores e os protagonistas são crianças.
  2. B)São narrados em primeira pessoa, por narradoresprotagonistas.
  3. C)Os protagonistas são oprimidos socialmente, e a reação deles não é endereçada aos opressores.
  4. D)São fábulas, e os protagonistas são animais.
  5. E)O espaço representado é o das grandes cidades moçambicanas.
FUVEST20241a faseQuestao 67PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
O SOBREVIVENTE Impossível compor um poema a essa altura da evolução [da humanidade. Impossível escrever um poema – uma linha que seja – de [verdadeira poesia. O último trovador morreu em 1914. Tinha um nome de que ninguém se lembra mais. Há máquinas terrivelmente complicadas para as [necessidades mais simples. Se quer fumar um charuto aperte um botão. Paletós abotoam-se por eletricidade. Amor se faz pelo sem-fio. Não precisa estômago para digestão. Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta muito para atingirmos um nível razoável de cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto. Os homens não melhoraram e matam-se como percevejos. Os percevejos heroicos renascem. Inabitável o mundo é cada vez mais habitado. E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo [dilúvio. (Desconfio que escrevi um poema.) Carlos Drummond de Andrade. Alguma Poesia, 1930. Entre o primeiro e o último verso, há uma aparente contradição, que, todavia, não se sustenta porque
  1. A)os entraves à plenitude lírica são removidos.
  2. B)os trovadores ainda inspiram os enamorados.
  3. C)a sabedoria controla o poder das máquinas.
  4. D)os heróis sempre ressuscitam neste mundo.
  5. E)a poesia resiste à negatividade do seu tempo.
FUVEST20241a faseQuestao 83PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
Nos excertos, os escritores moçambicanos descrevem, cada um em seu contexto, cenas de violência. Sobre elas, é correto afirmar:
  1. A)Luís Bernardo Honwana descreve uma cena de violência psicológica velada do capataz contra a mulher, sem que ela perceba a agressão sofrida.
  2. B)Luís Bernardo Honwana expõe a violência social de que a mulher é vítima ao relatar uma discussão acalorada que ela trava com o capataz.
  3. C)Luís Bernardo Honwana narra uma luta física entre o capataz e a mulher, a qual tenta resistir à agressão sofrida, mas acaba por consentir com a relação.
  4. D)Paulina Chiziane apresenta elementos narrativos que permitem identificar a agressão psicológica e física praticada, pelo marido, contra a mulher.
  5. E)Paulina Chiziane associa a violência contra a mulher a um processo educativo que visa zelar pela estabilidade da relação conjugal e pela felicidade do casal.
FUVEST20231a faseQuestao 4PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
FAMÍLIA Três meninos e duas meninas, sendo uma ainda de colo. A cozinheira preta, a copeira mulata, o papagaio, o gato, o cachorro, as galinhas gordas no palmo de horta e a mulher que trata de tudo. A espreguiçadeira, a cama, a gangorra, o cigarro, o trabalho, a reza, a goiabada na sobremesa de domingo, o palito nos dentes contentes, o gramofone rouco toda noite e a mulher que trata de tudo. O agiota, o leiteiro, o turco, o médico uma vez por mês, o bilhete todas as semanas branco! mas a esperança sempre verde. A mulher que trata de tudo e a felicidade. Carlos Drummond de Andrade. Alguma poesia. No poema de Drummond,
  1. A)a hierarquização dos substantivos que compõem a primeira estrofe tem a função de situar essa família na sociedade escravagista do século XIX.
  2. B)a repetição de um verbo de ação, em contraste com o caráter nominal dos versos, destaca a serventia da figura feminina na organização familiar.
  3. C)a ausência de menção direta ao homem produz um retrato reativo à família patriarcal, por salientar o protagonismo social da mulher.
  4. D)o modo como os elementos que compõem a terceira estrofe estão relacionados permite inferir a prosperidade econômica familiar.
  5. E)o enquadramento da mulher no ambiente doméstico lança luz sobre um regime social que favorece a realização plena das potencialidades femininas.
FUVEST20231a faseQuestao 37PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte Porque apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte E tenho comigo pensado, Deus é brasileiro e anda do meu lado E assim já não posso sofrer no ano passado Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro Belchior. “Sujeito de sorte”. Leia as seguintes afirmações a respeito da letra da música: I - Os adjuntos adverbiais temporais remetem a um contraste entre passado e presente, o que reforça o caráter metafórico do texto. II - A locução “apesar de” contribui para a expressão de um sentimento inesperado em relação ao sentido de “muito moço”. III – As formas verbais “morri” e “morro”, embora se refiram a momentos distintos, apresentam sentido denotativo. Está correto o que se afirma em:
  1. A)I, apenas.
  2. B)II, apenas.
  3. C)I e II, apenas.
  4. D)II e III, apenas.
  5. E)I, II e III.
FUVEST20231a faseQuestao 38PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Dificil
O QUINTO IMPÉRIO Triste de quem vive em casa, Contente com o seu lar, Sem que um sonho, no erguer de asa, Faça até mais rubra a brasa Da lareira a abandonar! Triste de quem é feliz! Vive porque a vida dura. Nada na alma lhe diz Mais que a lição da raiz — Ter por vida a sepultura. Eras sobre eras se somem No tempo que em eras vem. Ser descontente é ser homem. Que as forças cegas se domem Pela visão que a alma tem! E assim, passados os quatro Tempos do ser que sonhou, A terra será teatro Do dia claro, que no atro Da erma noite começou. Grécia, Roma, Cristandade, Europa — os quatro se vão Para onde vai toda idade. Quem vem viver a verdade Que morreu D. Sebastião? Fernando Pessoa. Mensagem. De acordo com o texto, a ideia de felicidade, também nuclear em outros poemas de Mensagem,
  1. A)alimenta as aspirações humanas.
  2. B)compreende-se como superação da morte.
  3. C)identifica-se com o destino heroico.
  4. D)compõe a mediocridade cotidiana.
  5. E)situa-se como finalidade da existência.
FUVEST20231a faseQuestao 39PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Dificil
O QUINTO IMPÉRIO Triste de quem vive em casa, Contente com o seu lar, Sem que um sonho, no erguer de asa, Faça até mais rubra a brasa Da lareira a abandonar! Triste de quem é feliz! Vive porque a vida dura. Nada na alma lhe diz Mais que a lição da raiz — Ter por vida a sepultura. Eras sobre eras se somem No tempo que em eras vem. Ser descontente é ser homem. Que as forças cegas se domem Pela visão que a alma tem! E assim, passados os quatro Tempos do ser que sonhou, A terra será teatro Do dia claro, que no atro Da erma noite começou. Grécia, Roma, Cristandade, Europa — os quatro se vão Para onde vai toda idade. Quem vem viver a verdade Que morreu D. Sebastião? Fernando Pessoa. Mensagem. Mensagem reconduz a história de Portugal a partir de uma reinterpretação do tempo histórico. No poema, o tempo é encarado segundo uma concepção
  1. A)nostálgica, devido à presença de modelos situados no passado.
  2. B)materialista, por efeito da aspiração burguesa de um lar confortável.
  3. C)mística, em razão do prognóstico de um futuro metafísico.
  4. D)biológica, por mérito da aceitação do ciclo natural da existência.
  5. E)psicológica, em virtude da referência ao substantivo “sonho”.
FUVEST20231a faseQuestao 41PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
“Eu quase fui um índio sacana, como meu tio. (...) Desses índio que são índio pela metade. Ou seja, qui nem índio, nem branco, nem cholo, nem negro, nem serrano, nem costeiro, nem camponês, nem equatoriano, nem estrangeiro, nem nada. Índio sacana, claro. Índio qu’está à vista de toda gente e ninguém vê, qu’está mesminho nas ruas todos os dias, caminhando pra lá pra cá, buscando trabalho nas porta de gente rica, de jardineiro, de mensageiro, cuidador de cachorros, saloneiro, caseiro, criador de crianças, de toda classe de trabalho. Chofer. O Equador está cheinho de índio sacana assim. Desse tipo d’índio que não é nada”. CARVALHO-NETO, Paulo de. Meu tio Atahualpa. Rio de Janeiro: Salamandra, 1978. A expressão “índio sacana”, presente no texto, faz referência a:
  1. A)Uma parcela da população indígena caracterizada por sua autonomia e resistência às formas pós-coloniais de dominação.
  2. B)Um grupo social cuja inserção na sociedade equatoriana foi complexa e limitada.
  3. C)Uma etnia que historicamente alcançou a emancipação política e social por meio da assimilação da cultura europeia.
  4. D)Um conjunto de indivíduos de nacionalidade estrangeira cujos hábitos e costumes contrastavam com os da população local.
  5. E)Um segmento que ganhou visibilidade por ocupar posições sociais de prestígio.
FUVEST20231a faseQuestao 44PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
“Migna terra tê parmeras Che ganta inzima o sabiá. As aves che stó aqui, Tambê tuttos sabi gorgeá. (...) Os rio lá sô maise grandi Dus rio di tuttas naçó; I os matto si perdi di vista, Nu meio da imensidó.” BANANÉRE, Juó. “Migna terra”. La Divina Increnca. São Paulo: Irmãos Marrano Editora, 1924. Assinale a alternativa que melhor expressa as relações entre o poema e a inserção social de imigrantes italianos no Brasil.
  1. A)O poema traça uma analogia entre a paisagem natural da Itália e do Brasil, sob os olhos de um imigrante.
  2. B)A referência à oralidade era um reconhecimento à contribuição desta comunidade para a nova literatura brasileira.
  3. C)O poema tematiza a revolta dos imigrantes camponeses italianos ao chegarem nas fazendas de café.
  4. D)O caráter lírico presente no poema indica a emotividade e o desejo de aceitação por parte dos imigrantes.
  5. E)A linguagem adotada no poema expressava uma maneira caricata de representar o idioma daquela comunidade.
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