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Questões de Português do UFPR

168 questões de Português do UFPR (2017–2026): os tópicos que mais caem e uma amostra para treinar de graça.

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Português no UFPR (tópico × ano)

2017–2026
Topico2026202520242023202220212020201920182017
Interpretação de texto (TIC)644428448
Literatura contemporânea331121
Literatura: Carolina Maria de Jesus e ironia146
Interpretação de texto10
Semântica14111
Literatura brasileira (prosa)6
Literatura — Romantismo11111
Arcadismo (Marília de Dirceu)1111
Literatura: Modernismo22
Pontuação112

Tópicos de Português que mais caem

Questões de Português do UFPR

Uma amostra das questões. Crie uma conta para resolver todas com correção e comentário.

UFPR20261a faseQuestao 55PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Sobre a perspectiva apresentada pelo quilombola Antonio Bispo dos Santos, é correto afirmar:
  1. A)Os humanos têm ascendência sobre animais e vegetais na relação de compartilhamento.
  2. B)A troca e a partilha são práticas apresentadas pelo autor do texto em uma relação de convergência entre si.
  3. C)Há duas visões de mundo, as quais implicam reciprocidade, porém, regidas por princípios distintos.
  4. D)Os ciclos de compartilhamento caracterizam-se pela descontinuidade.
  5. E)A prática de compartilhamento é análoga às práticas de ordem econômica, visto que é positiva e rentável.
UFPR20261a faseQuestao 56PortuguêsMorfologia: sufixos derivacionaisMedia
Assinale a alternativa em que em todas as palavras o sufixo derivacional –ante tem o mesmo sentido que há em compartilhante.
  1. A)acompanhante – celebrante – pensante – cantante
  2. B)distante – flagrante – pulsante – importante
  3. C)constante – dissonante – feirante – estonteante
  4. D)gigante – berrante – falante – obstante
  5. E)bastante – refrigerante – montante – palestrante
UFPR20261a faseQuestao 57PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Somos compartilhantes Quando ouço a palavra confluência ou a palavra compartilhamento pelo mundo, fico muito festivo. Quando ouço troca, entretanto, sempre digo: "Cuidado, não é troca, é compartilhamento". Porque a troca significa um relógio por um relógio, um objeto por outro objeto, enquanto no compartilhamento temos uma ação por outra ação, um gesto por outro gesto, um afeto por outro afeto. E afetos não se trocam, se compartilham. Quando me relaciono com afeto com alguém, recebo uma recíproca desse afeto. O afeto vai e vem. O compartilhamento é uma coisa que rende. Quando cheguei ao território em que estou hoje, já existiam outros compartilhantes que nos recepcionaram. Na Caatinga, os umbuzeiros nos recepcionaram. Eles compartilharam seus frutos, suas folhas e suas raízes quando chegamos, e não trouxemos nada para os umbuzeiros. Eles já eram nativos daqui, viemos habitar esta terra depois deles. Foi assim com os pássaros, foi assim com uma planta chamada pinhão – que não é o pinhão manso, é um pinhão cuidado por nós, ditos humanos, que as juritis adoram. Elas comem esses pinhões e, vez por outra, pegamos uma juriti. O pinhão compartilha com a juriti, a juriti compartilha conosco, e nós vamos compartilhar de novo com o pinhão. Agora que já estamos aqui há mais tempo, entramos também no ciclo local de compartilhamento. (Santos, A. B. dos. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora/PISEAGRAMA, 2023, p. 21.) A respeito dos modos de vida próprios dos quilombolas, considere as seguintes afirmativas: 1. Os elementos dos compartilhamentos diversos podem ter valor subjetivo. 2. A condição do compartilhamento é a reciprocidade simultânea. 3. A confluência apresenta-se em relação de antagonismo com a troca. 4. As práticas e vivências implicam alternância e ações coletivas. Assinale a alternativa correta.
  1. A)Somente a afirmativa 1 é verdadeira.
  2. B)Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.
  3. C)Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras.
  4. D)Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras.
  5. E)As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras.
UFPR20261a faseQuestao 58PortuguêsParáfrase e relações de sentidoDificil
Considere o excerto: “Na Caatinga, nos recepcionaram. Eles compartilharam seus frutos, suas folhas e suas raízes quando chegamos, e não trouxemos nada para os umbuzeiros.” Assinale a alternativa cuja reformulação parafrástica altera o sentido básico da proposição.
  1. A)Ao nos recepcionarem, quando chegamos na Caatinga, os umbuzeiros compartilharam seus frutos, suas folhas e suas raízes, ainda que não tenhamos trazido nada para eles.
  2. B)Chegando na Caatinga, os umbuzeiros nos recepcionaram, compartilhando seus frutos, suas folhas e suas raízes, mesmo que não tenhamos trazido nada para eles.
  3. C)Embora não tenhamos trazido nada para os umbuzeiros quando chegamos na Caatinga, mesmo assim eles nos recepcionaram, compartilhando seus frutos, suas folhas e suas raízes.
  4. D)Quando chegamos na Caatinga, não trouxemos nada para os umbuzeiros, ainda assim, fomos recepcionados por eles, os quais compartilharam seus frutos, suas folhas e suas raízes conosco.
  5. E)Por termos chegado na Caatinga, sem trazer nada para eles, os umbuzeiros nos recepcionaram, compartilhando suas folhas, seus frutos e suas raízes. O texto a seguir é referência para as questões 59 e 60. Continuamos a acreditar que vivemos numa época em que a técnica dá passos gigantes e diários, a perguntar onde vamos parar com a globalização, mas refletimos com menor frequência sobre o fato de que o aumento do tempo médio de vida é o maior avanço da humanidade – e neste campo a aceleração supera a de qualquer outra façanha. Na verdade, o troglodita que conseguiu produzir fogo artificialmente já havia compreendido obscuramente que o homem poderia dominar a natureza, sem falar naquele outro antepassado mais maduro que inventou a roda. [...] Mas durante séculos os homens sonharam em vão com o elixir da longa vida e com a fonte da juventude eterna. [...] Muitos dos problemas que devemos enfrentar hoje têm relação com o aumento do tempo de vida. E não estou falando apenas das aposentadorias. [...] No entanto (embora não tenha as estatísticas à mão), creio que a soma que gastamos em pesquisas gerontológicas e em medicina preventiva seja infinitamente menor do que o investimento em tecnologia bélica e em informática. Sem falar que sabemos muito bem como destruir uma cidade ou como transportar informação a baixo custo, mas ainda não temos ideia de como conciliar bem-estar coletivo, futuro dos jovens, superpopulação mundial e expectativa de vida. Eco, U. Vida média (2003). In: Eco, U. Pape Satàn aleppe: crônicas de uma sociedade líquida. 2. ed., pp. 45-47. Rio de Janeiro: Record, 2017. Adaptado.
UFPR20261a faseQuestao 59PortuguêsParáfrase e relações de sentidoDificil
Continuamos a acreditar que vivemos numa época em que a técnica dá passos gigantes e diários, a perguntar onde vamos parar com a globalização, mas refletimos com menor frequência sobre o fato de que o aumento do tempo médio de vida é o maior avanço da humanidade – e neste campo a aceleração supera a de qualquer outra façanha. Na verdade, o troglodita que conseguiu produzir fogo artificialmente já havia compreendido obscuramente que o homem poderia dominar a natureza, sem falar naquele outro antepassado mais maduro que inventou a roda. [...] Mas durante séculos os homens sonharam em vão com o elixir da longa vida e com a fonte da juventude eterna. [...] Muitos dos problemas que devemos enfrentar hoje têm relação com o aumento do tempo de vida. E não estou falando apenas das aposentadorias. [...] No entanto (embora não tenha as estatísticas à mão), creio que a soma que gastamos em pesquisas gerontológicas e em medicina preventiva seja infinitamente menor do que o investimento em tecnologia bélica e em informática. Sem falar que sabemos muito bem como destruir uma cidade ou como transportar informação a baixo custo, mas ainda não temos ideia de como conciliar bem-estar coletivo, futuro dos jovens, superpopulação mundial e expectativa de vida. (Eco, U. Vida média (2003). In: Eco, U. Pape Satàn aleppe: crônicas de uma sociedade líquida. 2. ed., pp. 45-47. Rio de Janeiro: Record, 2017. Adaptado.) A respeito das expressões em destaque, assinale a alternativa correta quanto às relações sintático-semânticas do texto.
  1. A)A conjunção mas pode ser substituída por embora mantendo sentido original do período.
  2. B)A expressão Na verdade revela o ponto de vista do autor sobre a capacidade cognitiva do ser humano.
  3. C)A sequência já havia compreendido obscuramente pode ser parafraseada por já havia compreendido equivocadamente.
  4. D)O autor emprega a conjunção embora para informar que as questões estatísticas são irrelevantes nesse caso.
  5. E)A palavra troglodita indica que o autor minimiza a conquista da produção artificial do fogo, uma realização desses homens das cavernas.
UFPR20261a faseQuestao 60PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Continuamos a acreditar que vivemos numa época em que a técnica dá passos gigantes e diários, a perguntar onde vamos parar com a globalização, mas refletimos com menor frequência sobre o fato de que o aumento do tempo médio de vida é o maior avanço da humanidade – e neste campo a aceleração supera a de qualquer outra façanha. Na verdade, o troglodita que conseguiu produzir fogo artificialmente já havia compreendido obscuramente que o homem poderia dominar a natureza, sem falar naquele outro antepassado mais maduro que inventou a roda. [...] Mas durante séculos os homens sonharam em vão com o elixir da longa vida e com a fonte da juventude eterna. [...] Muitos dos problemas que devemos enfrentar hoje têm relação com o aumento do tempo de vida. E não estou falando apenas das aposentadorias. [...] No entanto (embora não tenha as estatísticas à mão), creio que a soma que gastamos em pesquisas gerontológicas e em medicina preventiva seja infinitamente menor do que o investimento em tecnologia bélica e em informática. Sem falar que sabemos muito bem como destruir uma cidade ou como transportar informação a baixo custo, mas ainda não temos ideia de como conciliar bem-estar coletivo, futuro dos jovens, superpopulação mundial e expectativa de vida. (Eco, U. Vida média (2003). In: Eco, U. Pape Satàn aleppe: crônicas de uma sociedade líquida. 2. ed., pp. 45-47. Rio de Janeiro: Record, 2017. Adaptado.) Assinale a alternativa que apresenta a ideia central do texto.
  1. A)A capacidade e o desenvolvimento tecnológico humanos, que iniciaram na Pré-história, trouxeram mais inconvenientes do que benefícios para a civilização.
  2. B)O domínio da natureza pelo homem será possível quando ele conseguir encontrar o elixir da longa vida e a fonte da juventude.
  3. C)A questão crucial em relação ao aumento da expectativa de vida é o pagamento de aposentadorias aos idosos pelos respectivos governos.
  4. D)O desenvolvimento tecnológico trouxe aumento da longevidade para o ser humano, mas não necessariamente melhores condições de vida.
  5. E)Os problemas sociais ligados ao aumento da expectativa de vida suplantam as benesses proporcionadas pelo envelhecimento. O texto a seguir é referência para as questões 61 e 62. A forma como utilizamos os memes revela uma maneira criativa, muitas vezes sarcástica, que evidencia uma das funções do humor. Recentemente, pudemos acompanhar uma “guerra” bem-humorada entre Brasil e Portugal. Brasileiros, inicialmente, “anexaram” o país europeu e o chamaram de Guiana Brasileira. Seguiram-se outras designações para Portugal, o que provocou o revide dos portugueses. Reproduzimos as “farpas” dessa batalha nas afirmativas I e II a seguir: I. São denominações de brasileiros para Portugal, além da já mencionada: Pernambuco em pé; Faixa de Gajo; Rio de Fevereiro; Porto de Gajinhas; Mato Grosso do Norte; e Vitória da Reconquista. II. A resposta veio de Portugal. Foram estes os nomes atribuídos: Texas do Sul; Geórgia Amado; Brasillinois; Havai que é tua Taffarel; Capivarizona; Mississítio do Picapau Amarelo; Funkentucky.
UFPR20261a faseQuestao 61PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
A forma como utilizamos os memes revela uma maneira criativa, muitas vezes sarcástica, que evidencia uma das funções do humor. Recentemente, pudemos acompanhar uma "guerra" bem-humorada entre Brasil e Portugal. Brasileiros, inicialmente, "anexaram" o país europeu e o chamaram de Guiana Brasileira. Seguiram-se outras designações para Portugal, o que provocou o revide dos portugueses. Reproduzimos as "farpas" dessa batalha nas afirmativas I e II a seguir: I. São denominações de brasileiros para Portugal, além da já mencionada: Pernambuco em pé; Faixa de Gajo; Rio de Fevereiro; Porto de Gajinhas; Mato Grosso do Norte; e Vitória da Reconquista. II. A resposta veio de Portugal. Foram estes os nomes atribuídos: Texas do Sul; Geórgia Amado; Brasillinois; Havai que é tua Taffarel; Capivarizona; Mississítio do Picapau Amarelo; Funkentucky. De acordo com o texto, assinale a alternativa correta.
  1. A)Tanto em I quanto em II, os processos de criação das designações nominais de ambos os países empregam os mesmos recursos linguísticos.
  2. B)Em I, as nomeações são baseadas em nomes de estados brasileiros e adaptadas para uma versão portuguesa.
  3. C)Em II, as nomeações são baseadas em nomes de estados norte-americanos e adaptadas para referências brasileiras.
  4. D)Em ambos os conjuntos, há denominações baseadas na forma geográfica do país alvo da designação humorística.
  5. E)A principal estratégia linguística empregada para a criação das nomeações recorre a conhecimentos sobre a história dos países envolvidos.
UFPR20261a faseQuestao 62PortuguêsFormação de palavras e figuras de linguagemDificil
A forma como utilizamos os memes revela uma maneira criativa, muitas vezes sarcástica, que evidencia uma das funções do humor. Recentemente, pudemos acompanhar uma "guerra" bem-humorada entre Brasil e Portugal. Brasileiros, inicialmente, "anexaram" o país europeu e o chamaram de Guiana Brasileira. Seguiram-se outras designações para Portugal, o que provocou o revide dos portugueses. Reproduzimos as "farpas" dessa batalha nas afirmativas I e II a seguir: I. São denominações de brasileiros para Portugal, além da já mencionada: Pernambuco em pé; Faixa de Gajo; Rio de Fevereiro; Porto de Gajinhas; Mato Grosso do Norte; e Vitória da Reconquista. II. A resposta veio de Portugal. Foram estes os nomes atribuídos: Texas do Sul; Geórgia Amado; Brasillinois; Havai que é tua Taffarel; Capivarizona; Mississítio do Picapau Amarelo; Funkentucky. Considerando os nomes Faixa de Gajo, Brasillinois e Georgia Amado, atribuídos a Portugal e Brasil, presentes no texto, assinale a alternativa que apresenta, adequada e respectivamente, o recurso linguístico empregado em cada um, para atingir o efeito humorístico pretendido.
  1. A)Denominação eufêmica; composição; personificação.
  2. B)Nominalização metonímica; sinestesia; comparação nominal.
  3. C)Analogia; aglutinação; analogia.
  4. D)Ironia; ironia; antítese.
  5. E)Perífrase morfológica; onomatopeia; metáfora. O texto a seguir é referência para as questões 63 a 66. Trata-se de um trecho transcrito de um episódio do podcast Projeto Querino, produzido por Tiago Rogero. Ou seja, o texto traz, por escrito, palavras que foram faladas e concebidas como texto oral. O palácio do Museu Nacional já foi residência oficial da Família Real, depois Família Imperial, do Brasil. Sabe? Dom João Sexto, 1 Dom Pedro Primeiro, Dom Pedro Segundo, Princesa Isabel? O nome é Palácio de São Cristóvão. É como se fosse hoje em dia o 2 Palácio da Alvorada, lá em Brasília… Só que, diferentemente do Alvorada, este palácio aqui num foi construído pra ser a residência 3 oficial do Dom João Sexto. Já existia um prédio aqui. 4 Tinha sido construído por um comerciante bem rico, o Elias Antônio Lopes. Daí quando a Família Real portuguesa veio pro Brasil, 5 em 1808, era disparada a melhor mansão do Rio, e o Elias doou a casa, e toda a Quinta da Boa Vista, pro Dom João Sexto morar 6 com a família. Bonzinho ele… Mas comé que o Elias, um comerciante, juntou tanto dinheiro assim pra poder não só construir a 7 melhor mansão do Rio, mas também pra poder se dar ao luxo de doar ela? De abrir mão dela? 8 É que ele num era qualquer comerciante. Ele trabalhava com o bem mais valioso daquela época. Num era café, num era açúcar, 9 num era ouro, num era diamante. O Elias era traficante… de gente. O Elias Antônio Lopes mandava um navio lá na costa do 10 continente africano, embarcava um monte de gente acorrentada – homens, mulheres, crianças –, colocava todo mundo no porão 11 desse navio por semanas, até meses, de viagem, e trazia pra vender por aqui. E a Família Real aceitou essa doação. Não se 12 constrangeu nem um pouco de aceitar esse presente. Assim, o tráfico nessa época era legal, era permitido por lei, mas num deixa 13 de ser uma coisa grotesca. 14 15 E o simbolismo desse gesto, de transformar em residência oficial uma casa construída com o dinheiro do tráfico negreiro, dessa relação extremamente próxima entre um traficante de escravos e a Família Real, o simbolismo disso ajuda a explicar não só por 16 que a escravidão durou tanto tempo no Brasil, mas a própria Independência do Brasil. Ajuda a explicar por que o Brasil é o Brasil. 17 Disponível em: https://projetoquerino.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Ep-01_A-grande-aposta_Querino-1.pdf.
UFPR20261a faseQuestao 63PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
O palácio do Museu Nacional já foi residência oficial da Família Real, depois Família Imperial, do Brasil. Sabe? Dom João Sexto, Dom Pedro Primeiro, Dom Pedro Segundo, Princesa Isabel? O nome é Palácio de São Cristóvão. É como se fosse hoje em dia o Palácio da Alvorada, lá em Brasília... Só que, diferentemente do Alvorada, este palácio aqui num foi construído pra ser a residência oficial do Dom João Sexto. Já existia um prédio aqui. Tinha sido construído por um comerciante bem rico, o Elias Antônio Lopes. Daí quando a Família Real portuguesa veio pro Brasil, em 1808, era disparada a melhor mansão do Rio, e o Elias doou a casa, e toda a Quinta da Boa Vista, pro Dom João Sexto morar com a família. Bonzinho ele... Mas comé que o Elias, um comerciante, juntou tanto dinheiro assim pra poder não só construir a melhor mansão do Rio, mas também pra poder se dar ao luxo de doar ela? De abrir mão dela? É que ele num era qualquer comerciante. Ele trabalhava com o bem mais valioso daquela época. Num era café, num era açúcar, num era ouro, num era diamante. O Elias era traficante... de gente. O Elias Antônio Lopes mandava um navio lá na costa do continente africano, embarcava um monte de gente acorrentada – homens, mulheres, crianças –, colocava todo mundo no porão desse navio por semanas, até meses, de viagem, e trazia pra vender por aqui. E a Família Real aceitou essa doação. Não se constrangeu nem um pouco de aceitar esse presente. Assim, o tráfico nessa época era legal, era permitido por lei, mas num deixa de ser uma coisa grotesca. E o simbolismo desse gesto, de transformar em residência oficial uma casa construída com o dinheiro do tráfico negreiro, dessa relação extremamente próxima entre um traficante de escravos e a Família Real, o simbolismo disso ajuda a explicar não só por que a escravidão durou tanto tempo no Brasil, mas a própria Independência do Brasil. Ajuda a explicar por que o Brasil é o Brasil. (Trecho transcrito de um episódio do podcast Projeto Querino, produzido por Tiago Rogero.) Para o autor, a relação entre a origem do Palácio de São Cristóvão e a formação do Brasil está:
  1. A)na proximidade geográfica entre o Palácio e outros locais históricos da cidade do Rio de Janeiro, o que demonstra a centralização do poder na região Sudeste.
  2. B)no fato de a Família Real ter aceitado uma doação e dado início a uma tradição de troca de favores entre governantes e pessoas com grande poderio econômico.
  3. C)no ato de tornar residência oficial um lugar construído com dinheiro do tráfico negreiro, revelando como a escravização era uma prática naturalizada na sociedade.
  4. D)na arquitetura do palácio, que misturava elementos portugueses e africanos, revelando-se um símbolo da miscigenação brasileira.
  5. E)na reforma estrutural realizada por Dom João VI, que transformou completamente o estilo original do palácio, ilustrando a falta de reconhecimento da cultura nacional.
UFPR20261a faseQuestao 64PortuguêsCoesão e referenciaçãoDificil
O palácio do Museu Nacional já foi residência oficial da Família Real, depois Família Imperial, do Brasil. Sabe? Dom João Sexto, Dom Pedro Primeiro, Dom Pedro Segundo, Princesa Isabel? O nome é Palácio de São Cristóvão. É como se fosse hoje em dia o Palácio da Alvorada, lá em Brasília... Só que, diferentemente do Alvorada, este palácio aqui num foi construído pra ser a residência oficial do Dom João Sexto. Já existia um prédio aqui. Tinha sido construído por um comerciante bem rico, o Elias Antônio Lopes. Daí quando a Família Real portuguesa veio pro Brasil, em 1808, era disparada a melhor mansão do Rio, e o Elias doou a casa, e toda a Quinta da Boa Vista, pro Dom João Sexto morar com a família. Bonzinho ele... Mas comé que o Elias, um comerciante, juntou tanto dinheiro assim pra poder não só construir a melhor mansão do Rio, mas também pra poder se dar ao luxo de doar ela? De abrir mão dela? É que ele num era qualquer comerciante. Ele trabalhava com o bem mais valioso daquela época. Num era café, num era açúcar, num era ouro, num era diamante. O Elias era traficante... de gente. O Elias Antônio Lopes mandava um navio lá na costa do continente africano, embarcava um monte de gente acorrentada – homens, mulheres, crianças –, colocava todo mundo no porão desse navio por semanas, até meses, de viagem, e trazia pra vender por aqui. E a Família Real aceitou essa doação. Não se constrangeu nem um pouco de aceitar esse presente. Assim, o tráfico nessa época era legal, era permitido por lei, mas num deixa de ser uma coisa grotesca. E o simbolismo desse gesto, de transformar em residência oficial uma casa construída com o dinheiro do tráfico negreiro, dessa relação extremamente próxima entre um traficante de escravos e a Família Real, o simbolismo disso ajuda a explicar não só por que a escravidão durou tanto tempo no Brasil, mas a própria Independência do Brasil. Ajuda a explicar por que o Brasil é o Brasil. (Trecho transcrito de um episódio do podcast Projeto Querino, produzido por Tiago Rogero.) Sobre os elementos linguísticos presentes no texto, assinale a alternativa correta.
  1. A)A forma num, como é utilizada no texto, é uma contração da preposição em e do artigo indefinido um, bastante comum na fala.
  2. B)No texto, o autor interpela seu interlocutor por meio de interrogações, recurso circunscrito a modalidades orais da língua.
  3. C)As expressões destacadas se dar ao luxo de doar ela e abrir mão dela são utilizadas como sinônimas.
  4. D)A expressão destacada essa doação se refere ao antecedente gente acorrentada.
  5. E)A expressão destacada no texto assim poderia ser substituída por dessa forma sem alteração de significado e estrutura.
UFPR20261a faseQuestao 65PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Dificil
O palácio do Museu Nacional já foi residência oficial da Família Real, depois Família Imperial, do Brasil. Sabe? Dom João Sexto, Dom Pedro Primeiro, Dom Pedro Segundo, Princesa Isabel? O nome é Palácio de São Cristóvão. É como se fosse hoje em dia o Palácio da Alvorada, lá em Brasília... Só que, diferentemente do Alvorada, este palácio aqui num foi construído pra ser a residência oficial do Dom João Sexto. Já existia um prédio aqui. Tinha sido construído por um comerciante bem rico, o Elias Antônio Lopes. Daí quando a Família Real portuguesa veio pro Brasil, em 1808, era disparada a melhor mansão do Rio, e o Elias doou a casa, e toda a Quinta da Boa Vista, pro Dom João Sexto morar com a família. Bonzinho ele... Mas comé que o Elias, um comerciante, juntou tanto dinheiro assim pra poder não só construir a melhor mansão do Rio, mas também pra poder se dar ao luxo de doar ela? De abrir mão dela? É que ele num era qualquer comerciante. Ele trabalhava com o bem mais valioso daquela época. Num era café, num era açúcar, num era ouro, num era diamante. O Elias era traficante... de gente. O Elias Antônio Lopes mandava um navio lá na costa do continente africano, embarcava um monte de gente acorrentada – homens, mulheres, crianças –, colocava todo mundo no porão desse navio por semanas, até meses, de viagem, e trazia pra vender por aqui. E a Família Real aceitou essa doação. Não se constrangeu nem um pouco de aceitar esse presente. Assim, o tráfico nessa época era legal, era permitido por lei, mas num deixa de ser uma coisa grotesca. E o simbolismo desse gesto, de transformar em residência oficial uma casa construída com o dinheiro do tráfico negreiro, dessa relação extremamente próxima entre um traficante de escravos e a Família Real, o simbolismo disso ajuda a explicar não só por que a escravidão durou tanto tempo no Brasil, mas a própria Independência do Brasil. Ajuda a explicar por que o Brasil é o Brasil. (Trecho transcrito de um episódio do podcast Projeto Querino, produzido por Tiago Rogero.) Sobre as relações de significado estabelecidas no texto, é correto afirmar:
  1. A)A expressão Bonzinho ele... expressa a opinião do autor, que demonstra admiração pelo gesto altruísta de Elias Antônio Lopes.
  2. B)O emprego recorrente da expressão num era (“num era café, num era açúcar...”) cria uma expectativa sobre qual seria o “bem mais valioso” da época.
  3. C)A afirmação presente no trecho final do texto, “o Brasil é o Brasil”, é vazia de significado em relação ao que vinha sendo dito, uma vez que afirma o óbvio.
  4. D)A frase “Daí quando a Família Real portuguesa veio pro Brasil” estabelece uma relação de causalidade entre a construção do palácio e a vinda da Família Real.
  5. E)O autor compara o Palácio de São Cristóvão com o Palácio da Alvorada devido à origem da sua destinação para a utilização histórica.
UFPR20261a faseQuestao 66PortuguêsVariação linguísticaDificil
O palácio do Museu Nacional já foi residência oficial da Família Real, depois Família Imperial, do Brasil. Sabe? Dom João Sexto, Dom Pedro Primeiro, Dom Pedro Segundo, Princesa Isabel? O nome é Palácio de São Cristóvão. É como se fosse hoje em dia o Palácio da Alvorada, lá em Brasília... Só que, diferentemente do Alvorada, este palácio aqui num foi construído pra ser a residência oficial do Dom João Sexto. Já existia um prédio aqui. Tinha sido construído por um comerciante bem rico, o Elias Antônio Lopes. Daí quando a Família Real portuguesa veio pro Brasil, em 1808, era disparada a melhor mansão do Rio, e o Elias doou a casa, e toda a Quinta da Boa Vista, pro Dom João Sexto morar com a família. Bonzinho ele... Mas comé que o Elias, um comerciante, juntou tanto dinheiro assim pra poder não só construir a melhor mansão do Rio, mas também pra poder se dar ao luxo de doar ela? De abrir mão dela? É que ele num era qualquer comerciante. Ele trabalhava com o bem mais valioso daquela época. Num era café, num era açúcar, num era ouro, num era diamante. O Elias era traficante... de gente. O Elias Antônio Lopes mandava um navio lá na costa do continente africano, embarcava um monte de gente acorrentada – homens, mulheres, crianças –, colocava todo mundo no porão desse navio por semanas, até meses, de viagem, e trazia pra vender por aqui. E a Família Real aceitou essa doação. Não se constrangeu nem um pouco de aceitar esse presente. Assim, o tráfico nessa época era legal, era permitido por lei, mas num deixa de ser uma coisa grotesca. E o simbolismo desse gesto, de transformar em residência oficial uma casa construída com o dinheiro do tráfico negreiro, dessa relação extremamente próxima entre um traficante de escravos e a Família Real, o simbolismo disso ajuda a explicar não só por que a escravidão durou tanto tempo no Brasil, mas a própria Independência do Brasil. Ajuda a explicar por que o Brasil é o Brasil. (Trecho transcrito de um episódio do podcast Projeto Querino, produzido por Tiago Rogero.) Sobre a linguagem utilizada no texto, assinale a alternativa correta.
  1. A)O trecho “O Elias Antônio Lopes mandava um navio lá na costa do continente africano” apresenta uma regência verbal típica dos usos escritos cultos do português brasileiro.
  2. B)Por meio da utilização de palavras e expressões como bonzinho, juntou tanto dinheiro, todo mundo, é possível perceber o direcionamento do podcast para um público menos culto.
  3. C)As reticências são um sinal estilístico da fala, e as vírgulas são utilizadas para marcar as pausas na respiração.
  4. D)As palavras grotesca, mansão e traficante são exemplos de gírias, uma marca comum da oralidade, que são evitadas em registros escritos.
  5. E)As expressões num, daí e comé que são exemplos de usos do registro oral que seriam consideradas inadequadas em um texto escrito jornalístico, a menos que sinalizassem a fala de alguém. LITERATURA BRASILEIRA
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