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Questões de Português do FUVEST

189 questões de Português do FUVEST (2015–2026): os tópicos que mais caem e uma amostra para treinar de graça.

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Português no FUVEST (tópico × ano)

2015–2026
Topico202620252024202320222021202020192018201720162015
Literatura: Carolina Maria de Jesus e ironia328413
Interpretação de texto (TIC)21313313
Literatura brasileira (prosa)661
Literatura — poesia611
Literatura: prosa62
Semântica12122
Figuras de linguagem1111111
Interpretação textual7
Prosa do século XIX11122
Sintaxe (sujeito, concordância e pronomes)1321

Tópicos de Português que mais caem

Questões de Português do FUVEST

Uma amostra das questões. Crie uma conta para resolver todas com correção e comentário.

FUVEST20261a faseQuestao 1PortuguêsReescritura e paráfrase (relações sintático-semânticas)Media
Leia o texto a seguir para responder às questões 1 e 2. Pouco antes de eu completar quatro anos de idade, nasceu nossa irmã mais nova, para quem eu escolhera o nome de Maria Bethânia, por causa de uma bela valsa do compositor pernambucano Capiba. Naturalmente todos achavam graça no fato de eu saber cantar canções de gente grande, e mais ainda na minha determinação de nomear minha irmãzinha segundo uma dessas canções. Mas ninguém se sentia com coragem de realmente pôr esse nome “tão pesado” num bebê. Como havia várias outras sugestões (iam de Cristina a Gislaine), meu pai resolveu escrever todos os nomes em pedacinhos de papel que, depois de dobrados, ele jogou na copa de meu pequeno chapéu de explorador e me deu para tirar na sorte. Saiu o da minha escolha. Meu pai então pôs um ar resignado (que era uma ordem para que todos também se resignassem) e disse: “Pronto. Agora tem que ser Maria Bethânia”. E saiu para registrar a recém-nascida com esse nome. Recentemente, ouvi de minhas irmãs mais velhas uma versão que diz que meu pai escrevera Maria Bethânia em todos os papéis. Não é de todo improvável. E, de fato, na expressão resignada de meu pai era visível – ainda hoje o é, na lembrança – um intrigante toque de humor. Mas, embora me encha de orgulho o pensamento de que meu pai possa ter trapaceado para me agradar, eu sempre preferi crer na autenticidade do sorteio: essa intervenção do acaso parece conferir mais realidade a tudo o que veio a se passar desde então, pois ela faz crescerem ao mesmo tempo as magias (que nos dão a impressão de se excluírem mutuamente) do presságio e da unicidade absolutamente gratuita de cada acontecimento. Caetano Veloso. Verdade tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. Adaptado. Caetano Veloso revela sua posição a respeito do fato narrado no fragmento Mas, embora me encha de orgulho o pensamento de que meu pai possa ter trapaceado para me agradar, eu sempre preferi crer na autenticidade do sorteio. Assinale a alternativa em que a paráfrase do excerto mantém o mesmo sentido do texto original.
  1. A)Eu sempre preferi crer na autenticidade do sorteio e sempre tive orgulho de meu pai, mesmo sabendo que ele possa ter trapaceado no sorteio para me agradar.
  2. B)Me enche de orgulho o pensamento de que meu pai trapaceou, mesmo que eu creia na autenticidade do sorteio para me agradar.
  3. C)Eu sempre preferi crer na autenticidade do sorteio, mas, mesmo com o pensamento de que meu pai trapaceou para me agradar, tenho orgulho dele.
  4. D)Uma vez acreditando na autenticidade do sorteio, penso que, para me agradar, meu pai pode ter trapaceado, o que me faz ter um pensamento cheio de orgulho.
  5. E)Eu, contudo, sempre preferi crer na autenticidade do sorteio, ainda que me encha de orgulho o pensamento de que, a fim de me agradar, meu pai possa ter trapaceado.
FUVEST20261a faseQuestao 2PortuguêsDiscurso citado e modalizaçãoMedia
Leia o texto a seguir para responder às questões 1 e 2. Pouco antes de eu completar quatro anos de idade, nasceu nossa irmã mais nova, para quem eu escolhera o nome de Maria Bethânia, por causa de uma bela valsa do compositor pernambucano Capiba. Naturalmente todos achavam graça no fato de eu saber cantar canções de gente grande, e mais ainda na minha determinação de nomear minha irmãzinha segundo uma dessas canções. Mas ninguém se sentia com coragem de realmente pôr esse nome “tão pesado” num bebê. Como havia várias outras sugestões (iam de Cristina a Gislaine), meu pai resolveu escrever todos os nomes em pedacinhos de papel que, depois de dobrados, ele jogou na copa de meu pequeno chapéu de explorador e me deu para tirar na sorte. Saiu o da minha escolha. Meu pai então pôs um ar resignado (que era uma ordem para que todos também se resignassem) e disse: “Pronto. Agora tem que ser Maria Bethânia”. E saiu para registrar a recém-nascida com esse nome. Recentemente, ouvi de minhas irmãs mais velhas uma versão que diz que meu pai escrevera Maria Bethânia em todos os papéis. Não é de todo improvável. E, de fato, na expressão resignada de meu pai era visível – ainda hoje o é, na lembrança – um intrigante toque de humor. Mas, embora me encha de orgulho o pensamento de que meu pai possa ter trapaceado para me agradar, eu sempre preferi crer na autenticidade do sorteio: essa intervenção do acaso parece conferir mais realidade a tudo o que veio a se passar desde então, pois ela faz crescerem ao mesmo tempo as magias (que nos dão a impressão de se excluírem mutuamente) do presságio e da unicidade absolutamente gratuita de cada acontecimento. Caetano Veloso. Verdade tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. Adaptado. No fragmento Mas ninguém se sentia com coragem de realmente pôr esse nome “tão pesado” num bebê, a expressão “tão pesado” aparece entre aspas porque o enunciador
  1. A)busca realçar o caráter denotativo da expressão, indicando sua concordância com ela.
  2. B)incorpora a expressão em seu discurso, mas quer caracterizá-la como de autoria alheia.
  3. C)procura assinalar que se trata de um eufemismo, deixando claro que não teria gostado do nome do bebê.
  4. D)quer explicitar ao leitor que consiste em um neologismo que demonstra sua afetividade diante da criança.
  5. E)visa esclarecer, em seu discurso, o significado do nome escolhido.
FUVEST20261a faseQuestao 8PortuguêsVariação linguísticaFacil
A escola não pode ignorar as diferenças sociolinguísticas. Os professores e, por meio deles, os alunos têm que estar bem conscientes de que existem duas ou mais maneiras de dizer a mesma coisa. E mais, que essas formas alternativas servem a propósitos comunicativos distintos e são recebidas de maneira diferenciada pela sociedade. Os alunos que chegam à escola falando “nós cheguemu”, “abrido” e “ele drome”, por exemplo, têm que ser respeitados e ver valorizadas as suas peculiaridades linguístico-culturais, mas têm o direito inalienável de aprender as variantes de prestígio dessas expressões. Não se lhes pode negar esse conhecimento, sob pena de se fecharem para eles as portas, já estreitas, da ascensão social. BORTONI-RICARDO, S. M. Nós cheguemos na escola, e agora? Sociolinguística & Educação. São Paulo: Parábola, 2005. Adaptado. De acordo com o texto, cabe aos professores
  1. A)respeitar as variações linguísticas dos alunos, mas solicitar que eles utilizem a norma culta no ambiente escolar.
  2. B)incentivar o uso das variações regionais dos alunos, mas mostrar a eles que a escola recebe variantes de forma preconceituosa.
  3. C)respeitar as particularidades linguísticas dos alunos, mas dar a eles condições de aprender outras variantes.
  4. D)mostrar aos alunos que eles podem cometer erros em relação ao uso de verbos, mas que isso pode ser prejudicial à ascensão social.
  5. E)ensinar aos alunos a norma padrão da língua, mas permitir que eles cometam erros para não serem excluídos pela sociedade.
FUVEST20261a faseQuestao 11PortuguêsProsa do século XIXDificil
Sempre que brilha um novo dia, e que nos bate à porta o jornal, apoderamo-nos com solicitude dessa folha e avidamente percorremos a sessão das Câmaras do dia antecedente em procura do assunto que temos escrito no coração e no espírito - a educação da mulher brasileira -, e dobramos a folha desconsolados e aguardamos o dia seguinte, que se escoa na mesma expectativa, no mesmo desengano! (...) Um dia raiará mais propício para nós, em que os escolhidos da nação brasileira se dignem de achar a educação da mulher um objeto importante para dele ocuparem-se, com a circunspecção que merece. Nísia Floresta. Opúsculo Humanitário. Sonhando ser mestra, eu não imaginava o descanso, o repouso ameno que daria à minha mãe como recompensa dos grandes sacrifícios feitos por ela para meu bem-estar, eu não pensava em ser útil, em tornar-me necessária, imprescindível. Eu queria ser mestra para não morar em um cortiço malalumiado, infecto, úmido, nesta terra onde há tantas flores, tanta luz e tantas alegrias. O caso é que fosse qual fosse a mão que me escreveu no pensamento a resolução de vir a ser professora – pertencesse ela à tentação diabólica do luxo ou à compreensão de um dever –, fosse qual fosse, eu a abençoo. Julia Lopes de Almeida. Memórias de Martha. A partir da leitura dos excertos e das obras citadas, é correto afirmar:
  1. A)Opúsculo Humanitário e Memórias de Martha são obras que defendem fortemente o abolicionismo e o acesso à educação pela população afrodescendente brasileira.
  2. B)Opúsculo Humanitário defende a modernização da política brasileira, e Memórias de Martha narra a ascensão social da protagonista por meio da sua profissionalização.
  3. C)Opúsculo Humanitário e Memórias de Martha, obras seminais do feminismo no Brasil, defendem a educação profissional feminina a fim de prepará-las para a sua emancipação econômica.
  4. D)Opúsculo Humanitário e Memórias de Martha destacam o espaço rural brasileiro como o lugar adequado para a emancipação feminina.
  5. E)Opúsculo Humanitário e Memórias de Martha são obras que reivindicam uma solução para as contradições sociais e econômicas do Brasil no século XIX, com ênfase na defesa da educação feminina.
FUVEST20261a faseQuestao 12PortuguêsRomance brasileiro modernoDificil
A jornada das mulheres pela igualdade de direitos no Brasil, como em outras partes do mundo, sempre envolveu lutas sociais, políticas e jurídicas, com marcos importantes como a Lei Geral de 1827, que permitiu o acesso das mulheres à educação, e a Constituição de 1934, que garantiu o direito ao voto feminino. A partir da década de 1960, houve avanços significativos, como o Estatuto da Mulher Casada (1962), que eliminou a necessidade de receber autorização do marido para diversas atividades, e, na década de 1970, a Lei do Divórcio (1977) e o fortalecimento dos movimentos feministas. As obras Caminho de pedras, de Rachel de Queiroz, e As meninas, de Lygia Fagundes Telles, discutem questões relativas aos direitos das mulheres e sua relação com a política ao longo do século XX no Brasil. Sobre esses romances, é correto afirmar:
  1. A)Em Caminho de pedras, Rachel de Queiroz relaciona a luta pelos direitos da mulher à legalização do divórcio no Brasil, enquanto As meninas constitui um libelo pela educação feminina no período final da Era Vargas.
  2. B)As personagens Angelita, de Caminho de pedras, e Ana Clara, de As meninas, impactam a vida dos protagonistas de seus romances e representam a transformação da condição social das mulheres ao romperem com a configuração familiar tradicional.
  3. C)Em Caminho de pedras e em As meninas, a política (militância de esquerda) e a religião (internato de freiras) são instituições que, em vez de contribuírem para a revisão de valores morais e para a emancipação feminina, aprofundam os mecanismos de controle social sobre as mulheres.
  4. D)Tanto Caminho de pedras quanto As meninas relacionam o exercício da política coletiva (militância de esquerda, luta contra a ditadura militar) à política exercida em nível da vida privada e do cotidiano, por meio da trajetória de personagens femininas que desafiam padrões sociais estabelecidos.
  5. E)Tanto Caminho de pedras quanto As meninas exercem uma crítica à chamada “mulher burguesa”. O romance de Rachel de Queiroz narra os desdobramentos do desejo de ascensão social de Noemi, enquanto o de Lygia Fagundes Telles detalha o apego de Lorena à instituição do casamento.
FUVEST20261a faseQuestao 22PortuguêsGêneros multimodaisMedia
Disponível em https://cartum.folha.uol.com.br/charges/. Em termos da interação entre os recursos verbais e imagéticos na charge, é correto afirmar:
Imagens anexadas
  1. A)A representação imagética dos indígenas como miseráveis é hiperbólica, reforçando o sentido da pergunta “Por que mais terras?”, o que evidencia uma atitude autoral favorável ao marco temporal.
  2. B)A distribuição espacial do casal e da família indígena personifica a polarização política, o que fica demarcado pela oposição “nós” contra “eles” na fala da mulher.
  3. C)A expressão “mais terras”, em contraste com o espaço ocupado pela família indígena, busca mostrar que já há soluções alternativas para a delimitação de terras para os povos originários no tecido urbano.
  4. D)Ocorre uma quebra de expectativa entre a representação da família indígena e a expressão “perfeitamente integrados”, o que colabora para o teor crítico da charge em relação ao marco temporal.
  5. E)A postura do casal, em relação aos indígenas, sinaliza empatia e mostra o seu interesse na derrubada do marco temporal, que tem levado indígenas à pobreza nas metrópoles brasileiras.
FUVEST20261a faseQuestao 47PortuguêsFernando Pessoa — MensagemDificil
iii. Busca Pelos campos fora Caminhava sempre Como se buscasse Uma presença ausente “Onde estás tu, morte? Não posso te ver: Neste dia de Maio Com rosas e trigo É como se tu não Vivesses comigo [...] É verdade que passas Pela cidade às vezes Nos caixões de chumbo: Mas viro o meu rosto Pois não te compreendo És um pesadelo Uma coisa inventada Que o vento desmente Com suas mãos frescas E a luz logo apaga” [...] Sophia de Mello Breyner Andresen. O Cristo cigano. É tão tenaz o desvio que a esquivança encobridora ante a morte exerce sobre a cotidianidade que, no ser-um-com-ooutro, seus ‘próximos’ ainda se empenham com frequência precisamente junto ao ‘moribundo’ para o persuadir de que escapa da morte e retorna em seguida à tranquila cotidianidade do mundo de suas ocupações. Tal ‘preocupação-com-o-outro’ pensa ‘consolar’ dessa maneira o ‘moribundo’. Ela quer devolvê-lo à existência, ajudando-o a encobrir ainda mais completamente sua possibilidade de ser mais própria e irremetente. A gente se ocupa dessa maneira de uma constante tranquilização sobre a morte. Mas, no fundo, ela vale tanto para o ‘moribundo’ quanto para ‘os que consolam’. E mesmo no caso do deixar de viver, a publicidade ainda não deve ser perturbada, nem inquietada pelo acontecimento na sua ocupada despreocupação. Pois não raro se vê na morte dos outros uma inconveniência social, quando não mesmo uma falta de tato, cuja publicidade deve ser poupada. Martin Heidegger. Ser e Tempo, §51. A escritora Sophia de Mello Breyner Andresen e o filósofo Martin Heidegger descrevem, por meio de recursos expositivos bem diferentes, uma mesma atitude geral comumente assumida por uma pessoa ante o desvelamento de sua própria mortalidade a partir da constatação da morte ou do adoecimento mortal de uma outra pessoa. Qual alternativa melhor descreve essa atitude?
  1. A)O enfrentamento heroico do absurdo existencial contido na morte.
  2. B)O respeito silencioso às tradições culturais voltadas ao morrer.
  3. C)A empatia antecipadora com os mortos, participando de sua dissolução existencial.
  4. D)A fuga acalmadora, que encobre o sentido existencial da mortalidade.
  5. E)A perda da sensibilidade, de modo a nem mesmo poder perceber a ocorrência da morte.
FUVEST20261a faseQuestao 48PortuguêsLiteraturas africanasDificil
Mwando está embasbacado com a descoberta do insólito do mundo. Como o Adão no Paraíso, a voz da serpente sugeriu-lhe a maçã, que lhe arrancou brutalmente a venda de todos os mistérios. Sim, escutou os lábios de uma mulher pronunciando em sussurros o seu nome, despertando-o do ventre fecundo da inocência. Mwando nasceu. Sente o coração a bater com força, mesmo à maneira do primeiro amor. (…) Procurou o refúgio do quarto e fechou-se. Estava transtornado. Sentia a sua devoção abalada pela paixão. Não conseguia fugir às tramas da serpente, a Sarnau arrastava-o cada vez mais para o abismo. Paulina Chiziane. Balada de amor ao vento. Considerando a intertextualidade bíblica presente no excerto de Balada de amor ao vento, a experiência de Mwando é caracterizada
  1. A)por uma decepção com o mundo, causada pela perda da fé e pela compreensão da fragilidade das relações humanas, o que o levou a um isolamento resignado.
  2. B)pelo despertar sexual e pelo conhecimento, que rompem com um estado de inocência anterior, resultando em uma perturbação emocional e um conflito interior.
  3. C)pela superação de um trauma passado, sendo que a figura da cobra é o símbolo do obstáculo que foi vencido e que o conduz a um novo estágio de maturidade e paz.
  4. D)por um processo de profunda introspecção, no qual o amor é um caminho para a autodescoberta e transcendência espiritual, apesar das dificuldades iniciais.
  5. E)pela busca por um novo tipo de devoção religiosa, tendo a figura feminina como fonte de inspiração que o afasta ainda mais dos preceitos tradicionais e o aproxima de um paraíso utópico.
FUVEST20261a faseQuestao 87PortuguêsLiteratura contemporâneaMedia
As plantas viam o jardineiro como as plantas vêem. Não se sentiam agradecidas. Tratavam o seu regador à semelhança da chuva que caía sobre elas nas noites de Outono. Florescerem não era o seu meio de meterem conversa com o jardineiro, mas uma forma de acentuarem a sua indiferença à declaração de amor que ele cultivava a cada hora. Tanto lhes fazia serem cuidadas por um assassino, se eram sujas as mãos que as amparavam ou o que viera antes do amor que ele lhes dedicava. Seguiam‑no com o seu olhar sem julgamento, alheias a que, todas as manhãs, Celestino acordava por elas. Vigiavam os seus passos, pressentiam a sua presença, alegravam‑se de o ver, conheciam as suas rotinas. Sem que por um instante lhe sentissem a falta, ou se afligissem com as suas ausências ocasionais. Djaimilia Pereira de Almeida. A visão das plantas. Considerando o trecho citado, depreende-se que o “olhar sem julgamento”
  1. A)expressa a piedade do jardim diante da condição de Celestino, que se encontra próximo da morte.
  2. B)expressa o terror das plantas por serem cuidadas por um criminoso que carrega atos extremos de violência praticados em seu passado.
  3. C)evidencia que a natureza está alheia às ações e sentimentos humanos, existindo à revelia da humanidade.
  4. D)é a retribuição ao cuidado cotidiano que as plantas recebem, reconhecendo que Celestino se redimiu de seu passado.
  5. E)evidencia a integração do jardineiro com o jardim, na medida em que dependem naturalmente um do outro para sobreviverem.
FUVEST20261a faseQuestao 90PortuguêsLiteraturas africanasDificil
Quando no dia seguinte, também no final da tarde, Fio Jasmim se dirigiu para a pequena joalheria, ele pensou em ser mais cuidadoso ao pronunciar qualquer nome de mulher perto de Dolores dos Santos. Quando contou o incidente para os companheiros maquinistas, os mais velhos riram dele e perguntaram qual o motivo de ele estar tão preocupado com a pequena distração cometida. Nem ele sabia bem o porquê. Entretanto, não gostava de pronunciar o nome da esposa para outras mulheres. A de casa é santa, pensava ele. Se ele tivesse dito pelo menos Juventina, seria mais fácil explicar. Assustado com o próprio pensamento, Fio Jasmim não entendia o que estava se passando com ele. Estaria por acaso pensando em alguma conquista? Ouvira dizer que ela era uma mulher namoradeira, mas que não parava com homem algum, tinha um gênio indomável. Todas essas considerações não lhe importavam, não estava interessado na mulher. Mas e se ela estivesse interessada nele... Conceição Evaristo. Canção para ninar menino grande. No romance de Conceição Evaristo, Fio Jasmim, por meio de suas viagens, é o elo que agrega as várias personagens femininas que se relacionam com ele. De acordo com essa consideração, Fio Jasmim
  1. A)atende a uma forma de masculinidade que rompe com os estereótipos, expressando uma identidade inovadora e desvinculada das expectativas sociais.
  2. B)relaciona-se com as personagens femininas de maneira igualitária e com respeito mútuo, que não correspondem às dinâmicas de poder desiguais.
  3. C)reproduz uma masculinidade estereotipada por meio de atitudes que, em larga medida, atendem às expectativas sociais e culturais, reproduzindo estereótipos do gênero.
  4. D)resiste a expectativas internas e externas, o que subverte um esperado comportamento masculino.
  5. E)sente culpa e arrependimento por seu comportamento com mulheres, apesar de reforçar ideais de virilidade e dominação do estereótipo da masculinidade.
FUVEST20251a faseQuestao 3PortuguêsGêneros multimodaisMedia
Jean Galvão. Disponível em https://cartum.folha.uol.com.br/. Considerando a charge, é correto afirmar:
Imagens anexadas
  1. A)Há uma incoerência entre a imagem do segundo quadro e o enunciado verbal do primeiro quadro, uma vez que a posposição do adjunto adverbial “na água” anula qualquer ambiguidade.
  2. B)Ao antecipar o objeto direto “o mercúrio” para o começo da oração, o chargista chama a atenção para esse elemento, estimulando o leitor a buscá-lo visualmente no segundo quadro.
  3. C)Por meio da escolha do verbo “descartar”, mostra-se, de forma crítica, a necessidade da criação de um local correto para o depósito dos rejeitos provenientes do garimpo ilegal.
  4. D)O uso da forma pronominal informal “a gente”, em detrimento do pronome “nós”, empregado em situações mais formais e sérias, atenua o teor crítico, o que colabora para gerar efeito humorístico.
  5. E)O significado negativo do prefixo que aparece na palavra “ilegal” reforça a precariedade do atendimento à saúde nas comunidades indígenas.
FUVEST20251a faseQuestao 5PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
Os quadrinhos a seguir são parte da obra Dois irmãos, de Fábio Moon e Gabriel Bá (2015), uma adaptação do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum, para o universo das novelas gráficas (graphic novels). Considerando as características visuais dos quadrinhos e os traços narrativos do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum, é correto afirmar:
Imagens anexadas
  1. A)O uso dos contrastes claro x escuro na novela gráfica confere ênfase visual ao conflito entre diferentes formas de privilégio e marginalização presentes no romance de Hatoum, explicitadas pelo ponto de vista do narrador.
  2. B)Ao trabalhar com os contrastes claro x escuro em suas imagens, a novela gráfica enfatiza a diferença étnica e social que fundamenta a rivalidade fraterna entre Yaqub e Omar, um dos eixos estruturais do romance.
  3. C)Ao utilizar procedimentos como a aproximação (zoom-in) e a fragmentação das imagens, a novela gráfica recria o fluxo de consciência e a atmosfera onírica da narrativa de Hatoum.
  4. D)A novela gráfica demonstra, por meio de imagens, que o romance Dois irmãos reinventa a tradição da literatura regionalista do Brasil, retratando a opulência da cidade de Manaus ao longo do século XX.
  5. E)Por meio de recursos estéticos como a fragmentação das imagens, a novela gráfica recupera o ponto de vista fraturado do romance de Hatoum, composto por vários narradores ao longo da história.
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