Literatura: Carolina Maria de Jesus e ironia · UFSC

Literatura: Carolina Maria de Jesus e ironia: questões do UFSC

11 questões de Literatura: Carolina Maria de Jesus e ironia (Português) no UFSC (2016–2024). Treine de graça com correção e comentário.

Criar conta grátis10 questões por dia, sem cartão de crédito.

Questões de Literatura: Carolina Maria de Jesus e ironia no UFSC

Uma amostra das questões. Crie uma conta para resolver todas com correção e comentário.

UFSC2024Prova 1Questao 4PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
**Texto 3 — Desculpas** — Alê Motta (de Velhos) 01 Sou preto e sou velho. Diferente da maioria dos pretos no Brasil, sou rico. Moro num 02 condomínio sofisticado, num bairro de brancos que acham muito esquisito a minha família 03 preta morar ali. 04 Tenho setenta anos e pratico muitos esportes. Gosto especialmente de corrida. 05 Dia desses fui correr até a beira da praia. Na segunda quadra após o condomínio, passei em 06 frente ao posto de gasolina. No momento em que passei, acontecia um assalto. 07 Dois dentes quebrados, três costelas fraturadas, as maçãs do rosto raladas, nariz sangrando, 08 braço esquerdo luxado. Cusparadas na cara, tapas na orelha, vários socos no estômago. 09 Uns brutamontes me agarraram, me esfregaram no chão de asfalto e me levaram para 10 a delegacia como suspeito. 11 Meu advogado-branco veio me socorrer. Sou médico, sou dono de uma clínica, tenho três 12 especializações, dou aulas, tenho vários livros publicados, falo quatro idiomas. 13 Até agora ninguém me pediu desculpas. Ficam repetindo que eu sou preto, nem pareço 14 um velho e estava correndo, como iam saber que eu não era um marginal? (MOTTA, Alê. Velhos. Rio de Janeiro: Reformatório, 2020. p. 17-20.) Com base no texto 3 e na leitura integral da obra Velhos, publicada originalmente em 2020, no contexto sócio-histórico e literário e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)embora o título explore diferentes sentidos de “desculpas”, a leitura integral do texto 3 enfatiza o emprego do termo mais como uma justificativa para a violência do que como uma retratação.
  2. 02)a ênfase das narrativas que compõem Velhos recai sobre as mazelas do envelhecimento e a situação degradante em que vivem os idosos no Brasil.
  3. 04)a precisão e a concisão dos contos que integram Velhos estão presentes inclusive nos títulos, formados por uma única palavra.
  4. 08)o fragmento “Dois dentes quebrados, três costelas fraturadas, as maçãs do rosto raladas, nariz sangrando, braço esquerdo luxado” (linhas 07-08) retoma o protagonista por metonímia.
  5. 16)no texto 3, ocorre a interação de diversos fatores sociais, como faixa etária, gênero, classe, formação acadêmica e atuação profissional, que definem a personagem, mas todos se revelam subordinados a questões étnico-raciais.
  6. 32)a autora subverte as regras de paragrafação ao eliminar o recuo para sinalizar os diálogos entre as personagens.
UFSC2024Prova 1Questao 5PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
**Texto 4 — A Musa das Ruas** — João do Rio (de A alma encantadora das ruas) 01 A musa das ruas é a musa que viceja nos becos e rebenta nas praças, entre o barulho da 02 populaça e a ânsia de todas as nevroses, é a musa igualitária, a musa-povo, que desfaz os 03 fatos mais graves em lundus e cançonetas, é a única sem pretensões porque se renova como 04 a própria Vida. Se o Brasil é a terra da poesia, a sua grande cidade é o armazém, o ferro-velho, 05 a aduana, o belchior, o grande empório das formas poéticas. Nesta Cosmópolis, que é o Rio, a 06 poesia brota nas classes mais heterogêneas. A câmara regurgita de vates, o hospício tem 07 dúzias de versejadores, as escolas grosas de nefelibatas, a cadeia fornadas de elegíacos. 08 Onde for o homem lá estará à sua espera, definitiva e teimosa, a musa. Se tomardes um bonde 09 modesto, encontrareis o palpite do bicho em verso nas costas do recibo; se entrais nos 10 tramways de Botafogo, o recibo convida V. Exa numa quadra a ir a Copacabana. Os cafés são 11 focos de micróbio rítmico, os blocos de folhinha, as balas de estalo, as adivinhações dos 12 pássaros sábios, as poliantéias, esse curioso gênero de engrossamento tipográfico e indireto, 13 as tabuletas, os reclamos, os jornais proclamam incessantemente a preocupação poética da 14 cidade, o anônimo mas formidável anseio de um milhão de almas pelo ritmo, que é a pulsação 15 arterial da palavra. O verso domina, o verso rege, o verso é o coração da urbs, o verso está em 16 toda a parte como o resultado absoluto das circunvoluções da cidade. E a musa urbana, a 17 musa anônima, é como o riso e o soluço, a chalaça e o suspiro dos sem-nome e dos humildes. 18 [...] (RIO, João do. A alma encantadora das ruas. Paris, França: H. Garnier, 1908. p. 173.) Com base no texto 4 e na leitura integral da obra A alma encantadora das ruas, de João do Rio, publicada originalmente em 1908, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)no emprego da vírgula antes da forma verbal “é” (linhas 02 e 03), o autor subverte as normas gramaticais, separando sujeito de predicado.
  2. 02)o narrador do texto 4 estabelece uma relação entre escrita e cidade, assim aquilo que viceja é a poesia que percorre ruas e quadras.
  3. 04)a ausência de acento gráfico em “vates” (linha 06), “versejadores” (linha 07) e “nefelibatas” (linha 07) restringe cada palavra a uma única possibilidade de pronúncia com relação à tonicidade.
  4. 08)João do Rio é considerado pioneiro da crônica-reportagem, dado o procedimento incomum à época de escrever matérias reais em forma de crônicas.
  5. 16)a não compreensão do significado das palavras “vates” (linha 06), “versejadores” (linha 07) e “nefelibatas” (linha 07) impossibilita o estabelecimento das relações sintáticas.
UFSC2024Prova 1Questao 6PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
**Texto 5 — Diário da Tarde** [recorte de jornal — ver imagem] **Texto 6 — Commercio do Paraná** [recorte de jornal — ver imagem] (XAVIER, Valêncio. O mez da grippe. Curitiba: Arte & Letra, 2020. p. 13 e 42.) Com base nos textos 5 e 6, na leitura integral da obra O mez da grippe, de Valêncio Xavier, publicada originalmente em 1981, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
  1. 01)a polifonia do enredo é marcada pelo ponto de vista de documentos oficiais, do jornal Commercio do Paraná, do jornal Diário da Tarde, da D. Lúcia, dentre outras vozes.
  2. 02)a estrutura da narrativa é em forma de diário, marcada pela divisão nos meses outubro, novembro e dezembro de 1918.
  3. 04)se trata de uma obra de ficção histórica, composta principalmente pela colagem de notícias, propagandas, anúncios, documentos oficiais, cartazes, convites e fotografias, em que o leitor é o responsável por reestabelecer o fio narrativo entre eles.
  4. 08)no texto 5, o espaço em branco destinado à notícia sobre a influenza é uma homenagem ao número de vidas perdidas para a doença.
  5. 16)da ortografia da língua portuguesa do início do século XX, registrada no texto 6, depreende-se que a língua passa por mudanças.
  6. 32)o que no texto 6 é identificado como boato na epidemia da gripe espanhola pode ser relacionado ao que foi chamado de fake news na epidemia da covid-19.
  7. 64)a obra tem como tema principal os acontecimentos do final da Primeira Guerra Mundial, tendo como pano de fundo o surto da gripe espanhola ocorrido na Curitiba de 1918.
UFSC2024Prova 1Questao 10PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
**Texto 10 — Úrsula (III — A declaração de amor)** — Maria Firmina dos Reis 01 MUITOS DIAS SE PASSARAM JÁ, e Túlio, menos preocupado, mostrava-se feliz e 02 comunicativo. Luísa B... o tinha incumbido do serviço exclusivo do seu hóspede, que 03 começava a recobrar as forças, o que ele atribuía aos cuidados do jovem negro, e da formosa 04 donzela, e ao ar puro que ali respirava. Com efeito, ele ia a melhor, e cada dia dava 05 esperanças de próxima convalescença. Aprazia-se com essa notícia a boa senhora Luísa B...; 06 mas a encantadora Úrsula, melancólica, e mais bela que nunca, sentia um indefinível pesar ao 07 lembrar-se que em breve volveria para o seu antigo exulamento, e ainda maior que dantes: o 08 cavaleiro falava de sua próxima partida. 09 Túlio acompanhava-o. 10 Tinha-se alforriado. O generoso mancebo assim que entrou em convalescença dera-lhe 11 dinheiro correspondente ao seu valor como gênero, dizendo-lhe: 12 – Recebe, meu amigo, este pequeno presente que te faço, e compra com ele a tua 13 liberdade. 14 Túlio obteve pois por dinheiro aquilo que Deus lhe dera, como a todos os viventes [...]. (REIS, Maria Firmina dos. Úrsula. Porto Alegre: Taverna, 2019. p. 56-57.) Com base no texto 10 e na leitura integral da obra Úrsula, publicada originalmente em 1859, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)os termos pronominais “ele” (linhas 03 e 04) retomam a mesma personagem, referida por “hóspede” (linha 02).
  2. 02)o texto 10 retrata aquilo que acaba por ser uma importante dimensão do romance: a profunda cisão do sistema escravagista e a desumanização que o acompanha.
  3. 04)o emprego de itálico nas duas passagens do texto 10 (linhas 10 e 11) marca uso da linguagem conotativa, utilizada para a construção subjetiva das personagens.
  4. 08)publicada em pleno Romantismo, a obra incorpora a idealização dos protagonistas, a valorização da natureza e a dramatização das ações.
  5. 16)em “aquilo que Deus lhe dera” (linha 14), a referência religiosa reforça a crença de Túlio no candomblé.
UFSC2024Prova 1Questao 11PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
**Texto 10 — Úrsula (III — A declaração de amor)** — Maria Firmina dos Reis 01 MUITOS DIAS SE PASSARAM JÁ, e Túlio, menos preocupado, mostrava-se feliz e 02 comunicativo. Luísa B... o tinha incumbido do serviço exclusivo do seu hóspede, que 03 começava a recobrar as forças, o que ele atribuía aos cuidados do jovem negro, e da formosa 04 donzela, e ao ar puro que ali respirava. Com efeito, ele ia a melhor, e cada dia dava 05 esperanças de próxima convalescença. Aprazia-se com essa notícia a boa senhora Luísa B...; 06 mas a encantadora Úrsula, melancólica, e mais bela que nunca, sentia um indefinível pesar ao 07 lembrar-se que em breve volveria para o seu antigo exulamento, e ainda maior que dantes: o 08 cavaleiro falava de sua próxima partida. 09 Túlio acompanhava-o. 10 Tinha-se alforriado. O generoso mancebo assim que entrou em convalescença dera-lhe 11 dinheiro correspondente ao seu valor como gênero, dizendo-lhe: 12 – Recebe, meu amigo, este pequeno presente que te faço, e compra com ele a tua 13 liberdade. 14 Túlio obteve pois por dinheiro aquilo que Deus lhe dera, como a todos os viventes [...]. (REIS, Maria Firmina dos. Úrsula. Porto Alegre: Taverna, 2019. p. 56-57.) **Texto 11 — Torto arado** — Itamar Vieira Junior 01 Pensei apenas que Severo [...] era um jovem homem que falava bem sobre as coisas da terra, 02 que tinha sentimentos bons e respeito por meus pais, seus tios, por nossa família como um 03 todo. Ele se sentia à vontade para falar sobre seus sonhos, tinha planos de estudar mais e 04 não queria ser empregado para sempre na Fazenda Água Negra. Queria trabalhar nas 05 próprias terras. Queria ter ele mesmo sua fazenda, que, diferente dos donos dali, que não 06 conheciam muita coisa do que tinham, que talvez não soubessem cavoucar a terra, muito 07 menos a hora de plantar de acordo com as fases da lua, nem o que poderia nascer em 08 sequeiro e na várzea, ele sabia de muito mais. Havia sido parido pela terra. Achava engraçado 09 vê-lo utilizar essa imagem para afirmar sua aptidão para a lavoura. Nunca havia pensado que 10 tinha sido parida pela terra. A terra “paria” plantas e rochas. Paria nosso alimento e minhocas. 11 Às vezes paria diamantes, escutava dizer. Ele falava que poderia aliar seu conhecimento da 12 natureza e da lavoura com sua disposição para o trabalho, além do estudo que poderia lhe dar 13 conhecimentos novos para mudar de vida. Eu achava tudo aquilo interessante, mas nunca 14 havia parado para pensar por que estávamos ali, o que poderia mudar na nossa história, o 15 que dependia de mim mesma ou o que dependeria das circunstâncias. (VIEIRA Jr., Itamar. Torto arado. São Paulo: Todavia, 2019. p. 72.) Com base nos textos 10 e 11 e na leitura integral das obras Úrsula e Torto arado, esta publicada originalmente em 2018, no contexto sócio-histórico e literário das obras e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)no texto 11, as expressões “parido pela terra” (linha 08) e “parida pela terra” (linha 10) são usadas em sentido figurado.
  2. 02)no texto 11, identificamos um processo de caracterização de Severo que privilegia aspectos físicos da personagem, em razão do envolvimento amoroso da narradora-personagem com o rapaz.
  3. 04)os textos 10 e 11 evidenciam uma faceta comum em romances românticos: a clássica história de amor entre a mocinha simples e o jovem mancebo, o que contrasta com a tensão histórica presente nas obras.
  4. 08)em “diferente dos donos dali, que não conheciam muita coisa do que tinham, que talvez não soubessem cavoucar a terra” (linhas 05-06), os termos sublinhados podem ser substituídos por “os quais” sem prejuízo ao sentido do texto.
  5. 16)se depreende dos textos o tratamento da temática da privação da liberdade em diferentes acepções: no texto 10, resultante do modelo escravagista; no texto 11, do modelo capitalista.
UFSC2018Prova 1Questao 8PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
Com base na leitura e interpretação da peça Valsa no 6, de Nelson Rodrigues, e dos livros recomendados pelo Vestibular da UFSC/2018, bem como no contexto sócio-histórico e literário, é correto afirmar que: a peça Valsa no 6, um monólogo representado pela personagem Mocinha, cuja adolescência
  1. 01)é ambientada na década de 1950, está estruturada em três atos, e os fatos são apresentados cronológica e linearmente.
  2. 02)na peça, Sônia representa mais de um personagem, alternando sentimentos e emoções que, para os leitores, são vislumbrados nas descrições que acompanham as falas dos personagens revividos pela adolescente. Mocinha, de Valsa no 6, apaixona-se por um homem mais velho e se envolve
  3. 04)voluntariamente com ele da mesma forma que Lúcia, a cortesã do romance Lucíola, dele. a peça Valsa no 6 e a novela Nós, de Salim Miguel, abordam assaltos e assassinatos de
  4. 08)mulheres e caracterizam-se por serem narrativas policiais, suscitando discussões sobre casos de feminicídio na sociedade contemporânea.
  5. 16)toda a ação da peça de Nelson Rodrigues se desenrola no plano da alucinação, do desequilíbrio mental da personagem principal, que, enquanto toca ao piano a “Valsa no 6”, de Chopin, é executada por Junqueira.
  6. 32)a peça enfatiza diferentes momentos de transição da personagem adolescente: a passagem da vida para a morte e a transformação de menina para mulher, marcada pela descoberta dos primeiros desejos em relação ao amor e pelo abandono das brincadeiras da infância. a descrição do cenário do primeiro ato de Valsa no 6 faz referência a um piano branco e
  7. 64)cortinas vermelhas e contrasta com a descrição do cenário do segundo ato, que inclui outros itens de mobiliário da casa de uma família burguesa.
UFSC2018Prova 1Questao 11PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
Texto 5 01 “Quando você se transformou...” 02 “Nisso?! Nessa coisa?” 03 “Não foi isso que...” 04 “Há duas maneiras de lidar com o desejo: ou você apaga com o extintor, que é o que as 05 pessoas geralmente fazem, ou você deixa o fogo se alastrar. Eu resolvi me incendiar.” 06 “Mas você tinha um bom emprego...” 07 “Um bom emprego? Jornalista? Em Mendoza? É tudo prostituição, meu caro, tudo, uns 08 vendem o corpo, outros a cabeça, alguns seu tempo, é tudo putaria [...].” SCHROEDER, Carlos Henrique. As fantasias eletivas. Rio de Janeiro: Record, 2014, p. 50. Considerando o Texto 5, o romance As fantasias eletivas, de Carlos Henrique Schroeder, e o romance Lucíola, de José de Alencar, bem como o contexto sócio-histórico e literário, é correto afirmar que:
  1. 01)no Texto 5, pode-se perceber o momento da narrativa em que Ratón, retrato do homem que sofre desgraças na vida, revela-se homofóbico e preconceituoso em relação à ocupação de Sebastián Hernández.
  2. 02)a exemplo da cortesã Lúcia, protagonista do romance Lucíola, de José de Alencar, Copi ingressa muito jovem na prostituição com o propósito de auxiliar no sustento de sua família, que vive na cidade de Mendoza, Argentina.
  3. 04)para a travesti Copi, existe o entendimento amplo acerca da ideia de prostituição, que pode ser encarada como uma forma de troca e de favor nas relações interpessoais, não se restringindo ao âmbito sexual.
  4. 08)para a personagem Copi, as fotografias são as fantasias eletivas, antecipadas no título do livro, porque são responsáveis por imortalizar o tempo e recortar uma realidade, a da solidão e da singularidade das coisas.
  5. 16)é possível perceber duas experiências em relação à fotografia da menina sentada sobre os trilhos do trem: a do sujeito que fotografa (Copi), que descreve suas impressões a Renê antes de fotografar a menina, e a do sujeito fotografado (a menina), cuja sensação de ser observada é revelada pelo narrador no final do romance.
  6. 32)os romances As fantasias eletivas e Lucíola abordam a temática da prostituição em centros urbanos e comparam dois momentos históricos: o Rio de Janeiro do século XIX e a cidade de “Bregário Camboriú” dos tempos atuais.
  7. 64)em “Há duas maneiras” (linha 04), o verbo haver tem sentido existencial, podendo ser substituído por “existe” sem ferir a norma culta da língua escrita.
UFSC2017Prova 1Questao 7PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaMedia
Os filhos chegaram tarde, cada um por sua vez, e Pedro mais cedo que Paulo. A melancolia de um ia com a alma da casa, a alegria de outro destoava desta, mas tais eram uma e outra que, apesar da expansão da segunda, não houve repressão nem briga. Ao jantar, falaram pouco. Paulo referia os sucessos amorosamente. Conversara com alguns correligionários e soube do que se passara à noite e de manhã, a marcha e a reunião dos batalhões no campo, as palavras de Ouro Preto ao Marechal Floriano, a resposta deste, a aclamação da República. A família ouvia e perguntava, não discutia, e esta moderação contrastava com a glória de Paulo. O silêncio de Pedro principalmente era como um desafio. Não sabia Paulo que a própria mãe é que o pedira ao irmão com muitos beijos, motivo que em tal momento ia com o aperto do coração do rapaz. ASSIS, Machado de. Esaú e Jacó. São Paulo: Ática, 1999, p. 119. Com base no texto 3 e na leitura integral do romance de Machado de Assis, Esaú e Jacó, publicado pela primeira vez em 1904, é correto afirmar que:
  1. 01)o romance de Machado de Assis está situado dentro da escola literária do Realismo brasileiro e possui como pano de fundo a transição do Império para a República, tendo referências explícitas ao contexto histórico da época em que os fatos são narrados.
  2. 02)Esaú e Jacó vale-se de intertexto com a narrativa bíblica, seja em razão dos nomes dos protagonistas, Pedro e Paulo, assim nomeados em referência aos apóstolos homônimos, seja em virtude dos nomes dos personagens que dão título à obra.
  3. 04)o romance de Machado de Assis ilustra um aspecto fundamental nas histórias literárias sobre irmãos gêmeos, narrativas nas quais cada gêmeo possui uma personalidade diferente, diametralmente oposta, sendo os irmãos frequentemente rivais na disputa por um objeto amoroso.
  4. 08)em Esaú e Jacó, Machado de Assis pratica uma forma de intertexto ao resgatar personagens presentes em outros de seus consagrados romances, como é o caso de Dom Casmurro e os sujeitos ficcionais Bentinho e Capitu.
  5. 16)Esaú e Jacó pode ser classificado como um romance histórico, muito embora o formato apresentado seja o de um diário irônico e sagaz de Conselheiro Aires sobre a implantação da República em território brasileiro, projeto considerado pelo narrador como algo impossível dado o passado colonial, retrógrado e agrário do país.
  6. 32)no romance de Machado de Assis, a libertação dos escravos é um tema político sobre o qual os dois irmãos, Pedro e Paulo, expressam mesma postura ideológica, momento em que se dá uma trégua na rivalidade entre os dois.
UFSC2016Prova 1Questao 7PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
Quanto à linguagem apresentada nas obras literárias mencionadas nas proposições abaixo, é CORRETO afirmar que:
  1. 01)Franklin Cascaes utiliza, como recurso estilístico, em falas de personagens de seus contos, uma linguagem típica de descendentes de açorianos residentes na Ilha de Santa Catarina.
  2. 02)Aluísio Azevedo, em O cortiço, apresenta um Rio de Janeiro povoado por camadas sociais, diferenciadas, no texto, entre outras características, por seus respectivos falares.
  3. 04)os autores de Poesia marginal, reverberando ideias contestadoras presentes na década de 1970, registram traços de uma linguagem inovadora, perpassada de oralidade, com tom humorístico e crítico.
  4. 08)no relato do narrador de A majestade do Xingu, podemos perceber a facilidade e a rapidez com que os imigrantes russos assimilaram a língua portuguesa pela semelhança morfossintática entre o idioma de sua terra natal e o do Brasil.
  5. 16)na coletânea Além do ponto e outros contos, Caio Fernando Abreu emprega um uso vocabular bastante conservador em relação a seus contemporâneos.
  6. 32)os narradores de Várias histórias, livro de Machado de Assis, fazem uso da primeira pessoa para apresentarem seus relatos, recurso estilístico idêntico ao utilizado pelo narrador de A majestade do Xingu, romance de Moacyr Scliar.
  7. 64)em O cortiço, de Aluísio Azevedo, há predomínio de linguagem popular e de baixo calão, na fala de personagens comuns, em cenas de quiproquós, como na dramaturgia de Ariano Suassuna em O santo e a porca.
UFSC2016Prova 1Questao 8PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
Quanto à presença de temas de julgamento moral e/ou de vigilância da moralidade no contexto das obras citadas nas proposições abaixo, é CORRETO afirmar que:
  1. 01)no conto de Caio Fernando Abreu Aqueles dois – história aparente de mediocridade e repressão, dois funcionários de uma repartição, por meio de cartas anônimas, são acusados de manterem “relação anormal e ostensiva”, fruto de “comportamento doentio”, o que denota uma forma de preconceito de gênero.
  2. 02)o personagem Camilo, de A cartomante, conto de Machado de Assis, recebe cartas anônimas em que é acusado de “imoral e pérfido” por manter um relacionamento amoroso com uma mulher casada.
  3. 04)Olímpico, personagem de A hora da estrela, é acusado por Macabéa de ser assassino, de roubar companheiros de trabalho e, ao namorar Glória, de praticar um tipo de alpinismo social.
  4. 08)na peça O santo e a porca, de Ariano Suassuna, os casamentos entre os personagens são arranjados com base no medo de as personagens femininas “ficarem faladas”, uma vez que teriam violado os hábitos de uma “casa de respeito”.
  5. 16)no livro O fantástico na Ilha de Santa Catarina, de Franklin Cascaes, algumas bruxas sofriam repressão da própria congregação bruxólica por terem se convertido em esponsais de Deus.
UFSC2016Prova 1Questao 12PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
Acerca da peça O santo e a porca, de Ariano Suassuna, é CORRETO afirmar que:
  1. 01)o personagem Pinhão, representado como um tipo comum do interior do Nordeste brasileiro, mostra-se moldado pela sabedoria popular ao resumir situações por meio de ditados.
  2. 02)a personagem Caroba é caracterizada como uma figura feminina tipicamente submissa ao jugo masculino, o que bem representa os efeitos de uma cultura machista.
  3. 04)o bordão pronunciado por Euricão Engole-Cobra – “Ai a crise, ai a carestia!” – reforça a característica cômica desse personagem avarento.
  4. 08)a comédia de Ariano Suassuna pretende denunciar o caráter dos sovinas como algo ridículo e, por meio do riso, educar moralmente o público.
  5. 16)Santo Antônio é evocado como protetor dos pobres, como aquele que ajuda a encontrar os objetos perdidos, mas, sobretudo, como interventor direto das uniões matrimoniais, ao final da peça.
  6. 32)o personagem Euricão Engole-Cobra acaba solitário e pobre ao final da peça porque essa seria a justiça poética do destino contra a presença dos imigrantes árabes na Região Nordeste.
Resolver as 11 questões de graça

Veja todas as questões de Português do UFSC.

Treine direto nas questões reais

No Presarium Vestibulares, você resolve essas questões com correção na hora, comentário e um painel que cruza a incidência com o seu desempenho — e monta sua lista de prioridade automaticamente.

Começar de graça

10 questões por dia, sem cartão de crédito.