Literatura — poesia · FUVEST

Literatura — poesia: questões do FUVEST

8 questões de Literatura — poesia (Português) no FUVEST (2015–2020). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Literatura — poesia no FUVEST

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FUVEST20201a faseQuestao 32PortuguêsLiteratura — poesiaDificil
Cantiga de enganar (...) O mundo não tem sentido. Talvez nem seja talvez. O mundo e suas canções O mundo não vale a pena, de timbre mais comovido mas a pena não existe. estão calados, e a fala Meu bem, façamos de conta. que de uma para outra sala De sofrer e de olvidar, ouvimos em certo instante de lembrar e de fruir, é silêncio que faz eco de escolher nossas lembranças e que volta a ser silêncio e revertê-las, acaso no negrume circundante. se lembrem demais em nós. Silêncio: que quer dizer? Façamos, meu bem, de conta Que diz a boca do mundo? – mas a conta não existe – Meu bem, o mundo é fechado, que é tudo como se fosse, se não for antes vazio. ou que, se fora, não era. O mundo é talvez: e é só. (...) Carlos Drummond de Andrade, Claro Enigma. Em Claro Enigma, a ideia de engano surge sob a perspectiva do sujeito maduro, já afastado das ilusões, como se lê no verso-síntese “Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.” (“Legado”). O excerto de “Cantiga de enganar” apresenta a relação do eu com o mundo mediada
  1. A)pela música, que ressoa em canções líricas.
  2. B)pela cor, brilhante na claridade solar.
  3. C)pela afirmação de valores sólidos.
  4. D)pela memória, que corre fluida no tempo.
  5. E)pelo despropósito de um faz-de-conta.
FUVEST20201a faseQuestao 37PortuguêsLiteratura — poesiaDificil
amora a palavra amora seria talvez menos doce e um pouco menos vermelha se não trouxesse em seu corpo (como um velado esplendor) a memória da palavra amor a palavra amargo seria talvez mais doce e um pouco menos acerba se não trouxesse em seu corpo (como uma sombra a espreitar) a memória da palavra amar Marco Catalão, Sob a face neutra. É correto afirmar que o poema
  1. A)aborda o tema da memória, considerada uma faculdade que torna o ser humano menos amargo e sombrio.
  2. B)enfoca a hesitação do eu lírico diante das palavras, o que vem expresso pela repetição da palavra “talvez”.
  3. C)apresenta natureza romântica, sendo as palavras “amora” e “amargo” metáforas do sentimento amoroso.
  4. D)possui reiterações sonoras que resultam em uma tensão inusitada entre os termos “amor” e “amar”.
  5. E)ressalta os significados das palavras tal como se verificam no seu uso mais corrente.
FUVEST20201a faseQuestao 38PortuguêsLiteratura — poesiaDificil
amora a palavra amora seria talvez menos doce e um pouco menos vermelha se não trouxesse em seu corpo (como um velado esplendor) a memória da palavra amor a palavra amargo seria talvez mais doce e um pouco menos acerba se não trouxesse em seu corpo (como uma sombra a espreitar) a memória da palavra amar Marco Catalão, Sob a face neutra. Tal como se lê no poema,
  1. A)a palavra “amora” é substantivo, e “amargo”, adjetivo.
  2. B)o verbo “amar” ameniza o amargor da palavra “amargo”.
  3. C)o substantivo “corpo” apresenta sentido denotativo.
  4. D)o substantivo “amor” intensifica o dulçor da palavra “amora”.
  5. E)o verbo “amar” e o substantivo “amor” são intercambiáveis.
FUVEST20201a faseQuestao 39PortuguêsLiteratura — poesiaDificil
Uma planta é perturbada na sua sesta* pelo exército que a pisa. Mas mais frágil fica a bota. Gonçalo M. Tavares, 1: poemas. *sesta: repouso após o almoço. Considerando que se trata de um texto literário, uma interpretação que seja capaz de captar a sua complexidade abordará o poema como
  1. A)uma defesa da natureza.
  2. B)um ataque às forças armadas.
  3. C)uma defesa dos direitos humanos.
  4. D)uma defesa da resistência civil.
  5. E)um ataque à passividade.
FUVEST20201a faseQuestao 40PortuguêsLiteratura — poesiaMedia
Uma planta é perturbada na sua sesta* pelo exército que a pisa. Mas mais frágil fica a bota. Gonçalo M. Tavares, 1: poemas. *sesta: repouso após o almoço. O ditado popular que se relaciona melhor com o poema é:
  1. A)Para bom entendedor, meia palavra basta.
  2. B)Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
  3. C)Quem com ferro fere, com ferro será ferido.
  4. D)Um dia é da caça, o outro é do caçador.
  5. E)Uma andorinha só não faz verão.
FUVEST20201a faseQuestao 47PortuguêsLiteratura — poesiaDificil
A certa personagem desvanecida Um soneto começo em vosso gabo*: Contemos esta regra por primeira, Já lá vão duas, e esta é a terceira, Já este quartetinho está no cabo. Na quinta torce agora a porca o rabo; A sexta vá também desta maneira: Na sétima entro já com grã** canseira, E saio dos quartetos muito brabo. Agora nos tercetos que direi? Direi que vós, Senhor, a mim me honrais Gabando-vos a vós, e eu fico um rei. Nesta vida um soneto já ditei; Se desta agora escapo, nunca mais: Louvado seja Deus, que o acabei. Gregório de Matos *louvor **grande Tipo zero Você é um tipo que não tem tipo Com todo tipo você se parece E sendo um tipo que assimila tanto tipo Passou a ser um tipo que ninguém esquece Quando você penetra num salão E se mistura com a multidão Você se torna um tipo destacado Desconfiado todo mundo fica Que o seu tipo não se classifica Você passa a ser um tipo desclassificado Eu até hoje nunca vi nenhum Tipo vulgar tão fora do comum Que fosse um tipo tão observado Você ficou agora convencido Que o seu tipo já está batido Mas o seu tipo é o tipo do tipo esgotado Noel Rosa O soneto de Gregório de Matos e o samba de Noel Rosa, embora distantes na forma e no tempo, aproximam-se por ironizarem
  1. A)o processo de composição do texto.
  2. B)a própria inferioridade ante o retratado.
  3. C)a singularidade de um caráter nulo.
  4. D)o sublime que se oculta na vulgaridade.
  5. E)a intolerância para com os gênios.
FUVEST20191a faseQuestao 68PortuguêsLiteratura — poesiaDificil
Leia os dois poemas reproduzidos na imagem a seguir para responder às questões 68 e 69: o "Sonetilho do falso Fernando Pessoa", de Carlos Drummond de Andrade (Claro Enigma), e "Ulisses", de Fernando Pessoa (Mensagem). Considerando os poemas, assinale a alternativa correta.
Imagens anexadas
  1. A)As noções de que a identidade do poeta independe de sua existência biográfica, no “Sonetilho”, e de que o mito se perpetua para além da vida, em “Ulisses”, produzem uma analogia entre os poemas.
  2. B)As referências a Mefisto (“diabo”, na lenda alemã de Fausto) e a Deus no “Sonetilho” e em “Ulisses”, respectivamente, associadas ao polo de opostos “morte” e “vida”, revelam uma perspectiva cristã comum aos poemas.
  3. C)O resgate da forma clássica, no “Sonetilho”, e a referência à primeira pessoa do plural, em “Ulisses”, denotam um mesmo espírito agregador e comunitário.
  4. D)O eu lírico de cada poema se identifica, respectivamente, com seus títulos. No poema de Drummond, trata‐se de alguém referido como “falso Fernando Pessoa”, já no poema de Pessoa, o eu lírico é “Ulisses”.
  5. E)Os versos “As coisas tangíveis / tornam‐se insensíveis / à palma da mão. // Mas as coisas findas, / muito mais que lindas, / essas ficarão”, de outro poema de Claro Enigma, sugerem uma relação de contraste com os poemas citados.
FUVEST20151a faseQuestao 38PortuguêsLiteratura — poesiaMedia
O OPERÁRIO NO MAR Na rua passa um operário. Como vai firme! Não tem blusa. No conto, no drama, no discurso político, a dor do operário está na sua blusa azul, de pano grosso, nas mãos grossas, nos pés enormes, nos desconfortos enormes. Esse é um homem comum, apenas mais escuro que os outros, e com uma significação estranha no corpo, que carrega desígnios e segredos. Para onde vai ele, pisando assim tão firme? Não sei. A fábrica ficou lá atrás. Adiante é só o campo, com algumas árvores, o grande anúncio de gasolina americana e os fios, os fios, os fios. O operário não lhe sobra tempo de perceber que eles levam e trazem mensagens, que contam da Rússia, do Araguaia, dos Estados Unidos. Não ouve, na Câmara dos Deputados, o líder oposicionista vociferando. Caminha no campo e apenas repara que ali corre água, que mais adiante faz calor. Para onde vai o operário? Teria vergonha de chamá lo meu irmão. Ele sabe que não é, nunca foi meu irmão, que não nos entenderemos nunca. E me despreza... Ou talvez seja eu próprio que me despreze a seus olhos. Tenho vergonha e vontade de encará lo: uma fascinação quase me obriga a pular a janela, a cair em frente dele, sustar lhe a marcha, pelo menos implorar lhe que suste a marcha. Agora está caminhando no mar. Eu pensava que isso fosse privilégio de alguns santos e de navios. Mas não há nenhuma santidade no operário, e não vejo rodas nem hélices no seu corpo, aparentemente banal. Sinto que o mar se acovardou e deixou o passar. Onde estão nossos exércitos que não impediram o milagre? Mas agora vejo que o operário está cansado e que se molhou, não muito, mas se molhou, e peixes escorrem de suas mãos. Vejo o que se volta e me dirige um sorriso úmido. A palidez e confusão do seu rosto são a própria tarde que se decompõe. Daqui a um minuto será noite e estaremos irremediavelmente separados pelas circunstâncias atmosféricas, eu em terra firme, ele no meio do mar. Único e precário agente de ligação entre nós, seu sorriso cada vez mais frio atravessa as grandes massas líquidas, choca se contra as formações salinas, as fortalezas da costa, as medusas, atravessa tudo e vem beijar me o rosto, trazer me uma esperança de compreensão. Sim, quem sabe se um dia o compreenderei? Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo. Atente para as seguintes afirmações relativas ao texto de Drummond, considerado no contexto da obra a que pertence: I. A referência inicial aos modos de se representar o operário sugere uma crítica do poeta aos estereótipos presentes na literatura da época em que o texto foi escrito. II. O alcance simbólico da figura do operário depende, inclusive, do fato de que, no texto, ele é constituído por tensões que o fazem, ao mesmo tempo, comum e extraordinário, familiar e enigmático, próximo e longínquo etc. III. A imagem do operário que anda sobre o mar pode simbolizar a criação prodigiosa de um mundo novo a “vida futura” , igualmente anunciado em símbolos como o das “mãos dadas”, o da “aurora”, o do “sangue redentor”, também presentes no livro. Está correto o que se afirma em
  1. A)I, apenas.
  2. B)II, apenas.
  3. C)I e II, apenas.
  4. D)II e III, apenas.
  5. E)I, II e III.
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