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UFSC2018Prova 2Questao 1HistóriaBrasil ColôniaMediaE então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormir sem procurarem maneiras de encobrir suas vergonhas as quais não eram fanadas; e as cabeleiras delas estavam bem rapadas e feitas. [...] Deduzo que é gente bestial e de pouco saber, e por isso tão esquiva. Mas apesar de tudo isso andam bem curados, e muito limpos. E naquilo ainda mais me convenço que são como aves, ou alimárias montesinas. [...] Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a vossa fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências. [...] Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão ir ouvir missa e sermão naquele ilhéu. [...] E assim foi feito. Mandou armar um pavilhão naquele ilhéu, e dentro levantar um altar mui bem arranjado. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual disse o padre frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes que todos assistiram, a qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção. [...] Enquanto assistimos à missa e ao sermão, estaria na praia outra tanta gente, pouco mais ou menos, como a de ontem, com seus arcos e setas, e andava folgando. E olhando-nos, sentaram. E depois de acabada a missa, quando nós sentados atendíamos a pregação, levantaram-se muitos deles e tangeram corno ou buzina e começaram a saltar e dançar um pedaço. [...] O melhor fruto que se pode tirar desta terra me parece ser salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente de que Vossa Alteza deve lançar nesta terra.
PERO Vaz de Caminha. Carta à D. Manuel (excertos). In: Enciclopédia Itaú Cultural de arte e cultura brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2017. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa7833/pero-vaz-de-caminha>. Acesso em: 30 jun. 2017.
Sobre a carta de Pero Vaz de Caminha e o contexto da expansão ultramarina portuguesa, é correto afirmar que:
- 01)na carta, é possível identificar choque e estranhamento entre as diferentes culturas, assim como perceber a iniciativa portuguesa de tomar posse da terra.
- 02)apesar dos rituais católicos descritos na carta, a Igreja Católica não apoiava a iniciativa das navegações portuguesas porque contrariava princípios da instituição sobre as explorações do mundo.
- 04)no relato do autor, há referências aos habitantes como seres que, na sua visão, seriam selvagens.
- 08)a mais conhecida das cartas relacionadas à expedição de Pedro Álvares Cabral é a de Pero Vaz de Caminha, que relata a estada da tripulação durante o tempo em que esteve aportada nas terras encontradas.
- 16)movida pelo grande interesse sobre as terras descobertas, parte da tripulação daquela expedição não seguiu viagem, garantindo assim a posse do lugar ao reino português.
- 32)a carta de Pero Vaz de Caminha reproduz fielmente o que aconteceu durante a estada da armada de Pedro Álvares Cabral, já que esta era a função de Caminha como escrivão.
- 64)fica evidente, pela descrição do autor, o respeito da Coroa portuguesa em relação às crenças e aos costumes dos habitantes da terra.
UFSC2018Prova 1Questao 1PortuguêsVariação linguísticaMediaTexto 1 — O Brasil entre a norma culta e a norma curta
01 Boa parte de nossa elite letrada do século XIX desejava ardentemente viver numa sociedade
02 branca e europeia. Tinha, portanto, de virar as costas para o país real, figurá-lo diferente do
03 que era. Não à toa essa elite defendeu o que se costumava chamar “higienização da raça”,
04 ou seja, a implementação de políticas que resultassem no “embranquecimento” do país.
05 Em matéria de língua, essa elite vivia complexas contradições. Duas realidades eram
06 evidentes para todos: o português de cá tinha diferenças em relação ao português europeu;
07 e aqui dentro o “nosso” português diferia do português do “vulgo”. Na construção do novo
08 país, como resolver esse duplo eixo de diferenças?
09 Quando se acirrou, no século XIX, a questão da norma culta, nossas diferenças foram logo
10 interpretadas como deturpações da língua. Não adiantou José de Alencar, no seu esforço
11 para abrasileirar a norma escrita, apelar para os clássicos, a fim de mostrar a antiguidade de
12 fatos da língua do Brasil. O que prevaleceu foi a imagem de que somos uma sociedade que
13 fala e escreve mal a língua portuguesa. E tudo o que – no português culto brasileiro – não
14 coincidia com certa norma lusitana passou a ser listado por gramatiqueiros pseudopuristas
15 como erro.
16 Nessa guerra, venceram os conservadores, definindo certa norma lusitana do romantismo
17 como modelo para nossa escrita. Como eram claras, inevitáveis e persistentes as diferenças
18 da norma culta brasileira em relação a esse padrão artificialmente fixado, foi preciso construir
19 uma norma “curta”, um discurso categórico, uma contínua desqualificação do falante
20 brasileiro.
21 Nem o desenvolvimento dos estudos filológicos e linguísticos, nem a rebelião literária de
22 1922, nem a crítica da norma curta por nossos melhores filólogos, nada disso conseguiu
23 romper a força do imaginário construído no século XIX. Ainda se diz que os brasileiros falam
24 errado, não sabem falar português, tratam mal sua língua e assim por diante.
25 Não é difícil mostrar com fatos e argumentos lógico-racionais que essas certezas não
26 existem. Mas o imaginário resiste aos fatos, aos argumentos lógico-racionais. Fica, então, a
27 pergunta que não quer calar: como enfrentar poderosos imaginários?
FARACO, C. A. O Brasil entre a norma culta e a norma curta. In: LAGARES, X. C.; BAGNO, M. (Org.). Políticas da norma e conflitos linguísticos. São Paulo: Parábola, 2011, p. 259-275. [Adaptado].
Obs.: A noção de “norma culta” equivale à noção de “variedade padrão”, termo utilizado no Edital 06/Coperve/2017 e no Programa das Disciplinas.
Considerando o Texto 1, é correto afirmar que:
- 01)o assunto principal do texto é a política de “embranquecimento” do Brasil, a qual se implementou com a vinda de imigrantes europeus, que contribuíram significativamente para a chamada “higienização da raça”.
- 02)o autor tem uma atitude conservadora em relação à língua, o que se percebe pela defesa que faz dos autores clássicos lusitanos e por críticas dirigidas a autores brasileiros do romantismo e do modernismo e aos falantes brasileiros em geral.
- 04)o texto é de caráter narrativo, pois relata, de forma objetiva e imparcial, uma sequência cronológica de fatos passados no século XIX, expressos no tempo verbal pretérito perfeito, sem a presença de comentários opinativos do autor.
- 08)a defesa da “higienização da raça” pela elite brasileira do século XIX repercutiu na língua, de modo que as diferenças do português brasileiro em relação ao português europeu foram consideradas como erros que precisavam ser corrigidos.
- 16)o autor contrapõe fatos sócio-históricos que envolvem aspectos gramaticais e literários a um imaginário de certezas que emergiu fortemente no século XIX, e que ainda persiste, segundo o qual o brasileiro fala e escreve mal a língua portuguesa.
UFSC2018Prova 2Questao 2HistóriaHistória da Escrita e seus SuportesMediaO aparecimento da escrita foi tão importante que, durante muito tempo, foi considerado o marco inicial da História. Foi a terceira forma de comunicação elaborada pelo ser humano e provocou grande revolução nos seus costumes. Diferentemente da fala e das pinturas rupestres, a escrita permitiu ao ser humano a comunicação de longo alcance geográfico, a fixação de leis, de regras e penalidades, que viabilizaram a formação de estruturas sociais e políticas estáveis. VAIFAS, Ronaldo. História I (Ensino Médio). 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 30.
Sobre a escrita e a comunicação ao longo da História, é correto afirmar que:
- 01)na região da Mesopotâmia, existia uma escrita chamada de cuneiforme, que serviu, inclusive, para o registro do Código de Hamurabi, conhecido como o primeiro código de leis escritas.
- 02)no Egito antigo, a escrita hieroglífica era privilégio da realeza e só podia ser utilizada para fins administrativos, sendo absolutamente proibida para registros ou pregações religiosas.
- 04)o avanço dos conhecimentos na Europa, a partir do século XV, ganhou grande impulso com a contribuição de Johannes Gutenberg, que, ao desenvolver a impressão com tipos móveis, renovou radicalmente a tipografia e o alcance das produções escritas.
- 08)os povos ágrafos, como muitas sociedades ameríndias e africanas, devem ser considerados menos desenvolvidos do ponto de vista da comunicação por não possuírem escrita.
- 16)durante o período medieval, o livre acesso à leitura, através das diversas bibliotecas espalhadas pelos mosteiros cristãos na Europa, garantiu a consolidação do respeito a dogmas e doutrinas da Igreja.
- 32)sancionada como língua oficial dos surdos no Brasil no início do século XXI, a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), ao contrário dos idiomas essencialmente orais e auditivos, tem como característica ser visual e gestual.
UFSC2018Prova 1Questao 2PortuguêsInterpretação de textoMediaTexto 1 — O Brasil entre a norma culta e a norma curta
01 Boa parte de nossa elite letrada do século XIX desejava ardentemente viver numa sociedade
02 branca e europeia. Tinha, portanto, de virar as costas para o país real, figurá-lo diferente do
03 que era. Não à toa essa elite defendeu o que se costumava chamar “higienização da raça”,
04 ou seja, a implementação de políticas que resultassem no “embranquecimento” do país.
05 Em matéria de língua, essa elite vivia complexas contradições. Duas realidades eram
06 evidentes para todos: o português de cá tinha diferenças em relação ao português europeu;
07 e aqui dentro o “nosso” português diferia do português do “vulgo”. Na construção do novo
08 país, como resolver esse duplo eixo de diferenças?
09 Quando se acirrou, no século XIX, a questão da norma culta, nossas diferenças foram logo
10 interpretadas como deturpações da língua. Não adiantou José de Alencar, no seu esforço
11 para abrasileirar a norma escrita, apelar para os clássicos, a fim de mostrar a antiguidade de
12 fatos da língua do Brasil. O que prevaleceu foi a imagem de que somos uma sociedade que
13 fala e escreve mal a língua portuguesa. E tudo o que – no português culto brasileiro – não
14 coincidia com certa norma lusitana passou a ser listado por gramatiqueiros pseudopuristas
15 como erro.
16 Nessa guerra, venceram os conservadores, definindo certa norma lusitana do romantismo
17 como modelo para nossa escrita. Como eram claras, inevitáveis e persistentes as diferenças
18 da norma culta brasileira em relação a esse padrão artificialmente fixado, foi preciso construir
19 uma norma “curta”, um discurso categórico, uma contínua desqualificação do falante
20 brasileiro.
21 Nem o desenvolvimento dos estudos filológicos e linguísticos, nem a rebelião literária de
22 1922, nem a crítica da norma curta por nossos melhores filólogos, nada disso conseguiu
23 romper a força do imaginário construído no século XIX. Ainda se diz que os brasileiros falam
24 errado, não sabem falar português, tratam mal sua língua e assim por diante.
25 Não é difícil mostrar com fatos e argumentos lógico-racionais que essas certezas não
26 existem. Mas o imaginário resiste aos fatos, aos argumentos lógico-racionais. Fica, então, a
27 pergunta que não quer calar: como enfrentar poderosos imaginários?
FARACO, C. A. O Brasil entre a norma culta e a norma curta. In: LAGARES, X. C.; BAGNO, M. (Org.). Políticas da norma e conflitos linguísticos. São Paulo: Parábola, 2011, p. 259-275. [Adaptado].
Obs.: A noção de “norma culta” equivale à noção de “variedade padrão”, termo utilizado no Edital 06/Coperve/2017 e no Programa das Disciplinas.
Com base no Texto 1, é correto afirmar que:
- 01)o título do texto remete ao contraste que existe, desde o século XIX até os dias atuais, entre o português europeu e o português brasileiro: àquele corresponde a norma culta, efetivamente usada em Portugal; a este, a norma curta, efetivamente usada no Brasil.
- 02)José de Alencar é representante de um ideário romântico de abrasileiramento que defendia uma literatura que expressasse a língua do “vulgo”, contrapondo esta língua ao padrão europeu.
- 04)os termos “norma culta” e “norma curta” remetem a realidades distintas no Brasil, respectivamente: à norma praticada de fato, que corresponde ao português culto brasileiro, e à norma artificial, um padrão categoricamente fixado, que desqualifica o falante brasileiro.
- 08)infere-se que o Brasil ainda vive duas realidades normativas conflitantes no que se refere à língua: o português brasileiro versus o português europeu e o português brasileiro culto versus o português brasileiro popular.
- 16)infere-se que a noção de norma linguística é complexa, pois envolve um entrelaçamento de fatores diversos, além de poderosos elementos do imaginário social.
- 32)os termos “gramatiqueiros” e “pseudopuristas” designam os estudiosos que descrevem a norma culta efetivamente usada pelos brasileiros.
- 64)a escrita brasileira, no século XIX, apresentava fatos da língua diferentes daqueles encontrados em autores clássicos antigos, por isso José de Alencar a considerava uma deturpação da norma europeia.
UFSC2018Prova 1Questao 3PortuguêsInterpretação de textoMediaTexto 1 — O Brasil entre a norma culta e a norma curta
01 Boa parte de nossa elite letrada do século XIX desejava ardentemente viver numa sociedade
02 branca e europeia. Tinha, portanto, de virar as costas para o país real, figurá-lo diferente do
03 que era. Não à toa essa elite defendeu o que se costumava chamar “higienização da raça”,
04 ou seja, a implementação de políticas que resultassem no “embranquecimento” do país.
05 Em matéria de língua, essa elite vivia complexas contradições. Duas realidades eram
06 evidentes para todos: o português de cá tinha diferenças em relação ao português europeu;
07 e aqui dentro o “nosso” português diferia do português do “vulgo”. Na construção do novo
08 país, como resolver esse duplo eixo de diferenças?
09 Quando se acirrou, no século XIX, a questão da norma culta, nossas diferenças foram logo
10 interpretadas como deturpações da língua. Não adiantou José de Alencar, no seu esforço
11 para abrasileirar a norma escrita, apelar para os clássicos, a fim de mostrar a antiguidade de
12 fatos da língua do Brasil. O que prevaleceu foi a imagem de que somos uma sociedade que
13 fala e escreve mal a língua portuguesa. E tudo o que – no português culto brasileiro – não
14 coincidia com certa norma lusitana passou a ser listado por gramatiqueiros pseudopuristas
15 como erro.
16 Nessa guerra, venceram os conservadores, definindo certa norma lusitana do romantismo
17 como modelo para nossa escrita. Como eram claras, inevitáveis e persistentes as diferenças
18 da norma culta brasileira em relação a esse padrão artificialmente fixado, foi preciso construir
19 uma norma “curta”, um discurso categórico, uma contínua desqualificação do falante
20 brasileiro.
21 Nem o desenvolvimento dos estudos filológicos e linguísticos, nem a rebelião literária de
22 1922, nem a crítica da norma curta por nossos melhores filólogos, nada disso conseguiu
23 romper a força do imaginário construído no século XIX. Ainda se diz que os brasileiros falam
24 errado, não sabem falar português, tratam mal sua língua e assim por diante.
25 Não é difícil mostrar com fatos e argumentos lógico-racionais que essas certezas não
26 existem. Mas o imaginário resiste aos fatos, aos argumentos lógico-racionais. Fica, então, a
27 pergunta que não quer calar: como enfrentar poderosos imaginários?
FARACO, C. A. O Brasil entre a norma culta e a norma curta. In: LAGARES, X. C.; BAGNO, M. (Org.). Políticas da norma e conflitos linguísticos. São Paulo: Parábola, 2011, p. 259-275. [Adaptado].
Obs.: A noção de “norma culta” equivale à noção de “variedade padrão”, termo utilizado no Edital 06/Coperve/2017 e no Programa das Disciplinas.
Considerando o Texto 1, é correto afirmar que:
- 01)em “Não à toa essa elite defendeu [...]” (linha 03), a expressão sublinhada pode ser substituída no texto por “ao acaso”, sem prejuízo de significado.
- 02)em “[...] a implementação de políticas que resultassem [...]” (linha 04), o vocábulo sublinhado funciona como pronome relativo, estabelecendo relação entre orações e retomando um antecedente.
- 04)em “o português de cá tinha diferenças [...] e aqui dentro o ‘nosso’ português diferia [...]” (linhas 06-07), os advérbios de lugar sublinhados referem-se a espaços geográficos distintos: Brasil e Portugal, respectivamente.
- 08)as perguntas (linhas 07-08 e 27) são usadas como recursos expressivos, sendo respondidas pelo próprio autor ao longo do texto.
- 16)o sinal de dois-pontos (linhas 06 e 27) é usado, nas duas ocorrências, para introduzir informações que esclarecem o conteúdo apresentado anteriormente em cada uma delas.
- 32)as palavras “higienização” (linha 03), “embranquecimento” (linha 04), “gramatiqueiros” (linha 14) e “desqualificação” (linha 19) são formadas pelo mesmo processo: são nomes abstratos derivados de verbos pelo acréscimo de sufixos.
UFSC2018Prova 2Questao 3HistóriaRepública BrasileiraDificilSobre os partidos políticos na história do Brasil, é correto afirmar que:
- 01)a ANL (Aliança Nacional Libertadora), criada durante os anos 1930, representava a principal força em defesa dos ideais fascistas no Brasil.
- 02)durante a República Populista (1946-1964), o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) manteve sólida aliança com a UDN (União Democrática Nacional) em defesa dos interesses nacionalistas e contra o domínio da elite econômica vinculada ao PSD (Partido Social Democrático).
- 04)o AI-2, instaurado pelo regime militar em 1965, extinguiu os partidos políticos existentes e decretou o bipartidarismo com dois novos partidos políticos: o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), partido oficial de apoio ao governo ditatorial, e a ARENA (Aliança Renovadora Nacional), que reunia as diversas forças de oposição.
- 08)em pleno período monárquico, o avanço das ideias republicanas ficou fortalecido com a criação do PRP (Partido Republicano Paulista), através da Convenção de Itu, em 1873.
- 16)como resultado da vinculação brasileira ao bloco estadunidense durante a Guerra Fria, o governo do general Eurico Gaspar Dutra rompeu relações diplomáticas com a União Soviética e decretou a ilegalidade do PCB (Partido Comunista Brasileiro).
- 32)no final dos anos 1980, o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) sofreu uma importante baixa no seu quadro, quando um grupo de parlamentares de centro-esquerda, liderados por políticos como Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso, deixou o partido para formar o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira).
- 64)temendo a imagem negativa do Partido Conservador no país, o imperador D. Pedro II optou por manter seu gabinete vinculado ao Partido Liberal durante todo o seu governo (1840- 1889).
UFSC2018Prova 2Questao 4HistóriaEscravidão no BrasilMediaShopping de SC decide fechar exposição acusada de naturalizar a escravidão
O Shopping Continente, na cidade de São José, em Santa Catarina, informou que decidiu retirar de suas dependências a exposição “Negras Memórias”. A mostra, que exibia peças e documentos originais do período da escravidão no Brasil, foi acusada por historiadores de reproduzir o discurso escravista. A crítica foi gerada especificamente por uma legenda explicativa fixada em um tronco usado para agredir escravos. [...] “Foi um instrumento utilizado para castigar os escravos rebeldes que haviam cometido delitos ou tinham mau comportamento. Ao contrário do que o senso comum acredita, a maioria dos escravos não sofria maus-tratos cotidianamente. Os instrumentos de punição, assim como este tronco, eram usados em situações específicas. A responsabilidade pelos atos dos escravos eram (sic) dos seus donos, portanto, quando algum deles cometida (sic) um roubo, deveria ser punido e ir para o castigo. Assim, serviria de exemplo para outros escravos infratores.”
Disponível em: <http://painelacademico.uol.com.br/painel-academico/9240-shopping-de-sc-decide-fechar-exposicao-acusada-de-naturalizar-a-escravidao#>. [Adaptado]. Acesso em: 15 ago. 2017.
Sobre o cotidiano de trabalho escravo no Brasil, é correto afirmar que:
- 01)a resistência dos africanos e dos afrodescendentes nas diversas regiões em que se empregou a mão de obra escrava assumiu diferentes formas, de revoltas violentas à preservação de valores e tradições de suas culturas de origem.
- 02)nos centros urbanos, era comum a existência de “escravos de ganho”, ou seja, negros escravizados que trabalhavam por conta própria e entregavam parte do ganho ao seu senhor.
- 04)na produção açucareira, os negros escravizados participavam apenas de parte do processo de produção de açúcar, não exercendo trabalhos mais especializados.
- 08)a criação de irmandades religiosas voltadas à participação dos trabalhadores escravizados foi muito importante no processo de homogeneização cultural dos africanos que chegavam à América portuguesa.
- 16)o texto apresentado na exposição é equivocado por naturalizar a violência sofrida pelos negros escravizados sem abordar os processos de resistência àquela condição social.
- 32)os negros escravizados não sofriam maus-tratos cotidianamente, pois, ao contrário do senso comum, estudos recentes têm dado conta do grande poder de negociação que eles tinham com seus senhores.
- 64)o trabalho escravo em Nossa Senhora do Desterro foi empregado, por exemplo, na pesca baleeira, visando à produção de óleo, muito comum na região entre os séculos XVIII e XIX.
UFSC2018Prova 1Questao 4PortuguêsCoesão e coerênciaDificilTexto 1 — O Brasil entre a norma culta e a norma curta
01 Boa parte de nossa elite letrada do século XIX desejava ardentemente viver numa sociedade
02 branca e europeia. Tinha, portanto, de virar as costas para o país real, figurá-lo diferente do
03 que era. Não à toa essa elite defendeu o que se costumava chamar “higienização da raça”,
04 ou seja, a implementação de políticas que resultassem no “embranquecimento” do país.
05 Em matéria de língua, essa elite vivia complexas contradições. Duas realidades eram
06 evidentes para todos: o português de cá tinha diferenças em relação ao português europeu;
07 e aqui dentro o “nosso” português diferia do português do “vulgo”. Na construção do novo
08 país, como resolver esse duplo eixo de diferenças?
09 Quando se acirrou, no século XIX, a questão da norma culta, nossas diferenças foram logo
10 interpretadas como deturpações da língua. Não adiantou José de Alencar, no seu esforço
11 para abrasileirar a norma escrita, apelar para os clássicos, a fim de mostrar a antiguidade de
12 fatos da língua do Brasil. O que prevaleceu foi a imagem de que somos uma sociedade que
13 fala e escreve mal a língua portuguesa. E tudo o que – no português culto brasileiro – não
14 coincidia com certa norma lusitana passou a ser listado por gramatiqueiros pseudopuristas
15 como erro.
16 Nessa guerra, venceram os conservadores, definindo certa norma lusitana do romantismo
17 como modelo para nossa escrita. Como eram claras, inevitáveis e persistentes as diferenças
18 da norma culta brasileira em relação a esse padrão artificialmente fixado, foi preciso construir
19 uma norma “curta”, um discurso categórico, uma contínua desqualificação do falante
20 brasileiro.
21 Nem o desenvolvimento dos estudos filológicos e linguísticos, nem a rebelião literária de
22 1922, nem a crítica da norma curta por nossos melhores filólogos, nada disso conseguiu
23 romper a força do imaginário construído no século XIX. Ainda se diz que os brasileiros falam
24 errado, não sabem falar português, tratam mal sua língua e assim por diante.
25 Não é difícil mostrar com fatos e argumentos lógico-racionais que essas certezas não
26 existem. Mas o imaginário resiste aos fatos, aos argumentos lógico-racionais. Fica, então, a
27 pergunta que não quer calar: como enfrentar poderosos imaginários?
FARACO, C. A. O Brasil entre a norma culta e a norma curta. In: LAGARES, X. C.; BAGNO, M. (Org.). Políticas da norma e conflitos linguísticos. São Paulo: Parábola, 2011, p. 259-275. [Adaptado].
Obs.: A noção de “norma culta” equivale à noção de “variedade padrão”, termo utilizado no Edital 06/Coperve/2017 e no Programa das Disciplinas.
Considere os trechos abaixo, retirados do Texto 1.
I. Quando se acirrou, no século XIX, a questão da norma culta, nossas diferenças foram logo interpretadas como deturpações da língua. (linhas 09-10) II. O que prevaleceu foi a imagem de que somos uma sociedade que fala e escreve mal a língua portuguesa. (linhas 12-13) III. Como eram claras, inevitáveis e persistentes as diferenças da norma culta brasileira em relação a esse padrão artificialmente fixado, foi preciso construir uma norma “curta”, um discurso categórico, uma contínua desqualificação do falante brasileiro. (linhas 17-20)
Em relação aos trechos, é correto afirmar que:
- 01)em I, o vocábulo “quando” introduz uma informação temporal que situa a época em que a questão da norma se intensificou.
- 02)em I, o vocábulo “logo” funciona como conector que introduz uma oração conclusiva.
- 04)em II, “O que [...] foi” é um recurso de ênfase que pode ser retirado da frase, sem ferir a norma culta da língua escrita.
- 08)em II, há uma relação semântica de causa e consequência: se fala mal, então escreve mal.
- 16)em I e III, a palavra “como” funciona como conector comparativo em cada uma das ocorrências.
- 32)em I e III, os termos “a questão da norma culta” e “as diferenças da norma culta brasileira” funcionam como sujeito e estão em relação de concordância com as formas verbais “acirrou” e “eram”, respectivamente.
- 64)em III, “esse padrão” faz referência a “norma culta brasileira”.
UFSC2018Prova 2Questao 5HistóriaRevolução RussaDificilA Revolução Russa, ocorrida em 1917, foi resultado de diferentes movimentos de insatisfação que culminaram com o fim do czarismo e a criação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). A liderança do operariado russo no processo revolucionário do país ganhou visibilidade internacional e contribuiu para o crescimento das lutas trabalhistas pelo mundo. Sobre o contexto dessa revolução e sobre lutas trabalhistas ao longo do século XX, é correto afirmar que:
- 01)na revolução de fevereiro de 1917, as principais lideranças socialistas operárias russas, Alexander Kerensky e Vladimir Lenin, comandaram a queda do czarismo, retiraram a Rússia da Primeira Guerra Mundial e implantaram um governo inspirado no marxismo.
- 02)no Brasil, em 1917, um movimento operário inspirado em ideais anarquistas liderou uma grande greve que envolveu várias categorias profissionais.
- 04)a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), documento que reúne as leis trabalhistas brasileiras, foi resultado do diálogo estabelecido entre o movimento operário brasileiro e o governo militar durante os anos 1970.
- 08)criado e implantado no governo de João Goulart, em 1963, o Estatuto do Trabalhador Rural Brasileiro foi resultado da articulação entre a bancada ruralista e os movimentos sociais rurais do país.
- 16)entre as medidas tomadas pelo “governo provisório” de Getúlio Vargas (1930-1934), está a criação do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, por meio do qual o Estado passava a intervir nas relações entre patrões e empregados.
- 32)no início do século XX, para se organizarem e lutarem por melhorias, os trabalhadores russos criaram os sovietes, conselhos formados por representantes de operários, camponeses e soldados.
UFSC2018Prova 1Questao 5PortuguêsRomantismoDificilTexto 2
01 A lua vinha assomando pelo cimo das montanhas fronteiras; descobri nessa ocasião, a
02 alguns passos de mim, uma linda moça, que parara um instante para contemplar no
03 horizonte as nuvens brancas esgarçadas sobre o céu azul e estrelado. Admirei-lhe do
04 primeiro olhar um talhe esbelto e de suprema elegância. O vestido que o moldava era
05 cinzento com orlas de veludo castanho, e dava esquisito realce a um desses rostos suaves,
06 puros e diáfanos que parecem vão desfazer-se ao menor sopro, como os tênues vapores
07 da alvorada. Ressumbrava na sua muda contemplação doce melancolia, e não sei que
08 laivos de tão ingênua castidade, que o meu olhar repousou calmo e sereno na mimosa
09 aparição.
ALENCAR, José de. Lucíola. 4. ed. São Paulo: FTD, 1997, p. 14-15.
Com base na leitura e interpretação do Texto 2, na leitura integral do romance Lucíola, de José de Alencar, publicado pela primeira vez em 1862, bem como no contexto sócio-histórico e literário, é correto afirmar que:
- 01)pode-se perceber a idealização do par romântico do século XIX que se materializa com o casamento burguês: a jovem graciosa, meiga, contida e angelical, atributos da personagem Lúcia, e o rapaz belo, corajoso, forte e robusto, qualidades do personagem Paulo.
- 02)no Texto 2, a natureza e a beleza da mulher brasileira são exaltadas para registrar a permanência dos valores primordiais da literatura romântica, e a identidade nacional é valorizada em relação à estrangeira – a europeia.
- 04)04), “um desses rostos suaves, puros e diáfanos” (linhas 05-06), a conjunção “e” relaciona termos que exercem a mesma função sintática na oração.
- 08)o narrador do romance esboça em Lúcia um perfil de mulher burguesa da segunda metade do século XIX: diverte-se em bailes e festas, frequenta teatros, toca piano, lê romances de autores franceses e faz compras na Rua do Ouvidor.
- 16)o Texto 2 retrata, com foco narrativo em primeira pessoa, uma personagem diante de um cenário externo; trata-se de uma descrição em linguagem puramente denotativa, objetiva, dinâmica, isenta de opiniões.
- 32)o Texto 2 é rico em descrição, mesclando sensações e percepções, como se percebe em
07).
- 64)a imagem de Maria da Glória apresentada no Texto 2 é mantida ao longo do romance, mesmo que ela tenha tido a oportunidade de se redimir de suas ações diante do jovem pernambucano.
UFSC2018Prova 2Questao 6HistóriaHistória da AméricaMediaOs dilemas do Haiti Até o início de 2010, podia-se dizer que o Haiti era um país marcado pela pobreza e instabilidade política. Afinal, desde 2004, em meio a um clima de guerra civil, lá estavam tropas de paz da ONU, comandadas pelo governo brasileiro, interessado em ampliar a sua influência no continente – eram mais de sete mil homens! SANTIAGO, Pedro. Por dentro da História, 2. 3. ed. São Paulo: Escala Educacional, 2013, p. 113.
Sobre o Haiti e a trajetória do seu povo, é correto afirmar que:
- 01)considerado um caso singular, o movimento de independência do Haiti foi resultado de um levante popular comandado pela população negra contrária à dominação francesa.
- 02)em 2010, um forte terremoto atingiu o país, deixando o cenário de pobreza e instabilidade política ainda mais grave.
- 04)localizado no noroeste da África, o Haiti possui uma economia baseada na monocultura de cana-de-açúcar e no comércio clandestino de marfim e diamante.
- 08)no final do século XVIII, durante a rebelião escrava que iniciou o processo de independência, o líder François-Dominique Toussaint Louverture determinou a abolição da escravidão no Haiti.
- 16)em função do caráter violento do processo de emancipação, a independência do Haiti ainda não foi reconhecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) e, por essa razão, o país está sob o controle das tropas internacionais.
- 32)a Primavera Árabe e o contexto de guerra civil das últimas décadas estão entre as principais razões para o crescimento da imigração de refugiados haitianos para o Brasil nos últimos anos.
UFSC2018Prova 1Questao 6PortuguêsLiteratura contemporâneaMediaLevando em conta o romance Quarenta dias, de Maria Valéria Rezende, e outros livros recomendados pelo Vestibular da UFSC/2018, é correto afirmar que:
- 01)a escrita exerce a mesma função na vida da personagem Copi, do romance As fantasias eletivas, e da personagem Alice, do romance Quarenta dias: ambas escrevem para se entender melhor, veem na escrita literária uma forma de libertação e pretendem publicar os seus escritos para atingir a fama.
- 02)a personagem Duzu-Querença, da coletânea de contos Olhos d’água, e a personagem Póli, de Quarenta dias, tornaram-se moradoras de rua na velhice.
- 04)Alice, protagonista de Quarenta dias, em sua trajetória pela cidade de Porto Alegre, motivada pela procura por Cícero Araújo, coloca-se em uma condição de peregrinação para resgatar sua origem – a Paraíba – quando se aproxima daqueles que de lá vieram.
- 08)no romance Quarenta dias, na busca de Alice pelo filho de Socorro, pode-se perceber, em vários momentos da narrativa, a força do apelido, tão requerido como marca de identidade dos indivíduos em lugar do nome próprio.
- 16)em Quarenta dias, a professora de meia-idade percorre bairros e vilas de uma cidade do sul do país e vai desenvolvendo uma relação de intimidade com ruas e avenidas, que passam a ser seu espaço de pertencimento, de enraizamento temporário e de lembranças emergentes.
- 32)as frases inacabadas ao final de capítulos do romance Quarenta dias ora sinalizam a suspensão do pensamento elaborado pelo narrador em terceira pessoa, ora intensificam as inquietações que envolvem seus direitos de cidadania.