Sintaxe (sujeito, concordância e pronomes)2% · 5 questões
Machado de Assis2% · 5 questões
Vozes verbais2% · 4 questões
Questões de Português do UEA
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UEA2026Conhecimentos GeraisQuestao 1PortuguêsFiguras de linguagemFacil
Para a produção do efeito humorístico, o autor recorre, no quarto quadrinho,
Imagens anexadas
A)a uma hipérbole.
B)a um eufemismo.
C)a um paradoxo.
D)a uma comparação.
E)a uma gradação.
UEA2026Conhecimentos GeraisQuestao 2PortuguêsTempo verbal e narraçãoFacil
Em relação ao momento em que o narrador conta a história, os fatos narrados acontecem
Imagens anexadas
A)em um passado hipotético.
B)em um futuro hipotético.
C)em um futuro próximo.
D)em um passado recente.
E)em um tempo indeterminado.
UEA2026Conhecimentos GeraisQuestao 3PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Facil
considere o artigo escrito por Rafael Magalhães dos Santos e editado por Layse Ventura.
A televisão já foi vista como o fim do cinema. Mas, em vez de morrer, a sétima arte evoluiu: criou novas linguagens, reinventou formatos e encontrou seu próprio espaço. Hoje, a Inteligência Artificial é tratada como a próxima ameaça às indústrias criativas. Será? A história mostra que, diante de grandes mudanças, quem inova sobrevive — e ainda brilha. Para salvar a experiência do cinema diante da televisão, a indústria apostou na inovação técnica e estética. Vieram o widescreen, o 3D e o som multicanal, criando um espetáculo que nenhuma TV da época podia replicar. As produções também aceleraram a adoção do filme colorido e passaram a se associar a eventos de “alta cultura”, como teatro e ópera, com filmes mais longos, aberturas e intervalos. Nem todas as ideias pegaram — e algumas soaram até ridículas, como o “smell-o-vision”, que liberava cheiros durante o filme Scent of Mystery (1960). Ainda assim, o esforço de inovar transformou a própria linguagem do cinema. O impacto foi tão profundo que o cinema deixou de disputar espaço com a TV e criou uma experiência sensorial própria. Inovar não era apenas uma questão de sobrevivência, era uma forma de transformar limitações em novas possibilidades estéticas. Em vez de resistir à mudança, o cinema a incorporou como motor de evolução. A Inteligência Artificial gera hoje o mesmo frio na barriga que a televisão causou décadas atrás. Textos, músicas, pinturas e roteiros podem ser produzidos em minutos, desafiando a ideia de autoria e talento humano. Mas, assim como o cinema não desapareceu, a criação humana também não precisa ser substituída, ela pode evoluir junto. A IA não é apenas uma máquina de cópias. Ela pode ser uma ferramenta de experimentação, inspiração e até democratização do acesso criativo. Em vez de temer o que a tecnologia pode fazer, a chave está em usá-la para ampliar o que só os humanos conseguem transmitir: emoção, nuance, surpresa. A Inteligência Artificial pode ser a faísca de uma nova era nas artes. A criatividade continua a ser um terreno humano — e, agora, com novos instrumentos para explorá-lo como nunca antes. (www.olhardigital.com.br, 02.05.2025. Adaptado.)
Dentro da perspectiva apresentada pelo autor, a Inteligência Artificial vai
A)potencializar a criatividade humana nas novas produções.
B)substituir o trabalho humano nas atividades criativas.
C)aumentar a audiência para os filmes que a utilizarem.
D)reduzir o objeto artístico a um produto mercadológico.
E)ampliar o entendimento sobre as obras artísticas do passado.
considere o artigo escrito por Rafael Magalhães dos Santos e editado por Layse Ventura.
A televisão já foi vista como o fim do cinema. Mas, em vez de morrer, a sétima arte evoluiu: criou novas linguagens, reinventou formatos e encontrou seu próprio espaço. Hoje, a Inteligência Artificial é tratada como a próxima ameaça às indústrias criativas. Será? A história mostra que, diante de grandes mudanças, quem inova sobrevive — e ainda brilha. Para salvar a experiência do cinema diante da televisão, a indústria apostou na inovação técnica e estética. Vieram o widescreen, o 3D e o som multicanal, criando um espetáculo que nenhuma TV da época podia replicar. As produções também aceleraram a adoção do filme colorido e passaram a se associar a eventos de “alta cultura”, como teatro e ópera, com filmes mais longos, aberturas e intervalos. Nem todas as ideias pegaram — e algumas soaram até ridículas, como o “smell-o-vision”, que liberava cheiros durante o filme Scent of Mystery (1960). Ainda assim, o esforço de inovar transformou a própria linguagem do cinema. O impacto foi tão profundo que o cinema deixou de disputar espaço com a TV e criou uma experiência sensorial própria. Inovar não era apenas uma questão de sobrevivência, era uma forma de transformar limitações em novas possibilidades estéticas. Em vez de resistir à mudança, o cinema a incorporou como motor de evolução. A Inteligência Artificial gera hoje o mesmo frio na barriga que a televisão causou décadas atrás. Textos, músicas, pinturas e roteiros podem ser produzidos em minutos, desafiando a ideia de autoria e talento humano. Mas, assim como o cinema não desapareceu, a criação humana também não precisa ser substituída, ela pode evoluir junto. A IA não é apenas uma máquina de cópias. Ela pode ser uma ferramenta de experimentação, inspiração e até democratização do acesso criativo. Em vez de temer o que a tecnologia pode fazer, a chave está em usá-la para ampliar o que só os humanos conseguem transmitir: emoção, nuance, surpresa. A Inteligência Artificial pode ser a faísca de uma nova era nas artes. A criatividade continua a ser um terreno humano — e, agora, com novos instrumentos para explorá-lo como nunca antes. (www.olhardigital.com.br, 02.05.2025. Adaptado.)
“Para salvar a experiência do cinema diante da televisão, a indústria apostou na inovação técnica e estética.” (2o parágrafo) No contexto em que se encontra, a palavra sublinhada deve ser entendida como:
A)especulou sobre o futuro sem considerar os riscos envolvidos.
B)desperdiçou capital que poderia ter sido mais bem empregado.
C)direcionou recursos na expectativa de receber um ganho futuro.
D)utilizou meios ilícitos a fim de transformar uma dada situação.
E)repetiu antigos procedimentos para obter resultados diferentes.
considere o artigo escrito por Rafael Magalhães dos Santos e editado por Layse Ventura.
A televisão já foi vista como o fim do cinema. Mas, em vez de morrer, a sétima arte evoluiu: criou novas linguagens, reinventou formatos e encontrou seu próprio espaço. Hoje, a Inteligência Artificial é tratada como a próxima ameaça às indústrias criativas. Será? A história mostra que, diante de grandes mudanças, quem inova sobrevive — e ainda brilha. Para salvar a experiência do cinema diante da televisão, a indústria apostou na inovação técnica e estética. Vieram o widescreen, o 3D e o som multicanal, criando um espetáculo que nenhuma TV da época podia replicar. As produções também aceleraram a adoção do filme colorido e passaram a se associar a eventos de “alta cultura”, como teatro e ópera, com filmes mais longos, aberturas e intervalos. Nem todas as ideias pegaram — e algumas soaram até ridículas, como o “smell-o-vision”, que liberava cheiros durante o filme Scent of Mystery (1960). Ainda assim, o esforço de inovar transformou a própria linguagem do cinema. O impacto foi tão profundo que o cinema deixou de disputar espaço com a TV e criou uma experiência sensorial própria. Inovar não era apenas uma questão de sobrevivência, era uma forma de transformar limitações em novas possibilidades estéticas. Em vez de resistir à mudança, o cinema a incorporou como motor de evolução. A Inteligência Artificial gera hoje o mesmo frio na barriga que a televisão causou décadas atrás. Textos, músicas, pinturas e roteiros podem ser produzidos em minutos, desafiando a ideia de autoria e talento humano. Mas, assim como o cinema não desapareceu, a criação humana também não precisa ser substituída, ela pode evoluir junto. A IA não é apenas uma máquina de cópias. Ela pode ser uma ferramenta de experimentação, inspiração e até democratização do acesso criativo. Em vez de temer o que a tecnologia pode fazer, a chave está em usá-la para ampliar o que só os humanos conseguem transmitir: emoção, nuance, surpresa. A Inteligência Artificial pode ser a faísca de uma nova era nas artes. A criatividade continua a ser um terreno humano — e, agora, com novos instrumentos para explorá-lo como nunca antes. (www.olhardigital.com.br, 02.05.2025. Adaptado.)
O sujeito oracional ocorre quando uma oração exerce a função de sujeito de outra oração. Nesse sentido, ocorre sujeito oracional em:
A)“As produções também aceleraram a adoção do filme colorido” (2o parágrafo).
B)“Nem todas as ideias pegaram” (3o parágrafo).
C)“Textos, músicas, pinturas e roteiros podem ser produzidos em minutos” (5o parágrafo).
D)“Inovar não era apenas uma questão de sobrevivência” (4o parágrafo).
E)“Vieram o widescreen, o 3D e o som multicanal” (2o parágrafo).
considere o artigo escrito por Rafael Magalhães dos Santos e editado por Layse Ventura.
A televisão já foi vista como o fim do cinema. Mas, em vez de morrer, a sétima arte evoluiu: criou novas linguagens, reinventou formatos e encontrou seu próprio espaço. Hoje, a Inteligência Artificial é tratada como a próxima ameaça às indústrias criativas. Será? A história mostra que, diante de grandes mudanças, quem inova sobrevive — e ainda brilha. Para salvar a experiência do cinema diante da televisão, a indústria apostou na inovação técnica e estética. Vieram o widescreen, o 3D e o som multicanal, criando um espetáculo que nenhuma TV da época podia replicar. As produções também aceleraram a adoção do filme colorido e passaram a se associar a eventos de “alta cultura”, como teatro e ópera, com filmes mais longos, aberturas e intervalos. Nem todas as ideias pegaram — e algumas soaram até ridículas, como o “smell-o-vision”, que liberava cheiros durante o filme Scent of Mystery (1960). Ainda assim, o esforço de inovar transformou a própria linguagem do cinema. O impacto foi tão profundo que o cinema deixou de disputar espaço com a TV e criou uma experiência sensorial própria. Inovar não era apenas uma questão de sobrevivência, era uma forma de transformar limitações em novas possibilidades estéticas. Em vez de resistir à mudança, o cinema a incorporou como motor de evolução. A Inteligência Artificial gera hoje o mesmo frio na barriga que a televisão causou décadas atrás. Textos, músicas, pinturas e roteiros podem ser produzidos em minutos, desafiando a ideia de autoria e talento humano. Mas, assim como o cinema não desapareceu, a criação humana também não precisa ser substituída, ela pode evoluir junto. A IA não é apenas uma máquina de cópias. Ela pode ser uma ferramenta de experimentação, inspiração e até democratização do acesso criativo. Em vez de temer o que a tecnologia pode fazer, a chave está em usá-la para ampliar o que só os humanos conseguem transmitir: emoção, nuance, surpresa. A Inteligência Artificial pode ser a faísca de uma nova era nas artes. A criatividade continua a ser um terreno humano — e, agora, com novos instrumentos para explorá-lo como nunca antes. (www.olhardigital.com.br, 02.05.2025. Adaptado.)
“Em vez de temer o que a tecnologia pode fazer, a chave está em usá-la para ampliar o que só os humanos conseguem transmitir” (6o parágrafo)
Sem modificar o sentido da frase, a expressão sublinhada pode ser substituída por
A)A fim de.
B)Além de.
C)A ponto de.
D)Depois de.
E)No lugar de. Leia o trecho a seguir, retirado do romance Macunaíma, de
Uma feita a Sol cobrira os três manos duma escaminha de suor e Macunaíma se lembrou de tomar banho. Porém no rio era impossível por causa das piranhas tão vorazes que de quando em quando, na luta pra pegar um naco de irmã espedaçada, pulavam aos cachos pra fora d’água metro e mais. Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio uma cova cheia d’água. E a cova era que nem a marca dum pé gigante. Abicaram. O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do Sumé, do tempo em que andava pregando o evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do banho estava branco loiro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas. Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca do pezão do Sumé. Porém a água já estava muito suja da negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo. Macunaíma teve dó e consolou: — Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém pretume foi-se e antes fanhoso que sem nariz. (Macunaíma, 2013.)
O episódio narrado neste trecho exemplifica uma característica marcante da personagem Macunaíma:
A)a possibilidade de se transformar magicamente.
B)a valorização da razão e do planejamento.
C)a beleza física que o acompanha desde o nascimento.
D)o respeito às convenções sociais.
E)o teor moralista de suas ações.
UEA2026Conhecimentos GeraisQuestao 8PortuguêsInterpretação de texto literárioFacil
Uma feita a Sol cobrira os três manos duma escaminha de suor e Macunaíma se lembrou de tomar banho. Porém no rio era impossível por causa das piranhas tão vorazes que de quando em quando, na luta pra pegar um naco de irmã espedaçada, pulavam aos cachos pra fora d’água metro e mais. Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio uma cova cheia d’água. E a cova era que nem a marca dum pé gigante. Abicaram. O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do Sumé, do tempo em que andava pregando o evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do banho estava branco loiro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas. Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca do pezão do Sumé. Porém a água já estava muito suja da negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo. Macunaíma teve dó e consolou: — Olhe, mano Jiguê, branco você ficou não, porém pretume foi-se e antes fanhoso que sem nariz. (Macunaíma, 2013.)
De acordo com o texto, o banho não produziu em Jiguê o resultado que ele esperava porque
Considere a tirinha de Eduardo Arruda, publicada no perfil @eduardobarruda do Instagram em 25.01.2025, para responder às questões 25 e 26.
Na situação exposta na tirinha, a informação “nem começava” representa
Imagens anexadas
A)a causa de ser “perfeccionista”.
B)uma consequência de ser “perfeccionista”.
C)a finalidade de ser “perfeccionista”.
D)uma condição necessária para ser “perfeccionista”.
E)uma comparação com a ideia de ser “perfeccionista”.
UEA2026Conhecimentos EspecíficosQuestao 26PortuguêsFunções da linguagemMedia
Considere a tirinha de Eduardo Arruda, publicada no perfil @eduardobarruda do Instagram em 25.01.2025, para responder às questões 25 e 26.
A tirinha pode ser entendida como uma reflexão metalinguística. Nessa interpretação, a metalinguagem decorreria de a tirinha propor uma reflexão sobre
Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional. — Está bom, hein? — indagou o major. — Magnífico — fez Ricardo, estalando os lábios. — É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores… E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação. Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1, manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2, como aquelas que ele tinha ali. Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4. Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição: — Vamos ver. Tire a escala, major. (Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.) 1 lutulento: lamacento, lodoso. 2 olente: cheiroso, perfumado. 3 dolente: lamentosa, queixosa. 4 deliquescência: propriedade que certas substâncias têm de extrair água.
Uma característica do personagem Policarpo Quaresma que o acompanha ao longo de todo o romance e que está presente nesse trecho é sua obsessão
Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional. — Está bom, hein? — indagou o major. — Magnífico — fez Ricardo, estalando os lábios. — É de Angra. Agora tu vais ver que magnífico vinho do Rio Grande temos… Qual Borgonha! Qual Bordeaux! Temos no Sul muito melhores… E o jantar correu assim, nesse tom. Quaresma exaltando os produtos nacionais: a banha, o toucinho e o arroz; a irmã fazia pequenas objeções e Ricardo dizia: “É, é, não há dúvida” — rolando nas órbitas os olhos pequenos, franzindo a testa diminuta que se sumia no cabelo áspero, forçando muito a sua fisionomia miúda e dura a adquirir uma expressão sincera de delicadeza e satisfação. Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor… Certamente não se podia tomar por tal míseros beijos-de-frade, palmas-de-santa-rita, quaresmas lutulentas1, manacás melancólicos e outros belos exemplares dos nossos campos e prados. Como em tudo o mais, o major era em jardinagem essencialmente nacional. Nada de rosas, de crisântemos, de magnólias — flores exóticas; as nossas terras tinham outras mais belas, mais expressivas, mais olentes2, como aquelas que ele tinha ali. Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala, quando o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol ao deixar a terra, pondo nas coisas a sua poesia dolente3 e a sua deliquescência4. Mal foi aceso o gás, o mestre de violão empunhou o instrumento, apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar. Tirou alguns acordes, para experimentar; e dirigiu-se ao discípulo, que já tinha o seu em posição: — Vamos ver. Tire a escala, major. (Triste fim de Policarpo Quaresma, 2010.) 1 lutulento: lamacento, lodoso. 2 olente: cheiroso, perfumado. 3 dolente: lamentosa, queixosa. 4 deliquescência: propriedade que certas substâncias têm de extrair água.
O narrador do romance manifesta-se ironicamente, em tom jocoso, em:
A)“Ricardo ainda uma vez concordou e os dois entraram na sala” (7o parágrafo).
B)“Ricardo agarrou o cálice com delicadeza e respeito, levou-o aos lábios e foi como se todo ele bebesse o licor nacional” (1o parágrafo).
C)“o crepúsculo vinha devagar, muito vagaroso e lento, como se fosse um longo adeus saudoso do sol” (7o parágrafo).
D)“Acabado o jantar foram ver o jardim. Era uma maravilha; não tinha nem uma flor” (6o parágrafo).
E)“apertou as cravelhas, correu a escala, abaixando-se sobre ele como se o quisesse beijar” (8o parágrafo).
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