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Questões de Português do UNICAMP

144 questões de Português do UNICAMP (2016–2026): os tópicos que mais caem e uma amostra para treinar de graça.

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Português no UNICAMP (tópico × ano)

2016–2026
Topico20262025202420232022202120202019201820172016
Literatura brasileira (prosa)64719
Literatura: Carolina Maria de Jesus e ironia1648
Interpretação de texto (TIC)121341
Semântica1111112
Confronto de textos1121
Fernando Pessoa — Mensagem11111
Figuras de linguagem1112
Gêneros textuais212
Variação linguística1111
Formação de palavras111

Tópicos de Português que mais caem

Questões de Português do UNICAMP

Uma amostra das questões. Crie uma conta para resolver todas com correção e comentário.

UNICAMP20261a faseQuestao 54PortuguêsVariação e preconceito linguísticoMedia
É advogado com d mudo, estúpida! Mirian Goldenberg Antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, é autora de “A Invenção de uma Bela Velhice” Fiz um vídeo para o Instagram sobre a minha coluna intitulada No dia 1º de abril, quase caí no golpe do ‘falso advogado’. No vídeo, confessei que quase morri de vergonha por quase ter caído em um golpe no Dia da Mentira. Fiquei triste quando li alguns dos comentários sobre o vídeo: “AdEvogado?; “Não é adevogado que fala”; “A desinformada que fala adêvogado aprendeu o que é golpe de verdade kkkk”; “Adevogado? Pode isso? Uma ‘intelequitual’ brasileira da linha de frente falando assim?”; “Um currículo e tanto e falando adevogado?; “Chamou de adEvogado. Então não foi difícil entender por que caiu em golpe... Eu teria é vergonha de falar adEvogado”; “A palavra ‘advogado’ se pronuncia ‘advogado’, com o ‘d’ mudo. A pronúncia adevogado é um erro de ortoépia”; “É advogado com ‘d’ mudo, estúpida!”. Perguntei ao meu marido, que editou o vídeo, por que ele não me falou nada. Ele respondeu: “Porque eu acho bonitinho. Você é filha de advogado e tem dois irmãos advogados. Desde menina aprendeu a falar assim. Não é fácil falar ‘advogado’ com o ‘d’ mudo. Eu falo advogado com ‘i’: adivogado. Será que alguém consegue falar advogado com o ‘d’ mudo?” Da próxima vez que fizer uma denúncia importante, vou tentar falar advogado com o “d” mudo. Será que vou conseguir? (Adaptado de GOLDENBERG, M. É advogado com d mudo, estúpida! Folha de São Paulo, 16/04/2025, B6. Acesso em 29/07/2025.) Considerando que consoantes mudas não são seguidas de uma vogal, e levando em conta as duas pronúncias para advogado mencionadas no texto, as críticas reproduzidas no segundo parágrafo revelam
  1. A)preconceito linguístico, já que os comentários negativos foram motivados pelo fato de a autora ter um baixo nível de escolaridade.
  2. B)desconhecimento linguístico, uma vez que a palavra advogado não é pronunciada com “d” mudo no português brasileiro.
  3. C)negacionismo linguístico, pois os críticos não reconhecem que a pronúncia adevogado é a mais comum na norma culta.
  4. D)correção linguística, porque só uma das duas pronúncias ocorre no português, enquanto a outra é um desvio fonético.
UNICAMP20261a faseQuestao 55PortuguêsVariação e preconceito linguísticoMedia
A rua é nóix! Sempre com letra minúscula, porque não é o Nós da totalidade, uma vez que não sabemos exatamente quem ou quantos somos, quem faz parte ou não, quem está dentro ou fora. Mas, se pegar para um, vai pegar pra geral. O nóix é sempre mais que um. Mesmo sozinho, na missão, existe algo para além da presença física do eu e do outro. Assumindo nossas ancestralidades, convivemos com os espíritos daqueles que já se foram. O nóix opera pela lógica dos bondes de galera, do lado A ou lado B. Quem é amigo fecha com a gente, quem é alemão rala. Porque o fechamento é o fundamento ético das ruas. Recebe-se quem chega de boa, na paz, mas, se vacila, vai. Com i e x, o nóix demarca um sotaque, um registro local, um lugar, o Pretuguês de Lélia Gonzalez. Desobedecendo à institu ída norma culta, o nóix – escrito ou falado – revela sua potência operando à margem da obediência à linguagem fonética dominante. O nóix é a potência da contaminação diferencial das diversidades de um povo em tempos e espaços múltiplos, que se repete numa atmosfera espectral que ultrapassa a lógica temporal predominante. (Adaptado de MORAES, M. J. D. A rua é nóix, Revista Cult, ed. 271, 1 jul. de 2021.) Sobre a diferença que o texto estabelece entre Nós e nóix, podemos afirmar que está relacionada a uma distinção
  1. A)sociocultural, pois esses termos se referem a grupos demarcados distintamente: enquanto Nós é bem delimitado, nóix diz respeito a uma coletividade difusa, mas marcada por compartilhar vivências específicas.
  2. B)gramatical, pois esses termos não pertencem à mesma classe de palavras: enquanto Nós é um pronome típico da norma culta, nóix é um substantivo popular que serve à expressão da diversidade.
  3. C)histórica, pois esses termos caracterizam os indivíduos em função do seu passado: enquanto Nós abrange aqueles sem ancestralidade, nóix reúne os que assumem os ancestrais como parte de sua história.
  4. D)política, pois esses termos revelam uma polarização na forma de se relacionar com o poder: enquanto Nós simboliza o apoio à opressão social, nóix caracteriza uma rejeição aos poderes instituídos.
UNICAMP20261a faseQuestao 56PortuguêsVariação e preconceito linguísticoMedia
A partir das análises de Lélia Gonzalez – intelectual, professora universitária, mulher, negra e feminista – conseguimos compreender quão extensa é a introdução de palavras e termos de origens africanas na nossa língua. O Pretuguês é, então, parte da africanização da língua portuguesa brasileira. As pessoas negras escravizadas resistiam de inúmeras formas, lutando, fugindo, se organizando, mas também através da fala, no jeito de agir e na forma de viver que se enraizou na maneira de ser de todo o Brasil. E isso vem da ancestralidade, é o passar do conhecimento através do tempo e das relações de respeito pelo que veio antes, através do cântico antigo, da reza falada, da contação de história que os entrelaços linguísticos vão formando. Muitos vocábulos estão tão acomodados no nosso idioma que sequer paramos para pensar sua origem e seu significado. Mas são de origem africana, como dengo, quitanda, cafuné, muvuca, caçula e axé. (Adaptado de texto publicado no perfil de Instagram de Mari Canuto em 28/09/2022. Disponível em https://www.instagram.com/mari_canuto/reel/CjD8ALkPw9o/. Acesso em 30/07/2025.) Considerando esse texto, a menção ao “Pretuguês de Lélia Gonzalez” no artigo de Marcelo José Derzi Moraes, apresentado na questão anterior, ocorre pelo fato de nóix ser
  1. A)um vocábulo introduzido no Brasil pelos africanos escravizados, da mesma forma que outras palavras de origem africana acomodadas na língua.
  2. B)uma expressão identitária que serve para demarcar os negros brasileiros e segregá-los dos demais grupos étnico-raciais que compõem o país.
  3. C)uma marca linguística associada a um grupo cujos ancestrais reúnem aqueles que contribuíram para a africanização do português brasileiro.
  4. D)um traço dialetal característico dos sotaques urbanos brasileiros que são fortemente marcados pela presença de palavras africanas.
UNICAMP20261a faseQuestao 57PortuguêsGramática e Norma CultaDificil
O texto a seguir é um trabalho da artista Santarosa Barreto apresentado na exposição Histórias das mulheres: artistas depois de 2000, realizada no MASP em 2019. (BARRETO, S. A luta. Ikrek Edições, 2019 (reimpressão 2024).) Nesse texto, observamos ocorrências de “que” com diferentes valores, entre eles o
Imagens anexadas
  1. A)explicativo, com o objetivo de listar justificativas que tentam suprimir, em favor de outros, uma dimensão pessoal da luta.
  2. B)comparativo, com o objetivo de equiparar a luta motivada por convicções próprias e a luta instigada por quem está no poder.
  3. C)condicional, com o objetivo de caracterizar a luta como uma condição para combater aqueles que a querem controlar.
  4. D)causal, com o objetivo de reiterar as situações que levam alguém a desistir de promover a luta como forma de resistência individual.
UNICAMP20261a faseQuestao 58PortuguêsGêneros textuaisMedia
Leia os textos 1 e 2. Texto 1 O image macro é o mais velho, o mais simples e o mais difundido tipo de meme, provavelmente pela facilidade de criação e difusão, além do inegável apelo visual que permite uma rápida apreensão do seu conteúdo. Ele corresponde a uma estrutura imagético-textual em frame1 único que carrega uma qualidade icônica. Podemos caracterizar o image macro como um texto em caixa alta e em fonte branca, superposto a uma imagem – quase sempre para fins de humor. Esse jogo memético consiste tanto em adicionar o mesmo texto a várias imagens quanto em “remixar” uma mesma imagem com diferentes textos. Os image macros têm seus templates2, bem como suas referências intertextuais extraídas de diversas fontes, como videoclipes, fotografias, desenhos, filmes, seriados, videogames, comerciais, notícias etc. Usando essa estrutura híbrida, os image macros tornam-se uma espécie de imagens-texto em que o imbricamento desses dois elementos ocorre sem subordinação da experiência visual nem da verbal – o pictório complementa o discursivo em um processo de afetação recíproca. 1 Frame: quadro, moldura; imagem estática que, quando reproduzida em sequência com outras, resultam no efeito de movimento. 2 Template: modelo. (Adaptado de OLIVERA NETA, J. P. Por uma tipologia dos memes da internet. Entremeios, 13(2), 2017. Disponível em https://entremeios.com.puc-rio.br/media/Juracy%20Oliveira. pdf. Acesso em 02/06/2025.) Texto 2 (Disponível em https://pt.wikipedia.org/wiki/Nazar%C3%A9_Confusa. Acesso em 02/06/2025.) Considerando as informações do texto 1, o texto 2 pode ser caracterizado como
Imagens anexadas
  1. A)um típico image macro, pois utiliza um único frame para fundir o visual e o verbal, além de adicionar um mesmo elemento textual a várias ocorrências de uma só imagem.
  2. B)um meme composto por vários image macros, nos quais uma mesma imagem se subordina à linguagem textual matemática em um jogo pictório de afetação recíproca.
  3. C)uma experiência verbal e visual que se aproxima do image macro no que diz respeito à sua estrutura híbrida, mas se afasta desse tipo por não permitir a rápida apreensão do seu conteúdo.
  4. D)uma peça memética que não reúne todos os elementos de um image macro, pois apresenta mais de um frame e adiciona conteúdos textuais diferentes a imagens distintas.
UNICAMP20261a faseQuestao 59PortuguêsGêneros textuaisMedia
O texto 1 a seguir é a versão do meme Nazaré Confusa no chamado “Estilo Ghibli”, que é abordado no texto 2, publicado por um portal brasileiro dedicado às animações do Studio Ghibli. Leia os dois textos para responder à questão. Texto 1 Nazaré Confusa no Estilo Studio Ghibli. (Disponível em https://scc10.com.br/colunistas/um-noob/memes-em-estilo-ghibli-a-nova-febre-que-esta-quebrando-a-internet-e-o-chatgpt/. Acesso em 29/07/2025.) Texto 2 Studio Ghibli vs. IA: Por que não usar imagens no “Estilo Ghibli” Por Amanda, editora-chefe e responsável pelo Studio Ghibli Brasil. Recentemente, uma tendência tomou conta das redes sociais: usuários utilizando inteligência artificial para transformar suas fotos em imagens que imitam o estilo do Studio Ghibli. A trend ganhou força em março deste ano, com a nova atualização da ferramenta GPT-4.0. O Studio Ghibli é reconhecido não apenas por seu estilo visual, mas também por sua filosofia artística e valores profundos. Hayao Miyazaki, um dos fundadores do estúdio, sempre defendeu a arte feita à mão e criticou fortemente o uso excessivo da tecnologia na criação de animações. Em entrevistas, ele expressou preocupação com a mecanização da arte, argumentando que a verdadeira expressividade vem do esforço humano, da emoção e da experiência de vida. A tentativa de emular o “estilo Ghibli” por meio da IA entra em conflito direto com esses princípios. A criação de imagens automatizadas baseadas em padrões estatísticos e grandes volumes de dados contrasta com o meticuloso processo artesanal pelo qual os filmes do estúdio são produzidos. Muitos profissionais da indústria da animação e ilustração já expressaram preocupação com a possibilidade de a IA substituir ou minar o valor do trabalho humano na criação artística. Nós acreditamos na autenticidade e na ética de preservar os artistas e seus trabalhos autorais. A inteligência artificial, ao emular o estilo do Studio Ghibli, fere os princípios da animação tradicional do estúdio e desvaloriza o esforço humano por trás dessas obras. A melhor forma de levar o conhecimento sobre o Studio Ghibli adiante é apreciando e divulgando seus trabalhos originais e buscando conhecer cada vez mais sua história e relevância para o mundo da animação. (Adaptado de https://studioghibli.com.br/2025/04/02/studio-ghibli-vs-ia-porque-nao-usar-imagens-no-estilo-ghibli/?srsltid=AfmBOoqbHDAfs5C6olUwSRqCzW_YcNrgae5aqqeaTrokiB1yzPh-HP1Y. Acesso em 29/07/2025) Considerando as imagens do texto 1 desta questão, o texto 2 pode ser caracterizado como
Imagens anexadas
  1. A)uma nota de repúdio às IAs, por simplificarem o conteúdo das produções do Studio Ghibli, que perdem seus traços irreverentes ao serem utilizadas na geração mecânica de imagens.
  2. B)uma carta aberta para incentivar um boicote às IAs, que permitem construir animações mecanizadas de qualquer imagem e emulam as produções do Studio Ghibli no intuito confundir as pessoas.
  3. C)um manifesto contrário ao uso de IAs para gerar o estilo Ghibli, por utilizarem recursos automatizados que imitam animações originais do Studio Ghibli, o que desvaloriza a autenticidade artística do estúdio.
  4. D)uma resenha crítica sobre a forma como as IAs imitam os recursos artesanais do Studio Ghibli para produzir imagens sem identidade autoral, que depreciam o esforço humano.
UNICAMP20261a faseQuestao 60PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Dificil
Em seu ensaio “A vida não é útil”, Ailton Krenak elege Carlos Drummond de Andrade como um de seus “escudos”. Ele cita a última estrofe de “O Homem; as Viagens”, poema publicado em As impurezas do Branco (1973). Reproduzimos, a seguir, a primeira e a segunda estrofe desse poema: “O Homem; as Viagens O homem, bicho da Terra tão pequeno chateia-se na Terra lugar de muita miséria e pouca diversão, faz um foguete, uma cápsula, um módulo toca para a Lua desce cauteloso na Lua pisa na Lua planta bandeirola na Lua experimenta a Lua coloniza a Lua civiliza a Lua humaniza a Lua. Lua humanizada: tão igual à Terra. O homem chateia-se na Lua. Vamos para Marte – ordena a suas máquinas. Elas obedecem, o homem desce em Marte pisa em Marte experimenta coloniza civiliza humaniza Marte com engenho e arte. Marte humanizado, que lugar quadrado. (...)”. (ANDRADE, C. D. O Homem; As viagens, As impurezas do Branco. In: Poesia Completa. Rio de Janeiro, Editora Nova Aguilar, p. 718, 2002.) (KRENAK, A. A vida não é útil. Pesquisa e organização de Rita Carelli. São Paulo: Companhia das Letras, 2020.) Em relação às reflexões de Ailton Krenak, é correto afirmar que esse trecho do poema
  1. A)responsabiliza a ciência e tecnologia, desgastadas em seus valores, pela corrosão das relações nas sociedades contemporâneas.
  2. B)mostra que os Homens, guiados pela ideia de progresso, não adotam uma postura consciente em relação ao seu espaço.
  3. C)evidencia que a Terra, desgastada em seus valores, foi superada pelos elementos da conquista espacial.
  4. D)identifica a aniquilação das sociedades contemporâneas nos programas de governos persuadidos pelo progresso.
UNICAMP20261a faseQuestao 61PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Dificil
Leia os textos 1 e 2. Texto 1 Aos óculos Só fingem que põem o mundo ao alcance dos meus olhos míopes. Na verdade, me exilam dele com filtrar-lhe a menor imagem. Já não vejo as coisas como são: vejo-as como eles querem que as veja. Logo, são eles que veem, não eu que, mesmo cônscio do logro, lhes sou grato por anteciparem em mim o Édipo curioso de suas próprias trevas. (PAES, J. P. Prosas seguidas de Odes mínimas. São Paulo: Companhia das Letras, p. 63, 1992.) Texto 2 “Do grego odé e do latim ōde (ou ōda), a ode era, na antiguidade clássica, um poema destinado a ser cantado, ou um canto alegre, triste ou lírico. Era um poema de alguma extensão, de elevado assunto ou nobre, expressando sentimentos ilustres, em homenagem a algo ou a alguém. Apresentava também a elaboração estrófica, bem como estilo formal nobre e cerimonioso”. (Adaptado do verbete “Ode”, elaborado por Ana Ladeira. In: CEIA, C. E-Dicionário de termos literários (projeto abrigado pela Universidade Nova de Lisboa). Disponível em https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/ode. Acesso em 31/05/2025.) É correto afirmar que a ode mínima de José Paulo Paes reelabora a definição clássica de “ode” ao
  1. A)respeitar a elevação do assunto, a nobreza do tom e os sentimentos ilustres.
  2. B)utilizar-se de um tom elevado e cerimonioso para a homenagem.
  3. C)dirigir-se a um objeto, vinculando-se ao gênero canção popular.
  4. D)celebrar um objeto fundamental, os óculos, e não algo/alguém ilustre.
UNICAMP20261a faseQuestao 62PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Dificil
No conto “Réplica”, que integra a coletânea No seu pescoço, de Chimamanda Adichie, a protagonista vive
  1. A)o choque cultural, consequente das diásporas africanas contemporâneas, reelaborado pelas observações de Nkem.
  2. B)as contradições culturais, consequentes do processo de recolonização da Nigéria, expressas pelos negócios ilícitos de Obiora.
  3. C)a opressão feminina, consequente da falência do modelo africano de sororidade, como no relato de Ijemamaka.
  4. D)o sentimento de nacionalismo, consequente das saudades de práticas culturais, como no estranhamento dos vizinhos brancos (povo oyibo).
UNICAMP20261a faseQuestao 63PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
Leia a citação a seguir, extraída do conto “Pera, uva ou maçã?”, publicado no livro Morangos mofados, de Caio Fernando Abreu, e assinale a alternativa correta sobre o excerto. Foi então que vi aquelas ameixas e achei tão bonitas e tão vermelhas que pedi um quilo e era minha última grana certo porque meus pais não me dão nada e daí eu pensei assim se comprar essas ameixas agora vou ter que voltar a pé para casa mas que importa volto a pé mesmo pode ser até que acorde um pouco e aquela coisa lá longe volte pra perto de mim e então eu vinha caminhando devagarinho as ameixas eu não conseguia parar de comer sabe já tinha comido acho que umas seis estava toda melada quando dobrei a esquina aqui da rua e ia saindo um caixão de defunto do sobrado amarelo na esquina certo acho que era um caixão cheio quer dizer com defunto dentro porque ia saindo e não entrando certo e foi bem na hora que eu dobrei não deu tempo de parar nem de desviar daí então eu tropecei no caixão e as ameixas todas caíram assim paf! na calçada e foi aí que eu reparei naquelas pessoas todas de preto e óculos escuros e lenços no nariz e uma porrada de coroas de flores devia ser um defunto muito rico certo e aquele carro fúnebre ali parado e só aí eu entendi que era um velório. (ABREU, C. F. Morangos Mofados. 9ª. ed. São Paulo: Companhia das Letras, p. 105-106, 2015.)
  1. A)A presença de orações como “foi então que vi”, “foi aí que eu reparei” e “só aí eu entendi” cria um efeito de retardamento da narrativa, o que reflete o estado psicológico de apatia da personagem que fala.
  2. B)A ausência de pontuação cria um efeito de aceleração da narrativa, o que reflete o estado psicológico de ansiedade da personagem que fala.
  3. C)A presença de orações como “foi então que vi”, “foi aí que eu reparei” e “só aí eu entendi” rompe a sequência temporal da narrativa, prejudicando o seu desenvolvimento lógico.
  4. D)A ausência de pontuação desorganiza a sequência das ações da personagem, o que reflete sua confusão e causa uma ambiguidade de sentido em sua narrativa.
UNICAMP20261a faseQuestao 64PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Dificil
O sineiro era um preto velho e doido. Não fazia mais que tocar o sino da capela, para a missa, aos domingos. O resto do tempo vivia calado ou resmungando. Ninguém lhe falava, embora fosse manso. [...] Com a razão, perdera a convivência dos mais. Vivia entregue aos pensamentos solitários, mergulhado na inconsciência e na solidão. A moça representava aos olhos dele alguma coisa mais do que uma simples criatura, era a sociedade humana, e uma sombra de sombra da consciência antiga. (ASSIS, M. de. Casa Velha. Apresentação e notas de Paulo Franchetti. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, p. 85-86, 2023.) No enredo de Casa Velha, é possível afirmar que a cena em que aparece a figura do sineiro cumpre o papel de
  1. A)mostrar a solidariedade de classe desenvolvida por Lalau que, sendo uma agregada, identifica seus interesses com os do velho sineiro.
  2. B)exibir o caráter caridoso de Dona Antônia, que mantém o escravizado sob seus cuidados mesmo após deixar de ser útil como trabalhador.
  3. C)expor a Dona Antônia o sentimento existente entre Lalau e seu filho, enquanto ele observa a compaixão da moça pelo sineiro.
  4. D)sugerir a complexidade da organização social característica da Casa Velha, na qual se via representada toda a sociedade humana.
UNICAMP20261a faseQuestao 65PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
Leia os versos da canção abaixo e assinale a alternativa correta. ALVORADA Alvorada lá no morro, que beleza, Ninguém chora, não há tristeza, Ninguém sente dissabor. O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo. E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo. Você também me lembra a alvorada Quando chega iluminando Meus caminhos tão sem vida. E o que me resta é bem pouco, quase nada, do que ir assim vagando numa estrada perdida. (CARTOLA. Alvorada. In: Cartola. Rio de Janeiro: Marcus Pereira Discos, 1974.)
  1. A)O eu-lírico enfatiza a harmonia entre a cena idílica do morro no momento da alvorada e a alegria de sua vida junto à pessoa amada.
  2. B)O eu-lírico enfatiza um contraste entre a alegria da alvorada no morro e a pobreza das pessoas que habitam aquele espaço.
  3. C)A alvorada no morro é, para o eu-lírico, como a imagem da pessoa amada, que lhe traz alegria, apesar de sua desilusão e desesperança.
  4. D)A alvorada no morro funciona, no poema, como imagem do futuro que pode ser transformado pelo amor, apesar das condições de vida difíceis.
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