Literatura: Carolina Maria de Jesus e ironia · UEL

Literatura: Carolina Maria de Jesus e ironia: questões do UEL

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Questões de Literatura: Carolina Maria de Jesus e ironia no UEL

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UEL20221a faseQuestao 37PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
Leia os poemas a seguir. [Soneto] — Gregório de Matos Chora um bem perdido, porque o desconheceu na posse Porque não merecia o que lograva, Deixei como ignorante o bem que tinha, Vim sem considerar aonde vinha, Deixei sem atender o que deixava: Suspiro agora em vão o que gozava, Quando não me aproveita a pena minha, Que quem errou sem ver o que convinha, Ou entendia pouco, ou pouco amava. Padeça agora, e morra suspirando O mal, que passo, o bem que possuía; Pague no mal presente o bem passado. Que quem podia, e não quis viver gozando Confesse, que esta pena merecia, E morra, quando menos confessado. (MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos de Gregório de Matos. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 224.) HOWCOOL — Luci Collin ele foi ali na esquina eu fiquei à deriva ela foi tomar um chopp eu fiquei na janela meu amor foi ao cinema eu aqui virando as cartas ele foi até a praça ela foi brincar com fogo eu fiquei ali na rua meu amor não disse onde ela foi regar as ondas eu fiquei aqui na fila foi pegar um touro a unha eu fiquei regando frases foi embaralhar as cartas eu fiquei virando a página foi ali valer a pena foi ali pra comer fogo eu fiquei pensando à beça ele foi lançar os dados ela diz que tudo passa e eu fiquei eu fiquei eu fiquei por isso mesmo (COLLIN, Luci. Howcool. In: A palavra algo. São Paulo: Iluminuras, 2016. p. 21.) Chora um bem perdido, porque o desconheceu na HOWCOOL posse ele foi ali na esquina Porque não merecia o que lograva, eu fiquei à deriva Deixei como ignorante o bem que tinha, ela foi tomar um chopp Vim sem considerar aonde vinha, eu fiquei na janela Deixei sem atender o que deixava: meu amor foi ao cinema Suspiro agora em vão o que gozava, eu aqui virando as cartas Quando não me aproveita a pena minha, ele foi até a praça Que quem errou sem ver o que convinha, ela foi brincar com fogo Ou entendia pouco, ou pouco amava. eu fiquei ali na rua Padeça agora, e morra suspirando meu amor O mal, que passo, o bem que possuía; não disse onde Pague no mal presente o bem passado. ela foi regar as ondas eu fiquei aqui na fila Que quem podia, e não quis viver gozando foi pegar um touro a unha Confesse, que esta pena merecia, eu fiquei regando frases E morra, quando menos confessado. foi embaralhar as cartas MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos de Gregório de Matos. São eu fiquei virando a página Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 224. foi ali valer a pena foi ali pra comer fogo eu fiquei pensando à beça ele foi lançar os dados ela diz que tudo passa e eu fiquei eu fiquei eu fiquei por isso mesmo COLLIN, Luci. Howcool. In: A palavra algo. São Paulo, Iluminuras, 2016. p. 21. Em relação ao poema de Gregório de Matos, considere as afirmativas a seguir. I. Os versos dos primeiros quartetos são decassílabos: no primeiro verso, há junção entre o “a” de “merecia” e o “o” subsequente; no segundo verso da segunda estrofe, isso ocorre em “me aproveita”. II. A métrica do soneto é alternada: alguns versos são decassílabos; outros são alexandrinos, o que está em acordo com a indecisão do sujeito lírico. III. Os versos do primeiro terceto, a despeito de inexistir coincidência sonora, rimam entre si, porque, assim como os do último terceto, são concluídos todos com verbos, reafirmando a perturbação do sujeito lírico. IV. As rimas das duas últimas estrofes, embora tecnicamente pobres, têm curioso efeito: os versos finais de cada terceto rimam no particípio, dando a ideia de situação concluída. Assinale a alternativa correta.
  1. A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
  2. B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
  3. C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
  4. D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
  5. E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
UEL20221a faseQuestao 38PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
Leia os poemas a seguir. [Soneto] — Gregório de Matos Chora um bem perdido, porque o desconheceu na posse Porque não merecia o que lograva, Deixei como ignorante o bem que tinha, Vim sem considerar aonde vinha, Deixei sem atender o que deixava: Suspiro agora em vão o que gozava, Quando não me aproveita a pena minha, Que quem errou sem ver o que convinha, Ou entendia pouco, ou pouco amava. Padeça agora, e morra suspirando O mal, que passo, o bem que possuía; Pague no mal presente o bem passado. Que quem podia, e não quis viver gozando Confesse, que esta pena merecia, E morra, quando menos confessado. (MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos de Gregório de Matos. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 224.) HOWCOOL — Luci Collin ele foi ali na esquina eu fiquei à deriva ela foi tomar um chopp eu fiquei na janela meu amor foi ao cinema eu aqui virando as cartas ele foi até a praça ela foi brincar com fogo eu fiquei ali na rua meu amor não disse onde ela foi regar as ondas eu fiquei aqui na fila foi pegar um touro a unha eu fiquei regando frases foi embaralhar as cartas eu fiquei virando a página foi ali valer a pena foi ali pra comer fogo eu fiquei pensando à beça ele foi lançar os dados ela diz que tudo passa e eu fiquei eu fiquei eu fiquei por isso mesmo (COLLIN, Luci. Howcool. In: A palavra algo. São Paulo: Iluminuras, 2016. p. 21.) Chora um bem perdido, porque o desconheceu na HOWCOOL posse ele foi ali na esquina Porque não merecia o que lograva, eu fiquei à deriva Deixei como ignorante o bem que tinha, ela foi tomar um chopp Vim sem considerar aonde vinha, eu fiquei na janela Deixei sem atender o que deixava: meu amor foi ao cinema Suspiro agora em vão o que gozava, eu aqui virando as cartas Quando não me aproveita a pena minha, ele foi até a praça Que quem errou sem ver o que convinha, ela foi brincar com fogo Ou entendia pouco, ou pouco amava. eu fiquei ali na rua Padeça agora, e morra suspirando meu amor O mal, que passo, o bem que possuía; não disse onde Pague no mal presente o bem passado. ela foi regar as ondas eu fiquei aqui na fila Que quem podia, e não quis viver gozando foi pegar um touro a unha Confesse, que esta pena merecia, eu fiquei regando frases E morra, quando menos confessado. foi embaralhar as cartas MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos de Gregório de Matos. São eu fiquei virando a página Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 224. foi ali valer a pena foi ali pra comer fogo eu fiquei pensando à beça ele foi lançar os dados ela diz que tudo passa e eu fiquei eu fiquei eu fiquei por isso mesmo COLLIN, Luci. Howcool. In: A palavra algo. São Paulo, Iluminuras, 2016. p. 21. Assinale a alternativa que estabelece correlações adequadas entre o soneto de Gregório de Matos e o poema “Howcool”, de Luci Colin.
  1. A)Os quatro últimos versos do poema de Luci Colin, apoiados na força do verbo “ficar” e na repetição, apontam a amargura sentida também pelo sujeito lírico do soneto de Gregório de Matos, com a perda do bem.
  2. B)No soneto de Gregório de Matos, o sujeito lírico está mais implícito e contido do que no poema de Luci Colin: isso ocorre devido ao predomínio da frieza na poesia barroca.
  3. C)O destaque acentuado do pretérito no poema de Luci Colin, em contraste com a coexistência de presente e passado no soneto de Gregório de Matos, denota o prazer do ato de rememorar experiências.
  4. D)As referências a “ele”, “ela” e “meu amor”, no poema de Luci Colin, correspondem a “quem”, no soneto de Gregório de Matos, reforçando a equivalência entre os sujeitos líricos quanto à expressão de sentimentos.
  5. E)A dualidade barroca expressa no soneto de Gregório de Matos não só pela exposição de passado e presente mas também pelas noções de “gozar” e “penar” é revisitada no poema de Luci Colin com as imagens de “janela” e “fila”.
UEL20221a faseQuestao 39PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaMedia
Leia o fragmento retirado da obra Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri. TIÃO – Papai... OTÁVIO – Me desculpe, mas seu pai ainda não chegou. Ele deixou um recado comigo, mandou dizê pra você que ficou muito admirado, que se enganou. E pediu pra você tomá outro rumo, porque essa não é casa de fura-greve! TIÃO – Eu vinha me despedir e dizer só uma coisa: não foi por covardia! OTÁVIO – Seu pai me falou sobre isso. Ele também procura acreditá que num foi por covardia. Ele acha que você até que teve peito. Furou a greve e disse pra todo mundo, não fez segredo. Não fez como o Jesuíno que furou a greve sabendo que tava errado. Ele acha, o seu pai, que você é ainda mais filho da mãe! Que você é um traidô dos seus companheiro e da sua classe, mas um traidô que pensa que tá certo! Não um traidô por covardia, um traidô por convicção! TIÃO – Eu queria que o senhor desse um recado a meu pai... OTÁVIO – Vá dizendo. TIÃO – Que o filho dele não é um "filho da mãe". Que o filho dele gosta de sua gente, mas que o filho dele tinha um problema e quis resolvê esse problema de maneira mais segura. Que o filho dele é um homem que quer bem! (Adaptado de: GUARNIERI, Gianfrancesco. Eles não usam black-tie. 36ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019. p. 101-102.) TIÃO – Papai... OTÁVIO – Me desculpe, mas seu pai ainda não chegou. Ele deixou um recado comigo, mandou dizê pra você que ficou muito admirado, que se enganou. E pediu pra você tomá outro rumo, porque essa não é casa de fura-greve! TIÃO – Eu vinha me despedir e dizer só uma coisa: não foi por covardia! OTÁVIO – Seu pai me falou sobre isso. Ele também procura acreditá que num foi por covardia. Ele acha que você até que teve peito. Furou a greve e disse pra todo mundo, não fez segredo. Não fez como o Jesuíno que furou a greve sabendo que tava errado. Ele acha, o seu pai, que você é ainda mais filho da mãe! Que você é um traidô dos seus companheiro e da sua classe, mas um traidô que pensa que tá certo! Não um traidô por covardia, um traidô por convicção! TIÃO – Eu queria que o senhor desse um recado a meu pai... OTÁVIO – Vá dizendo. TIÃO – Que o filho dele não é um “filho da mãe”. Que o filho dele gosta de sua gente, mas que o filho dele tinha um problema e quis resolvê esse problema de maneira mais segura. Que o filho dele é um homem que quer bem! Adaptado de: GUARNIERI, Gianfrancesco. Eles não usam black-tie. 36ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019. p. 101-102. Com base no fragmento, assinale a alternativa correta.
  1. A)O trecho reúne Tião e Otávio respectivamente, um dos parentes e colegas de trabalho do pai do rapaz envolvidos no movimento grevista, que cria tensões e divide trabalhadores.
  2. B)A condição de Tião ter tido “peito” permite que atos do personagem sejam interpretados por Otávio e outros trabalhadores como distantes da covardia.
  3. C)De acordo com a visão de Otávio, a traição por covardia é ainda mais grave do que a traição por convicção, casos em que se incluem Jesuíno e Tião.
  4. D)A alta carga dramática do trecho decorre do encontro entre personagens da mesma família com concepções divergentes sobre a greve e o trabalho.
  5. E)Trata-se de uma passagem pouco comum, diferente daquilo que predomina na peça, que é a face cômica e pitoresca do cotidiano dos trabalhadores.
UEL20221a faseQuestao 43PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
Leia o fragmento a seguir, retirado da obra O vendedor de passados, de José Eduardo Agualusa. Félix conheceu Ângela Lúcia na inauguração de uma mostra de pintura. Creio – mas isto é mera suposição – que se apaixonou por ela assim que trocaram as primeiras palavras, porque a vida inteira o preparara para se entregar à primeira mulher que, vendo-o, não recuasse horrorizada. Quando digo recuar, entendam-me, não é para ser tomado de forma literal. Ao serem apresentadas a Félix Ventura, há mulheres que recuam realmente, dão um curto passo atrás, ao mesmo tempo que lhe estendem a mão. A maior parte, porém, recua em espírito, isto é, estendem-lhe a mão (ou o rosto), dizem "muito prazer", e a seguir desviam os olhos e lançam algum comentário frouxo sobre o estado do tempo. Ângela Lúcia estendeu-lhe o rosto, ele beijou-a, ela beijou-o, e depois disse: - É a primeira vez que beijo um albino. (Adaptado de: AGUALUSA, José Eduardo. O vendedor de passados. São Paulo: Planeta do Brasil, 2018. p. 131-132.) Sobre o romance, considere as afirmativas a seguir. I. A passagem “mas isto é mera suposição...” contribui para a verossimilhança do relato, pois o narrador se restringe ao espaço físico da casa de Félix Ventura, sem acompanhá-lo em todos os lugares. II. O trecho “A maior parte, porém, recua em espírito...” explicita que o narrador tem conhecimento das práticas de discriminação experimentadas pelo protagonista na vida social. III. No trecho “lançam algum comentário frouxo sobre o estado do tempo.”, o narrador discorre com ironia, tão comum em outras passagens do romance, sobre a dissimulação humana. IV. No trecho “É a primeira vez que beijo um albino.”, o narrador compromete a veracidade do relato, pois ele desconhece se Ângela teve experiências afetivas com outros albinos em sua vida. Assinale a alternativa correta.
  1. A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
  2. B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
  3. C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
  4. D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
  5. E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
UEL20211a faseQuestao 37PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
Estou lutando desde o princípio destas explicações sobre a desagregação da nossa amizade, contra uma razão que me pareceu inventada enquanto escrevia, para sutilizar psicologicamente o conto. Mas agora não resisto mais. Está me parecendo que entre as causas mais insabidas, tinha também uma espécie de despeito desprezador de um pelo outro... Se no começo invejei a beleza física, a simpatia, a perfeição espiritual normalíssima de Frederico Paciência, e até agora sinto saudades de tudo isso, é certo que essa inveja abandonou muito cedo qualquer aspiração de ser exatamente igual ao meu amigo. Foi curtíssimo, uns três meses, o tempo em que tentei imitá-lo. Depois desisti, com muito propósito. E não era porque eu conseguisse me reconhecer na impossibilidade completa de imitá-lo, mas porque eu, sinceramente, sabei-me lá por quê! Não desejava mais ser um Frederico Paciência! ANDRADE, Mário de. Frederico Paciência. In: Contos novos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011. p. 111-112. Com base no trecho e na leitura integral do conto “Frederico Paciência”, considere as afirmativas a seguir. I. O traço modernista no conto acentua-se no trecho porque inexistem maledicências e preconceitos quanto ao relacionamento homossexual entre Juca e Frederico nessa passagem e em outras do conto. II. A descoberta da homossexualidade de Frederico é o motivo secreto que Juca, no propósito de resguardar o amigo, demora a revelar no trecho, o que também o leva a desmanchar a relação de amizade, já comprometida naquele momento. III. A ideia de desagregação da amizade entre Frederico e Juca requer explicações porque os laços anteriormente expostos no conto são fortes até mesmo para provocar brigas violentas entre cada um deles e um colega. IV. O desejo de deixar de imitar Frederico remete a um movimento deliberado de afastar-se da “perfeição espiritual” do amigo, o que está em sintonia com o perfil modernista de caracterização de personagens. Assinale a alternativa correta.
  1. A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
  2. B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
  3. C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
  4. D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
  5. E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
UEL20211a faseQuestao 38PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaMedia
Estou lutando desde o princípio destas explicações sobre a desagregação da nossa amizade, contra uma razão que me pareceu inventada enquanto escrevia, para sutilizar psicologicamente o conto. Mas agora não resisto mais. Está me parecendo que entre as causas mais insabidas, tinha também uma espécie de despeito desprezador de um pelo outro... Se no começo invejei a beleza física, a simpatia, a perfeição espiritual normalíssima de Frederico Paciência, e até agora sinto saudades de tudo isso, é certo que essa inveja abandonou muito cedo qualquer aspiração de ser exatamente igual ao meu amigo. Foi curtíssimo, uns três meses, o tempo em que tentei imitá-lo. Depois desisti, com muito propósito. E não era porque eu conseguisse me reconhecer na impossibilidade completa de imitá-lo, mas porque eu, sinceramente, sabei-me lá por quê! Não desejava mais ser um Frederico Paciência! ANDRADE, Mário de. Frederico Paciência. In: Contos novos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011. p. 111-112. A morte ronda o conto “Frederico Paciência”, assim como o conto “O peru de Natal”, também incluído em Contos novos. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o modo como a morte é abordada nesses contos.
  1. A)Tanto em “O peru de Natal” quanto em “Frederico Paciência” as mortes dos pais ocorrem no início das narrativas, sem causar grande comoção nas personagens que se tornaram órfãs.
  2. B)Em “O peru de Natal”, o pai já está morto no início da narrativa, enquanto que, em “Frederico Paciência”, a morte dos pais de Frederico ocorre na segunda metade do conto; em ambos os contos, o narrador-personagem discorre sobre essas mortes sem grande sentimentalismo.
  3. C)Em “O peru de Natal”, o pai morto proporciona a possibilidade de transformar a vida familiar, ao passo que, em “Frederico Paciência”, a morte dos pais de Frederico suscita a liberdade de assumir o envolvimento amoroso e sexual, usufruído pelos amigos.
  4. D)Em “O peru de Natal”, o filho, que é também narrador, demonstra enormes dificuldades para superar o luto; já Frederico Paciência desvencilha-se da dor com mais facilidade e convida Juca para que ambos vivam a homossexualidade sem disfarces.
  5. E)Em “O peru de Natal”, a morte do pai é superada na ceia pelos familiares; em “Frederico Paciência”, a morte da mãe e do pai firma-se como obstáculo decisivo para a retomada do amor entre os amigos.
UEL20211a faseQuestao 39PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
Estou lutando desde o princípio destas explicações sobre a desagregação da nossa amizade, contra uma razão que me pareceu inventada enquanto escrevia, para sutilizar psicologicamente o conto. Mas agora não resisto mais. Está me parecendo que entre as causas mais insabidas, tinha também uma espécie de despeito desprezador de um pelo outro... Se no começo invejei a beleza física, a simpatia, a perfeição espiritual normalíssima de Frederico Paciência, e até agora sinto saudades de tudo isso, é certo que essa inveja abandonou muito cedo qualquer aspiração de ser exatamente igual ao meu amigo. Foi curtíssimo, uns três meses, o tempo em que tentei imitá-lo. Depois desisti, com muito propósito. E não era porque eu conseguisse me reconhecer na impossibilidade completa de imitá-lo, mas porque eu, sinceramente, sabei-me lá por quê! Não desejava mais ser um Frederico Paciência! ANDRADE, Mário de. Frederico Paciência. In: Contos novos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2011. p. 111-112. Sobre as correlações entre o conto “Frederico Paciência”, do volume Contos novos, de Mário de Andrade, e Clara dos Anjos, de Lima Barreto, considere as afirmativas a seguir. I. O trecho do conto “Frederico Paciência” faz sobressair um ponto de contato com Clara dos Anjos: a desilusão, representada, na narrativa de Lima Barreto, pelo desmascaramento de Cassi Jones, e, no conto de Mário de Andrade, pelas descobertas de deslizes na constituição moral do amigo do narrador-personagem. II. O trecho do conto “Frederico Paciência” contém confissões da fragilidade de seu narrador-protagonista, que admite suas mentiras e invenções sobre o amigo, assim como Clara dos Anjos, que se descontrola ao se ver ludibriada por Cassi Jones no desfecho da narrativa de Lima Barreto, apesar de tê-lo enganado também. III. O trecho do conto “Frederico Paciência”, ao aludir à beleza física do amigo, admitida literalmente pelo narrador em primeira pessoa, mantém na narrativa a atração e o contato corporal entre os jovens, materializados no episódio do beijo, e que, em Clara dos Anjos, resultam na gravidez da protagonista. IV. O trecho do conto “Frederico Paciência” cobre uma relação complexa de amizade entre dois jovens, apresentada pela perspectiva de um dos rapazes, mais livre das vulnerabilidades sentimentais do que Clara dos Anjos na narrativa homônima de Lima Barreto. Assinale a alternativa correta.
  1. A)Somente as afirmativas I e II são corretas.
  2. B)Somente as afirmativas I e IV são corretas.
  3. C)Somente as afirmativas III e IV são corretas.
  4. D)Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
  5. E)Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
UEL20211a faseQuestao 42PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaMedia
15 de maio Tem noite que eles improvisam uma batucada e não deixa ninguém dormir. Os visinhos de alvenaria já tentaram com abaixo assinado retirar os favelados. Mas não conseguiram. Os visinhos das casas de tijolos diz: – Os políticos protegem os favelados. Quem nos protege é o povo e os Vicentinos. Os políticos só aparecem aqui nas epocas eleitoraes. O senhor Cantidio Sampaio quando era vereador em 1953 passava os domingos aqui na favela. Ele era tão agradavel. Tomava nosso café, bebia nas nossas xícaras. Ele nos dirigia as suas frases de viludo. Brincava com nossas crianças. Deixou boas impressões por aqui e quando candidatou-se a deputado venceu. Mas na Camara dos Deputados não criou um projeto para beneficiar o favelado. Não nos visitou mais. ... Eu classifico São Paulo assim: o Palacio, é a sala de visita. A Prefeitura é a sala de jantar e a cidade é o jardim. E a favela é o quintal onde jogam os lixos. JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10ª ed. São Paulo: Ática, 2014. p.32. Assinale a alternativa que estabelece a exata correlação entre Quarto de despejo e os romances Casa de pensão, de Aluísio Azevedo, e Clara dos Anjos, de Lima Barreto.
  1. A)A miséria dos favelados de Quarto de despejo é experimentada também pelos moradores da pensão e pelos parentes do protagonista no romance Casa de pensão.
  2. B)As dificuldades enfrentadas pelas personagens de Quarto de despejo numa cidade grande como São Paulo têm pontos de contato com o individualismo que cerca as personagens de Casa de pensão.
  3. C)A distância do acesso ao poder representada em Quarto de despejo é equivalente ao caráter desprotegido que atinge o protagonista de Casa de pensão e as personagens que com ele convivem.
  4. D)A associação da favela ao lixo em Quarto de despejo é uma retomada das condições de moradia de personagens como Clara dos Anjos e Cassi Jones na narrativa de Lima Barreto.
  5. E)O descaso dos políticos focalizado em Quarto de despejo é o comportamento que conduz a protagonista Clara ao desespero quando ela se vê abandonada por Cassi Jones e pelas autoridades.
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