Prova · FAMERP 2023

Prova FAMERP 2023: questões por disciplina

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O que caiu na prova 2023

Questões da prova FAMERP 2023

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FAMERP20231a faseQuestao 1PortuguêsFiguras de linguagemMedia
Examine a tirinha de Dik Browne, publicada na conta do Instagram “Hagar, o Horrível”, em 01.04.2022. Para produzir o seu efeito de humor, a tirinha mobiliza o seguinte recurso expressivo:
Imagens anexadas
  1. A)eufemismo.
  2. B)personificação.
  3. C)antítese.
  4. D)sinestesia.
  5. E)hipérbole.
FAMERP20231a faseQuestao 2PortuguêsArcadismoMedia
Feliz esse mortal que se contenta Com a herdade1 dos seus antepassados, Que livre de tumulto e de cuidados Só do pão que semeia se alimenta. Dentre os filhos amados afugenta A discórdia cruel; vê dos seus gados, Sempre gordos, alegres, bem tratados, Numeroso rebanho que apascenta. O trono mais ditoso é comparável Ao brando estado deste que não sente De um espectro de ouro o peso formidável? O que vive na Corte mais contente Provou nunca um prazer tão agradável Como o deste Pastor pobre, inocente? (Sonetos, 2007.) 1 herdade: propriedade rural de dimensões consideráveis; fazenda. No soneto, está implícita uma crítica à
  1. A)compaixão.
  2. B)indolência.
  3. C)penúria.
  4. D)luxúria.
  5. E)ganância.
FAMERP20231a faseQuestao 3PortuguêsArcadismoFacil
Feliz esse mortal que se contenta Com a herdade1 dos seus antepassados, Que livre de tumulto e de cuidados Só do pão que semeia se alimenta. Dentre os filhos amados afugenta A discórdia cruel; vê dos seus gados, Sempre gordos, alegres, bem tratados, Numeroso rebanho que apascenta. O trono mais ditoso é comparável Ao brando estado deste que não sente De um espectro de ouro o peso formidável? O que vive na Corte mais contente Provou nunca um prazer tão agradável Como o deste Pastor pobre, inocente? (Sonetos, 2007.) 1 herdade: propriedade rural de dimensões consideráveis; fazenda. Uma característica da estética árcade presente no soneto é
  1. A)o desprezo pelo rigor formal.
  2. B)o elogio da vida campestre.
  3. C)a ênfase na expressão subjetiva.
  4. D)o tom socialmente engajado.
  5. E)a referência a entidades mitológicas.
FAMERP20231a faseQuestao 4PortuguêsCoesão e referênciaMedia
Feliz esse mortal que se contenta Com a herdade1 dos seus antepassados, Que livre de tumulto e de cuidados Só do pão que semeia se alimenta. Dentre os filhos amados afugenta A discórdia cruel; vê dos seus gados, Sempre gordos, alegres, bem tratados, Numeroso rebanho que apascenta. O trono mais ditoso é comparável Ao brando estado deste que não sente De um espectro de ouro o peso formidável? O que vive na Corte mais contente Provou nunca um prazer tão agradável Como o deste Pastor pobre, inocente? (Sonetos, 2007.) 1 herdade: propriedade rural de dimensões consideráveis; fazenda. O termo sublinhado na primeira estrofe refere-se a
  1. A)“antepassados”.
  2. B)“herdade”.
  3. C)“livre”.
  4. D)“mortal”.
  5. E)“pão”.
FAMERP20231a faseQuestao 5PortuguêsVersificação e rimaDificil
Feliz esse mortal que se contenta Com a herdade1 dos seus antepassados, Que livre de tumulto e de cuidados Só do pão que semeia se alimenta. Dentre os filhos amados afugenta A discórdia cruel; vê dos seus gados, Sempre gordos, alegres, bem tratados, Numeroso rebanho que apascenta. O trono mais ditoso é comparável Ao brando estado deste que não sente De um espectro de ouro o peso formidável? O que vive na Corte mais contente Provou nunca um prazer tão agradável Como o deste Pastor pobre, inocente? (Sonetos, 2007.) 1 herdade: propriedade rural de dimensões consideráveis; fazenda. Verifica-se rima entre palavras de classes gramaticais diferentes em
  1. A)“afugenta” / “apascenta” (2a estrofe).
  2. B)“gados” / “tratados” (2a estrofe).
  3. C)“antepassados” / “cuidados” (1a estrofe).
  4. D)“contente” / “inocente” (4a estrofe).
  5. E)“contenta” / “alimenta” (1a estrofe).
FAMERP20231a faseQuestao 6PortuguêsInterpretação de textoFacil
Como se não bastasse o excesso de população deste mundo, os homens estão detectando a existência de outros mundos habitados, no espaço sideral, e suspiram, emocionados: “Não estamos sós”. E quem disse que estamos sós, se andamos tão acotovelados pelas avenidas da Terra? Pois, como se tudo isso não fosse suficiente, correm às matas de Nanuque e de lá retiram à força José Pedro dos Santos, último promeneur solitaire1 de que havia notícia, o homem que vivia com uma fogueira acesa, espantando onça e, sobretudo, gente. — Venha, rapaz! Queremos que participe das maravilhas da civilização! — Vocês me arranjam casa pra morar? — Bem, isso atualmente está difícil, José. — Emprego? — Só se você for concursado, e houver vaga. — E comida? — Depois nós conversamos. Venha depressa, estão nos chamando de outras galáxias! José recalcitra: estava tão bem ali! Não paga aluguel, não preenche o formulário do imposto de renda, não faz fila para nada, não tem horário nem patrão, come carne variada, segunda-feira paca, terça peixe, quarta aves, quinta raízes e tubérculos, sexta frutas, sábado... — Mais uma razão para vir. Está desfrutando privilégios, e todos são iguais perante a lei! Outra razão forte: os fazendeiros de Nanuque reclamavam contra esse homem estranho, embrenhado no mato, fazendo Deus sabe lá o quê. Em vão José alega que os ajuda, espantando onça com seu facho noturno. As onças não devem ser espantadas, sustentam a beleza selvagem da região. Esse homem não trabalha na lavoura, como os outros; não produz, não rende, e, embora não pese a ninguém, pesa globalmente no espírito de todos, com seu mistério. O fato de não produzir não é o mais grave; tolera-se cá fora, à luz do dia, honradamente: mas no interior da mata? Que ideia faz esse sujeito do contrato social? Nenhuma. Está se ninando para o contrato social. Não é possível. Tragam José para perto de nós, ele tem de aprender ou reaprender a vida apertada que levamos. José tem medo. Os homens, as cidades, os códigos, até os prazeres intervalares dos civilizados lhe dão medo. O motor de sua volta ao estado natural foi menos o amor à natureza do que o pânico. Em cada homem vê um perigo, em cada situação uma ameaça, em cada palavra uma condenação. Com as árvores e os bichos ele se entende. Nu e experimentado, conhece e domina o ambiente em que vive sem maiores riscos. Na cidade não praticara ação criminosa, e foi isso precisamente que o fez embrenhar-se na mata. Inocente, faltavam-lhe as provas negativas de sua inocência; se cometesse qualquer malfeito, poderia mentir e salvar-se, mas, estando puro e desarmado diante do sistema, como mentir, senão confessando a falta imaginária, e, portanto, condenando-se? A solução era virar bicho. Virou, com êxito. Agora trazem José para a capital, incorporam-no ao estranho maquinismo, ao estatuto sombrio, inexplicável; ele é condenado a viver como os outros, no grau inferior. José está salvo ou perdido? O certo é que nunca mais brilhará, na mata de Nanuque, aquele foguinho solitário. Todos são iguais perante a lei. Não estamos sós. (Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão, 2016.) 1 promeneur solitaire: caminhante solitário. De acordo com o cronista, a razão de José de Nanuque ter se afastado da civilização foi, sobretudo,
  1. A)o crime que havia cometido quando ainda jovem.
  2. B)a rotina enfadonha e sombria da vida nas cidades.
  3. C)o amor incondicional à natureza.
  4. D)a paixão pelas coisas simples da vida.
  5. E)a sensação de estar em risco junto aos homens.
FAMERP20231a faseQuestao 7PortuguêsInterpretação de textoMedia
Como se não bastasse o excesso de população deste mundo, os homens estão detectando a existência de outros mundos habitados, no espaço sideral, e suspiram, emocionados: “Não estamos sós”. E quem disse que estamos sós, se andamos tão acotovelados pelas avenidas da Terra? Pois, como se tudo isso não fosse suficiente, correm às matas de Nanuque e de lá retiram à força José Pedro dos Santos, último promeneur solitaire1 de que havia notícia, o homem que vivia com uma fogueira acesa, espantando onça e, sobretudo, gente. — Venha, rapaz! Queremos que participe das maravilhas da civilização! — Vocês me arranjam casa pra morar? — Bem, isso atualmente está difícil, José. — Emprego? — Só se você for concursado, e houver vaga. — E comida? — Depois nós conversamos. Venha depressa, estão nos chamando de outras galáxias! José recalcitra: estava tão bem ali! Não paga aluguel, não preenche o formulário do imposto de renda, não faz fila para nada, não tem horário nem patrão, come carne variada, segunda-feira paca, terça peixe, quarta aves, quinta raízes e tubérculos, sexta frutas, sábado... — Mais uma razão para vir. Está desfrutando privilégios, e todos são iguais perante a lei! Outra razão forte: os fazendeiros de Nanuque reclamavam contra esse homem estranho, embrenhado no mato, fazendo Deus sabe lá o quê. Em vão José alega que os ajuda, espantando onça com seu facho noturno. As onças não devem ser espantadas, sustentam a beleza selvagem da região. Esse homem não trabalha na lavoura, como os outros; não produz, não rende, e, embora não pese a ninguém, pesa globalmente no espírito de todos, com seu mistério. O fato de não produzir não é o mais grave; tolera-se cá fora, à luz do dia, honradamente: mas no interior da mata? Que ideia faz esse sujeito do contrato social? Nenhuma. Está se ninando para o contrato social. Não é possível. Tragam José para perto de nós, ele tem de aprender ou reaprender a vida apertada que levamos. José tem medo. Os homens, as cidades, os códigos, até os prazeres intervalares dos civilizados lhe dão medo. O motor de sua volta ao estado natural foi menos o amor à natureza do que o pânico. Em cada homem vê um perigo, em cada situação uma ameaça, em cada palavra uma condenação. Com as árvores e os bichos ele se entende. Nu e experimentado, conhece e domina o ambiente em que vive sem maiores riscos. Na cidade não praticara ação criminosa, e foi isso precisamente que o fez embrenhar-se na mata. Inocente, faltavam-lhe as provas negativas de sua inocência; se cometesse qualquer malfeito, poderia mentir e salvar-se, mas, estando puro e desarmado diante do sistema, como mentir, senão confessando a falta imaginária, e, portanto, condenando-se? A solução era virar bicho. Virou, com êxito. Agora trazem José para a capital, incorporam-no ao estranho maquinismo, ao estatuto sombrio, inexplicável; ele é condenado a viver como os outros, no grau inferior. José está salvo ou perdido? O certo é que nunca mais brilhará, na mata de Nanuque, aquele foguinho solitário. Todos são iguais perante a lei. Não estamos sós. (Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão, 2016.) 1 promeneur solitaire: caminhante solitário. “Esse homem não trabalha na lavoura, como os outros; não produz, não rende, e, embora não pese a ninguém, pesa globalmente no espírito de todos, com seu mistério. O fato de não produzir não é o mais grave; tolera-se cá fora, à luz do dia, honradamente: mas no interior da mata?” (11o parágrafo) Nesse trecho, o cronista ressalta o incômodo dos fazendeiros
  1. A)com o desconhecido.
  2. B)com o desemprego.
  3. C)com a ociosidade.
  4. D)com a pobreza.
  5. E)com a marginalidade.
FAMERP20231a faseQuestao 8PortuguêsTipos de discursoMedia
Como se não bastasse o excesso de população deste mundo, os homens estão detectando a existência de outros mundos habitados, no espaço sideral, e suspiram, emocionados: “Não estamos sós”. E quem disse que estamos sós, se andamos tão acotovelados pelas avenidas da Terra? Pois, como se tudo isso não fosse suficiente, correm às matas de Nanuque e de lá retiram à força José Pedro dos Santos, último promeneur solitaire1 de que havia notícia, o homem que vivia com uma fogueira acesa, espantando onça e, sobretudo, gente. — Venha, rapaz! Queremos que participe das maravilhas da civilização! — Vocês me arranjam casa pra morar? — Bem, isso atualmente está difícil, José. — Emprego? — Só se você for concursado, e houver vaga. — E comida? — Depois nós conversamos. Venha depressa, estão nos chamando de outras galáxias! José recalcitra: estava tão bem ali! Não paga aluguel, não preenche o formulário do imposto de renda, não faz fila para nada, não tem horário nem patrão, come carne variada, segunda-feira paca, terça peixe, quarta aves, quinta raízes e tubérculos, sexta frutas, sábado... — Mais uma razão para vir. Está desfrutando privilégios, e todos são iguais perante a lei! Outra razão forte: os fazendeiros de Nanuque reclamavam contra esse homem estranho, embrenhado no mato, fazendo Deus sabe lá o quê. Em vão José alega que os ajuda, espantando onça com seu facho noturno. As onças não devem ser espantadas, sustentam a beleza selvagem da região. Esse homem não trabalha na lavoura, como os outros; não produz, não rende, e, embora não pese a ninguém, pesa globalmente no espírito de todos, com seu mistério. O fato de não produzir não é o mais grave; tolera-se cá fora, à luz do dia, honradamente: mas no interior da mata? Que ideia faz esse sujeito do contrato social? Nenhuma. Está se ninando para o contrato social. Não é possível. Tragam José para perto de nós, ele tem de aprender ou reaprender a vida apertada que levamos. José tem medo. Os homens, as cidades, os códigos, até os prazeres intervalares dos civilizados lhe dão medo. O motor de sua volta ao estado natural foi menos o amor à natureza do que o pânico. Em cada homem vê um perigo, em cada situação uma ameaça, em cada palavra uma condenação. Com as árvores e os bichos ele se entende. Nu e experimentado, conhece e domina o ambiente em que vive sem maiores riscos. Na cidade não praticara ação criminosa, e foi isso precisamente que o fez embrenhar-se na mata. Inocente, faltavam-lhe as provas negativas de sua inocência; se cometesse qualquer malfeito, poderia mentir e salvar-se, mas, estando puro e desarmado diante do sistema, como mentir, senão confessando a falta imaginária, e, portanto, condenando-se? A solução era virar bicho. Virou, com êxito. Agora trazem José para a capital, incorporam-no ao estranho maquinismo, ao estatuto sombrio, inexplicável; ele é condenado a viver como os outros, no grau inferior. José está salvo ou perdido? O certo é que nunca mais brilhará, na mata de Nanuque, aquele foguinho solitário. Todos são iguais perante a lei. Não estamos sós. (Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão, 2016.) 1 promeneur solitaire: caminhante solitário. O cronista inclui o leitor em sua narrativa no seguinte trecho:
  1. A)“— Mais uma razão para vir. Está desfrutando privilégios, e todos são iguais perante a lei!” (10o parágrafo)
  2. B)“— Venha, rapaz! Queremos que participe das maravilhas da civilização!” (2o parágrafo)
  3. C)“Os homens, as cidades, os códigos, até os prazeres intervalares dos civilizados lhe dão medo.” (12o parágrafo)
  4. D)“E quem disse que estamos sós, se andamos tão acotovelados pelas avenidas da Terra?” (1o parágrafo)
  5. E)“Agora trazem José para a capital, incorporam-no ao estranho maquinismo, ao estatuto sombrio, inexplicável; ele é condenado a viver como os outros, no grau inferior.” (13o parágrafo)
FAMERP20231a faseQuestao 9PortuguêsPontuaçãoMedia
Como se não bastasse o excesso de população deste mundo, os homens estão detectando a existência de outros mundos habitados, no espaço sideral, e suspiram, emocionados: “Não estamos sós”. E quem disse que estamos sós, se andamos tão acotovelados pelas avenidas da Terra? Pois, como se tudo isso não fosse suficiente, correm às matas de Nanuque e de lá retiram à força José Pedro dos Santos, último promeneur solitaire1 de que havia notícia, o homem que vivia com uma fogueira acesa, espantando onça e, sobretudo, gente. — Venha, rapaz! Queremos que participe das maravilhas da civilização! — Vocês me arranjam casa pra morar? — Bem, isso atualmente está difícil, José. — Emprego? — Só se você for concursado, e houver vaga. — E comida? — Depois nós conversamos. Venha depressa, estão nos chamando de outras galáxias! José recalcitra: estava tão bem ali! Não paga aluguel, não preenche o formulário do imposto de renda, não faz fila para nada, não tem horário nem patrão, come carne variada, segunda-feira paca, terça peixe, quarta aves, quinta raízes e tubérculos, sexta frutas, sábado... — Mais uma razão para vir. Está desfrutando privilégios, e todos são iguais perante a lei! Outra razão forte: os fazendeiros de Nanuque reclamavam contra esse homem estranho, embrenhado no mato, fazendo Deus sabe lá o quê. Em vão José alega que os ajuda, espantando onça com seu facho noturno. As onças não devem ser espantadas, sustentam a beleza selvagem da região. Esse homem não trabalha na lavoura, como os outros; não produz, não rende, e, embora não pese a ninguém, pesa globalmente no espírito de todos, com seu mistério. O fato de não produzir não é o mais grave; tolera-se cá fora, à luz do dia, honradamente: mas no interior da mata? Que ideia faz esse sujeito do contrato social? Nenhuma. Está se ninando para o contrato social. Não é possível. Tragam José para perto de nós, ele tem de aprender ou reaprender a vida apertada que levamos. José tem medo. Os homens, as cidades, os códigos, até os prazeres intervalares dos civilizados lhe dão medo. O motor de sua volta ao estado natural foi menos o amor à natureza do que o pânico. Em cada homem vê um perigo, em cada situação uma ameaça, em cada palavra uma condenação. Com as árvores e os bichos ele se entende. Nu e experimentado, conhece e domina o ambiente em que vive sem maiores riscos. Na cidade não praticara ação criminosa, e foi isso precisamente que o fez embrenhar-se na mata. Inocente, faltavam-lhe as provas negativas de sua inocência; se cometesse qualquer malfeito, poderia mentir e salvar-se, mas, estando puro e desarmado diante do sistema, como mentir, senão confessando a falta imaginária, e, portanto, condenando-se? A solução era virar bicho. Virou, com êxito. Agora trazem José para a capital, incorporam-no ao estranho maquinismo, ao estatuto sombrio, inexplicável; ele é condenado a viver como os outros, no grau inferior. José está salvo ou perdido? O certo é que nunca mais brilhará, na mata de Nanuque, aquele foguinho solitário. Todos são iguais perante a lei. Não estamos sós. (Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão, 2016.) 1 promeneur solitaire: caminhante solitário. Verifica-se o emprego de vírgula para separar um vocativo no seguinte trecho:
  1. A)“Virou, com êxito.” (12o parágrafo)
  2. B)“Venha depressa, estão nos chamando de outras galáxias!” (8o parágrafo)
  3. C)“Bem, isso atualmente está difícil, José.” (4o parágrafo)
  4. D)“O certo é que nunca mais brilhará, na mata de Nanuque, aquele foguinho solitário.” (13o parágrafo)
  5. E)“Só se você for concursado, e houver vaga.” (6o parágrafo)
FAMERP20231a faseQuestao 10PortuguêsSemântica: conjunçõesFacil
Como se não bastasse o excesso de população deste mundo, os homens estão detectando a existência de outros mundos habitados, no espaço sideral, e suspiram, emocionados: “Não estamos sós”. E quem disse que estamos sós, se andamos tão acotovelados pelas avenidas da Terra? Pois, como se tudo isso não fosse suficiente, correm às matas de Nanuque e de lá retiram à força José Pedro dos Santos, último promeneur solitaire1 de que havia notícia, o homem que vivia com uma fogueira acesa, espantando onça e, sobretudo, gente. — Venha, rapaz! Queremos que participe das maravilhas da civilização! — Vocês me arranjam casa pra morar? — Bem, isso atualmente está difícil, José. — Emprego? — Só se você for concursado, e houver vaga. — E comida? — Depois nós conversamos. Venha depressa, estão nos chamando de outras galáxias! José recalcitra: estava tão bem ali! Não paga aluguel, não preenche o formulário do imposto de renda, não faz fila para nada, não tem horário nem patrão, come carne variada, segunda-feira paca, terça peixe, quarta aves, quinta raízes e tubérculos, sexta frutas, sábado... — Mais uma razão para vir. Está desfrutando privilégios, e todos são iguais perante a lei! Outra razão forte: os fazendeiros de Nanuque reclamavam contra esse homem estranho, embrenhado no mato, fazendo Deus sabe lá o quê. Em vão José alega que os ajuda, espantando onça com seu facho noturno. As onças não devem ser espantadas, sustentam a beleza selvagem da região. Esse homem não trabalha na lavoura, como os outros; não produz, não rende, e, embora não pese a ninguém, pesa globalmente no espírito de todos, com seu mistério. O fato de não produzir não é o mais grave; tolera-se cá fora, à luz do dia, honradamente: mas no interior da mata? Que ideia faz esse sujeito do contrato social? Nenhuma. Está se ninando para o contrato social. Não é possível. Tragam José para perto de nós, ele tem de aprender ou reaprender a vida apertada que levamos. José tem medo. Os homens, as cidades, os códigos, até os prazeres intervalares dos civilizados lhe dão medo. O motor de sua volta ao estado natural foi menos o amor à natureza do que o pânico. Em cada homem vê um perigo, em cada situação uma ameaça, em cada palavra uma condenação. Com as árvores e os bichos ele se entende. Nu e experimentado, conhece e domina o ambiente em que vive sem maiores riscos. Na cidade não praticara ação criminosa, e foi isso precisamente que o fez embrenhar-se na mata. Inocente, faltavam-lhe as provas negativas de sua inocência; se cometesse qualquer malfeito, poderia mentir e salvar-se, mas, estando puro e desarmado diante do sistema, como mentir, senão confessando a falta imaginária, e, portanto, condenando-se? A solução era virar bicho. Virou, com êxito. Agora trazem José para a capital, incorporam-no ao estranho maquinismo, ao estatuto sombrio, inexplicável; ele é condenado a viver como os outros, no grau inferior. José está salvo ou perdido? O certo é que nunca mais brilhará, na mata de Nanuque, aquele foguinho solitário. Todos são iguais perante a lei. Não estamos sós. (Carlos Drummond de Andrade. Caminhos de João Brandão, 2016.) 1 promeneur solitaire: caminhante solitário. Em “— Mais uma razão para vir. Está desfrutando privilégios, e todos são iguais perante a lei!” (10o parágrafo), a palavra sublinhada expressa ideia de
  1. A)comparação.
  2. B)consequência.
  3. C)finalidade.
  4. D)causa.
  5. E)adição.
FAMERP20231a faseQuestao 11InglêsIdeia principalFacil
Daters are astonished by the high prices of wining and dining a romantic interest with inflation at its highest rate in over 40 years. The consumer price index category for food away from home rose 7.7% in June 2022 from a year earlier, while full-service restaurants climbed 8.9%. For those testing the waters with a cocktail or two, prices for alcoholic beverages rose by 4%. Those searching for love say they’re feeling the pain. Among 3,000 users on the popular dating app Hinge, almost 41% said they were more concerned with the cost of dates now versus a year ago, with Generation Z respondents more likely to feel the pressure. Emily Derby, a 27-year-old in Tulsa, Oklahoma, said her dating costs have doubled from 400 a month. As costs escalate, some singles are scaling back and being more selective about the dates they’re going on, while others are pausing their search for “the one” entirely. On dating site OKCupid, 34% of 70,000 users reported that inflation was impacting their love life. “In the fall of 2020, I was going on dates left and right not really thinking about the costs,” said Seth Rosenberg, a 25-year-old in Philadelphia. “Now, it’s harder to be excited because if a date goes bad, you’re out anywhere from 100.” Those still in the dating game have both love and money on the mind. New York City-based dating coach Amy Nobile said even her wealthy clients, many of whom pay 150 on a date are seeing if they can get away with $75 or less. “People are feeling rising prices,” she said. “For those in the long game to find a partner, they feel like they really need to monitor their money flow in the dating world.” As a result, people are on the hunt for less expensive options, said Logan Ury, director of relationship science at Hinge. (Paulina Cachero. www.bloomberg.com, 21.07.2022. Adaptado.) The main purpose of the text is to reveal why
  1. A)wealthy people are less successful in love.
  2. B)soaring prices are changing the dating game.
  3. C)people shouldn’t spend money on dating apps.
  4. D)singles should stop their search for love.
  5. E)daters are looking for fancy restaurants.
FAMERP20231a faseQuestao 12InglêsVocabulário em contextoFacil
Daters are astonished by the high prices of wining and dining a romantic interest with inflation at its highest rate in over 40 years. The consumer price index category for food away from home rose 7.7% in June 2022 from a year earlier, while full-service restaurants climbed 8.9%. For those testing the waters with a cocktail or two, prices for alcoholic beverages rose by 4%. Those searching for love say they’re feeling the pain. Among 3,000 users on the popular dating app Hinge, almost 41% said they were more concerned with the cost of dates now versus a year ago, with Generation Z respondents more likely to feel the pressure. Emily Derby, a 27-year-old in Tulsa, Oklahoma, said her dating costs have doubled from 400 a month. As costs escalate, some singles are scaling back and being more selective about the dates they’re going on, while others are pausing their search for “the one” entirely. On dating site OKCupid, 34% of 70,000 users reported that inflation was impacting their love life. “In the fall of 2020, I was going on dates left and right not really thinking about the costs,” said Seth Rosenberg, a 25-year-old in Philadelphia. “Now, it’s harder to be excited because if a date goes bad, you’re out anywhere from 100.” Those still in the dating game have both love and money on the mind. New York City-based dating coach Amy Nobile said even her wealthy clients, many of whom pay 150 on a date are seeing if they can get away with $75 or less. “People are feeling rising prices,” she said. “For those in the long game to find a partner, they feel like they really need to monitor their money flow in the dating world.” As a result, people are on the hunt for less expensive options, said Logan Ury, director of relationship science at Hinge. (Paulina Cachero. www.bloomberg.com, 21.07.2022. Adaptado.) No trecho do segundo parágrafo “with Generation Z respondents more likely to feel the pressure”, o termo sublinhado equivale, em português, a
  1. A)propensos.
  2. B)pacientes.
  3. C)responsáveis.
  4. D)vulneráveis.
  5. E)inteligentes.
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