Prova · UFSC 2019

Prova UFSC 2019: questões por disciplina

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O que caiu na prova 2019

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UFSC2019Prova 2Questao 1HistóriaGuerras MundiaisMedia
Não foi o fim da humanidade, embora houvesse momentos, no curso dos 31 anos de conflito mundial, entre a declaração de guerra austríaca à Sérvia, a 28 de julho de 1914, e a rendição incondicional do Japão, a 14 de agosto de 1945 – quatro dias após a explosão da primeira bomba nuclear –, em que o fim de considerável proporção da raça humana não pareceu muito distante. [...] A humanidade sobreviveu. Contudo, o grande edifício da civilização do século XX desmoronou nas chamas da guerra mundial, quando suas colunas ruíram. Não há como compreender o Breve Século XX sem ela. Ele foi marcado pela guerra. Viveu e pensou em termos de guerra mundial, mesmo quando os canhões se calavam e as bombas não explodiam, sua história e, mais especificamente, a história de sua era inicial de colapso e catástrofe devem começar com a da guerra mundial de 31 anos. HOBSBAWM, Eric. A era dos extremos: o breve século XX (1914-1991). São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 30. [Adaptado]. Com base no texto acima e sobre o processo que levou à eclosão das duas grandes guerras mundiais, é correto afirmar que:
  1. 01)os impactos da Primeira Guerra (1914-1918) determinaram importantes mudanças no cenário político, desencadeando uma nova ordem mundial que desassocia seus resultados das razões para a eclosão da Segunda Guerra (1939-1945).
  2. 02)a vitória dos republicanos na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), apoiados pela URSS, garantiu o domínio da Península Ibérica às forças militares dos países aliados durante a Segunda Guerra Mundial.
  3. 04)a ascensão do nazismo na Alemanha foi facilitada pela estabilidade econômica vivenciada pelo país, que, ao contrário de potências como Estados Unidos, França e Inglaterra, não foi afetado pela crise de 1929.
  4. 08)as origens do fascismo italiano estão relacionadas à fundação de um grupo nacionalista de extrema direita conhecido como Fascio de Combattimento, criado na Itália após a Primeira Guerra sob a liderança de Benito Mussolini.
  5. 16)durante sua ditadura fascista, Benito Mussolini estabeleceu a Carta del Lavoro (Carta de Trabalho), na qual concessões aos trabalhadores misturavam-se com medidas de controle policial.
  6. 32)a Grande Depressão dos anos 1930 atingiu duramente a economia da União Soviética, onde a política stalinista, em oposição às políticas defendidas anteriormente por Lenin, adotava medidas amplamente relacionadas às leis do mercado internacional.
UFSC2019Prova 1Questao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Texto 1 O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo 01 02 Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. Então descobri 03 que não tinha mais passado 04 Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. 05 Então descobri que não tinha mais passado. 06 Diante de mim, o Museu Nacional do Rio queimava. 07 O crânio de Luzia, a “primeira brasileira”, entre 12.500 e 13 mil anos, queimava. Uma 08 das mais completas coleções de pterossauros do mundo queimava. Objetos que 09 sobreviveram à destruição de Pompeia queimavam. A múmia do antigo Egito queimava. 10 Milhares de artefatos dos povos indígenas do Brasil queimavam. 11 Vinte milhões de memória de alguma coisa tentando ser um país queimavam. 12 O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos. O excesso de realidade 13 nos joga no não tempo. No sem tempo. No fora do tempo. 14 O Museu Nacional em chamas. Um bombeiro esguichando água com uma mangueira 15 um pouco maior do que a que eu tenho na minha casa. O Museu Nacional queimando. Sem 16 água em parte dos hidrantes, depois de quatro horas de incêndio ainda chegavam caminhões- 17 pipa com água potável. O Museu Nacional queimando. Uma equipe tentava tirar água do lago 18 da Quinta da Boa Vista. O Museu Nacional queimando. A PM impedia as pessoas de avançar 19 para tentar salvar alguma coisa. O Museu Nacional queimando. Outras pessoas tentavam 20 furtar o celular e a carteira de quem tentava entrar para ajudar ou só estava imóvel diante dos 21 portões tentando compreender como viver sem metáforas. 22 Brasil é você. Não posso ser aquele que não é. 23 O Museu Nacional queimando. 24 O que há mais para dizer agora que as palavras já não dizem e a realidade se colocou 25 além da interpretação? 26 Diante do Museu Nacional em chamas, de costas para o palácio, de frente para onde 27 deveria estar o povo, Dom Pedro II em estátua. Sua família tinha tentado inventar um país e o 28 fundaram sobre corpos humanos. Seu avô, Dom João VI, criou aquele museu no Palácio de 29 São Cristóvão. Dom Pedro II está no centro, circunspecto, um homem feito de pedra, um 30 imperador. Diante da parte esquerda do museu, indígenas de diferentes etnias observam as 31 chamas como se mais uma vez fossem eles que estivessem queimando. Estão. É o maior 32 acervo de línguas indígenas da América Latina, diz Urutau Guajajara. É a nossa memória que 33 estão apagando. É o golpe, é o golpe. Poderiam ter salvo, e não salvaram, ele grita. 34 Nunca salvaram. Há 500 anos não salvam. 35 As costas de Pedro ferviam. 36 Quando soube que o museu queimava, eu dividi um táxi com um jornalista britânico e 37 uma atriz brasileira com uma câmera na mão. “Não é só como se o British Museum estivesse 38 queimando, é como se junto com ele estivesse também o Palácio de Buckingham”, disse 39 Jonathan Watts. “Não há mais possibilidade de fazer documentário”, afirmou Gabriela 40 Carneiro da Cunha. “A realidade é Science Fiction.” 41 Eu, que vivo com as palavras e das palavras, não consigo dizer. Sem passado, indo 42 para o Museu do Amanhã, sou convertida em muda. Esvazio de memória como o Museu 43 Nacional. Chamas dentro de todo ele, uma casca do lado de fora. Sou também eu. Uma casca 44 que anda por um país sem país. Eu, sem Luzia, uma não mulher em lugar nenhum. 45 A frase ecoa em mim. E ecoa. Fere minhas paredes em carne viva. 46 “O Brasil é um construtor de ruínas. O Brasil constrói ruínas em dimensões 47 continentais.” 48 A frase reverbera nos corredores vazios do meu corpo. Se a primeira brasileira 49 incendiou-se, que brasileira posso ser eu? 50 O que poderia expressar melhor este momento? A história do Brasil queima. A matriz 51 europeia que inventou um palácio e fez dele um museu. Os indígenas que choram do lado de 52 fora porque suas línguas se incineram lá dentro. E eu preciso alcançar o Museu do Amanhã. 53 Mas o Brasil já não é o país do futuro. O Brasil perdeu a possibilidade de imaginar um futuro. 54 O Brasil está em chamas. 55 O Museu Nacional sem recursos do Governo federal. Os funcionários do Museu 56 Nacional fazendo vaquinha na Internet para reabrir a sala principal. O Museu Nacional 57 morrendo de abandono. O Museu Nacional sem manutenção. O Rio de Janeiro. Flagelado e 58 roubado e arrancado Rio de Janeiro. Entre todos os Brasis, tinha que ser o Rio. 59 Ouço então um chefe de bombeiros dar uma coletiva diante do Museu Nacional, as 60 labaredas lambem o cenário atrás dele. O bombeiro explica para as câmeras de TV que não 61 tinha água, ele conta dos caminhões-pipa. E ele declara: “Está tudo sob controle”. 62 Eu quero gargalhar, me botar louca, queimar junto, ser aquela que ensandece para 63 poder gritar para sempre a única frase lúcida que agora conheço: “O Museu Nacional está 64 queimando! O Museu Nacional está queimando!”. 65 O Brasil está queimando. 66 E o meteorito estava dentro do museu. BRUM, Eliane. “O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo”. El País: coluna. São Paulo, 3 set. 2018. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/03/opinion/1535975822_774583.html>. [Adaptado]. Acesso em: 3 out. 2018. Com base na leitura do Texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)a publicação de Eliane Brum no site do jornal El País, tendo em vista sua natureza histórica e arqueológica, configura-se como um exemplo de texto acadêmico.
  2. 02)o trecho “Nunca salvaram. Há 500 anos não salvam.” (linha 34), faz referência à estátua de Dom Pedro II e ao legado deixado por sua família, informação retomada no parágrafo posterior, em: “As costas de Pedro ferviam.” (linha 35).
  3. 04)a chegada dos caminhões-pipa marca o fim do incêndio, como evidencia a declaração do chefe de bombeiros em uma coletiva diante do Museu Nacional “Está tudo sob controle” (linha 61).
  4. 08)no título e no subtítulo, as palavras “água” e “fogo” (linha 01), “Amanhã” (linha 02) e “passado” (linha 03) são exemplos de antítese, figura de linguagem em que se opõem ideias a fim de reforçar por meio do contraste o significado dos termos.
  5. 16)a repetição desnecessária do verbo queimar (linhas 15-19) configura-se como um vício de linguagem chamado hipérbole.
  6. 32)o trecho “O Brasil é um construtor de ruínas. O Brasil constrói ruínas em dimensões continentais.” (linhas 46-47) evidencia o tom de revolta e indignação diante do descaso das autoridades para com o acervo do Museu Nacional e para com o Brasil.
UFSC2019Prova 2Questao 2HistóriaConstrução da identidade nacional brasileiraMedia
Sobre processos e projetos de construção da(s) identidade(s) nacional brasileira, é correto afirmar que:
  1. 01)durante o Período Regencial (1831-1840), revoltas como a Sabinada (na Bahia), a Cabanagem (no Pará) e a Farroupilha (no Rio Grande do Sul) eram mobilizadas por sentimentos de patriotismo em busca de um Brasil unificado.
  2. 02)apesar da multiplicidade de línguas e de costumes, a chegada da família real ao Brasil, em 1808, possibilitou a união em torno do território de uma identidade única, fator muito importante para a consolidação do movimento de independência em 1822.
  3. 04)na década de 1920, obras como Abaporu, de Tarsila do Amaral, tornaram-se símbolo do movimento modernista brasileiro por sua tentativa de combinar particularidades nacionais com tendências mundiais, a herança cultural e os impulsos da modernização.
  4. 08)em Santa Catarina, nos anos 1980, o Contestado foi objeto de projeção, adotado como um dos símbolos do que seria a “catarinidade”.
  5. 16)já nos anos iniciais da República, símbolos patrióticos foram criados, como o hino nacional, que rapidamente teve forte aceitação pela população diante dos novos sentimentos nacionalistas projetados.
  6. 32)a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), em 1838, tinha por objetivo a instituição de um órgão que se dedicasse a pensar o Brasil como Nação.
UFSC2019Prova 1Questao 2PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Texto 1 O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo 01 02 Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. Então descobri 03 que não tinha mais passado 04 Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. 05 Então descobri que não tinha mais passado. 06 Diante de mim, o Museu Nacional do Rio queimava. 07 O crânio de Luzia, a “primeira brasileira”, entre 12.500 e 13 mil anos, queimava. Uma 08 das mais completas coleções de pterossauros do mundo queimava. Objetos que 09 sobreviveram à destruição de Pompeia queimavam. A múmia do antigo Egito queimava. 10 Milhares de artefatos dos povos indígenas do Brasil queimavam. 11 Vinte milhões de memória de alguma coisa tentando ser um país queimavam. 12 O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos. O excesso de realidade 13 nos joga no não tempo. No sem tempo. No fora do tempo. 14 O Museu Nacional em chamas. Um bombeiro esguichando água com uma mangueira 15 um pouco maior do que a que eu tenho na minha casa. O Museu Nacional queimando. Sem 16 água em parte dos hidrantes, depois de quatro horas de incêndio ainda chegavam caminhões- 17 pipa com água potável. O Museu Nacional queimando. Uma equipe tentava tirar água do lago 18 da Quinta da Boa Vista. O Museu Nacional queimando. A PM impedia as pessoas de avançar 19 para tentar salvar alguma coisa. O Museu Nacional queimando. Outras pessoas tentavam 20 furtar o celular e a carteira de quem tentava entrar para ajudar ou só estava imóvel diante dos 21 portões tentando compreender como viver sem metáforas. 22 Brasil é você. Não posso ser aquele que não é. 23 O Museu Nacional queimando. 24 O que há mais para dizer agora que as palavras já não dizem e a realidade se colocou 25 além da interpretação? 26 Diante do Museu Nacional em chamas, de costas para o palácio, de frente para onde 27 deveria estar o povo, Dom Pedro II em estátua. Sua família tinha tentado inventar um país e o 28 fundaram sobre corpos humanos. Seu avô, Dom João VI, criou aquele museu no Palácio de 29 São Cristóvão. Dom Pedro II está no centro, circunspecto, um homem feito de pedra, um 30 imperador. Diante da parte esquerda do museu, indígenas de diferentes etnias observam as 31 chamas como se mais uma vez fossem eles que estivessem queimando. Estão. É o maior 32 acervo de línguas indígenas da América Latina, diz Urutau Guajajara. É a nossa memória que 33 estão apagando. É o golpe, é o golpe. Poderiam ter salvo, e não salvaram, ele grita. 34 Nunca salvaram. Há 500 anos não salvam. 35 As costas de Pedro ferviam. 36 Quando soube que o museu queimava, eu dividi um táxi com um jornalista britânico e 37 uma atriz brasileira com uma câmera na mão. “Não é só como se o British Museum estivesse 38 queimando, é como se junto com ele estivesse também o Palácio de Buckingham”, disse 39 Jonathan Watts. “Não há mais possibilidade de fazer documentário”, afirmou Gabriela 40 Carneiro da Cunha. “A realidade é Science Fiction.” 41 Eu, que vivo com as palavras e das palavras, não consigo dizer. Sem passado, indo 42 para o Museu do Amanhã, sou convertida em muda. Esvazio de memória como o Museu 43 Nacional. Chamas dentro de todo ele, uma casca do lado de fora. Sou também eu. Uma casca 44 que anda por um país sem país. Eu, sem Luzia, uma não mulher em lugar nenhum. 45 A frase ecoa em mim. E ecoa. Fere minhas paredes em carne viva. 46 “O Brasil é um construtor de ruínas. O Brasil constrói ruínas em dimensões 47 continentais.” 48 A frase reverbera nos corredores vazios do meu corpo. Se a primeira brasileira 49 incendiou-se, que brasileira posso ser eu? 50 O que poderia expressar melhor este momento? A história do Brasil queima. A matriz 51 europeia que inventou um palácio e fez dele um museu. Os indígenas que choram do lado de 52 fora porque suas línguas se incineram lá dentro. E eu preciso alcançar o Museu do Amanhã. 53 Mas o Brasil já não é o país do futuro. O Brasil perdeu a possibilidade de imaginar um futuro. 54 O Brasil está em chamas. 55 O Museu Nacional sem recursos do Governo federal. Os funcionários do Museu 56 Nacional fazendo vaquinha na Internet para reabrir a sala principal. O Museu Nacional 57 morrendo de abandono. O Museu Nacional sem manutenção. O Rio de Janeiro. Flagelado e 58 roubado e arrancado Rio de Janeiro. Entre todos os Brasis, tinha que ser o Rio. 59 Ouço então um chefe de bombeiros dar uma coletiva diante do Museu Nacional, as 60 labaredas lambem o cenário atrás dele. O bombeiro explica para as câmeras de TV que não 61 tinha água, ele conta dos caminhões-pipa. E ele declara: “Está tudo sob controle”. 62 Eu quero gargalhar, me botar louca, queimar junto, ser aquela que ensandece para 63 poder gritar para sempre a única frase lúcida que agora conheço: “O Museu Nacional está 64 queimando! O Museu Nacional está queimando!”. 65 O Brasil está queimando. 66 E o meteorito estava dentro do museu. BRUM, Eliane. “O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo”. El País: coluna. São Paulo, 3 set. 2018. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/03/opinion/1535975822_774583.html>. [Adaptado]. Acesso em: 3 out. 2018. Com base na leitura do Texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)o uso de aspas (linhas 37-38, 39, 40, 46-47, 61, 63-64) serve para marcar a voz do outro por meio de discurso indireto.
  2. 02)o trecho “E eu preciso alcançar o Museu do Amanhã” (linha 52) faz alusão ao fato de que a autora estava na cidade para visitar aquele museu, mas devido ao incêndio do Museu Nacional do Rio perderia, simbolicamente, a possibilidade de acessar tanto o passado quanto o futuro do Brasil.
  3. 04)os termos “tinha” (linha 01), “tinha” (linha 03) e a locução “tinha tentado” (linha 27) expressam noção de existência, noção de posse e noção temporal de passado mais que perfeito, respectivamente.
  4. 08)o incêndio queimou o crânio da primeira múmia brasileira conhecida como Luzia.
  5. 16)é nítida a interface entre o conteúdo jornalístico e o tratamento literário, como é característico no gênero resenha acadêmica.
UFSC2019Prova 1Questao 3PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Texto 1 O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo 01 02 Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. Então descobri 03 que não tinha mais passado 04 Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. 05 Então descobri que não tinha mais passado. 06 Diante de mim, o Museu Nacional do Rio queimava. 07 O crânio de Luzia, a “primeira brasileira”, entre 12.500 e 13 mil anos, queimava. Uma 08 das mais completas coleções de pterossauros do mundo queimava. Objetos que 09 sobreviveram à destruição de Pompeia queimavam. A múmia do antigo Egito queimava. 10 Milhares de artefatos dos povos indígenas do Brasil queimavam. 11 Vinte milhões de memória de alguma coisa tentando ser um país queimavam. 12 O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos. O excesso de realidade 13 nos joga no não tempo. No sem tempo. No fora do tempo. 14 O Museu Nacional em chamas. Um bombeiro esguichando água com uma mangueira 15 um pouco maior do que a que eu tenho na minha casa. O Museu Nacional queimando. Sem 16 água em parte dos hidrantes, depois de quatro horas de incêndio ainda chegavam caminhões- 17 pipa com água potável. O Museu Nacional queimando. Uma equipe tentava tirar água do lago 18 da Quinta da Boa Vista. O Museu Nacional queimando. A PM impedia as pessoas de avançar 19 para tentar salvar alguma coisa. O Museu Nacional queimando. Outras pessoas tentavam 20 furtar o celular e a carteira de quem tentava entrar para ajudar ou só estava imóvel diante dos 21 portões tentando compreender como viver sem metáforas. 22 Brasil é você. Não posso ser aquele que não é. 23 O Museu Nacional queimando. 24 O que há mais para dizer agora que as palavras já não dizem e a realidade se colocou 25 além da interpretação? 26 Diante do Museu Nacional em chamas, de costas para o palácio, de frente para onde 27 deveria estar o povo, Dom Pedro II em estátua. Sua família tinha tentado inventar um país e o 28 fundaram sobre corpos humanos. Seu avô, Dom João VI, criou aquele museu no Palácio de 29 São Cristóvão. Dom Pedro II está no centro, circunspecto, um homem feito de pedra, um 30 imperador. Diante da parte esquerda do museu, indígenas de diferentes etnias observam as 31 chamas como se mais uma vez fossem eles que estivessem queimando. Estão. É o maior 32 acervo de línguas indígenas da América Latina, diz Urutau Guajajara. É a nossa memória que 33 estão apagando. É o golpe, é o golpe. Poderiam ter salvo, e não salvaram, ele grita. 34 Nunca salvaram. Há 500 anos não salvam. 35 As costas de Pedro ferviam. 36 Quando soube que o museu queimava, eu dividi um táxi com um jornalista britânico e 37 uma atriz brasileira com uma câmera na mão. “Não é só como se o British Museum estivesse 38 queimando, é como se junto com ele estivesse também o Palácio de Buckingham”, disse 39 Jonathan Watts. “Não há mais possibilidade de fazer documentário”, afirmou Gabriela 40 Carneiro da Cunha. “A realidade é Science Fiction.” 41 Eu, que vivo com as palavras e das palavras, não consigo dizer. Sem passado, indo 42 para o Museu do Amanhã, sou convertida em muda. Esvazio de memória como o Museu 43 Nacional. Chamas dentro de todo ele, uma casca do lado de fora. Sou também eu. Uma casca 44 que anda por um país sem país. Eu, sem Luzia, uma não mulher em lugar nenhum. 45 A frase ecoa em mim. E ecoa. Fere minhas paredes em carne viva. 46 “O Brasil é um construtor de ruínas. O Brasil constrói ruínas em dimensões 47 continentais.” 48 A frase reverbera nos corredores vazios do meu corpo. Se a primeira brasileira 49 incendiou-se, que brasileira posso ser eu? 50 O que poderia expressar melhor este momento? A história do Brasil queima. A matriz 51 europeia que inventou um palácio e fez dele um museu. Os indígenas que choram do lado de 52 fora porque suas línguas se incineram lá dentro. E eu preciso alcançar o Museu do Amanhã. 53 Mas o Brasil já não é o país do futuro. O Brasil perdeu a possibilidade de imaginar um futuro. 54 O Brasil está em chamas. 55 O Museu Nacional sem recursos do Governo federal. Os funcionários do Museu 56 Nacional fazendo vaquinha na Internet para reabrir a sala principal. O Museu Nacional 57 morrendo de abandono. O Museu Nacional sem manutenção. O Rio de Janeiro. Flagelado e 58 roubado e arrancado Rio de Janeiro. Entre todos os Brasis, tinha que ser o Rio. 59 Ouço então um chefe de bombeiros dar uma coletiva diante do Museu Nacional, as 60 labaredas lambem o cenário atrás dele. O bombeiro explica para as câmeras de TV que não 61 tinha água, ele conta dos caminhões-pipa. E ele declara: “Está tudo sob controle”. 62 Eu quero gargalhar, me botar louca, queimar junto, ser aquela que ensandece para 63 poder gritar para sempre a única frase lúcida que agora conheço: “O Museu Nacional está 64 queimando! O Museu Nacional está queimando!”. 65 O Brasil está queimando. 66 E o meteorito estava dentro do museu. BRUM, Eliane. “O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo”. El País: coluna. São Paulo, 3 set. 2018. Disponível em: <https://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/03/opinion/1535975822_774583.html>. [Adaptado]. Acesso em: 3 out. 2018. Com base na leitura do Texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)na frase “E o meteorito estava dentro do museu” (linha 66), a autora defende a tese de que a presença do meteorito pode ser a causa do incêndio.
  2. 02)no fragmento “[...] como se mais uma vez fossem eles que estivessem queimando” (linha 31), há referência direta a um momento específico da história brasileira, o qual a autora define como uma tentativa de invenção de um país, promovida por Dom Pedro II e seus predecessores.
  3. 04)a autora organiza o texto expandindo o significado de “queimar” de uma dimensão denotativa para uma conotativa, para evidenciar como o incêndio do museu está relacionado a um fenômeno mais amplo, de natureza histórica e de relevância social.
  4. 08)na frase “Está tudo sob controle” (linha 61), o referente de “tudo” é o incêndio.
  5. 16)as referências ao crânio de Luzia (linhas 07 e 44) personificam o objeto e reforçam a noção de identificação entre a autora e aquela que reconhece como sua ancestral, seu passado que se perde.
UFSC2019Prova 2Questao 3HistóriaDescolonização da África e da ÁsiaMedia
A partir da segunda metade do século XX, diversos movimentos de resistência à dominação europeia ganharam força nos continentes africano e asiático. Considerando isso, é correto afirmar que:
  1. 01)as políticas pacifistas defendidas por Portugal desde o século XIX contribuíram para que as antigas colônias lusitanas na África, como Angola e Moçambique, se transformassem nos primeiros países do continente.
  2. 02)na década de 1950, em meio aos processos de independência na África e na Ásia, representantes de diversos países se reuniram em Bandung, na Indonésia, para obter uma posição independente em um mundo polarizado entre as duas potências mundiais: os EUA e a URSS.
  3. 04)o processo de independência nas antigas colônias africanas seguiu uma tendência pacifista e permitiu a valorização cultural e a participação política efetiva das diversas etnias na construção dos novos países.
  4. 08)os domínios do Império Turco Otomano na região do Oriente Médio foram impulsionados após a Segunda Guerra Mundial com a assinatura do Tratado de Sèvres e o estabelecimento de uma política em defesa do fortalecimento do sionismo.
  5. 16)o Apartheid (que significa “separação”), instituído na África do Sul em 1948, foi uma política segregacionista que impedia que os negros possuíssem terras, participassem da vida política, tivessem acesso às áreas ou aos serviços restritos apenas aos brancos (como praias, ônibus, escolas etc.), além de proibir o casamento entre negros e brancos.
  6. 32)após a Segunda Guerra Mundial, com a crise econômica na Grã-Bretanha e o aumento da pressão popular, os movimentos que defendiam a independência da Índia ganharam popularidade em todo o mundo e a independência foi obtida em 1947.
  7. 64)a partir da segunda metade do século XX, a progressiva redução do domínio britânico no Oriente Médio efetivou a política de autodeterminação dos povos e a construção de novos estados nacionais homogêneos e solidamente independentes em relação às grandes potências mundiais.
UFSC2019Prova 2Questao 4HistóriaHistória do Uruguai e da América LatinaMedia
Sobre a história do Uruguai e suas relações com a América Latina, é correto afirmar que:
  1. 01)com sede em Montevidéu, no Uruguai, o parlamento do Mercosul – o Parlasul – é ocupado por representantes dos Estados membros e tem por objetivo fortalecer os processos de integração da região atuando em diferentes áreas de interesse nacionais e internacionais.
  2. 02)com seguidos governos alinhados aos Estados Unidos, o Uruguai, apesar de ter sido um dos poucos países da América do Sul a não contar com uma ditadura militar durante os anos da Guerra Fria, tem sua história marcada por controvérsias devido às violações de direitos humanos, ao uso da tortura e ao desaparecimento de muitos uruguaios naquele período.
  3. 04)desejando anexar novos territórios aos domínios portugueses, D. João VI envia tropas à região conhecida como Banda Oriental e, depois de anos de conflitos, tem como resultado a incorporação da nomeada Província Cisplatina ao Reino Unido de Portugal.
  4. 08)pioneiro entre as antigas colônias espanholas na América do Sul, o Uruguai tornou-se independente e estabeleceu sua república após vencer o exército espanhol na Guerra do Prata (1810-1814).
  5. 16)ao longo da segunda metade do século XIX, o Uruguai manteve uma política externa independente e pacifista com todos os países sul-americanos.
  6. 32)no século XVII, o interesse lusitano pela região do Rio da Prata, somado às disputas com a coroa espanhola, motivou a iniciativa portuguesa de fundar a chamada Colônia do Sacramento, em 1680.
UFSC2019Prova 1Questao 4PortuguêsFiguras de linguagemDificil
Texto 1 O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo 01 02 Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. Então descobri 03 que não tinha mais passado 04 Eu vim ao Rio para um evento no Museu do Amanhã. 05 Então descobri que não tinha mais passado. 06 Diante de mim, o Museu Nacional do Rio queimava. 07 O crânio de Luzia, a “primeira brasileira”, entre 12.500 e 13 mil anos, queimava. Uma 08 das mais completas coleções de pterossauros do mundo queimava. Objetos que 09 sobreviveram à destruição de Pompeia queimavam. A múmia do antigo Egito queimava. 10 Milhares de artefatos dos povos indígenas do Brasil queimavam. 11 Vinte milhões de memória de alguma coisa tentando ser um país queimavam. 12 O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos. O excesso de realidade 13 nos joga no não tempo. No sem tempo. No fora do tempo. 14 O Museu Nacional em chamas. Um bombeiro esguichando água com uma mangueira 15 um pouco maior do que a que eu tenho na minha casa. O Museu Nacional queimando. Sem 16 água em parte dos hidrantes, depois de quatro horas de incêndio ainda chegavam caminhões- 17 pipa com água potável. O Museu Nacional queimando. Uma equipe tentava tirar água do lago 18 da Quinta da Boa Vista. O Museu Nacional queimando. A PM impedia as pessoas de avançar 19 para tentar salvar alguma coisa. O Museu Nacional queimando. Outras pessoas tentavam 20 furtar o celular e a carteira de quem tentava entrar para ajudar ou só estava imóvel diante dos 21 portões tentando compreender como viver sem metáforas. 22 Brasil é você. Não posso ser aquele que não é. 23 O Museu Nacional queimando. 24 O que há mais para dizer agora que as palavras já não dizem e a realidade se colocou 25 além da interpretação? 26 Diante do Museu Nacional em chamas, de costas para o palácio, de frente para onde 27 deveria estar o povo, Dom Pedro II em estátua. Sua família tinha tentado inventar um país e o 28 fundaram sobre corpos humanos. Seu avô, Dom João VI, criou aquele museu no Palácio de 29 São Cristóvão. Dom Pedro II está no centro, circunspecto, um homem feito de pedra, um 30 imperador. Diante da parte esquerda do museu, indígenas de diferentes etnias observam as 31 chamas como se mais uma vez fossem eles que estivessem queimando. Estão. É o maior 32 acervo de línguas indígenas da América Latina, diz Urutau Guajajara. É a nossa memória que 33 estão apagando. É o golpe, é o golpe. Poderiam ter salvo, e não salvaram, ele grita. 34 Nunca salvaram. Há 500 anos não salvam. 35 As costas de Pedro ferviam. ... (segue o Texto 1) BRUM, Eliane. “O Brasil queimou – e não tinha água para apagar o fogo”. El País: coluna. São Paulo, 3 set. 2018. [Adaptado]. Considere os trechos a seguir, extraídos do Texto 1, e a variedade padrão da língua escrita. I. O Brasil perdeu a possibilidade da metáfora. Isso já sabíamos. O excesso de realidade nos joga no não tempo. No sem tempo. No fora do tempo. (linhas 12-13) II. Outras pessoas tentavam furtar o celular e a carteira de quem tentava entrar para ajudar ou só estava imóvel diante dos portões tentando compreender como viver sem metáforas. (linhas 19-21) III. Brasil é você. Não posso ser aquele que não é. (linha 22) IV. Diante do Museu Nacional em chamas, de costas para o palácio, de frente para onde deveria estar o povo, Dom Pedro II em estátua. (linhas 26-27) Em relação aos trechos, é correto afirmar que:
  1. 01)em III, há uma relação metonímica entre “você” e “Brasil”.
  2. 02)em I e II, há o emprego da figura de linguagem metáfora.
  3. 04)em IV, a passagem “de frente para onde deveria estar o povo” apresenta uma crítica ao povo, que não se fez presente para ajudar a apagar o incêndio.
  4. 08)na segunda oração de III, há a retomada por elipse do sujeito posto na oração imediatamente anterior.
  5. 16)em I, os termos “não”, “sem” e “fora” apresentam a mesma função gramatical.
  6. 32)em I, o pronome “Isso” tem como referente “O excesso de realidade”.
  7. 64)em IV, o período apresenta sentido denotativo.
UFSC2019Prova 2Questao 5HistóriaAbolição e período pós-aboliçãoMedia
Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão? Compositores: Claudio Russo, Moacyr Luz, Dona Zezé, Jurandir e Aníbal – G.R.E.S. Paraiso do Tuiuti (2018) Irmão de olho claro ou da Guiné Qual será o seu valor? Pobre artigo de mercado Senhor, eu não tenho a sua fé, e nem tenho a sua cor Tenho sangue avermelhado O mesmo que escorre da ferida Mostra que a vida se lamenta por nós dois Mas falta em seu peito um coração Ao me dar a escravidão e um prato de feijão com arroz Eu fui mandinga, cambinda, haussá Fui um Rei Egbá preso na corrente Sofri nos braços de um capataz Morri nos canaviais onde se plantava gente Ê, Calunga, ê! Ê, Calunga! Preto Velho me contou, Preto Velho me contou Onde mora a Senhora Liberdade Não tem ferro nem feitor Sobre o processo do fim da escravidão e o período pós-abolição no Brasil, é correto afirmar que:
  1. 01)no começo do século XX, depois da abolição, as elites e os poderes públicos passaram a combater hábitos e costumes da população afrodescendente brasileira, transformando, por exemplo, a capoeira e as práticas religiosas africanas em ações criminosas.
  2. 02)o movimento abolicionista tomou definitivo impulso nos centros urbanos e a agitação política dos clubes abolicionistas se articularia com o aumento das fugas já entre o fim da década de 1870 e o início da de 1880.
  3. 04)o governo imperial, em processo de abolição gradual com a aprovação de leis como a do Ventre Livre (1871) e a dos Sexagenários (1885), já havia conseguido que 95% dos cativos gozassem de liberdade quando foi assinada a Lei Áurea (1888).
  4. 08)tomados por ideias eugenistas, jornais de grande circulação, já no período republicano, costumavam representar a população negra brasileira negativamente, repleta de estereótipos, o que dificultou sobremaneira a construção de uma imagem positiva do negro na sociedade brasileira.
  5. 16)apesar de ter sua história marcada por séculos de escravidão, o Brasil é reconhecido internacionalmente como um país de “democracia racial”, fruto de um longo processo de investimento em políticas etnicorraciais de combate ao racismo.
  6. 32)a partir da Lei Eusébio de Queirós (1850) e com o incentivo governamental à imigração europeia, o preço médio de um cativo despencou pela falta de interesse por esse tipo de mão de obra.
  7. 64)a igualdade política garantida pela Constituição de 1891 fez com que muitos negros ascendessem a cargos eletivos, ajudando na construção de políticas de inclusão social como a de distribuição de terras e a de expansão da escolarização aos ex-escravizados.
UFSC2019Prova 1Questao 5PortuguêsLinguagem verbal e não verbalMedia
Texto 2 (O Texto 2 é uma charge/cartum de Carlos Latuff intitulada “Aqui jaz o Brasil”, sobre o incêndio no Museu Nacional — imagem reproduzida a seguir.) Disponível em: <https://www.diariodocentrodomundo.com.br/aqui-jaz-o-brasil-incendio-no-museu-nacional-por-carlos-latuff/>. [Adaptado]. Acesso em: 16 set. 2018. De acordo com o Texto 2, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
  1. 01)o patrimônio cultural é o que está na base dos acervos dos museus.
  2. 02)o museu é a única forma de preservação das culturas.
  3. 04)a fumaça pode ser entendida como uma metonímia da falta de ações políticas para a manutenção do museu.
  4. 08)o sentido metaforizado da expressão “Aqui jaz o Brasil” é “Aqui queima o Brasil”.
  5. 16)o termo “aqui” funciona como advérbio de lugar e refere-se à palavra “Brasil”.
  6. 32)a composição imagética do museu em chamas é construída por meio da linguagem verbal e da linguagem não verbal.
UFSC2019Prova 2Questao 6HistóriaBandeirantismo e expansão territorialMedia
Este homem é um dos maiores selvagens que tenho topado: quando se avistou comigo trouxe consigo língua, porque nem falar sabe, nem se diferencia do mais bárbaro tapuia mais que em dizer que é cristão, e não obstante o haver-se casado de pouco, lhes assistem sete índias concubinas, e daqui se pode inferir como procede no mais; tendo sido a sua vida, desde que teve uso da razão – se é que a teve, porque, se assim foi, de sorte a perdeu que entendo a não achará com facilidade –, até o presente, andar metido pelos matos à caça de índios, e de índias, estas para o exercício das suas torpezas, e aqueles para os granjeios de seus interesses. CARNEIRO, E. O Quilombo dos Palmares. São Paulo: Brasiliense, 1947, p. 134-135 apud CAMPOS, Flávio de; PINTO, Júlio Pimentel; CLARO, Regina. Oficina de História. São Paulo: Leya, 2016, p. 84. v. 2. Língua: intérprete que auxiliava na comunicação entre indígenas e portugueses. Granjeio: trabalho realizado com o objetivo de receber vantagens e comodidades. O trecho acima, de uma carta do bispo de Pernambuco ao rei de Portugal Pedro II, em 1697, descreve Domingos Jorge Velho, mestre de campo das operações de Palmares. Sobre o contexto das ações e da memória histórica construída sobre os bandeirantes, é correto afirmar que:
  1. 01)cidades como São Francisco do Sul, Florianópolis e Laguna, em Santa Catarina, tiveram suas origens ligadas às ações dos bandeirantes em suas expedições em direção ao sul da colônia.
  2. 02)segundo a historiografia atual, a imagem heroica com que os paulistas foram representados, sobretudo no século XX, ajudaram na difusão de uma série de preconceitos culturais e raciais que formaram muitos dos valores da nossa sociedade.
  3. 04)muitas vezes apresentados como desbravadores, descobridores de riquezas, fundadores de vilas e responsáveis pelo povoamento de várias regiões, os bandeirantes e sua imagem heroica acabam camuflando aspectos como a dizimação de povos indígenas, o deslocamento forçado de populações nativas e a escravização que transformou o indígena em mercadoria.
  4. 08)a percepção do bispo na carta endereçada ao rei português trata de uma exceção, pois a Igreja estava alinhada às ações dos bandeirantes no processo de aculturamento dos povos indígenas.
  5. 16)os bandeirantes, também chamados de sertanistas, eram os participantes das expedições oficiais que a coroa portuguesa organizava em busca da escravização dos povos indígenas e também de metais preciosos.
  6. 32)o apresamento dos povos indígenas, sobretudo no extremo Sul e na Região Amazônica, o sertanismo de contrato, particularmente intenso no Nordeste, e as expedições de pesquisa mineral que partiam de São Paulo em direção à região das minas foram os principais focos do bandeirantismo na América Portuguesa.
UFSC2019Prova 1Questao 6PortuguêsLiteratura: ModernismoDificil
Texto 3 01 13 de maio [...] 02 – “Dona Ida peço-te se pode me arranjar um pouco de gordura, para eu fazer uma sopa 03 para os meninos. Hoje choveu e eu não pude ir catar papel. Agradeço. Carolina.” 04 ... Choveu, esfriou. É o inverno que chega. E no inverno a gente come mais. A Vera 05 começou pedir comida. E eu não tinha. Era a reprise do espetaculo. Eu estava com dois 06 cruzeiros. Pretendia comprar um pouco de farinha para fazer um virado. Fui pedir um pouco de 07 banha a Dona Alice. Ela deu-me a banha e arroz. Era 9 horas da noite quando comemos. 08 E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual – a fome! JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. 10. ed. São Paulo: Ática, 2018, p. 30-32. Com base na leitura do Texto 3 e na leitura integral da obra Quarto de despejo: diário de uma favelada, publicada pela primeira vez em livro em 1960, no contexto sócio-histórico e literário e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)Quarto de despejo é uma coletânea de relatos pessoais dedicados a narrar o dia a dia do ano de 1958 na vida de Carolina Maria de Jesus, de sua família e da comunidade.
  2. 02)reforçando o mito do “homem cordial” na tradição literária brasileira, a obra revela como os moradores da favela do Canindé e arredores são acolhedores, solidários e solícitos com Carolina e com seus filhos.
  3. 04)há remissão ao dia em que se comemora oficialmente a Abolição da Escravidão no Brasil, numa crítica ao controle social exercido pela fome, que marca a existência de outro modo de escravidão.
  4. 08)a autora emprega frases e orações curtas, o que confere maior ênfase e ritmo ao texto, recurso linguístico utilizado com frequência por autores da literatura brasileira contemporânea.
  5. 16)o emprego de metáforas e comparações auxilia na recriação ficcional do cotidiano da favela, como é o caso do adjetivo “acinzentado”, tomado como a cor da fome, numa clara alusão às casas sem reboco do entorno, e do substantivo “corvos”, num comparativo com os favelados, homens e mulheres sempre à procura de comida.
  6. 32)em “Dona Ida peço-te” (linha 02), os termos em destaque servem como vocativo, apesar da ausência de vírgula.
  7. 64)a obra tem sido revisitada por críticos contemporâneos em nova abordagem que confere ao texto valor literário, superando uma leitura sociológica, pois reconhece nele a existência de um projeto estético próprio da autora.
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