Prova · UEMG 2016

Prova UEMG 2016: questões por disciplina

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O que caiu na prova 2016

Questões da prova UEMG 2016

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UEMG2016Fase unicaQuestao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
TEXTO I As últimas do mineiro Talvez porque numa das vezes em que alguém bateu com a língua nos dentes um pescoço foi parar na forca, Minas trabalha em silêncio, como se diz. Pode não ser verdade, mas é a versão, que acaba prejudicando mais do que favorecendo a imagem de um estado que, além das riquezas naturais e de uma poderosa tradição política, tem o maior patrimônio histórico-cultural do país. Numa época de predomínio do marketing, em que o importante é mostrar mais do que fazer, ficar calado no seu canto pode não ser um bom negócio. Como afirma um amigo de Belo Horizonte, “temos os melhores grupos de dança do país, cantores e compositores excelentes, artistas plásticos e grupos teatrais de alta qualidade, mas não divulgamos, temos pudor de nos exibir, de mostrar ao país o que somos”. Ele acredita que de fora se tem uma visão regionalista limitada à memória e à questão do patrimônio histórico, à longa tradição de pedra e cal da cultura mineira. Sem descuidar desse acervo (só de barroco estão ali 65% do patrimônio nacional), o desafio dos governantes mineiros é mostrar sem reserva o que Minas tem de mais moderno, cosmopolita e contemporâneo. Mas acho que não será fácil assim. A não ser meu amigo Ziraldo, que adora se mostrar, tendo aliás razão para isso, que outro mineiro vocês imaginam chamando a atenção para o que está fazendo? Num artigo famoso, Guimarães Rosa listou 66 adjetivos com os quais são caracterizados seus conterrâneos. Eles vão de “acanhado, afável, desconfiado” até “sonso, sóbrio, taciturno, tímido”, passando por “precavido, pão-duro, perspicaz, quieto, irônico, meditativo”. Fernando Sabino, que conhece a alma mineira como a dele próprio, tem várias histórias para ilustrar como seus conterrâneos ficam sempre na moita. Mineiro não gosta de revelar nem a identidade. — Qual é o seu nome todo? — pergunta o carioca. — Diz a parte que você sabe — desconversa o mineiro. Nessa aqui o escritor conta o diálogo com um motorista mineiro em Nova York: — Ah, você também é de Minas? — Sou sim sinhô. — De onde? — De Minas mesmo. Se consegue esconder até de onde é, imagina quando lhe pedem uma opinião política. — Que tal o prefeito daqui? — O prefeito? É tal qual eles falam dele. — Que é que falam dele? — Dele? Uai, esse trem todo que falam de tudo que é prefeito. Há quem alegue que o que se diz em forma de anedota está longe de ser a verdade sobre Minas, são apenas versões. Então me lembro do dia em que alguém reclamou de José Maria Alkmim: “Criei a frase ‘o que importa é a versão, não o fato’, e todo mundo atribui ela a você. Ao que ele respondeu: “Isso só confirma a frase.” Portanto, imprima-se a versão. Zuenir Ventura A respeito da distinção entre fatos e versões, o texto defende a ideia de que
  1. A)versões podem sobrepor-se a fatos, devido a certas circunstâncias históricas.
  2. B)versões devem ser ignoradas, pois não revelam a verdade do mundo.
  3. C)versões tendem a enfatizar o lado negativo que existe por trás dos fatos.
  4. D)versões prendem-se ao imaginário popular, ao passo que fatos pertencem à ciência.
UEMG2016Fase unicaQuestao 2PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Media
TEXTO I As últimas do mineiro Talvez porque numa das vezes em que alguém bateu com a língua nos dentes um pescoço foi parar na forca, Minas trabalha em silêncio, como se diz. Pode não ser verdade, mas é a versão, que acaba prejudicando mais do que favorecendo a imagem de um estado que, além das riquezas naturais e de uma poderosa tradição política, tem o maior patrimônio histórico-cultural do país. Numa época de predomínio do marketing, em que o importante é mostrar mais do que fazer, ficar calado no seu canto pode não ser um bom negócio. Como afirma um amigo de Belo Horizonte, “temos os melhores grupos de dança do país, cantores e compositores excelentes, artistas plásticos e grupos teatrais de alta qualidade, mas não divulgamos, temos pudor de nos exibir, de mostrar ao país o que somos”. Ele acredita que de fora se tem uma visão regionalista limitada à memória e à questão do patrimônio histórico, à longa tradição de pedra e cal da cultura mineira. Sem descuidar desse acervo (só de barroco estão ali 65% do patrimônio nacional), o desafio dos governantes mineiros é mostrar sem reserva o que Minas tem de mais moderno, cosmopolita e contemporâneo. Mas acho que não será fácil assim. A não ser meu amigo Ziraldo, que adora se mostrar, tendo aliás razão para isso, que outro mineiro vocês imaginam chamando a atenção para o que está fazendo? Num artigo famoso, Guimarães Rosa listou 66 adjetivos com os quais são caracterizados seus conterrâneos. Eles vão de “acanhado, afável, desconfiado” até “sonso, sóbrio, taciturno, tímido”, passando por “precavido, pão-duro, perspicaz, quieto, irônico, meditativo”. Fernando Sabino, que conhece a alma mineira como a dele próprio, tem várias histórias para ilustrar como seus conterrâneos ficam sempre na moita. Mineiro não gosta de revelar nem a identidade. — Qual é o seu nome todo? — pergunta o carioca. — Diz a parte que você sabe — desconversa o mineiro. Nessa aqui o escritor conta o diálogo com um motorista mineiro em Nova York: — Ah, você também é de Minas? — Sou sim sinhô. — De onde? — De Minas mesmo. Se consegue esconder até de onde é, imagina quando lhe pedem uma opinião política. — Que tal o prefeito daqui? — O prefeito? É tal qual eles falam dele. — Que é que falam dele? — Dele? Uai, esse trem todo que falam de tudo que é prefeito. Há quem alegue que o que se diz em forma de anedota está longe de ser a verdade sobre Minas, são apenas versões. Então me lembro do dia em que alguém reclamou de José Maria Alkmim: “Criei a frase ‘o que importa é a versão, não o fato’, e todo mundo atribui ela a você. Ao que ele respondeu: “Isso só confirma a frase.” Portanto, imprima-se a versão. Zuenir Ventura Assinale a opção em que a mudança na ordem das palavras acarreta alteração de sentido:
  1. A)“poderosa tradição política” → “tradição política poderosa”.
  2. B)“pode não ser um bom negócio” → “não pode ser um bom negócio”.
  3. C)“ficam sempre na moita” → “ficam na moita sempre”
  4. D)“Como afirma um amigo de Belo Horizonte” → “Como um amigo de Belo Horizonte afirma”.
UEMG2016Fase unicaQuestao 3PortuguêsSemânticaMedia
TEXTO I As últimas do mineiro Talvez porque numa das vezes em que alguém bateu com a língua nos dentes um pescoço foi parar na forca, Minas trabalha em silêncio, como se diz. Pode não ser verdade, mas é a versão, que acaba prejudicando mais do que favorecendo a imagem de um estado que, além das riquezas naturais e de uma poderosa tradição política, tem o maior patrimônio histórico-cultural do país. Numa época de predomínio do marketing, em que o importante é mostrar mais do que fazer, ficar calado no seu canto pode não ser um bom negócio. Como afirma um amigo de Belo Horizonte, “temos os melhores grupos de dança do país, cantores e compositores excelentes, artistas plásticos e grupos teatrais de alta qualidade, mas não divulgamos, temos pudor de nos exibir, de mostrar ao país o que somos”. Ele acredita que de fora se tem uma visão regionalista limitada à memória e à questão do patrimônio histórico, à longa tradição de pedra e cal da cultura mineira. Sem descuidar desse acervo (só de barroco estão ali 65% do patrimônio nacional), o desafio dos governantes mineiros é mostrar sem reserva o que Minas tem de mais moderno, cosmopolita e contemporâneo. Mas acho que não será fácil assim. A não ser meu amigo Ziraldo, que adora se mostrar, tendo aliás razão para isso, que outro mineiro vocês imaginam chamando a atenção para o que está fazendo? Num artigo famoso, Guimarães Rosa listou 66 adjetivos com os quais são caracterizados seus conterrâneos. Eles vão de “acanhado, afável, desconfiado” até “sonso, sóbrio, taciturno, tímido”, passando por “precavido, pão-duro, perspicaz, quieto, irônico, meditativo”. Fernando Sabino, que conhece a alma mineira como a dele próprio, tem várias histórias para ilustrar como seus conterrâneos ficam sempre na moita. Mineiro não gosta de revelar nem a identidade. — Qual é o seu nome todo? — pergunta o carioca. — Diz a parte que você sabe — desconversa o mineiro. Nessa aqui o escritor conta o diálogo com um motorista mineiro em Nova York: — Ah, você também é de Minas? — Sou sim sinhô. — De onde? — De Minas mesmo. Se consegue esconder até de onde é, imagina quando lhe pedem uma opinião política. — Que tal o prefeito daqui? — O prefeito? É tal qual eles falam dele. — Que é que falam dele? — Dele? Uai, esse trem todo que falam de tudo que é prefeito. Há quem alegue que o que se diz em forma de anedota está longe de ser a verdade sobre Minas, são apenas versões. Então me lembro do dia em que alguém reclamou de José Maria Alkmim: “Criei a frase ‘o que importa é a versão, não o fato’, e todo mundo atribui ela a você. Ao que ele respondeu: “Isso só confirma a frase.” Portanto, imprima-se a versão. Zuenir Ventura “Minas trabalha em silêncio, como (1) se diz. (...) Fernando Sabino, que conhece a alma mineira como (2) a dele próprio, tem várias histórias para ilustrar como (3) seus conterrâneos ficam sempre na moita.” Associe, a seguir, cada ocorrência da palavra como à função que ela exerce no trecho apresentado. ( ) expressa ideia de comparação. ( ) expressa ideia de conformidade. ( ) equivale à expressão de que forma. Assinale a sequência CORRETA:
  1. A)2 – 1 – 3.
  2. B)3 – 2 – 1.
  3. C)1 – 2 – 3 .
  4. D)2 – 3 – 1.
UEMG2016Fase unicaQuestao 4PortuguêsSemânticaMedia
TEXTO II Os princípios da conversa As condições gerais de linguagem que permitem fazer inferências na troca verbal Uma anedota conhecida conta que um agente alfandegário pergunta a um passageiro que desembarcara de um voo internacional e passava pela aduana: – Licor, conhaque, grapa...? O passageiro responde: – Para mim, só um cafezinho. A graça da piada reside no fato de que o passageiro fez, propositadamente ou não, uma inferência errada nessa situação de comunicação. Inferiu que o fiscal aduaneiro lhe oferecia um digestivo, como no final de uma refeição num restaurante, quando, na realidade, a inferência correta é se ele trazia alguma bebida alcoólica na bagagem. Ele violou o princípio de pertinência que rege o uso da linguagem. Chama-se inferência pragmática aquela que resulta do uso dos princípios que governam a utilização da linguagem na troca verbal. Paul Grice (1975) postula que um princípio de cooperação preside à comunicação. Ele enuncia-se assim: sua contribuição à comunicação deve, no momento em que ocorre, estar de acordo com o objetivo e a direção em que você está engajado. Categorias Esse princípio é explicitado por quatro categorias gerais – a da quantidade das informações dadas, a de sua verdade, a de sua pertinência e a da maneira como são formuladas, que constituem as máximas conversacionais. (...) Não são regras Pode-se infringir uma máxima para não transgredir outra, cujo respeito é considerado mais importante. No exemplo que segue, a resposta do interlocutor viola a máxima da quantidade para não desobedecer à da qualidade: – Onde João trabalha? Ele saiu daquela firma? – No Rio de Janeiro. Com efeito, quem pergunta quer de fato saber é a firma onde João presta serviços. A resposta mais vaga permite inferir que o interlocutor não sabe exatamente onde João trabalha. Pode-se explorar a infringência de uma máxima com vistas a criar um dado efeito de sentido. Por exemplo, a ironia é a exploração de uma transgressão da máxima da qualidade. O que o texto irônico está dizendo não é verdade. Deve-se entendê-lo pelo avesso. No exemplo que segue, “modesto” quer dizer o oposto: “‘Tenho uma voz conhecida, então não é qualquer narrador, é o Falabella contando a história’, diz o modesto autor-locutor” (+ Miguel Falabella) (Veja, 11/1/2012, p. 109) José Luiz Fiorin MÁXIMAS CONVERSACIONAIS Máximas da quantidade a) Que sua contribuição contenha o tanto de informação exigida; b) Que sua contribuição não contenha mais informação do que é exigido. Máximas da qualidade (da verdade) a) Que sua contribuição seja verídica; b) Não diga o que pensa que é falso; c) Não afirme coisa de que não tem provas. Máxima da relação (da pertinência) Fale o que é concernente ao assunto tratado (seja pertinente). Máximas de maneira Seja claro. a) Evite exprimir-se de modo obscuro; b) Evite ser ambíguo; c) Seja breve (evite a prolixidade inútil); d) Fale de maneira ordenada. http://revistalingua.com.br/textos/100/artigo304577-1.asp. (Adaptado). A textualidade tem a referenciação como um de seus princípios. Trata-se de um processo pelo qual introduzimos ideias no texto e as recuperamos, por meio de recursos diversos. Um dos recursos muito utilizados é a sinonímia, que consiste no emprego de palavras com sentidos semelhantes, de modo a evitar a repetição desnecessária. Em relação aos pares de palavras a seguir, marque V (verdadeiro) para os pares de sinônimos corretos e F (falso) para os pares de sinônimos incorretos, de acordo com o texto. ( ) anedota – piada ( ) agente alfandegário – fiscal aduaneiro ( ) infringência – transgressão ( ) máxima – regra ( ) interlocutor – narrador A sequência CORRETA é:
  1. A)V – F – V – F – V.
  2. B)V – V – V – F – F.
  3. C)F – V – F – F – V.
  4. D)V – F –F –F – V.
UEMG2016Fase unicaQuestao 5PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Dificil
TEXTO I As últimas do mineiro Talvez porque numa das vezes em que alguém bateu com a língua nos dentes um pescoço foi parar na forca, Minas trabalha em silêncio, como se diz. Pode não ser verdade, mas é a versão, que acaba prejudicando mais do que favorecendo a imagem de um estado que, além das riquezas naturais e de uma poderosa tradição política, tem o maior patrimônio histórico-cultural do país. Numa época de predomínio do marketing, em que o importante é mostrar mais do que fazer, ficar calado no seu canto pode não ser um bom negócio. Como afirma um amigo de Belo Horizonte, “temos os melhores grupos de dança do país, cantores e compositores excelentes, artistas plásticos e grupos teatrais de alta qualidade, mas não divulgamos, temos pudor de nos exibir, de mostrar ao país o que somos”. Ele acredita que de fora se tem uma visão regionalista limitada à memória e à questão do patrimônio histórico, à longa tradição de pedra e cal da cultura mineira. Sem descuidar desse acervo (só de barroco estão ali 65% do patrimônio nacional), o desafio dos governantes mineiros é mostrar sem reserva o que Minas tem de mais moderno, cosmopolita e contemporâneo. Mas acho que não será fácil assim. A não ser meu amigo Ziraldo, que adora se mostrar, tendo aliás razão para isso, que outro mineiro vocês imaginam chamando a atenção para o que está fazendo? Num artigo famoso, Guimarães Rosa listou 66 adjetivos com os quais são caracterizados seus conterrâneos. Eles vão de “acanhado, afável, desconfiado” até “sonso, sóbrio, taciturno, tímido”, passando por “precavido, pão-duro, perspicaz, quieto, irônico, meditativo”. Fernando Sabino, que conhece a alma mineira como a dele próprio, tem várias histórias para ilustrar como seus conterrâneos ficam sempre na moita. Mineiro não gosta de revelar nem a identidade. — Qual é o seu nome todo? — pergunta o carioca. — Diz a parte que você sabe — desconversa o mineiro. Nessa aqui o escritor conta o diálogo com um motorista mineiro em Nova York: — Ah, você também é de Minas? — Sou sim sinhô. — De onde? — De Minas mesmo. Se consegue esconder até de onde é, imagina quando lhe pedem uma opinião política. — Que tal o prefeito daqui? — O prefeito? É tal qual eles falam dele. — Que é que falam dele? — Dele? Uai, esse trem todo que falam de tudo que é prefeito. Há quem alegue que o que se diz em forma de anedota está longe de ser a verdade sobre Minas, são apenas versões. Então me lembro do dia em que alguém reclamou de José Maria Alkmim: “Criei a frase ‘o que importa é a versão, não o fato’, e todo mundo atribui ela a você. Ao que ele respondeu: “Isso só confirma a frase.” Portanto, imprima-se a versão. Zuenir Ventura TEXTO II Os princípios da conversa As condições gerais de linguagem que permitem fazer inferências na troca verbal Uma anedota conhecida conta que um agente alfandegário pergunta a um passageiro que desembarcara de um voo internacional e passava pela aduana: – Licor, conhaque, grapa...? O passageiro responde: – Para mim, só um cafezinho. A graça da piada reside no fato de que o passageiro fez, propositadamente ou não, uma inferência errada nessa situação de comunicação. Inferiu que o fiscal aduaneiro lhe oferecia um digestivo, como no final de uma refeição num restaurante, quando, na realidade, a inferência correta é se ele trazia alguma bebida alcoólica na bagagem. Ele violou o princípio de pertinência que rege o uso da linguagem. Chama-se inferência pragmática aquela que resulta do uso dos princípios que governam a utilização da linguagem na troca verbal. Paul Grice (1975) postula que um princípio de cooperação preside à comunicação. Ele enuncia-se assim: sua contribuição à comunicação deve, no momento em que ocorre, estar de acordo com o objetivo e a direção em que você está engajado. Categorias Esse princípio é explicitado por quatro categorias gerais – a da quantidade das informações dadas, a de sua verdade, a de sua pertinência e a da maneira como são formuladas, que constituem as máximas conversacionais. (...) Não são regras Pode-se infringir uma máxima para não transgredir outra, cujo respeito é considerado mais importante. No exemplo que segue, a resposta do interlocutor viola a máxima da quantidade para não desobedecer à da qualidade: – Onde João trabalha? Ele saiu daquela firma? – No Rio de Janeiro. Com efeito, quem pergunta quer de fato saber é a firma onde João presta serviços. A resposta mais vaga permite inferir que o interlocutor não sabe exatamente onde João trabalha. Pode-se explorar a infringência de uma máxima com vistas a criar um dado efeito de sentido. Por exemplo, a ironia é a exploração de uma transgressão da máxima da qualidade. O que o texto irônico está dizendo não é verdade. Deve-se entendê-lo pelo avesso. No exemplo que segue, “modesto” quer dizer o oposto: “‘Tenho uma voz conhecida, então não é qualquer narrador, é o Falabella contando a história’, diz o modesto autor-locutor” (+ Miguel Falabella) (Veja, 11/1/2012, p. 109) José Luiz Fiorin MÁXIMAS CONVERSACIONAIS Máximas da quantidade a) Que sua contribuição contenha o tanto de informação exigida; b) Que sua contribuição não contenha mais informação do que é exigido. Máximas da qualidade (da verdade) a) Que sua contribuição seja verídica; b) Não diga o que pensa que é falso; c) Não afirme coisa de que não tem provas. Máxima da relação (da pertinência) Fale o que é concernente ao assunto tratado (seja pertinente). Máximas de maneira Seja claro. a) Evite exprimir-se de modo obscuro; b) Evite ser ambíguo; c) Seja breve (evite a prolixidade inútil); d) Fale de maneira ordenada. http://revistalingua.com.br/textos/100/artigo304577-1.asp. (Adaptado). Em conformidade com a explicação dada pelo texto II, é correto afirmar que os diálogos citados no texto I contêm exemplos de desobediência à máxima da
  1. A)qualidade, pelo fato de que o mineiro, com medo de se expor, apresenta informações falsas em suas respostas.
  2. B)pertinência, haja vista que o mineiro muda de assunto quando indagado a respeito de temas notadamente polêmicos.
  3. C)quantidade, uma vez que o mineiro, ao dar respostas, não fornece detalhes suficientes que satisfaçam às perguntas.
  4. D)maneira, em razão de o mineiro atribuir duplo sentido às perguntas, de sorte que suas respostas não condigam com as perguntas.
UEMG2016Fase unicaQuestao 6PortuguêsMorfologia (formação de palavras)Dificil
TEXTO II Os princípios da conversa As condições gerais de linguagem que permitem fazer inferências na troca verbal Uma anedota conhecida conta que um agente alfandegário pergunta a um passageiro que desembarcara de um voo internacional e passava pela aduana: – Licor, conhaque, grapa...? O passageiro responde: – Para mim, só um cafezinho. A graça da piada reside no fato de que o passageiro fez, propositadamente ou não, uma inferência errada nessa situação de comunicação. Inferiu que o fiscal aduaneiro lhe oferecia um digestivo, como no final de uma refeição num restaurante, quando, na realidade, a inferência correta é se ele trazia alguma bebida alcoólica na bagagem. Ele violou o princípio de pertinência que rege o uso da linguagem. Chama-se inferência pragmática aquela que resulta do uso dos princípios que governam a utilização da linguagem na troca verbal. Paul Grice (1975) postula que um princípio de cooperação preside à comunicação. Ele enuncia-se assim: sua contribuição à comunicação deve, no momento em que ocorre, estar de acordo com o objetivo e a direção em que você está engajado. Categorias Esse princípio é explicitado por quatro categorias gerais – a da quantidade das informações dadas, a de sua verdade, a de sua pertinência e a da maneira como são formuladas, que constituem as máximas conversacionais. (...) Não são regras Pode-se infringir uma máxima para não transgredir outra, cujo respeito é considerado mais importante. No exemplo que segue, a resposta do interlocutor viola a máxima da quantidade para não desobedecer à da qualidade: – Onde João trabalha? Ele saiu daquela firma? – No Rio de Janeiro. Com efeito, quem pergunta quer de fato saber é a firma onde João presta serviços. A resposta mais vaga permite inferir que o interlocutor não sabe exatamente onde João trabalha. Pode-se explorar a infringência de uma máxima com vistas a criar um dado efeito de sentido. Por exemplo, a ironia é a exploração de uma transgressão da máxima da qualidade. O que o texto irônico está dizendo não é verdade. Deve-se entendê-lo pelo avesso. No exemplo que segue, “modesto” quer dizer o oposto: “‘Tenho uma voz conhecida, então não é qualquer narrador, é o Falabella contando a história’, diz o modesto autor-locutor” (+ Miguel Falabella) (Veja, 11/1/2012, p. 109) José Luiz Fiorin MÁXIMAS CONVERSACIONAIS Máximas da quantidade a) Que sua contribuição contenha o tanto de informação exigida; b) Que sua contribuição não contenha mais informação do que é exigido. Máximas da qualidade (da verdade) a) Que sua contribuição seja verídica; b) Não diga o que pensa que é falso; c) Não afirme coisa de que não tem provas. Máxima da relação (da pertinência) Fale o que é concernente ao assunto tratado (seja pertinente). Máximas de maneira Seja claro. a) Evite exprimir-se de modo obscuro; b) Evite ser ambíguo; c) Seja breve (evite a prolixidade inútil); d) Fale de maneira ordenada. http://revistalingua.com.br/textos/100/artigo304577-1.asp. (Adaptado). Julgue estas afirmações: I. A construção “Ele enuncia-se assim...” equivale à construção “Ele é enunciado assim...”. II. O pronome lhe, do trecho “Inferiu que o fiscal aduaneiro lhe oferecia um digestivo”, substitui o nome passageiro. III. No trecho “Pode-se infringir uma máxima para não transgredir outra, cujo respeito é considerado mais importante”, o pronome cujo exprime ideia de posse. IV. No trecho “Com efeito, quem pergunta quer de fato saber é a firma onde João presta serviços”, a expressão “com efeito” equivale a “não obstante”. Estão CORRETAS apenas:
  1. A)I e IV.
  2. B)I e II.
  3. C)II e III.
  4. D)III e IV.
UEMG2016Fase unicaQuestao 7PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
Este texto é um excerto do conto Pai contra mãe, de Machado de Assis. “A ESCRAVIDÃO levou consigo ofícios e aparelhos, como terá sucedido a outras instituições sociais. Não cito alguns aparelhos senão por se ligarem a certo ofício. Um deles era o ferro ao pescoço, outro o ferro ao pé; havia também a máscara de folha-de-flandres. A máscara fazia perder o vício da embriaguez aos escravos, por lhes tapar a boca. Tinha só três buracos, dous para ver, um para respirar, e era fechada atrás da cabeça por um cadeado. Com o vício de beber, perdiam a tentação de furtar, porque geralmente era dos vinténs do senhor que eles tiravam com que matar a sede, e aí ficavam dous pecados extintos, e a sobriedade e a honestidade certas. Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel. ” http://machado.mec.gov.br/images/stories/pdf/contos/macn007.pdf Considerando que a ordem social e humana a que se refere o conto machadiano é supostamente alcançada, ainda hoje, por meio de estratégias que de alguma forma se assemelham àquelas utilizadas no período escravocrata, responda: qual dos elementos dos contos da obra Olhos d’água, de Conceição Evaristo, tematiza a referida ordem?
  1. A)O ofício de Kimbá em um supermercado, onde trabalha esfregando chão.
  2. B)A rotina de Cíntia, que presta serviços em um escritório no centro do Rio de Janeiro.
  3. C)O trabalho informal de Davenga, que oferece flores para casais de namorados.
  4. D)O fato de Maria ter obtido ganhos financeiros como “barriga de aluguel”.
UEMG2016Fase unicaQuestao 8PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
Parece mesmo que a crônica é um gênero menor. ― Graças a Deus ― seria o caso de dizer, porque sendo assim ela fica perto de nós. E para muitos pode servir de caminho não apenas para vida, que ela serve de perto, mas para a literatura (...) Por meio dos assuntos, da composição aparentemente solta, do ar de coisa sem necessidade que costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo o dia. Principalmente porque ela elabora uma linguagem que fala de perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permite, como compensação sorrateira, recuperar com a outra mão uma certa profundidade de significado e um certo acabamento de forma, que de repente podem fazer dela uma inesperada embora discreta candidata à perfeição. CANDIDO, Antonio et alii. A crônica: o gênero, sua fixação e suas transformações no Brasil. Campinas; Rio de Janeiro: UNICAMP; Fundação Casa de Rui Barbosa, 1992. A ideia de que o gênero crônica está a serviço não só da vida, mas também da literatura, é bem representada pela seguinte referência da obra Crônicas para ler na escola, de Zuenir Ventura:
  1. A)A associação implícita que o autor faz entre a genialidade de sua neta Alice, ao usar um iPad, e a personagem Alice da obra Alice no país das maravilhas.
  2. B)O relato feito por Zuenir de um encontro com o escritor Ziraldo, do qual surgiu a inspiração para a escrita da obra O menino maluquinho.
  3. C)A menção feita por Zuenir a uma viagem ao Japão, onde, depois de atuar na cobertura jornalística de um evento, escrevera um conto que lhe rendeu um prêmio literário.
  4. D)A curiosa história escrita pelo autor a partir de um pote de Pó Royal que foi jogado no quintal de sua casa, no Rio de Janeiro.
UEMG2016Fase unicaQuestao 9PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
O texto a seguir é uma letra de música. Leia-o atentamente para responder à questão. O Meu Guri Chico Buarque Olha aí! Quando, seu moço, nasceu meu rebento Ai, o meu guri, olha aí! Não era o momento dele rebentar Olha aí! Já foi nascendo com cara de fome E eu não tinha nem nome pra lhe dar É o meu guri e ele chega! Como fui levando não sei lhe explicar Chega no morro com carregamento Fui assim levando ele a me levar Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador E na sua meninice, ele um dia me disse Rezo até ele chegar cá no alto Que chegava lá Essa onda de assaltos está um horror Olha aí! Olha aí! Eu consolo ele, ele me consola Olha aí! Boto ele no colo pra ele me ninar Ai, o meu guri, olha aí! De repente acordo, olho pro lado Olha aí! E o danado já foi trabalhar É o meu guri e ele chega Olha aí! Chega suado e veloz do batente Traz sempre um presente pra me encabular Olha aí! Tanta corrente de ouro, seu moço Ai o meu guri, olha aí! Que haja pescoço pra enfiar Olha aí! Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro É o meu guri e ele chega! Chave, caderneta, terço e patuá Chega estampado, manchete, retrato Um lenço e uma penca de documentos Com venda nos olhos, legenda e as iniciais Pra finalmente eu me identificar Olha aí! Eu não entendo essa gente, seu moço Fazendo alvoroço demais (...) http://letras.mus.br/chico-buarque/66513/ No que diz respeito ao afeto que existe entre pessoas afins umas às outras, o eu-poético dessa canção vive uma situação que se assemelha, em parte, à situação de vida da seguinte personagem da obra Olhos d’água, de Conceição Evaristo:
  1. A)Maria, cujo ex-marido assaltou um ônibus, na presença dela.
  2. B)Lumbiá, garoto que fez um presépio em sua casa com imagens furtadas de uma loja.
  3. C)Luamanda, cujo filho se envolveu com o tráfico de drogas.
  4. D)Duzu-Querença, que utilizava documentos de outras pessoas para tentar conseguir trabalho.
UEMG2016Fase unicaQuestao 10PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
Zuenir Ventura, na obra Crônicas para ler na escola, faz referência à expressão “ser gauche na vida”, presente no seguinte poema de Carlos Drummond de Andrade. Poema de sete faces Quando nasci, um anjo torto Meu Deus, por que me abandonaste desses que vivem na sombra se sabias que eu não era Deus disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida. se sabias que eu era fraco. As casas espiam os homens Mundo mundo vasto mundo, que correm atrás de mulheres. se eu me chamasse Raimundo A tarde talvez fosse azul, seria uma rima, não seria uma solução. não houvesse tantos desejos. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração. O bonde passa cheio de pernas: pernas brancas pretas amarelas. Eu não devia te dizer Para que tanta perna, meu Deus, mas essa lua pergunta meu coração. mas esse conhaque Porém meus olhos botam a gente comovido como o diabo. não perguntam nada. O homem atrás do bigode é sério, simples e forte. Quase não conversa. Tem poucos, raros amigos o homem atrás dos óculos e do bigode, O termo “gauche”, discutido por Zuenir Ventura a partir de uma entrevista que fez com Drummond, revela que o poeta foi um
  1. A)militante das ideias políticas de esquerda.
  2. B)homem qualquer, de vida simples.
  3. C)seguidor do movimento da teologia da libertação.
  4. D)dos maiores escritores de língua portuguesa.
UEMG2016Fase unicaQuestao 11PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
Leia a introdução do conto A mídia premiada, da obra Crônicas para ler na escola, de Zuenir Ventura: “Uma das críticas que se faz ao jornalismo atual — vamos ficar apenas nessa — atribui a ele incompetência ou preguiça em esgotar ou mesmo aprofundar os assuntos tratados. Entre leitores mais velhos e até entre profissionais jovens há a crença de que antigamente, na minha época, digamos, as reportagens eram mais completas e melhores. Hoje, com o advento das novas tecnologias de informação e a aceleração do tempo, muitos acreditam que não há mais espaço para as matérias grandes (...)”. Ao longo da crônica, o autor argumenta que
  1. A)hoje, na mídia, tudo se escancara, devido ao excesso de informações; não há omissão de conteúdos.
  2. B)a comunicação nos meios digitais substituirá a comunicação impressa, dada a sua agilidade.
  3. C)o jornalismo atual é exercido não só por profissionais, mas também por internautas engajados.
  4. D)atualmente, há mais recursos para apurar a veracidade dos fatos, o que torna o jornalismo contemporâneo superior.
UEMG2016Fase unicaQuestao 12PortuguêsLiteratura brasileira (prosa)Media
A seguir, são citadas algumas das personagens de Olhos d’água, de Conceição Evaristo. Para cada nome, é dada uma explicação, que leva em consideração a trama de cada conto. Marque V (verdadeiro) para as associações coerentes e F (falso) para as associações incoerentes. Luamanda ( ) O nome da personagem sugere a intensidade do sentimento de amor, por meio da sequência A-M-A, seguida da terminação –nda — uma combinação da desinência de gerúndio com a desinência de gênero —, o que remete a um aspecto de continuidade temporal e ao mundo das emoções femininas. A presença de "Lua", no nome, também simboliza a sensibilidade. Cida ( ) Seu nome pode ser interpretado como abreviação da palavra cidade. A personagem vivencia a urbanidade em seus múltiplos aspectos, especialmente aqueles que dizem respeito ao mundo do trabalho e à rotina de uma grande metrópole. Dentre os demais enredos de Olhos d’água, o do conto O cooper de Cida é o único que contém referência explícita ao espaço da narrativa: a cidade do Rio de Janeiro. Zaíta ( ) Este nome é uma aglutinação de Zaira e Itamar, pais de Zaíta. Ela é a única personagem de Olhos d’água que tem um final feliz, mesmo em meio às dificuldades. Suas conquistas são fruto de dedicação e de superação. Natalina ( ) O nome refere-se a “Natal”. Nesta data comemorativa, a personagem vivenciou um dos mais tristes momentos de sua vida, ao perder os pais em um acidente de automóvel. A partir de então, enfrentou muitas adversidades na luta pela sobrevivência. A sequência CORRETA é:
  1. A)V– V – F – F.
  2. B)V – F – F – F.
  3. C)F – V – F – V.
  4. D)F – F – V – V.
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