Semântica · UEA

Semântica: questões do UEA

23 questões de Semântica (Português) no UEA (2017–2026). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Semântica no UEA

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UEA2026Conhecimentos EspecíficosQuestao 25PortuguêsSemânticaFacil
Considere a tirinha de Eduardo Arruda, publicada no perfil @eduardobarruda do Instagram em 25.01.2025, para responder às questões 25 e 26. Na situação exposta na tirinha, a informação “nem começava” representa
Imagens anexadas
  1. A)a causa de ser “perfeccionista”.
  2. B)uma consequência de ser “perfeccionista”.
  3. C)a finalidade de ser “perfeccionista”.
  4. D)uma condição necessária para ser “perfeccionista”.
  5. E)uma comparação com a ideia de ser “perfeccionista”.
UEA2025Conhecimentos GeraisQuestao 3PortuguêsSemânticaMedia
Danto1 introduz o problema da interpretação de obras de arte propondo, como de costume, um experimento mental: imaginar duas obras de arte que sejam sensorialmente indiscerníveis, mas que foram produzidas em épocas e lugares diferentes. Esse experimento tem o objetivo de mostrar que, embora os objetos materiais que as corporificam sejam idênticos, as referidas obras são distintas, uma vez que têm significados diferentes. Danto concorda, portanto, com a tese wölffliniana2 de que nem tudo é possível em qualquer época, ou seja, os significados artísticos são condicionados pelo seu contexto histórico. Desse modo, o problema da interpretação está inserido no cerne da definição de arte. (Revista Kriterion, 2018. Adaptado.) 1 Arthur Danto (1924-2013): filósofo e crítico de arte estadunidense. 2 Heinrich Wölfflin (1864-1945): filósofo e crítico de arte suíço. “embora os objetos materiais que as corporificam sejam idênticos, as referidas obras são distintas, uma vez que têm significados diferentes.” Ao falar dos objetos e seus significados, a autora estabelece uma oposição entre
  1. A)algo concreto e algo abstrato.
  2. B)algo importante e algo banal.
  3. C)algo fragmentado e algo contínuo.
  4. D)algo moral e algo estético.
  5. E)algo individual e algo coletivo.
UEA2025Conhecimentos GeraisQuestao 7PortuguêsSemânticaFacil
Pedro Bala e João Grande abalaram pela ladeira da Praça. Barandão abriu no mundo também. Mas o Sem-Pernas ficou encurralado na rua. Jogava picula1 com os guardas. Estes tinham se despreocupado dos outros, pensavam que já era alguma coisa pegar aquele coxo. Sem-Pernas corria de um lado para outro da rua, os guardas avançavam. Ele fez que ia escapulir por outro lado, driblou um dos guardas, saiu pela ladeira. Mas em vez de descer e tomar pela Baixa dos Sapateiros, se dirigiu para a praça do Palácio. Porque Sem-Pernas sabia que se corresse na rua o pegariam com certeza. Eram homens, de pernas maiores que as suas, e além do mais ele era coxo, pouco podia correr. E acima de tudo não queria que o pegassem. Lembrava-se da vez que fora à polícia. Dos sonhos das suas noites más. Não o pegariam e enquanto corre este é o único pensamento que vai com ele. [...] Não o levarão. Vêm em seus calcanhares, mas não o levarão. Pensam que ele vai parar junto ao grande elevador. Mas Sem-Pernas não para. Sobe para o pequeno muro, volve o rosto para os guardas que ainda correm, ri com toda a força do seu ódio, cospe na cara de um que se aproxima estendendo os braços, se atira de costas no espaço como se fosse um trapezista de circo. A praça toda fica em suspenso por um momento. “Se jogou”, diz uma mulher, e desmaia. Sem-Pernas se rebenta na montanha como um trapezista de circo que não tivesse alcançado o outro trapézio. O cachorro late entre as grades do muro. (Capitães da areia, 2008.) 1 picula: brincadeira infantil também conhecida como pega-pega, pegador e manja-pega. Na frase “E acima de tudo não queria que o pegassem” (1o parágrafo), a expressão sublinhada indica que a ação pretendida pelo personagem é
  1. A)incomum.
  2. B)importante.
  3. C)possível.
  4. D)difícil.
  5. E)admirável.
UEA2025Conhecimentos EspecíficosQuestao 28PortuguêsSemânticaFacil
Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto. — Abre, menina — ordenou Luciana do lado de fora. Virgínia encostou-se à parede e pôs-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. “Se entrar aí nessa fresta, você morre!”, sussurrou soprando-a para o chão. “Eu te salvo, bobinha, não tenha medo”, disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. E esmagou a formiga. — Virgínia, eu não estou brincando, menina. Abre logo, anda! — Agora não posso. — Não pode por quê? — Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente. Pensava em Conrado a lhe explicar que os bichos são como gente, têm alma de gente, e que matar um bichinho era o mesmo que matar uma pessoa. “Se você for má e começar a matar só por gosto, na outra vida você será bicho também, mas um desses bichos horríveis, cobra, rato, aranha...” Deitou-se no assoalho e começou a se espojar angustiosamente, avançando de rastros até o meio do quarto. — Ou você abre ou conto para o seu tio. É isto que você quer, é isto? Virgínia imobilizou-se. Ser cobra machucava os cotovelos, melhor ser borboleta. Mas quem ia ser borboleta decerto era Otávia, que era linda. “E eu sou feia e ruim, ruim, ruim!”, exclamou dando murros no chão. Ergueu a cabeça num desafio: — Pode contar tudo, tio Daniel não me manda, quem manda em mim é meu pai, ouviu? Meu pai. (Ciranda de pedra, 2009.) No trecho “— Estou fazendo uma coisa — respondeu evasivamente” (7o parágrafo), a palavra “evasivamente” indica que a resposta foi
  1. A)grosseira.
  2. B)longa.
  3. C)apressada.
  4. D)vaga.
  5. E)falsa.
UEA2025Conhecimentos EspecíficosQuestao 31PortuguêsSemânticaMedia
Considere a tirinha de Pablo Carballo, publicada no perfil @opablocarballo do Instagram. A palavra “ainda”, no último quadrinho, indica que “tá sem fazer nada” é um
Imagens anexadas
  1. A)fato pontual, isolado, no passado.
  2. B)fato pontual, isolado, no presente.
  3. C)estado suposto, hipotético.
  4. D)fato repetitivo.
  5. E)estado contínuo, duradouro.
UEA2025Conhecimentos EspecíficosQuestao 32PortuguêsSemânticaMedia
Existe uma infidelidade mais secreta e menos evidente, que acontece depois do relacionamento. Só acontece depois. É uma traição póstuma, retardatária, residual. É quando você repete os mesmos lugares, os mesmos apelos, as mesmas confidências com outro. É quando você insiste em escrever e tecer declarações exatamente iguais. É uma extorsão sentimental colocar um desejo para sua nova companhia como se fosse inédito. Pois a paixão só é idêntica para quem não enxerga as diferenças. É como remanejar presentes, aproveitar alianças antigas. Você prova que não tem criatividade nenhuma, demonstra a maior apatia: refaz os passeios que já realizou, leva para os restaurantes que frequentava, as baladas e festas conhecidas, reincide nos roteiros de viagem, destina sonhos e palavras já gastos, reemprega até os nomes aprovados para quando nascessem seus filhos. Mudou a pessoa, mas não o seu jeito de seduzir. Mudou a pessoa, mas não sua rotina de amar. Mudou a pessoa, mas não seu script. É uma melancólica sobreposição, desastrada colagem. Nem precisa cometer o ato falho de trocar o nome do atual pelo ex, porque estará revisitando atmosferas e cenários. Experimenta locações contaminadas por juras velhas. Não há sensação mais ingrata para seu namorado anterior ao perceber que era mais um. Um qualquer, nem um pouco especial. Um sósia de cenas românticas. Um dublê da adrenalina e dos feromônios. Você oferece um passado usado sob o disfarce de futuro. Alcança aquilo que foi ensaiado com o antecessor. Não se dá o luxo de disfarçar, o trabalho de maquiar, colocar uma manta no mobiliário da memória. Recorrendo à fórmula fixa de história feliz, estabelece uma competição imaginária, anula a individualidade do seu par, apaga a invenção a dois e a costura por caminhos surpreendentes e inesquecíveis. Acredita em sua inocência porque ninguém comentará o assunto. Desfruta da tolerância dos garçons, dos colegas, dos amigos, dos parentes. É realmente um segredo com pequenas chances de ser revelado, porém a consciência não é boba e um dia se vinga. O que vive está longe de ser amor, é obsessão. (Carpinejar. Para onde vai o amor, 2015.) No contexto em que está inserida, a palavra sublinhada em “É uma traição póstuma, retardatária, residual” (1o parágrafo) tem o sentido de algo que
  1. A)ocorre na fase final de um relacionamento afetivo, quando ele já está destinado a acabar.
  2. B)prejudica um relacionamento afetivo e pode levá-lo ao término.
  3. C)acontece depois que um relacionamento afetivo já acabou.
  4. D)beneficia um dos envolvidos em um relacionamento afetivo, mas não ambos.
  5. E)parece positivo, mas que destrói um relacionamento afetivo discretamente e aos poucos.
UEA2024Conhecimentos GeraisQuestao 3PortuguêsSemânticaMedia
Danto1 introduz o problema da interpretação de obras de arte propondo, como de costume, um experimento mental: imaginar duas obras de arte que sejam sensorialmente indiscerníveis, mas que foram produzidas em épocas e lugares diferentes. Esse experimento tem o objetivo de mostrar que, embora os objetos materiais que as corporificam sejam idênticos, as referidas obras são distintas, uma vez que têm significados diferentes. Danto concorda, portanto, com a tese wölffliniana2 de que nem tudo é possível em qualquer época, ou seja, os significados artísticos são condicionados pelo seu contexto histórico. Desse modo, o problema da interpretação está inserido no cerne da definição de arte. (Revista Kriterion, 2018. Adaptado.) 1 Arthur Danto (1924-2013): filósofo e crítico de arte estadunidense. 2 Heinrich Wölfflin (1864-1945): filósofo e crítico de arte suíço. “embora os objetos materiais que as corporificam sejam idênticos, as referidas obras são distintas, uma vez que têm significados diferentes.” Ao falar dos objetos e seus significados, a autora estabelece uma oposição entre
  1. A)algo concreto e algo abstrato.
  2. B)algo importante e algo banal.
  3. C)algo fragmentado e algo contínuo.
  4. D)algo moral e algo estético.
  5. E)algo individual e algo coletivo.
UEA2024Conhecimentos GeraisQuestao 7PortuguêsSemânticaFacil
Pedro Bala e João Grande abalaram pela ladeira da Praça. Barandão abriu no mundo também. Mas o Sem-Pernas ficou encurralado na rua. Jogava picula1 com os guardas. Estes tinham se despreocupado dos outros, pensavam que já era alguma coisa pegar aquele coxo. Sem-Pernas corria de um lado para outro da rua, os guardas avançavam. Ele fez que ia escapulir por outro lado, driblou um dos guardas, saiu pela ladeira. Mas em vez de descer e tomar pela Baixa dos Sapateiros, se dirigiu para a praça do Palácio. Porque Sem-Pernas sabia que se corresse na rua o pegariam com certeza. Eram homens, de pernas maiores que as suas, e além do mais ele era coxo, pouco podia correr. E acima de tudo não queria que o pegassem. Lembrava-se da vez que fora à polícia. Dos sonhos das suas noites más. Não o pegariam e enquanto corre este é o único pensamento que vai com ele. [...] Não o levarão. Vêm em seus calcanhares, mas não o levarão. Pensam que ele vai parar junto ao grande elevador. Mas Sem-Pernas não para. Sobe para o pequeno muro, volve o rosto para os guardas que ainda correm, ri com toda a força do seu ódio, cospe na cara de um que se aproxima estendendo os braços, se atira de costas no espaço como se fosse um trapezista de circo. A praça toda fica em suspenso por um momento. “Se jogou”, diz uma mulher, e desmaia. Sem-Pernas se rebenta na montanha como um trapezista de circo que não tivesse alcançado o outro trapézio. O cachorro late entre as grades do muro. (Capitães da areia, 2008.) 1 picula: brincadeira infantil também conhecida como pega-pega, pegador e manja-pega. Na frase “E acima de tudo não queria que o pegassem” (1o parágrafo), a expressão sublinhada indica que a ação pretendida pelo personagem é
  1. A)incomum.
  2. B)importante.
  3. C)possível.
  4. D)difícil.
  5. E)admirável.
UEA2024Conhecimentos EspecíficosQuestao 26PortuguêsSemânticaFacil
Todos nós sabemos que a história avançou de modo muito diferente para os povos de cada parte do globo. Nos 13 000 anos que se passaram desde o fim da última Era Glacial, algumas partes do mundo desenvolveram sociedades industriais e letradas, que usavam utensílios de metal, enquanto outras produziram apenas sociedades agrícolas analfabetas e ainda outras se mantiveram caçadoras-coletoras de alimentos, usando artefatos feitos com pedras. Essas desigualdades projetaram grandes sombras sobre o mundo moderno, uma vez que as sociedades letradas que possuíam utensílios de metal conquistaram ou exterminaram as outras sociedades. Embora essas diferenças representem os fatos mais elementares da história mundial, suas causas continuam incertas e controvertidas. (Armas, germes e aço, 2013.) Na frase “Embora essas diferenças representem os fatos mais elementares da história mundial, suas causas continuam incertas e controvertidas”, o termo sublinhado equivale a:
  1. A)atrasados.
  2. B)individuais.
  3. C)básicos, essenciais.
  4. D)precários, inúteis.
  5. E)lógicos.
UEA2023Conhecimentos GeraisQuestao 5PortuguêsSemânticaMedia
O gerente [...] me encarou, o rosto tenso, mãos nos bolsos da calça. [...] Meu pai não tinha renovado o seguro do Eldorado, e a empresa ainda devia muito dinheiro ao banco inglês. Estiliano não sabia disso? Era um assunto do doutor Cordovil. Teu pai não autorizava ninguém a assinar apólices de seguro. Ele ia renovar, mas morreu. Então o gerente continuou: no naufrágio do Eldorado a Companhia Adler tinha perdido oitenta toneladas de borracha e castanha, e movia um processo contra a empresa; as taxas portuárias não haviam sido pagas para a Manaus Harbour... O falatório desastroso me irritou. Eu não sabia de nada; a ignorância era a minha fraqueza. O gerente parou de falar, sentou e apoiou os cotovelos na escrivaninha, os dedos na testa, o olhar de admiração e saudade na fotografia do meu pai. Eu não conseguia encarar Amando, nem na parede. Murmurei: A empresa afundou. Ouvi alguém dizer em voz baixa: Covarde. Perguntei ao gerente o que ele estava dizendo. Permaneceu mudo, na mesma posição. O retrato do meu pai parecia me desafiar. Covarde. Não serves para nada. Era a voz de Amando Cordovil. As mesmas palavras. Ou minha memória repetia o que eu tinha ouvido tantas vezes? Então naquela manhã fui com o gerente ao banco inglês. O empréstimo. Só de pensar, fico agoniado. [...] Senti o mesmo sufoco quando o diretor do banco me mostrou os documentos assinados por Amando. A dívida, uma fortuna. Saí tonto, peguei o bonde para a chácara e esperei Estiliano em Manaus. Uns dez dias depois ele apareceu. Já sabia de tudo: eu tinha sido ingênuo ou irresponsável. Fui as duas coisas, pensei. Mas fiz questão de dizer que só meu pai fazia a renovação do seguro. Vim antes porque li a notícia do naufrágio nos jornais de Belém, ele disse. E então revelou que estava em Manaus havia uma semana. Não quis perder tempo, prosseguiu. Conversei com o juiz, com os diretores do banco e da Adler. Explicou que os dois batelões estavam atracados no Manaus Harbour, confiscados pela justiça. Essas barcaças velhas não valiam muito, mas era possível vendê-las. O que tinha valor era o cargueiro alemão: o Eldorado. Acusei o gerente de leviano, podia ter evitado essas dívidas. Estiliano não se alterou: o gerente era uma sombra do meu pai, e uma sombra não podia pensar em tudo. Mas era preciso vender os dois batelões? Vais ter que vender tudo: esta chácara, o edifício da empresa e o terreno de Flores. Como eu ia admitir? Queria casar com Dinaura, viajar com ela. Vives em outro mundo, disse Estiliano. Se não venderes tudo, podes ser preso. As pequenas companhias de navegação da Amazônia estão falidas. Sai desta chácara e anda pela cidade. Aquela moça arrancou tua cabeça, te deixou sem razão. Cego. (Órfãos do Eldorado, 2008.) A palavra empregada em sentido figurado está sublinhada em:
  1. A)“Se não venderes tudo, podes ser preso” (13o parágrafo).
  2. B)“Vais ter que vender tudo: esta chácara, o edifício da empresa e o terreno de Flores” (11o parágrafo).
  3. C)“Já sabia de tudo: eu tinha sido ingênuo ou irresponsável” (8o parágrafo).
  4. D)“Estiliano não se alterou: o gerente era uma sombra do meu pai” (10o parágrafo).
  5. E)“As pequenas companhias de navegação da Amazônia estão falidas” (13º parágrafo).
UEA2023Conhecimentos GeraisQuestao 7PortuguêsSemânticaFacil
A cultura amazônica é uma rara reminiscência de cultura mítica marcada pela dominante poética do imaginário. Original cultura mítica sobrevivente neste terceiro milênio, onde ainda se constata uma incessante produção de narrativas fabulosas na oralidade que caracteriza a sociedade regional amazônica. São os deuses de uma teogonia1 cotidiana e operativa. Para abrigá-los, os caboclos ribeirinhos inventaram uma singular paisagem ideal, um lugar ameno situado no fundo dos rios ou nas brenhas das florestas. Trata-se das encantarias, lugar onde moram os seres encantados, os deuses e personagens do imaginário amazônico, decorrente do fertilíssimo devaneio do homem do lugar, diante do correr das águas doces de seus rios. A convivência cotidiana com seres fabulosos de seu imaginário passa a condicionar um sentido contemplativo de beleza na convivência dessa relação dos homens entre si e deles com a natureza. (João de Jesus Paes Loureiro. www.amazonialatitude.com. Adaptado.) 1 teogonia: conjunto de deuses que constituem a mitologia de um povo. “A cultura amazônica é uma rara reminiscência de cultura mítica marcada pela dominante poética do imaginário.” A palavra “reminiscência” pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido do texto, por:
  1. A)exaltação.
  2. B)propagação.
  3. C)recordação.
  4. D)exibição.
  5. E)supressão.
UEA2022Conhecimentos EspecíficosQuestao 27PortuguêsSemânticaFacil
Deu estalos com os dedos. A cachorra Baleia, aos saltos, veio lamber-lhe as mãos grossas e cabeludas. Fabiano recebeu a carícia, enterneceu-se: — Você é um bicho, Baleia. Vivia longe dos homens, só se dava bem com animais. Os seus pés duros quebravam espinhos e não sentiam a quentura da terra. Montado, confundia-se com o cavalo, grudava-se a ele. E falava uma linguagem cantada, monossilábica e gutural, que o companheiro entendia. A pé, não se aguentava bem. Pendia para um lado, para o outro lado, cambaio, torto e feio. Às vezes utilizava nas relações com as pessoas a mesma língua com que se dirigia aos brutos — exclamações, onomatopeias. Na verdade falava pouco. Admirava as palavras compridas e difíceis da gente da cidade, tentava reproduzir algumas, em vão, mas sabia que elas eram inúteis e talvez perigosas. Uma das crianças aproximou-se, perguntou-lhe qualquer coisa. Fabiano parou, franziu a testa, esperou de boca aberta a repetição da pergunta. Não percebendo o que o filho desejava, repreendeu-o. O menino estava ficando muito curioso, muito enxerido. Se continuasse assim, metido com o que não era da conta dele, como iria acabar? Repeliu-o, vexado: — Esses capetas têm ideias... Não completou o pensamento, mas achou que aquilo estava errado. Tentou recordar o seu tempo de infância, viu-se miúdo, enfezado, a camisinha encardida e rota, acompanhando o pai no serviço do campo, interrogando-o debalde. Chamou os filhos, falou de coisas imediatas, procurou interessá-los. Bateu palmas: — Ecô! ecô! A cachorra Baleia saiu correndo entre os alastrados e quipás, farejando a novilha raposa. Depois de alguns minutos voltou desanimada, triste, o rabo murcho. Fabiano consolou-a, afagou-a. Queria apenas dar um ensinamento aos meninos. Era bom eles saberem que deviam proceder assim. (Vidas secas, 2013.) A expressão “coisas imediatas” (6o parágrafo) deve ser entendida como:
  1. A)desejos que não podem ser realizados.
  2. B)ideias fantasiosas sobre o futuro.
  3. C)ocorrências raras e misteriosas.
  4. D)situações concretas, presentes e próximas.
  5. E)fatos da vida adulta que as crianças não entendem.
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