Os africanos não foram somente os pioneiros da metalurgia de ferro no Brasil. Desde muito acostumados à cata do ouro [...] trouxeram com eles as técnicas da bateia e de escavação de minas. Alguns eram bons ourives, que criavam, na África, joias de grande beleza, como as dos axantes, e passaram a fazê-las no Brasil. [...] Aos africanos deve-se também que se tenha produzido, sobretudo nas grandes propriedades rurais, e ao arrepio das proibições régias, tecidos para uso dos escravos, em teares extremamente simples, horizontais ou verticais [...]. [...] as crianças ouviam os relatos fantásticos de diferentes nações africanas, cujos personagens e enredos se mesclavam entre si e com os ameríndios e europeus, de tal modo que se tornava difícil separar o Curupira dos tupis do moatia dos axantes, pois ambos, do tamanho de anões, tinham os pés virados para trás e eram os senhores dos animais selvagens. Vindos da África, bichos-papões, jogos e brinquedos desembarcaram no Brasil. E lembranças de desfiles de reis, com seus enormes guarda-sóis coloridos, que reproduziram, no Brasil, nos maracatus, congadas e reisados. (Alberto da Costa e Silva. A África e os africanos na história e nos mitos, 2021.)
Segundo o excerto, os africanos trazidos ao Brasil na condição de escravizados
A)defenderam valores culturais que estimulavam o uso da imaginação e afastavam o pensamento lógico e racional.
B)mantiveram respeito estrito às determinações metropolitanas de proibição da produção de manufaturados.
C)aderiram às oposições das elites coloniais contra a exploração mercantilista de origem metropolitana.
D)permitiram a descoberta e a exploração sistemática de fontes de minérios pelos colonizadores portugueses.
E)trouxeram repertório cultural que se combinou com tradições e mitos de origens indígena e europeia.
Analise a tela “Primeira missa no Brasil”, pintada por Victor Meirelles em 1860.
Ao representar, no século XIX, a primeira missa realizada no Brasil, a tela
Imagens anexadas
A)sugere a existência de harmonia entre os grupos étnicos e sociais que habitavam o território da colonização portuguesa.
B)valoriza a liberdade de culto religioso e a tolerância das lideranças católicas em relação às religiosidades dos povos indígenas.
C)critica o caráter tardio e insuficiente da ação missionária católica, responsável pela catequização dos povos indígenas.
D)critica a imposição do catolicismo aos povos indígenas, forçados a assistir à cerimônia religiosa organizada pelos colonizadores.
E)questiona a ausência de separação entre Estado e Igreja, determinada pelos governos gerais impostos pelos colonizadores.
O boom na mineração do ouro, em Minas Gerais, mudou poderosamente o centro de gravidade da economia e da população brasileiras do Norte para o Centro e o Sul. [...] Embora os baianos tivessem voz considerável nos investimentos feitos dentro das zonas de mineração, a logística do transporte pelo interior fez com que a balança comercial para e a partir das províncias do interior pendesse para as cidades do Sul. Assim, as minas de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso tornaram-se a hinterlândia crucial do porto do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro logo ultrapassou a Bahia em transporte marítimo e comércio internacional, e chegou rapidamente a uma população de 50 mil habitantes na capital. A Coroa reconheceu esta nova realidade [...], mudando a capital da colônia de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763. (Herbert S. Klein. Escravidão africana: América Latina e Caribe, 1987.)
O excerto registra uma transformação importante no processo de colonização da América portuguesa e caracteriza a conexão entre
A)o aumento da densidade demográfica no Nordeste e o início da ocupação dos territórios sertanejos.
B)a preferência por modelos de transporte terrestre e a ausência de uma política de estímulo à navegação fluvial.
C)os interesses financeiros de caráter regional e as disputas pelo controle do poder político na metrópole.
D)a constituição de novas formas de exploração de recursos naturais e a redefinição das relações entre classes sociais.
E)os processos de ocupação dos espaços geográficos e a reestruturação das dinâmicas político-econômicas.
O boom na mineração do ouro, em Minas Gerais, mudou poderosamente o centro de gravidade da economia e da população brasileiras do Norte para o Centro e o Sul. [...] Embora os baianos tivessem voz considerável nos investimentos feitos dentro das zonas de mineração, a logística do transporte pelo interior fez com que a balança comercial para e a partir das províncias do interior pendesse para as cidades do Sul. Assim, as minas de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso tornaram-se a hinterlândia crucial do porto do Rio de Janeiro. O Rio de Janeiro logo ultrapassou a Bahia em transporte marítimo e comércio internacional, e chegou rapidamente a uma população de 50 mil habitantes na capital. A Coroa reconheceu esta nova realidade [...], mudando a capital da colônia de Salvador para o Rio de Janeiro, em 1763. (Herbert S. Klein. Escravidão africana: América Latina e Caribe, 1987.)
A exploração do ouro na América portuguesa, a partir do século XVII,
A)aumentou a geração de recursos na colônia e permitiu a intensificação do comércio com as Índias orientais portuguesas.
B)criou novas estratégias administrativas na colônia e estimulou o comércio internacional através do oceano Atlântico.
C)gerou concentração de recursos econômicos apenas na metrópole e impediu a integração da colônia ao sistema econômico mundial.
D)ocorreu durante o período da União Ibérica e foi facilitada pelo domínio espanhol de técnicas avançadas de extrativismo mineral.
E)alterou a circulação de mercadorias entre América e Europa e estimulou a adoção de medidas de liberalização no comércio mundial.
Examine o meme, publicado pelo perfil “[b]rasilien” no Tumblr.
(https://b-rasil.tumblr.com. Adaptado.) O meme corresponde a uma espécie de metáfora da história do Brasil e, mais precisamente, da
Imagens anexadas
A)dinâmica da colonização do Brasil por Portugal, baseada na exploração e no exclusivo metropolitano do comércio colonial.
B)subserviência portuguesa ante os interesses britânicos, que impediam um relacionamento comercial harmonioso entre colônia e metrópole.
C)persistência do domínio político português sobre o Brasil, que prosseguiu mesmo depois da independência.
D)relação de cumplicidade entre portugueses e brasileiros, construída a partir dos séculos de convivência entre os dois povos.
E)corrida do ouro nas Minas Gerais, que atraiu para a região milhares de exploradores da metrópole e das demais áreas da colônia.
O espaço urbano é onde proliferavam a pobreza e certa autonomia dos desqualificados sociais, bastante incômoda para as autoridades. Era justamente este o espaço social das mulheres pobres, livres, forras e escravizadas. Circulavam pelas fontes públicas, tanques, lavadouros, pontes, ruas e praças da cidade, onde era jogado o lixo das casas e o mato crescia a ponto de ocultar escravizados fugidos: o seu espaço social era justamente o ponto de interseção onde se alternavam e se sobrepunham as áreas de convívio das vizinhanças e dos forasteiros; a do fisco municipal e a do pequeno comércio clandestino; as margens da escravidão e do trabalho livre, o espaço do trabalho doméstico e o de sua extensão ou comercialização pelas ruas… (Maria Odila Leite da Silva Dias. “Mulheres sem história”. In: Revista de História, 1983. Adaptado.) Ao tratar de São Paulo do século XVIII, o excerto estabelece um paralelo entre a condição das mulheres no espaço urbano e
A)a situação de abandono das crianças pobres da colônia.
B)a constituição de um padrão ideal de família burguesa.
C)o prevalecimento dos interesses políticos da metrópole.
D)a área de indefinição social, política ou econômica.
E)os setores da sociedade defensores de propostas identitárias.
O diabo parece ter sido estranho tanto para os tupis do Brasil quanto aos nauas, maias, incas e demais povos americanos. O cosmos maia era neutro, as forças e os seres sagrados “não eram nem bons, nem ruins, mas apenas caprichosos”. [...] A cosmologia das populações andinas não contava com a noção de mal personificada num ser satânico [...]. (Laura de Mello e Souza. Inferno atlântico. Demonologia e colonização: Séculos XVI-XVIII, 1993.) O excerto permite afirmar que
A)os sacrifícios humanos realizados por alguns povos nativos da América eram destituídos de significado religioso.
B)a influência do catolicismo europeu na colonização da América facilitou a preservação de elementos religiosos nativos.
C)a carência da noção de mal nas culturas originárias da América indica a ingenuidade e a pureza dos povos nativos.
D)os povos nativos americanos tinham uma visão religiosa binária e incompleta das forças que os afetavam.
E)a presença de representações do diabo no imaginário americano derivou do processo colonizador.
Observe a imagem de Nossa Senhora do Rosário, produzida na região das Minas Gerais no século XVIII.
(In: Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling. Brasil: uma biografia, 2018.)
Essa imagem revela uma prática que ocorria na região das Minas durante a exploração de minérios:
Imagens anexadas
A)a funcionalidade dupla da peça, que podia ser utilizada como objeto de culto nas igrejas e como porta-moedas no cotidiano.
B)a conjugação entre apuro artístico de inspiração barroca e estratégia para contrabando de riquezas.
C)o emprego exclusivo de padrões artísticos renascentistas na produção das imagens religiosas brasileiras.
D)a atitude herética dos artistas, que frequentemente contrariavam a proibição de representar figuras religiosas femininas.
E)a representação apenas de elementos da natureza na composição de peças de cunho religioso.
O consumo dos alimentos nas propriedades de monocultura de cana-de-açúcar estava […] baseado no que se podia produzir nas brechas de um grande sistema subordinado ao mercado externo, resultando em uma grande quantidade de farinha de mandioca, feijões de diversos tipos, batata-doce, milho e cará comidos com pouco rigor, além de uma cultura do doce, cristalizada na mistura das frutas com açúcar refinado e simbolizada, popularmente, pela rapadura. (Paula Pinto e Silva. “Sabores da colônia”. In: Luciano Figueiredo (org). História do Brasil para ocupados, 2013.) O texto caracteriza formas de alimentação no Brasil colonial e revela
A)o esforço metropolitano de diversificar a produção da colônia, com o intuito de ampliar as vendas de alimentos para outros países europeus.
B)a diferença entre a sofisticação da alimentação da população colonial e o restrito conjunto de alimentos disponíveis na metrópole.
C)a articulação entre um sistema de produção voltado ao atendimento das necessidades e interesses da metrópole e as estratégias de subsistência.
D)o interesse dos grandes proprietários de terras na colônia de produzir para o mercado interno, rejeitando a submissão ao domínio metropolitano.
E)a separação entre as lavouras voltadas ao fornecimento de alimentos para os países vizinhos e as plantações destinadas ao consumo interno.
A exploração do ouro, na região das Minas Gerais durante o século XVIII, implicou um conjunto de transformações no perfil geral da América portuguesa, tais como
A)a redução no emprego da mão de obra escrava e a facilitação da entrada de imigrantes na colônia.
B)a implementação do regime de intendências e a formação de nova estrutura administrativa na colônia.
C)a concentração das atividades econômicas no interior da colônia e o abandono do comércio agroexportador.
D)o aumento dos intercâmbios comerciais com a América hispânica e a constituição de um mercado aurífero no continente.
E)o contato direto da Inglaterra com as riquezas do território brasileiro e a dificuldade portuguesa de manter o monopólio comercial.
leia o trecho de uma carta enviada por Antônio Vieira ao rei D. João IV em 4 de abril de 1654.
No fim da carta de que V. M.1 me fez mercê me manda V. M. diga meu parecer sobre a conveniência de haver neste estado ou dois capitães-mores ou um só governador. Eu, Senhor, razões políticas nunca as soube, e hoje as sei muito menos; mas por obedecer direi toscamente o que me parece. Digo que menos mal será um ladrão que dois; e que mais dificultoso serão de achar dois homens de bem que um. Sendo propostos a Catão dois cidadãos romanos para o provimento de duas praças, respondeu que ambos lhe descontentavam: um porque nada tinha, outro porque nada lhe bastava. Tais são os dois capitães-mores em que se repartiu este governo: Baltasar de Sousa não tem nada, Inácio do Rego não lhe basta nada; e eu não sei qual é maior tentação, se a 1 , se a 2 . Tudo quanto há na capitania do Pará, tirando as terras, não vale 10 mil cruzados, como é notório, e desta terra há-de tirar Inácio do Rego mais de 100 mil cruzados em três anos, segundo se lhe vão logrando bem as indústrias. Tudo isto sai do sangue e do suor dos tristes índios, aos quais trata como tão escravos seus, que nenhum tem liberdade nem para deixar de servir a ele nem para poder servir a outrem; o que, além da injustiça que se faz aos índios, é ocasião de padecerem muitas necessidades os portugueses e de perecerem os pobres. Em uma capitania destas confessei uma pobre mulher, das que vieram das Ilhas, a qual me disse com muitas lágrimas que, dos nove filhos que tivera, lhe morreram em três meses cinco filhos, de pura fome e desamparo; e, consolando-a eu pela morte de tantos filhos, respondeu-me: “Padre, não são esses os por que eu choro, senão pelos quatro que tenho vivos sem ter com que os sustentar, e peço a Deus todos os dias que me os leve também.”
São lastimosas as misérias que passa esta pobre gente das Ilhas, porque, como não têm com que agradecer, se algum índio se reparte não lhe chega a eles, senão aos poderosos; e é este um desamparo a que V. M. por piedade deverá mandar acudir. Tornando aos índios do Pará, dos quais, como dizia, se serve quem ali governa como se foram seus escravos, e os traz quase todos ocupados em seus interesses, principalmente no dos tabacos, obriga-me a consciência a manifestar a V. M. os grandes pecados que por ocasião deste serviço se cometem. (Sérgio Rodrigues (org.). Cartas brasileiras, 2017. Adaptado.) 1 V. M.: Vossa Majestade.
Em um estudo publicado em 2005, o historiador Gustavo Acioli Lopes vale-se, no quadro da economia colonial, da expressão “primo pobre” para se referir ao produto derivado das lavouras mencionadas por Antônio Vieira em sua carta. No contexto histórico em que foi escrita a carta, o “primo rico” seria
Considerando o contexto histórico-geográfico de produção do soneto, as transformações na paisagem assinaladas pelo eu lírico relacionam-se à seguinte atividade econômica:
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