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UFPR20261a faseQuestao 67PortuguêsLiteratura contemporâneaMediaConsiderando os contos “Rolézim”, “Estação Padre Miguel” e “A história do Periquito e do Macaco”, da coletânea O sol na cabeça, de Geovani Martins, assinale a alternativa correta.
- A)Em “Rolézim”, o narrador critica diretamente o sistema penal brasileiro por meio de um discurso formal e panfletário, o que difere da linguagem coloquial empregada nos outros dois contos.
- B)“Estação Padre Miguel” abandona o ponto de vista jovem para narrar, de forma distanciada, as transformações urbanas na zona oeste do Rio de Janeiro ao longo de décadas, enquanto os outros dois contos são narrados da perspectiva de jovens contemporâneos.
- C)No conto “A história do Periquito e do Macaco”, a violência aparece como pano de fundo, sem impacto direto sobre as personagens principais, ao contrário dos outros dois contos, em que a violência afeta drasticamente a vida das personagens.
- D)Os três contos apresentam protagonistas femininas que, diante da opressão cotidiana, constroem trajetórias de emancipação política e social.
- E)Os três contos exploram, a partir da perspectiva de jovens periféricos, as experiências de racismo, criminalização e insegurança, utilizando linguagem oral marcada por gírias e expressões locais.
UFPR20261a faseQuestao 69PortuguêsLiteratura contemporâneaDificilO trecho a seguir integra a parte inicial de Poema Sujo, de Ferreira Gullar.
bela bela mais que bela mas como era o nome dela? Não era Helena nem Vera nem Nara nem Gabriela nem Tereza nem Maria Seu nome seu nome era... Perdeu-se na carne fria perdeu-se na confusão de tanta noite e tanto dia perdeu-se na profusão das coisas acontecidas constelações de alfabeto noites escritas a giz pastilhas de aniversário domingos de futebol enterros corsos comícios roleta bilhar baralho mudou de cara e cabelos mudou de olhos e risos mudou de casa e de tempo: mas está comigo está perdido comigo teu nome em alguma gaveta Gullar, Ferreira. Poema Sujo. São Paulo: Cia. das Letras, 2016, pp. 32-33. Considerando o fragmento transcrito e a integralidade desse poema de Ferreira Gullar, assinale a alternativa correta.
- A)No fragmemto, a descrição dos traços físicos do corpo da mulher é feita com exatidão, utilizando linguagem denotativa, diferentemente da descrição idealizada das cidades em todo o poema.
- B)No fragmento, todos os verbos estão no presente do indicativo, assinalando que a investigação da memória está ausente na poesia do autor e mais especificamente nesse poema.
- C)A indefinição em relação ao verdadeiro nome da mulher, no fragmento citado, configura a instabilidade do amor, em concordância com o contexto histórico conturbado que o poema apresenta.
- D)O fragmento transcrito utiliza linguagem coloquial, contrastando com o vocabulário erudito e formal empregado para descrever o corpo e o espaço físico nos outros trechos do poema.
- E)O emprego de rimas e de figuras de efeito sonoro aparece nesse fragmento associado à tematização do amor, tornandose ausente nos trechos que têm a infância como tema.
UFPR20261a faseQuestao 70PortuguêsLiteratura contemporâneaMediaLeia, a seguir, o poema “Não sei fazer poemas sobre gatos”, de Ana Martins Marques. Não sei gatografia. Ana Cristina Cesar Não sei fazer poemas sobre gatos se tento logo fogem furtivas as palavras soltam-se ou saltam não capturam do gato nem a cauda sobre a mesa quieta e quente a folha recém-impressa página branca com manchas negras: eis o meu poema sobre gatos Marques, A. M. O Livro das Semelhanças. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. Com base no poema e n’O livro das semelhanças, de Ana Martins Marques, no qual o poema está incluído, assinale a alternativa correta.
- A)A epígrafe de Ana Cristina Cesar, poeta da segunda metade do século XX, é a única referência a outros autores em todo o livro.
- B)O terceiro verso do poema é composto de um único adjetivo, destacando a característica atribuída aos gatos.
- C)O poema destoa dos procedimentos poéticos predominantes no livro, caracterizados pela regularidade na rima e na métrica.
- D)O poema discorre sobre o fazer poético, sobre a dificuldade de as palavras se deixarem apreender pelo poeta.
- E)A presença de termos e expressões comparativas explícitas nos versos do poema aproxima os gatos e as palavras.
UFPR20241a faseQuestao 69PortuguêsLiteratura contemporâneaMediaQuarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus, apresenta o relato de sua vida na favela, na forma de um diário. Considerando o trecho seguinte e a integridade do livro, assinale a alternativa correta. 3 de fevereiro (1959) Tenho de dizer que não escrevi nos dias que decorreram porque eu fiquei doente. Vou recapitular o que ocorreu comigo nestes dias (...) A Fernanda veio e perguntou-me se eu sei onde está o cigano. É a mesma coisa que ela perguntar-me onde é a casa do vento. Disse que ele é muito bonito e que ela ia lá comprar pimenta só para vê-lo. Durante os dias que eu estive doente o senhor Manoel não me deixou sem dinheiro. JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2014. p. 159.
- A)Cigano pede Carolina em casamento, depois de ele ter lido a reportagem sobre ela publicada na revista O cruzeiro.
- B)Senhor Manoel é descrito como um homem igual aos demais moradores da favela e por isso Carolina se recusa a aceitar a afeição dele por ela.
- C)O pai de Vera Eunice pede muitas vezes à Carolina para ter seu nome citado nos diários dela.
- D)Orlando Lopes promove uma festa para receber Carolina na favela, após a publicação da reportagem.
- E)As poesias de Carolina que estão no livro tratam do cotidiano e de sentimentos experimentados por ela.
* Questão anulada, portanto todos os candidatos serão pontuados.
UFPR20241a faseQuestao 71PortuguêsLiteratura contemporâneaMediaA respeito de O livro das semelhanças, de Ana Martins Marques, considere as seguintes afirmativas: 1. A obra possui caráter explicitamente confessional, o que se materializa na forma dos poemas, que simulam registros de um diário pessoal. 2. O livro está dividido em quatro partes, “Livro”, “Cartografias”, “Visitas ao lugar-comum” e “O livro das semelhanças”, sendo a última a mais longa delas. 3. A seção intitulada “Livro” possui um aspecto metaliterário, organizando-se conforme a estrutura de um livro de poemas. 4. Os poemas desta obra se caracterizam pelo emprego de métrica e de esquemas de rimas regulares. Assinale a alternativa correta.
- A)Somente a afirmativa 1 é verdadeira.
- B)Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.
- C)Somente as afirmativas 3 e 4 são verdadeiras.
- D)Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras.
- E)As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
UFPR20241a faseQuestao 72PortuguêsLiteratura contemporâneaMediaLeia o seguinte trecho, do romance de Bernardo Carvalho: Leusipo perguntou o que eu tinha ido fazer na aldeia. Preferi achar que o tom era amistoso e, no meu paternalismo ingênuo, comecei a lhe explicar o que era um romance. Ele não estava interessado. Queria saber o que eu tinha ido fazer na aldeia. Os velhos estavam preocupados, queriam saber por que eu vinha remexer no passado, e ele não gostava quando os velhos ficavam preocupados. Eu tentava convencê-lo de que não havia motivo para preocupação. Tudo o que eu queria saber já era conhecido. E ele me perguntava: “Então, por que você quer saber, se já sabe?”. Tentei lhe explicar que pretendia escrever um livro e mais uma vez o que era um romance, o que era um livro de ficção (e mostrava o que tinha nas mãos), que seria tudo historinha, sem nenhuma consequência na realidade. Ele seguia incrédulo. Fazia-se desentendido, mas na verdade só queria me intimidar. Eu estava entre irritado e amedrontado. Tinha vontade de mandar o índio à puta que o pariu, mas não podia me indispor com a aldeia. Se é que havia alguma coisa a descobrir (e Leusipo a me intimidar punha ainda mais lenha nessa minha fantasia), era preciso ser diplomático. CARVALHO, Bernardo. Nove noites. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 85. Com base no fragmento acima transcrito e na leitura integral de Nove noites, assinale a alternativa correta.
- A)O fragmento é parte da narração do jornalista que, obcecado em buscar a verdade sobre a morte de Buell Quain, acaba incursionando sobre o próprio passado, defrontando-se com sua relação com o próprio pai.
- B)O fragmento é parte da narração do antropólogo Buell Quain, personagem real que, em 1939, foi assassinado em condições misteriosas, quando fazia pesquisa de campo junto aos índios krahô, no Tocantins.
- C)O romance se constrói em torno da investigação, conduzida pela antropóloga Ruth Benedict, acerca da morte do norte-americano Buell Quain, revelando fatos e informações até então desconhecidos e desvendando enfim as causas do seu falecimento.
- D)O fragmento é parte de uma das cartas do engenheiro Manoel Perna, que participa ativamente na investigação acerca dos últimos momentos que antecederam a morte do seu amigo Buell Quain.
- E)Apesar do conflito narrado no fragmento, a convivência entre índios e brancos é apresentada no romance de modo predominantemente positivo, enfatizando a riqueza das trocas entre diferentes culturas.
UFPR20231a faseQuestao 54PortuguêsLiteratura contemporâneaDificilLeia o poema a seguir. Tenho quebrado copos Tenho quebrado copos mas não tenho quebrado minhas próprias mãos é o que tenho feito golpeando os azulejos raramente me machuco embora uma vez sim não tenho passado a noite uma vez quebrei um copo com as mãos deitada no chão de mármore era frágil demais foi o que pensei estudando as trocas de calor era feito para quebrar-se foi o que pensei não tenho mastigado o vidro e não: eu fui feita para quebrar procurando separar na boca em geral eles apenas se espatifam o sabor do sangue o sabor do sabão na pia entre a louça branca e os talheres nem tenho feito uma oração (esses não quebram nunca) ou no chão pelo destino variado espalhando-se então com um baque luminoso do que antes era um tenho recolhido cacos e por minha força morre múltiplo tenho observado brevemente seu formato tenho quebrado copos pensando que acontecer é irreversível para isso parece deram-me mãos pensando em como é fácil destroçar tenho depois encontrado tenho embrulhado os cacos com jornal cacos que não recolhi para que ninguém se machuque e que identifico por um brilho súbito como minha mãe me ensinou no chão da cozinha de manhã como se fosse mesmo possível tenho andado com cuidado evitar os cortes com os olhos no chão (mas que não seja eu a ferir) à procura de algo que brilhe tenho andado a tentar e tenho quebrado copos não me ferir e não ferir os outros é o que tenho feito enquanto esgoto o estoque de copos (MARQUES, Ana Martins. O livro das semelhanças. São Paulo. Companhia das Letras, 2015. p. 101-102.) Considerando esse poema e a integralidade da obra de que foi retirado, assinale a alternativa correta.
- A)O poema apresenta eventos sobrenaturais, envolvendo objetos raros e incomuns.
- B)O verbo “quebrar”, quando se refere ao eu do poema, é empregado em sentido figurado.
- C)O poema usa parênteses em dois versos, sendo que no primeiro a expressão retomada é a pia da cozinha.
- D)O texto afirma que os copos são mastigados à noite e deixam na boca um gosto de sabão misturado ao de sangue.
- E)Os cacos de copo são deixados no chão de mármore, onde é costume se deitar à noite.
QUÍMICA
UFPR20221a faseQuestao 40PortuguêsLiteratura contemporâneaMediaLeia o seguinte texto: Antes de sair da aldeia, diante da minha recusa em ser batizado, Gersila se aproximou de mim, entre ofendida e irônica, e me jogou na cara que eu era como todos os brancos, que os abandonaria, nunca mais voltaria à aldeia, nunca mais pensaria neles. Jurei que não. Estava apavorado com o que pudessem fazer comigo (nada além de me cobrir de penas e me dar um nome e uma família da qual nunca mais poderia me desvencilhar). O meu medo era visível. Fiz um papel pífio. E eles riram da minha covardia. Jurei que não me esqueceria deles. E os abandonei, como todos os brancos. (CARVALHO, Bernardo. Nove noites. São Paulo: Companhia das Letras, 2006, p. 98.) Com base no fragmento acima transcrito e na leitura integral de Nove noites, assinale a alternativa correta.
- A)O fragmento transcrito é parte da narração do antropólogo Buell Quain, cujo suicídio, ocorrido em 1939, é o fato que motiva a investigação do narrador principal e que conduz toda a narrativa.
- B)O fragmento destoa da visão positiva sobre os resultados dos encontros entre diferentes culturas que predomina em Nove noites, pois traz o depoimento de alguém para quem o convívio entre índios e brancos tende sempre à desarmonia.
- C)O fragmento é parte de uma das cartas do engenheiro Manoel Perna e reforça suas advertências para que o narrador principal tome muito cuidado ao buscar a verdade sobre a morte de Buell Quain.
- D)O fragmento exemplifica a obsessão do narrador por buscar a verdade sobre a morte de Buell Quain, característica que desloca Nove noites, que se parece com obras ficcionais, para os campos da reportagem e da não ficção.
- E)O fragmento é parte da narração do jornalista e narrador principal que, adulto, volta a passar por situações de medo e terror, algo que já havia sentido quando, ainda criança, visitara o Xingu na companhia de seu pai.
UFPR20201a faseQuestao 52PortuguêsLiteratura contemporâneaDificilO romance Nove noites apresenta o antropólogo Buel Quain como um aluno da antropóloga estadunidense Ruth Benedict. Ambos são personagens reais e atuaram, efetivamente, como pesquisadores da área. A tentativa de representar aspectos ligados aos povos indígenas retoma uma temática da Literatura Brasileira presente, ao menos, desde a poesia de Gonçalves Dias e de outros indianistas anteriores e posteriores a ele. Considerando isso, leia o trecho abaixo, extraído de um ensaio de Ruth Benedict, originalmente publicado em 1934: Nem a razão para usar as sociedades primitivas para discutir as formas sociais tem necessária relação com uma volta romântica ao primitivo. Essa razão não existe com o espírito de poetizar os povos mais simples. Existem muitos modos pelos quais a cultura de um ou outro povo nos atrai fortemente nesta era de padrões heterogêneos e de tumulto mecânico confuso. Mas não é por meio de um regresso aos ideais preservados para nós pelos povos primitivos que a nossa sociedade poderá curar-se de suas moléstias. O utopismo romântico que se dirige aos primitivos mais simples, por mais atraente que seja, às vezes tanto pode ser no estudo etnológico, um empecilho como um auxílio. (BENEDICT, Ruth: “A ciência do costume”. PIERSON, Donald. 1970. Estudos de organização social: leituras de sociologia e antropologia social. Tomo II. Tradução de Olga Dória. São Paulo: Martins. p. 497-513.) Considerando a leitura integral de Nove Noites e a leitura do trecho extraído da obra da antropóloga, assinale a alternativa em que a representação dos “povos primitivos” é condicionada pelo que a autora denomina de “utopismo romântico”, ou, segundo definição dela mesma, o “espírito de poetizar os povos mais simples”.
- A)“Não entendia o que dera na cabeça dos índios para se instalarem lá, o que me parecia de uma burrice incrível, se não um masoquismo e mesmo uma espécie de suicídio”.
- B)“São órfãos da civilização. Estão abandonados. Precisam de alianças no mundo dos brancos, um mundo que eles tentam entender com esforço e em geral em vão. [...] Há quem tire de letra. Não foi o meu caso. Não sou antropólogo e não tenho uma boa alma. Fiquei cheio”.
- C)“Os índios costumavam beber aquelas águas, pescar e a se banhar nelas, até o dia em que começaram a cair doentes, um depois do outro, e foram morrendo sem explicação. [...] Com o tempo descobriram a causa do envenenamento do rio Vermelho. Um hospital, construído rio acima, [...] estava despejando o lixo hospitalar naquelas águas”.
- D)“Tanto os brasileiros como os índios que tenho visto são crianças mimadas que berram se não obtêm o que desejam e nunca mantêm as suas promessas, uma vez que você lhe dá as costas. O clima é anárquico e nada agradável”.
- E)“Na primeira noite, ele me falou de uma ilha no Pacífico, onde os índios são negros. Me falou do tempo que passou entre esses índios e de uma aldeia, que chamou de Nakoroka, onde cada um decide o que quer ser, pode escolher sua irmã, seu primo, sua família, e também sua casta, seu lugar em relação aos outros [...] o sonho de aventura do menino antropólogo”.
UFPR20201a faseQuestao 54PortuguêsLiteratura contemporâneaDificilLeia o trecho abaixo, de Relato de um certo oriente, de Milton Hatoum: No meu íntimo, creio que deixei a família e a cidade também por não suportar a convivência estúpida com os serviçais. Lembro Dorner dizer que o privilégio aqui no norte não decorre apenas da posse de riquezas. – Aqui reina uma forma estranha de escravidão – opinava Dorner. – A humilhação e a ameaça são o açoite; a comida e a integração ilusória à família do senhor são as correntes e golilhas. Havia alguma verdade nesta sentença. (HATOUM, Milton. Relato de um certo oriente. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 88.) A respeito desse romance, considere as seguintes afirmativas: 1. Quem narra essa parte do relato é Hakim, filho preferido de Emilie, a quem ela ensinou o árabe na infância e que muito jovem se mudaria para o Sul do Brasil, jamais vendo a mãe novamente. 2. Dorner é um comerciante alemão, concorrente da loja da família de Emilie, a Parisiense, mas que se mantivera próximo à família por sua antiga amizade com Emir, o irmão suicida da matriarca. 3. O julgamento de Dorner, com o qual o narrador concorda, é injusto, e o tratamento cordial que toda a família de Emilie dedica à serviçal Anastácia Socorro é prova desse equívoco. 4. A referência à escravidão permite que se localize a ação de Relato de um certo oriente no final do século XIX, período em que o Ciclo da Borracha atraiu imigrantes para a região Norte. Assinale a alternativa correta.
- A)Somente a afirmativa 1 é verdadeira.
- B)Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.
- C)Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.
- D)Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras.
- E)As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
UFPR20191a faseQuestao 51PortuguêsLiteratura contemporâneaDificilEscritores de uma nova geração, Milton Hatoum (nascido em 1952) e Bernardo Carvalho (nascido em 1960) já garantiram seu lugar no panorama multifacetado da literatura brasileira contemporânea. Relato de um certo oriente, publicado em 1989, marcou a estreia de Milton Hatoum na literatura. Nove noites, publicado em 2002, é o sétimo livro lançado por Bernardo Carvalho, que estreou na literatura em 1993 com o livro de contos Aberração. A respeito das comparações entre Relato de um certo oriente e Nove noites, considere as seguintes afirmativas: 1. Milton Hatoum consegue trazer para a sua ficção o espaço amazonense sem cair no exagero do exotismo; Bernardo Carvalho, por sua vez, tensiona o realismo pela inclusão, na ficção, de fatos e personagens históricos, autobiografia e experiências pessoais. 2. Através de estratégias diferentes, os dois romances buscam compreender o passado, conscientes da obrigação histórica de recuperá-lo tal como aconteceu: Relato de um certo oriente resgata a memória trágica de uma família que viveu em Manaus; Nove noites investiga a morte de um antropólogo no sul do Maranhão, para entregar ao leitor a solução de um mistério até então não resolvido. 3. A epígrafe de W.H. Auden – “Que a memória refaça/A praia e os passos/O rosto e o ponto do encontro” (em tradução de Sandra Stroparo e Caetano Galindo) – anuncia o elemento central da narrativa de Milton Hatoum. O título do romance de Bernardo Carvalho se refere às nove noites que o antropólogo Buell Quain passou na companhia de Manoel Perna, durante a sua estada entre os índios Krahô. 4. O tratamento dado aos nativos em Relato de um certo oriente pode ser verificado na humilhação e nos abusos sofridos pelas caboclas e índias que trabalhavam na casa de Emilie, principalmente por parte dos dois “inomináveis”. Em Nove noites, a narração do jornalista volta a momentos centrais da história do Brasil no século XX – Estado Novo, Ditadura Militar e Período Democrático –, marcando a situação de vulnerabilidade permanente dos índios num mundo de brancos. 5. Na Manaus multicultural da primeira metade do século XX, Emilie e seus filhos, com a curiosidade natural do imigrante, atravessam constantemente o rio que separa a cidade da floresta. Da mesma forma, o narradorjornalista de Nove noites visita inúmeras vezes os índios Krahô, em busca de informações sobre o suicídio de Buell Quain. Assinale a alternativa correta.
- A)Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras
- B)Somente as afirmativas 2 e 5 são verdadeiras
- C)Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras
- D)Somente as afirmativas 2, 3 e 5 são verdadeiras
- E)As afirmativas 1, 2, 3, 4 e 5 são verdadeiras.