Literatura: Carolina Maria de Jesus e ironia · UEA

Literatura: Carolina Maria de Jesus e ironia: questões do UEA

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Questões de Literatura: Carolina Maria de Jesus e ironia no UEA

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UEA2024Conhecimentos GeraisQuestao 6PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaMedia
Pedro Bala e João Grande abalaram pela ladeira da Praça. Barandão abriu no mundo também. Mas o Sem-Pernas ficou encurralado na rua. Jogava picula1 com os guardas. Estes tinham se despreocupado dos outros, pensavam que já era alguma coisa pegar aquele coxo. Sem-Pernas corria de um lado para outro da rua, os guardas avançavam. Ele fez que ia escapulir por outro lado, driblou um dos guardas, saiu pela ladeira. Mas em vez de descer e tomar pela Baixa dos Sapateiros, se dirigiu para a praça do Palácio. Porque Sem-Pernas sabia que se corresse na rua o pegariam com certeza. Eram homens, de pernas maiores que as suas, e além do mais ele era coxo, pouco podia correr. E acima de tudo não queria que o pegassem. Lembrava-se da vez que fora à polícia. Dos sonhos das suas noites más. Não o pegariam e enquanto corre este é o único pensamento que vai com ele. [...] Não o levarão. Vêm em seus calcanhares, mas não o levarão. Pensam que ele vai parar junto ao grande elevador. Mas Sem-Pernas não para. Sobe para o pequeno muro, volve o rosto para os guardas que ainda correm, ri com toda a força do seu ódio, cospe na cara de um que se aproxima estendendo os braços, se atira de costas no espaço como se fosse um trapezista de circo. A praça toda fica em suspenso por um momento. “Se jogou”, diz uma mulher, e desmaia. Sem-Pernas se rebenta na montanha como um trapezista de circo que não tivesse alcançado o outro trapézio. O cachorro late entre as grades do muro. (Capitães da areia, 2008.) 1 picula: brincadeira infantil também conhecida como pega-pega, pegador e manja-pega. Esse conhecido episódio, que culmina no ato extremo de Sem-Pernas, faz referências ao episódio
  1. A)do preconceito sofrido pelo personagem na casa de Dona Ester.
  2. B)da traição consumada pelo personagem contra os Capitães da Areia.
  3. C)da violência policial perpetrada contra o personagem.
  4. D)da fuga do personagem para outra cidade.
  5. E)do acolhimento do personagem pelos Capitães da Areia.
UEA2023Conhecimentos GeraisQuestao 2PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaMedia
O gerente [...] me encarou, o rosto tenso, mãos nos bolsos da calça. [...] Meu pai não tinha renovado o seguro do Eldorado, e a empresa ainda devia muito dinheiro ao banco inglês. Estiliano não sabia disso? Era um assunto do doutor Cordovil. Teu pai não autorizava ninguém a assinar apólices de seguro. Ele ia renovar, mas morreu. Então o gerente continuou: no naufrágio do Eldorado a Companhia Adler tinha perdido oitenta toneladas de borracha e castanha, e movia um processo contra a empresa; as taxas portuárias não haviam sido pagas para a Manaus Harbour... O falatório desastroso me irritou. Eu não sabia de nada; a ignorância era a minha fraqueza. O gerente parou de falar, sentou e apoiou os cotovelos na escrivaninha, os dedos na testa, o olhar de admiração e saudade na fotografia do meu pai. Eu não conseguia encarar Amando, nem na parede. Murmurei: A empresa afundou. Ouvi alguém dizer em voz baixa: Covarde. Perguntei ao gerente o que ele estava dizendo. Permaneceu mudo, na mesma posição. O retrato do meu pai parecia me desafiar. Covarde. Não serves para nada. Era a voz de Amando Cordovil. As mesmas palavras. Ou minha memória repetia o que eu tinha ouvido tantas vezes? Então naquela manhã fui com o gerente ao banco inglês. O empréstimo. Só de pensar, fico agoniado. [...] Senti o mesmo sufoco quando o diretor do banco me mostrou os documentos assinados por Amando. A dívida, uma fortuna. Saí tonto, peguei o bonde para a chácara e esperei Estiliano em Manaus. Uns dez dias depois ele apareceu. Já sabia de tudo: eu tinha sido ingênuo ou irresponsável. Fui as duas coisas, pensei. Mas fiz questão de dizer que só meu pai fazia a renovação do seguro. Vim antes porque li a notícia do naufrágio nos jornais de Belém, ele disse. E então revelou que estava em Manaus havia uma semana. Não quis perder tempo, prosseguiu. Conversei com o juiz, com os diretores do banco e da Adler. Explicou que os dois batelões estavam atracados no Manaus Harbour, confiscados pela justiça. Essas barcaças velhas não valiam muito, mas era possível vendê-las. O que tinha valor era o cargueiro alemão: o Eldorado. Acusei o gerente de leviano, podia ter evitado essas dívidas. Estiliano não se alterou: o gerente era uma sombra do meu pai, e uma sombra não podia pensar em tudo. Mas era preciso vender os dois batelões? Vais ter que vender tudo: esta chácara, o edifício da empresa e o terreno de Flores. Como eu ia admitir? Queria casar com Dinaura, viajar com ela. Vives em outro mundo, disse Estiliano. Se não venderes tudo, podes ser preso. As pequenas companhias de navegação da Amazônia estão falidas. Sai desta chácara e anda pela cidade. Aquela moça arrancou tua cabeça, te deixou sem razão. Cego. (Órfãos do Eldorado, 2008.) No trecho, Arminto
  1. A)recorre a Estiliano em busca de auxílio para solucionar os problemas financeiros em que a empresa da família se encontrava.
  2. B)mostra-se arrependido por ter incumbido Estiliano da administração do navio Eldorado.
  3. C)confessa a si mesmo que o relacionamento amoroso com Dinaura o impedira de zelar pelo patrimônio familiar.
  4. D)isenta o gerente dos negócios da família pela derrocada financeira dos Cordovil.
  5. E)sente-se inconformado porque o Eldorado, navio a que dedicara todo o seu trabalho, naufragara sem a renovação da apólice de seguro.
UEA2023Conhecimentos GeraisQuestao 3PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaMedia
O gerente [...] me encarou, o rosto tenso, mãos nos bolsos da calça. [...] Meu pai não tinha renovado o seguro do Eldorado, e a empresa ainda devia muito dinheiro ao banco inglês. Estiliano não sabia disso? Era um assunto do doutor Cordovil. Teu pai não autorizava ninguém a assinar apólices de seguro. Ele ia renovar, mas morreu. Então o gerente continuou: no naufrágio do Eldorado a Companhia Adler tinha perdido oitenta toneladas de borracha e castanha, e movia um processo contra a empresa; as taxas portuárias não haviam sido pagas para a Manaus Harbour... O falatório desastroso me irritou. Eu não sabia de nada; a ignorância era a minha fraqueza. O gerente parou de falar, sentou e apoiou os cotovelos na escrivaninha, os dedos na testa, o olhar de admiração e saudade na fotografia do meu pai. Eu não conseguia encarar Amando, nem na parede. Murmurei: A empresa afundou. Ouvi alguém dizer em voz baixa: Covarde. Perguntei ao gerente o que ele estava dizendo. Permaneceu mudo, na mesma posição. O retrato do meu pai parecia me desafiar. Covarde. Não serves para nada. Era a voz de Amando Cordovil. As mesmas palavras. Ou minha memória repetia o que eu tinha ouvido tantas vezes? Então naquela manhã fui com o gerente ao banco inglês. O empréstimo. Só de pensar, fico agoniado. [...] Senti o mesmo sufoco quando o diretor do banco me mostrou os documentos assinados por Amando. A dívida, uma fortuna. Saí tonto, peguei o bonde para a chácara e esperei Estiliano em Manaus. Uns dez dias depois ele apareceu. Já sabia de tudo: eu tinha sido ingênuo ou irresponsável. Fui as duas coisas, pensei. Mas fiz questão de dizer que só meu pai fazia a renovação do seguro. Vim antes porque li a notícia do naufrágio nos jornais de Belém, ele disse. E então revelou que estava em Manaus havia uma semana. Não quis perder tempo, prosseguiu. Conversei com o juiz, com os diretores do banco e da Adler. Explicou que os dois batelões estavam atracados no Manaus Harbour, confiscados pela justiça. Essas barcaças velhas não valiam muito, mas era possível vendê-las. O que tinha valor era o cargueiro alemão: o Eldorado. Acusei o gerente de leviano, podia ter evitado essas dívidas. Estiliano não se alterou: o gerente era uma sombra do meu pai, e uma sombra não podia pensar em tudo. Mas era preciso vender os dois batelões? Vais ter que vender tudo: esta chácara, o edifício da empresa e o terreno de Flores. Como eu ia admitir? Queria casar com Dinaura, viajar com ela. Vives em outro mundo, disse Estiliano. Se não venderes tudo, podes ser preso. As pequenas companhias de navegação da Amazônia estão falidas. Sai desta chácara e anda pela cidade. Aquela moça arrancou tua cabeça, te deixou sem razão. Cego. (Órfãos do Eldorado, 2008.) A figura do pai, embora já morto, produz em Arminto um sentimento de
  1. A)indiferença.
  2. B)orgulho.
  3. C)gratidão.
  4. D)compaixão.
  5. E)inferioridade.
UEA2020Conhecimentos GeraisQuestao 4PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaMedia
De dia usava saia e blusa, de noite dormia de combinação. Uma colega de quarto não sabia como avisar-lhe que seu cheiro era murrinhento. E como não sabia, ficou por isso mesmo, pois tinha medo de ofendê-la. Nada nela era iridescente1, embora a pele do rosto entre as manchas tivesse um leve brilho de opala. Mas não importava. Ninguém olhava para ela na rua, ela era café frio. E assim se passava o tempo para a moça esta. Assoava o nariz na barra da combinação. Não tinha aquela coisa delicada que se chama encanto. Só eu a vejo encantadora. Só eu, seu autor, a amo. Sofro por ela. E só eu é que posso dizer assim: “que é que você me pede chorando que eu não lhe dê cantando”? Essa moça não sabia que ela era o que era, assim como um cachorro não sabe que é cachorro. Daí não se sentir infeliz. A única coisa que queria era viver. Não sabia para quê, não se indagava. Quem sabe, achava que havia uma gloriazinha em viver. Ela pensava que a pessoa é obrigada a ser feliz. Então era. Antes de nascer ela era uma ideia? Antes de nascer ela era morta? E depois de nascer ela ia morrer? Mas que fina talhada de melancia. (A hora da estrela, 1998.) 1 iridescente: colorido como o arco-íris. No segundo parágrafo, a referência a um cachorro serve para afirmar que a personagem tinha
  1. A)dificuldades em se comunicar.
  2. B)pouca experiência na vida.
  3. C)pouca educação formal.
  4. D)dificuldades com temas complexos.
  5. E)pouca consciência de si mesma.
UEA2020Conhecimentos GeraisQuestao 5PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaMedia
De dia usava saia e blusa, de noite dormia de combinação. Uma colega de quarto não sabia como avisar-lhe que seu cheiro era murrinhento. E como não sabia, ficou por isso mesmo, pois tinha medo de ofendê-la. Nada nela era iridescente1, embora a pele do rosto entre as manchas tivesse um leve brilho de opala. Mas não importava. Ninguém olhava para ela na rua, ela era café frio. E assim se passava o tempo para a moça esta. Assoava o nariz na barra da combinação. Não tinha aquela coisa delicada que se chama encanto. Só eu a vejo encantadora. Só eu, seu autor, a amo. Sofro por ela. E só eu é que posso dizer assim: “que é que você me pede chorando que eu não lhe dê cantando”? Essa moça não sabia que ela era o que era, assim como um cachorro não sabe que é cachorro. Daí não se sentir infeliz. A única coisa que queria era viver. Não sabia para quê, não se indagava. Quem sabe, achava que havia uma gloriazinha em viver. Ela pensava que a pessoa é obrigada a ser feliz. Então era. Antes de nascer ela era uma ideia? Antes de nascer ela era morta? E depois de nascer ela ia morrer? Mas que fina talhada de melancia. (A hora da estrela, 1998.) 1 iridescente: colorido como o arco-íris. Em A hora da estrela, a história é contada
  1. A)por um personagem nomeado, que, conforme narra, faz questionamentos sobre a existência humana e o processo de escrita.
  2. B)por um narrador em terceira pessoa, que mantém a objetividade, enunciando os fatos como uma matéria bruta, sem comentários nem digressões.
  3. C)por um narrador em primeira pessoa, que relata, em um tempo posterior aos fatos, as memórias de quando interagiu com a personagem.
  4. D)pela própria protagonista, que narra os fatos de modo tumultuado, tecendo frequentes comentários sobre a própria escrita.
  5. E)pela própria protagonista, que se coloca como narradora em terceira pessoa da própria vida, como se observasse tudo a partir de um ponto de vista externo aos fatos.
UEA2020Conhecimentos EspecíficosQuestao 35PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaMedia
Juno e Flora e outras divindades mitológicas O cabaré não primava pela decoração, mas o ambiente era simples e acolhedor. Era bem conceituado pelos anos de serviços prestados. Uma sala pequena cheia de sofás, algumas mesas redondas de mármore encardido. Meia penumbra. Fomos sentar numa mesa perto da orquestra. A casa começava a esvaziar e estavam apenas os clientes mais renitentes. Duas meninas dançavam um can-can desajeitado e deviam ser paraenses. As duas meninas suavam sem parar. Fomos atendidos por Dona Flora, gorda e oxigenada proprietária que bem poderia ser a deusa Juno. Recebemos as vênias de sempre e Trucco pediu uísque. A música já estava com o andamento de fim de festa e o garçom veio servir nossas bebidas. Trucco perguntou se Lili ainda iria apresentar-se e o garçom respondeu que o número dela era sempre à meia-noite. Havia um ar de familiaridade, e duas polacas vieram sentar em nossa mesa. Afastei a cadeira para elas sentarem e notei que eram bem velhas e machucadas. Decidi dar uma observada no ambiente enquanto Trucco trocava gentilezas com as duas cocottes1. (Galvez, Imperador do Acre, 1977.) 1 cocotte: mulher jovem e atraente. O romance Galvez, Imperador do Acre
  1. A)faz uma reconstituição objetiva do passado histórico da Amazônia.
  2. B)idealiza o passado da conquista do espaço amazônico.
  3. C)desmistifica as aventuras e os aventureiros da Amazônia.
  4. D)constrói um mito fundador para o povo amazônico, apoiado na miscigenação de brancos e índios.
  5. E)retrata os aventureiros amazônicos como homens especiais, desinteressados da vida mundana.
UEA2019Conhecimentos EspecíficosQuestao 28PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaMedia
Armado com um cartãozinho do bispo e um bilhete particular de Conceição à senhora que administrava o serviço, Chico Bento conseguiu obter o ambicionado lugar no açude do Tauape. No bilhete, a moça fazia o possível para comover a destinatária; e a senhora, apesar de já se ter habituado a esses pedidos que falavam sempre numa mesma pobreza extrema e em criancinhas famintas, achou jeito de desentulhar uma pá, e ela mesma guiou o vaqueiro aturdido, com seu ferro na mão, e o entregou ao feitor. Duramente Chico Bento trabalhou todo o dia no serviço da barragem. Só de longe em longe parava para tomar um fôlego, sentindo o pobre peito cansado e os músculos vadios. E o almoço, ao meio-dia, onde, junto do pirão, um naco de carne cheiroso emergia, mal o soergueu e o animou. Já era tão antiga, tão bem instalada a sua fome, para fugir assim, diante do primeiro prato de feijão, da primeira lasca de carne!… (O quinze, 2009.) No romance O quinze, Chico Bento é
  1. A)o responsável pela segurança de uma fazenda que estava a ponto de ser invadida por retirantes durante a seca de 1915.
  2. B)um jovem cangaceiro, membro de um bando que se m ovia pelo nordeste, saqueando cidades e fazendas d urante a seca de 1915.
  3. C)o filho mais velho de uma família de retirantes, que abandona os seus para tentar a sorte na capital durante a seca de 1915.
  4. D)um vaqueiro que, por causa da seca de 1915, perde o trabalho e é obrigado a migrar do interior para a capital.
  5. E)um proprietário de terras que, devido à seca de 1915, despede seus funcionários, que não tinham mais com o que trabalhar.
UEA2017Conhecimentos GeraisQuestao 4PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaMedia
Leia o trecho do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum. A velhice ainda estava longe, e a amargura, se existia, Rânia sabia esconder. Escondia muitas coisas: seus pensamentos, suas ideias, seu humor e mesmo uma boa parte do corpo, que eu nunca deixei de admirar. No entanto, era uma virtuose nas questões mais prosaicas, e nisso ela me ajudava. Dá pena pensar que ela só usava aquelas mãos morenas de dedos longos e perfeitos para trocar uma lâmpada, consertar uma torneira ou desentupir um ralo. (Dois irmãos, 2000.) Na visão do narrador, Rânia é uma mulher
  1. A)amargurada, que se mostrava insatisfeita com o tipo de serviço que realizava.
  2. B)madura, cuja beleza se perdeu durante anos dedicados ao trabalho pesado.
  3. C)frágil, que aparentava ser bem mais jovem do que deveria ser na realidade.
  4. D)atraente, com notáveis habilidades para a execução de tarefas domésticas.
  5. E)bela, que, no entanto, se considerava feia e mantinha o corpo escondido.
UEA2017Conhecimentos GeraisQuestao 5PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaMedia
Há meio século, os escravos fugiam com frequência. Eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Sucedia ocasionalmente apanharem pancada, e nem todos gostavam de apanhar pancada. Grande parte era apenas repreendida; havia alguém de casa que servia de padrinho, e o mesmo dono não era mau; além disso, o sentimento da propriedade moderava a ação, porque dinheiro também dói. (Apud Ítalo Moriconi (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, 2000.) Nesse trecho, o narrador menciona uma questão relevante acerca da escravidão no Brasil, que diz respeito ao fato de que
  1. A)os negros haviam se acomodado na condição de escravos e viam como vantagem o fato de terem protetores brancos.
  2. B)tinha se estabelecido uma ordem social em que, por ser a principal força de trabalho, o escravo recebia vários benefícios.
  3. C)os escravos eram vistos como mera mercadoria, ainda que houvesse diferenças no tratamento dispensado a eles.
  4. D)existiam leis que garantiam a proteção da integridade física dos escravos, o que coibia repreensões violentas.
  5. E)os negros, à exceção daqueles que fugiam com frequência, viviam em condições análogas às dos brancos.
UEA2017Conhecimentos GeraisQuestao 6PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaMedia
Há meio século, os escravos fugiam com frequência. Eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Sucedia ocasionalmente apanharem pancada, e nem todos gostavam de apanhar pancada. Grande parte era apenas repreendida; havia alguém de casa que servia de padrinho, e o mesmo dono não era mau; além disso, o sentimento da propriedade moderava a ação, porque dinheiro também dói. (Apud Ítalo Moriconi (org). Os cem melhores contos brasileiros do século, 2000.) Uma característica do estilo de Machado de Assis, presente nesse trecho, é
  1. A)a grandiloquência, notada em: “Grande parte era apenas repreendida”.
  2. B)o sentimentalismo, verificado em: “porque dinheiro também dói”.
  3. C)a ironia, percebida em: “nem todos gostavam de apanhar pancada”.
  4. D)o tom de indignação, observado em: “Sucedia ocasionalmente apanharem pancada”.
  5. E)o teor saudosista, comprovado em: “Há meio século, os escravos fugiam com frequência”.
UEA2017Conhecimentos GeraisQuestao 7PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaMedia
Leia a estrofe XXVI (Canto X) de Caramuru, de Santa Rita Durão. Em cuidadosa escola o temor santo, Antes das Artes a qualquer se ensina; Dão-lhe lições de ler, contar, de canto, E o Catecismo da Cristã Doutrina: Vendo-os o rude Pai, concebe espanto, E pelo filho a Mãe à Fé se inclina, Nem de meio entre nós mais apto se usa, Que aquela Gente bárbara reduza. (Caramuru, 2001.) Nessa estrofe, evidencia-se
  1. A)o respeito ao ensinamento dos índios mais velhos.
  2. B)a defesa da preservação da cultura indígena.
  3. C)o elogio do comportamento obediente dos nativos.
  4. D)a descrição da amizade entre portugueses e indígenas.
  5. E)a exaltação do trabalho evangelizador dos portugueses.
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