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UFSC2026Prova 1Questao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Ana Maria Gonçalves faz história e é eleita a primeira mulher negra na Academia Brasileira de Letras
Por André Bernardo (10/07/2025 – Estadão)
01 Oitenta anos. Esse foi o tempo que a Academia Brasileira de Letras levou, desde a sua
02 fundação, em 20 de julho de 1897, para eleger a primeira mulher. A escolhida foi a jornalista e escritora
03 cearense Rachel de Queiroz no dia 4 de agosto de 1977.
04 Quarenta e oito anos depois, em 10 de julho de 2025, a ABL elegeu a primeira mulher negra: a
05 escritora, dramaturga e roteirista mineira Ana Maria Gonçalves. A autora de Ao lado e à margem do
06 que sentes por mim (Independente, 2002) e Um defeito de cor (Record, 2006) disputou a vaga com
07 outros 13 candidatos: dez homens e três mulheres. Ela recebeu 30 dos 31 votos de acadêmicos.
08 “Além de ser um motivo para comemorar, é também um motivo para nós começarmos a pensar
09 o que significam esses primeiros, esses únicos. Numa sociedade brasileira onde as mulheres negras
10 são a maioria do estrato social, por que só agora?”, refletiu Ana Maria.
11 O que representa para a literatura brasileira ter uma escritora negra na ABL?
12 “Sempre digo que, para uma escritora negra, reparação é ser reconhecida e exaltada em vida.
13 Logo, ter uma de nós ocupando uma cadeira da ABL é de extrema importância, pois reforça a
14 necessidade de olhar para a produção intelectual e o resgate da memória de quem sempre esteve na
15 base desse País”, afirma a poeta e compositora Mel Duarte.
16 O que representa para a literatura brasileira ter uma escritora negra na ABL? “Prefiro alterar a
17 pergunta: o que representa para a ABL a eleição de uma escritora negra?”, responde Vanessa Ribeiro
18 Teixeira, doutora em Letras pela UFRJ.
19 “No momento presente, reduz-se a distância entre a produção literária do nosso tempo e a
20 casa institucional que deveria contemplá-la. Numa perspectiva histórica, reconhece-se, finalmente, o
21 lugar de destaque devido à escrita de mulheres negras, herdeiras de Maria Firmina dos Reis,
22 considerada a primeira romancista negra não só do Brasil, mas da América Latina”, afirma Teixeira,
23 referindo-se à autora do romance Úrsula (1853).
24 Conceição Evaristo também já concorreu
25 Não foi a primeira vez que uma escritora negra concorreu a uma vaga na ABL. No dia 30 de
26 agosto de 2018, a escritora mineira Conceição Evaristo tentou se eleger, mas não conseguiu. Evaristo
27 obteve um único voto.
28 De nada adiantaram, entre outras iniciativas populares, a campanha no antigo Twitter usando a
29 hashtag #ConceiçãoEvaristonaABL e uma petição online com 40 mil assinaturas.
30 “Minha personalidade é rancorosa demais para perdoar o que fizeram: é como se tivessem
31 rejeitado a minha avó. Mesmo depois da eleição do Gil, meu coração não se acalmou”, admite a
32 jornalista e escritora Ana Paula Lisboa.
33 ‘Não é cota’
34 “A eleição de Ana Maria Gonçalves não é cota, muito menos favor. É um lugar digno de uma
35 escritora que tem um dos livros mais importantes da literatura brasileira”, prossegue a autora. “A ABL
36 precisa mais da Ana Maria Gonçalves do que a Ana Maria Gonçalves precisa da ABL.”
37 “Setores majoritários da ABL podem tentar se manter alheios aos grandes debates que clamam
38 por transformações sociais, mas seria de bom alvitre nos responder: por que Ana Maria Gonçalves,
39 provavelmente, foi convidada, e a candidatura de Conceição Evaristo foi rechaçada? Por que Gilberto
40 Gil pode ser membro da ABL e Martinho da Vila, não? Merecemos respostas”, pondera a escritora
41 Cidinha da Silva.
42 A trajetória de Ana Maria Gonçalves
43 “Não queremos que a eleição da Ana Maria Gonçalves seja um ‘cala-boca racializado’.
44 Queremos mais escritoras negras naquele espaço de notoriedade positiva e em todos os outros, não
45 apenas uma”, enfatiza Cidinha da Silva. “Representatividade é importante, porque, quando vejo uma
46 pessoa igual a mim em lugares de poder, de comando, de status sociopolítico e cultural reconhecido e
47 valorizado, penso que eu e pessoas parecidas comigo também podem ocupar e desfrutar desses
48 espaços”, prossegue.
49 “A trajetória literária e social de Ana Maria Gonçalves como mulher negra e escritora entrelaça
50 dois marcadores sociais que, historicamente, se converteram em tabus para a ABL: o gênero e a raça,
51 evitados, tanto quanto possível, sob a justificativa de que a instituição seria um espaço neutro e
52 refratário a ditos ‘proselitismos’”, afirma Michele Asmar Fanini, doutora em Sociologia pela USP e
53 autora da tese Fardos e fardões – Mulheres na Academia Brasileira de Letras.
54 A jornalista, escritora e roteirista Eliana Alves Cruz concorda. “Ter uma autora negra ali não é
55 nada. Meu medo é que a instituição passe o ferrolho para outras autoras negras depois que a Ana
56 Maria Gonçalves entrar. Não podemos esquecer que o B de ABL é de Brasil”, avisa a autora de Água
57 de barrela (Malê, 2018), O crime do Cais do Valongo (Malê, 2018) e Solitária (Companhia das Letras,
58 2022).
59 “Quanto mais plural, melhor”, acrescenta Eliana Alves Cruz. “É espantoso que, em 2025, ainda
60 tenhamos uma instituição tão majoritariamente branca e masculina. Falta muita gente ali. Por que não
61 preencher aquelas cadeiras com outras formas de pensar, de narrar, de falar? Seria bonito se a gente
62 tivesse o Brasil representado na ABL”, finaliza.
Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/ana-maria-goncalves-faz-historia-e-e-eleita-a-primeira-mulher-negra-na-academia-brasileira-de-
letras. [Adaptado].
Com base no texto 1, é correto afirmar que:
01)a ABL levou 48 anos, desde a sua fundação, para eleger a primeira mulher negra.
02)Ana Maria Gonçalves problematiza o significado do pioneirismo e o peso da representatividade negra.
04)em “A eleição de Ana Maria Gonçalves não é cota, muito menos favor” (linha 34), defende-se a necessidade de que seja pensado um sistema de cotas para a ABL.
08)o texto tem caráter expositivo-argumentativo e expressa posicionamentos por meio dos recortes de fala apresentados.
16)Mel Duarte (linhas 11-15) sente-se representada pela condição autoral e racial de Ana Maria Gonçalves.
32)a socióloga Michele Fanini afirma que a Academia Brasileira de Letras é um espaço neutro no debate sobre raça e gênero.
64)a expressão “passe o ferrolho” (linha 55) significa ‘a ABL se fechar para escolhas futuras de outras autoras negras’.
UFSC2026Prova 1Questao 2PortuguêsGramática e Norma CultaDificil
Ana Maria Gonçalves faz história e é eleita a primeira mulher negra na Academia Brasileira de Letras
Por André Bernardo (10/07/2025 – Estadão)
01 Oitenta anos. Esse foi o tempo que a Academia Brasileira de Letras levou, desde a sua
02 fundação, em 20 de julho de 1897, para eleger a primeira mulher. A escolhida foi a jornalista e escritora
03 cearense Rachel de Queiroz no dia 4 de agosto de 1977.
04 Quarenta e oito anos depois, em 10 de julho de 2025, a ABL elegeu a primeira mulher negra: a
05 escritora, dramaturga e roteirista mineira Ana Maria Gonçalves. A autora de Ao lado e à margem do
06 que sentes por mim (Independente, 2002) e Um defeito de cor (Record, 2006) disputou a vaga com
07 outros 13 candidatos: dez homens e três mulheres. Ela recebeu 30 dos 31 votos de acadêmicos.
08 “Além de ser um motivo para comemorar, é também um motivo para nós começarmos a pensar
09 o que significam esses primeiros, esses únicos. Numa sociedade brasileira onde as mulheres negras
10 são a maioria do estrato social, por que só agora?”, refletiu Ana Maria.
11 O que representa para a literatura brasileira ter uma escritora negra na ABL?
12 “Sempre digo que, para uma escritora negra, reparação é ser reconhecida e exaltada em vida.
13 Logo, ter uma de nós ocupando uma cadeira da ABL é de extrema importância, pois reforça a
14 necessidade de olhar para a produção intelectual e o resgate da memória de quem sempre esteve na
15 base desse País”, afirma a poeta e compositora Mel Duarte.
16 O que representa para a literatura brasileira ter uma escritora negra na ABL? “Prefiro alterar a
17 pergunta: o que representa para a ABL a eleição de uma escritora negra?”, responde Vanessa Ribeiro
18 Teixeira, doutora em Letras pela UFRJ.
19 “No momento presente, reduz-se a distância entre a produção literária do nosso tempo e a
20 casa institucional que deveria contemplá-la. Numa perspectiva histórica, reconhece-se, finalmente, o
21 lugar de destaque devido à escrita de mulheres negras, herdeiras de Maria Firmina dos Reis,
22 considerada a primeira romancista negra não só do Brasil, mas da América Latina”, afirma Teixeira,
23 referindo-se à autora do romance Úrsula (1853).
24 Conceição Evaristo também já concorreu
25 Não foi a primeira vez que uma escritora negra concorreu a uma vaga na ABL. No dia 30 de
26 agosto de 2018, a escritora mineira Conceição Evaristo tentou se eleger, mas não conseguiu. Evaristo
27 obteve um único voto.
28 De nada adiantaram, entre outras iniciativas populares, a campanha no antigo Twitter usando a
29 hashtag #ConceiçãoEvaristonaABL e uma petição online com 40 mil assinaturas.
30 “Minha personalidade é rancorosa demais para perdoar o que fizeram: é como se tivessem
31 rejeitado a minha avó. Mesmo depois da eleição do Gil, meu coração não se acalmou”, admite a
32 jornalista e escritora Ana Paula Lisboa.
33 ‘Não é cota’
34 “A eleição de Ana Maria Gonçalves não é cota, muito menos favor. É um lugar digno de uma
35 escritora que tem um dos livros mais importantes da literatura brasileira”, prossegue a autora. “A ABL
36 precisa mais da Ana Maria Gonçalves do que a Ana Maria Gonçalves precisa da ABL.”
37 “Setores majoritários da ABL podem tentar se manter alheios aos grandes debates que clamam
38 por transformações sociais, mas seria de bom alvitre nos responder: por que Ana Maria Gonçalves,
39 provavelmente, foi convidada, e a candidatura de Conceição Evaristo foi rechaçada? Por que Gilberto
40 Gil pode ser membro da ABL e Martinho da Vila, não? Merecemos respostas”, pondera a escritora
41 Cidinha da Silva.
42 A trajetória de Ana Maria Gonçalves
43 “Não queremos que a eleição da Ana Maria Gonçalves seja um ‘cala-boca racializado’.
44 Queremos mais escritoras negras naquele espaço de notoriedade positiva e em todos os outros, não
45 apenas uma”, enfatiza Cidinha da Silva. “Representatividade é importante, porque, quando vejo uma
46 pessoa igual a mim em lugares de poder, de comando, de status sociopolítico e cultural reconhecido e
47 valorizado, penso que eu e pessoas parecidas comigo também podem ocupar e desfrutar desses
48 espaços”, prossegue.
49 “A trajetória literária e social de Ana Maria Gonçalves como mulher negra e escritora entrelaça
50 dois marcadores sociais que, historicamente, se converteram em tabus para a ABL: o gênero e a raça,
51 evitados, tanto quanto possível, sob a justificativa de que a instituição seria um espaço neutro e
52 refratário a ditos ‘proselitismos’”, afirma Michele Asmar Fanini, doutora em Sociologia pela USP e
53 autora da tese Fardos e fardões – Mulheres na Academia Brasileira de Letras.
54 A jornalista, escritora e roteirista Eliana Alves Cruz concorda. “Ter uma autora negra ali não é
55 nada. Meu medo é que a instituição passe o ferrolho para outras autoras negras depois que a Ana
56 Maria Gonçalves entrar. Não podemos esquecer que o B de ABL é de Brasil”, avisa a autora de Água
57 de barrela (Malê, 2018), O crime do Cais do Valongo (Malê, 2018) e Solitária (Companhia das Letras,
58 2022).
59 “Quanto mais plural, melhor”, acrescenta Eliana Alves Cruz. “É espantoso que, em 2025, ainda
60 tenhamos uma instituição tão majoritariamente branca e masculina. Falta muita gente ali. Por que não
61 preencher aquelas cadeiras com outras formas de pensar, de narrar, de falar? Seria bonito se a gente
62 tivesse o Brasil representado na ABL”, finaliza.
Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/literatura/ana-maria-goncalves-faz-historia-e-e-eleita-a-primeira-mulher-negra-na-academia-brasileira-de-
letras. [Adaptado].
Com base no texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
01)as aspas duplas empregadas no texto estão demarcando trechos de discurso direto.
02)no título da matéria, o tempo presente nas formas verbais “faz” e “é” é empregado como um recurso para marcar que os eventos estão em curso no momento da narrativa.
04)as formas verbais “admite” (linha 31), “pondera” (linha 40), “enfatiza” (linha 45) e “avisa” (linha 56) atuam como verbos que introduzem e/ou comentam as falas citadas.
08)os dois-pontos (linhas 07 e 38) exercem a mesma função: a de introduzir um novo referente.
16)a ocorrência de crase (linha 23) resulta de regência verbal.
32)na forma verbal “contemplá-la” (linha 20), o pronome posposto ao verbo está se referindo à expressão “a casa institucional” (linhas 19 e 20).
64)a expressão “o que fizeram” (linha 30) refere-se à campanha para que Conceição Evaristo fosse eleita para a Academia Brasileira de Letras.
Solitária
Fragmento 1
Cozinha
01 Hoje penso por quantos séculos uma mulher mais velha como minha mãe teve que consolar outra mais
02 nova por prantos parecidos e naquele mesmo espaço, a cozinha, dizendo aquelas mesmas palavras.
03 – Você não teve culpa. Calma, minha criança. Calma, minha menina...
04 Ela sabia que as crianças como eu – como ela foi e, antes dela, a sua mãe, e a mãe de sua mãe até a
05 minha décima avó – não entendiam muito bem o que era isso de ser criança. A gente sempre foi
06 miniatura de adulto. Irene era mais uma na lista. (p. 26)
Fragmento 2
Área de serviço
07 Hoje fico com pena do sacrifício que era se tornar invisível. Além dos espaços apertados que
08 ocupávamos, o silêncio era um companheiro. Era preciso estar presente sem estar. Uma boa serviçal é
09 silenciosa, e a criança que é a filha dessa mulher também deve ser. Ela não pode rir como uma
10 criança, não pode pular ou fazer travessuras como uma criança. Ela não é uma criança. É um
11 incômodo, alguém apenas tolerado [...]
12 No final eles [Mabel e Cacau] já estavam acostumados. Já tinham o “dom da invisibilidade”. Já sabiam
13 como estar sem deixar ninguém se aperceber de que estavam. (p. 97)
CRUZ, Eliana Alves. Solitária. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.
Com base nos fragmentos do texto 2, na leitura integral de Solitária, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
01)os fragmentos 1 e 2 de Solitária têm em comum a reflexão sobre a infância precarizada decorrente de uma condição social desfavorecida.
02)o termo “Hoje”, nos dois fragmentos, presentifica os momentos em que Mabel e Eunice, cada uma a seu tempo, narram a história.
04)a novela é marcada pelo realismo contemporâneo, uma vez que a história de Eunice se repete do início ao fim na pele de Mabel.
08)na expressão “estar presente sem estar” (linha 08) há um paradoxo que compromete o sentido da narrativa das memórias de Eunice.
16)o uso recorrente do advérbio “já” (linha 12) reforça que as habilidades descritas estavam desenvolvidas nas crianças no momento da narrativa.
32)a obra tematiza a relação interseccional entre classe, raça e gênero.
UFSC2026Prova 1Questao 4PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Silêncio
01 Língua das coisas 15 Toda fala nasce com a cicatriz do silêncio,
16 que foi quebrado
02 Mas também: língua de se falar
03 com as coisas 17 Não há palavra que não seja marcada pelo silêncio
04 e com as próprias palavras 18 como camisas que secaram
19 presas ao varal
05 O nome das coisas
06 quando não falamos delas 20 Por outro lado, frequentemente o silêncio
21 vem manchado por uma palavra
07 Único modo que têm os mortos 22 como um espelho sujo
08 de cantar
23 A forma mais próxima do silêncio é o círculo: 09 O que há entre uma xícara e outra xícara
24 forma geométrica da espera
10 entre uma pedra e uma rosa
11 entre Vênus e uma cadeira 25 O rastro que deixou
26 o animal que não passou
12 O modo como soa
13 uma palavra 27 É este o meu nome
14 riscada 28 quando não me chamas
MARQUES, Ana Martins. Risque esta palavra. São Paulo: Companhia das Letras, 2021. p. 61-62.
Com base no texto 3 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
01)nos dois últimos versos, a autora utiliza a ordem direta na construção da frase, de modo a evitar a ambiguidade.
02)o eu lírico faz uma comparação entre as marcas do silêncio sobre as palavras e as marcas deixadas em camisas presas no varal.
04)a expressão “Por outro lado” (verso 20) é utilizada para contrastar duas afirmações sobre a relação entre o silêncio e a palavra.
08)em “Toda fala nasce com a cicatriz do silêncio, / que foi quebrado” (versos 15 e 16), a vírgula marca a introdução de uma oração restritiva sobre o silêncio e o que a fala causou.
16)o poema traz uma série de definições de “silêncio”, como “língua das coisas” (verso 01) e “O nome das coisas / quando não falamos delas” (versos 05 e 06).
UFSC2026Prova 1Questao 5PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Laerte Poeminho do Contra
Mario Quintana
Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!
QUINTANA, Mario. Poeminho do Contra. In: Poemas
para ler na escola. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.
Disponível em: www.laerte.art.br.
Com base nos textos 4 e 5 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
01)o texto 4 estabelece uma relação de intertextualidade com o texto 5.
02)ambos exploram o tema da liberdade e resiliência diante dos obstáculos da vida.
04)o terceiro verso do poema estabelece um jogo de palavras que permite um duplo sentido entre o grau aumentativo de “pássaro” e o verbo “passar” conjugado no futuro do presente do modo indicativo.
08)a oposição entre “passarão” e “passarinho” (textos 4 e 5) aponta para o fato de os problemas referentes a “Eles” serem grandiosos; e os referentes ao eu lírico, pequenos.
16)o texto 5 mantém uma relação de intratextualidade com o texto 4.
Texto 6
01 – Camaradas! Não podemos ficar quietas no
02 meio dessa luta! Devemos estar ao lado dos
03 nossos companheiros na rua, como estamos
04 quando trabalhamos na fábrica. Temos que lutar
05 juntos contra a burguesia que tira a nossa saúde e
06 nos transforma em trapos humanos! Tiram do
07 nosso seio a última gota de leite que pertence a
08 nossos filhinhos para viver no champanhe e no
09 parasitismo! Nós, à noite, nem força temos para
10 acalentar nossas crianças, que ficam sozinhas e
11 largadas o dia inteiro, ou fechadas em quartos
12 imundos, sem ter quem olhe para elas. Não
13 devemos esquecer a greve com nossos lamentos!
14 Estamos com o pagamento atrasado e chegamos
15 até a passar fome, enquanto nossos patrões que
16 nada fazem vivem no luxo e mandam a polícia nos
17 atacar! Mas não será por isso que haveremos de
18 ser escravas a vida inteira!
GALVÃO, Patrícia [Pagu]. Parque industrial. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p. 81.
Texto 7 — meme (ver imagem)
Com base nos textos 6 e 7, na leitura integral de Parque industrial, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
01)o subtítulo “Romance proletário”, de Parque industrial, foi uma escolha linguística de Pagu para enfatizar a sua condição social pertencente a uma família de operários.
02)o meme (texto 7) ironiza a expressão “luta de classes” ao propor um sentido denotativo para uma luta entre patrão e empregado.
04)no texto 6, a preposição “até” (linha 15) combinada com a forma verbal “chegamos” (linha 14) indica o limite que a situação descrita atingiu.
08)se infere do meme (texto 7) que o tema da luta de classes, posto em Parque industrial, permanece atual.
16)Parque industrial narra em estilo modernista o cotidiano de cinco operárias que, com a força do trabalho, superam a pobreza.
32)no texto 6, a ordem em que as formas verbais “podemos” (linha 01), “devemos” (linha 02) e “temos que” (linha 04) são empregadas marca a progressão da força argumentativa na convocação das mulheres para a luta.
64)em Parque industrial, a narrativa é apresentada de forma linear e contínua, o que é típico da escrita de romances.
CAMPOS, Alvaro; BRAGA, Alê; DIAZ, Jean. O outro lado da bola. Rio de Janeiro: Record, 2018. p. 30.
Com base no texto 8, na leitura integral de O outro lado da bola, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
01)Augusto Xavier Brandão foi professor de Cris no curso de arquitetura, época em que se conheceram.
02)esta passagem é chave para o desenvolvimento do enredo, pois nela o jogador Cris, sem revelar sua homossexualidade, denuncia a violência sofrida por seu namorado.
04)no quadro 2, Cris descreve a pouca importância dada pelo jornal ao noticiar a morte de Xavier, motivada por homofobia.
08)essa graphic novel trabalha com a representação de identidades não hegemônicas.
16)o texto rompe com a linearidade e apresenta histórias paralelas, flashbacks e digressões.
32)a forma verbal “conseguisse” (quadro 3) é empregada por Cris para expressar dúvida em relação à validade dos ensinamentos de Augusto durante suas aulas.
01 Qual seria a religião de Madalena? Talvez nenhuma. Nunca me havia tratado disso.
02 – Monstruosidade.
03 E repeti baixinho, lentamente e sem convicção.
04 – Monstruosidade!
05 Materialista. Lembrei-me de ter ouvido Costa Brito falar em materialismo histórico. Que
06 significava materialismo histórico?
07 A verdade é que não me preocupo muito com o outro mundo. Admito Deus, pagador celeste
08 dos meus trabalhadores, mal remunerados cá na terra, e admito o Diabo, futuro carrasco do ladrão
09 que me furtou uma vaca de raça. Tenho portanto um pouco de religião, embora julgue que, em parte
10 ela é dispensável num homem. Mas mulher sem religião é horrível.
11 Comunista, materialista. Bonito casamento! Amizade com o Padilha, aquele imbecil. “Palestras
12 amenas e variadas.” Que haveria nas palestras? Reformas sociais, ou coisa pior. Sei lá! Mulher sem
13 religião é capaz de tudo.
RAMOS, Graciliano. S. Bernardo. Rio de Janeiro: Record,1991. p. 131.
Com base no texto 9, na leitura integral de S. Bernardo, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
01)Paulo Honório, o narrador, representa o capitalista insensível, cujas ações visam a conquistar e a manter a posse da fazenda S. Bernardo.
02)os elementos tradicionais do cristianismo respaldam a retidão de Paulo Honório.
04)a crítica à falta de religiosidade da mulher deve-se ao ciúme do protagonista e à desconfiança de adultério.
08)o narrador-personagem Paulo Honório é militante do materialismo histórico.
16)os ciúmes e as diferenças entre Paulo Honório e Madalena resultam na separação do casal, algo considerado imoral à época.
32)as expressões sublinhadas “baixinho, lentamente e sem convicção” (linha 03) denotam ideia de intensidade, velocidade e modo, respectivamente.
64)no último parágrafo, as reflexões fragmentadas do narrador são todas construídas em frases nominais.
01 CAPÍTULO 136 / INUTlLIDADE
02 Mas ou muito me engano, ou acabo de escrever um capítulo inútil.
03 CAPÍTULO 137 / A BARRETINA
04 E daí, não; ele resume as reflexões que fiz no dia seguinte ao Quincas Borba,
05 acrescentando que me sentia acabrunhado, e mil outras coisas tristes. Mas esse filósofo, com o
06 elevado tino de que dispunha, bradou-me que eu ia escorregando na ladeira fatal da melancolia. [...]
07 Vê-se nas menores coisas o que vale a autoridade de um grande filósofo. As palavras do
08 Quincas Borba tiveram o condão de sacudir o torpor moral e mental em que andava. Vamos lá;
09 façamo-nos governo, é tempo. Eu não havia intervindo até então nos grandes debates. Cortejava a
10 pasta por meio de rapapés, chás, comissões de votos; e a pasta não vinha. Urgia apoderar-me da
11 tribuna.
12 Comecei devagar. Três dias depois, discutindo-se o orçamento da Justiça, aproveitei o
13 ensejo para perguntar modestamente ao ministro se não julgava útil diminuir a barretina da Guarda
14 Nacional. Não tinha vasto alcance o objeto da pergunta; mas ainda assim demonstrei que não era
15 indigno das cogitações de um homem de Estado [...].
ASSIS, Machado de. Memórias póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Carambaia, 2018. p. 310-311.
Glossário
barretina: cobertura de cabeça militar cilíndrica e alta.
rapapés: cortesias exageradas; bajulações.
Com base no texto 10, na leitura integral de Memórias póstumas de Brás Cubas e S. Bernardo, no contexto sócio-histórico e literário das obras e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
01)o capítulo “Inutilidade” exemplifica como Brás Cubas, de Machado de Assis, reflete sobre a escrita, assim como Paulo Honório, de Graciliano Ramos.
02)na política, Brás Cubas demonstra preocupação com assuntos úteis para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira, como a diminuição da barretina da Guarda Nacional.
04)em “Eu não havia intervindo até então nos grandes debates” (linha 09), a locução verbal descreve uma situação em curso no momento da narrativa.
08)o personagem Quincas Borba é amigo de Brás Cubas e criador da filosofia do Humanitismo.
16)ao dizer “façamo-nos governo” (linha 09), Brás expressa um desejo que se realiza, uma vez que ele se torna ministro de Estado.
32)o pronome “ele” (linha 04) retoma o referente “Quincas Borba”, que tinha conversas filosóficas com o narrador, Brás Cubas.
64)Memórias póstumas de Brás Cubas é considerado pioneiro da estética realista no Brasil, embora seja narrado por um “defunto autor”, o que é impossível na realidade.
UFSC2026Prova 1Questao 10PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Disponível em: https://www.instagram.com/hqturmab.
Com base no texto 11 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
01)o humor da tira está no fato de a estudante seguir o conselho ao mesmo tempo em que o questiona.
02)o uso do “por quê” separado é justificado por marcar um questionamento; e o acento, pela tonicidade da palavra “que”.
04)a forma verbal no imperativo está sendo empregada no singular para direcionar o conselho à estudante.
08)o uso de uma construção condicional no primeiro quadro reforça a carga impositiva do enunciado no segundo quadro.
16)a aproximação do foco na menina do primeiro para o segundo e o terceiro quadros marca seu protagonismo crescente na história.
32)a representação imagética do enunciador está explícita no quadro 1.
UFSC2026Prova 1Questao 11PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Dificil
O personagem [O homem amarelo, 1915] foi
representado por Anita meio desajeitado na tela,
como se estivesse mal acomodado em um assento
que parece ser uma cadeira. No seu espaço limitado,
ele tem as duas mãos eliminadas pelo
enquadramento. Seu corpo está inclinado para a sua
direita, enquanto a cabeça reclina-se levemente para
a esquerda. Seus braços mostram-se arqueados. A
postura de seu corpo deixa à vista sua tensão. Ele se
mostra oprimido.
A ansiedade do homem pode ser sentida através
de sua expressão tensa e de seus olhos que
observam acima do ombro direito. Seu rosto, voltado
para a direita, deixa à vista apenas uma pequenina
parte da orelha do mesmo lado.
As vestes do homem amarelo também revelam a
sua apreensão. Seu paletó está desalinhado, com a
lapela direita quase encostando em seu rosto. A
gravata faz uma ligeira curva para a direita, sobre
sua camisa branca manchada que indica estar suja.
Disponível em: https://arteeartistas.com.br/o-homem-amarelo-anita-malfatti. Disponível em: https://marcaspelomundo.com.br/anunciantes/vmlyr-e- [Adaptado].
galeria-viva-lancam-a-plataforma-pocket-gallery.
Com base nos textos 12 e 13 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
01)o texto 12 expõe a obra O homem amarelo, descrevendo-a; já o texto 13 contém opiniões valorativas sobre a circulação do quadro.
02)os textos 12 e 13 são exemplares de gêneros textuais/discursivos diferentes, porém apresentam a mesma temática e os mesmos propósitos.
04)o efeito de humor do texto 13 está na transposição de uma referência histórica do Modernismo para uma conversa em rede social.
08)no texto 13, o pronome (D)“isso” tem referência anafórica, retomando a imagem do quadro.
16)o uso de emojis por Anita Malfatti se deve à inexistência de palavras para exprimir o mesmo conteúdo.
32)os emojis correspondem a uma língua, pois têm gramática e, como em qualquer língua natural, podem ser combinados de forma infinita e estável para gerar diferentes significados.
A fogueira
01 RUBRAS as chamas balouçam, fagulhas explodem, batida pela aragem a negra fumaça se eleva,
02 lambe folhas de arbustos, pessoas assustadas recuam, olhares pasmos diante do que ocorre.
03 Centenas de livros dos mais variados gêneros e procedências, tendências e colorações continuam
04 chegando, são atirados à fogueira. Ainda se pode entrever: lado a lado ali estão, folhas se
05 confundindo-consumindo, O capital de Karl Marx e A capital do Eça de Queirós, O vermelho e o
06 negro de Stendhal e Seara vermelha do Jorge Amado, O alienista de Machado de Assis e Memórias
07 do cárcere do Graciliano Ramos, O príncipe de Maquiavel e Pinocchio do Collodi, todos sem dúvida
08 subversivos. [...] Será mesmo que os infelizes acreditavam que a força do fogo seria suficiente para
09 extirpar a força das ideias? Em nenhum momento, em nenhum deles terá perpassado a sombra de
10 uma frase de Galileu, eppur si muove (e, no entanto, se move)? Mas no caso presente a mais correta
11 interpretação sobre o significado de tudo aquilo podia ser sintetizada nas poucas palavras do padre
12 Braun, do Colégio Catarinense, que não tinha como ser tachado de comunista, esquerdista,
13 subversivo, ateu etc., ao declarar na manhã seguinte, quando se deparou com o monte de cinzas:
14 “Meu Deus do céu, será que estou voltando à Alemanha de Hitler?”.
MIGUEL, Salim. Primeiro de abril: narrativas da cadeia. Florianópolis: EdUFSC, 2025. p. 47-52.
Com base no texto 14, na leitura integral de Primeiro de abril: narrativas da cadeia, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
01)a locução verbal “estou voltando” (linha 14) indica que o padre Braun esteve na Alemanha durante o período do governo de Hitler.
02)o termo “infelizes” (linha 08) está substantivado no texto.
04)a referência à frase de Galileu (linha 10) “eppur si muove (e, no entanto, se move)” marca que a queima de livros não mudará ideias.
08)“folhas se confundindo-consumindo” (linhas 04-05) está no sentido figurado para remeter à mistura de folhas de livros vistos como subversivos com livros sem tal conotação.
16)“RUBRAS”, no início da frase (linha 01), indica a cor das chamas que balouçam.
32)o episódio da queima de livros relatado na obra foi seguido pela prisão do escritor Salim Miguel.
64)a referência ao “Colégio Catarinense” (linha 12) localiza o evento em Santa Catarina, onde ocorreram ações repressivas da ditadura militar para além da queima de livros, como censura, controle policial e prisões.
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