examine a tirinha do cartunista Caco Galhardo.
(Caco Galhardo. Bicudinho, 2024.)
A tirinha permite caracterizar Valter, o personagem de camisa amarela, como
examine a tirinha do cartunista Caco Galhardo.
(Caco Galhardo. Bicudinho, 2024.)
O pronome relativo que consta da tirinha retoma o seguinte termo:
Imagens anexadas
A)“Europa”.
B)“tio-avô”.
C)“velhaco”.
D)“mansão”.
E)“homem”.
FAMEMA20261a faseQuestao 3PortuguêsSemântica e ambiguidadeMedia
1 — Quer comprar o meu banco? Ele não está à venda. Falava com superioridade de banqueiro que se sabe forte na praça, capaz de resistir à pressão de grupos econômicos poderosos. Tornou-se arrogante: — Não vendo ele de jeito nenhum. Já recusei muitas propostas. Por que havia de vender? Gosto dele, não vai mudar de proprietário enquanto eu for vivo. — Perdão, eu não queria comprar. 5 — Queria então o quê? — Queria permissão para ver. Estou estudando mobiliário barroco, e soube que o senhor tem em casa uma peça valiosa. — Valiosa? Pra mim ele não pode ser avaliado em cruzeiros. Nem em dólar, que aliás hoje não é mais lá essas coisas. O senhor quer ver apenas? — Ver e, com sua licença, fotografar. — Ah, fotografar pra quê? Pra botar no jornal? 10 — Não trabalho em jornal. — Então, trabalha pro governo, já vi tudo. Vem ver o meu banco, tira retrato, faz relatório, depois, pimba: o governo desapropria o meu banco por essa tal de utilidade pública. Muito bonito. — O senhor está completamente enganado. Não sou funcionário público, sou estudante e trabalho no escritório da Light1. Olhe aqui as minhas carteiras. — Carteiras? Carteira não prova nada. — Bem, se não acredita… 15 — Prefiro acreditar na sua cara, que me parece de gente de bem. Pode entrar. A salinha era pobre, só o banco impunha sua classe, misturado a trastes sem estilo. — Século XVII, no duro. Joia. — Eu sei, eu conheço o que é meu. — O senhor permite que eu tome as medidas? 20 — Pra que tirar medida? Não chega tirar retrato? — Para documentar bem a peça. Vou fazer um sucesso danado lá na Escola, com o trabalho sobre este banco. A desconfiança voltou a acinzentar os olhos do dono: — Sei não. Este seu interesse pelo meu banco… — O senhor está pensando que eu vim a mando de algum antiquário? Dou minha palavra de honra que faço uma pesquisa escolar. 25 — Bom, pode tirar as medidas. O rapaz aproximou-se, alisou o couro lavrado, com carinho. Banco de igreja nordestina, jacarandá venerando, oito pés retorcidos, duas traves torneadas, como é que um tesouro desses foi parar naquela casinha vulgar de Madureira? — Vou dar ao senhor cópias das fotos. — Não carece, moço. Prefiro olhar pro meu banco do que olhar pro retrato dele. — O senhor… posso saber como essa coisa linda veio ter às suas mãos? 30 — Olha só a curiosidade dele. Eu não falei? Agora tem fiscalização de móveis na casa da gente? — Não precisa responder, é claro. Está se vendo que isto é um bem de família, o senhor herdou de seu pai.
— E meu pai de meu avô. Meu avô do pai dele, ou da mãe, sei lá. Negócio muito do antigório. — Mas este banco não é do tempo do seu bisavô. É muito mais antigo. — Como é que eu posso saber quem foi a primeira pessoa da minha família que possuiu este banco? Não sou adivinhão. 35 — Bem, ele saiu duma igreja. — Isso eu sei. — Não estou duvidando de sua família, claro. Absolutamente. Mas seus pais não lhe contaram nada, nada, não lhe falaram de uma tradição da família em torno deste banco? Ficou pensativo, coçando a testa. — Parece que tinha um padre… 40 — Lógico que tinha um padre. — Vou confiar no senhor. Negócio perdido na fumaceira do tempo, né? a gente pode contar. — Isso. — Uma dona da nossa família era casada com ele. Naquela base, entende? O padre morreu, a comadre guardou o banco de lembrança. O senhor vê que este banco é sagrado. Não vendo ele pra Onassis2 nenhum. Ninguém tem o direito de sentar nele. Nem eu. Sou pobre mas sustento a honra do passado. Agora que já sabe tudo, o senhor aceita uma xicra de café coado na hora? (Carlos Drummond de Andrade. 70 historinhas, 2016.) 1 Light: antiga companhia de energia elétrica do Rio de Janeiro. 2 Onassis: Aristóteles Onassis (1906-1975), antigo empresário rico e famoso.
Na construção de sua crônica, Drummond explora inicialmente a ambiguidade da palavra “banco”. Tal ambiguidade apenas será desfeita a partir da seguinte frase:
A)“Gosto dele, não vai mudar de proprietário enquanto eu for vivo” (3o parágrafo).
B)“Falava com superioridade de banqueiro que se sabe forte na praça” (2o parágrafo).
E)“Pra mim ele não pode ser avaliado em cruzeiros” (7o parágrafo).
FAMEMA20261a faseQuestao 4PortuguêsInterpretação de texto literárioMedia
1 — Quer comprar o meu banco? Ele não está à venda. Falava com superioridade de banqueiro que se sabe forte na praça, capaz de resistir à pressão de grupos econômicos poderosos. Tornou-se arrogante: — Não vendo ele de jeito nenhum. Já recusei muitas propostas. Por que havia de vender? Gosto dele, não vai mudar de proprietário enquanto eu for vivo. — Perdão, eu não queria comprar. 5 — Queria então o quê? — Queria permissão para ver. Estou estudando mobiliário barroco, e soube que o senhor tem em casa uma peça valiosa. — Valiosa? Pra mim ele não pode ser avaliado em cruzeiros. Nem em dólar, que aliás hoje não é mais lá essas coisas. O senhor quer ver apenas? — Ver e, com sua licença, fotografar. — Ah, fotografar pra quê? Pra botar no jornal? 10 — Não trabalho em jornal. — Então, trabalha pro governo, já vi tudo. Vem ver o meu banco, tira retrato, faz relatório, depois, pimba: o governo desapropria o meu banco por essa tal de utilidade pública. Muito bonito. — O senhor está completamente enganado. Não sou funcionário público, sou estudante e trabalho no escritório da Light1. Olhe aqui as minhas carteiras. — Carteiras? Carteira não prova nada. — Bem, se não acredita… 15 — Prefiro acreditar na sua cara, que me parece de gente de bem. Pode entrar. A salinha era pobre, só o banco impunha sua classe, misturado a trastes sem estilo. — Século XVII, no duro. Joia. — Eu sei, eu conheço o que é meu. — O senhor permite que eu tome as medidas? 20 — Pra que tirar medida? Não chega tirar retrato? — Para documentar bem a peça. Vou fazer um sucesso danado lá na Escola, com o trabalho sobre este banco. A desconfiança voltou a acinzentar os olhos do dono: — Sei não. Este seu interesse pelo meu banco… — O senhor está pensando que eu vim a mando de algum antiquário? Dou minha palavra de honra que faço uma pesquisa escolar. 25 — Bom, pode tirar as medidas. O rapaz aproximou-se, alisou o couro lavrado, com carinho. Banco de igreja nordestina, jacarandá venerando, oito pés retorcidos, duas traves torneadas, como é que um tesouro desses foi parar naquela casinha vulgar de Madureira? — Vou dar ao senhor cópias das fotos. — Não carece, moço. Prefiro olhar pro meu banco do que olhar pro retrato dele. — O senhor… posso saber como essa coisa linda veio ter às suas mãos? 30 — Olha só a curiosidade dele. Eu não falei? Agora tem fiscalização de móveis na casa da gente? — Não precisa responder, é claro. Está se vendo que isto é um bem de família, o senhor herdou de seu pai.
— E meu pai de meu avô. Meu avô do pai dele, ou da mãe, sei lá. Negócio muito do antigório. — Mas este banco não é do tempo do seu bisavô. É muito mais antigo. — Como é que eu posso saber quem foi a primeira pessoa da minha família que possuiu este banco? Não sou adivinhão. 35 — Bem, ele saiu duma igreja. — Isso eu sei. — Não estou duvidando de sua família, claro. Absolutamente. Mas seus pais não lhe contaram nada, nada, não lhe falaram de uma tradição da família em torno deste banco? Ficou pensativo, coçando a testa. — Parece que tinha um padre… 40 — Lógico que tinha um padre. — Vou confiar no senhor. Negócio perdido na fumaceira do tempo, né? a gente pode contar. — Isso. — Uma dona da nossa família era casada com ele. Naquela base, entende? O padre morreu, a comadre guardou o banco de lembrança. O senhor vê que este banco é sagrado. Não vendo ele pra Onassis2 nenhum. Ninguém tem o direito de sentar nele. Nem eu. Sou pobre mas sustento a honra do passado. Agora que já sabe tudo, o senhor aceita uma xicra de café coado na hora? (Carlos Drummond de Andrade. 70 historinhas, 2016.) 1 Light: antiga companhia de energia elétrica do Rio de Janeiro. 2 Onassis: Aristóteles Onassis (1906-1975), antigo empresário rico e famoso.
Depreende-se do desfecho da crônica que a posse do banco pela família do atual proprietário remonta a
1 — Quer comprar o meu banco? Ele não está à venda. Falava com superioridade de banqueiro que se sabe forte na praça, capaz de resistir à pressão de grupos econômicos poderosos. Tornou-se arrogante: — Não vendo ele de jeito nenhum. Já recusei muitas propostas. Por que havia de vender? Gosto dele, não vai mudar de proprietário enquanto eu for vivo. — Perdão, eu não queria comprar. 5 — Queria então o quê? — Queria permissão para ver. Estou estudando mobiliário barroco, e soube que o senhor tem em casa uma peça valiosa. — Valiosa? Pra mim ele não pode ser avaliado em cruzeiros. Nem em dólar, que aliás hoje não é mais lá essas coisas. O senhor quer ver apenas? — Ver e, com sua licença, fotografar. — Ah, fotografar pra quê? Pra botar no jornal? 10 — Não trabalho em jornal. — Então, trabalha pro governo, já vi tudo. Vem ver o meu banco, tira retrato, faz relatório, depois, pimba: o governo desapropria o meu banco por essa tal de utilidade pública. Muito bonito. — O senhor está completamente enganado. Não sou funcionário público, sou estudante e trabalho no escritório da Light1. Olhe aqui as minhas carteiras. — Carteiras? Carteira não prova nada. — Bem, se não acredita… 15 — Prefiro acreditar na sua cara, que me parece de gente de bem. Pode entrar. A salinha era pobre, só o banco impunha sua classe, misturado a trastes sem estilo. — Século XVII, no duro. Joia. — Eu sei, eu conheço o que é meu. — O senhor permite que eu tome as medidas? 20 — Pra que tirar medida? Não chega tirar retrato? — Para documentar bem a peça. Vou fazer um sucesso danado lá na Escola, com o trabalho sobre este banco. A desconfiança voltou a acinzentar os olhos do dono: — Sei não. Este seu interesse pelo meu banco… — O senhor está pensando que eu vim a mando de algum antiquário? Dou minha palavra de honra que faço uma pesquisa escolar. 25 — Bom, pode tirar as medidas. O rapaz aproximou-se, alisou o couro lavrado, com carinho. Banco de igreja nordestina, jacarandá venerando, oito pés retorcidos, duas traves torneadas, como é que um tesouro desses foi parar naquela casinha vulgar de Madureira? — Vou dar ao senhor cópias das fotos. — Não carece, moço. Prefiro olhar pro meu banco do que olhar pro retrato dele. — O senhor… posso saber como essa coisa linda veio ter às suas mãos? 30 — Olha só a curiosidade dele. Eu não falei? Agora tem fiscalização de móveis na casa da gente? — Não precisa responder, é claro. Está se vendo que isto é um bem de família, o senhor herdou de seu pai.
— E meu pai de meu avô. Meu avô do pai dele, ou da mãe, sei lá. Negócio muito do antigório. — Mas este banco não é do tempo do seu bisavô. É muito mais antigo. — Como é que eu posso saber quem foi a primeira pessoa da minha família que possuiu este banco? Não sou adivinhão. 35 — Bem, ele saiu duma igreja. — Isso eu sei. — Não estou duvidando de sua família, claro. Absolutamente. Mas seus pais não lhe contaram nada, nada, não lhe falaram de uma tradição da família em torno deste banco? Ficou pensativo, coçando a testa. — Parece que tinha um padre… 40 — Lógico que tinha um padre. — Vou confiar no senhor. Negócio perdido na fumaceira do tempo, né? a gente pode contar. — Isso. — Uma dona da nossa família era casada com ele. Naquela base, entende? O padre morreu, a comadre guardou o banco de lembrança. O senhor vê que este banco é sagrado. Não vendo ele pra Onassis2 nenhum. Ninguém tem o direito de sentar nele. Nem eu. Sou pobre mas sustento a honra do passado. Agora que já sabe tudo, o senhor aceita uma xicra de café coado na hora? (Carlos Drummond de Andrade. 70 historinhas, 2016.) 1 Light: antiga companhia de energia elétrica do Rio de Janeiro. 2 Onassis: Aristóteles Onassis (1906-1975), antigo empresário rico e famoso.
Diferentemente do proprietário do banco, o estudante emprega apenas pontualmente expressões próprias da linguagem coloquial, a exemplo do que se verifica em:
A)“— Para documentar bem a peça. Vou fazer um sucesso danado lá na Escola, com o trabalho sobre este banco.” (21o parágrafo)
B)“— Queria permissão para ver. Estou estudando mobiliário barroco, e soube que o senhor tem em casa uma peça valiosa.” (6o parágrafo)
C)“— O senhor está completamente enganado. Não sou funcionário público, sou estudante e trabalho no escritório da Light.” (12o parágrafo)
D)“— O senhor está pensando que eu vim a mando de algum antiquário? Dou minha palavra de honra que faço uma pesquisa escolar.” (24o parágrafo)
E)“— Mas este banco não é do tempo do seu bisavô. É muito mais antigo.” (33o parágrafo)
FAMEMA20261a faseQuestao 6PortuguêsFiguras de linguagemMedia
1 — Quer comprar o meu banco? Ele não está à venda. Falava com superioridade de banqueiro que se sabe forte na praça, capaz de resistir à pressão de grupos econômicos poderosos. Tornou-se arrogante: — Não vendo ele de jeito nenhum. Já recusei muitas propostas. Por que havia de vender? Gosto dele, não vai mudar de proprietário enquanto eu for vivo. — Perdão, eu não queria comprar. 5 — Queria então o quê? — Queria permissão para ver. Estou estudando mobiliário barroco, e soube que o senhor tem em casa uma peça valiosa. — Valiosa? Pra mim ele não pode ser avaliado em cruzeiros. Nem em dólar, que aliás hoje não é mais lá essas coisas. O senhor quer ver apenas? — Ver e, com sua licença, fotografar. — Ah, fotografar pra quê? Pra botar no jornal? 10 — Não trabalho em jornal. — Então, trabalha pro governo, já vi tudo. Vem ver o meu banco, tira retrato, faz relatório, depois, pimba: o governo desapropria o meu banco por essa tal de utilidade pública. Muito bonito. — O senhor está completamente enganado. Não sou funcionário público, sou estudante e trabalho no escritório da Light1. Olhe aqui as minhas carteiras. — Carteiras? Carteira não prova nada. — Bem, se não acredita… 15 — Prefiro acreditar na sua cara, que me parece de gente de bem. Pode entrar. A salinha era pobre, só o banco impunha sua classe, misturado a trastes sem estilo. — Século XVII, no duro. Joia. — Eu sei, eu conheço o que é meu. — O senhor permite que eu tome as medidas? 20 — Pra que tirar medida? Não chega tirar retrato? — Para documentar bem a peça. Vou fazer um sucesso danado lá na Escola, com o trabalho sobre este banco. A desconfiança voltou a acinzentar os olhos do dono: — Sei não. Este seu interesse pelo meu banco… — O senhor está pensando que eu vim a mando de algum antiquário? Dou minha palavra de honra que faço uma pesquisa escolar. 25 — Bom, pode tirar as medidas. O rapaz aproximou-se, alisou o couro lavrado, com carinho. Banco de igreja nordestina, jacarandá venerando, oito pés retorcidos, duas traves torneadas, como é que um tesouro desses foi parar naquela casinha vulgar de Madureira? — Vou dar ao senhor cópias das fotos. — Não carece, moço. Prefiro olhar pro meu banco do que olhar pro retrato dele. — O senhor… posso saber como essa coisa linda veio ter às suas mãos? 30 — Olha só a curiosidade dele. Eu não falei? Agora tem fiscalização de móveis na casa da gente? — Não precisa responder, é claro. Está se vendo que isto é um bem de família, o senhor herdou de seu pai.
— E meu pai de meu avô. Meu avô do pai dele, ou da mãe, sei lá. Negócio muito do antigório. — Mas este banco não é do tempo do seu bisavô. É muito mais antigo. — Como é que eu posso saber quem foi a primeira pessoa da minha família que possuiu este banco? Não sou adivinhão. 35 — Bem, ele saiu duma igreja. — Isso eu sei. — Não estou duvidando de sua família, claro. Absolutamente. Mas seus pais não lhe contaram nada, nada, não lhe falaram de uma tradição da família em torno deste banco? Ficou pensativo, coçando a testa. — Parece que tinha um padre… 40 — Lógico que tinha um padre. — Vou confiar no senhor. Negócio perdido na fumaceira do tempo, né? a gente pode contar. — Isso. — Uma dona da nossa família era casada com ele. Naquela base, entende? O padre morreu, a comadre guardou o banco de lembrança. O senhor vê que este banco é sagrado. Não vendo ele pra Onassis2 nenhum. Ninguém tem o direito de sentar nele. Nem eu. Sou pobre mas sustento a honra do passado. Agora que já sabe tudo, o senhor aceita uma xicra de café coado na hora? (Carlos Drummond de Andrade. 70 historinhas, 2016.) 1 Light: antiga companhia de energia elétrica do Rio de Janeiro. 2 Onassis: Aristóteles Onassis (1906-1975), antigo empresário rico e famoso.
A figura de linguagem denominada antítese é explorada no seguinte trecho:
A)“Pra mim ele não pode ser avaliado em cruzeiros.” (7o parágrafo)
B)“Vou fazer um sucesso danado lá na Escola, com o trabalho sobre este banco.” (21o parágrafo)
C)“A salinha era pobre, só o banco impunha sua classe, misturado a trastes sem estilo.” (16o parágrafo)
D)“Estou estudando mobiliário barroco, e soube que o senhor tem em casa uma peça valiosa.” (6o parágrafo)
E)“Está se vendo que isto é um bem de família, o senhor herdou de seu pai.” (31o parágrafo)
FAMEMA20261a faseQuestao 7PortuguêsTipos de discursoDificil
1 — Quer comprar o meu banco? Ele não está à venda. Falava com superioridade de banqueiro que se sabe forte na praça, capaz de resistir à pressão de grupos econômicos poderosos. Tornou-se arrogante: — Não vendo ele de jeito nenhum. Já recusei muitas propostas. Por que havia de vender? Gosto dele, não vai mudar de proprietário enquanto eu for vivo. — Perdão, eu não queria comprar. 5 — Queria então o quê? — Queria permissão para ver. Estou estudando mobiliário barroco, e soube que o senhor tem em casa uma peça valiosa. — Valiosa? Pra mim ele não pode ser avaliado em cruzeiros. Nem em dólar, que aliás hoje não é mais lá essas coisas. O senhor quer ver apenas? — Ver e, com sua licença, fotografar. — Ah, fotografar pra quê? Pra botar no jornal? 10 — Não trabalho em jornal. — Então, trabalha pro governo, já vi tudo. Vem ver o meu banco, tira retrato, faz relatório, depois, pimba: o governo desapropria o meu banco por essa tal de utilidade pública. Muito bonito. — O senhor está completamente enganado. Não sou funcionário público, sou estudante e trabalho no escritório da Light1. Olhe aqui as minhas carteiras. — Carteiras? Carteira não prova nada. — Bem, se não acredita… 15 — Prefiro acreditar na sua cara, que me parece de gente de bem. Pode entrar. A salinha era pobre, só o banco impunha sua classe, misturado a trastes sem estilo. — Século XVII, no duro. Joia. — Eu sei, eu conheço o que é meu. — O senhor permite que eu tome as medidas? 20 — Pra que tirar medida? Não chega tirar retrato? — Para documentar bem a peça. Vou fazer um sucesso danado lá na Escola, com o trabalho sobre este banco. A desconfiança voltou a acinzentar os olhos do dono: — Sei não. Este seu interesse pelo meu banco… — O senhor está pensando que eu vim a mando de algum antiquário? Dou minha palavra de honra que faço uma pesquisa escolar. 25 — Bom, pode tirar as medidas. O rapaz aproximou-se, alisou o couro lavrado, com carinho. Banco de igreja nordestina, jacarandá venerando, oito pés retorcidos, duas traves torneadas, como é que um tesouro desses foi parar naquela casinha vulgar de Madureira? — Vou dar ao senhor cópias das fotos. — Não carece, moço. Prefiro olhar pro meu banco do que olhar pro retrato dele. — O senhor… posso saber como essa coisa linda veio ter às suas mãos? 30 — Olha só a curiosidade dele. Eu não falei? Agora tem fiscalização de móveis na casa da gente? — Não precisa responder, é claro. Está se vendo que isto é um bem de família, o senhor herdou de seu pai.
— E meu pai de meu avô. Meu avô do pai dele, ou da mãe, sei lá. Negócio muito do antigório. — Mas este banco não é do tempo do seu bisavô. É muito mais antigo. — Como é que eu posso saber quem foi a primeira pessoa da minha família que possuiu este banco? Não sou adivinhão. 35 — Bem, ele saiu duma igreja. — Isso eu sei. — Não estou duvidando de sua família, claro. Absolutamente. Mas seus pais não lhe contaram nada, nada, não lhe falaram de uma tradição da família em torno deste banco? Ficou pensativo, coçando a testa. — Parece que tinha um padre… 40 — Lógico que tinha um padre. — Vou confiar no senhor. Negócio perdido na fumaceira do tempo, né? a gente pode contar. — Isso. — Uma dona da nossa família era casada com ele. Naquela base, entende? O padre morreu, a comadre guardou o banco de lembrança. O senhor vê que este banco é sagrado. Não vendo ele pra Onassis2 nenhum. Ninguém tem o direito de sentar nele. Nem eu. Sou pobre mas sustento a honra do passado. Agora que já sabe tudo, o senhor aceita uma xicra de café coado na hora? (Carlos Drummond de Andrade. 70 historinhas, 2016.) 1 Light: antiga companhia de energia elétrica do Rio de Janeiro. 2 Onassis: Aristóteles Onassis (1906-1975), antigo empresário rico e famoso.
A voz de um dos personagens mescla-se à voz do cronista, configurando o que se convencionou chamar de discurso indireto livre em:
A)“— Como é que eu posso saber quem foi a primeira pessoa da minha família que possuiu este banco?” (34o parágrafo)
B)“Falava com superioridade de banqueiro que se sabe forte na praça, capaz de resistir à pressão de grupos econômicos poderosos.” (2o parágrafo)
C)“A desconfiança voltou a acinzentar os olhos do dono: — Sei não. Este seu interesse pelo meu banco…” (22o/23o parágrafos)
D)“Banco de igreja nordestina, jacarandá venerando, oito pés retorcidos, duas traves torneadas, como é que um tesouro desses foi parar naquela casinha vulgar de Madureira?” (26o parágrafo)
E)“— Vou confiar no senhor. Negócio perdido na fumaceira do tempo, né? a gente pode contar.” (41o parágrafo)
1 — Quer comprar o meu banco? Ele não está à venda. Falava com superioridade de banqueiro que se sabe forte na praça, capaz de resistir à pressão de grupos econômicos poderosos. Tornou-se arrogante: — Não vendo ele de jeito nenhum. Já recusei muitas propostas. Por que havia de vender? Gosto dele, não vai mudar de proprietário enquanto eu for vivo. — Perdão, eu não queria comprar. 5 — Queria então o quê? — Queria permissão para ver. Estou estudando mobiliário barroco, e soube que o senhor tem em casa uma peça valiosa. — Valiosa? Pra mim ele não pode ser avaliado em cruzeiros. Nem em dólar, que aliás hoje não é mais lá essas coisas. O senhor quer ver apenas? — Ver e, com sua licença, fotografar. — Ah, fotografar pra quê? Pra botar no jornal? 10 — Não trabalho em jornal. — Então, trabalha pro governo, já vi tudo. Vem ver o meu banco, tira retrato, faz relatório, depois, pimba: o governo desapropria o meu banco por essa tal de utilidade pública. Muito bonito. — O senhor está completamente enganado. Não sou funcionário público, sou estudante e trabalho no escritório da Light1. Olhe aqui as minhas carteiras. — Carteiras? Carteira não prova nada. — Bem, se não acredita… 15 — Prefiro acreditar na sua cara, que me parece de gente de bem. Pode entrar. A salinha era pobre, só o banco impunha sua classe, misturado a trastes sem estilo. — Século XVII, no duro. Joia. — Eu sei, eu conheço o que é meu. — O senhor permite que eu tome as medidas? 20 — Pra que tirar medida? Não chega tirar retrato? — Para documentar bem a peça. Vou fazer um sucesso danado lá na Escola, com o trabalho sobre este banco. A desconfiança voltou a acinzentar os olhos do dono: — Sei não. Este seu interesse pelo meu banco… — O senhor está pensando que eu vim a mando de algum antiquário? Dou minha palavra de honra que faço uma pesquisa escolar. 25 — Bom, pode tirar as medidas. O rapaz aproximou-se, alisou o couro lavrado, com carinho. Banco de igreja nordestina, jacarandá venerando, oito pés retorcidos, duas traves torneadas, como é que um tesouro desses foi parar naquela casinha vulgar de Madureira? — Vou dar ao senhor cópias das fotos. — Não carece, moço. Prefiro olhar pro meu banco do que olhar pro retrato dele. — O senhor… posso saber como essa coisa linda veio ter às suas mãos? 30 — Olha só a curiosidade dele. Eu não falei? Agora tem fiscalização de móveis na casa da gente? — Não precisa responder, é claro. Está se vendo que isto é um bem de família, o senhor herdou de seu pai.
— E meu pai de meu avô. Meu avô do pai dele, ou da mãe, sei lá. Negócio muito do antigório. — Mas este banco não é do tempo do seu bisavô. É muito mais antigo. — Como é que eu posso saber quem foi a primeira pessoa da minha família que possuiu este banco? Não sou adivinhão. 35 — Bem, ele saiu duma igreja. — Isso eu sei. — Não estou duvidando de sua família, claro. Absolutamente. Mas seus pais não lhe contaram nada, nada, não lhe falaram de uma tradição da família em torno deste banco? Ficou pensativo, coçando a testa. — Parece que tinha um padre… 40 — Lógico que tinha um padre. — Vou confiar no senhor. Negócio perdido na fumaceira do tempo, né? a gente pode contar. — Isso. — Uma dona da nossa família era casada com ele. Naquela base, entende? O padre morreu, a comadre guardou o banco de lembrança. O senhor vê que este banco é sagrado. Não vendo ele pra Onassis2 nenhum. Ninguém tem o direito de sentar nele. Nem eu. Sou pobre mas sustento a honra do passado. Agora que já sabe tudo, o senhor aceita uma xicra de café coado na hora? (Carlos Drummond de Andrade. 70 historinhas, 2016.) 1 Light: antiga companhia de energia elétrica do Rio de Janeiro. 2 Onassis: Aristóteles Onassis (1906-1975), antigo empresário rico e famoso.
“Gosto dele, não vai mudar de proprietário enquanto eu for vivo.” (3o parágrafo)
Em relação à oração que a antecede, a oração sublinhada expressa ideia de
A)finalidade.
B)tempo.
C)consequência.
D)condição.
E)causa.
FAMEMA20261a faseQuestao 9PortuguêsFormação de palavrasFacil
1 — Quer comprar o meu banco? Ele não está à venda. Falava com superioridade de banqueiro que se sabe forte na praça, capaz de resistir à pressão de grupos econômicos poderosos. Tornou-se arrogante: — Não vendo ele de jeito nenhum. Já recusei muitas propostas. Por que havia de vender? Gosto dele, não vai mudar de proprietário enquanto eu for vivo. — Perdão, eu não queria comprar. 5 — Queria então o quê? — Queria permissão para ver. Estou estudando mobiliário barroco, e soube que o senhor tem em casa uma peça valiosa. — Valiosa? Pra mim ele não pode ser avaliado em cruzeiros. Nem em dólar, que aliás hoje não é mais lá essas coisas. O senhor quer ver apenas? — Ver e, com sua licença, fotografar. — Ah, fotografar pra quê? Pra botar no jornal? 10 — Não trabalho em jornal. — Então, trabalha pro governo, já vi tudo. Vem ver o meu banco, tira retrato, faz relatório, depois, pimba: o governo desapropria o meu banco por essa tal de utilidade pública. Muito bonito. — O senhor está completamente enganado. Não sou funcionário público, sou estudante e trabalho no escritório da Light1. Olhe aqui as minhas carteiras. — Carteiras? Carteira não prova nada. — Bem, se não acredita… 15 — Prefiro acreditar na sua cara, que me parece de gente de bem. Pode entrar. A salinha era pobre, só o banco impunha sua classe, misturado a trastes sem estilo. — Século XVII, no duro. Joia. — Eu sei, eu conheço o que é meu. — O senhor permite que eu tome as medidas? 20 — Pra que tirar medida? Não chega tirar retrato? — Para documentar bem a peça. Vou fazer um sucesso danado lá na Escola, com o trabalho sobre este banco. A desconfiança voltou a acinzentar os olhos do dono: — Sei não. Este seu interesse pelo meu banco… — O senhor está pensando que eu vim a mando de algum antiquário? Dou minha palavra de honra que faço uma pesquisa escolar. 25 — Bom, pode tirar as medidas. O rapaz aproximou-se, alisou o couro lavrado, com carinho. Banco de igreja nordestina, jacarandá venerando, oito pés retorcidos, duas traves torneadas, como é que um tesouro desses foi parar naquela casinha vulgar de Madureira? — Vou dar ao senhor cópias das fotos. — Não carece, moço. Prefiro olhar pro meu banco do que olhar pro retrato dele. — O senhor… posso saber como essa coisa linda veio ter às suas mãos? 30 — Olha só a curiosidade dele. Eu não falei? Agora tem fiscalização de móveis na casa da gente? — Não precisa responder, é claro. Está se vendo que isto é um bem de família, o senhor herdou de seu pai.
— E meu pai de meu avô. Meu avô do pai dele, ou da mãe, sei lá. Negócio muito do antigório. — Mas este banco não é do tempo do seu bisavô. É muito mais antigo. — Como é que eu posso saber quem foi a primeira pessoa da minha família que possuiu este banco? Não sou adivinhão. 35 — Bem, ele saiu duma igreja. — Isso eu sei. — Não estou duvidando de sua família, claro. Absolutamente. Mas seus pais não lhe contaram nada, nada, não lhe falaram de uma tradição da família em torno deste banco? Ficou pensativo, coçando a testa. — Parece que tinha um padre… 40 — Lógico que tinha um padre. — Vou confiar no senhor. Negócio perdido na fumaceira do tempo, né? a gente pode contar. — Isso. — Uma dona da nossa família era casada com ele. Naquela base, entende? O padre morreu, a comadre guardou o banco de lembrança. O senhor vê que este banco é sagrado. Não vendo ele pra Onassis2 nenhum. Ninguém tem o direito de sentar nele. Nem eu. Sou pobre mas sustento a honra do passado. Agora que já sabe tudo, o senhor aceita uma xicra de café coado na hora? (Carlos Drummond de Andrade. 70 historinhas, 2016.) 1 Light: antiga companhia de energia elétrica do Rio de Janeiro. 2 Onassis: Aristóteles Onassis (1906-1975), antigo empresário rico e famoso.
Uma palavra formada com prefixo que expressa negação ocorre no seguinte trecho:
A)“O senhor está completamente enganado” (12o parágrafo).
B)“capaz de resistir à pressão” (2o parágrafo).
C)“Não vendo ele de jeito nenhum” (3o parágrafo).
D)“Já recusei muitas propostas” (3o parágrafo).
E)“o governo desapropria o meu banco” (11o parágrafo).
O traço marcante dessa estética é o primado da emoção e a aparente rejeição do racionalismo que assinalara o neoclassicismo. Paralelamente a este traço, tal estética preza a expressão espontânea em plena liberdade, fora da regras de construção literária. Todas estas características vão confluir no subjetivismo (em oposição ao objetivismo neoclássico) e no primado da imaginação como fonte criadora principal. (Magaly Trindade Gonçalves et al (orgs.). Antologia comentada de Literatura Brasileira, 2006. Adaptado.) O objeto do texto é a estética
Em determinado dia, Verônica e Vanessa visitarão um total de 9 lojas e escolherão quais lojas cada uma delas irá visitar, de maneira que cada loja seja visitada por apenas uma delas. Uma das lojas está localizada perto da casa de Verônica; por isso, se, na divisão das lojas a serem visitadas, Verônica for visitar a loja que fica próxima à sua casa, ela visitará 6 lojas, e Vanessa visitará as outras 3 lojas. No entanto, se, nessa divisão, Verônica não for visitar a loja que está localizada perto de sua casa, Vanessa visitará 5 lojas e Verônica visitará as outras 4 lojas. O número de maneiras distintas de Verônica e Vanessa escolherem as lojas que cada uma irá visitar é
A)135.
B)108.
C)117.
D)144.
E)126.
FAMEMA20261a faseQuestao 12MatemáticaPorcentagem e equaçõesMedia
Em certa cidade, o número total de matrículas no Ensino Fundamental (EF) e no Ensino Médio (EM) aumentou 2% de 2024 para 2025, sendo que, nesse período, o número de matrículas no EF aumentou em 5% e o número de matrículas no EM diminuiu em 4%. Nessa cidade, em 2025, havia 420 alunos matriculados no EF. Nessas condições, o número de alunos matriculados no EM em 2025 foi
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