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UNESP20261a faseQuestao 55FilosofiaPré-socráticos e a archéMediaO ponto de partida da filosofia autêntica encontra-se no espanto, na admiração ou na angústia. Uma fissura manifesta-se na existência; é preciso cimentar a brecha da dúvida. O pensamento vem e põe ordem na desordem. Chamam-se filosofia os primeiros princípios que traduzem a justificação que a pessoa se dá sobre seu lugar no mundo. O que a reflexão procura é sempre um estado de paz, princípio de uma orientação ontológica em fé da qual o homem se encontra à vontade na sua paisagem. Neste sentido, a função da filosofia não é diferente da do mito. O mito é a primeira forma desta adaptação espiritual da comunidade humana ao seu contorno. O pensador, uma vez rompida a consciência coletiva, retoma-o por sua conta, com os meios acrescidos da reflexão. (Georges Gusdorf. Mito e metafísica, 1979. Adaptado.) Com base no excerto, a relação entre mito e filosofia pode ser compreendida como a
- A)superação do saber mitológico enquanto forma de preservação do consenso comunitário.
- B)negação da validade de métodos racionais para as explicações ontológicas.
- C)articulação simbólica entre diferentes formas de responder ao conhecimento científico.
- D)substituição progressiva da fabulação mítica pela análise conceitual sistemática.
- E)rejeição filosófica de narrativas pré-reflexivas como expressão do irracional.
UNESP20261a faseQuestao 56FilosofiaTeoria do conhecimentoMediaAté meados do século XIX, a maior parte das pessoas via tanto os humanos quanto os chimpanzés como seres que mantinham, sem qualquer mudança, as formas com as quais haviam surgido. Essa era uma visão de mundo denominada “fixismo”. Outra visão começou a deitar suas raízes em meados do século XVIII, defendendo o papel central da mudança no mundo natural: o “evolucionismo”. As teorias da evolução biológica propõem que os seres vivos que são vistos atualmente nem sempre existiram, nem sempre tiveram a mesma forma e nem sempre existirão. Desde o século XVIII, diversas teorias de evolução biológica foram discutidas, entre elas, as de Buffon e Lamarck. A grande mudança teve lugar ao final da década de 1850 com a apresentação de uma nova teoria evolutiva, de autoria de Charles Darwin, publicada em forma de livro, A origem das espécies. Darwin argumentou que a transformação das espécies ocorria de um modo muito diferente daquele proposto por Buffon, Lamarck e outros evolucionistas anteriores. (Diogo Meyer e Charbel Niño El-Hani. Evolução: o sentido da biologia, 2005. Adaptado.) A reorganização do campo da biologia descrito no excerto representa, para a filosofia da ciência,
- A)a consolidação do modelo explicativo dogmático.
- B)o processo sucessivo de ruptura de paradigmas.
- C)a conciliação entre as diferentes concepções de vida.
- D)o limite dos avanços no campo epistemológico.
- E)a rejeição da investigação baseada em evidências.
UNESP20261a faseQuestao 58FilosofiaFilosofia modernaMediaO telescópio utilizado por Galileu, construído em 1609- 1610, era composto de uma lente convergente, a objetiva, que, por ser mais fina nas bordas do que no centro, defletia mais a luz das bordas do que do centro, convergindo os raios paralelos para um foco; e uma lente divergente, a ocular, que magnificava a imagem. Kepler, em seu livro Dioptrice, publicado em 1611, argumentou que seria melhor construir um telescópio com duas lentes convergentes, como se usa atualmente. Kepler afirmou que uma lente convergente na ocular, posicionada após o foco da lente objetiva, produzia um campo maior e com maior magnificação do que uma lente divergente, embora a imagem resultasse invertida.
(Kepler de Souza Oliveira Filho e Maria de Fátima Oliveira Saraiva. http://astro.if.ufrgs.br, 2024. Adaptado.) No contexto da filosofia renascentista e moderna, o desenvolvimento tecnológico descrito no excerto e demonstrado na imagem simboliza a
- A)ênfase na experiência sensível para a confirmação das crenças metafísicas medievais.
- B)utilização da tecnologia como estratégia para o controle político das ideias dissidentes.
- C)retomada das explicações cosmológicas da tradição aristotélica reforçadas por dados mais precisos.
- D)valorização da razão humana junto à observação como formas autônomas de compreender o universo.
- E)ilustração do papel secundário da teoria frente ao desenvolvimento instrumental.
UNESP20261a faseQuestao 59FilosofiaÉticaMediaTexto 1 O uso de inteligência artificial (IA) para tarefas simples e complexas está se tornando cada vez mais comum, mas você já se perguntou se dizer “por favor” e “obrigado” a uma IA afeta a resposta que ela dará? Estudos da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, revelaram que a resposta da IA variava dependendo se a pessoa era gentil ou não. “A linguagem educada na comunicação humana frequentemente gera maior conformidade e eficácia, enquanto a grosseria pode causar aversão, o que afeta a qualidade da resposta”, afirmou o estudo. (https://oglobo.globo.com, 18.04.2025. Adaptado.)
Texto 2 Dizer “obrigada” e “por favor” para o ChatGPT pode aumentar ainda mais os custos de seu funcionamento. A empresa criadora do chatbot, OpenAI, gasta até US\$ 700 mil por dia para manter o ChatGPT ativo, e cada resposta consome mais do que só eletricidade: há água, dados e bilhões em jogo. Destacam-se não apenas os custos financeiros, mas também o impacto ambiental dos modelos de inteligência artificial mais avançada do mundo. Modelos como o GPT-4 demandam uma grande infraestrutura computacional para entregar respostas em segundos. (Tamires Vitorio. https://exame.com, 19.04.2025. Adaptado.) Os textos 1 e 2 demonstram que as novas dinâmicas da relação entre indivíduo e tecnologia expressam a
- A)negação dos impactos materiais da inteligência artificial, reduzindo a experiência dos usuários a um diálogo ético fictício.
- B)emancipação da racionalidade técnica frente às fragilidades ecológicas, direcionada à autonomia dos sistemas artificiais.
- C)assimilação acrítica da inteligência artificial pelos usuários, obscurecendo as implicações éticas e existenciais dessa tecnologia.
- D)neutralidade ética da linguagem digital, reduzida a mero meio funcional entre usuários e algoritmos.
- E)ideia de evolução moral das interações humanas, projetada no digital sem impactos sobre a realidade concreta.
UNESP20251a faseQuestao 55FilosofiaFilosofia da linguagemMediaO primeiro grande modelo de teoria psicológica da linguagem que temos na modernidade é o Livro III do Ensaio acerca do entendimento humano, de John Locke. Pela primeira vez na modernidade, temos um livro inteiro dedicado ao processo de significação linguística. O argumento lockeano é: a necessidade que temos de entrar em acordo, de nos entendermos, leva à necessidade de criarem-se signos sensíveis capazes de comunicar nossos pensamentos, nossas ideias. Se fôssemos dotados de alguma faculdade que possibilitasse o acesso direto e imediato às ideias nas mentes de outros homens, não seria necessária a linguagem. (Lúcio Lourenço Prado. Filosofia da linguagem, 2012. Adaptado.) O argumento lockeano mencionado tem implicações no âmbito
- A)crítico, visto que examina os limites do senso comum.
- B)epistêmico, uma vez que defende a impossibilidade de evidência científica.
- C)religioso, dado que estabelece um caminho para acessar o divino.
- D)metafísico, pois considera um novo elemento para a compreensão do ser.
- E)político, já que torna possível o pacto social civilizatório.
UNESP20251a faseQuestao 58FilosofiaFilosofia africanaMediaLeia o trecho da entrevista do filósofo Renato Noguera ao repórter Arnaldo Bloch, do jornal O Globo. Arnaldo Bloch: Conte algo que não sei. Renato Noguera: A filosofia não nasceu na Grécia. Ela já existia na África e em outras regiões séculos antes. No Egito, há uma palavra, rekhet, que significa exatamente o que a palavra filosofia significa para os gregos. É uma arte da palavra, do saber. Os maias tinham aforismos filosóficos. Há diferentes estilos de fazer filosofia, mas há uma disputa política para que só uma voz filosófica fique conhecida. Essa voz é a do Ocidente. (Arnaldo Bloch. https://oglobo.globo.com, 23.02.2015.) A disputa política mencionada pelo filósofo Renato Noguera
- A)apresenta a busca pela relativização do conhecimento.
- B)ilustra a desvalorização dos sistemas conceituais tradicionais.
- C)propõe uma visão homogeneizadora da verdade.
- D)promove uma relação hierarquizada do pensamento humano.
- E)revela o desprezo pelo debate de ideias.
UNESP20251a faseQuestao 59FilosofiaLógicaMediaTexto 1 A obra Organon constitui o primeiro estudo amplo da disciplina Lógica, embora falte essa palavra para designá-la. No início de Analíticos, Aristóteles define a disciplina que se prepara para investigar como ciência da demonstração e do saber demonstrativo. Distingue dois tipos de discurso, dialético e demonstrativo: o primeiro parte do problemático e do provável e termina necessariamente no provável; o segundo parte do verdadeiro e termina no verdadeiro. (Nicola Abbagnano. Dicionário de filosofia, 2007. Adaptado.) Texto 2 No Livro I, capítulo 1 de sua obra Primeiros Analíticos, Aristóteles define o que é um silogismo perfeito: “Silogismo é um argumento no qual, colocadas certas coisas, outra distinta das estabelecidas decorre necessariamente, porque essas coisas são o caso. Por ‘porque essas coisas são o caso’ quero dizer decorrer em virtude delas; por ‘decorrer em virtude delas’ quero dizer não carecer de nenhum termo externo para que o necessário venha a ser o caso”. (Mateus R. F. Ferreira. “O que são silogismos perfeitos?”. https://revistas.ufpr.br/doispontos, 2013. Adaptado.) Nos textos 1 e 2 está apresentada uma das principais contribuições de Aristóteles para a história da filosofia. Tal contribuição refere-se
- A)à estruturação do conhecimento dedutivo.
- B)ao método de classificação sistemática.
- C)à refutação do dualismo platônico.
- D)ao princípio do justo meio.
- E)à concepção teleológica de cosmos.
UNESP20241a faseQuestao 41FilosofiaFilosofia políticaDificilO verdadeiro horror dos campos de concentração e de extermínio reside no fato de os internados, mesmo que consigam manter-se vivos, estarem mais isolados do mundo dos vivos do que se tivessem morrido, porque o horror compele ao esquecimento. No mundo concentracionário, mata-se um homem tão impessoalmente como se mata um mosquito. Uma pessoa pode morrer em consequência de tortura ou de fome sistemática, ou porque o campo está superpovoado e há necessidade de liquidar o material humano supérfluo.
(Hannah Arendt. O sistema totalitário, 1978.)
Ao caracterizar a peculiaridade das ações nazistas nos campos de concentração e de extermínio, o excerto refere-se diretamente
- A)à ausência de condições básicas de higiene.
- B)à coisificação dos prisioneiros.
- C)ao respeito aos direitos humanos.
- D)ao prevalecimento do nacionalismo.
- E)à escravização dos prisioneiros.
UNESP20241a faseQuestao 55FilosofiaFilosofia da ciênciaMediaNão existe definição objetiva, nem muito menos neutra, daquilo que é ou não a ciência. Esta tanto pode ser uma procura metódica do saber quanto um modo de interpretar a realidade; tanto pode ser uma instituição, com seus grupos de pressão, seus preconceitos, suas recompensas oficiais, quanto uma atuação subordinada a instâncias administrativas, políticas ou ideológicas. Se perguntarmos sobre o modo de funcionamento da ciência, sobre seu papel social, sobre sua maneira de explicar os fenômenos e de compreender o ser humano no mundo, perceberemos facilmente que as condições reais em que são produzidos os conhecimentos objetivos e racionalizados estão banhadas por uma inegável atmosfera sócio-político-cultural. (Hilton Japiassu. O mito da neutralidade científica, 1975. Adaptado.) A consideração de Hilton Japiassu em relação à neutralidade da ciência destaca
- A)a inexistência de método seguro.
- B)o enviesamento do fazer científico.
- C)a falta de recursos materiais nas pesquisas.
- D)a submissão do saber ao senso comum.
- E)o rompimento com o dogmatismo religioso.
UNESP20241a faseQuestao 56FilosofiaPré-socráticos e ciênciaDificilTexto 1
(Gerson Pastre de Oliveira (org.). Pesquisa em educação e educação matemática: um olhar sobre a metodologia, 2019. Adaptado.)
Texto 2 O conhecimento teórico da natureza — originariamente ligado à geometria — como visão ideal da perfeição harmoniosa do cosmo foi se desenvolvendo paralelamente à evolução da matemática, deixando, assim, de forma paulatina, de ser simples forma de contemplação da realidade, para adquirir o caráter de um instrumento de conhecimento da natureza. (Milton Vargas. “História da matematização da natureza”. Estudos Avançados, 1996.)
A relação entre Filosofia e Matemática advém de um longo período da história da humanidade. Pode-se observar tal relação, a partir dos textos 1 e 2, pela
- A)utilização da ideia de primeiro motor na formulação do conhecimento medieval.
- B)influência do dualismo platônico na teoria cartesiana.
- C)presença da causalidade aristotélica em explicações da física newtoniana.
- D)repercussão da ideia de arché como número na ciência moderna.
- E)ruptura com o entendimento de cosmos geocêntrico em Copérnico.
UNESP20241a faseQuestao 60FilosofiaÉticaDificilUm imperativo adequado ao novo tipo de agir humano e voltado para o novo tipo de sujeito atuante deveria ser mais ou menos assim: “Aja de modo a que os efeitos da sua ação sejam compatíveis com a permanência de uma autêntica vida humana sobre a Terra”; ou, expresso negativamente: “Aja de modo a que os efeitos da sua ação não sejam destrutivos para a possibilidade futura de uma tal vida; ou, simplesmente: “Não ponha em perigo as condições necessárias para a conservação indefinida da humanidade sobre a Terra”. O atual imperativo humano se estende em direção a um previsível futuro concreto, que constitui a dimensão inacabada de nossa responsabilidade.
(Hans Jonas. O princípio responsabilidade, 2006. Adaptado.) Considerando o excerto e as atuais questões ambientais, Hans Jonas defende
- A)o estabelecimento de uma ética normativa.
- B)o planejamento de uma nova conferência mundial sobre o tema.
- C)a fundamentação das decisões individuais isoladas.
- D)a manutenção dos impactos humanos na natureza.
- E)a constituição de um órgão intergovernamental.
UNESP20231a faseQuestao 55FilosofiaAtitude filosóficaMediaHuman beings are relentlessly capable of reflecting on themselves. We might do something out of habit, but then we can begin to reflect on the habit. We can habitually think things, and then reflect on what we are thinking. We can ask ourselves (or sometimes we get asked by other people) whether we know what we are talking about. To answer that we need to reflect on our own positions, our own understanding of what we are saying, our own sources of authority. Cosmologists have to pause from solving mathematical equations with the letter t in them, and ask what is meant, for instance, by the flow of time or the direction of time or the beginning of time. But at that point, whether they recognize it or not, they become philosophers. (Simon Blackburn. Think: A compelling introduction to philosophy, 1999. Adaptado.) No texto, o autor explicita a presença da atitude filosófica a partir
- A)do estudo da relevância das sensações.
- B)da identificação de regras da argumentação.
- C)da avaliação da moralidade dos indivíduos.
- D)da análise de formas de governo.
- E)do questionamento das bases do conhecimento.