Prova · UEM 2023

Prova UEM 2023: questões por disciplina

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O que caiu na prova 2023

Questões da prova UEM 2023

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UEM2023VerãoQuestao 1PortuguêsInterpretação textualFacil
Etarismo: que bicho é esse? Preconceito por idade prejudica saúde de idosos Samantha Cerquetani Chegar à terceira idade com saúde e disposição é um privilégio, mas é comum que quem tenha mais de 50 anos já comece a sentir discriminação por estar envelhecendo. Ouvir frases como: “Você está velho demais para isso!”, “Lugar de velho é em casa”, ou “Está ficando gagá”, começa a fazer parte do cotidiano de muitos idosos. Essa discriminação passou a ser chamada de etarismo – mas também é chamada de idadismo ou ageísmo – e é bastante comum: de acordo com um relatório elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma em cada duas pessoas no mundo já agiu de forma discriminatória, piorando a saúde física e mental dos idosos. O relatório global sobre preconceito etário faz parte de uma campanha realizada pela OMS para combater estereótipos e aumentar a discussão sobre o assunto. Para isso, foi realizado um levantamento com mais de 80 mil pessoas de 57 países. No Brasil os dados também mostram que o etarismo começa até mesmo antes de as pessoas chegarem à terceira idade: 16,8% dos brasileiros com mais de 50 anos já se sentiram vítimas de algum tipo de discriminação por estarem envelhecendo. A discriminação por idade pode ser velada e também explícita. O idoso costuma ouvir comentários desagradáveis, como se fossem “brincadeiras” sobre o envelhecimento, ou sente que não foi chamado para uma entrevista de emprego por causa da idade. Essa exclusão da sociedade afeta a saúde mental, uma vez que as pessoas mais velhas recebem continuamente sinais de não aceitação – como desprezo, falta de respeito, agressões e humilhações – simplesmente pelo fato de terem envelhecido. “O etarismo contribui para a baixa autoestima, para sentimentos de desamparo, e leva ao isolamento. O idoso também pode ter mais depressão ao ser discriminado”, afirma Juliana Yokomizo, psicóloga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo IPq-(HCFMUSP). Além dos problemas mentais, o etarismo está associado à morte precoce, visto que piora as condições de saúde de forma geral. O idoso discriminado e excluído da sociedade aumenta o índice de comportamentos de risco que favorecem o surgimento de doenças, ou seja, ele deixa de se alimentar adequadamente, bebe ou fuma em excesso, o que reduz sua qualidade de vida. Além disso, pesquisas realizadas em todo o mundo apontam que idosos que sofrem preconceito estão mais suscetíveis a doenças crônicas e a risco de demência. O etarismo também dificulta o acesso à saúde, o que eleva o número de mortes precoces. O preconceito por idade se infiltra em instituições como hospitais, centros médicos e, em alguns casos, a idade passa a determinar se a pessoa deve ou não realizar alguns procedimentos ou receber tratamentos médicos. Como combater? É fundamental que as mudanças e a conscientização da importância dos idosos na sociedade comecem dentro de casa, com os familiares. “É necessário que ocorra o convívio entre as diversas gerações. As crianças precisam compreender o processo de velhice, que faz parte da vida, e a necessidade do respeito. É preciso promover o conhecimento sobre o envelhecimento e aumentar ações para inseri-los na sociedade”, afirma Ana Laura Medeiros, geriatra do Hospital Universitário Lauro Wanderley da UFPB (Universidade Federal da Paraíba). De acordo com Yokomizo, o etarismo não é intrínseco ao ser humano, e essas ideias preconceituosas podem ser desconstruídas. “Isso pode dar uma abertura para o envelhecimento de forma plena, em que há uma aceitação dessa fase, sem negações ou sofrimentos”. Vale lembrar que a pessoa que sofrer qualquer tipo de discriminação pode fazer denúncia junto aos conselhos municipais do idoso. No Brasil, há o Estatuto do Idoso, que determina a reclusão e a multa em casos de discriminação. Envelhecer pode ser bom, deve ser visto como uma conquista. O idoso precisa ser valorizado tanto quanto os jovens. Muitos ainda estão cheios de energia, trabalham, têm sonhos e ajudam seus familiares. Uma forma de combater o etarismo no dia a dia é deixar de falar frases preconceituosas e estereotipadas. São pequenas mudanças que fazem a diferença. Exemplos de frases que demonstram etarismo, que você já pode ter dito sem se dar conta, e que devem ser evitadas: – Ahhh, jura que você tem essa idade? – Qual o segredo para você estar tão conservada? – Desculpa perguntar, mas quantos anos você tem? – Você parece mais jovem. – Que bonita! Não entrega a idade. – É uma “coroa” enxuta para a idade dela. – Como tem coragem de sair com aquela roupa? – Ela/ele está velha/o demais para namorar/casar/ter filho. Texto adaptado de https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/ 2021/08/20/etarismo-que-bicho-e-esse-preconceito-por-idade-prejudicasaude-de-idosos.htm. Acesso 03 jun 2023. De acordo com o texto, assinale o que for correto.
  1. 01)Conforme o relatório elaborado pela OMS, no caso do Brasil um terço das pessoas já agiu de forma discriminatória contra idosos.
  2. 02)Há duas formas de discriminação contra idosos: a velada e a implícita.
  3. 04)A saúde física e mental do idoso é afetada pela exclusão que ele sofre na sociedade.
  4. 08)De acordo com Ana Laura Medeiros, uma das formas de combate ao etarismo é o convívio entre diversas gerações.
  5. 16)A finalidade do texto é evidenciar como o etarismo prejudica a saúde do idoso e como é importante encontrar formas de combatê-lo.
UEM2023InvernoQuestao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
O que faz o Brasil ter a maior população de domésticas do mundo Marina Wentzel Se organizasse um encontro de todos os seus trabalhadores domésticos, o Brasil reuniria uma população maior que a da Dinamarca, composta majoritariamente por mulheres negras, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo dados de 2017, o país emprega cerca de 7 milhões de pessoas no setor − o maior grupo no mundo. São três empregados para cada grupo de 100 habitantes − e a liderança brasileira nesse ranking só é contestada pela informalidade e falta de dados confiáveis de outros países. Com um perfil predominante feminino, afrodescendente e de baixa escolaridade, o trabalho doméstico é alimentado pela desigualdade e pela dinâmica social criada principalmente após a abolição da escravatura no Brasil, afirmam especialistas. […] “Ainda hoje o trabalho doméstico é uma das principais ocupações entre as mulheres, que são a maioria no setor em todo o mundo, cerca de 80%. No Brasil, permanece sendo a principal fonte de emprego entre as mulheres”, diz Claire Hobden, especialista em Trabalhadores Vulneráveis da OIT. […] O professor e pesquisador americano David Evan Harris é um dos especialistas que defendem que o cenário do trabalho doméstico no Brasil atual é herança do período escravagista. “O Brasil foi um dos últimos países do mundo a acabar com a escravidão. Se olharmos para quem são as empregadas, veremos que elas tendem a ser pessoas de cor”, diz o acadêmico, formado pela Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, e mestre pela USP. […] Segundo a historiadora e escritora Marília Bueno de Araújo Ariza, mesmo após a abolição, em 1888, mulheres e homens negros continuaram sendo servos ou escravos informais, o que também deixou seu legado no mercado de trabalho. […] As domésticas de hoje são majoritariamente afrodescendentes porque “justamente eram essas pessoas que ocupavam os postos de trabalho mais aviltados na saída da escravidão e na entrada da liberdade no pós-abolição”, afirmou ela à BBC Brasil. A ideia de ter um servo na família era muito comum, mesmo entre quem não era rico e vivia nas regiões semiurbanas do século 19, segundo Ariza. “A escravidão brasileira foi diversa, mas foi sobretudo uma escravidão de pequena posse. No Brasil, todo mundo tinha escravos. Quando as pessoas tinham dinheiro, elas compravam escravos com muita frequência.” […] “Racismo estrutural” Ariza acredita que o Brasil do século 21 herdou do passado colonial, imperial e escravista uma “profunda desigualdade na sociedade que não foi resolvida” e “um racismo estrutural”. “Essas duas coisas combinadas nos levam a um quadro contemporâneo que usa racionalmente o trabalho doméstico porque ele é mal remunerado e, até recentemente, não tinha quaisquer direitos reconhecidos”, resume. […] “Apesar dos esforços dos governos recentes em trazer essas empregadas para a formalidade, o que se vê hoje é o aumento da informalidade”, pondera o professor e doutor em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Eduardo Coutinho da Costa. […] “Já que o trabalho formal é um meio de ascensão, as oportunidades nesse âmbito foram administradas por um viés racial, no qual negros foram encaminhados aos postos inferiores, mais precarizados, para que não evoluíssem economicamente”, diz Coutinho da Costa. […] Desigualdade Em sua tese de mestrado na USP, o pesquisador americano David Evan Harris comparou a relação da sociedade com os trabalhadores domésticos no Brasil e nos Estados Unidos. Para ele, em ambos os países os empregados são explorados, apesar das diferenças culturais. No Brasil, diz Harris, predomina o discurso da proximidade afetiva, na qual a empregada é tratada “praticamente como se fosse alguém da família”. Já nos EUA, elas costumam ser terceirizadas e recrutadas via empresas de serviços de limpeza. Essa profissionalização daria o distanciamento necessário para que a “culpa” e o “constrangimento moral” das famílias americanas por causa da desigualdade social fossem mitigados. “Se formos observar os diferentes países ao redor do mundo e quantos serviçais eles têm, ou quão predominante a ocupação doméstica é, veremos, grosso modo, que o número de empregadas por porcentagem da população corresponde ao nível de desigualdade daquele país”, afirma Evans. “Há dois fatores majoritários que são muito importantes para avaliar se um país vai ter uma grande população de serviçais. Primeiro, desigualdade e, segundo, acesso à educação de qualidade pública, para que as pessoas consigam alcançar oportunidades que vão além do trabalho doméstico.” […] A OIT não chega a afirmar que haja uma dinâmica de causa e consequência, mas reconhece que ambos os aspectos – alta incidência de trabalho doméstico e desigualdade social – estão de alguma forma relacionados. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43120953. Acesso: 16 mai 2023. Conforme o texto, assinale o que for correto.
  1. 01)O Brasil lidera o ranking de maior empregador de trabalhadores domésticos do mundo, com uma média de três empregados para cada grupo de 100 habitantes.
  2. 02)O perfil predominantemente feminino, afrodescendente e de baixa escolaridade dos trabalhadores domésticos no Brasil é alimentado pela desigualdade e pela dinâmica social do país.
  3. 04)Como o Brasil foi um dos últimos países do mundo a acabar com a escravidão, as empregadas domésticas brasileiras são descendentes diretas de escravos negros.
  4. 08)Uma diferença marcante entre Brasil e EUA no tratamento às empregadas domésticas é que neste último as trabalhadoras são tratadas como alguém da família.
  5. 16)Em todo o mundo, o trabalho doméstico é uma atividade majoritariamente desempenhada pelas mulheres, em torno de 80%, e no Brasil é a principal fonte de emprego para elas.
UEM2023VerãoQuestao 2PortuguêsInterpretação textualFacil
Etarismo: que bicho é esse? Preconceito por idade prejudica saúde de idosos Samantha Cerquetani Chegar à terceira idade com saúde e disposição é um privilégio, mas é comum que quem tenha mais de 50 anos já comece a sentir discriminação por estar envelhecendo. Ouvir frases como: “Você está velho demais para isso!”, “Lugar de velho é em casa”, ou “Está ficando gagá”, começa a fazer parte do cotidiano de muitos idosos. Essa discriminação passou a ser chamada de etarismo – mas também é chamada de idadismo ou ageísmo – e é bastante comum: de acordo com um relatório elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma em cada duas pessoas no mundo já agiu de forma discriminatória, piorando a saúde física e mental dos idosos. O relatório global sobre preconceito etário faz parte de uma campanha realizada pela OMS para combater estereótipos e aumentar a discussão sobre o assunto. Para isso, foi realizado um levantamento com mais de 80 mil pessoas de 57 países. No Brasil os dados também mostram que o etarismo começa até mesmo antes de as pessoas chegarem à terceira idade: 16,8% dos brasileiros com mais de 50 anos já se sentiram vítimas de algum tipo de discriminação por estarem envelhecendo. A discriminação por idade pode ser velada e também explícita. O idoso costuma ouvir comentários desagradáveis, como se fossem “brincadeiras” sobre o envelhecimento, ou sente que não foi chamado para uma entrevista de emprego por causa da idade. Essa exclusão da sociedade afeta a saúde mental, uma vez que as pessoas mais velhas recebem continuamente sinais de não aceitação – como desprezo, falta de respeito, agressões e humilhações – simplesmente pelo fato de terem envelhecido. “O etarismo contribui para a baixa autoestima, para sentimentos de desamparo, e leva ao isolamento. O idoso também pode ter mais depressão ao ser discriminado”, afirma Juliana Yokomizo, psicóloga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo IPq-(HCFMUSP). Além dos problemas mentais, o etarismo está associado à morte precoce, visto que piora as condições de saúde de forma geral. O idoso discriminado e excluído da sociedade aumenta o índice de comportamentos de risco que favorecem o surgimento de doenças, ou seja, ele deixa de se alimentar adequadamente, bebe ou fuma em excesso, o que reduz sua qualidade de vida. Além disso, pesquisas realizadas em todo o mundo apontam que idosos que sofrem preconceito estão mais suscetíveis a doenças crônicas e a risco de demência. O etarismo também dificulta o acesso à saúde, o que eleva o número de mortes precoces. O preconceito por idade se infiltra em instituições como hospitais, centros médicos e, em alguns casos, a idade passa a determinar se a pessoa deve ou não realizar alguns procedimentos ou receber tratamentos médicos. Como combater? É fundamental que as mudanças e a conscientização da importância dos idosos na sociedade comecem dentro de casa, com os familiares. “É necessário que ocorra o convívio entre as diversas gerações. As crianças precisam compreender o processo de velhice, que faz parte da vida, e a necessidade do respeito. É preciso promover o conhecimento sobre o envelhecimento e aumentar ações para inseri-los na sociedade”, afirma Ana Laura Medeiros, geriatra do Hospital Universitário Lauro Wanderley da UFPB (Universidade Federal da Paraíba). De acordo com Yokomizo, o etarismo não é intrínseco ao ser humano, e essas ideias preconceituosas podem ser desconstruídas. “Isso pode dar uma abertura para o envelhecimento de forma plena, em que há uma aceitação dessa fase, sem negações ou sofrimentos”. Vale lembrar que a pessoa que sofrer qualquer tipo de discriminação pode fazer denúncia junto aos conselhos municipais do idoso. No Brasil, há o Estatuto do Idoso, que determina a reclusão e a multa em casos de discriminação. Envelhecer pode ser bom, deve ser visto como uma conquista. O idoso precisa ser valorizado tanto quanto os jovens. Muitos ainda estão cheios de energia, trabalham, têm sonhos e ajudam seus familiares. Uma forma de combater o etarismo no dia a dia é deixar de falar frases preconceituosas e estereotipadas. São pequenas mudanças que fazem a diferença. Exemplos de frases que demonstram etarismo, que você já pode ter dito sem se dar conta, e que devem ser evitadas: – Ahhh, jura que você tem essa idade? – Qual o segredo para você estar tão conservada? – Desculpa perguntar, mas quantos anos você tem? – Você parece mais jovem. – Que bonita! Não entrega a idade. – É uma “coroa” enxuta para a idade dela. – Como tem coragem de sair com aquela roupa? – Ela/ele está velha/o demais para namorar/casar/ter filho. Texto adaptado de https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/ 2021/08/20/etarismo-que-bicho-e-esse-preconceito-por-idade-prejudicasaude-de-idosos.htm. Acesso 03 jun 2023. De acordo com o texto, assinale o que for correto.
  1. 01)Há casos de etarismo no Brasil antes dos 60 anos de idade.
  2. 02)A baixa autoestima do idoso é considerada uma das causas do etarismo.
  3. 04)O vício em bebida ou cigarro pode aumentar o etarismo em idosos acima de 50 anos.
  4. 08)A idade de um idoso lhe garante tratamento médico e auxílio hospitalar.
  5. 16)Uma das formas de combate ao etarismo é evitar proferir frases preconceituosas contra idosos.
UEM2023InvernoQuestao 2PortuguêsMorfossintaxe (norma padrão e colocação pronominal)Media
O que faz o Brasil ter a maior população de domésticas do mundo Marina Wentzel Se organizasse um encontro de todos os seus trabalhadores domésticos, o Brasil reuniria uma população maior que a da Dinamarca, composta majoritariamente por mulheres negras, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo dados de 2017, o país emprega cerca de 7 milhões de pessoas no setor − o maior grupo no mundo. São três empregados para cada grupo de 100 habitantes − e a liderança brasileira nesse ranking só é contestada pela informalidade e falta de dados confiáveis de outros países. Com um perfil predominante feminino, afrodescendente e de baixa escolaridade, o trabalho doméstico é alimentado pela desigualdade e pela dinâmica social criada principalmente após a abolição da escravatura no Brasil, afirmam especialistas. […] “Ainda hoje o trabalho doméstico é uma das principais ocupações entre as mulheres, que são a maioria no setor em todo o mundo, cerca de 80%. No Brasil, permanece sendo a principal fonte de emprego entre as mulheres”, diz Claire Hobden, especialista em Trabalhadores Vulneráveis da OIT. […] O professor e pesquisador americano David Evan Harris é um dos especialistas que defendem que o cenário do trabalho doméstico no Brasil atual é herança do período escravagista. “O Brasil foi um dos últimos países do mundo a acabar com a escravidão. Se olharmos para quem são as empregadas, veremos que elas tendem a ser pessoas de cor”, diz o acadêmico, formado pela Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, e mestre pela USP. […] Segundo a historiadora e escritora Marília Bueno de Araújo Ariza, mesmo após a abolição, em 1888, mulheres e homens negros continuaram sendo servos ou escravos informais, o que também deixou seu legado no mercado de trabalho. […] As domésticas de hoje são majoritariamente afrodescendentes porque “justamente eram essas pessoas que ocupavam os postos de trabalho mais aviltados na saída da escravidão e na entrada da liberdade no pós-abolição”, afirmou ela à BBC Brasil. A ideia de ter um servo na família era muito comum, mesmo entre quem não era rico e vivia nas regiões semiurbanas do século 19, segundo Ariza. “A escravidão brasileira foi diversa, mas foi sobretudo uma escravidão de pequena posse. No Brasil, todo mundo tinha escravos. Quando as pessoas tinham dinheiro, elas compravam escravos com muita frequência.” […] “Racismo estrutural” Ariza acredita que o Brasil do século 21 herdou do passado colonial, imperial e escravista uma “profunda desigualdade na sociedade que não foi resolvida” e “um racismo estrutural”. “Essas duas coisas combinadas nos levam a um quadro contemporâneo que usa racionalmente o trabalho doméstico porque ele é mal remunerado e, até recentemente, não tinha quaisquer direitos reconhecidos”, resume. […] “Apesar dos esforços dos governos recentes em trazer essas empregadas para a formalidade, o que se vê hoje é o aumento da informalidade”, pondera o professor e doutor em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Eduardo Coutinho da Costa. […] “Já que o trabalho formal é um meio de ascensão, as oportunidades nesse âmbito foram administradas por um viés racial, no qual negros foram encaminhados aos postos inferiores, mais precarizados, para que não evoluíssem economicamente”, diz Coutinho da Costa. […] Desigualdade Em sua tese de mestrado na USP, o pesquisador americano David Evan Harris comparou a relação da sociedade com os trabalhadores domésticos no Brasil e nos Estados Unidos. Para ele, em ambos os países os empregados são explorados, apesar das diferenças culturais. No Brasil, diz Harris, predomina o discurso da proximidade afetiva, na qual a empregada é tratada “praticamente como se fosse alguém da família”. Já nos EUA, elas costumam ser terceirizadas e recrutadas via empresas de serviços de limpeza. Essa profissionalização daria o distanciamento necessário para que a “culpa” e o “constrangimento moral” das famílias americanas por causa da desigualdade social fossem mitigados. “Se formos observar os diferentes países ao redor do mundo e quantos serviçais eles têm, ou quão predominante a ocupação doméstica é, veremos, grosso modo, que o número de empregadas por porcentagem da população corresponde ao nível de desigualdade daquele país”, afirma Evans. “Há dois fatores majoritários que são muito importantes para avaliar se um país vai ter uma grande população de serviçais. Primeiro, desigualdade e, segundo, acesso à educação de qualidade pública, para que as pessoas consigam alcançar oportunidades que vão além do trabalho doméstico.” […] A OIT não chega a afirmar que haja uma dinâmica de causa e consequência, mas reconhece que ambos os aspectos – alta incidência de trabalho doméstico e desigualdade social – estão de alguma forma relacionados. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43120953. Acesso: 16 mai 2023. Assinale o que for correto.
  1. 01)No trecho “Essa profissionalização daria o distanciamento necessário” (linhas 86 e 87), o uso de dar no futuro do pretérito denota uma atitude de certeza do locutor em relação ao fato expresso pela forma verbal.
  2. 02)Em “A OIT não chega a afirmar” (linha 103), depreende-se que o conteúdo expresso pela OIT foi formulado em momento anterior ao da produção do texto, tendo o seu valor de verdade se prolongado até o instante presente.
  3. 04)No trecho “se um país vai ter uma grande população de serviçais.” (linhas 98 e 99), o uso da locução “vai ter” corresponde a um emprego mais informal para expressar o tempo verbal presente do subjuntivo.
  4. 08)Conforme a norma padrão, no trecho “David Evan Harris é um dos especialistas que defendem” (linhas 23 e 24), admite-se também a flexão do verbo defender na terceira pessoa do singular.
  5. 16)Em “Há dois fatores majoritários” (linha 97), o verbo haver pode ser substituído pelo verbo ter no português brasileiro coloquial.
UEM2023InvernoQuestao 3PortuguêsSemântica e léxicoMedia
O que faz o Brasil ter a maior população de domésticas do mundo Marina Wentzel Se organizasse um encontro de todos os seus trabalhadores domésticos, o Brasil reuniria uma população maior que a da Dinamarca, composta majoritariamente por mulheres negras, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo dados de 2017, o país emprega cerca de 7 milhões de pessoas no setor − o maior grupo no mundo. São três empregados para cada grupo de 100 habitantes − e a liderança brasileira nesse ranking só é contestada pela informalidade e falta de dados confiáveis de outros países. Com um perfil predominante feminino, afrodescendente e de baixa escolaridade, o trabalho doméstico é alimentado pela desigualdade e pela dinâmica social criada principalmente após a abolição da escravatura no Brasil, afirmam especialistas. […] “Ainda hoje o trabalho doméstico é uma das principais ocupações entre as mulheres, que são a maioria no setor em todo o mundo, cerca de 80%. No Brasil, permanece sendo a principal fonte de emprego entre as mulheres”, diz Claire Hobden, especialista em Trabalhadores Vulneráveis da OIT. […] O professor e pesquisador americano David Evan Harris é um dos especialistas que defendem que o cenário do trabalho doméstico no Brasil atual é herança do período escravagista. “O Brasil foi um dos últimos países do mundo a acabar com a escravidão. Se olharmos para quem são as empregadas, veremos que elas tendem a ser pessoas de cor”, diz o acadêmico, formado pela Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, e mestre pela USP. […] Segundo a historiadora e escritora Marília Bueno de Araújo Ariza, mesmo após a abolição, em 1888, mulheres e homens negros continuaram sendo servos ou escravos informais, o que também deixou seu legado no mercado de trabalho. […] As domésticas de hoje são majoritariamente afrodescendentes porque “justamente eram essas pessoas que ocupavam os postos de trabalho mais aviltados na saída da escravidão e na entrada da liberdade no pós-abolição”, afirmou ela à BBC Brasil. A ideia de ter um servo na família era muito comum, mesmo entre quem não era rico e vivia nas regiões semiurbanas do século 19, segundo Ariza. “A escravidão brasileira foi diversa, mas foi sobretudo uma escravidão de pequena posse. No Brasil, todo mundo tinha escravos. Quando as pessoas tinham dinheiro, elas compravam escravos com muita frequência.” […] “Racismo estrutural” Ariza acredita que o Brasil do século 21 herdou do passado colonial, imperial e escravista uma “profunda desigualdade na sociedade que não foi resolvida” e “um racismo estrutural”. “Essas duas coisas combinadas nos levam a um quadro contemporâneo que usa racionalmente o trabalho doméstico porque ele é mal remunerado e, até recentemente, não tinha quaisquer direitos reconhecidos”, resume. […] “Apesar dos esforços dos governos recentes em trazer essas empregadas para a formalidade, o que se vê hoje é o aumento da informalidade”, pondera o professor e doutor em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Eduardo Coutinho da Costa. […] “Já que o trabalho formal é um meio de ascensão, as oportunidades nesse âmbito foram administradas por um viés racial, no qual negros foram encaminhados aos postos inferiores, mais precarizados, para que não evoluíssem economicamente”, diz Coutinho da Costa. […] Desigualdade Em sua tese de mestrado na USP, o pesquisador americano David Evan Harris comparou a relação da sociedade com os trabalhadores domésticos no Brasil e nos Estados Unidos. Para ele, em ambos os países os empregados são explorados, apesar das diferenças culturais. No Brasil, diz Harris, predomina o discurso da proximidade afetiva, na qual a empregada é tratada “praticamente como se fosse alguém da família”. Já nos EUA, elas costumam ser terceirizadas e recrutadas via empresas de serviços de limpeza. Essa profissionalização daria o distanciamento necessário para que a “culpa” e o “constrangimento moral” das famílias americanas por causa da desigualdade social fossem mitigados. “Se formos observar os diferentes países ao redor do mundo e quantos serviçais eles têm, ou quão predominante a ocupação doméstica é, veremos, grosso modo, que o número de empregadas por porcentagem da população corresponde ao nível de desigualdade daquele país”, afirma Evans. “Há dois fatores majoritários que são muito importantes para avaliar se um país vai ter uma grande população de serviçais. Primeiro, desigualdade e, segundo, acesso à educação de qualidade pública, para que as pessoas consigam alcançar oportunidades que vão além do trabalho doméstico.” […] A OIT não chega a afirmar que haja uma dinâmica de causa e consequência, mas reconhece que ambos os aspectos – alta incidência de trabalho doméstico e desigualdade social – estão de alguma forma relacionados. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43120953. Acesso: 16 mai 2023. Assinale o que for correto.
  1. 01)A expressão “trabalhadores domésticos” (linha 2), em vez de empregados, transmite a ideia de que esses profissionais deveriam ter os mesmos direitos que os indivíduos que desempenham qualquer outra profissão.
  2. 02)O termo “aviltados” (linha 41) é uma escolha lexical que caracteriza a maneira como as ocupações desempenhadas por afrodescendentes eram vistas antes e mesmo após a abolição da escravidão.
  3. 04)“Segundo” (linha 33) e “segundo” (linha 100) apresentam o mesmo valor semântico e pertencem à mesma classe gramatical.
  4. 08)No trecho “praticamente como se fosse alguém da família” (linha 84), o tom de afetividade é reforçado pelo uso do advérbio “praticamente”, que denota sentido de aproximação comparativa.
  5. 16)Em “incidência” (linha o prefixo -in é, semanticamente, equivalente ao que está presente no vocábulo “informalidade” (linha 10).
UEM2023VerãoQuestao 3PortuguêsAnálise linguísticaMedia
Etarismo: que bicho é esse? Preconceito por idade prejudica saúde de idosos Samantha Cerquetani Chegar à terceira idade com saúde e disposição é um privilégio, mas é comum que quem tenha mais de 50 anos já comece a sentir discriminação por estar envelhecendo. Ouvir frases como: “Você está velho demais para isso!”, “Lugar de velho é em casa”, ou “Está ficando gagá”, começa a fazer parte do cotidiano de muitos idosos. Essa discriminação passou a ser chamada de etarismo – mas também é chamada de idadismo ou ageísmo – e é bastante comum: de acordo com um relatório elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma em cada duas pessoas no mundo já agiu de forma discriminatória, piorando a saúde física e mental dos idosos. O relatório global sobre preconceito etário faz parte de uma campanha realizada pela OMS para combater estereótipos e aumentar a discussão sobre o assunto. Para isso, foi realizado um levantamento com mais de 80 mil pessoas de 57 países. No Brasil os dados também mostram que o etarismo começa até mesmo antes de as pessoas chegarem à terceira idade: 16,8% dos brasileiros com mais de 50 anos já se sentiram vítimas de algum tipo de discriminação por estarem envelhecendo. A discriminação por idade pode ser velada e também explícita. O idoso costuma ouvir comentários desagradáveis, como se fossem “brincadeiras” sobre o envelhecimento, ou sente que não foi chamado para uma entrevista de emprego por causa da idade. Essa exclusão da sociedade afeta a saúde mental, uma vez que as pessoas mais velhas recebem continuamente sinais de não aceitação – como desprezo, falta de respeito, agressões e humilhações – simplesmente pelo fato de terem envelhecido. “O etarismo contribui para a baixa autoestima, para sentimentos de desamparo, e leva ao isolamento. O idoso também pode ter mais depressão ao ser discriminado”, afirma Juliana Yokomizo, psicóloga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo IPq-(HCFMUSP). Além dos problemas mentais, o etarismo está associado à morte precoce, visto que piora as condições de saúde de forma geral. O idoso discriminado e excluído da sociedade aumenta o índice de comportamentos de risco que favorecem o surgimento de doenças, ou seja, ele deixa de se alimentar adequadamente, bebe ou fuma em excesso, o que reduz sua qualidade de vida. Além disso, pesquisas realizadas em todo o mundo apontam que idosos que sofrem preconceito estão mais suscetíveis a doenças crônicas e a risco de demência. O etarismo também dificulta o acesso à saúde, o que eleva o número de mortes precoces. O preconceito por idade se infiltra em instituições como hospitais, centros médicos e, em alguns casos, a idade passa a determinar se a pessoa deve ou não realizar alguns procedimentos ou receber tratamentos médicos. Como combater? É fundamental que as mudanças e a conscientização da importância dos idosos na sociedade comecem dentro de casa, com os familiares. “É necessário que ocorra o convívio entre as diversas gerações. As crianças precisam compreender o processo de velhice, que faz parte da vida, e a necessidade do respeito. É preciso promover o conhecimento sobre o envelhecimento e aumentar ações para inseri-los na sociedade”, afirma Ana Laura Medeiros, geriatra do Hospital Universitário Lauro Wanderley da UFPB (Universidade Federal da Paraíba). De acordo com Yokomizo, o etarismo não é intrínseco ao ser humano, e essas ideias preconceituosas podem ser desconstruídas. “Isso pode dar uma abertura para o envelhecimento de forma plena, em que há uma aceitação dessa fase, sem negações ou sofrimentos”. Vale lembrar que a pessoa que sofrer qualquer tipo de discriminação pode fazer denúncia junto aos conselhos municipais do idoso. No Brasil, há o Estatuto do Idoso, que determina a reclusão e a multa em casos de discriminação. Envelhecer pode ser bom, deve ser visto como uma conquista. O idoso precisa ser valorizado tanto quanto os jovens. Muitos ainda estão cheios de energia, trabalham, têm sonhos e ajudam seus familiares. Uma forma de combater o etarismo no dia a dia é deixar de falar frases preconceituosas e estereotipadas. São pequenas mudanças que fazem a diferença. Exemplos de frases que demonstram etarismo, que você já pode ter dito sem se dar conta, e que devem ser evitadas: – Ahhh, jura que você tem essa idade? – Qual o segredo para você estar tão conservada? – Desculpa perguntar, mas quantos anos você tem? – Você parece mais jovem. – Que bonita! Não entrega a idade. – É uma “coroa” enxuta para a idade dela. – Como tem coragem de sair com aquela roupa? – Ela/ele está velha/o demais para namorar/casar/ter filho. Texto adaptado de https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/ 2021/08/20/etarismo-que-bicho-e-esse-preconceito-por-idade-prejudicasaude-de-idosos.htm. Acesso 03 jun 2023. Assinale o que for correto a respeito do texto.
  1. 01)Em “‘Isso pode dar uma abertura para o envelhecimento de forma plena’” (linhas 67 e 68), o termo destacado estabelece relação semântica de finalidade entre as partes da oração.
  2. 02)Em “Essa discriminação passou a ser chamada de etarismo – mas também é chamada de idadismo ou ageísmo” (linhas 7 e 8), a expressão “mas também” adiciona sinônimos para “etarismo”.
  3. 04)Em “16,8% dos brasileiros com mais de 50 anos já se sentiram vítimas de algum tipo de discriminação por estarem envelhecendo.” (linhas 20-22), há uma relação semântica de causa entre as orações.
  4. 08)A expressão “ou seja” (linha 42) introduz um novo argumento para justificar a falta de atendimento médico para o idoso.
  5. 16)Em “O etarismo também dificulta o acesso à saúde” (linhas 47 e 48), o termo destacado reforça a carência de atendimento de saúde aos idosos.
UEM2023VerãoQuestao 4PortuguêsAnálise linguísticaMedia
Etarismo: que bicho é esse? Preconceito por idade prejudica saúde de idosos Samantha Cerquetani Chegar à terceira idade com saúde e disposição é um privilégio, mas é comum que quem tenha mais de 50 anos já comece a sentir discriminação por estar envelhecendo. Ouvir frases como: “Você está velho demais para isso!”, “Lugar de velho é em casa”, ou “Está ficando gagá”, começa a fazer parte do cotidiano de muitos idosos. Essa discriminação passou a ser chamada de etarismo – mas também é chamada de idadismo ou ageísmo – e é bastante comum: de acordo com um relatório elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma em cada duas pessoas no mundo já agiu de forma discriminatória, piorando a saúde física e mental dos idosos. O relatório global sobre preconceito etário faz parte de uma campanha realizada pela OMS para combater estereótipos e aumentar a discussão sobre o assunto. Para isso, foi realizado um levantamento com mais de 80 mil pessoas de 57 países. No Brasil os dados também mostram que o etarismo começa até mesmo antes de as pessoas chegarem à terceira idade: 16,8% dos brasileiros com mais de 50 anos já se sentiram vítimas de algum tipo de discriminação por estarem envelhecendo. A discriminação por idade pode ser velada e também explícita. O idoso costuma ouvir comentários desagradáveis, como se fossem “brincadeiras” sobre o envelhecimento, ou sente que não foi chamado para uma entrevista de emprego por causa da idade. Essa exclusão da sociedade afeta a saúde mental, uma vez que as pessoas mais velhas recebem continuamente sinais de não aceitação – como desprezo, falta de respeito, agressões e humilhações – simplesmente pelo fato de terem envelhecido. “O etarismo contribui para a baixa autoestima, para sentimentos de desamparo, e leva ao isolamento. O idoso também pode ter mais depressão ao ser discriminado”, afirma Juliana Yokomizo, psicóloga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo IPq-(HCFMUSP). Além dos problemas mentais, o etarismo está associado à morte precoce, visto que piora as condições de saúde de forma geral. O idoso discriminado e excluído da sociedade aumenta o índice de comportamentos de risco que favorecem o surgimento de doenças, ou seja, ele deixa de se alimentar adequadamente, bebe ou fuma em excesso, o que reduz sua qualidade de vida. Além disso, pesquisas realizadas em todo o mundo apontam que idosos que sofrem preconceito estão mais suscetíveis a doenças crônicas e a risco de demência. O etarismo também dificulta o acesso à saúde, o que eleva o número de mortes precoces. O preconceito por idade se infiltra em instituições como hospitais, centros médicos e, em alguns casos, a idade passa a determinar se a pessoa deve ou não realizar alguns procedimentos ou receber tratamentos médicos. Como combater? É fundamental que as mudanças e a conscientização da importância dos idosos na sociedade comecem dentro de casa, com os familiares. “É necessário que ocorra o convívio entre as diversas gerações. As crianças precisam compreender o processo de velhice, que faz parte da vida, e a necessidade do respeito. É preciso promover o conhecimento sobre o envelhecimento e aumentar ações para inseri-los na sociedade”, afirma Ana Laura Medeiros, geriatra do Hospital Universitário Lauro Wanderley da UFPB (Universidade Federal da Paraíba). De acordo com Yokomizo, o etarismo não é intrínseco ao ser humano, e essas ideias preconceituosas podem ser desconstruídas. “Isso pode dar uma abertura para o envelhecimento de forma plena, em que há uma aceitação dessa fase, sem negações ou sofrimentos”. Vale lembrar que a pessoa que sofrer qualquer tipo de discriminação pode fazer denúncia junto aos conselhos municipais do idoso. No Brasil, há o Estatuto do Idoso, que determina a reclusão e a multa em casos de discriminação. Envelhecer pode ser bom, deve ser visto como uma conquista. O idoso precisa ser valorizado tanto quanto os jovens. Muitos ainda estão cheios de energia, trabalham, têm sonhos e ajudam seus familiares. Uma forma de combater o etarismo no dia a dia é deixar de falar frases preconceituosas e estereotipadas. São pequenas mudanças que fazem a diferença. Exemplos de frases que demonstram etarismo, que você já pode ter dito sem se dar conta, e que devem ser evitadas: – Ahhh, jura que você tem essa idade? – Qual o segredo para você estar tão conservada? – Desculpa perguntar, mas quantos anos você tem? – Você parece mais jovem. – Que bonita! Não entrega a idade. – É uma “coroa” enxuta para a idade dela. – Como tem coragem de sair com aquela roupa? – Ela/ele está velha/o demais para namorar/casar/ter filho. Texto adaptado de https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/ 2021/08/20/etarismo-que-bicho-e-esse-preconceito-por-idade-prejudicasaude-de-idosos.htm. Acesso 03 jun 2023. De acordo com o texto, assinale o que for correto.
  1. 01)Em “que bicho é esse?” (título), o termo destacado confere coloquialidade à construção.
  2. 02)As frases finais (linhas 83-90) imprimem ao texto marcas da linguagem oral, por meio, por exemplo, do emprego de gíria, como ocorre em “‘coroa’” (linha 88).
  3. 04)A expressão “‘Está ficando gagá’” (linha 5) produz, com o predicado nominal, um efeito de sentido pejorativo ao ato de envelhecer.
  4. 08)Os termos “etarismo” (linha 7), “idadismo” (linha 8) e “ageísmo” (linha 8) são formados pelo sufixo -ismo e todos são sinônimos de discriminação por idade.
  5. 16)O termo “etário” (linha 13) funciona no contexto como um adjetivo que caracteriza o substantivo “relatório” (linha 13).
UEM2023InvernoQuestao 4PortuguêsCoesão e coerênciaMedia
O que faz o Brasil ter a maior população de domésticas do mundo Marina Wentzel Se organizasse um encontro de todos os seus trabalhadores domésticos, o Brasil reuniria uma população maior que a da Dinamarca, composta majoritariamente por mulheres negras, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo dados de 2017, o país emprega cerca de 7 milhões de pessoas no setor − o maior grupo no mundo. São três empregados para cada grupo de 100 habitantes − e a liderança brasileira nesse ranking só é contestada pela informalidade e falta de dados confiáveis de outros países. Com um perfil predominante feminino, afrodescendente e de baixa escolaridade, o trabalho doméstico é alimentado pela desigualdade e pela dinâmica social criada principalmente após a abolição da escravatura no Brasil, afirmam especialistas. […] “Ainda hoje o trabalho doméstico é uma das principais ocupações entre as mulheres, que são a maioria no setor em todo o mundo, cerca de 80%. No Brasil, permanece sendo a principal fonte de emprego entre as mulheres”, diz Claire Hobden, especialista em Trabalhadores Vulneráveis da OIT. […] O professor e pesquisador americano David Evan Harris é um dos especialistas que defendem que o cenário do trabalho doméstico no Brasil atual é herança do período escravagista. “O Brasil foi um dos últimos países do mundo a acabar com a escravidão. Se olharmos para quem são as empregadas, veremos que elas tendem a ser pessoas de cor”, diz o acadêmico, formado pela Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, e mestre pela USP. […] Segundo a historiadora e escritora Marília Bueno de Araújo Ariza, mesmo após a abolição, em 1888, mulheres e homens negros continuaram sendo servos ou escravos informais, o que também deixou seu legado no mercado de trabalho. […] As domésticas de hoje são majoritariamente afrodescendentes porque “justamente eram essas pessoas que ocupavam os postos de trabalho mais aviltados na saída da escravidão e na entrada da liberdade no pós-abolição”, afirmou ela à BBC Brasil. A ideia de ter um servo na família era muito comum, mesmo entre quem não era rico e vivia nas regiões semiurbanas do século 19, segundo Ariza. “A escravidão brasileira foi diversa, mas foi sobretudo uma escravidão de pequena posse. No Brasil, todo mundo tinha escravos. Quando as pessoas tinham dinheiro, elas compravam escravos com muita frequência.” […] “Racismo estrutural” Ariza acredita que o Brasil do século 21 herdou do passado colonial, imperial e escravista uma “profunda desigualdade na sociedade que não foi resolvida” e “um racismo estrutural”. “Essas duas coisas combinadas nos levam a um quadro contemporâneo que usa racionalmente o trabalho doméstico porque ele é mal remunerado e, até recentemente, não tinha quaisquer direitos reconhecidos”, resume. […] “Apesar dos esforços dos governos recentes em trazer essas empregadas para a formalidade, o que se vê hoje é o aumento da informalidade”, pondera o professor e doutor em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Eduardo Coutinho da Costa. […] “Já que o trabalho formal é um meio de ascensão, as oportunidades nesse âmbito foram administradas por um viés racial, no qual negros foram encaminhados aos postos inferiores, mais precarizados, para que não evoluíssem economicamente”, diz Coutinho da Costa. […] Desigualdade Em sua tese de mestrado na USP, o pesquisador americano David Evan Harris comparou a relação da sociedade com os trabalhadores domésticos no Brasil e nos Estados Unidos. Para ele, em ambos os países os empregados são explorados, apesar das diferenças culturais. No Brasil, diz Harris, predomina o discurso da proximidade afetiva, na qual a empregada é tratada “praticamente como se fosse alguém da família”. Já nos EUA, elas costumam ser terceirizadas e recrutadas via empresas de serviços de limpeza. Essa profissionalização daria o distanciamento necessário para que a “culpa” e o “constrangimento moral” das famílias americanas por causa da desigualdade social fossem mitigados. “Se formos observar os diferentes países ao redor do mundo e quantos serviçais eles têm, ou quão predominante a ocupação doméstica é, veremos, grosso modo, que o número de empregadas por porcentagem da população corresponde ao nível de desigualdade daquele país”, afirma Evans. “Há dois fatores majoritários que são muito importantes para avaliar se um país vai ter uma grande população de serviçais. Primeiro, desigualdade e, segundo, acesso à educação de qualidade pública, para que as pessoas consigam alcançar oportunidades que vão além do trabalho doméstico.” […] A OIT não chega a afirmar que haja uma dinâmica de causa e consequência, mas reconhece que ambos os aspectos – alta incidência de trabalho doméstico e desigualdade social – estão de alguma forma relacionados. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43120953. Acesso: 16 mai 2023. Assinale o que for correto.
  1. 01)Em “Se organizasse um encontro de todos os seus trabalhadores domésticos” (linhas 1 e 2), o valor de condicionalidade expresso na oração seria mantido com a substituição de “se” por ainda que.
  2. 02)No trecho “permanece sendo a principal fonte de emprego entre as mulheres” (linhas 20 e 21), o sujeito elíptico aponta para a expressão antecedente “o trabalho doméstico” (linha 17).
  3. 04)Em “acabar com a escravidão” (linha 28), a substituição de “acabar” por abolir não exige alteração em termos de regência verbal.
  4. 08)A expressão “quaisquer direitos” (linha 60) apresenta um caso de ausência de concordância nominal, pois “quaisquer” não traz a desinência de plural -s exigida por “direitos”.
  5. 16)Em “Já que o trabalho formal é um meio de ascensão” (linha 68), a locução conjuntiva “Já que” expressa relação semântica de causa.
UEM2023InvernoQuestao 5PortuguêsPontuaçãoMedia
O que faz o Brasil ter a maior população de domésticas do mundo Marina Wentzel Se organizasse um encontro de todos os seus trabalhadores domésticos, o Brasil reuniria uma população maior que a da Dinamarca, composta majoritariamente por mulheres negras, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo dados de 2017, o país emprega cerca de 7 milhões de pessoas no setor − o maior grupo no mundo. São três empregados para cada grupo de 100 habitantes − e a liderança brasileira nesse ranking só é contestada pela informalidade e falta de dados confiáveis de outros países. Com um perfil predominante feminino, afrodescendente e de baixa escolaridade, o trabalho doméstico é alimentado pela desigualdade e pela dinâmica social criada principalmente após a abolição da escravatura no Brasil, afirmam especialistas. […] “Ainda hoje o trabalho doméstico é uma das principais ocupações entre as mulheres, que são a maioria no setor em todo o mundo, cerca de 80%. No Brasil, permanece sendo a principal fonte de emprego entre as mulheres”, diz Claire Hobden, especialista em Trabalhadores Vulneráveis da OIT. […] O professor e pesquisador americano David Evan Harris é um dos especialistas que defendem que o cenário do trabalho doméstico no Brasil atual é herança do período escravagista. “O Brasil foi um dos últimos países do mundo a acabar com a escravidão. Se olharmos para quem são as empregadas, veremos que elas tendem a ser pessoas de cor”, diz o acadêmico, formado pela Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, e mestre pela USP. […] Segundo a historiadora e escritora Marília Bueno de Araújo Ariza, mesmo após a abolição, em 1888, mulheres e homens negros continuaram sendo servos ou escravos informais, o que também deixou seu legado no mercado de trabalho. […] As domésticas de hoje são majoritariamente afrodescendentes porque “justamente eram essas pessoas que ocupavam os postos de trabalho mais aviltados na saída da escravidão e na entrada da liberdade no pós-abolição”, afirmou ela à BBC Brasil. A ideia de ter um servo na família era muito comum, mesmo entre quem não era rico e vivia nas regiões semiurbanas do século 19, segundo Ariza. “A escravidão brasileira foi diversa, mas foi sobretudo uma escravidão de pequena posse. No Brasil, todo mundo tinha escravos. Quando as pessoas tinham dinheiro, elas compravam escravos com muita frequência.” […] “Racismo estrutural” Ariza acredita que o Brasil do século 21 herdou do passado colonial, imperial e escravista uma “profunda desigualdade na sociedade que não foi resolvida” e “um racismo estrutural”. “Essas duas coisas combinadas nos levam a um quadro contemporâneo que usa racionalmente o trabalho doméstico porque ele é mal remunerado e, até recentemente, não tinha quaisquer direitos reconhecidos”, resume. […] “Apesar dos esforços dos governos recentes em trazer essas empregadas para a formalidade, o que se vê hoje é o aumento da informalidade”, pondera o professor e doutor em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Eduardo Coutinho da Costa. […] “Já que o trabalho formal é um meio de ascensão, as oportunidades nesse âmbito foram administradas por um viés racial, no qual negros foram encaminhados aos postos inferiores, mais precarizados, para que não evoluíssem economicamente”, diz Coutinho da Costa. […] Desigualdade Em sua tese de mestrado na USP, o pesquisador americano David Evan Harris comparou a relação da sociedade com os trabalhadores domésticos no Brasil e nos Estados Unidos. Para ele, em ambos os países os empregados são explorados, apesar das diferenças culturais. No Brasil, diz Harris, predomina o discurso da proximidade afetiva, na qual a empregada é tratada “praticamente como se fosse alguém da família”. Já nos EUA, elas costumam ser terceirizadas e recrutadas via empresas de serviços de limpeza. Essa profissionalização daria o distanciamento necessário para que a “culpa” e o “constrangimento moral” das famílias americanas por causa da desigualdade social fossem mitigados. “Se formos observar os diferentes países ao redor do mundo e quantos serviçais eles têm, ou quão predominante a ocupação doméstica é, veremos, grosso modo, que o número de empregadas por porcentagem da população corresponde ao nível de desigualdade daquele país”, afirma Evans. “Há dois fatores majoritários que são muito importantes para avaliar se um país vai ter uma grande população de serviçais. Primeiro, desigualdade e, segundo, acesso à educação de qualidade pública, para que as pessoas consigam alcançar oportunidades que vão além do trabalho doméstico.” […] A OIT não chega a afirmar que haja uma dinâmica de causa e consequência, mas reconhece que ambos os aspectos – alta incidência de trabalho doméstico e desigualdade social – estão de alguma forma relacionados. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43120953. Acesso: 16 mai 2023. Assinale o que for correto.
  1. 01)Em “Quando as pessoas tinham dinheiro, elas compravam escravos com muita frequência.” (linhas 48-50), a vírgula separa a oração principal de uma oração subordinada anteposta.
  2. 02)Em “A ideia de ter um servo na família era muito comum, mesmo entre quem não era rico e vivia nas regiões semiurbanas do século 19” (linhas 43-45), a vírgula separa a oração principal da oração que remete à ideia de inclusão.
  3. 04)As aspas em “‘profunda desigualdade na sociedade que não foi resolvida’” (linhas 54 e 55) são utilizadas para isolar citação textual de terceiros, no caso, a de Marília Bueno de Araújo Ariza.
  4. 08)As aspas em “‘culpa’” e “‘constrangimento moral’” (linha 88) indicam que o autor não considera que as famílias americanas sintam culpa ou constrangimento moral pela desigualdade social.
  5. 16)Em “A OIT não chega a afirmar (...) mas reconhece que ambos os aspectos – alta incidência de trabalho doméstico e desigualdade social – estão de alguma forma relacionados.” (linhas 103-107), os travessões são usados para explicar a expressão mencionada anteriormente.
UEM2023VerãoQuestao 5PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Media
Etarismo: que bicho é esse? Preconceito por idade prejudica saúde de idosos Samantha Cerquetani Chegar à terceira idade com saúde e disposição é um privilégio, mas é comum que quem tenha mais de 50 anos já comece a sentir discriminação por estar envelhecendo. Ouvir frases como: “Você está velho demais para isso!”, “Lugar de velho é em casa”, ou “Está ficando gagá”, começa a fazer parte do cotidiano de muitos idosos. Essa discriminação passou a ser chamada de etarismo – mas também é chamada de idadismo ou ageísmo – e é bastante comum: de acordo com um relatório elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma em cada duas pessoas no mundo já agiu de forma discriminatória, piorando a saúde física e mental dos idosos. O relatório global sobre preconceito etário faz parte de uma campanha realizada pela OMS para combater estereótipos e aumentar a discussão sobre o assunto. Para isso, foi realizado um levantamento com mais de 80 mil pessoas de 57 países. No Brasil os dados também mostram que o etarismo começa até mesmo antes de as pessoas chegarem à terceira idade: 16,8% dos brasileiros com mais de 50 anos já se sentiram vítimas de algum tipo de discriminação por estarem envelhecendo. A discriminação por idade pode ser velada e também explícita. O idoso costuma ouvir comentários desagradáveis, como se fossem “brincadeiras” sobre o envelhecimento, ou sente que não foi chamado para uma entrevista de emprego por causa da idade. Essa exclusão da sociedade afeta a saúde mental, uma vez que as pessoas mais velhas recebem continuamente sinais de não aceitação – como desprezo, falta de respeito, agressões e humilhações – simplesmente pelo fato de terem envelhecido. “O etarismo contribui para a baixa autoestima, para sentimentos de desamparo, e leva ao isolamento. O idoso também pode ter mais depressão ao ser discriminado”, afirma Juliana Yokomizo, psicóloga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo IPq-(HCFMUSP). Além dos problemas mentais, o etarismo está associado à morte precoce, visto que piora as condições de saúde de forma geral. O idoso discriminado e excluído da sociedade aumenta o índice de comportamentos de risco que favorecem o surgimento de doenças, ou seja, ele deixa de se alimentar adequadamente, bebe ou fuma em excesso, o que reduz sua qualidade de vida. Além disso, pesquisas realizadas em todo o mundo apontam que idosos que sofrem preconceito estão mais suscetíveis a doenças crônicas e a risco de demência. O etarismo também dificulta o acesso à saúde, o que eleva o número de mortes precoces. O preconceito por idade se infiltra em instituições como hospitais, centros médicos e, em alguns casos, a idade passa a determinar se a pessoa deve ou não realizar alguns procedimentos ou receber tratamentos médicos. Como combater? É fundamental que as mudanças e a conscientização da importância dos idosos na sociedade comecem dentro de casa, com os familiares. “É necessário que ocorra o convívio entre as diversas gerações. As crianças precisam compreender o processo de velhice, que faz parte da vida, e a necessidade do respeito. É preciso promover o conhecimento sobre o envelhecimento e aumentar ações para inseri-los na sociedade”, afirma Ana Laura Medeiros, geriatra do Hospital Universitário Lauro Wanderley da UFPB (Universidade Federal da Paraíba). De acordo com Yokomizo, o etarismo não é intrínseco ao ser humano, e essas ideias preconceituosas podem ser desconstruídas. “Isso pode dar uma abertura para o envelhecimento de forma plena, em que há uma aceitação dessa fase, sem negações ou sofrimentos”. Vale lembrar que a pessoa que sofrer qualquer tipo de discriminação pode fazer denúncia junto aos conselhos municipais do idoso. No Brasil, há o Estatuto do Idoso, que determina a reclusão e a multa em casos de discriminação. Envelhecer pode ser bom, deve ser visto como uma conquista. O idoso precisa ser valorizado tanto quanto os jovens. Muitos ainda estão cheios de energia, trabalham, têm sonhos e ajudam seus familiares. Uma forma de combater o etarismo no dia a dia é deixar de falar frases preconceituosas e estereotipadas. São pequenas mudanças que fazem a diferença. Exemplos de frases que demonstram etarismo, que você já pode ter dito sem se dar conta, e que devem ser evitadas: – Ahhh, jura que você tem essa idade? – Qual o segredo para você estar tão conservada? – Desculpa perguntar, mas quantos anos você tem? – Você parece mais jovem. – Que bonita! Não entrega a idade. – É uma “coroa” enxuta para a idade dela. – Como tem coragem de sair com aquela roupa? – Ela/ele está velha/o demais para namorar/casar/ter filho. Texto adaptado de https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/ 2021/08/20/etarismo-que-bicho-e-esse-preconceito-por-idade-prejudicasaude-de-idosos.htm. Acesso 03 jun 2023. De acordo com o texto, assinale o que for correto.
  1. 01)O trecho “No Brasil os dados também mostram” (linha 18) funciona como sujeito sintático da forma verbal “começa” (linha 19).
  2. 02)Os dois pontos empregados na linha 20 marcam a introdução de uma enumeração.
  3. 04)O termo “como” (linha 25) estabelece relação de consequência com a oração “o idoso costuma ouvir comentários desagradáveis” (linhas 24 e 25).
  4. 08)As formas verbais “contribui” (linha 32) e “leva” (linha 33) estão empregadas no presente do indicativo e indicam ações habituais.
  5. 16)As aspas empregadas nas linhas 31 e 34 marcam um discurso direto que funciona como uma voz de autoridade sobre o tema tratado no texto.
UEM2023VerãoQuestao 6PortuguêsAnálise linguísticaMedia
Etarismo: que bicho é esse? Preconceito por idade prejudica saúde de idosos Samantha Cerquetani Chegar à terceira idade com saúde e disposição é um privilégio, mas é comum que quem tenha mais de 50 anos já comece a sentir discriminação por estar envelhecendo. Ouvir frases como: “Você está velho demais para isso!”, “Lugar de velho é em casa”, ou “Está ficando gagá”, começa a fazer parte do cotidiano de muitos idosos. Essa discriminação passou a ser chamada de etarismo – mas também é chamada de idadismo ou ageísmo – e é bastante comum: de acordo com um relatório elaborado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma em cada duas pessoas no mundo já agiu de forma discriminatória, piorando a saúde física e mental dos idosos. O relatório global sobre preconceito etário faz parte de uma campanha realizada pela OMS para combater estereótipos e aumentar a discussão sobre o assunto. Para isso, foi realizado um levantamento com mais de 80 mil pessoas de 57 países. No Brasil os dados também mostram que o etarismo começa até mesmo antes de as pessoas chegarem à terceira idade: 16,8% dos brasileiros com mais de 50 anos já se sentiram vítimas de algum tipo de discriminação por estarem envelhecendo. A discriminação por idade pode ser velada e também explícita. O idoso costuma ouvir comentários desagradáveis, como se fossem “brincadeiras” sobre o envelhecimento, ou sente que não foi chamado para uma entrevista de emprego por causa da idade. Essa exclusão da sociedade afeta a saúde mental, uma vez que as pessoas mais velhas recebem continuamente sinais de não aceitação – como desprezo, falta de respeito, agressões e humilhações – simplesmente pelo fato de terem envelhecido. “O etarismo contribui para a baixa autoestima, para sentimentos de desamparo, e leva ao isolamento. O idoso também pode ter mais depressão ao ser discriminado”, afirma Juliana Yokomizo, psicóloga do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo IPq-(HCFMUSP). Além dos problemas mentais, o etarismo está associado à morte precoce, visto que piora as condições de saúde de forma geral. O idoso discriminado e excluído da sociedade aumenta o índice de comportamentos de risco que favorecem o surgimento de doenças, ou seja, ele deixa de se alimentar adequadamente, bebe ou fuma em excesso, o que reduz sua qualidade de vida. Além disso, pesquisas realizadas em todo o mundo apontam que idosos que sofrem preconceito estão mais suscetíveis a doenças crônicas e a risco de demência. O etarismo também dificulta o acesso à saúde, o que eleva o número de mortes precoces. O preconceito por idade se infiltra em instituições como hospitais, centros médicos e, em alguns casos, a idade passa a determinar se a pessoa deve ou não realizar alguns procedimentos ou receber tratamentos médicos. Como combater? É fundamental que as mudanças e a conscientização da importância dos idosos na sociedade comecem dentro de casa, com os familiares. “É necessário que ocorra o convívio entre as diversas gerações. As crianças precisam compreender o processo de velhice, que faz parte da vida, e a necessidade do respeito. É preciso promover o conhecimento sobre o envelhecimento e aumentar ações para inseri-los na sociedade”, afirma Ana Laura Medeiros, geriatra do Hospital Universitário Lauro Wanderley da UFPB (Universidade Federal da Paraíba). De acordo com Yokomizo, o etarismo não é intrínseco ao ser humano, e essas ideias preconceituosas podem ser desconstruídas. “Isso pode dar uma abertura para o envelhecimento de forma plena, em que há uma aceitação dessa fase, sem negações ou sofrimentos”. Vale lembrar que a pessoa que sofrer qualquer tipo de discriminação pode fazer denúncia junto aos conselhos municipais do idoso. No Brasil, há o Estatuto do Idoso, que determina a reclusão e a multa em casos de discriminação. Envelhecer pode ser bom, deve ser visto como uma conquista. O idoso precisa ser valorizado tanto quanto os jovens. Muitos ainda estão cheios de energia, trabalham, têm sonhos e ajudam seus familiares. Uma forma de combater o etarismo no dia a dia é deixar de falar frases preconceituosas e estereotipadas. São pequenas mudanças que fazem a diferença. Exemplos de frases que demonstram etarismo, que você já pode ter dito sem se dar conta, e que devem ser evitadas: – Ahhh, jura que você tem essa idade? – Qual o segredo para você estar tão conservada? – Desculpa perguntar, mas quantos anos você tem? – Você parece mais jovem. – Que bonita! Não entrega a idade. – É uma “coroa” enxuta para a idade dela. – Como tem coragem de sair com aquela roupa? – Ela/ele está velha/o demais para namorar/casar/ter filho. Texto adaptado de https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/ 2021/08/20/etarismo-que-bicho-e-esse-preconceito-por-idade-prejudicasaude-de-idosos.htm. Acesso 03 jun 2023. De acordo com o texto, assinale o que for correto.
  1. 01)Em “É fundamental que as mudanças e a conscientização da importância dos idosos na sociedade comecem dentro de casa” (linhas 55-57), a expressão destacada evidencia o ponto de vista da autora.
  2. 02)A expressão “que sofrem preconceito” (linhas 45 e 46) particulariza o sentido do termo “idosos” (linha 45), indicando que esses idosos são mais suscetíveis a doenças crônicas.
  3. 04)O termo “suscetíveis” (linha 46) pode ser substituído pelo termo imunes, sem prejuízo à compreensão do trecho.
  4. 08)O termo “se” (linha 51) funciona como um pronome reflexivo, indicando que o sujeito “a pessoa” (linha 51) pratica a ação de “determinar” sobre si mesmo.
  5. 16)As locuções verbais “deve ser” (linha 74) e “precisa ser” (linha 75) funcionam como modalizadores discursivos que exprimem a intenção da autora do texto de persuadir o leitor a valorizar o idoso.
UEM2023InvernoQuestao 6PortuguêsSemânticaMedia
O que faz o Brasil ter a maior população de domésticas do mundo Marina Wentzel Se organizasse um encontro de todos os seus trabalhadores domésticos, o Brasil reuniria uma população maior que a da Dinamarca, composta majoritariamente por mulheres negras, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo dados de 2017, o país emprega cerca de 7 milhões de pessoas no setor − o maior grupo no mundo. São três empregados para cada grupo de 100 habitantes − e a liderança brasileira nesse ranking só é contestada pela informalidade e falta de dados confiáveis de outros países. Com um perfil predominante feminino, afrodescendente e de baixa escolaridade, o trabalho doméstico é alimentado pela desigualdade e pela dinâmica social criada principalmente após a abolição da escravatura no Brasil, afirmam especialistas. […] “Ainda hoje o trabalho doméstico é uma das principais ocupações entre as mulheres, que são a maioria no setor em todo o mundo, cerca de 80%. No Brasil, permanece sendo a principal fonte de emprego entre as mulheres”, diz Claire Hobden, especialista em Trabalhadores Vulneráveis da OIT. […] O professor e pesquisador americano David Evan Harris é um dos especialistas que defendem que o cenário do trabalho doméstico no Brasil atual é herança do período escravagista. “O Brasil foi um dos últimos países do mundo a acabar com a escravidão. Se olharmos para quem são as empregadas, veremos que elas tendem a ser pessoas de cor”, diz o acadêmico, formado pela Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, e mestre pela USP. […] Segundo a historiadora e escritora Marília Bueno de Araújo Ariza, mesmo após a abolição, em 1888, mulheres e homens negros continuaram sendo servos ou escravos informais, o que também deixou seu legado no mercado de trabalho. […] As domésticas de hoje são majoritariamente afrodescendentes porque “justamente eram essas pessoas que ocupavam os postos de trabalho mais aviltados na saída da escravidão e na entrada da liberdade no pós-abolição”, afirmou ela à BBC Brasil. A ideia de ter um servo na família era muito comum, mesmo entre quem não era rico e vivia nas regiões semiurbanas do século 19, segundo Ariza. “A escravidão brasileira foi diversa, mas foi sobretudo uma escravidão de pequena posse. No Brasil, todo mundo tinha escravos. Quando as pessoas tinham dinheiro, elas compravam escravos com muita frequência.” […] “Racismo estrutural” Ariza acredita que o Brasil do século 21 herdou do passado colonial, imperial e escravista uma “profunda desigualdade na sociedade que não foi resolvida” e “um racismo estrutural”. “Essas duas coisas combinadas nos levam a um quadro contemporâneo que usa racionalmente o trabalho doméstico porque ele é mal remunerado e, até recentemente, não tinha quaisquer direitos reconhecidos”, resume. […] “Apesar dos esforços dos governos recentes em trazer essas empregadas para a formalidade, o que se vê hoje é o aumento da informalidade”, pondera o professor e doutor em História pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Carlos Eduardo Coutinho da Costa. […] “Já que o trabalho formal é um meio de ascensão, as oportunidades nesse âmbito foram administradas por um viés racial, no qual negros foram encaminhados aos postos inferiores, mais precarizados, para que não evoluíssem economicamente”, diz Coutinho da Costa. […] Desigualdade Em sua tese de mestrado na USP, o pesquisador americano David Evan Harris comparou a relação da sociedade com os trabalhadores domésticos no Brasil e nos Estados Unidos. Para ele, em ambos os países os empregados são explorados, apesar das diferenças culturais. No Brasil, diz Harris, predomina o discurso da proximidade afetiva, na qual a empregada é tratada “praticamente como se fosse alguém da família”. Já nos EUA, elas costumam ser terceirizadas e recrutadas via empresas de serviços de limpeza. Essa profissionalização daria o distanciamento necessário para que a “culpa” e o “constrangimento moral” das famílias americanas por causa da desigualdade social fossem mitigados. “Se formos observar os diferentes países ao redor do mundo e quantos serviçais eles têm, ou quão predominante a ocupação doméstica é, veremos, grosso modo, que o número de empregadas por porcentagem da população corresponde ao nível de desigualdade daquele país”, afirma Evans. “Há dois fatores majoritários que são muito importantes para avaliar se um país vai ter uma grande população de serviçais. Primeiro, desigualdade e, segundo, acesso à educação de qualidade pública, para que as pessoas consigam alcançar oportunidades que vão além do trabalho doméstico.” […] A OIT não chega a afirmar que haja uma dinâmica de causa e consequência, mas reconhece que ambos os aspectos – alta incidência de trabalho doméstico e desigualdade social – estão de alguma forma relacionados. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43120953. Acesso: 16 mai 2023. Assinale o que for correto.
  1. 01)Em “para que não evoluíssem economicamente” (linhas 71 e 72), a locução “para que” expressa valor semântico de finalidade semelhante ao de a fim de.
  2. 02)A forma verbal ascender, a partir da qual se deriva o vocábulo “ascensão” (linha 68), tem uma relação de sinonímia com o verbo acender.
  3. 04)Em “ele é mal remunerado” (linha 59), o antônimo de “mal”, em termos sintático-semânticos, é o item lexical bom.
  4. 08)No contexto em que aparecem, as escolhas lexicais “culpa” e “constrangimento moral” (linha 88) são empregadas em um contexto sintático-semântico de paralelismo.
  5. 16)No trecho “em ambos os países os empregados são explorados, apesar das diferenças culturais” (linhas 79-81), a expressão “apesar de” introduz um fato que não anula a ideia de que no Brasil e nos EUA os trabalhadores domésticos enfrentam uma situação de exploração.
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