Literatura contemporânea · UFSC

Literatura contemporânea: questões do UFSC

10 questões de Literatura contemporânea (Português) no UFSC (2017–2025). Treine de graça com correção e comentário.

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Questões de Literatura contemporânea no UFSC

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UFSC2025Prova 1Questao 6PortuguêsLiteratura contemporâneaMedia
Com base no texto 6, na leitura integral de Torto arado, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
  1. 01)das irmãs Belonísia e Bibiana, apenas esta seguiu seus estudos e se tornou professora, por isso o primeiro capítulo da obra, narrado por ela, é escrito em linguagem culta, enquanto o segundo capítulo, narrado por Belonísia, faz uso de linguagem coloquial e rompe com a normatividade gramatical.
  2. 02)o excerto retrata a relação de amor e ódio que Belonísia nutre pelo arado, por ser o instrumento responsável pelo preparo da terra para o plantio, mas também o culpado pela perda de sua língua.
  3. 04)a passagem “Era um arado torto, deformado, que penetrava a terra de tal forma a deixá-la infértil, destruída, dilacerada” (linhas 08 e 09) é uma metáfora para falar da língua cortada, que não consegue produzir os fonemas corretamente.
  4. 08)o fragmento é narrado no presente acerca de um acontecimento passado.
UFSC2023Prova 1Questao 8PortuguêsLiteratura contemporâneaDificil
Texto 8 (Chico Buarque, Fazenda Modelo) [Fragmento 1] No caso da greve, por exemplo, vou contar. Os fulanos, não digo quem, três fulanos que vivem cochichando no portão da fábrica vieram cochichar comigo. Não digo os nomes porque agora mudou tudo, vocês sabem, greve dá complicação, não existe mais. Mas os homens achavam importante eu aderir, por isso e por aquilo, por eu ser um sujeito sensato, uma espécie de modelo, disseram. Eles queriam reivindicar uma série de coisas, talvez até justas, coisas que iam das condições de trabalho até os problemas de esgoto, só acontece é que não tenho tempo de mexer com política. É uma questão de consciência, diziam, consciência de classe. Pois eu sou bem consciente, organizei uma casa e sete filhos. Aí os fulanos fizeram ironia comigo, dizendo que classe operária não era só a minha família. Mas eu também saí do nada e em vez de me meter com sociologias aprendi meu ofício, aprendi mais que um simples ofício, hoje sou operário qualificado e tenho mulher doente em casa, vou voltar para casa, enfeitar minha casa, cuidar da vida. [Fragmento 2] Pois esses auroques viviam por aqui, andavam nus e sem se incomodar com os vírus da Jungla. Andavam em tribos, selvagens e arredios mas logo afáveis, querendo ajudar nos trabalhos para imitar boi civilizado. Querendo imitar os costumes civilizados, aprenderam a beber, tragar, tossir e se enrabar, gostaram de se vestir e apodreceram junto com a roupa. Foram enterrados de gravata, à beira da estrada que não chegaram a usufruir. Os auroques. Quando se pensa nessas misérias tudo mais parece tão mesquinho que Juvenal, o Bom Boi, silenciou. [...] Aí Juvenal perdeu a cabeça e disse uma verdade. Disse que naquela fazenda, crimes, sumiços e barbaridades sempre houve e ninguém nunca se importou com isso. Agora as vaquinhas estão chocadas porque pode acontecer a seus filhos o que antes só acontecia ao filho da empregada. — Bruto assassino! — Assassino cínico! Com base no texto 8 e na leitura integral de Fazenda Modelo, publicada originalmente em 1974, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)no fragmento 1, o emprego de elementos referenciais de primeira pessoa do singular e terceira pessoa do plural se alternam na narrativa, marcando o contraste na argumentação daquele que pensa a partir de sua própria realidade e daqueles que pensam em prol do coletivo.
  2. 02)na obra, o narrador do fragmento 1 é o capataz da Fazenda Modelo, responsável por cuidar dos bois.
  3. 04)os auroques eram índios pertencentes à tribo Auroqueawás, que de início resistiram à exploração de Juvenal, mas logo se renderam às facilidades da pecuária industrializada, ficando à mercê do patrão.
  4. 08)a obra denuncia as formas de dominação e repressão social em uma comunidade bovina sob o comando do boi Juvenal, numa alusão ao que acontecia na sociedade brasileira na época de publicação da obra.
  5. 16)Chico Buarque escreveu esta obra logo após o fim do período de ditadura civil-militar no Brasil, ocorrida de 1964 a 1985, quando enfim sentiu-se seguro para criticar o regime daquela época, tanto na literatura quanto na música.
  6. 32)no fragmento 2, a relação entre conformismo e rebeldia se altera: os auroques eram rebeldes, mas aderiram aos costumes dos civilizados; já as vaquinhas eram indiferentes às injustiças alheias, mas passaram a contestá-las diante da possibilidade de serem atingidas pelas mesmas violências.
UFSC2019Prova 1Questao 11PortuguêsLiteratura contemporâneaDificil
Texto 8 01 Interrompi-o, “por que não o Sherlock Holmes” 02 – Este, jamais, é um plagiador, o método dedutivo é do Edgar e meu, o sacana bota banca, 03 se utiliza do pobre Doutor Watson, e insiste que suas miúdas células cinzentas funcionam 04 melhor graças ao ópio. Antes de entrar no que de fato interessa, preciso explicar a ausência 05 do Edgar, insisti, ele pede desculpas por não ter vindo, o homem anda obcecado, não se 06 cansa de mexer e remexer no Corvo, sem conseguir trocar uma única palavra, embora 07 continue achando que o verso “quoth the raven, ‘nervermore!’”, o mais famoso, precisa ter 08 uma palavra alterada, entre uma dose e outra de bourbon, repete e repete “a palavra é o 09 núcleo central de tudo, tem som, tem sabor, tem cheiro, tem cor”. Pede ainda que lhe diga, 10 não gosta da tradução do Machado de Assis, do Gondim da Fonseca, nem do Fernando 11 Pessoa, única que considera razoável é a do Baudelaire; no entanto reconhece que traduzir 12 poesia é mesmo o mais difícil, citando sempre o “traduttore-traditore”, poesia, insiste Edgar, 13 não é simplesmente passar para outro idioma o que está no idioma original, é imprescindível 14 recriar; esta conversa nos levaria longe, está tudo em sua “Filosofia da composição”. O tempo 15 escorre, vamos ao que importa. Estou aqui é para ajudar a desfazer os nós, a meu ver a 16 melhor sugestão é a do Nero Wolfe, cuja técnica de interrogatório admiro: vamos reunir nesta 17 sala os principais envolvidos na trama. MIGUEL, Salim. Nós. Florianópolis: Editora da UFSC, 2018, p. 68. Com base na leitura do Texto 8 e da obra Nós, publicada originalmente em 2015, no contexto sócio-histórico e literário e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)a obra explora a intertextualidade com a tradição do romance policial, como atestam as referências a Edgar Allan Poe e a investigadores famosos na literatura, como Sherlock Holmes e Nero Wolfe.
  2. 02)o escritor líbano-catarinense Salim Miguel é um dos expoentes da literatura catarinense contemporânea e tematiza em Nós a chegada dos imigrantes libaneses ao Brasil.
  3. 04)em “Estou aqui é para ajudar a desfazer os nós” (linha 15), ao contrário do que acontece no restante da obra, a remissão a “nós” diz respeito a um substantivo concreto, e não a um pronome pessoal.
  4. 08)Salim Miguel recria ficcionalmente a cidade de Florianópolis, onde vivia quando escreveu a obra, tratando-a como uma espécie de polo para onde convergem personagens oriundas das cinco regiões brasileiras.
  5. 16)em “O tempo escorre, vamos ao que importa” (linhas 14-15), observa-se uma relação de coordenação em que a segunda oração manifesta resultado ou consequência da primeira.
UFSC2018Prova 1Questao 6PortuguêsLiteratura contemporâneaMedia
Levando em conta o romance Quarenta dias, de Maria Valéria Rezende, e outros livros recomendados pelo Vestibular da UFSC/2018, é correto afirmar que:
  1. 01)a escrita exerce a mesma função na vida da personagem Copi, do romance As fantasias eletivas, e da personagem Alice, do romance Quarenta dias: ambas escrevem para se entender melhor, veem na escrita literária uma forma de libertação e pretendem publicar os seus escritos para atingir a fama.
  2. 02)a personagem Duzu-Querença, da coletânea de contos Olhos d’água, e a personagem Póli, de Quarenta dias, tornaram-se moradoras de rua na velhice.
  3. 04)Alice, protagonista de Quarenta dias, em sua trajetória pela cidade de Porto Alegre, motivada pela procura por Cícero Araújo, coloca-se em uma condição de peregrinação para resgatar sua origem – a Paraíba – quando se aproxima daqueles que de lá vieram.
  4. 08)no romance Quarenta dias, na busca de Alice pelo filho de Socorro, pode-se perceber, em vários momentos da narrativa, a força do apelido, tão requerido como marca de identidade dos indivíduos em lugar do nome próprio.
  5. 16)em Quarenta dias, a professora de meia-idade percorre bairros e vilas de uma cidade do sul do país e vai desenvolvendo uma relação de intimidade com ruas e avenidas, que passam a ser seu espaço de pertencimento, de enraizamento temporário e de lembranças emergentes.
  6. 32)as frases inacabadas ao final de capítulos do romance Quarenta dias ora sinalizam a suspensão do pensamento elaborado pelo narrador em terceira pessoa, ora intensificam as inquietações que envolvem seus direitos de cidadania.
UFSC2018Prova 1Questao 9PortuguêsLiteratura contemporâneaMedia
Texto 4 01 Uma noite, há anos, acordei bruscamente e uma estranha pergunta explodiu de minha 02 boca. De que cor eram os olhos de minha mãe? Atordoada, custei a reconhecer o 03 quarto da nova casa em que eu estava morando e não conseguia me lembrar de como 04 havia chegado até ali. E a insistente pergunta martelando, martelando. De que cor eram 05 os olhos de minha mãe? Aquela indagação havia surgido há dias, há meses, posso 06 dizer. Entre um afazer e outro, eu me pegava pensando de que cor seriam os olhos de 07 minha mãe. E o que a princípio tinha sido um mero pensamento interrogativo, naquela 08 noite se transformou em uma dolorosa pergunta carregada de um tom acusativo. Então 09 eu não sabia de que cor eram os olhos de minha mãe? EVARISTO, Conceição. Olhos d’água. In: Olhos d’água. Rio de Janeiro: Pallas, Fundação Biblioteca Nacional, 2015, p. 15. [Adaptado]. Considerando o Texto 4, o livro Olhos d’água, de Conceição Evaristo, bem como o contexto sóciohistórico e literário, é correto afirmar que:
  1. 01)o conto “Olhos d’água” explora relações de descendência da inominada personagem que recorre aos tempos da infância, com suas dificuldades na favela, em busca de respostas a uma pergunta que lhe ocorre em vários momentos do texto.
  2. 02)a narradora do conto “Olhos d’água” elabora uma construção metafórica do olhar, motivada por uma pergunta que revela seu veemente esquecimento da cor dos olhos de sua mãe e da cor dos olhos dos parentes africanos, cuja resposta é dada ao final do texto pela última descendente.
  3. 04)alguns contos da coletânea, como “Ana Davenga” e “Maria”, exploram a condição de personagens à margem da sociedade, evidenciando a pobreza e a violência urbanas, ao passo que outros, como “Ei, Ardoca” e “Lumbiá”, abordam a prosperidade e a tranquilidade da vida rural.
  4. 08)o conto “Beijo na face” permite realizar discussões tanto sobre gênero e diversidade, porque revela o relacionamento entre duas mulheres, quanto sobre relacionamentos abusivos, porque aborda um casamento infeliz e violento.
  5. 16)no Texto 4, em “não conseguia me lembrar de como havia chegado até ali” (linhas 03-04), a narradora dá os primeiros indícios de perda de memória, a qual envolve suas relações afetivas com a mãe, e recrimina-se constantemente, ao longo da narrativa, por não conseguir recuperar suas lembranças.
  6. 32)com exceção de “Olhos d’água” e “A gente combinamos de não morrer”, os demais textos da coletânea são escritos com foco narrativo em primeira pessoa e têm predominantemente figuras masculinas como personagens principais, o que caracteriza a sociedade patriarcal da época.
UFSC2017Prova 1Questao 6PortuguêsLiteratura contemporâneaDificil
Quanto à obra do escritor catarinense Carlos Henrique Schroeder, As fantasias eletivas, é correto afirmar que:
  1. 01)pode-se dizer que o autor catarinense constrói um livro dentro de outro porque apresenta os textos da personagem Copi nos capítulos “A solidão das coisas” e “Poesia completa de Copi”.
  2. 02)o romance põe em xeque o imaginário popular de que ser travesti é uma condição de vida à qual as pessoas se associam por falta de opção, pois Copi abandona voluntariamente sua profissão anterior, a de jornalista.
  3. 04)a partir da busca de significado para uma fotografia – a da garota sentada nos trilhos do trem –, Copi faz longa reflexão sobre a ausência de afeto na cena contemporânea.
  4. 08)embora haja uma amizade sincera entre Renê e Copi, o tema sexual é um tabu, pois aquele repudia qualquer conversa que envolva as práticas sexuais do travesti.
  5. 16)a lógica do senso comum afirma que “uma imagem vale por mil palavras”, concepção que indica o fato de a imagem bastar por si mesma, razão pela qual Copi não consegue produzir textos com base nas fotografias que tira.
  6. 32)no que se refere a questões estruturais da obra, a história de Renê, alcunhado Ratón e Mr. Álcool, é contada nos capítulos “S de sangue” e “As fantasias eletivas”, ambos fragmentados em capítulos menores.
  7. 64)o tema central da obra de Carlos Henrique Schroeder é o mercado da prostituição nas cidades litorâneas brasileiras, e o livro tem como cenário narrativo a cidade de Balneário Camboriú.
UFSC2017Prova 1Questao 8PortuguêsLiteratura contemporâneaMedia
Levando em conta a obra de Elvira Vigna, Vitória Valentina, assim como outros livros recomendados pelo VESTIBULAR UFSC 2017, é correto afirmar que:
  1. 01)a narrativa de Vitória Valentina tem como ponto de partida um espaço similar ao do romance de Carlos Henrique Schroeder, As fantasias eletivas, porque a ação se desenrola em um hotel de uma cidade litorânea.
  2. 02)o formato característico de Vitória Valentina é o do romance gráfico (também conhecido por novela gráfica ou graphic novel), uma forma de expressão artística na qual palavra e imagem se complementam para contar uma história na arte sequencial dos quadrinhos.
  3. 04)Carla Vitória Valentina, a protagonista, vive uma história de superação, tendo como pontos marcantes de sua trajetória a infância pobre, a passagem por um orfanato, a formatura em um curso superior de licenciatura e a estabilidade socioeconômica.
  4. 08)os temas centrais da obra de Elvira Vigna, exclusão social e meninos de rua, também integram contos de Conceição Evaristo em Olhos d’água.
  5. 16)Vitória Valentina possui um desfecho moralizante porque o dinheiro roubado por Carla, Nando e Hard, ainda que a ação remeta ao sentido de Robin Wood de roubar dos ricos para dar aos pobres, no final das contas é perdido, não ficando com nenhum dos três.
  6. 32)similarmente aos contos de fadas, no qual há a transformação de uma modesta camponesa em princesa, especialmente mediante casamento com alguém da casa real, Vitória Valentina, ao final, casa-se com o grande latifundiário Silvério Tancredo, alcunhado Stan, passando a fazer parte da elite econômica.
UFSC2017Prova 1Questao 9PortuguêsLiteratura contemporâneaDificil
A partir da leitura e interpretação da obra de Maria Valéria Rezende, Quarenta dias, e de outras obras listadas como leitura obrigatória para o VESTIBULAR UFSC 2017, é correto afirmar que:
  1. 01)ao final de quarenta dias de peregrinação simbólica pela capital do Rio Grande do Sul, a protagonista da obra de Maria Valéria Rezende, Alice, é agraciada com uma compreensão súbita e decide, ao término da narrativa, aceitar o compromisso de ser avó.
  2. 02)a questão da crença religiosa e dos ex-votos é central no livro Quarenta dias, o que estabelece certa proximidade temática do episódio com a obra dramatúrgica de Ariano Suassuna, Auto da Compadecida.
  3. 04)o conflito central do romance Quarenta dias é instaurado quando Alice, uma professora aposentada, vê-se presa a intensa chantagem emocional, por meio da qual é infantilizada pela própria filha, de quem recebe o encargo obrigatório de ser avó.
  4. 08)o projeto gráfico do livro Quarenta dias utiliza cartões de visitas e panfletos de propaganda na abertura dos capítulos para cumprir uma função de epígrafe visual e reforçar o conteúdo textual, função igualmente empregada no jogo fotografia-poema da obra As fantasias eletivas, do catarinense Carlos Henrique Schroeder.
  5. 16)insinua-se na obra de Maria Valéria Rezende uma inquietação típica do mundo contemporâneo: Norinha acredita que a maternidade não constituiria uma ameaça à sua carreira profissional se contasse com o auxílio da mãe na criação do filho.
  6. 32)na busca incansável por Cícero Araújo, imigrante paraibano, filho de Socorro, a protagonista de Quarenta dias acaba redescobrindo os laços familiares que unem tão fortemente pais e filhos e reconcilia-se com Norinha, sua própria filha, encorajada pelos conselhos familiares da catadora de lixo Lola.
  7. 64)ironizando o modo pelo qual o senso comum se refere ao Nordeste como uma massa homogênea, sem diferenciação dos estados que o compõem, a protagonista do romance de Maria Valéria Rezende passa a empregar a expressão “os de lá” para se referir aos que têm sua origem naquela região brasileira.
UFSC2017Prova 1Questao 10PortuguêsLiteratura contemporâneaDificil
Sobre a correlação entre as obras de Maria Valéria Rezende, Quarenta dias, e Vitória Valentina, de Elvira Vigna, é correto afirmar que:
  1. 01)a personagem Carla sai da condição de vulnerabilidade social e torna-se professora, ao passo que Alice, uma professora aposentada, assume voluntária e temporariamente a condição de sem-teto.
  2. 02)por terem uma relação contundente com a literatura, tendo em vista suas profissões, as protagonistas de ambas as obras se valem de intertextos para criar metáforas comparativas com seus estados dramáticos, sendo de uso comum o clássico Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll.
  3. 04)Quarenta dias e Vitória Valentina são romances brasileiros contemporâneos escritos com foco narrativo em primeira pessoa, recurso que confere a ambos os textos tom confessional e natureza memorialística.
  4. 08)do mesmo modo que Alice nega o desejo de cumprir em caráter de função profissional a identidade de avó, Carla repudia o cumprimento ocasional da função de babá.
  5. 16)o tema da homossexualidade aparece de forma sutil em ambas as obras, seja na figura de Cícero Araújo, paraibano, seja na de Nando, carioca, pois ambos precisam reprimir o desejo em função da sociedade machista em que vivem e aderir ao casamento heterossexual tradicional.
  6. 32)a favela é apenas um dos cenários urbanos evocados tanto pela obra de Elvira Vigna quanto pela de Maria Valéria Rezende, mas não ocupa centralidade na abordagem espacial das obras.
UFSC2017Prova 1Questao 11PortuguêsLiteratura contemporâneaMedia
Sobre a coletânea de contos Olhos d’água, de autoria de Conceição Evaristo, é correto afirmar que:
  1. 01)Conceição Evaristo, representante da literatura brasileira contemporânea, por meio de sua obra Olhos d’água, permite ao leitor tomar contato com questões de literatura e consciência negra, não apenas em razão do conteúdo desses contos, mas também em vista da figura politizada da autora – negra e de origem humilde.
  2. 02)o conto “Ana Davenga” explora a violência urbana, o espaço criminoso e marginal das favelas, a luta pela sobrevivência de uma faixa ignorada da população, além do tema do preconceito de classe expresso pelo relacionamento às escondidas de Davenga com Maria Agonia, filha de pastor.
  3. 04)em sua maioria, os contos possuem como título o nome dos seus protagonistas, evidenciando a simplicidade de sua origem social, fato destacado pela escolha de nomes comuns, tais como os dos personagens Zé Ninguém, Creuza, Mariazinha, João, Silva.
  4. 08)o conto “O cooper de Cida” apresenta a trajetória de uma atleta negra, sem condições econômicas propícias à prática desportiva competitiva, que precisa treinar na orla da praia de Copacabana, sem qualquer patrocínio ou equipamento qualificado.
  5. 16)“Ei, Ardoca” desenvolve conteúdo simbólico poético com base no meio de transporte do conto: a linha do trem é uma metáfora da jornada da vida, e o “fim da linha” para Ardoca se dá quando ele decide suicidar-se com veneno, tendo na morte sido despojado de todos os seus bens por um assaltante, ironicamente, um conhecido dele.
  6. 32)Olhos d’água é uma coletânea de narrativas curtas na qual está ausente sentimentalismo ou julgamentos de valor moral, sendo caracterizada essencialmente pela crueza e complexidade no tratamento da realidade, podendo-se citar, por exemplo, o caso da personagem-título de “Quantos filhos Natalina teve?”, vítima de violência sexual que vê na criança a única gravidez desejada.
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