Literatura: prosa · FUVEST

Literatura: prosa: questões do FUVEST

8 questões de Literatura: prosa (Português) no FUVEST (2015–2020). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Literatura: prosa no FUVEST

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FUVEST20201a faseQuestao 33PortuguêsLiteratura: prosaDificil
Os textos literários são obras de discurso, a que falta a imediata referencialidade da linguagem corrente; poéticos, abolem, “destroem” o mundo circundante, cotidiano, graças à função irrealizante da imaginação que os constrói. E prendem-nos na teia de sua linguagem, a que devem o poder de apelo estético que nos enleia; seduz-nos o mundo outro, irreal, neles configurado (...). No entanto, da adesão a esse “mundo de papel”, quando retornamos ao real, nossa experiência, ampliada e renovada pela experiência da obra, à luz do que nos revelou, possibilita redescobri-lo, sentindo-o e pensando-o de maneira diferente e nova. A ilusão, a mentira, o fingimento da ficção, aclara o real ao desligar-se dele, transfigurando-o; e aclara-o já pelo insight que em nós provocou. Benedito Nunes, “Ética e leitura”, de Crivo de Papel. O que eu precisava era ler um romance fantástico, um romance besta, em que os homens e as mulheres fossem criações absurdas, não andassem magoando-se, traindo-se. Histórias fáceis, sem almas complicadas. Infelizmente essas leituras já não me comovem. Graciliano Ramos, Angústia. Romance desagradável, abafado, ambiente sujo, povoado de ratos, cheio de podridões, de lixo. Nenhuma concessão ao gosto do público. Solilóquio doido, enervante. Graciliano Ramos, Memórias do Cárcere, em nota a respeito de seu livro Angústia. O argumento de Benedito Nunes, em torno da natureza artística da literatura, leva a considerar que a obra só assume função transformadora se
  1. A)estabelece um contraponto entre a fantasia e o mundo.
  2. B)utiliza a linguagem para informar sobre o mundo.
  3. C)instiga no leitor uma atitude reflexiva diante do mundo.
  4. D)oferece ao leitor uma compensação anestesiante do mundo.
  5. E)conduz o leitor a ignorar o mundo real.
FUVEST20201a faseQuestao 34PortuguêsLiteratura: prosaDificil
Os textos literários são obras de discurso, a que falta a imediata referencialidade da linguagem corrente; poéticos, abolem, “destroem” o mundo circundante, cotidiano, graças à função irrealizante da imaginação que os constrói. E prendem-nos na teia de sua linguagem, a que devem o poder de apelo estético que nos enleia; seduz-nos o mundo outro, irreal, neles configurado (...). No entanto, da adesão a esse “mundo de papel”, quando retornamos ao real, nossa experiência, ampliada e renovada pela experiência da obra, à luz do que nos revelou, possibilita redescobri-lo, sentindo-o e pensando-o de maneira diferente e nova. A ilusão, a mentira, o fingimento da ficção, aclara o real ao desligar-se dele, transfigurando-o; e aclara-o já pelo insight que em nós provocou. Benedito Nunes, “Ética e leitura”, de Crivo de Papel. O que eu precisava era ler um romance fantástico, um romance besta, em que os homens e as mulheres fossem criações absurdas, não andassem magoando-se, traindo-se. Histórias fáceis, sem almas complicadas. Infelizmente essas leituras já não me comovem. Graciliano Ramos, Angústia. Romance desagradável, abafado, ambiente sujo, povoado de ratos, cheio de podridões, de lixo. Nenhuma concessão ao gosto do público. Solilóquio doido, enervante. Graciliano Ramos, Memórias do Cárcere, em nota a respeito de seu livro Angústia. Se o discurso literário “aclara o real ao desligar-se dele, transfigurando-o”, pode-se dizer que Luís da Silva, o narradorprotagonista de Angústia, já não se comove com a leitura de “histórias fáceis, sem almas complicadas” porque
  1. A)rejeita, como jornalista, a escrita de ficção.
  2. B)prefere alienar-se com narrativas épicas.
  3. C)é indiferente às histórias de fundo sentimental.
  4. D)está engajado na militância política.
  5. E)se afunda na negatividade própria do fracassado.
FUVEST20201a faseQuestao 35PortuguêsLiteratura: prosaDificil
Os textos literários são obras de discurso, a que falta a imediata referencialidade da linguagem corrente; poéticos, abolem, “destroem” o mundo circundante, cotidiano, graças à função irrealizante da imaginação que os constrói. E prendem-nos na teia de sua linguagem, a que devem o poder de apelo estético que nos enleia; seduz-nos o mundo outro, irreal, neles configurado (...). No entanto, da adesão a esse “mundo de papel”, quando retornamos ao real, nossa experiência, ampliada e renovada pela experiência da obra, à luz do que nos revelou, possibilita redescobri-lo, sentindo-o e pensando-o de maneira diferente e nova. A ilusão, a mentira, o fingimento da ficção, aclara o real ao desligar-se dele, transfigurando-o; e aclara-o já pelo insight que em nós provocou. Benedito Nunes, “Ética e leitura”, de Crivo de Papel. O que eu precisava era ler um romance fantástico, um romance besta, em que os homens e as mulheres fossem criações absurdas, não andassem magoando-se, traindo-se. Histórias fáceis, sem almas complicadas. Infelizmente essas leituras já não me comovem. Graciliano Ramos, Angústia. Romance desagradável, abafado, ambiente sujo, povoado de ratos, cheio de podridões, de lixo. Nenhuma concessão ao gosto do público. Solilóquio doido, enervante. Graciliano Ramos, Memórias do Cárcere, em nota a respeito de seu livro Angústia. Para Graciliano Ramos, Angústia não faz concessão ao gosto do público na medida em que compõe uma atmosfera
  1. A)dramática, ao representar as tensões de seu tempo.
  2. B)grotesca, ao eliminar a expressão individual.
  3. C)satírica, ao reduzir os eventos ao plano do riso.
  4. D)ingênua, ao simular o equilíbrio entre sujeito e mundo.
  5. E)alegórica, ao exaltar as imagens de sujeira.
FUVEST20201a faseQuestao 42PortuguêsLiteratura: prosaDificil
Agora, o Manuel Fulô, este, sim! Um sujeito pingadinho, quase menino – “pepino que encorujou desde pequeno” – cara de bobo de fazenda, do segundo tipo –; porque toda fazenda tem o seu bobo, que é, ou um velhote baixote, de barba rara no queixo, ou um eterno rapazola, meio surdo, gago, glabro* e alvar**. Mas gostava de fechar a cara e roncar voz, todo enfarruscado, para mostrar brabeza, e só por descuido sorria, um sorriso manhoso de dono de hotel. E, em suas feições de caburé*** insalubre, amigavam-se as marcas do sangue aimoré e do gálico herdado: cabelo preto, corrido, que boi lambeu; dentes de fio em meia-lua; malares pontudos; lobo da orelha aderente; testa curta, fugidia; olhinhos de viés e nariz peba, mongol. Guimarães Rosa, “Corpo fechado”, de Sagarana. *sem pelos, sem barba **tolo ***mestiço O retrato de Manuel Fulô, tal como aparece no fragmento, permite afirmar que
  1. A)há clara antipatia do narrador para com a personagem, que por isso é caracterizada como “bobo de fazenda”.
  2. B)estão presentes traços de diferentes etnias, de modo a refletir a mescla de culturas própria ao estilo do livro.
  3. C)a expressão “caburé insalubre” denota o determinismo biológico que norteia o livro.
  4. D)é irônico o trecho “para mostrar brabeza”, pois ao fim da narrativa Manuel Fulô sofre derrota na luta física.
  5. E)se apontam em sua fisionomia os “olhinhos de viés” para caracterizar a personagem como ingênua.
FUVEST20201a faseQuestao 44PortuguêsLiteratura: prosaDificil
E Sofia? interroga impaciente a leitora, tal qual Orgon: Et Tartufe? Ai, amiga minha, a resposta é naturalmente a mesma, – também ela comia bem, dormia largo e fofo, – coisas que, aliás, não impedem que uma pessoa ame, quando quer amar. Se esta última reflexão é o motivo secreto da vossa pergunta, deixai que vos diga que sois muito indiscreta, e que eu não me quero senão com dissimulados. Repito, comia bem, dormia largo e fofo. Chegara ao fim da comissão das Alagoas, com elogios da imprensa; a Atalaia chamou-lhe “o anjo da consolação”. E não se pense que este nome a alegrou, posto que a lisonjeasse; ao contrário, resumindo em Sofia toda a ação da caridade, podia mortificar as novas amigas, e fazer-lhe perder em um dia o trabalho de longos meses. Assim se explica o artigo que a mesma folha trouxe no número seguinte, nomeando, particularizando e glorificando as outras comissárias – “estrelas de primeira grandeza”. Machado de Assis, Quincas Borba. No excerto, o autor recorre à intertextualidade, dialogando com a comédia de Molière, Tartufo (1664), cuja personagem central é um impostor da fé. Tal é a fama da peça que o nome próprio se incorporou ao vocabulário, inclusive em português, como substantivo comum, para designar o “indivíduo hipócrita” ou o “falso devoto”. No contexto maior do romance, sugere-se que a tartufice
  1. A)se cola à imagem da leitora, indiscreta quanto aos amores alheios.
  2. B)é ação isolada de Sofia, arrivista social e benemérita fingida.
  3. C)diz respeito ao filósofo Quincas Borba, o que explica o título do livro.
  4. D)se produz na imprensa, apesar de esta se esquivar da eloquência vazia.
  5. E)se estende à sociedade, na qual o cinismo é o trunfo dos fortes.
FUVEST20201a faseQuestao 46PortuguêsLiteratura: prosaDificil
Hoje fizeram o enterro de Bela. Todos na Chácara se convenceram de que ela estava morta, menos eu. Se eu pudesse não deixaria enterrá-la ainda. Disse isso mesmo a vovó, mas ela disse que não se pode fazer assim. Bela estava igualzinha à que ela era no dia em que chegou da Formação, só um pouquinho mais magra. Todos dizem que o sofrimento da morte é a luta da alma para se largar do corpo. Eu perguntei a vovó: “Como é que a alma dela saiu sem o menor sofrimento, sem ela fazer uma caretinha que fosse?”. Vovó disse que tudo isso é mistério, que nunca a gente pode saber essas coisas com certeza. Uns sofrem muito quando a alma se despega do corpo, outros morrem de repente sem sofrer. Helena Morley, Minha Vida de Menina. Perguntas Numa incerta hora fria perguntei ao fantasma que força nos prendia, ele a mim, que presumo estar livre de tudo eu a ele, gasoso, (...) No voo que desfere silente e melancólico, rumo da eternidade, ele apenas responde (se acaso é responder a mistérios, somar-lhes um mistério mais alto): Amar, depois de perder. Carlos Drummond de Andrade, Claro Enigma. As perguntas da menina e do poeta versam sobre a morte. É correto afirmar que
  1. A)ambos guardam uma dimensão transcendente e católica, de origem mineira.
  2. B)ambos ouvem respostas que lhes esclarecem em definitivo as dúvidas existenciais.
  3. C)a menina mostra curiosidade acerca da morte como episódio e o poeta especula o sentido filosófico da morte.
  4. D)a menina está inquieta por conhecer o destino das almas, enquanto o poeta critica o ceticismo.
  5. E)as duas respostas reforçam os mistérios da vida ao acolherem crenças populares.
FUVEST20151a faseQuestao 29PortuguêsLiteratura: prosaMedia
Capítulo CVII Bilhete “Não houve nada, mas ele suspeita alguma cousa; está muito sério e não fala; agora saiu. Sorriu uma vez somente, para Nhonhô, depois de o fitar muito tempo, carrancudo. Não me tratou mal nem bem. Não sei o que vai acontecer; Deus queira que isto passe. Muita cautela, por ora, muita cautela.” Capítulo CVIII Que se não entende Eis aí o drama, eis aí a ponta da orelha trágica de Shakespeare. Esse retalhinho de papel, garatujado em partes, machucado das mãos, era um documento de análise, que eu não farei neste capítulo, nem no outro, nem talvez em todo o resto do livro. Poderia eu tirar ao leitor o gosto de notar por si mesmo a frieza, a perspicácia e o ânimo dessas poucas linhas traçadas à pressa; e por trás delas a tempestade de outro cérebro, a raiva dissimulada, o desespero que se constrange e medita, porque tem de resolver se na lama, ou no sangue, ou nas lágrimas? Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas. Atente para o excerto, considerando o no contexto da obra a que pertence. Nele, figura, primeiramente, o bilhete enviado a Brás Cubas por Virgília, na ocasião em que se torna patente que o marido da dama suspeita de suas relações adúlteras. Segue se ao bilhete um comentário do narrador (cap. CVIII). Feito isso, considere a afirmação que segue: No excerto, o narrador frisa aspectos cuja presença se costuma reconhecer no próprio romance machadiano da fase madura, entre eles, I. o realce da argúcia, da capacidade de exame acurado das situações e da firmeza de propósito, ainda quando impliquem malignidade; II. a relevância da observação das relações interpessoais e dos funcionamentos mentais correspondentes; III. a operação consciente dos elementos envolvidos no processo de composição literária: narração, personagens, motivação, trama, intertextualidade, recepção etc. Está correto o que se indica em
  1. A)I, somente.
  2. B)II, somente.
  3. C)I e II, somente.
  4. D)II e III, somente.
  5. E)I, II e III.
FUVEST20151a faseQuestao 31PortuguêsLiteratura: prosaDificil
Capítulo CVII Bilhete “Não houve nada, mas ele suspeita alguma cousa; está muito sério e não fala; agora saiu. Sorriu uma vez somente, para Nhonhô, depois de o fitar muito tempo, carrancudo. Não me tratou mal nem bem. Não sei o que vai acontecer; Deus queira que isto passe. Muita cautela, por ora, muita cautela.” Capítulo CVIII Que se não entende Eis aí o drama, eis aí a ponta da orelha trágica de Shakespeare. Esse retalhinho de papel, garatujado em partes, machucado das mãos, era um documento de análise, que eu não farei neste capítulo, nem no outro, nem talvez em todo o resto do livro. Poderia eu tirar ao leitor o gosto de notar por si mesmo a frieza, a perspicácia e o ânimo dessas poucas linhas traçadas à pressa; e por trás delas a tempestade de outro cérebro, a raiva dissimulada, o desespero que se constrange e medita, porque tem de resolver se na lama, ou no sangue, ou nas lágrimas? Machado de Assis, Memórias póstumas de Brás Cubas. Os seguintes aspectos compositivos considerados pelo narrador do excerto: concentração e economia de meios expressivos, orientação realista e analítica, previsão do papel do leitor na construção do sentido do texto, suprindo o que, neste, é implícito ou lacunar, podem também caracterizar, principalmente, a obra
  1. A)Viagens na minha terra, de Almeida Garrett.
  2. B)Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida.
  3. C)Til, de José de Alencar.
  4. D)Vidas secas, de Graciliano Ramos.
  5. E)Capitães da Areia, de Jorge Amado.
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