Prova · UEM 2025

Prova UEM 2025: questões por disciplina

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O que caiu na prova 2025

Questões da prova UEM 2025

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UEM2025InvernoQuestao 1PortuguêsGênero diário e interpretaçãoMedia
Texto 1 Quarto de Despejo: Diário de uma favelada1 Carolina Maria de Jesus [...] 4 DE OUTUBRO Eu deixei o leito indisposta porque eu não dormi. O visinho é ademarista2 roxo e passou a noite com o radio ligado. ...Passei no Frigorifico para pegar ossos. Graças as eleições havia muito papel nas ruas. Os rádios estão transmitindo os resultados eleitoraes. As urnas favorece o senhor Carvalho Pinto3. 7 DE OUTUBRO Morreu um menino aqui na favela. Tinha dois meses. Se vivesse ia passar fome. 12 DE OUTUBRO ...Houve briga aqui na favela porque o homem que está tomando conta da luz quer 30 cruzeiros por bico. A conta da agua atinge só 1.100 e ele quer cobrar 25 de cada barracão. ...Já faz tanto tempo que estou no mundo que eu estou enjoando de viver. Também, com a fome que eu passo quem é que pode viver contente? 16 DE OUTUBRO ...Vocês já sabem que eu vou carregar agua todos os dias. Agora eu vou modificar o inicio da narrativa diurna, isto é, o que ocorreu comigo durante o dia. 17 DE OUTUBRO Eu fiz os meus deveres e saí com a Vera. Fui na Dona Julita buscar a cama que ela deu-me. Ela está mais alegre porque o seu esposo está melhorando. Enquanto eu estava conversando com a Dona Julita dentro de casa dois meninos carregaram a cama. Corri e alcancei os meninos e tomei a cama. (...) Levei a cama e fui vender para um judeu que compra moveis usados. Ele examinou a cama e disse: — Eu dá 20. — É pouco! A cama vale mais! — Eu dá 25. — É pouco! A cama vale mais! — Eu dá 30. — É pouco! A cama vale mais! — Eu dá 35. — É pouco! A cama vale mais! — Eu dá 40. Mais não dá. Eu já estava começando a ficar nervosa com o nosso dialogo. Ele deu 40 e eu fui embora e parei no portão para observar a Vera que queria mais dinheiro. E dizia: — Se o senhor não dá mais dinheiro eu levo a cama. O judeu deu um tapa no rosto da Vera e ela começou chorar. Ele disse-me: — A senhora dá um cruzeiro para ela, porque eu não tenho trocado. ...Depois que eu jantei fiquei indisposta e fui deitar. Sonhei. No sonho eu estava alegre. [...] 1. Relatos extraídos da obra completa. 2. Eleitores que apoiavam o político paulista Adhemar Pereira de Barros (1901 – 1969), que no período de escrita do Quarto de despejo era filiado ao PSP. 3. Carlos Alberto de Carvalho Pinto (1910-1987): foi efetivamente eleito governador de São Paulo em 1958. Seria ainda ministro da fazenda e senador. JESUS, C.M. Quarto de despejo. São Paulo: Ática, 2014. pp. 124-126. De acordo com o texto 1, assinale o que for correto.
  1. 01)O uso da primeira pessoa do singular é uma característica do gênero diário.
  2. 02)O uso dos adjetivos “indisposta” (linhas 1 e 50) e “nervosa” (linha 40) contribui para a construção do sofrimento da autora imposto pelo contexto no qual ela vive.
  3. 04)O interlocutor do diário é, em um primeiro momento, a própria autora.
  4. 08)A marcação de tempo e de espaço é elemento essencial da estrutura composicional do gênero diário, como é possível notar no texto 1.
  5. 16)As afirmações “...Passei no Frigorifico para pegar ossos. Graças as eleições havia muito papel nas ruas.” (linhas 4 e 5) produzem o efeito de sentido de crítica ao modelo eleitoral.
UEM2025VerãoQuestao 1PortuguêsInterpretação de textoMedia
**Texto 1** Desse fruto* Edvaldo Santana e Osnofa 1 Tem gente por aí vivendo que nem bicho, 2 fuçando comida na lata do lixo. 3 Irmã gêmea da loucura 4 dos gritos na noite escura. 5 É gente dormindo debaixo do viaduto 6 e comendo a parte mais podre do fruto. 7 É gente que nem parece que é gente, 8 mas que a gente sabe que é gente. 9 10 Também tem gente por aí vivendo que nem gente, 11 Guardando seu ouro à unha e dente. 12 Tem gente por aí vivendo que nem gente, 13 guardando seu ouro à unha e dente. 14 Trancando as portas sem saber que na rua 15 sangra exposta a ferida sua. 16 É gente engordando por cima do fruto 17 e atirando a parte mais podre no lixo. 18 É gente que até parece que é gente, 19 mas que a gente sabe que é bicho. * Letra de canção gravada por Edvaldo Santana e Zélia Duncan. Assinale o que for correto.
  1. 01)A canção opõe as pessoas em situação de miséria à parcela privilegiada que concentra a maior parte da renda.
  2. 02)O tema principal da canção é a desigualdade socioeconômica.
  3. 04)Em “Irmã gêmea da loucura / dos gritos na noite escura.” (linhas 3 e 4) toma-se a miséria como um fato natural que faz parte da ordem natural da vida.
  4. 08)De acordo com a canção, a miséria faz “gente” (linha 1) se comportar como “bicho” (linha 1), no modo como se alimentam e no lugar onde moram.
  5. 16)A conjunção coordenada adversativa “mas” (linha 8) faz uma ressalva ao fato de que esses indivíduos não perdem seu caráter humano, embora se alimentem e vivam como bichos.
UEM2025InvernoQuestao 2PortuguêsVariação linguísticaMedia
Texto 1 Quarto de Despejo: Diário de uma favelada1 Carolina Maria de Jesus [...] 4 DE OUTUBRO Eu deixei o leito indisposta porque eu não dormi. O visinho é ademarista2 roxo e passou a noite com o radio ligado. ...Passei no Frigorifico para pegar ossos. Graças as eleições havia muito papel nas ruas. Os rádios estão transmitindo os resultados eleitoraes. As urnas favorece o senhor Carvalho Pinto3. 7 DE OUTUBRO Morreu um menino aqui na favela. Tinha dois meses. Se vivesse ia passar fome. 12 DE OUTUBRO ...Houve briga aqui na favela porque o homem que está tomando conta da luz quer 30 cruzeiros por bico. A conta da agua atinge só 1.100 e ele quer cobrar 25 de cada barracão. ...Já faz tanto tempo que estou no mundo que eu estou enjoando de viver. Também, com a fome que eu passo quem é que pode viver contente? 16 DE OUTUBRO ...Vocês já sabem que eu vou carregar agua todos os dias. Agora eu vou modificar o inicio da narrativa diurna, isto é, o que ocorreu comigo durante o dia. 17 DE OUTUBRO Eu fiz os meus deveres e saí com a Vera. Fui na Dona Julita buscar a cama que ela deu-me. Ela está mais alegre porque o seu esposo está melhorando. Enquanto eu estava conversando com a Dona Julita dentro de casa dois meninos carregaram a cama. Corri e alcancei os meninos e tomei a cama. (...) Levei a cama e fui vender para um judeu que compra moveis usados. Ele examinou a cama e disse: — Eu dá 20. — É pouco! A cama vale mais! — Eu dá 25. — É pouco! A cama vale mais! — Eu dá 30. — É pouco! A cama vale mais! — Eu dá 35. — É pouco! A cama vale mais! — Eu dá 40. Mais não dá. Eu já estava começando a ficar nervosa com o nosso dialogo. Ele deu 40 e eu fui embora e parei no portão para observar a Vera que queria mais dinheiro. E dizia: — Se o senhor não dá mais dinheiro eu levo a cama. O judeu deu um tapa no rosto da Vera e ela começou chorar. Ele disse-me: — A senhora dá um cruzeiro para ela, porque eu não tenho trocado. ...Depois que eu jantei fiquei indisposta e fui deitar. Sonhei. No sonho eu estava alegre. [...] 1. Relatos extraídos da obra completa. 2. Eleitores que apoiavam o político paulista Adhemar Pereira de Barros (1901 – 1969), que no período de escrita do Quarto de despejo era filiado ao PSP. 3. Carlos Alberto de Carvalho Pinto (1910-1987): foi efetivamente eleito governador de São Paulo em 1958. Seria ainda ministro da fazenda e senador. JESUS, C.M. Quarto de despejo. São Paulo: Ática, 2014. pp. 124-126. De acordo com o texto 1, assinale o que for correto.
  1. 01)As sequências textuais atribuídas ao judeu que compra móveis usados são marcas de um português falado por um estrangeiro.
  2. 02)Em “As urnas favorece o senhor Carvalho Pinto.” (linhas 6 e 7), a falta de concordância verbal é uma marca que aponta para a classe social da autora.
  3. 04)Pela leitura do texto 1 é possível perceber que o organizador do livro conseguiu manter o estilo coloquial da autora dos diários, sem marcas de um estilo mais formal.
  4. 08)No trecho “Fui na Dona Julita buscar a cama que ela deume.” (linhas 23 e 24), a ênclise em “deu-me” é um recurso da escrita que pode ser reconhecido como forçado, pois não se utiliza essa forma na fala; hoje, ela é utilizada em certos gêneros escritos.
  5. 16)O uso de “visinho” (linha 2) é marca típica da oralidade.
UEM2025VerãoQuestao 2PortuguêsInterpretação de textoMedia
**Texto 1** Desse fruto* Edvaldo Santana e Osnofa 1 Tem gente por aí vivendo que nem bicho, 2 fuçando comida na lata do lixo. 3 Irmã gêmea da loucura 4 dos gritos na noite escura. 5 É gente dormindo debaixo do viaduto 6 e comendo a parte mais podre do fruto. 7 É gente que nem parece que é gente, 8 mas que a gente sabe que é gente. 9 10 Também tem gente por aí vivendo que nem gente, 11 Guardando seu ouro à unha e dente. 12 Tem gente por aí vivendo que nem gente, 13 guardando seu ouro à unha e dente. 14 Trancando as portas sem saber que na rua 15 sangra exposta a ferida sua. 16 É gente engordando por cima do fruto 17 e atirando a parte mais podre no lixo. 18 É gente que até parece que é gente, 19 mas que a gente sabe que é bicho. * Letra de canção gravada por Edvaldo Santana e Zélia Duncan. Assinale o que for correto.
  1. 01)O sentido da expressão “Guardando seu ouro à unha e dente.” (linha 11) é agir de modo inflexível para distribuir a riqueza acumulada.
  2. 02)Em “sangra exposta a ferida sua.” (linha 15), a canção vincula o indivíduo rico à situação dos miseráveis que vivem nas ruas.
  3. 04)A oração coordenada “mas que a gente sabe que é bicho.” (linha 19) faz a ressalva de que indivíduos ricos que não são sensíveis à miséria acabam por perder sua humanidade.
  4. 08)Em “e atirando a parte mais podre no lixo.” (linha 17), fazse referência à questão do acúmulo de lixo que prejudica o meio ambiente.
  5. 16)Em “É gente engordando por cima do fruto” (linha 16), fazse referência ao problema de saúde pública da obesidade que atinge a população mais pobre.
UEM2025VerãoQuestao 3PortuguêsVariação linguísticaMedia
**Texto 1** Desse fruto* Edvaldo Santana e Osnofa 1 Tem gente por aí vivendo que nem bicho, 2 fuçando comida na lata do lixo. 3 Irmã gêmea da loucura 4 dos gritos na noite escura. 5 É gente dormindo debaixo do viaduto 6 e comendo a parte mais podre do fruto. 7 É gente que nem parece que é gente, 8 mas que a gente sabe que é gente. 9 10 Também tem gente por aí vivendo que nem gente, 11 Guardando seu ouro à unha e dente. 12 Tem gente por aí vivendo que nem gente, 13 guardando seu ouro à unha e dente. 14 Trancando as portas sem saber que na rua 15 sangra exposta a ferida sua. 16 É gente engordando por cima do fruto 17 e atirando a parte mais podre no lixo. 18 É gente que até parece que é gente, 19 mas que a gente sabe que é bicho. * Letra de canção gravada por Edvaldo Santana e Zélia Duncan. Assinale a(s) alternativa(s) que ilustra(m) uso(s) linguístico(s) típico(s) da oralidade presente(s) na canção que não seria(m) adequado(s) em textos escritos formais.
  1. 01)Emprego de “sua” após “ferida” (linha 15).
  2. 02)Emprego de “a gente sabe” (linhas 8 e 19).
  3. 04)Emprego de “Tem” com sentido existencial (linhas 1 e 12).
  4. 08)Emprego do gerúndio “guardando” (linha 13).
  5. 16)Emprego de “que nem” (linhas 1 e 10).
UEM2025InvernoQuestao 3PortuguêsInterpretação de textoMedia
Texto 1 Quarto de Despejo: Diário de uma favelada1 Carolina Maria de Jesus [...] 4 DE OUTUBRO Eu deixei o leito indisposta porque eu não dormi. O visinho é ademarista2 roxo e passou a noite com o radio ligado. ...Passei no Frigorifico para pegar ossos. Graças as eleições havia muito papel nas ruas. Os rádios estão transmitindo os resultados eleitoraes. As urnas favorece o senhor Carvalho Pinto3. 7 DE OUTUBRO Morreu um menino aqui na favela. Tinha dois meses. Se vivesse ia passar fome. 12 DE OUTUBRO ...Houve briga aqui na favela porque o homem que está tomando conta da luz quer 30 cruzeiros por bico. A conta da agua atinge só 1.100 e ele quer cobrar 25 de cada barracão. ...Já faz tanto tempo que estou no mundo que eu estou enjoando de viver. Também, com a fome que eu passo quem é que pode viver contente? 16 DE OUTUBRO ...Vocês já sabem que eu vou carregar agua todos os dias. Agora eu vou modificar o inicio da narrativa diurna, isto é, o que ocorreu comigo durante o dia. 17 DE OUTUBRO Eu fiz os meus deveres e saí com a Vera. Fui na Dona Julita buscar a cama que ela deu-me. Ela está mais alegre porque o seu esposo está melhorando. Enquanto eu estava conversando com a Dona Julita dentro de casa dois meninos carregaram a cama. Corri e alcancei os meninos e tomei a cama. (...) Levei a cama e fui vender para um judeu que compra moveis usados. Ele examinou a cama e disse: — Eu dá 20. — É pouco! A cama vale mais! — Eu dá 25. — É pouco! A cama vale mais! — Eu dá 30. — É pouco! A cama vale mais! — Eu dá 35. — É pouco! A cama vale mais! — Eu dá 40. Mais não dá. Eu já estava começando a ficar nervosa com o nosso dialogo. Ele deu 40 e eu fui embora e parei no portão para observar a Vera que queria mais dinheiro. E dizia: — Se o senhor não dá mais dinheiro eu levo a cama. O judeu deu um tapa no rosto da Vera e ela começou chorar. Ele disse-me: — A senhora dá um cruzeiro para ela, porque eu não tenho trocado. ...Depois que eu jantei fiquei indisposta e fui deitar. Sonhei. No sonho eu estava alegre. [...] 1. Relatos extraídos da obra completa. 2. Eleitores que apoiavam o político paulista Adhemar Pereira de Barros (1901 – 1969), que no período de escrita do Quarto de despejo era filiado ao PSP. 3. Carlos Alberto de Carvalho Pinto (1910-1987): foi efetivamente eleito governador de São Paulo em 1958. Seria ainda ministro da fazenda e senador. JESUS, C.M. Quarto de despejo. São Paulo: Ática, 2014. pp. 124-126. De acordo com o texto 1, assinale o que for correto.
  1. 01)Em “Morreu um menino aqui na favela. Tinha dois meses. Se vivesse ia passar fome.” (linhas 8 e 9), apresenta-se a realidade social da extrema pobreza, da fome e da exclusão vivida pelos moradores da favela.
  2. 02)Na metáfora do título “Quarto de Despejo”, Carolina Maria de Jesus compara a favela a um lugar onde a sociedade “despeja” seus excluídos.
  3. 04)No trecho “... Passei no Frigorifico para pegar ossos.” (linha 4), a autora mostra uma estratégia de sobrevivência dela em meio às condições de vida na favela.
  4. 08)Na negociação da cama com o judeu, é possível reconhecer nas falas dele uma voz social que evidencia os modos de exploração cotidianos na favela.
  5. 16)Em “Sonhei. No sonho eu estava alegre.” (linha 51), é possível reconhecer um modo de resistência da autora.
UEM2025InvernoQuestao 4PortuguêsAdjetivação e posicionamento autoralMedia
Texto 1 Quarto de Despejo: Diário de uma favelada1 Carolina Maria de Jesus [...] 4 DE OUTUBRO Eu deixei o leito indisposta porque eu não dormi. O visinho é ademarista2 roxo e passou a noite com o radio ligado. ...Passei no Frigorifico para pegar ossos. Graças as eleições havia muito papel nas ruas. Os rádios estão transmitindo os resultados eleitoraes. As urnas favorece o senhor Carvalho Pinto3. 7 DE OUTUBRO Morreu um menino aqui na favela. Tinha dois meses. Se vivesse ia passar fome. 12 DE OUTUBRO ...Houve briga aqui na favela porque o homem que está tomando conta da luz quer 30 cruzeiros por bico. A conta da agua atinge só 1.100 e ele quer cobrar 25 de cada barracão. ...Já faz tanto tempo que estou no mundo que eu estou enjoando de viver. Também, com a fome que eu passo quem é que pode viver contente? 16 DE OUTUBRO ...Vocês já sabem que eu vou carregar agua todos os dias. Agora eu vou modificar o inicio da narrativa diurna, isto é, o que ocorreu comigo durante o dia. 17 DE OUTUBRO Eu fiz os meus deveres e saí com a Vera. Fui na Dona Julita buscar a cama que ela deu-me. Ela está mais alegre porque o seu esposo está melhorando. Enquanto eu estava conversando com a Dona Julita dentro de casa dois meninos carregaram a cama. Corri e alcancei os meninos e tomei a cama. (...) Levei a cama e fui vender para um judeu que compra moveis usados. Ele examinou a cama e disse: — Eu dá 20. — É pouco! A cama vale mais! — Eu dá 25. — É pouco! A cama vale mais! — Eu dá 30. — É pouco! A cama vale mais! — Eu dá 35. — É pouco! A cama vale mais! — Eu dá 40. Mais não dá. Eu já estava começando a ficar nervosa com o nosso dialogo. Ele deu 40 e eu fui embora e parei no portão para observar a Vera que queria mais dinheiro. E dizia: — Se o senhor não dá mais dinheiro eu levo a cama. O judeu deu um tapa no rosto da Vera e ela começou chorar. Ele disse-me: — A senhora dá um cruzeiro para ela, porque eu não tenho trocado. ...Depois que eu jantei fiquei indisposta e fui deitar. Sonhei. No sonho eu estava alegre. [...] 1. Relatos extraídos da obra completa. 2. Eleitores que apoiavam o político paulista Adhemar Pereira de Barros (1901 – 1969), que no período de escrita do Quarto de despejo era filiado ao PSP. 3. Carlos Alberto de Carvalho Pinto (1910-1987): foi efetivamente eleito governador de São Paulo em 1958. Seria ainda ministro da fazenda e senador. JESUS, C.M. Quarto de despejo. São Paulo: Ática, 2014. pp. 124-126. No texto 1, Carolina Maria de Jesus se posiciona em relação a fatos cotidianos da situação precária em que vive, utilizando-se de adjetivos. Assinale a(s) alternativa(s) que expressa(m) esse posicionamento.
  1. 01)“Eu deixei o leito indisposta porque eu não dormi. O visinho é ademarista roxo e passou a noite com o rádio ligado.” (linhas 1 e 2).
  2. 02)16 DE OUTUBRO ...Vocês já sabem que eu vou carregar agua todos os dias. (linhas 18 e 19).
  3. 04)“Fui na Dona Julita buscar a cama que ela deu-me. Ela está mais alegre porque o seu esposo está melhorando.” (linhas 23-25).
  4. 08)“Eu já estava começando a ficar nervosa com o nosso dialogo.” (linhas 40 e 41).
  5. 16)“...Depois que eu jantei fiquei indisposta e fui deitar. Sonhei. No sonho eu estava alegre.” (linhas 50 e 51).
UEM2025VerãoQuestao 4PortuguêsInterpretação de textoMedia
**Texto 2** Brasil e a desigualdade social planejada* Renato Janine Ribeiro 1 Apesar do crescimento da renda dos mais pobres, o 2 Brasil ainda tem pessoas que vivem com R$ 126 por mês ou 3 menos. Na editoria especial do JC Notícias desta sexta-feira, 4 a reflexão é sobre como o país precisa reconhecer seus 5 passados históricos para, assim, conseguir resolver os 6 desníveis na sociedade 7 Na última semana, o IBGE (Instituto Brasileiro de 8 Geografia e Estatística) divulgou mais um dado sobre a 9 discrepância social presente em nosso país. Apesar da renda 10 dos 5% mais pobres ter aumentado cerca de 40% em 2023, 11 essa mesma renda equivale a meros R$ 126 por mês. É 12 preciso destacar, porém, que se trata do maior valor na série 13 histórica de tal levantamento, iniciado em 2012. 14 Sim, existem pessoas em nosso Brasil cuja renda 15 mensal é só um pouco mais de R$ 100. Em paralelo, o mesmo 16 levantamento do IBGE identificou que a renda média do 1% 17 mais rico do país cresceu 13%, passando de R$ 18,3 mil para, 18 aproximadamente, R$ 20,7 mil. 19 Falar de desigualdade social é lidar com um cenário 20 complexo e, infelizmente, plural. A desigualdade social se 21 manifesta na distribuição de renda, no acesso à Educação, nas 22 políticas de Saúde e, até mesmo, no quanto de impostos são 23 pagos por cada um. Portanto, quando um dado aponta 24 elementos dessa desigualdade, ele escancara a necessidade de 25 um conjunto de políticas públicas. 26 Historicamente, o Brasil sempre foi um país que varreu 27 para debaixo do tapete as suas mazelas. Não reconhecemos o 28 desnível social que veio desde a colonização e que o período 29 monárquico não apenas não reverteu, mas provavelmente 30 agravou – assim como ainda não reconhecemos todas as 31 vítimas da Ditadura Militar. Somos um país que não enfrenta 32 o seu passado e que, consequentemente, lida com ele nas 33 estatísticas do presente. 34 Convivemos há mais de 500 anos com uma 35 desigualdade social gritante. O nosso projeto de país, de 36 nação, foi pensado para que houvesse uma subordinação, um 37 recorte de quem manda e quem obedece definido por cor, raça 38 e pobreza. É por isso que temos que dizer: a nossa 39 desigualdade social foi e é uma desigualdade planejada, 40 oriunda de inúmeros projetos políticos que comandaram o 41 Brasil. 42 [...] 43 Essa desigualdade social ainda se manifesta na 44 apropriação privada das iniciativas públicas. Qual é a classe 45 social que fica, majoritariamente, sem energia elétrica, 46 enquanto a empresa privatizada não dá explicações? Onde 47 estão os que não possuem água tratada? Quem paga as 48 maiores taxas de telefonia? Quanto mais os serviços 49 essenciais vão para as mãos de quem visa o lucro, 50 continuamos escrevendo a história de exclusão do nosso país. 51 Em algumas conferências preparatórias para a 5ª 52 Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (5ª 53 CNCTI), realizadas neste mês de abril, conversamos sobre o 54 papel das Ciências Humanas e das Humanidades na 55 construção das políticas públicas. Reforçamos, em mais de 56 um encontro, sobre como as Ciências Humanas e Sociais 57 ajudam a olhar para além dos números e, assim, entender as 58 necessidades da sociedade. 59 Agora, temos mais um dado: o Bolsa Família em um 60 ano ajudou a aumentar a renda dos mais pobres em 40%, mas 61 ainda é inadmissível que tenhamos pessoas em nosso país que 62 vivam com R$ 126 por mês. O que é viver com essa quantia? 63 Onde estão as demandas mais urgentes que os governos 64 precisam olhar? 65 Combater a desigualdade social exige uma 66 reestruturação das políticas públicas, algo que o hoje permite. 67 Vivemos um período em que as políticas estão em debate. 68 Não só por conta da 5ª CNCTI, mas por termos um Governo 69 Federal que vem reativando todos os espaços de participação 70 popular – muitos, fechados e censurados nas duas gestões 71 presidenciais anteriores. O espaço para falarmos e fazermos 72 política existe, agora precisamos ocupar cada vez mais esses 73 espaços para que as mudanças sociais ocorram na prática. * Texto publicado como editorial do jornal JC Notícias (Renato Janine Ribeiro, presidente da SBPC). Assinale o que for correto em relação ao texto 2.
  1. 01)O texto apresenta como tese central que a desigualdade social brasileira é resultado de inúmeros projetos políticos que comandaram o país.
  2. 02)As políticas públicas atuais são suficientes para reverter a desigualdade social no país.
  3. 04)O texto argumenta que o período monárquico não reverteu, mas provavelmente agravou a desigualdade social no país.
  4. 08)Além da distribuição de renda, o editorial argumenta que a desigualdade social se manifesta apenas no acesso à educação e nas políticas de saúde.
  5. 16)O editorial destaca que o programa Bolsa Família ajudou a aumentar a renda dos mais pobres em 40%.
UEM2025InvernoQuestao 5PortuguêsInterpretação de textoMedia
Texto 2 Despejo na favela Adoniran Barbosa Quando o oficial de justiça chegou lá na favela. E, contra seu desejo, entregou pra seu Narciso um aviso, uma ordem de despejo assinada, seu doutor. Assim dizia a petição: “Dentro de dez dias, quero a favela vazia e os barracos todos no chão”. É uma ordem superior! Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor! É uma ordem superior! Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor! É uma ordem superior! Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor! É uma ordem superior! Não tem nada, não, seu doutor. Não tem nada, não. Amanhã mesmo, vou deixar meu barracão. Não tem nada, não, seu doutor. Vou sair daqui pra não ouvir o ronco do trator. Pra mim não tem probrema, em qualquer canto, eu me arrumo. De qualquer jeito, eu me ajeito. Depois, o que eu tenho é tão pouco. Minha mudança é tão pequena que cabe no bolso de trás. Mas essa gente aí, hein? Como é que faz? Mas essa gente aí, hein? Como é que faz? Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor! Essa gente aí, Como é que faz? Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor! Essa gente aí, Como é que faz? Adaptado da canção: BARBOSA, A. Despejo na Favela. In: BARBOSA, A. Adoniran Barbosa. Rio de Janeiro: EMI, 2003. Disponível em: https://open.spotify.com/album/78XPjO3BFPcWtCqiGv YbOd?si=Ebm XfhWFT9mL2_DCGVFY6Q De acordo com o texto 2, assinale o que for correto.
  1. 01)O texto é predominantemente narrativo, abordando o recebimento de uma ordem de despejo por uma comunidade de baixa renda.
  2. 02)O uso de “seu” (linhas 3 e 4) é distinto do ponto de vista sintático e semântico: o primeiro é um pronome usado para indicar posse, o segundo, uma forma de tratamento que se refere a um indivíduo específico.
  3. 04)Na linha 10, a expressão “no chão”, além de localizar espacialmente “os barracos”, atua, no texto, para qualificá-los como destruídos.
  4. 08)O fato de a petição do despejo narrado estar embasada em uma “ordem superior” (linhas 12, 14, 16 e 18) atesta que a favela foi construída em um local de propriedade privada.
  5. 16)A repetição de frases e a presença do segmento “Ô, ô, ô, ô, ô” (linhas 13, 15, 17, 38 e 41) são recursos usados no refrão da canção de Adoniran Babosa, típico do gênero canção.
UEM2025VerãoQuestao 5PortuguêsGênero textual (editorial)Media
**Texto 2** Brasil e a desigualdade social planejada* Renato Janine Ribeiro 1 Apesar do crescimento da renda dos mais pobres, o 2 Brasil ainda tem pessoas que vivem com R$ 126 por mês ou 3 menos. Na editoria especial do JC Notícias desta sexta-feira, 4 a reflexão é sobre como o país precisa reconhecer seus 5 passados históricos para, assim, conseguir resolver os 6 desníveis na sociedade 7 Na última semana, o IBGE (Instituto Brasileiro de 8 Geografia e Estatística) divulgou mais um dado sobre a 9 discrepância social presente em nosso país. Apesar da renda 10 dos 5% mais pobres ter aumentado cerca de 40% em 2023, 11 essa mesma renda equivale a meros R$ 126 por mês. É 12 preciso destacar, porém, que se trata do maior valor na série 13 histórica de tal levantamento, iniciado em 2012. 14 Sim, existem pessoas em nosso Brasil cuja renda 15 mensal é só um pouco mais de R$ 100. Em paralelo, o mesmo 16 levantamento do IBGE identificou que a renda média do 1% 17 mais rico do país cresceu 13%, passando de R$ 18,3 mil para, 18 aproximadamente, R$ 20,7 mil. 19 Falar de desigualdade social é lidar com um cenário 20 complexo e, infelizmente, plural. A desigualdade social se 21 manifesta na distribuição de renda, no acesso à Educação, nas 22 políticas de Saúde e, até mesmo, no quanto de impostos são 23 pagos por cada um. Portanto, quando um dado aponta 24 elementos dessa desigualdade, ele escancara a necessidade de 25 um conjunto de políticas públicas. 26 Historicamente, o Brasil sempre foi um país que varreu 27 para debaixo do tapete as suas mazelas. Não reconhecemos o 28 desnível social que veio desde a colonização e que o período 29 monárquico não apenas não reverteu, mas provavelmente 30 agravou – assim como ainda não reconhecemos todas as 31 vítimas da Ditadura Militar. Somos um país que não enfrenta 32 o seu passado e que, consequentemente, lida com ele nas 33 estatísticas do presente. 34 Convivemos há mais de 500 anos com uma 35 desigualdade social gritante. O nosso projeto de país, de 36 nação, foi pensado para que houvesse uma subordinação, um 37 recorte de quem manda e quem obedece definido por cor, raça 38 e pobreza. É por isso que temos que dizer: a nossa 39 desigualdade social foi e é uma desigualdade planejada, 40 oriunda de inúmeros projetos políticos que comandaram o 41 Brasil. 42 [...] 43 Essa desigualdade social ainda se manifesta na 44 apropriação privada das iniciativas públicas. Qual é a classe 45 social que fica, majoritariamente, sem energia elétrica, 46 enquanto a empresa privatizada não dá explicações? Onde 47 estão os que não possuem água tratada? Quem paga as 48 maiores taxas de telefonia? Quanto mais os serviços 49 essenciais vão para as mãos de quem visa o lucro, 50 continuamos escrevendo a história de exclusão do nosso país. 51 Em algumas conferências preparatórias para a 5ª 52 Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (5ª 53 CNCTI), realizadas neste mês de abril, conversamos sobre o 54 papel das Ciências Humanas e das Humanidades na 55 construção das políticas públicas. Reforçamos, em mais de 56 um encontro, sobre como as Ciências Humanas e Sociais 57 ajudam a olhar para além dos números e, assim, entender as 58 necessidades da sociedade. 59 Agora, temos mais um dado: o Bolsa Família em um 60 ano ajudou a aumentar a renda dos mais pobres em 40%, mas 61 ainda é inadmissível que tenhamos pessoas em nosso país que 62 vivam com R$ 126 por mês. O que é viver com essa quantia? 63 Onde estão as demandas mais urgentes que os governos 64 precisam olhar? 65 Combater a desigualdade social exige uma 66 reestruturação das políticas públicas, algo que o hoje permite. 67 Vivemos um período em que as políticas estão em debate. 68 Não só por conta da 5ª CNCTI, mas por termos um Governo 69 Federal que vem reativando todos os espaços de participação 70 popular – muitos, fechados e censurados nas duas gestões 71 presidenciais anteriores. O espaço para falarmos e fazermos 72 política existe, agora precisamos ocupar cada vez mais esses 73 espaços para que as mudanças sociais ocorram na prática. * Texto publicado como editorial do jornal JC Notícias (Renato Janine Ribeiro, presidente da SBPC). Assinale o que for correto em relação ao texto 2.
  1. 01)O texto relaciona a apropriação privada de iniciativas públicas à desigualdade social, citando como exemplo a falta de energia elétrica, de água tratada, e as altas taxas de telefonia para a maioria.
  2. 02)O papel das Ciências Humanas e das Humanidades seria contribuir com a construção de políticas públicas.
  3. 04)O editorial menciona que vivemos um contexto mais favorável para a reestruturação de políticas públicas.
  4. 08)A recomendação do autor para que as mudanças sociais ocorram na prática é ocupar cada vez mais os espaços para fazer política e falar.
  5. 16)O principal objetivo do editorial foi expressar a opinião e o posicionamento do autor (que representa a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)) sobre a desigualdade social no Brasil.
UEM2025InvernoQuestao 6PortuguêsMarcas de oralidadeMedia
Texto 2 Despejo na favela Adoniran Barbosa Quando o oficial de justiça chegou lá na favela. E, contra seu desejo, entregou pra seu Narciso um aviso, uma ordem de despejo assinada, seu doutor. Assim dizia a petição: “Dentro de dez dias, quero a favela vazia e os barracos todos no chão”. É uma ordem superior! Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor! É uma ordem superior! Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor! É uma ordem superior! Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor! É uma ordem superior! Não tem nada, não, seu doutor. Não tem nada, não. Amanhã mesmo, vou deixar meu barracão. Não tem nada, não, seu doutor. Vou sair daqui pra não ouvir o ronco do trator. Pra mim não tem probrema, em qualquer canto, eu me arrumo. De qualquer jeito, eu me ajeito. Depois, o que eu tenho é tão pouco. Minha mudança é tão pequena que cabe no bolso de trás. Mas essa gente aí, hein? Como é que faz? Mas essa gente aí, hein? Como é que faz? Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor! Essa gente aí, Como é que faz? Ô, ô, ô, ô, ô, meu senhor! Essa gente aí, Como é que faz? Adaptado da canção: BARBOSA, A. Despejo na Favela. In: BARBOSA, A. Adoniran Barbosa. Rio de Janeiro: EMI, 2003. Disponível em: https://open.spotify.com/album/78XPjO3BFPcWtCqiGv YbOd?si=Ebm XfhWFT9mL2_DCGVFY6Q De acordo com o texto 2, assinale o que for correto.
  1. 01)Em “Vou sair daqui / pra não ouvir o ronco do trator.” (linhas 24 e 25) o enunciador manifesta implicitamente o desejo de evitar que fosse testemunha da remoção da favela.
  2. 02)O texto apresenta algumas marcas da oralidade do português brasileiro, como é o caso do emprego de “vou” como verbo auxiliar (linhas 22 e 24).
  3. 04)Em “Não tem nada, não” (linhas, 20, 21 e 23) o uso de “nada” cancela o sentido negativo instaurado pelo emprego do vocábulo “não” do início do trecho.
  4. 08)O vocábulo “probrema” (linha 27) é típico do português popular falado do Brasil e varia em relação à forma padrão problema.
  5. 16)Na linha 29, optou-se pelo uso dos vocábulos “jeito”, e “ajeito”, e esta última é uma forma flexionada derivada da primeira.
UEM2025VerãoQuestao 6PortuguêsRecursos linguísticos e coesãoMedia
**Texto 2** Brasil e a desigualdade social planejada* Renato Janine Ribeiro 1 Apesar do crescimento da renda dos mais pobres, o 2 Brasil ainda tem pessoas que vivem com R$ 126 por mês ou 3 menos. Na editoria especial do JC Notícias desta sexta-feira, 4 a reflexão é sobre como o país precisa reconhecer seus 5 passados históricos para, assim, conseguir resolver os 6 desníveis na sociedade 7 Na última semana, o IBGE (Instituto Brasileiro de 8 Geografia e Estatística) divulgou mais um dado sobre a 9 discrepância social presente em nosso país. Apesar da renda 10 dos 5% mais pobres ter aumentado cerca de 40% em 2023, 11 essa mesma renda equivale a meros R$ 126 por mês. É 12 preciso destacar, porém, que se trata do maior valor na série 13 histórica de tal levantamento, iniciado em 2012. 14 Sim, existem pessoas em nosso Brasil cuja renda 15 mensal é só um pouco mais de R$ 100. Em paralelo, o mesmo 16 levantamento do IBGE identificou que a renda média do 1% 17 mais rico do país cresceu 13%, passando de R$ 18,3 mil para, 18 aproximadamente, R$ 20,7 mil. 19 Falar de desigualdade social é lidar com um cenário 20 complexo e, infelizmente, plural. A desigualdade social se 21 manifesta na distribuição de renda, no acesso à Educação, nas 22 políticas de Saúde e, até mesmo, no quanto de impostos são 23 pagos por cada um. Portanto, quando um dado aponta 24 elementos dessa desigualdade, ele escancara a necessidade de 25 um conjunto de políticas públicas. 26 Historicamente, o Brasil sempre foi um país que varreu 27 para debaixo do tapete as suas mazelas. Não reconhecemos o 28 desnível social que veio desde a colonização e que o período 29 monárquico não apenas não reverteu, mas provavelmente 30 agravou – assim como ainda não reconhecemos todas as 31 vítimas da Ditadura Militar. Somos um país que não enfrenta 32 o seu passado e que, consequentemente, lida com ele nas 33 estatísticas do presente. 34 Convivemos há mais de 500 anos com uma 35 desigualdade social gritante. O nosso projeto de país, de 36 nação, foi pensado para que houvesse uma subordinação, um 37 recorte de quem manda e quem obedece definido por cor, raça 38 e pobreza. É por isso que temos que dizer: a nossa 39 desigualdade social foi e é uma desigualdade planejada, 40 oriunda de inúmeros projetos políticos que comandaram o 41 Brasil. 42 [...] 43 Essa desigualdade social ainda se manifesta na 44 apropriação privada das iniciativas públicas. Qual é a classe 45 social que fica, majoritariamente, sem energia elétrica, 46 enquanto a empresa privatizada não dá explicações? Onde 47 estão os que não possuem água tratada? Quem paga as 48 maiores taxas de telefonia? Quanto mais os serviços 49 essenciais vão para as mãos de quem visa o lucro, 50 continuamos escrevendo a história de exclusão do nosso país. 51 Em algumas conferências preparatórias para a 5ª 52 Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (5ª 53 CNCTI), realizadas neste mês de abril, conversamos sobre o 54 papel das Ciências Humanas e das Humanidades na 55 construção das políticas públicas. Reforçamos, em mais de 56 um encontro, sobre como as Ciências Humanas e Sociais 57 ajudam a olhar para além dos números e, assim, entender as 58 necessidades da sociedade. 59 Agora, temos mais um dado: o Bolsa Família em um 60 ano ajudou a aumentar a renda dos mais pobres em 40%, mas 61 ainda é inadmissível que tenhamos pessoas em nosso país que 62 vivam com R$ 126 por mês. O que é viver com essa quantia? 63 Onde estão as demandas mais urgentes que os governos 64 precisam olhar? 65 Combater a desigualdade social exige uma 66 reestruturação das políticas públicas, algo que o hoje permite. 67 Vivemos um período em que as políticas estão em debate. 68 Não só por conta da 5ª CNCTI, mas por termos um Governo 69 Federal que vem reativando todos os espaços de participação 70 popular – muitos, fechados e censurados nas duas gestões 71 presidenciais anteriores. O espaço para falarmos e fazermos 72 política existe, agora precisamos ocupar cada vez mais esses 73 espaços para que as mudanças sociais ocorram na prática. * Texto publicado como editorial do jornal JC Notícias (Renato Janine Ribeiro, presidente da SBPC). Assinale o que for correto.
  1. 01)Em “Historicamente, o Brasil sempre foi um país que varreu para debaixo do tapete as suas mazelas.” (linhas 26 e 27), a metáfora em negrito sugere que o Brasil escondeu seus problemas sociais e históricos, evitando enfrentá-los abertamente.
  2. 02)Em “É preciso destacar, porém, que se trata do maior valor na série histórica de tal levantamento, iniciado em 2012.” (linhas 11-13), o termo em destaque é uma conjunção adversativa que introduz uma ressalva importante após a informação do aumento da renda.
  3. 04)Em “Falar de desigualdade social é lidar com um cenário complexo e, infelizmente, plural.” (linhas 19 e 20), o autor, com o uso do vocábulo “infelizmente”, expressa uma avaliação negativa sobre a pluralidade da desigualdade.
  4. 08)O contraste entre o crescimento de renda da população mais pobre com a parcela mais rica, em 2023, mostra um equacionamento da questão da desigualdade social no Brasil.
  5. 16)O uso de sentenças interrogativas, como em “O que é viver com essa quantia? Onde estão as demandas mais urgentes que os governos precisam olhar?” (linhas 62-64), constitui o estilo da linguagem do gênero editorial.
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