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UEMA20201a faseQuestao 1PortuguêsLiteratura brasileira (Memórias de um Sargento de Milícias)MediaO livro Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida, foi publicado em folhetins no ano de 1853. Caracteriza-se por documentar os costumes, os comportamentos e os tipos sociais da classe média da sociedade brasileira do tempo do rei D. João VI, ignorados pela literatura até então. É considerado um clássico da literatura brasileira do século XIX. O fragmento a seguir é parte do capítulo intitulado Estralada, no qual o personagem Leonardo Pataca, para vingar-se de um desafeto seu, contrata o valentão Chico-Juca. Leia-o para responder à questão 01. [...] — Isto passa de mais... varro... menos essa, senhor Chico-Juca; nada de graças pesadas com essa moça, que é cá coisa minha... O Chico-Juca estava com efeito há mais de meia hora a dirigir graçolas das suas a uma moça que ele bem sabia que era coisa do rapaz que estava tocando; tanto fez que este, tendo percebido, proferiu aquelas palavras que acabamos de ouvir. — Você respinga?!... - respondeu-lhe o Chico-Juca dirigindo-se para ele. O rapaz, que não era peco, pôs-se em pé e replicou: — Tenho dito, nada de graças com ela!... [...] ALMEIDA, M. A. Memórias de um Sargento de Milícias. Porto Alegre: L&PM, 2015. A voz narrativa predominante no livro Memórias de um Sargento de Milícias é a 3ª. pessoa, o que pode criar um certo distanciamento do narrador em relação aos fatos narrados. No fragmento, notase que essa voz oscila, revelando um narrador que se coloca como testemunha da situação retratada, conforme o seguinte trecho:
- A)“— Tenho dito, nada de graças com ela!...” (5º.§)
- B)“[...] proferiu aquelas palavras que acabamos de ouvir.” (2º.§)
- C)“[...] nada de graças pesadas com essa moça, que é cá coisa minha...” (1º.§)
- D)“— Você respinga?!... respondeu-lhe o Chico-Juca dirigindo-se para ele.” (3º.§)
- E)“O rapaz, que não era peco, pôs-se em pé e replicou:” (4º.§)
UEMA20201a faseQuestao 2PortuguêsLiteratura brasileira (Memórias de um Sargento de Milícias)MediaO fragmento a seguir foi extraído do capítulo Despedida às travessuras. Nele, narram-se as traquinagens de Leonardo durante uma procissão que representava a via-sacra.
[...] Era a via-sacra do Bom Jesus. Há bem pouco tempo existiam ainda em certas ruas desta cidade cruzes negras pregadas pelas paredes de espaço em espaço. Às quartas-feiras e em outros dias da semana saía do Bom Jesus e de outras igrejas uma espécie de procissão composta de alguns padres conduzindo cruzes [...] Caminhavam eles em charola atrás da procissão, interrompendo a cantoria com ditérios em voz alta, ora simplesmente engraçados, ora pouco decentes; levavam longos fios de barbante, em cuja extremidade iam penduradas grossas bolas de cera. Se ia por ali ao seu alcance algum infeliz, a quem os anos tivessem despido a cabeça dos cabelos, colocavam-se em distância conveniente e, escondidos por trás de um ou de outro, arremessavam o projétil que ia bater em cheio sobre a calva do devoto; puxavam rapidamente o barbante, e ninguém podia saber donde tinha partido o golpe. Essas e outras cenas excitavam vozeria e gargalhadas na multidão. Era a isto que naqueles devotos tempos se chamava correr a via-sacra.
ALMEIDA, M. A. Memórias de um Sargento de Milícias. Porto Alegre: L&PM, 2015.
Os pronomes demonstrativos, em certos contextos, além de sua função coesiva, atuam como recurso estilístico.
Em “Era a isto que naqueles devotos tempos se chamava correr a via-sacra.”, o pronome “isto”, ao retomar o parágrafo anterior, e associado ao adjetivo devotos, sugere, na fala do narrador, um tom
- A)confessional.
- B)convencional.
- C)comovido.
- D)depreciativo.
- E)vacilante.
UEMA20201a faseQuestao 3PortuguêsRelações sintático-semânticasMediaO fragmento seguinte integra o primeiro capítulo do livro Memórias de um Sargento de Milícias, intitulado Origem, nascimento e batizado. Leia-o para responder à questão que segue.
[...] Os meirinhos de hoje não são mais do que a sombra caricata dos meirinhos do tempo do rei; esses eram gente que temível e temida, respeitável e respeitada; formavam um dos extremos da formidável cadeia judiciária que envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a demanda era entre nós um elemento de vida: o extremo oposto eram os desembargadores. Ora, os extremos se tocam, e estes, tocando-se, fechavam o círculo dentro do qual se passavam os terríveis combates das citações, provarás, razões principais e finais, e todos esses trejeitos judiciais que se chamava o processo. [...]
ALMEIDA, M. A. Memórias de um Sargento de Milícias. Porto Alegre: L&PM, 2015. No contexto, o fragmento “Ora, os extremos se tocam, e estes, tocando-se, fechavam o círculo[...]”, de acordo com as relações sintático-semânticas, contém o sentido equivalente à
- A)oposição.
- B)condicionalidade.
- C)conformidade.
- D)comparação.
- E)finalidade.
UEMA20201a faseQuestao 4PortuguêsInterpretação de texto literárioMediaDo capítulo Contrariedades, extraiu-se o fragmento que segue. Leia-o para responder à questão.
[...] Se tinha alguma virtude, era a de não enganar pela cara. Entre todas as suas qualidades possuía uma que felizmente caracterizava naquele tempo, e talvez que ainda hoje, positiva e claramente o fluminense, era a maledicência. José Manuel era uma crônica viva, porém crônica escandalosa, não só de todos os seus conhecimentos e amigos, e das famílias destes, mas ainda dos conhecidos e amigos dos seus amigos e conhecidos e de suas famílias. Debaixo do mais fútil pretexto tomava a palavra, e enfiava um discurso de duas horas sobre a vida de fulano ou de beltrano.
ALMEIDA, M. A. Memórias de um Sargento de Milícias. Porto Alegre: L&PM, 2015.
No fragmento, considerando o contexto da obra, nota-se a presença da conotação enfática quando o narrador emprega a expressão
- A)“todos os seus conhecimentos e amigos” (L.3/4)
- B)“crônica viva” (L.3)
- C)“fútil pretexto” (L.6)
- D)“amigos dos seus amigos” (L.4)
- E)“fulano ou de beltrano.” (L.6)
UEMA20201a faseQuestao 5PortuguêsInterpretação de texto literárioMediaO texto a seguir, extraído do capítulo Caldo Entornado, serve de base para responder à questão.
[...] Um dia o toma-largura tinha saído em serviço; ninguém esperava por ele tão cedo; eram onze horas da manhã. O Leonardo, por um daqueles milhares de escaninhos que existem na ucharia, tinha ido ter à casa do toma-largura. Ninguém porém pense que era para maus fins. Pelo contrário era para o fim muito louvável de levar à pobre moça uma tigela de caldo do que há pouco fora mandado a el-rei... Obséquio de empregado da ucharia. Não há aqui nada de censurável. Seria entretanto muito digno de censura que quem recebia tal obséquio não o procurasse pagar com um extremo de civilidade; a moça convidou pois ao Leonardo para ajudá-la a tomar o caldo. E que grosseiro seria ele se não aceitasse tão belo oferecimento? Aceitou.[...]
ALMEIDA, M. A. Memórias de um Sargento de Milícias. Porto Alegre: L&PM, 2015. No livro Memórias de um Sargento de Milícias, são relatados alguns dos casos amorosos do personagem Leonardo. No fragmento acima, considerando a ironia do narrador, a ideia de que Leonardo teria um interesse particular pela jovem encontra respaldo no fato de o personagem
- A)visitá-la tão somente na ausência do marido.
- B)dirigir-se furtivamente à casa do toma-largura.
- C)levar-lhe da mesma comida servida ao rei.
- D)preocupar-se com a qualidade de sua alimentação.
- E)prestar-lhe um favor sem segundas intenções.
UEMA20201a faseQuestao 6PortuguêsPoesia de Manuel BandeiraMediaLeia o texto que segue para responder às questões 06, 07 e 08.
Manuel Bandeira, autor de Libertinagem (1930), insere-se na primeira Geração do Modernismo no Brasil. Sua obra, também influenciada por sua história de vida, rompeu com os padrões rígidos ditados pela produção anterior ao Modernismo. Ocupa lugar de relevância na produção poética brasileira no séc. XX, sendo um dos poetas conhecidos e estudados na contemporaneidade. Especificamente, Libertinagem acompanha o ideário do grupo modernista da Semana de 22.
Lenda brasileira
A moita buliu. Bentinho Jararaca levou a arma à cara: o que saiu do mato foi o Veado Branco! Bentinho ficou pregado no chão. Quis puxar o gatilho e não pôde. - Deus me perdoe! Mas o Cussaruim veio vindo, veio vindo, parou junto do caçador e começou a comer devagarinho o cano da espingarda.
BANDEIRA, M. Libertinagem. 2 ed. São Paulo: Global, 2013.
Do conjunto de propostas defendidas pelo grupo modernista de 22, o poema Lenda brasileira ilustra o recurso do/a
- A)fragmentação poética, assinalada pela presença do elemento religioso.
- B)nacionalismo crítico, marcado pela incorporação da oralidade.
- C)revisionismo do passado histórico, tematizando a cultura popular.
- D)poema-piada, com versos irônicos, livres e satíricos.
- E)poema em prosa, com recuperação de elementos do folclore brasileiro.
UEMA20201a faseQuestao 7PortuguêsPoesia de Manuel BandeiraMediaLeia o texto que segue para responder às questões 06, 07 e 08.
Manuel Bandeira, autor de Libertinagem (1930), insere-se na primeira Geração do Modernismo no Brasil. Sua obra, também influenciada por sua história de vida, rompeu com os padrões rígidos ditados pela produção anterior ao Modernismo. Ocupa lugar de relevância na produção poética brasileira no séc. XX, sendo um dos poetas conhecidos e estudados na contemporaneidade. Especificamente, Libertinagem acompanha o ideário do grupo modernista da Semana de 22.
Lenda brasileira
A moita buliu. Bentinho Jararaca levou a arma à cara: o que saiu do mato foi o Veado Branco! Bentinho ficou pregado no chão. Quis puxar o gatilho e não pôde. - Deus me perdoe! Mas o Cussaruim veio vindo, veio vindo, parou junto do caçador e começou a comer devagarinho o cano da espingarda.
BANDEIRA, M. Libertinagem. 2 ed. São Paulo: Global, 2013.
EDUCAÇÃO SUPERIOR
Do conjunto de propostas defendidas pelo grupo modernista de 22, o poema Lenda brasileira ilustra o recurso do/a
Em “A moita buliu”, considerando o contexto do poema, o verbo destacado tem sentido semelhante na seguinte frase:
- A)A informação do acidente buliu comigo.
- B)Você buliu com ele, agora aguente as consequências.
- C)Buliu com a avó o dia inteiro, agora está de castigo.
- D)Sempre que se buliu nesse assunto, foi confusão certa.
- E)Assim que o rapaz buliu no cabelo, ela pode notá-lo.
UEMA20201a faseQuestao 8PortuguêsFormação de palavras e semânticaMediaLeia o texto que segue para responder às questões 06, 07 e 08.
Manuel Bandeira, autor de Libertinagem (1930), insere-se na primeira Geração do Modernismo no Brasil. Sua obra, também influenciada por sua história de vida, rompeu com os padrões rígidos ditados pela produção anterior ao Modernismo. Ocupa lugar de relevância na produção poética brasileira no séc. XX, sendo um dos poetas conhecidos e estudados na contemporaneidade. Especificamente, Libertinagem acompanha o ideário do grupo modernista da Semana de 22.
Lenda brasileira
A moita buliu. Bentinho Jararaca levou a arma à cara: o que saiu do mato foi o Veado Branco! Bentinho ficou pregado no chão. Quis puxar o gatilho e não pôde. - Deus me perdoe! Mas o Cussaruim veio vindo, veio vindo, parou junto do caçador e começou a comer devagarinho o cano da espingarda.
BANDEIRA, M. Libertinagem. 2 ed. São Paulo: Global, 2013.
EDUCAÇÃO SUPERIOR
Do conjunto de propostas defendidas pelo grupo modernista de 22, o poema Lenda brasileira ilustra o recurso do/a
O termo “Cussaruim” é uma sinonímia para “diabo”, realizada a partir da aproximação com “coisa-ruim” ou “cousa ruim”, expressões populares de certas regiões do Brasil.
No processo formativo de “Cussaruim”, tem-se a
- A)conversão da categoria adjetiva da palavra em substantivo.
- B)prefixação com total modificação do sentido primitivo da palavra.
- C)aglutinação de dois termos com perda da autonomia fonética de um deles.
- D)junção de termos de origens distintas para formação de vocábulo inusitado.
- E)abreviação de partes das duas palavras, mantendo o significado primitivo das palavras.
UEMA20201a faseQuestao 9PortuguêsPoesia de Manuel BandeiraMediaO Último Poema encerra o livro Libertinagem, de Manuel Bandeira.
O Último Poema
Assim eu quereria o meu último poema Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
BANDEIRA, M. Libertinagem. 2 ed. São Paulo: Global, 2013.
O poema estabelece pelo título e pela posição que ocupa um valor metapoético, uma vez que o eu lírico
- A)transporta para a poesia a beleza da simplicidade.
- B)explicita seu dilema existencial.
- C)revela dramaticamente seus medos mais íntimos e secretos.
- D)incorpora na poesia o academicismo parnasiano.
- E)expressa em versos seu desejo poético.
UEMA20201a faseQuestao 10PortuguêsEvocação do Recife (Manuel Bandeira)MediaO trecho a seguir foi extraído do poema Evocação do Recife, de Manuel Bandeira.
[...] A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros Vinha da boca do povo na língua errada do povo Língua certa do povo Porque ele fala gostoso o português do Brasil Ao passo que nós O que fazemos É macaquear A sintaxe lusíada A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem Terras que não sabia onde ficavam Recife... [...] BANDEIRA, M. Libertinagem. 2 ed. São Paulo: Global, 2013. Nos dois versos: “A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros” [...] / “A vida com uma porção de coisas que eu não entendia bem”, o eu-lírico retoma
- A)a sua memória afetiva com delicadeza.
- B)as histórias lidas em livros à época da infância.
- C)a ideologia do passado com autocrítica.
- D)as vivências infantis de modo indiferente.
- E)as frustrações vividas na infância.
UEMA20201a faseQuestao 11PortuguêsEvocação do Recife (Manuel Bandeira)MediaEste é um outro trecho do poema Evocação do Recife.
“[...] A gente brincava no meio da rua Os meninos gritavam: Coelho sai! Não sai! À distância as vozes macias das meninas politonavam: Roseira dá-me uma rosa Craveiro dá-me um botão (Dessas rosas muita rosa Terá morrido em botão...) [...]”
BANDEIRA, M. Libertinagem. 2 ed. São Paulo: Global, 2013.
Sinestesia é a figura de linguagem que associa sensações percebidas por diferentes sentidos. Essa figura está presente no seguinte verso:
- A)“A gente brincava no meio da rua”
- B)“Os meninos gritavam:”
- C)“(Dessas rosas muita rosa...”
- D)“À distância as vozes macias das meninas politonavam”
- E)“Craveiro dá-me um botão”
UEMA20201a faseQuestao 12PortuguêsLiteratura maranhense (Verão no Aquário)MediaVerão no Aquário, publicado em 1963, é o segundo romance da escritora paulistana Lygia Fagundes Telles. O romance passa-se na década de 1960 e evidencia dilemas relacionados ao universo feminino, instaurados, principalmente, na relação conflituosa entre mãe e filha. Leia a passagem a seguir para responder à questão.
Revolvi papéis e livros da minha mesa. Abri gavetas. Por onde andariam meus retratos? [...] Vi um retrato assim do meu pai: um menino débil e louro na sua roupa de marinheiro, a mão direita pousada na mesinha com uma toalha de franja e um vaso de flores em cima, a mão esquerda na cintura, os dedos graciosamente imobilizados pelo fotógrafo, “Vamos, olhe nessa direção!...”. O olhar ainda limpo do rancor pela bem-amada que havia de traí-lo um dia, pela mãe falhando no momento em que não podia falhar, pelo amigo que não era amigo, por Deus que não apareceria para salvá-lo quando ele próprio se erguesse para ferir o próximo assim como foi ferido também. Os ídolos ainda estão inteiros. O menino então sorri e nem o inimigo mais feroz resistirá a esse sorriso de quem se oferece tão sem defesa.
TELES, L. G. Verão no Aquário. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
No trecho, a narradora, ao encontrar o retrato de seu pai quando criança, e associando aquela imagem ao homem que se tornou, percebe-o como um sujeito
- A)medroso.
- B)desamparado.
- C)traiçoeiro.
- D)religioso.
- E)incrédulo.