Prova · UEMA 2023

Prova UEMA 2023: questões por disciplina

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O que caiu na prova 2023

Questões da prova UEMA 2023

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UEMA20231a faseQuestao 1PortuguêsFluxo de consciência na narrativaMedia
Clarice Lispector nasceu em uma aldeia na Ucrânia (Antiga União Soviética). Ao chegar ao Brasil, desembarcou em Manaus, quando tinha dois meses de idade, depois se mudou para Recife. Viveu fora do Brasil, fez leituras de grandes brasileiros e de estrangeiros, trazendo inovações, produzindo um estilo que a tornou uma das grandes escritoras de Língua Portuguesa. Leia um fragmento de um dos capítulos de seu primeiro livro. ALEGRIAS DE JOANA A liberdade que às vezes sentia. Não vinha de reflexões nítidas, mas de um estado como feito de percepções por demais orgânicas para serem formuladas em pensamentos. Às vezes, no fundo da sensação tremulava uma ideia que lhe dava leve consciência de sua espécie e de sua cor. O estado para onde deslizava quando murmurava: eternidade. O próprio pensamento adquiria uma qualidade de eternidade. Aprofundava-se magicamente e alargava-se, sem propriamente um conteúdo e uma forma, mas sem dimensões também. A impressão de que se conseguisse manter-se na sensação por mais uns instantes teria uma revelação — facilmente, como enxergar o resto do mundo apenas inclinando-se da terra para o espaço. Eternidade não era só o tempo, mas algo como a certeza enraizadamente profunda de não poder contê-lo no corpo por causa da morte; a impossibilidade de ultrapassar a eternidade era eternidade; e também era eterno um sentimento em pureza absoluta, quase abstrato. Sobretudo dava ideia de eternidade a impossibilidade de saber quantos seres humanos se sucederiam após seu corpo, que um dia estaria distante do presente com a velocidade de um bólido. Definia eternidade e as explicações nasciam fatais como as pancadas do coração. Delas não mudaria um termo sequer, de tal modo eram sua verdade. Porém mal brotavam, tornavam-se vazias logicamente. Definir a eternidade como uma quantidade maior que o tempo e maior mesmo do que o tempo que a mente humana pode suportar em ideia também não permitiria, ainda assim, alcançar sua duração. Sua qualidade era exatamente não ter quantidade, não ser mensurável e divisível porque tudo o que se podia medir e dividir tinha um princípio e um fim. Eternidade não era a quantidade infinitamente grande que se desgastava, mas eternidade era a sucessão. LISPECTOR, Clarice. Perto do Coração Selvagem: Rio de Janeiro: Rocco, 2019. Em Alegrias de Joana, deve-se compreender que o narrador inicia o texto e o desenvolve, em estilo, no qual predomina a forma
  1. A)linear, privilegiando fatos e transformando-os em relatos objetivos.
  2. B)coloquial da linguagem para expressar com clareza a estrutura episódica ao leitor.
  3. C)distanciada do relato, para que a personagem se manifeste, ela mesma, conforme as marcas verbais em primeira pessoa.
  4. D)estética autônoma, seguindo o ritmo da memória da personagem e do mundo concebido por ela.
  5. E)superficial da concretude pessoal da personagem, retendo a essência dos fatos para alcançar um pacto de leitura.
UEMA20231a faseQuestao 2PortuguêsInterpretação de textoMedia
As três palavras ou expressões que permitem que o leitor reconheça as alegrias de Joana, conforme o fragmento, são as seguintes:
  1. A)eternidade, liberdade, magicamente.
  2. B)orgânicas, terra, morte.
  3. C)tremulava, às vezes, impossibilidade.
  4. D)pensamento, impossibilidade, vazias.
  5. E)desgastava, corpo, bólido.
UEMA20231a faseQuestao 3PortuguêsInterpretação de textoMedia
O trecho a seguir, retirado de Alegrias de Joana, serve de base para responder à questão 03. "Definia eternidade e as explicações nasciam fatais como as pancadas do coração. Delas não mudaria um termo sequer, de tal modo eram sua verdade. Porém mal brotavam, tornavam-se vazias logicamente." Os efeitos semântico-discursivos conseguidos pelo narrador revelam que Joana deixa transparecer a sensação de
  1. A)desinteresse pela eternidade, pois não a questionava, já que as alegrias eram mínimas.
  2. B)impossibilidade para definir a eternidade, pois lhe era inatingível, ainda que suas alegrias fossem momentos eternos.
  3. C)mergulho no inconsciente, pois a eternidade perdia importância ou qualidade diante das situações vividas.
  4. D)fragilidade contínua, pois a eternidade, por ser estática, não traz princípios ou raízes.
  5. E)intolerância, pois trazia o reconhecimento de que a eternidade é um tempo frio e abstrato, ao anular a perpetuação das coisas.
UEMA20231a faseQuestao 4PortuguêsLiteratura brasileira contemporâneaMedia
Analise os seguintes trechos para responder à questão 04. “O estado para onde deslizava quando murmurava: eternidade.” / ”Aprofundava-se magicamente e alargava-se, sem propriamente um conteúdo e uma forma, mas sem dimensões também.” Os trechos podem exemplificar a afirmação de críticos consagrados sobre uma das surpreendentes marcas estilísticas de Clarice Lispector. Essa característica se traduz como
  1. A)escrita de experimentação.
  2. B)contaminação lírica.
  3. C)narração hermética.
  4. D)canto elegíaco.
  5. E)temática cômica.
UEMA20231a faseQuestao 5PortuguêsSemântica e adjetivaçãoMedia
A adjetivação no título da obra de Lispector, "Perto do Coração Selvagem", apresenta carga semântica que revela
  1. A)a concepção de uma mulher indomável, diversa e complexa, com aspectos morais bem definidos, sem se importar com os questionamentos sociais, embora esteja sempre se questionando: a personagem mãe.
  2. B)a atitude de engajamento e de protecionismo, de forma incisiva e questionadora, atento às questões existenciais da filha, revelando-se diferente do espectro masculino da época: o personagem pai.
  3. C)a ação de descentralização e fóbica, com traços de sentimentos de raiva e de outros sentimentos negativos, que se revela anticristã nas relações extrafamiliares: o personagem Otávio.
  4. D)a sensação de medo de sermos vítimas da maldade de outros, marcada, ao mesmo tempo pela sedução por ações más que causam um suspense e deixam em constante expectativa: a personagem Lídia.
  5. E)a acepção de um indivíduo mediado por atitudes de rudeza, um tipo rústico, que não aceita ser doutrinado e inserido em uma moral, pelo menos não sem antes questioná-la: a protagonista Joana.
UEMA20231a faseQuestao 6PortuguêsGêneros literários: conto de fadasMedia
Nas palavras da autora Marina Colasanti, "Uma ideia toda Azul" é um livro de contos de fadas. Antes que o estudante do Ensino Médio se espante com a temática, “num mundo de avançada tecnologia espacial”, a autora julga importante esclarecer que seu interesse e sua busca se voltam para aquela coisa intemporal chamada inconsciente. O Último Rei Todos os dias Kublai-Khan, último rei da dinastia Mogul, subia no alto da muralha da sua fortaleza para encontrar-se com o vento. O vento vinha de longe e tinha o mundo todo para contar. Kublai-Khan nunca tinha saído da sua fortaleza, não conhecia o mundo. Ouvia as palavras do vento e aprendia. — A Terra é redonda e fácil, disse o vento. Ando sempre em frente, e passo pelo mesmo lugar de onde saí. Dei tantas voltas na Terra que ela está enovelada no meu sopro. Kublai-Khan achou bonito ir e voltar sem nunca se perder. Um dia o vento chegou mais frio, vindo das montanhas. — Fui pentear a neve, gelou o vento ao pé do ouvido do rei. A neve é pesada e macia. Debaixo do seu silêncio as sementes se aprontam para a primavera. Só flores brancas furam a neve. Só passos brancos marcam a neve. Na neve mora o Rei do Sono. Kublai-Khan teve desejo de neve. Então prendeu fios de prata na Lua e a empinou contra o vento. Do alto, espelho do frio, a Lua trouxe a neve para Kublai-Khan. E um sono tranquilo. Todos os dias o vento contava seus caminhos no alto da muralha. Todos os dias os longos cabelos do rei deitavam-se no vento e recolhiam seus sons, como uma harpa. [...] COLASANTI, Marina. Uma ideia toda azul. São Paulo: Global, 2005. O rei Kublai-Khan, diariamente, no alto da muralha da sua fortaleza, encontrava-se com o vento. Essa cena, metaforicamente, ilustra o poder de sua alteza. O trecho em análise, contudo, permite ao leitor afirmar que, apesar desse poder, o soberano revela-se suplantado pelo vento. Na trama narrativa, o vento vivencia um
  1. A)inigualável conhecimento sobre as coisas.
  2. B)espantoso retorno a lugares já visitados.
  3. C)incondicional exercício de liberdade.
  4. D)particular domínio sobre o planeta terra.
  5. E)elevado saber sobre a vida hibernal.
UEMA20231a faseQuestao 7PortuguêsConto (Marina Colasanti)Media
O conto a seguir serve de base para responder às questões 07, 08 e 09. Entre as folhas do Verde O O príncipe acordou contente. Era dia de caçada. Os cachorros latiam no pátio do castelo. Vestiu o colete de couro, calçou as botas. Os cavalos batiam os cascos debaixo da janela. Apanhou as luvas e desceu. Lá embaixo parecia uma festa. Os arreios e os pelos dos animais brilhavam ao Sol. Brilhavam os dentes abertos em risadas, as armas, as trompas que deram o sinal de partida. Na floresta também ouviram a trompa e o alarido. Todos souberam que eles vinham. E cada um se escondeu como pode. Só a moça não se escondeu. Acordou com o som da tropa, e estava debruçada no regato quando os caçadores chegaram. Foi assim que o príncipe a viu. Metade mulher, metade corça, bebendo no regato. A mulher tão linda. A corça tão ágil. A mulher ele queria amar, a corça ele queria matar. Se chegasse perto será que ela fugia? Mexeu num galho, ela levantou a cabeça ouvindo. Então o príncipe botou a flecha no arco, retesou a corda, atirou bem na pata direita. E quando a corça-mulher dobrou os joelhos tentando arrancar a flecha, ele correu e a segurou, chamando homens e cães. Levaram a corça para o castelo. Veio o médico, trataram do ferimento. Puseram a corça num quarto de porta trancada. Todos os dias o príncipe ia visitá-la. Só ele tinha a chave. E cada vez se apaixonava mais. Mas a corça-mulher só falava a língua da floresta e o príncipe só sabia ouvir a língua do palácio. Então, ficavam horas se olhando calados, com tanta coisa para dizer. Ele queria dizer que a amava tanto, que queria casar com ela e tê-la para sempre no castelo, que a cobriria de roupas e joias, que chamaria o melhor feiticeiro do reino para fazê-la virar toda mulher. Ela queria dizer que o amava tanto, que queria se casar com ele e levá-lo para a floresta, que lhe ensinaria a gostar dos pássaros e das flores e que pediria à Rainha das Corças para dar-lhe quatro patas ágeis e um belo pelo castanho. Mas o príncipe tinha a chave da porta. E ela não tinha o segredo da palavra. Todos os dias se encontravam. Agora se seguravam as mãos. E no dia em que a primeira lágrima rolou nos olhos dela, o príncipe pensou ter entendido e mandou chamar o feiticeiro. Quando a corça acordou, já não era mais corça. Duas pernas só, e compridas, um corpo branco. Tentou levantar, não conseguiu. O príncipe lhe deu a mão. Vieram as costureiras e a cobriram de roupas. Vieram os joalheiros e a cobriram de joias. Vieram os mestres de dança para ensinar-lhe a andar. Só não tinha a palavra. E o desejo de ser mulher. Sete dias ela levou para aprender sete passos. E na manhã do oitavo dia, quando acordou e viu a porta aberta, juntou sete passos e mais sete, atravessou o corredor, desceu a escada, cruzou o pátio e correu para a floresta à procura de sua Rainha. O Sol ainda brilhava quando a corça saiu da floresta, só corça, não mais mulher. E se pôs a pastar sob as janelas do palácio. COLASANTI, Marina. Uma ideia toda azul. São Paulo: Global, 2005. O conto começa com o relato da felicidade do príncipe porque era um dia de caçada. Ao longo do conto, entretanto, percebe-se que os interesses e a linguagem dos dois personagens da narrativa eram diferentes. O trecho que confirma essa ideia é o seguinte:
  1. A)“Mas corça-mulher só falava a língua da floresta e o príncipe só sabia ouvir a língua do palácio.” Então ficavam horas se olhando calados, com tanta coisa para dizer.“
  2. B)“Ele queria dizer que a amava tanto, que queria casar com ela e tê-la para sempre no castelo, [...]”
  3. C)“Ela queria dizer que o amava tanto, que queria casar com ele e levá-lo para a floresta, que lhe ensinaria a gostar dos pássaros e das flores [...]"
  4. D)“E no dia que a primeira lágrima rolou dos olhos dela, o príncipe pensou ter entendido e mandou chamar o feiticeiro. “
  5. E)“Duas pernas só, e compridas, um corpo branco. Tentou levantar não conseguiu. O príncipe lhe deu a mão. Vieram as costureiras e a cobriram de roupas. Vieram os joalheiros e a cobriram de joias.“
UEMA20231a faseQuestao 8PortuguêsConto (Marina Colasanti)Media
O conto a seguir serve de base para responder às questões 07, 08 e 09. Entre as folhas do Verde O O príncipe acordou contente. Era dia de caçada. Os cachorros latiam no pátio do castelo. Vestiu o colete de couro, calçou as botas. Os cavalos batiam os cascos debaixo da janela. Apanhou as luvas e desceu. Lá embaixo parecia uma festa. Os arreios e os pelos dos animais brilhavam ao Sol. Brilhavam os dentes abertos em risadas, as armas, as trompas que deram o sinal de partida. Na floresta também ouviram a trompa e o alarido. Todos souberam que eles vinham. E cada um se escondeu como pode. Só a moça não se escondeu. Acordou com o som da tropa, e estava debruçada no regato quando os caçadores chegaram. Foi assim que o príncipe a viu. Metade mulher, metade corça, bebendo no regato. A mulher tão linda. A corça tão ágil. A mulher ele queria amar, a corça ele queria matar. Se chegasse perto será que ela fugia? Mexeu num galho, ela levantou a cabeça ouvindo. Então o príncipe botou a flecha no arco, retesou a corda, atirou bem na pata direita. E quando a corça-mulher dobrou os joelhos tentando arrancar a flecha, ele correu e a segurou, chamando homens e cães. Levaram a corça para o castelo. Veio o médico, trataram do ferimento. Puseram a corça num quarto de porta trancada. Todos os dias o príncipe ia visitá-la. Só ele tinha a chave. E cada vez se apaixonava mais. Mas a corça-mulher só falava a língua da floresta e o príncipe só sabia ouvir a língua do palácio. Então, ficavam horas se olhando calados, com tanta coisa para dizer. Ele queria dizer que a amava tanto, que queria casar com ela e tê-la para sempre no castelo, que a cobriria de roupas e joias, que chamaria o melhor feiticeiro do reino para fazê-la virar toda mulher. Ela queria dizer que o amava tanto, que queria se casar com ele e levá-lo para a floresta, que lhe ensinaria a gostar dos pássaros e das flores e que pediria à Rainha das Corças para dar-lhe quatro patas ágeis e um belo pelo castanho. Mas o príncipe tinha a chave da porta. E ela não tinha o segredo da palavra. Todos os dias se encontravam. Agora se seguravam as mãos. E no dia em que a primeira lágrima rolou nos olhos dela, o príncipe pensou ter entendido e mandou chamar o feiticeiro. Quando a corça acordou, já não era mais corça. Duas pernas só, e compridas, um corpo branco. Tentou levantar, não conseguiu. O príncipe lhe deu a mão. Vieram as costureiras e a cobriram de roupas. Vieram os joalheiros e a cobriram de joias. Vieram os mestres de dança para ensinar-lhe a andar. Só não tinha a palavra. E o desejo de ser mulher. Sete dias ela levou para aprender sete passos. E na manhã do oitavo dia, quando acordou e viu a porta aberta, juntou sete passos e mais sete, atravessou o corredor, desceu a escada, cruzou o pátio e correu para a floresta à procura de sua Rainha. O Sol ainda brilhava quando a corça saiu da floresta, só corça, não mais mulher. E se pôs a pastar sob as janelas do palácio. COLASANTI, Marina. Uma ideia toda azul. São Paulo: Global, 2005. O conto começa com o relato da felicidade do príncipe porque era um dia de caçada. Ao longo do conto, entretanto, percebe-se que os interesses e a linguagem dos dois personagens da narrativa eram diferentes. O trecho que confirma essa ideia é o seguinte: O trecho cujos verbos revelam simultaneidade de ações na cena relatada é
  1. A)“Foi assim que o príncipe a viu. Metade mulher, metade corça, bebendo no regato. A mulher tão linda. A corça tão ágil. A mulher ele queria amar, a corça ele queria matar. Se chegasse perto será que ela fugia? [...]”
  2. B)“Todos os dias se encontravam. Agora se seguravam as mãos. E no dia em que a primeira lágrima rolou nos olhos dela, o príncipe pensou ter entendido e mandou chamar o feiticeiro.”
  3. C)“O príncipe acordou contente. Era dia de caçada. Os cachorros latiam no pátio do castelo. Vestiu o colete de couro, calçou as botas. Os cavalos batiam os cascos debaixo da janela. Apanhou as luvas e desceu. Lá embaixo parecia uma festa. Os arreios e os pelos dos animais brilhavam ao sol.”
  4. D)“Quando a corça acordou, já não era mais corça. [...]Tentou levantar, não conseguiu. O príncipe lhe deu a mão”
  5. E)”Sete dias ela levou para aprender sete passos. E na manhã do oitavo dia, quando acordou e viu a porta aberta, juntou sete passos e mais sete, atravessou o corredor, desceu a escada, cruzou o pátio e correu para a floresta à procura de sua Rainha.”
UEMA20231a faseQuestao 9PortuguêsConto (Marina Colasanti)Media
O conto a seguir serve de base para responder às questões 07, 08 e 09. Entre as folhas do Verde O O príncipe acordou contente. Era dia de caçada. Os cachorros latiam no pátio do castelo. Vestiu o colete de couro, calçou as botas. Os cavalos batiam os cascos debaixo da janela. Apanhou as luvas e desceu. Lá embaixo parecia uma festa. Os arreios e os pelos dos animais brilhavam ao Sol. Brilhavam os dentes abertos em risadas, as armas, as trompas que deram o sinal de partida. Na floresta também ouviram a trompa e o alarido. Todos souberam que eles vinham. E cada um se escondeu como pode. Só a moça não se escondeu. Acordou com o som da tropa, e estava debruçada no regato quando os caçadores chegaram. Foi assim que o príncipe a viu. Metade mulher, metade corça, bebendo no regato. A mulher tão linda. A corça tão ágil. A mulher ele queria amar, a corça ele queria matar. Se chegasse perto será que ela fugia? Mexeu num galho, ela levantou a cabeça ouvindo. Então o príncipe botou a flecha no arco, retesou a corda, atirou bem na pata direita. E quando a corça-mulher dobrou os joelhos tentando arrancar a flecha, ele correu e a segurou, chamando homens e cães. Levaram a corça para o castelo. Veio o médico, trataram do ferimento. Puseram a corça num quarto de porta trancada. Todos os dias o príncipe ia visitá-la. Só ele tinha a chave. E cada vez se apaixonava mais. Mas a corça-mulher só falava a língua da floresta e o príncipe só sabia ouvir a língua do palácio. Então, ficavam horas se olhando calados, com tanta coisa para dizer. Ele queria dizer que a amava tanto, que queria casar com ela e tê-la para sempre no castelo, que a cobriria de roupas e joias, que chamaria o melhor feiticeiro do reino para fazê-la virar toda mulher. Ela queria dizer que o amava tanto, que queria se casar com ele e levá-lo para a floresta, que lhe ensinaria a gostar dos pássaros e das flores e que pediria à Rainha das Corças para dar-lhe quatro patas ágeis e um belo pelo castanho. Mas o príncipe tinha a chave da porta. E ela não tinha o segredo da palavra. Todos os dias se encontravam. Agora se seguravam as mãos. E no dia em que a primeira lágrima rolou nos olhos dela, o príncipe pensou ter entendido e mandou chamar o feiticeiro. Quando a corça acordou, já não era mais corça. Duas pernas só, e compridas, um corpo branco. Tentou levantar, não conseguiu. O príncipe lhe deu a mão. Vieram as costureiras e a cobriram de roupas. Vieram os joalheiros e a cobriram de joias. Vieram os mestres de dança para ensinar-lhe a andar. Só não tinha a palavra. E o desejo de ser mulher. Sete dias ela levou para aprender sete passos. E na manhã do oitavo dia, quando acordou e viu a porta aberta, juntou sete passos e mais sete, atravessou o corredor, desceu a escada, cruzou o pátio e correu para a floresta à procura de sua Rainha. O Sol ainda brilhava quando a corça saiu da floresta, só corça, não mais mulher. E se pôs a pastar sob as janelas do palácio. COLASANTI, Marina. Uma ideia toda azul. São Paulo: Global, 2005. O conto começa com o relato da felicidade do príncipe porque era um dia de caçada. Ao longo do conto, entretanto, percebe-se que os interesses e a linguagem dos dois personagens da narrativa eram diferentes. O trecho que confirma essa ideia é o seguinte: Esse conto nos ajuda a explicar a polaridade entre os gêneros que apontam dicotomias biológicas e psicológicas, ilustrando as diferenças entre macho-fêmea, homem-mulher, visto na vida cotidiana como bem-mal, certo-errado, temática central dos contos de fadas. Pode-se depreender, mais de que uma mera dicotomia, que o tema central do conto revela
  1. A)a hierarquização que se faz em torno de um indivíduo privilegiado, ou seja, o homem é positivo, o que torna a mulher negativa, oprimida, excluída.
  2. B)o arranjo entre o desejo de ser e a necessidade de ter, ou seja, o homem deseja e realiza, o que torna a mulher submissa ao que é desejado pelo seu amor.
  3. C)a alternativa possível de diferentes conhecimentos de mundo, ou seja, privilegiando sentimentos, o que torna o homem um predestinado e a mulher, dependente.
  4. D)o reconhecimento catártico em que a mulher tem um procedimento estético, de fazer, ou seja, de querer, enquanto o homem apresenta a visão da realização.
  5. E)a transformação de todos os cidadãos, parecidos uns com os outros, ou seja, irradiando uma força centralizadora e uniformizante.
UEMA20231a faseQuestao 10PortuguêsConto (Marina Colasanti)Media
As questões 10, 11 e 12 tomam como base o conto "Um Espinho de Marfim". Leia o fragmento para responder à questão 10. “Um dia, indo o rei de manhã cedo visitar a filha em seus aposentos, viu o unicórnio na moita de lírios. Quero esse animal para mim. E imediatamente ordenou a caçada.”. COLASANTI, Marina. Uma ideia toda azul. São Paulo: Global, 2005. Em relação às características do rei, recorrendo-se às leis da natureza que se conhecem, de imediato, é sugerida ideia de
  1. A)curiosidade metafísica.
  2. B)aventura e prazer.
  3. C)descoberta inédita.
  4. D)afeição e emotividade.
  5. E)poder e autossuficiência.
UEMA20231a faseQuestao 11PortuguêsConto (Marina Colasanti)Media
As questões 10, 11 e 12 tomam como base o conto "Um Espinho de Marfim". Leia o fragmento para responder à questão 10. “Um dia, indo o rei de manhã cedo visitar a filha em seus aposentos, viu o unicórnio na moita de lírios. Quero esse animal para mim. E imediatamente ordenou a caçada.”. COLASANTI, Marina. Uma ideia toda azul. São Paulo: Global, 2005. Em relação às características do rei, recorrendo-se às leis da natureza que se conhecem, de imediato, é sugerida ideia de Sobre a estilística empregada pela escritora, o emprego de frases nominais, bem pertinentes ao gênero literário de “Um Espinho de Marfim”, está correto na seguinte exemplificação:
  1. A)“Amanhecia o sol e lá estava o unicórnio. Por entre as flores olhava a janela do quarto onde vinha cumprimentar o dia."
  2. B)“Um dia, mais nada. Nenhuma pegada, nenhum sinal da sua presença. E silêncio nas noites.”
  3. C)“Amanhã é o dia. Quero sua palavra cumprida,- disse o rei - virei buscar o unicórnio ao cair do sol.”
  4. D)“Salvar o amor era preciso” “O sol mais uma vez encheu de luz as corolas.“
  5. E)"A princesa aproximou-se. Que animal era aquele de olhos tão mansos retidos pela artimanha de suas tranças?”
UEMA20231a faseQuestao 12PortuguêsConto (Marina Colasanti)Media
As questões 10, 11 e 12 tomam como base o conto "Um Espinho de Marfim". Leia o fragmento para responder à questão 10. “Um dia, indo o rei de manhã cedo visitar a filha em seus aposentos, viu o unicórnio na moita de lírios. Quero esse animal para mim. E imediatamente ordenou a caçada.”. COLASANTI, Marina. Uma ideia toda azul. São Paulo: Global, 2005. Em relação às características do rei, recorrendo-se às leis da natureza que se conhecem, de imediato, é sugerida ideia de Leia o final do conto "Um Espinho de Marfim". "E nesse último dia aproximou a cabeça do seu peito, com suave força, com força de amor empurrando, cravando o espinho de marfim no coração, enfim florido.Quando o rei veio em cobrança da promessa, foi isso que o sol morrente lhe entregou, a rosa de sangue e um feixe de lírios." O leitor pode fazer uma interpretação simbólica do dilema vivido pela princesa que decide por
  1. A)autodestruição por incapacidade de ser.
  2. B)consenso social concreto.
  3. C)vingança abstrata do mundo.
  4. D)ruptura com o sistema instituído.
  5. E)renúncia à fragilidade do amor.
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