Prova · UEM 2024

Prova UEM 2024: questões por disciplina

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O que caiu na prova 2024

Questões da prova UEM 2024

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UEM2024InvernoQuestao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Pelo prazer de enganar, todo sofrimento vale a pena Ricardo Araújo Pereira* Quando leio as notícias segundo as quais os professores universitários pedem trabalhos aos alunos e recebem textos impecáveis, sem gralhas nem erros ortográficos, descobrindo assim que os alunos encomendam os trabalhos ao ChatGPT, fico naturalmente preocupado. Preocupado e indignado. São alunos universitários. O futuro do país. E fazem isso. Eles não têm o discernimento de acrescentar uma gralha aqui, colocar mal uma vírgula acolá, de modo a camuflar o fato de o texto ter sido escrito por uma máquina. Que esperança podemos ter num mundo melhor se os homens e mulheres de amanhã não possuem a mais básica capacidade de enganar professores? Com que competências vão enfrentar o mercado de trabalho e a vida em geral? Esta geração está perdida. No meu tempo não havia ChatGPT e estudávamos pelos apontamentos da Susana. E nos exames tínhamos de conseguir disfarçar que estávamos todos a copiar pelo Mendonça. Estes jovens de agora não querem esforçar-se para nada. Isto são malandros que não sabem ser malandros. Dão mau nome à malandragem. O malandro é malandro por uma razão essencial: enganar os outros dá muito prazer. Quem não entende a malandragem julga que o malandro é malandro para facilitar a sua vida. Ora, nem sempre isso acontece. Às vezes, dá mais trabalho ser malandro do que viver uma vida a que se costuma chamar honesta. Por exemplo: mentir é muito cansativo. Alguém pergunta: “Você já leu tal livro?” E a gente diz: “Claro.” Mas não leu. Segue-se um conjunto extenuante de tarefas. É necessário memorizar que, sempre que estivermos na presença daquela pessoa, para todos os efeitos lemos aquele livro. Além disso, é preciso falar do livro que não se leu sem deixar que se perceba que não foi lido. Parece difícil, mas é mais difícil do que parece. Não basta dizer frases genéricas, do gênero: “Trata-se de uma obra admirável”. Há que ser mais preciso, não deixando de ser vago. “Ah, sim, ‘Os Irmãos Karamazov’. Não é possível entender a Rússia sem ele. Uma das tragédias da minha vida é não poder ler a versão original. Para captar de fato aqueles ambientes.” E daí passar para uma reflexão sobre a precariedade do acto de traduzir. Daria muito menos trabalho ler o raio do livro. Ou admitir que não o lemos. Há muitos livros no mundo, não é vergonha não ter lido um. Mas, pelo prazer de enganar, todo o sofrimento vale a pena. É um sacerdócio. Respeitem-no, jovens. * Humorista português, membro do coletivo Gato Fedorento. É autor de “Boca do Inferno”. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2023/12/peloprazer-de-enganar-todo-sofrimento-vale-a-pena.shtml Acesso: 26/03/2024. Em seu texto, o autor tece uma série de considerações sobre a malandragem. Assinale a(s) alternativa(s) que expressa(m) corretamente a visão irônica do autor a respeito da malandragem.
  1. 01)É uma habilidade natural dos jovens e não precisa de aprendizado.
  2. 02)É uma atitude que não tem lugar no mundo moderno e acadêmico.
  3. 04)É um sacerdócio que deve ser valorizado e praticado com prazer.
  4. 08)É uma forma de enganar que requer pouco esforço e não tem valor.
  5. 16)É uma maneira de facilitar a vida e não deve ser vista como uma virtude.
UEM2024VerãoQuestao 1PortuguêsGêneros textuais: entrevistaMedia
Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 07. Entrevista de Txai Suruí* Por Lucy Matos, do portal Criançaenatureza.org (15/11/2021) 1 […] 2 Lucy Matos: Como a relação que as crianças 3 indígenas têm com a natureza vem sendo afetada 4 pela crise climática? 5 Txai Suruí: A vida das crianças indígenas está sendo 6 diretamente afetada. Mulheres, jovens e crianças são os 7 que mais sofrem. Nós, povos indígenas, estamos sendo 8 atingidos pelas causas e pelas consequências das 9 mudanças do clima. As causas, porque os 10 desmatamentos e as queimadas, fatores que em grande 11 parte provocam o aquecimento do planeta, vêm 12 acontecendo dentro de terras indígenas, que estão sendo 13 invadidas e contaminadas. As consequências, porque 14 estamos passando por uma pandemia, causada por uma 15 doença respiratória e, ao mesmo tempo, por uma época 16 seca, em que as queimadas estão cada vez mais 17 recorrentes. A fumaça chega às aldeias e afeta 18 uma população que, com comprovação científica, é mais 19 vulnerável a doenças respiratórias. Mas, só quando os 20 efeitos visíveis das queimadas chegam às cidades, como 21 aconteceu em 2019, quando o céu escureceu mais cedo 22 em São Paulo, é que passam a falar com urgência sobre 23 o que está acontecendo. Aqui, acordamos e sentimos 24 nossa garganta seca, isso afeta diretamente nossa saúde 25 e também nossa segurança alimentar. […] 26 Lucy Matos: Os povos originários têm sofrido uma 27 série de golpes em seus direitos e vêm se organizando 28 para ocupar espaços políticos e combater 29 instrumentos como o PL 490, que habilita a 30 exploração de minério em terras indígenas, e o 31 Marco Temporal. Com que ferramentas lutar? 32 Txai Suruí: Nossa vida está ligada ao território, não 33 tem como falar em povos indígenas sem falar em 34 território. Invasões estão acontecendo na nossa casa. 35 Você pode imaginar a sua casa ser invadida e destruída? 36 Nós, povos indígenas, vivenciamos isso e precisamos 37 lutar por nossas vidas desde pequenos. Em agosto, 38 retomamos em Brasília a Mobilização Nacional 39 Indígena do Levante Pela Terra, que pressiona projetos 40 de lei – que chamamos de projetos de morte – como o 41 PL 490 e o Marco Temporal, além disso, realizamos 42 trabalhos de incidência política e hoje temos 43 organizações atuando, inclusive judicialmente, para 44 reverter todos esses retrocessos. Os movimentos de 45 juventude indígena também têm se colocado em todos 46 os lugares, com estratégias como o advocacy, trazendo 47 fundamentação jurídica para a causa. 48 Lucy Matos: Como a sociedade pode contribuir e 49 potencializar essa luta? 50 Txai Suruí: Quando falamos sobre projetos de lei como 51 o PL 490, estamos falando também de uma discussão 52 legislativa, com decisões tomadas pelas pessoas que 53 nós, brasileiros, colocamos no poder, mas que não 54 representam toda a sociedade. Diante disso, a população 55 precisa se informar, saber o que cada um desses 56 políticos está defendendo e cobrar aqueles que deveriam 57 ser seus representantes. Vivemos em uma democracia, 58 mas parece que esquecemos o poder que temos na mão, 59 o poder do voto, e de também cobrar quem elegemos. É 60 ainda preciso lembrar que falar sobre terras indígenas 61 não é apenas falar sobre povos indígenas, é uma 62 discussão que perpassa a todos, porque precisamos 63 proteger a natureza. Proteger as terras indígenas é 64 proteger os lugares sagrados em nosso território, a nossa 65 cultura, as nossas crianças e também proteger a 66 natureza. A Organização das Nações Unidas (ONU) 67 reconhece que os povos indígenas são os guardiões da 68 floresta, os melhores defensores da natureza. 69 Lucy Matos: O que os povos indígenas podem 70 ensinar para a sociedade, para o enfrentamento da 71 emergência climática? 72 Txai Suruí: Hoje, o mundo inteiro está falando sobre 73 mudanças climáticas. Falar sobre mudanças climáticas é 74 falar sobre meio ambiente e sobre ações sustentáveis. 75 Nós, povos indígenas, falamos sobre isso desde sempre 76 e temos muito mais a dizer a respeito da floresta. Os 77 povos indígenas têm soluções com base na natureza, nas 78 tecnologias e nos saberes que são sustentáveis e não agridem 79 a natureza. É preciso aprender com a sabedoria 80 indígena, uma sabedoria cultivada a partir do saber 81 escutar a floresta, saber escutar a natureza. Não existe 82 equilíbrio climático sem os povos indígenas. 83 Lucy Matos: A natureza ensina? Como? Qual o 84 maior ensinamento que a natureza te deu? 85 Txai Suruí: A natureza fala com a gente, o grande problema 86 é que não sabemos escutar. Em geral, as pessoas acham que 87 só é possível ouvir quando alguém fala diretamente com ela, 88 mas os ensinamentos nem sempre estão no que é dito, eles 89 podem estar em ações. A natureza tem uma forma única de 90 se comunicar com a gente, e não estamos escutando, não 91 estamos nos conectando com ela. A humanidade enfrenta 92 uma pandemia que é uma consequência das mudanças 93 climáticas, e justamente essa pandemia é, para mim, a maior 94 lição que a natureza tem dado a todos nós. Ela estava falando 95 há muito tempo e não estávamos ouvindo. Agora podemos 96 ver as consequências das nossas ações, a natureza está 97 mostrando isso para a humanidade. A natureza está falando, 98 ela está gritando e pedindo ajuda. * Ativista indígena, fundadora do movimento Juventude Indígena de Rondônia, única brasileira a discursar na Conferência da Cúpula do Clima (COP26). Adaptado de: https://criancaenatureza.org.br/pt/entrevistas/entrevista-txai-surui/ Acesso: 26/03/2024 Assinale o que for correto.
  1. 01)O texto em questão, do gênero entrevista, é constituído por sequências marcadas por perguntas e suas respectivas respostas.
  2. 02)A entrevista, como se pode observar no texto, é caracterizada por seu caráter dialógico, resultado da construção conjunta do entrevistador e de seu entrevistado.
  3. 04)As expressões “Como” (linha 2), “O que” (linha 69) e “Qual” (linha 83) foram utilizadas para formar frases interrogativas típicas de perguntas de entrevistas.
  4. 08)Ao realizar uma interrogativa (linha 35), Txai Suruí assume o papel de entrevistadora, enquanto Lucy Matos se torna a entrevistada.
  5. 16)As sequências textuais atribuídas a Txai Suruí são marcadas por construções argumentativas, por meio das quais a entrevistada defende seus pontos de vista.
UEM2024VerãoQuestao 2PortuguêsCoesão e referenciaçãoDificil
Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 07. Entrevista de Txai Suruí* Por Lucy Matos, do portal Criançaenatureza.org (15/11/2021) 1 […] 2 Lucy Matos: Como a relação que as crianças 3 indígenas têm com a natureza vem sendo afetada 4 pela crise climática? 5 Txai Suruí: A vida das crianças indígenas está sendo 6 diretamente afetada. Mulheres, jovens e crianças são os 7 que mais sofrem. Nós, povos indígenas, estamos sendo 8 atingidos pelas causas e pelas consequências das 9 mudanças do clima. As causas, porque os 10 desmatamentos e as queimadas, fatores que em grande 11 parte provocam o aquecimento do planeta, vêm 12 acontecendo dentro de terras indígenas, que estão sendo 13 invadidas e contaminadas. As consequências, porque 14 estamos passando por uma pandemia, causada por uma 15 doença respiratória e, ao mesmo tempo, por uma época 16 seca, em que as queimadas estão cada vez mais 17 recorrentes. A fumaça chega às aldeias e afeta 18 uma população que, com comprovação científica, é mais 19 vulnerável a doenças respiratórias. Mas, só quando os 20 efeitos visíveis das queimadas chegam às cidades, como 21 aconteceu em 2019, quando o céu escureceu mais cedo 22 em São Paulo, é que passam a falar com urgência sobre 23 o que está acontecendo. Aqui, acordamos e sentimos 24 nossa garganta seca, isso afeta diretamente nossa saúde 25 e também nossa segurança alimentar. […] 26 Lucy Matos: Os povos originários têm sofrido uma 27 série de golpes em seus direitos e vêm se organizando 28 para ocupar espaços políticos e combater 29 instrumentos como o PL 490, que habilita a 30 exploração de minério em terras indígenas, e o 31 Marco Temporal. Com que ferramentas lutar? 32 Txai Suruí: Nossa vida está ligada ao território, não 33 tem como falar em povos indígenas sem falar em 34 território. Invasões estão acontecendo na nossa casa. 35 Você pode imaginar a sua casa ser invadida e destruída? 36 Nós, povos indígenas, vivenciamos isso e precisamos 37 lutar por nossas vidas desde pequenos. Em agosto, 38 retomamos em Brasília a Mobilização Nacional 39 Indígena do Levante Pela Terra, que pressiona projetos 40 de lei – que chamamos de projetos de morte – como o 41 PL 490 e o Marco Temporal, além disso, realizamos 42 trabalhos de incidência política e hoje temos 43 organizações atuando, inclusive judicialmente, para 44 reverter todos esses retrocessos. Os movimentos de 45 juventude indígena também têm se colocado em todos 46 os lugares, com estratégias como o advocacy, trazendo 47 fundamentação jurídica para a causa. 48 Lucy Matos: Como a sociedade pode contribuir e 49 potencializar essa luta? 50 Txai Suruí: Quando falamos sobre projetos de lei como 51 o PL 490, estamos falando também de uma discussão 52 legislativa, com decisões tomadas pelas pessoas que 53 nós, brasileiros, colocamos no poder, mas que não 54 representam toda a sociedade. Diante disso, a população 55 precisa se informar, saber o que cada um desses 56 políticos está defendendo e cobrar aqueles que deveriam 57 ser seus representantes. Vivemos em uma democracia, 58 mas parece que esquecemos o poder que temos na mão, 59 o poder do voto, e de também cobrar quem elegemos. É 60 ainda preciso lembrar que falar sobre terras indígenas 61 não é apenas falar sobre povos indígenas, é uma 62 discussão que perpassa a todos, porque precisamos 63 proteger a natureza. Proteger as terras indígenas é 64 proteger os lugares sagrados em nosso território, a nossa 65 cultura, as nossas crianças e também proteger a 66 natureza. A Organização das Nações Unidas (ONU) 67 reconhece que os povos indígenas são os guardiões da 68 floresta, os melhores defensores da natureza. 69 Lucy Matos: O que os povos indígenas podem 70 ensinar para a sociedade, para o enfrentamento da 71 emergência climática? 72 Txai Suruí: Hoje, o mundo inteiro está falando sobre 73 mudanças climáticas. Falar sobre mudanças climáticas é 74 falar sobre meio ambiente e sobre ações sustentáveis. 75 Nós, povos indígenas, falamos sobre isso desde sempre 76 e temos muito mais a dizer a respeito da floresta. Os 77 povos indígenas têm soluções com base na natureza, nas 78 tecnologias e nos saberes que são sustentáveis e não agridem 79 a natureza. É preciso aprender com a sabedoria 80 indígena, uma sabedoria cultivada a partir do saber 81 escutar a floresta, saber escutar a natureza. Não existe 82 equilíbrio climático sem os povos indígenas. 83 Lucy Matos: A natureza ensina? Como? Qual o 84 maior ensinamento que a natureza te deu? 85 Txai Suruí: A natureza fala com a gente, o grande problema 86 é que não sabemos escutar. Em geral, as pessoas acham que 87 só é possível ouvir quando alguém fala diretamente com ela, 88 mas os ensinamentos nem sempre estão no que é dito, eles 89 podem estar em ações. A natureza tem uma forma única de 90 se comunicar com a gente, e não estamos escutando, não 91 estamos nos conectando com ela. A humanidade enfrenta 92 uma pandemia que é uma consequência das mudanças 93 climáticas, e justamente essa pandemia é, para mim, a maior 94 lição que a natureza tem dado a todos nós. Ela estava falando 95 há muito tempo e não estávamos ouvindo. Agora podemos 96 ver as consequências das nossas ações, a natureza está 97 mostrando isso para a humanidade. A natureza está falando, 98 ela está gritando e pedindo ajuda. * Ativista indígena, fundadora do movimento Juventude Indígena de Rondônia, única brasileira a discursar na Conferência da Cúpula do Clima (COP26). Adaptado de: https://criancaenatureza.org.br/pt/entrevistas/entrevista-txai-surui/ Acesso: 26/03/2024 Assinale o que for correto.
  1. 01)Txai Suruí sustenta que os povos indígenas sofrem em função dos fatores causadores da crise climática e de suas consequências.
  2. 02)O vocábulo “Aqui” (linha 23) foi usado por Txai Suruí para se referir à expressão “em São Paulo” (linha 22), localidade onde a entrevistada estava ao conceder a entrevista.
  3. 04)A expressão “sua casa” (linha 35) estabelece um paralelo com “território” (linha 32), para produzir no leitor não indígena uma empatia pela causa dos povos originários brasileiros.
  4. 08)O uso da expressão “a gente” (linha 85) tem significado restrito, referindo-se exclusivamente aos povos indígenas brasileiros, os quais creem, no argumento de Suruí, falar com a natureza.
  5. 16)Na argumentação de Txai Suruí, o PL 490 e o Marco Temporal são ferramentas fundamentais para os movimentos de juventude indígena, um vez que trazem fundamentação jurídica para a causa da defesa do território.
UEM2024InvernoQuestao 2PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Pelo prazer de enganar, todo sofrimento vale a pena Ricardo Araújo Pereira* Quando leio as notícias segundo as quais os professores universitários pedem trabalhos aos alunos e recebem textos impecáveis, sem gralhas nem erros ortográficos, descobrindo assim que os alunos encomendam os trabalhos ao ChatGPT, fico naturalmente preocupado. Preocupado e indignado. São alunos universitários. O futuro do país. E fazem isso. Eles não têm o discernimento de acrescentar uma gralha aqui, colocar mal uma vírgula acolá, de modo a camuflar o fato de o texto ter sido escrito por uma máquina. Que esperança podemos ter num mundo melhor se os homens e mulheres de amanhã não possuem a mais básica capacidade de enganar professores? Com que competências vão enfrentar o mercado de trabalho e a vida em geral? Esta geração está perdida. No meu tempo não havia ChatGPT e estudávamos pelos apontamentos da Susana. E nos exames tínhamos de conseguir disfarçar que estávamos todos a copiar pelo Mendonça. Estes jovens de agora não querem esforçar-se para nada. Isto são malandros que não sabem ser malandros. Dão mau nome à malandragem. O malandro é malandro por uma razão essencial: enganar os outros dá muito prazer. Quem não entende a malandragem julga que o malandro é malandro para facilitar a sua vida. Ora, nem sempre isso acontece. Às vezes, dá mais trabalho ser malandro do que viver uma vida a que se costuma chamar honesta. Por exemplo: mentir é muito cansativo. Alguém pergunta: “Você já leu tal livro?” E a gente diz: “Claro.” Mas não leu. Segue-se um conjunto extenuante de tarefas. É necessário memorizar que, sempre que estivermos na presença daquela pessoa, para todos os efeitos lemos aquele livro. Além disso, é preciso falar do livro que não se leu sem deixar que se perceba que não foi lido. Parece difícil, mas é mais difícil do que parece. Não basta dizer frases genéricas, do gênero: “Trata-se de uma obra admirável”. Há que ser mais preciso, não deixando de ser vago. “Ah, sim, ‘Os Irmãos Karamazov’. Não é possível entender a Rússia sem ele. Uma das tragédias da minha vida é não poder ler a versão original. Para captar de fato aqueles ambientes.” E daí passar para uma reflexão sobre a precariedade do acto de traduzir. Daria muito menos trabalho ler o raio do livro. Ou admitir que não o lemos. Há muitos livros no mundo, não é vergonha não ter lido um. Mas, pelo prazer de enganar, todo o sofrimento vale a pena. É um sacerdócio. Respeitem-no, jovens. * Humorista português, membro do coletivo Gato Fedorento. É autor de “Boca do Inferno”. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2023/12/peloprazer-de-enganar-todo-sofrimento-vale-a-pena.shtml Acesso: 26/03/2024. Para ilustrar o conceito de malandragem, o autor utiliza o exemplo da mentira. Assinale o que for correto, de acordo com o texto, sobre as dificuldades no ato de mentir.
  1. 01)É difícil manter a mentira por muito tempo sem ser descoberto.
  2. 02)É difícil mentir sem sentir culpa.
  3. 04)É difícil mentir sem prejudicar os outros.
  4. 08)É cansativo sustentar as mentiras contadas.
  5. 16)É difícil inventar uma mentira convincente.
UEM2024VerãoQuestao 3PortuguêsSintaxe e argumentaçãoDificil
Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 07. Entrevista de Txai Suruí* Por Lucy Matos, do portal Criançaenatureza.org (15/11/2021) 1 […] 2 Lucy Matos: Como a relação que as crianças 3 indígenas têm com a natureza vem sendo afetada 4 pela crise climática? 5 Txai Suruí: A vida das crianças indígenas está sendo 6 diretamente afetada. Mulheres, jovens e crianças são os 7 que mais sofrem. Nós, povos indígenas, estamos sendo 8 atingidos pelas causas e pelas consequências das 9 mudanças do clima. As causas, porque os 10 desmatamentos e as queimadas, fatores que em grande 11 parte provocam o aquecimento do planeta, vêm 12 acontecendo dentro de terras indígenas, que estão sendo 13 invadidas e contaminadas. As consequências, porque 14 estamos passando por uma pandemia, causada por uma 15 doença respiratória e, ao mesmo tempo, por uma época 16 seca, em que as queimadas estão cada vez mais 17 recorrentes. A fumaça chega às aldeias e afeta 18 uma população que, com comprovação científica, é mais 19 vulnerável a doenças respiratórias. Mas, só quando os 20 efeitos visíveis das queimadas chegam às cidades, como 21 aconteceu em 2019, quando o céu escureceu mais cedo 22 em São Paulo, é que passam a falar com urgência sobre 23 o que está acontecendo. Aqui, acordamos e sentimos 24 nossa garganta seca, isso afeta diretamente nossa saúde 25 e também nossa segurança alimentar. […] 26 Lucy Matos: Os povos originários têm sofrido uma 27 série de golpes em seus direitos e vêm se organizando 28 para ocupar espaços políticos e combater 29 instrumentos como o PL 490, que habilita a 30 exploração de minério em terras indígenas, e o 31 Marco Temporal. Com que ferramentas lutar? 32 Txai Suruí: Nossa vida está ligada ao território, não 33 tem como falar em povos indígenas sem falar em 34 território. Invasões estão acontecendo na nossa casa. 35 Você pode imaginar a sua casa ser invadida e destruída? 36 Nós, povos indígenas, vivenciamos isso e precisamos 37 lutar por nossas vidas desde pequenos. Em agosto, 38 retomamos em Brasília a Mobilização Nacional 39 Indígena do Levante Pela Terra, que pressiona projetos 40 de lei – que chamamos de projetos de morte – como o 41 PL 490 e o Marco Temporal, além disso, realizamos 42 trabalhos de incidência política e hoje temos 43 organizações atuando, inclusive judicialmente, para 44 reverter todos esses retrocessos. Os movimentos de 45 juventude indígena também têm se colocado em todos 46 os lugares, com estratégias como o advocacy, trazendo 47 fundamentação jurídica para a causa. 48 Lucy Matos: Como a sociedade pode contribuir e 49 potencializar essa luta? 50 Txai Suruí: Quando falamos sobre projetos de lei como 51 o PL 490, estamos falando também de uma discussão 52 legislativa, com decisões tomadas pelas pessoas que 53 nós, brasileiros, colocamos no poder, mas que não 54 representam toda a sociedade. Diante disso, a população 55 precisa se informar, saber o que cada um desses 56 políticos está defendendo e cobrar aqueles que deveriam 57 ser seus representantes. Vivemos em uma democracia, 58 mas parece que esquecemos o poder que temos na mão, 59 o poder do voto, e de também cobrar quem elegemos. É 60 ainda preciso lembrar que falar sobre terras indígenas 61 não é apenas falar sobre povos indígenas, é uma 62 discussão que perpassa a todos, porque precisamos 63 proteger a natureza. Proteger as terras indígenas é 64 proteger os lugares sagrados em nosso território, a nossa 65 cultura, as nossas crianças e também proteger a 66 natureza. A Organização das Nações Unidas (ONU) 67 reconhece que os povos indígenas são os guardiões da 68 floresta, os melhores defensores da natureza. 69 Lucy Matos: O que os povos indígenas podem 70 ensinar para a sociedade, para o enfrentamento da 71 emergência climática? 72 Txai Suruí: Hoje, o mundo inteiro está falando sobre 73 mudanças climáticas. Falar sobre mudanças climáticas é 74 falar sobre meio ambiente e sobre ações sustentáveis. 75 Nós, povos indígenas, falamos sobre isso desde sempre 76 e temos muito mais a dizer a respeito da floresta. Os 77 povos indígenas têm soluções com base na natureza, nas 78 tecnologias e nos saberes que são sustentáveis e não agridem 79 a natureza. É preciso aprender com a sabedoria 80 indígena, uma sabedoria cultivada a partir do saber 81 escutar a floresta, saber escutar a natureza. Não existe 82 equilíbrio climático sem os povos indígenas. 83 Lucy Matos: A natureza ensina? Como? Qual o 84 maior ensinamento que a natureza te deu? 85 Txai Suruí: A natureza fala com a gente, o grande problema 86 é que não sabemos escutar. Em geral, as pessoas acham que 87 só é possível ouvir quando alguém fala diretamente com ela, 88 mas os ensinamentos nem sempre estão no que é dito, eles 89 podem estar em ações. A natureza tem uma forma única de 90 se comunicar com a gente, e não estamos escutando, não 91 estamos nos conectando com ela. A humanidade enfrenta 92 uma pandemia que é uma consequência das mudanças 93 climáticas, e justamente essa pandemia é, para mim, a maior 94 lição que a natureza tem dado a todos nós. Ela estava falando 95 há muito tempo e não estávamos ouvindo. Agora podemos 96 ver as consequências das nossas ações, a natureza está 97 mostrando isso para a humanidade. A natureza está falando, 98 ela está gritando e pedindo ajuda. * Ativista indígena, fundadora do movimento Juventude Indígena de Rondônia, única brasileira a discursar na Conferência da Cúpula do Clima (COP26). Adaptado de: https://criancaenatureza.org.br/pt/entrevistas/entrevista-txai-surui/ Acesso: 26/03/2024 Assinale o que for correto.
  1. 01)O vocábulo “mas” (linha 58) introduz uma oração adversativa, contrastando o fato de vivermos em uma democracia e o fato de esquecermos que nesse regime o poder está na mão do povo.
  2. 02)O sujeito gramatical de “Vivemos” (linha 57) supõe um nós oculto, que se refere exclusivamente à comunidade indígena de Txai Suruí.
  3. 04)A preposição “sobre” (linha 60) poderia ser substituída por sob, sem produzir alteração de sentido na oração em que se insere.
  4. 08)Para sustentar sua tese de que os indígenas protegem a natureza, Txai Suruí lança mão de um argumento de autoridade (linhas 66-68).
  5. 16)A entrevistada reforça a ideia de que a causa indígena é relevante para todos ao defender que, ao se protegerem as terras desses povos, protege-se a natureza (linhas 59-68).
UEM2024InvernoQuestao 3PortuguêsFiguras de linguagemDificil
Pelo prazer de enganar, todo sofrimento vale a pena Ricardo Araújo Pereira* Quando leio as notícias segundo as quais os professores universitários pedem trabalhos aos alunos e recebem textos impecáveis, sem gralhas nem erros ortográficos, descobrindo assim que os alunos encomendam os trabalhos ao ChatGPT, fico naturalmente preocupado. Preocupado e indignado. São alunos universitários. O futuro do país. E fazem isso. Eles não têm o discernimento de acrescentar uma gralha aqui, colocar mal uma vírgula acolá, de modo a camuflar o fato de o texto ter sido escrito por uma máquina. Que esperança podemos ter num mundo melhor se os homens e mulheres de amanhã não possuem a mais básica capacidade de enganar professores? Com que competências vão enfrentar o mercado de trabalho e a vida em geral? Esta geração está perdida. No meu tempo não havia ChatGPT e estudávamos pelos apontamentos da Susana. E nos exames tínhamos de conseguir disfarçar que estávamos todos a copiar pelo Mendonça. Estes jovens de agora não querem esforçar-se para nada. Isto são malandros que não sabem ser malandros. Dão mau nome à malandragem. O malandro é malandro por uma razão essencial: enganar os outros dá muito prazer. Quem não entende a malandragem julga que o malandro é malandro para facilitar a sua vida. Ora, nem sempre isso acontece. Às vezes, dá mais trabalho ser malandro do que viver uma vida a que se costuma chamar honesta. Por exemplo: mentir é muito cansativo. Alguém pergunta: “Você já leu tal livro?” E a gente diz: “Claro.” Mas não leu. Segue-se um conjunto extenuante de tarefas. É necessário memorizar que, sempre que estivermos na presença daquela pessoa, para todos os efeitos lemos aquele livro. Além disso, é preciso falar do livro que não se leu sem deixar que se perceba que não foi lido. Parece difícil, mas é mais difícil do que parece. Não basta dizer frases genéricas, do gênero: “Trata-se de uma obra admirável”. Há que ser mais preciso, não deixando de ser vago. “Ah, sim, ‘Os Irmãos Karamazov’. Não é possível entender a Rússia sem ele. Uma das tragédias da minha vida é não poder ler a versão original. Para captar de fato aqueles ambientes.” E daí passar para uma reflexão sobre a precariedade do acto de traduzir. Daria muito menos trabalho ler o raio do livro. Ou admitir que não o lemos. Há muitos livros no mundo, não é vergonha não ter lido um. Mas, pelo prazer de enganar, todo o sofrimento vale a pena. É um sacerdócio. Respeitem-no, jovens. * Humorista português, membro do coletivo Gato Fedorento. É autor de “Boca do Inferno”. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2023/12/peloprazer-de-enganar-todo-sofrimento-vale-a-pena.shtml Acesso: 26/03/2024. Um dos pilares do texto em análise é o humor, materializado especialmente pelo emprego de ironias. Assinale a(s) alternativa(s) que exemplifica(m) corretamente o uso desse mecanismo linguístico.
  1. 01)“Que esperança podemos ter num mundo melhor se os homens e mulheres de amanhã não possuem a mais básica capacidade de enganar professores?” (linhas 13-15)
  2. 02)“Alguém pergunta: ‘Você já leu tal livro?’”(linhas 32 e 33)
  3. 04)“Esta geração está perdida.” (linha 17)
  4. 08)“Há muitos livros no mundo, não é vergonha não ter lido um.” (linhas 51 e 52)
  5. 16)“Preocupado e indignado. São alunos universitários. O futuro do país. E fazem isso.” (linhas 7 e 8)
UEM2024VerãoQuestao 4PortuguêsSemântica e oralidadeDificil
Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 07. Entrevista de Txai Suruí* Por Lucy Matos, do portal Criançaenatureza.org (15/11/2021) 1 […] 2 Lucy Matos: Como a relação que as crianças 3 indígenas têm com a natureza vem sendo afetada 4 pela crise climática? 5 Txai Suruí: A vida das crianças indígenas está sendo 6 diretamente afetada. Mulheres, jovens e crianças são os 7 que mais sofrem. Nós, povos indígenas, estamos sendo 8 atingidos pelas causas e pelas consequências das 9 mudanças do clima. As causas, porque os 10 desmatamentos e as queimadas, fatores que em grande 11 parte provocam o aquecimento do planeta, vêm 12 acontecendo dentro de terras indígenas, que estão sendo 13 invadidas e contaminadas. As consequências, porque 14 estamos passando por uma pandemia, causada por uma 15 doença respiratória e, ao mesmo tempo, por uma época 16 seca, em que as queimadas estão cada vez mais 17 recorrentes. A fumaça chega às aldeias e afeta 18 uma população que, com comprovação científica, é mais 19 vulnerável a doenças respiratórias. Mas, só quando os 20 efeitos visíveis das queimadas chegam às cidades, como 21 aconteceu em 2019, quando o céu escureceu mais cedo 22 em São Paulo, é que passam a falar com urgência sobre 23 o que está acontecendo. Aqui, acordamos e sentimos 24 nossa garganta seca, isso afeta diretamente nossa saúde 25 e também nossa segurança alimentar. […] 26 Lucy Matos: Os povos originários têm sofrido uma 27 série de golpes em seus direitos e vêm se organizando 28 para ocupar espaços políticos e combater 29 instrumentos como o PL 490, que habilita a 30 exploração de minério em terras indígenas, e o 31 Marco Temporal. Com que ferramentas lutar? 32 Txai Suruí: Nossa vida está ligada ao território, não 33 tem como falar em povos indígenas sem falar em 34 território. Invasões estão acontecendo na nossa casa. 35 Você pode imaginar a sua casa ser invadida e destruída? 36 Nós, povos indígenas, vivenciamos isso e precisamos 37 lutar por nossas vidas desde pequenos. Em agosto, 38 retomamos em Brasília a Mobilização Nacional 39 Indígena do Levante Pela Terra, que pressiona projetos 40 de lei – que chamamos de projetos de morte – como o 41 PL 490 e o Marco Temporal, além disso, realizamos 42 trabalhos de incidência política e hoje temos 43 organizações atuando, inclusive judicialmente, para 44 reverter todos esses retrocessos. Os movimentos de 45 juventude indígena também têm se colocado em todos 46 os lugares, com estratégias como o advocacy, trazendo 47 fundamentação jurídica para a causa. 48 Lucy Matos: Como a sociedade pode contribuir e 49 potencializar essa luta? 50 Txai Suruí: Quando falamos sobre projetos de lei como 51 o PL 490, estamos falando também de uma discussão 52 legislativa, com decisões tomadas pelas pessoas que 53 nós, brasileiros, colocamos no poder, mas que não 54 representam toda a sociedade. Diante disso, a população 55 precisa se informar, saber o que cada um desses 56 políticos está defendendo e cobrar aqueles que deveriam 57 ser seus representantes. Vivemos em uma democracia, 58 mas parece que esquecemos o poder que temos na mão, 59 o poder do voto, e de também cobrar quem elegemos. É 60 ainda preciso lembrar que falar sobre terras indígenas 61 não é apenas falar sobre povos indígenas, é uma 62 discussão que perpassa a todos, porque precisamos 63 proteger a natureza. Proteger as terras indígenas é 64 proteger os lugares sagrados em nosso território, a nossa 65 cultura, as nossas crianças e também proteger a 66 natureza. A Organização das Nações Unidas (ONU) 67 reconhece que os povos indígenas são os guardiões da 68 floresta, os melhores defensores da natureza. 69 Lucy Matos: O que os povos indígenas podem 70 ensinar para a sociedade, para o enfrentamento da 71 emergência climática? 72 Txai Suruí: Hoje, o mundo inteiro está falando sobre 73 mudanças climáticas. Falar sobre mudanças climáticas é 74 falar sobre meio ambiente e sobre ações sustentáveis. 75 Nós, povos indígenas, falamos sobre isso desde sempre 76 e temos muito mais a dizer a respeito da floresta. Os 77 povos indígenas têm soluções com base na natureza, nas 78 tecnologias e nos saberes que são sustentáveis e não agridem 79 a natureza. É preciso aprender com a sabedoria 80 indígena, uma sabedoria cultivada a partir do saber 81 escutar a floresta, saber escutar a natureza. Não existe 82 equilíbrio climático sem os povos indígenas. 83 Lucy Matos: A natureza ensina? Como? Qual o 84 maior ensinamento que a natureza te deu? 85 Txai Suruí: A natureza fala com a gente, o grande problema 86 é que não sabemos escutar. Em geral, as pessoas acham que 87 só é possível ouvir quando alguém fala diretamente com ela, 88 mas os ensinamentos nem sempre estão no que é dito, eles 89 podem estar em ações. A natureza tem uma forma única de 90 se comunicar com a gente, e não estamos escutando, não 91 estamos nos conectando com ela. A humanidade enfrenta 92 uma pandemia que é uma consequência das mudanças 93 climáticas, e justamente essa pandemia é, para mim, a maior 94 lição que a natureza tem dado a todos nós. Ela estava falando 95 há muito tempo e não estávamos ouvindo. Agora podemos 96 ver as consequências das nossas ações, a natureza está 97 mostrando isso para a humanidade. A natureza está falando, 98 ela está gritando e pedindo ajuda. * Ativista indígena, fundadora do movimento Juventude Indígena de Rondônia, única brasileira a discursar na Conferência da Cúpula do Clima (COP26). Adaptado de: https://criancaenatureza.org.br/pt/entrevistas/entrevista-txai-surui/ Acesso: 26/03/2024 Assinale o que for correto.
  1. 01)As repetições de “mudanças” (duas vezes na linha 73), de “natureza” (linhas 77 e 79), de “sabedoria” (linhas 79 e 80) e de “saber” (linhas 80 e 81) são marcas típicas da oralidade, comumente encontradas em entrevistas.
  2. 02)Os usos de “tem” nas linhas 33 e 89 contrastam-se, uma vez que o primeiro está empregado no sentido impessoal (uso típico da oralidade), e o segundo implica uma relação de posse.
  3. 04)A substituição de “com a gente” (linha 85) por com nós daria ao texto da entrevista um traço de maior formalidade, adequando-o à norma gramatical padrão, evitando a alternância entre pessoas.
  4. 08)Enquanto a forma verbal “podem” (linha 89) foi empregada para indicar possibilidade, o uso de “podemos” (linha 95) remete à capacidade de realizar algo.
  5. 16)Os verbos “escutar” (linha 86) e “ouvir” (linha 87) contrastamse do ponto de vista de seus sentidos, visto que apenas o segundo faz referência a compreender o que foi dito.
UEM2024InvernoQuestao 4PortuguêsCoesão e coerênciaDificil
Pelo prazer de enganar, todo sofrimento vale a pena Ricardo Araújo Pereira* Quando leio as notícias segundo as quais os professores universitários pedem trabalhos aos alunos e recebem textos impecáveis, sem gralhas nem erros ortográficos, descobrindo assim que os alunos encomendam os trabalhos ao ChatGPT, fico naturalmente preocupado. Preocupado e indignado. São alunos universitários. O futuro do país. E fazem isso. Eles não têm o discernimento de acrescentar uma gralha aqui, colocar mal uma vírgula acolá, de modo a camuflar o fato de o texto ter sido escrito por uma máquina. Que esperança podemos ter num mundo melhor se os homens e mulheres de amanhã não possuem a mais básica capacidade de enganar professores? Com que competências vão enfrentar o mercado de trabalho e a vida em geral? Esta geração está perdida. No meu tempo não havia ChatGPT e estudávamos pelos apontamentos da Susana. E nos exames tínhamos de conseguir disfarçar que estávamos todos a copiar pelo Mendonça. Estes jovens de agora não querem esforçar-se para nada. Isto são malandros que não sabem ser malandros. Dão mau nome à malandragem. O malandro é malandro por uma razão essencial: enganar os outros dá muito prazer. Quem não entende a malandragem julga que o malandro é malandro para facilitar a sua vida. Ora, nem sempre isso acontece. Às vezes, dá mais trabalho ser malandro do que viver uma vida a que se costuma chamar honesta. Por exemplo: mentir é muito cansativo. Alguém pergunta: “Você já leu tal livro?” E a gente diz: “Claro.” Mas não leu. Segue-se um conjunto extenuante de tarefas. É necessário memorizar que, sempre que estivermos na presença daquela pessoa, para todos os efeitos lemos aquele livro. Além disso, é preciso falar do livro que não se leu sem deixar que se perceba que não foi lido. Parece difícil, mas é mais difícil do que parece. Não basta dizer frases genéricas, do gênero: “Trata-se de uma obra admirável”. Há que ser mais preciso, não deixando de ser vago. “Ah, sim, ‘Os Irmãos Karamazov’. Não é possível entender a Rússia sem ele. Uma das tragédias da minha vida é não poder ler a versão original. Para captar de fato aqueles ambientes.” E daí passar para uma reflexão sobre a precariedade do acto de traduzir. Daria muito menos trabalho ler o raio do livro. Ou admitir que não o lemos. Há muitos livros no mundo, não é vergonha não ter lido um. Mas, pelo prazer de enganar, todo o sofrimento vale a pena. É um sacerdócio. Respeitem-no, jovens. * Humorista português, membro do coletivo Gato Fedorento. É autor de “Boca do Inferno”. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2023/12/peloprazer-de-enganar-todo-sofrimento-vale-a-pena.shtml Acesso: 26/03/2024. Assinale a(s) alternativa(s) em que o operador discursivo em destaque (sublinhado e em negrito) de cada fragmento corresponde corretamente à relação expressa em parênteses.
  1. 01)Linhas 7 e 8: “Preocupado e indignado. São alunos universitários. O futuro do país. E fazem isso.” (alternativa)
  2. 02)Linhas 9-12: “Eles não têm o discernimento de acrescentar uma gralha aqui, colocar mal uma vírgula acolá, de modo a camuflar o fato de o texto ter sido escrito por uma máquina.” (explicação)
  3. 04)Linhas 13-15: “Que esperança podemos ter num mundo melhor se os homens e mulheres de amanhã não possuem a mais básica capacidade de enganar professores?” (consequência)
  4. 08)Linhas 27 e 28: “Quem não entende a malandragem julga que o malandro é malandro para facilitar a sua vida.” (finalidade)
  5. 16)Linhas 51-53: “Há muitos livros no mundo, não é vergonha não ter lido um. Mas, pelo prazer de enganar, todo o sofrimento vale a pena.” (acréscimo)
UEM2024VerãoQuestao 5PortuguêsInterpretação de textoMedia
Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 07. Entrevista de Txai Suruí* Por Lucy Matos, do portal Criançaenatureza.org (15/11/2021) 1 […] 2 Lucy Matos: Como a relação que as crianças 3 indígenas têm com a natureza vem sendo afetada 4 pela crise climática? 5 Txai Suruí: A vida das crianças indígenas está sendo 6 diretamente afetada. Mulheres, jovens e crianças são os 7 que mais sofrem. Nós, povos indígenas, estamos sendo 8 atingidos pelas causas e pelas consequências das 9 mudanças do clima. As causas, porque os 10 desmatamentos e as queimadas, fatores que em grande 11 parte provocam o aquecimento do planeta, vêm 12 acontecendo dentro de terras indígenas, que estão sendo 13 invadidas e contaminadas. As consequências, porque 14 estamos passando por uma pandemia, causada por uma 15 doença respiratória e, ao mesmo tempo, por uma época 16 seca, em que as queimadas estão cada vez mais 17 recorrentes. A fumaça chega às aldeias e afeta 18 uma população que, com comprovação científica, é mais 19 vulnerável a doenças respiratórias. Mas, só quando os 20 efeitos visíveis das queimadas chegam às cidades, como 21 aconteceu em 2019, quando o céu escureceu mais cedo 22 em São Paulo, é que passam a falar com urgência sobre 23 o que está acontecendo. Aqui, acordamos e sentimos 24 nossa garganta seca, isso afeta diretamente nossa saúde 25 e também nossa segurança alimentar. […] 26 Lucy Matos: Os povos originários têm sofrido uma 27 série de golpes em seus direitos e vêm se organizando 28 para ocupar espaços políticos e combater 29 instrumentos como o PL 490, que habilita a 30 exploração de minério em terras indígenas, e o 31 Marco Temporal. Com que ferramentas lutar? 32 Txai Suruí: Nossa vida está ligada ao território, não 33 tem como falar em povos indígenas sem falar em 34 território. Invasões estão acontecendo na nossa casa. 35 Você pode imaginar a sua casa ser invadida e destruída? 36 Nós, povos indígenas, vivenciamos isso e precisamos 37 lutar por nossas vidas desde pequenos. Em agosto, 38 retomamos em Brasília a Mobilização Nacional 39 Indígena do Levante Pela Terra, que pressiona projetos 40 de lei – que chamamos de projetos de morte – como o 41 PL 490 e o Marco Temporal, além disso, realizamos 42 trabalhos de incidência política e hoje temos 43 organizações atuando, inclusive judicialmente, para 44 reverter todos esses retrocessos. Os movimentos de 45 juventude indígena também têm se colocado em todos 46 os lugares, com estratégias como o advocacy, trazendo 47 fundamentação jurídica para a causa. 48 Lucy Matos: Como a sociedade pode contribuir e 49 potencializar essa luta? 50 Txai Suruí: Quando falamos sobre projetos de lei como 51 o PL 490, estamos falando também de uma discussão 52 legislativa, com decisões tomadas pelas pessoas que 53 nós, brasileiros, colocamos no poder, mas que não 54 representam toda a sociedade. Diante disso, a população 55 precisa se informar, saber o que cada um desses 56 políticos está defendendo e cobrar aqueles que deveriam 57 ser seus representantes. Vivemos em uma democracia, 58 mas parece que esquecemos o poder que temos na mão, 59 o poder do voto, e de também cobrar quem elegemos. É 60 ainda preciso lembrar que falar sobre terras indígenas 61 não é apenas falar sobre povos indígenas, é uma 62 discussão que perpassa a todos, porque precisamos 63 proteger a natureza. Proteger as terras indígenas é 64 proteger os lugares sagrados em nosso território, a nossa 65 cultura, as nossas crianças e também proteger a 66 natureza. A Organização das Nações Unidas (ONU) 67 reconhece que os povos indígenas são os guardiões da 68 floresta, os melhores defensores da natureza. 69 Lucy Matos: O que os povos indígenas podem 70 ensinar para a sociedade, para o enfrentamento da 71 emergência climática? 72 Txai Suruí: Hoje, o mundo inteiro está falando sobre 73 mudanças climáticas. Falar sobre mudanças climáticas é 74 falar sobre meio ambiente e sobre ações sustentáveis. 75 Nós, povos indígenas, falamos sobre isso desde sempre 76 e temos muito mais a dizer a respeito da floresta. Os 77 povos indígenas têm soluções com base na natureza, nas 78 tecnologias e nos saberes que são sustentáveis e não agridem 79 a natureza. É preciso aprender com a sabedoria 80 indígena, uma sabedoria cultivada a partir do saber 81 escutar a floresta, saber escutar a natureza. Não existe 82 equilíbrio climático sem os povos indígenas. 83 Lucy Matos: A natureza ensina? Como? Qual o 84 maior ensinamento que a natureza te deu? 85 Txai Suruí: A natureza fala com a gente, o grande problema 86 é que não sabemos escutar. Em geral, as pessoas acham que 87 só é possível ouvir quando alguém fala diretamente com ela, 88 mas os ensinamentos nem sempre estão no que é dito, eles 89 podem estar em ações. A natureza tem uma forma única de 90 se comunicar com a gente, e não estamos escutando, não 91 estamos nos conectando com ela. A humanidade enfrenta 92 uma pandemia que é uma consequência das mudanças 93 climáticas, e justamente essa pandemia é, para mim, a maior 94 lição que a natureza tem dado a todos nós. Ela estava falando 95 há muito tempo e não estávamos ouvindo. Agora podemos 96 ver as consequências das nossas ações, a natureza está 97 mostrando isso para a humanidade. A natureza está falando, 98 ela está gritando e pedindo ajuda. * Ativista indígena, fundadora do movimento Juventude Indígena de Rondônia, única brasileira a discursar na Conferência da Cúpula do Clima (COP26). Adaptado de: https://criancaenatureza.org.br/pt/entrevistas/entrevista-txai-surui/ Acesso: 26/03/2024 Assinale o que for correto.
  1. 01)Depreende-se do texto que as tecnologias e os saberes dos indígenas mencionados por Txai Suruí advêm dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas no trato com a natureza.
  2. 02)Com o emprego de “É preciso” (linha 79), Txai Suruí defende a necessidade de um indivíduo não indígena “aprender com a sabedoria indígena” (linhas 79 e 80).
  3. 04)Ao sustentar que “A natureza fala com a gente” (linha 85), Txai Suruí expressa uma visão mítica e religiosa dos fenômenos naturais, atribuindo à natureza a capacidade de se comunicar por meio de uma língua natural.
  4. 08)O pronome “isso” (linha 97) retoma “as consequências das nossas ações” (linha 96).
  5. 16)Ao usar a primeira pessoa do plural em “não estávamos ouvindo.” (linha 95), Txai Suruí apresenta uma incoerência, visto que já havia sustentado que os indígenas sabiam escutar a natureza.
UEM2024InvernoQuestao 5PortuguêsGêneros textuaisMedia
Pelo prazer de enganar, todo sofrimento vale a pena Ricardo Araújo Pereira* Quando leio as notícias segundo as quais os professores universitários pedem trabalhos aos alunos e recebem textos impecáveis, sem gralhas nem erros ortográficos, descobrindo assim que os alunos encomendam os trabalhos ao ChatGPT, fico naturalmente preocupado. Preocupado e indignado. São alunos universitários. O futuro do país. E fazem isso. Eles não têm o discernimento de acrescentar uma gralha aqui, colocar mal uma vírgula acolá, de modo a camuflar o fato de o texto ter sido escrito por uma máquina. Que esperança podemos ter num mundo melhor se os homens e mulheres de amanhã não possuem a mais básica capacidade de enganar professores? Com que competências vão enfrentar o mercado de trabalho e a vida em geral? Esta geração está perdida. No meu tempo não havia ChatGPT e estudávamos pelos apontamentos da Susana. E nos exames tínhamos de conseguir disfarçar que estávamos todos a copiar pelo Mendonça. Estes jovens de agora não querem esforçar-se para nada. Isto são malandros que não sabem ser malandros. Dão mau nome à malandragem. O malandro é malandro por uma razão essencial: enganar os outros dá muito prazer. Quem não entende a malandragem julga que o malandro é malandro para facilitar a sua vida. Ora, nem sempre isso acontece. Às vezes, dá mais trabalho ser malandro do que viver uma vida a que se costuma chamar honesta. Por exemplo: mentir é muito cansativo. Alguém pergunta: “Você já leu tal livro?” E a gente diz: “Claro.” Mas não leu. Segue-se um conjunto extenuante de tarefas. É necessário memorizar que, sempre que estivermos na presença daquela pessoa, para todos os efeitos lemos aquele livro. Além disso, é preciso falar do livro que não se leu sem deixar que se perceba que não foi lido. Parece difícil, mas é mais difícil do que parece. Não basta dizer frases genéricas, do gênero: “Trata-se de uma obra admirável”. Há que ser mais preciso, não deixando de ser vago. “Ah, sim, ‘Os Irmãos Karamazov’. Não é possível entender a Rússia sem ele. Uma das tragédias da minha vida é não poder ler a versão original. Para captar de fato aqueles ambientes.” E daí passar para uma reflexão sobre a precariedade do acto de traduzir. Daria muito menos trabalho ler o raio do livro. Ou admitir que não o lemos. Há muitos livros no mundo, não é vergonha não ter lido um. Mas, pelo prazer de enganar, todo o sofrimento vale a pena. É um sacerdócio. Respeitem-no, jovens. * Humorista português, membro do coletivo Gato Fedorento. É autor de “Boca do Inferno”. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2023/12/peloprazer-de-enganar-todo-sofrimento-vale-a-pena.shtml Acesso: 26/03/2024. Assinale o que for correto.
  1. 01)Em “Esta geração está perdida.” (linha 17), o autor lança mão de um eufemismo para atenuar a situação dos jovens.
  2. 02)O texto apresenta um tom irônico e sarcástico ao discutir como o automatismo no uso de tecnologias alcança inclusive o ato de enganar.
  3. 04)Em sua argumentação, o autor não utiliza de exemplificação para construir seu argumento.
  4. 08)Uma das evidências de que o texto em análise é uma crônica é o fato de ele, além de abordar uma temática cotidiana, estar escrito em primeira pessoa, o que permite ao autor expressar suas emoções e seus pensamentos diretamente.
  5. 16)O texto em questão apresenta uma crítica contundente ao uso do ChatGPT por alunos universitários, defendendo valores como a honestidade, o esforço e a busca pelo conhecimento genuíno.
UEM2024VerãoQuestao 6PortuguêsInterpretação de textoMedia
Leia o texto a seguir para responder às questões de 01 a 07. Entrevista de Txai Suruí* Por Lucy Matos, do portal Criançaenatureza.org (15/11/2021) 1 […] 2 Lucy Matos: Como a relação que as crianças 3 indígenas têm com a natureza vem sendo afetada 4 pela crise climática? 5 Txai Suruí: A vida das crianças indígenas está sendo 6 diretamente afetada. Mulheres, jovens e crianças são os 7 que mais sofrem. Nós, povos indígenas, estamos sendo 8 atingidos pelas causas e pelas consequências das 9 mudanças do clima. As causas, porque os 10 desmatamentos e as queimadas, fatores que em grande 11 parte provocam o aquecimento do planeta, vêm 12 acontecendo dentro de terras indígenas, que estão sendo 13 invadidas e contaminadas. As consequências, porque 14 estamos passando por uma pandemia, causada por uma 15 doença respiratória e, ao mesmo tempo, por uma época 16 seca, em que as queimadas estão cada vez mais 17 recorrentes. A fumaça chega às aldeias e afeta 18 uma população que, com comprovação científica, é mais 19 vulnerável a doenças respiratórias. Mas, só quando os 20 efeitos visíveis das queimadas chegam às cidades, como 21 aconteceu em 2019, quando o céu escureceu mais cedo 22 em São Paulo, é que passam a falar com urgência sobre 23 o que está acontecendo. Aqui, acordamos e sentimos 24 nossa garganta seca, isso afeta diretamente nossa saúde 25 e também nossa segurança alimentar. […] 26 Lucy Matos: Os povos originários têm sofrido uma 27 série de golpes em seus direitos e vêm se organizando 28 para ocupar espaços políticos e combater 29 instrumentos como o PL 490, que habilita a 30 exploração de minério em terras indígenas, e o 31 Marco Temporal. Com que ferramentas lutar? 32 Txai Suruí: Nossa vida está ligada ao território, não 33 tem como falar em povos indígenas sem falar em 34 território. Invasões estão acontecendo na nossa casa. 35 Você pode imaginar a sua casa ser invadida e destruída? 36 Nós, povos indígenas, vivenciamos isso e precisamos 37 lutar por nossas vidas desde pequenos. Em agosto, 38 retomamos em Brasília a Mobilização Nacional 39 Indígena do Levante Pela Terra, que pressiona projetos 40 de lei – que chamamos de projetos de morte – como o 41 PL 490 e o Marco Temporal, além disso, realizamos 42 trabalhos de incidência política e hoje temos 43 organizações atuando, inclusive judicialmente, para 44 reverter todos esses retrocessos. Os movimentos de 45 juventude indígena também têm se colocado em todos 46 os lugares, com estratégias como o advocacy, trazendo 47 fundamentação jurídica para a causa. 48 Lucy Matos: Como a sociedade pode contribuir e 49 potencializar essa luta? 50 Txai Suruí: Quando falamos sobre projetos de lei como 51 o PL 490, estamos falando também de uma discussão 52 legislativa, com decisões tomadas pelas pessoas que 53 nós, brasileiros, colocamos no poder, mas que não 54 representam toda a sociedade. Diante disso, a população 55 precisa se informar, saber o que cada um desses 56 políticos está defendendo e cobrar aqueles que deveriam 57 ser seus representantes. Vivemos em uma democracia, 58 mas parece que esquecemos o poder que temos na mão, 59 o poder do voto, e de também cobrar quem elegemos. É 60 ainda preciso lembrar que falar sobre terras indígenas 61 não é apenas falar sobre povos indígenas, é uma 62 discussão que perpassa a todos, porque precisamos 63 proteger a natureza. Proteger as terras indígenas é 64 proteger os lugares sagrados em nosso território, a nossa 65 cultura, as nossas crianças e também proteger a 66 natureza. A Organização das Nações Unidas (ONU) 67 reconhece que os povos indígenas são os guardiões da 68 floresta, os melhores defensores da natureza. 69 Lucy Matos: O que os povos indígenas podem 70 ensinar para a sociedade, para o enfrentamento da 71 emergência climática? 72 Txai Suruí: Hoje, o mundo inteiro está falando sobre 73 mudanças climáticas. Falar sobre mudanças climáticas é 74 falar sobre meio ambiente e sobre ações sustentáveis. 75 Nós, povos indígenas, falamos sobre isso desde sempre 76 e temos muito mais a dizer a respeito da floresta. Os 77 povos indígenas têm soluções com base na natureza, nas 78 tecnologias e nos saberes que são sustentáveis e não agridem 79 a natureza. É preciso aprender com a sabedoria 80 indígena, uma sabedoria cultivada a partir do saber 81 escutar a floresta, saber escutar a natureza. Não existe 82 equilíbrio climático sem os povos indígenas. 83 Lucy Matos: A natureza ensina? Como? Qual o 84 maior ensinamento que a natureza te deu? 85 Txai Suruí: A natureza fala com a gente, o grande problema 86 é que não sabemos escutar. Em geral, as pessoas acham que 87 só é possível ouvir quando alguém fala diretamente com ela, 88 mas os ensinamentos nem sempre estão no que é dito, eles 89 podem estar em ações. A natureza tem uma forma única de 90 se comunicar com a gente, e não estamos escutando, não 91 estamos nos conectando com ela. A humanidade enfrenta 92 uma pandemia que é uma consequência das mudanças 93 climáticas, e justamente essa pandemia é, para mim, a maior 94 lição que a natureza tem dado a todos nós. Ela estava falando 95 há muito tempo e não estávamos ouvindo. Agora podemos 96 ver as consequências das nossas ações, a natureza está 97 mostrando isso para a humanidade. A natureza está falando, 98 ela está gritando e pedindo ajuda. * Ativista indígena, fundadora do movimento Juventude Indígena de Rondônia, única brasileira a discursar na Conferência da Cúpula do Clima (COP26). Adaptado de: https://criancaenatureza.org.br/pt/entrevistas/entrevista-txai-surui/ Acesso: 26/03/2024 Assinale o que for correto.
  1. 01)Na entrevista concedida, Txai Suruí representa a voz dos indígenas brasileiros em defesa dos direitos desses povos e de suas soluções para a crise climática.
  2. 02)A frase nas linhas 86 a 89, iniciada por “Em geral”, faz referência exclusivamente à crença dos políticos defensores do PL 490 e do Marco Temporal.
  3. 04)Em “passam a falar com urgência sobre o que está acontecendo.” (linhas 22 e 23), há menção às vozes das cidades, em raro momento de defesa da urgência do controle do desmatamento.
  4. 08)As sequências textuais atribuídas à jornalista Lucy Matos são marcadas por isenção, ignorando o fato de os indígenas brasileiros estarem sofrendo perda de direitos.
  5. 16)Em uma de suas respostas, Txai Suruí deixa transparecer o ponto de vista da ONU sobre o papel dos povos indígenas em relação à preservação da floresta.
UEM2024InvernoQuestao 6PortuguêsClasses de palavrasDificil
Pelo prazer de enganar, todo sofrimento vale a pena Ricardo Araújo Pereira* Quando leio as notícias segundo as quais os professores universitários pedem trabalhos aos alunos e recebem textos impecáveis, sem gralhas nem erros ortográficos, descobrindo assim que os alunos encomendam os trabalhos ao ChatGPT, fico naturalmente preocupado. Preocupado e indignado. São alunos universitários. O futuro do país. E fazem isso. Eles não têm o discernimento de acrescentar uma gralha aqui, colocar mal uma vírgula acolá, de modo a camuflar o fato de o texto ter sido escrito por uma máquina. Que esperança podemos ter num mundo melhor se os homens e mulheres de amanhã não possuem a mais básica capacidade de enganar professores? Com que competências vão enfrentar o mercado de trabalho e a vida em geral? Esta geração está perdida. No meu tempo não havia ChatGPT e estudávamos pelos apontamentos da Susana. E nos exames tínhamos de conseguir disfarçar que estávamos todos a copiar pelo Mendonça. Estes jovens de agora não querem esforçar-se para nada. Isto são malandros que não sabem ser malandros. Dão mau nome à malandragem. O malandro é malandro por uma razão essencial: enganar os outros dá muito prazer. Quem não entende a malandragem julga que o malandro é malandro para facilitar a sua vida. Ora, nem sempre isso acontece. Às vezes, dá mais trabalho ser malandro do que viver uma vida a que se costuma chamar honesta. Por exemplo: mentir é muito cansativo. Alguém pergunta: “Você já leu tal livro?” E a gente diz: “Claro.” Mas não leu. Segue-se um conjunto extenuante de tarefas. É necessário memorizar que, sempre que estivermos na presença daquela pessoa, para todos os efeitos lemos aquele livro. Além disso, é preciso falar do livro que não se leu sem deixar que se perceba que não foi lido. Parece difícil, mas é mais difícil do que parece. Não basta dizer frases genéricas, do gênero: “Trata-se de uma obra admirável”. Há que ser mais preciso, não deixando de ser vago. “Ah, sim, ‘Os Irmãos Karamazov’. Não é possível entender a Rússia sem ele. Uma das tragédias da minha vida é não poder ler a versão original. Para captar de fato aqueles ambientes.” E daí passar para uma reflexão sobre a precariedade do acto de traduzir. Daria muito menos trabalho ler o raio do livro. Ou admitir que não o lemos. Há muitos livros no mundo, não é vergonha não ter lido um. Mas, pelo prazer de enganar, todo o sofrimento vale a pena. É um sacerdócio. Respeitem-no, jovens. * Humorista português, membro do coletivo Gato Fedorento. É autor de “Boca do Inferno”. https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ricardo-araujo-pereira/2023/12/peloprazer-de-enganar-todo-sofrimento-vale-a-pena.shtml Acesso: 26/03/2024. Considere a última linha do texto com o seu elemento em destaque: “Respeitem-no, jovens.” Assinale a(s) alternativa(s) em que o elemento destacado se encaixa corretamente na mesma classe de palavras.
  1. 01)“Com que competências vão enfrentar o mercado de trabalho e a vida em geral?” (linhas 15-17)
  2. 02)“No meu tempo não havia ChatGPT e estudávamos pelos apontamentos da Susana.” (linhas 18 e 19)
  3. 04)“enganar os outros dá muito prazer.” (linhas 25 e 26)
  4. 08)“E daí passar para uma reflexão sobre a precariedade do acto de traduzir.” (linhas 48 e 49)
  5. 16)“Ou admitir que não o lemos.” (linhas 50 e 51)
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