Uma amostra das questões. Crie uma conta para resolver todas com correção e comentário.
UFSC2020Prova 1Questao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Memes no museu Um fenômeno em exposição
O professor Viktor Chagas chegou ao Museu da República, no Rio de Janeiro, cumprimentou os seguranças e apontou para a maior tela do salão térreo. “Esta é a famosa pintura da confecção da bandeira, de Pedro Bruno”, disse, apressado. O quadro A Pátria, de 1919, retrata uma criança agarrada a uma imensa bandeira do Brasil que está sendo confeccionada por um grupo de mulheres. É uma das imagens emblemáticas da virada republicana do país. O professor subiu as escadas, atravessou uma sala, depois outra, e por fim se postou diante de uma imagem menor que reproduzia a tela de Pedro Bruno, mas coberta de letras brancas que diziam: “Ordem e Progresso: é verdade esse bilete.” Trata-se de uma das montagens que Chagas pinçou da internet para integrar a exposição “A política dos memes e os memes da política”, organizada por ele. “O meme, em essência, é tudo que é replicado. E sempre pressupõe muitas camadas de significados”, afirmou o professor, diante da imagem. “Este meme, por exemplo, só ganha sentido ao conhecermos o quadro original, o contexto político do momento e outro meme que mostrava o recado de um menino para a sua mãe” (“Senhores paes, amanhã não vai ter aula poorque pode ser feriado. Assinado: Tia Paulinha. É verdade esse bilete”). A frase final do recado virou mote para diversos memes. A exposição espalha-se por quatro salas que tratam da relação dos memes com os símbolos nacionais, a propaganda política, a persuasão e a desinformação, entre outros temas. Tudo é acompanhado de textos que mostram a complexidade das forças políticas e sociais em jogo nas imagens. “Ver um meme na parede de um museu: essa provocação sempre foi nossa intenção”, disse Chagas, do Instituto de Arte e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF). “Queremos que as pessoas encarem o objeto do meme como algo relevante, fugindo do oba-oba, do besteirol, da balbúrdia.” [...] Formado em jornalismo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com mestrado e doutorado em história pela Fundação Getulio Vargas, Chagas sempre trabalhou com temas relacionados à mídia e ao poder. Quando foi contratado pela UFF, em 2011, começou a ser indagado pelos alunos sobre fenômenos da internet. Leigo no assunto, ele passou a pesquisar sobre memes e percebeu que tinham muito a ver com seus temas de estudo. Organizou, então, um grupo de alunos para catalogar os memes e analisá-los. A ideia era colocar as pesquisas como verbetes na Wikipédia, mas seus colegas na universidade não endossaram a proposta. Disseram que uma enciclopédia deveria prezar pela relevância e, para a academia, memes não eram importantes. Chagas decidiu, então, montar uma “enciclopédia” por conta própria. Criou com sua equipe o #MUSEUdeMEMES, um site que reúne as intervenções mais difundidas e influentes,
que explica em que contexto surgiram e que impacto político e/ou social tiveram. Na última contagem feita, estavam catalogadas e analisadas no museu cerca de 200 famílias de memes, séries com o mesmo tema. O site também abriga cerca de 1.200 trabalhos escritos cadastrados (teses, artigos etc.) e tornou-se referência no assunto. Em quatro anos de existência, teve mais de 2 milhões de visitantes, marca considerável para um projeto acadêmico. Chagas, porém, sentia falta desta parte importante do trabalho: transformar o museu virtual numa exposição real. E assim ele chegou ao Museu da República, que hospeda a mostra até o dia 24 de agosto. [...]
Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/memes-no-museu. [Adaptado]. Acesso em: 2 set. 2019.
Com base no Texto 1, é correto afirmar que:
01)a expressão “a política dos memes” difere semanticamente de “os memes da política”.
02)o quadro A Pátria, de 1919, é um dos exemplos de montagem que Chagas pinçou da internet para integrar a exposição.
04)a ideia inicial de Chagas era criar uma enciclopédia, mas, como seus colegas na universidade não endossaram a proposta, optou por publicar o conteúdo com sua equipe na forma de verbetes na Wikipédia.
08)o texto articula sobretudo trechos de narração e de descrição e tem por finalidade apresentar uma exposição em cartaz no Museu da República.
16)a exposição “A política dos memes e os memes da política”, organizada pelo #MUSEUdeMEMES, teve mais de 2 milhões de visitantes.
UFSC2020Prova 2Questao 1HistóriaEscravidão e aboliçãoDificil
Texto 1 — LEI DE 7 DE NOVEMBRO DE 1831
Declara livres todos os escravos vindos de fora do Império, e impõe penas aos importadores dos mesmos escravos. [...]. Art. 1º Todos os escravos, que entrarem no território ou portos do Brazil, vindos de fora, ficam livres. [...] Art. 2º Os importadores de escravos no Brazil incorrerão na pena corporal do artigo cento e setenta e nove do Código Criminal, imposta aos que reduzem á escravidão pessoas livres, e na multa de duzentos mil réis por cabeça de cada um dos escravos importados, além de pagarem as despesas da reexportação para qualquer parte da África [...].
Texto 2
O tráfico de escravos, a despeito da proibição, trouxe ao Brasil cerca de 800 mil africanos entre 1830 e 1856. À exceção dos emancipados que ficaram sob tutela, todos foram vendidos e tidos como escravos graças à renovada conivência do governo imperial com a ilegalidade. [...] as circunstâncias da aplicação da Lei de 1831 [...] desdobra-se na identificação das estratégias, sempre renovadas, de proteção estatal aos detentores de escravos importados por contrabando e dos mecanismos de legalização da propriedade ilegal.
Texto 3
[...] os ensinamentos do passado ajudam a situar o atual julgamento sobre cotas universitárias na perspectiva da construção da nação e do sistema político de nosso país. Nascidas no século XIX, a partir da impunidade garantida aos proprietários de indivíduos ilegalmente escravizados, da violência e das torturas infligidas aos escravos e da infracidadania reservada aos libertos, as arbitrariedades engendradas pelo escravismo submergiram o país inteiro.
Com base nos textos acima e na história dos negros no Brasil, é correto afirmar que:
01)os Textos 2 e 3 demonstram que os estudos na área de História não ficam atrelados a uma interpretação teórica positivista, pois ambos denotam que há intencionalidades na produção dos dispositivos legais; no caso da Lei de 1831, forças políticas operaram para o seu não cumprimento.
02)os Textos 1 e 3 demonstram que as cotas raciais nas universidades públicas não se justificam, uma vez que os negros garantiram por lei direitos iguais aos dos brancos desde a primeira metade do século XIX.
04)o Texto 2 afirma que mais de meio milhão de africanos foram submetidos, ilegalmente, à condição de escravos com a conivência do Estado brasileiro.
08)a Inglaterra exerceu forte pressão para o fim do desembarque de africanos em território brasileiro; entretanto, as determinações da Lei de 1831 não foram respeitadas e ela ficou conhecida como “lei para inglês ver”.
16)a abolição do trabalho escravo no Brasil, feita concomitantemente com a revolução no Haiti, e o pequeno volume de africanos trazidos para o país impediram que a sociedade brasileira ficasse com traços africanos.
32)enquanto a autora do Texto 2 defende o papel do Estado como garantidor do direito de propriedade, o autor do Texto 3 afirma que os escravos, por não se submeterem à lei, fizeram o país submergir na desordem.
64)os Textos 2 e 3 são complementares, visto que o primeiro relata a escravização ilegal de africanos após a Lei de 1831 e o segundo aponta para a consequente exclusão social dessas pessoas e as repercussões dessa exclusão na construção do país.
UFSC2020Prova 2Questao 2HistóriaDitadura militar e Guerra FriaDificil
As notícias abaixo foram publicadas no jornal Correio da Manhã, com sede no Rio de Janeiro, no dia 6 de abril de 1968:
Notícia 1: Padres condenam as violências e vão aos cárceres ver presos [...] com o apoio de D. Jaime de Barros Câmara, vários sacerdotes lançaram ontem um manifesto condenando o massacre perpetrado pela Polícia da Guanabara, com a garantia de tropas do Exército, Marinha e Aeronáutica, à porta da igreja da Candelária, quando da realização dos atos religiosos em intenção da alma do estudante Edson Luís [...].
Notícia 2: Morte de King conflagra EUA Tropas do Exército foram obrigadas a tomar ontem a capital dos Estados Unidos, desde quinta-feira à noite completamente abalada por incêndios, saques e conflitos de milhares de negros [...] na revolta pelo assassinato do líder Luther King.
Notícia 3: Govêrno proíbe Frente e ameaça os jornais A Frente Ampla está proibida de exercer qualquer atividade de natureza política, compreendendo manifestações, comícios, reuniões, passeatas ou qualquer outro ato público, segundo portaria que foi assinada, ontem, pelo ministro da Justiça. [...] Jornais, livros e outras publicações que divulguem manifestações sôbre assuntos de natureza política de pessoas ligadas à Frente Ampla serão apreendidos, assim como serão instaurados inquéritos policiais contra não apenas os autores dos manifestos ou das declarações, como atingindo os responsáveis pelos órgãos de divulgação. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/cache/3879402847668/I0090946-60Alt=001663Lar=001033LargOri=004133AltOri=006652.JPG.
Com base nas notícias acima e no contexto histórico da época, é correto afirmar que:
01)durante a Segunda Guerra Mundial, para aumentar o contingente de soldados e para mostrar ao mundo que eram uma democracia plena, os Estados Unidos garantiram igualdade de condições sociais a todos os cidadãos, independentemente de opção sexual, cor de pele ou ideologia política.
02)a repressão às manifestações no Brasil foi uma forma de o governo brasileiro impedir que a União Soviética, por meio do movimento estudantil, tomasse o poder no país, assim como fizera em Cuba.
04)Martin Luther King não foi a única liderança negra em defesa dos direitos civis assassinada nos Estados Unidos; anos antes, Malcolm X, conhecido por defender ações ofensivas contra aqueles que negassem direitos à população negra, foi assassinado enquanto discursava em Nova York.
08)as notícias 1 e 3 demonstram a preocupação do governo militar em garantir a ordem e a paz social no país: na primeira as forças militares garantem a segurança no enterro do estudante Edson Luís, já na terceira o governo atua para impedir que políticos populistas violem a democracia restaurada em 1964.
16)a Frente Ampla visava construir um movimento de oposição ao governo e era formada por políticos influentes, como Juscelino Kubitschek, e por personagens que foram decisivos na deflagração do golpe civil-militar que derrubou João Goulart em 1964, como Carlos Lacerda.
32)no final dos anos 1960, o grupo Panteras Negras fortalecia-se na luta contra a discriminação racial nos Estados Unidos; na entrega das medalhas dos 200 metros rasos durante a Olimpíada na Cidade do México, em 1968, dois atletas estadunidenses fizeram referência ao movimento.
64)do ponto de vista da teoria da História, as fontes citadas são imparciais, visto que os jornais são documentos descritivos que não emitem opiniões nem julgamentos sociais.
UFSC2020Prova 1Questao 2PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Memes no museu Um fenômeno em exposição
O professor Viktor Chagas chegou ao Museu da República, no Rio de Janeiro, cumprimentou os seguranças e apontou para a maior tela do salão térreo. “Esta é a famosa pintura da confecção da bandeira, de Pedro Bruno”, disse, apressado. O quadro A Pátria, de 1919, retrata uma criança agarrada a uma imensa bandeira do Brasil que está sendo confeccionada por um grupo de mulheres. É uma das imagens emblemáticas da virada republicana do país. O professor subiu as escadas, atravessou uma sala, depois outra, e por fim se postou diante de uma imagem menor que reproduzia a tela de Pedro Bruno, mas coberta de letras brancas que diziam: “Ordem e Progresso: é verdade esse bilete.” Trata-se de uma das montagens que Chagas pinçou da internet para integrar a exposição “A política dos memes e os memes da política”, organizada por ele. “O meme, em essência, é tudo que é replicado. E sempre pressupõe muitas camadas de significados”, afirmou o professor, diante da imagem. “Este meme, por exemplo, só ganha sentido ao conhecermos o quadro original, o contexto político do momento e outro meme que mostrava o recado de um menino para a sua mãe” (“Senhores paes, amanhã não vai ter aula poorque pode ser feriado. Assinado: Tia Paulinha. É verdade esse bilete”). A frase final do recado virou mote para diversos memes. A exposição espalha-se por quatro salas que tratam da relação dos memes com os símbolos nacionais, a propaganda política, a persuasão e a desinformação, entre outros temas. Tudo é acompanhado de textos que mostram a complexidade das forças políticas e sociais em jogo nas imagens. “Ver um meme na parede de um museu: essa provocação sempre foi nossa intenção”, disse Chagas, do Instituto de Arte e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF). “Queremos que as pessoas encarem o objeto do meme como algo relevante, fugindo do oba-oba, do besteirol, da balbúrdia.” [...] Formado em jornalismo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com mestrado e doutorado em história pela Fundação Getulio Vargas, Chagas sempre trabalhou com temas relacionados à mídia e ao poder. Quando foi contratado pela UFF, em 2011, começou a ser indagado pelos alunos sobre fenômenos da internet. Leigo no assunto, ele passou a pesquisar sobre memes e percebeu que tinham muito a ver com seus temas de estudo. Organizou, então, um grupo de alunos para catalogar os memes e analisá-los. A ideia era colocar as pesquisas como verbetes na Wikipédia, mas seus colegas na universidade não endossaram a proposta. Disseram que uma enciclopédia deveria prezar pela relevância e, para a academia, memes não eram importantes. Chagas decidiu, então, montar uma “enciclopédia” por conta própria. Criou com sua equipe o #MUSEUdeMEMES, um site que reúne as intervenções mais difundidas e influentes,
que explica em que contexto surgiram e que impacto político e/ou social tiveram. Na última contagem feita, estavam catalogadas e analisadas no museu cerca de 200 famílias de memes, séries com o mesmo tema. O site também abriga cerca de 1.200 trabalhos escritos cadastrados (teses, artigos etc.) e tornou-se referência no assunto. Em quatro anos de existência, teve mais de 2 milhões de visitantes, marca considerável para um projeto acadêmico. Chagas, porém, sentia falta desta parte importante do trabalho: transformar o museu virtual numa exposição real. E assim ele chegou ao Museu da República, que hospeda a mostra até o dia 24 de agosto. [...]
Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/memes-no-museu. [Adaptado]. Acesso em: 2 set. 2019.
Com base no Texto 1, é correto afirmar que:
01)percebe-se a ampliação do conceito de arte a partir da alusão à pintura A Pátria, de Pedro Bruno, à versão dessa mesma obra em meme.
02)o autor critica a estrutura dos memes, a qual pressupõe muitas camadas de significado que só fazem sentido quando relacionadas ao quadro original.
04)a criação de um museu de memes é importante para que se conheça a origem de uma informação e assim se evite a propagação de fake news (notícias falsas).
08)uma das peças que integram a exposição é um meme criado por um garoto para sua mãe e que foi amplamente difundido na internet.
16)um meme é essencialmente tudo que pode ser replicado, que possui várias camadas de significado e cujo sentido depende da relação com elementos como a obra original, o contexto em que foi criado e outros memes.
32)o objetivo principal do texto é divulgar a criação de um museu de memes na internet.
64)por se tratar de um trabalho desenvolvido na universidade, o museu de memes publica apenas trabalhos acadêmicos, como artigos, dissertações e teses.
UFSC2020Prova 2Questao 3HistóriaConquista e colonização da AméricaMedia
Texto 1
Eis agora um relato que concerne à expedição de Vasco Nuñez de Balboa, transcrito por alguém que ouviu vários conquistadores contarem pessoalmente suas aventuras: “Assim como os açougueiros cortam em pedaços a carne dos bois e carneiros para colocá-la à venda no açougue, os espanhóis cortavam de um só golpe o traseiro de um, a coxa de outro, o ombro de um terceiro. Tratavam-nos como animais desprovidos de razão. [...] Vasco fez com que os cães despedaçassem uns quarenta deles”. [...] O que os espanhóis descobrem é o contraste entre metrópole e colônia, leis morais radicalmente diferentes regulamentam o comportamento aqui e lá [...].
TODOROV, Tzvetan. A conquista da América: a questão do outro. São Paulo: Martins Fontes, 1983. p. 137, 141.
Com base no Texto 1 e na história da conquista da América, é correto afirmar que:
01)por meio da encomienda, os indígenas recebiam salários para trabalhar nas lavouras, o que permitiu que a América espanhola fosse marcada pela mobilidade social.
02)o autor afirma que tanto na América quanto na Espanha os espanhóis tinham comportamentos similares, pois criaram casas comerciais de modo a abastecer e alimentar a população de acordo com a cultura ibérica.
04)o texto defende que os massacres empreendidos pelos espanhóis durante o processo de colonização da América foram motivados, entre outros aspectos, pelos hábitos alimentares dos povos nativos, avessos ao consumo de carne bovina.
08)a luta contra a exploração e os trabalhos forçados a que os indígenas eram submetidos fez com que Tupac Amaru II liderasse uma revolta de milhares de indígenas na região do Peru.
16)na América portuguesa, escravos negros sublevaram-se e criaram um conjunto de quilombos na região dos estados de Alagoas e de Pernambuco, expressivo tanto em número de habitantes quanto em longevidade – durou quase todo o século XVII e foi um dos maiores do período colonial; esse conjunto ficou conhecido como Quilombo de Palmares.
32)as doenças do Novo Mundo foram a principal estratégia de combate à colonização; por outro lado, as enfermidades vindas da Europa não fizeram vítimas na América, visto que os indígenas tinham maior imunidade em função de seus hábitos de vida saudáveis.
64)as violências protagonizadas pelos espanhóis contra os povos ameríndios embasavam-se na compreensão de que a civilização europeia e cristã era superior; para os colonizadores, cabiam aos indígenas os trabalhos forçados (opressão física) e a conversão ao cristianismo por meio da catequização (opressão cultural).
UFSC2020Prova 1Questao 3PortuguêsGramática e Norma CultaDificil
Memes no museu Um fenômeno em exposição
O professor Viktor Chagas chegou ao Museu da República, no Rio de Janeiro, cumprimentou os seguranças e apontou para a maior tela do salão térreo. “Esta é a famosa pintura da confecção da bandeira, de Pedro Bruno”, disse, apressado. O quadro A Pátria, de 1919, retrata uma criança agarrada a uma imensa bandeira do Brasil que está sendo confeccionada por um grupo de mulheres. É uma das imagens emblemáticas da virada republicana do país. O professor subiu as escadas, atravessou uma sala, depois outra, e por fim se postou diante de uma imagem menor que reproduzia a tela de Pedro Bruno, mas coberta de letras brancas que diziam: “Ordem e Progresso: é verdade esse bilete.” Trata-se de uma das montagens que Chagas pinçou da internet para integrar a exposição “A política dos memes e os memes da política”, organizada por ele. “O meme, em essência, é tudo que é replicado. E sempre pressupõe muitas camadas de significados”, afirmou o professor, diante da imagem. “Este meme, por exemplo, só ganha sentido ao conhecermos o quadro original, o contexto político do momento e outro meme que mostrava o recado de um menino para a sua mãe” (“Senhores paes, amanhã não vai ter aula poorque pode ser feriado. Assinado: Tia Paulinha. É verdade esse bilete”). A frase final do recado virou mote para diversos memes. A exposição espalha-se por quatro salas que tratam da relação dos memes com os símbolos nacionais, a propaganda política, a persuasão e a desinformação, entre outros temas. Tudo é acompanhado de textos que mostram a complexidade das forças políticas e sociais em jogo nas imagens. “Ver um meme na parede de um museu: essa provocação sempre foi nossa intenção”, disse Chagas, do Instituto de Arte e Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF). “Queremos que as pessoas encarem o objeto do meme como algo relevante, fugindo do oba-oba, do besteirol, da balbúrdia.” [...] Formado em jornalismo pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com mestrado e doutorado em história pela Fundação Getulio Vargas, Chagas sempre trabalhou com temas relacionados à mídia e ao poder. Quando foi contratado pela UFF, em 2011, começou a ser indagado pelos alunos sobre fenômenos da internet. Leigo no assunto, ele passou a pesquisar sobre memes e percebeu que tinham muito a ver com seus temas de estudo. Organizou, então, um grupo de alunos para catalogar os memes e analisá-los. A ideia era colocar as pesquisas como verbetes na Wikipédia, mas seus colegas na universidade não endossaram a proposta. Disseram que uma enciclopédia deveria prezar pela relevância e, para a academia, memes não eram importantes. Chagas decidiu, então, montar uma “enciclopédia” por conta própria. Criou com sua equipe o #MUSEUdeMEMES, um site que reúne as intervenções mais difundidas e influentes,
que explica em que contexto surgiram e que impacto político e/ou social tiveram. Na última contagem feita, estavam catalogadas e analisadas no museu cerca de 200 famílias de memes, séries com o mesmo tema. O site também abriga cerca de 1.200 trabalhos escritos cadastrados (teses, artigos etc.) e tornou-se referência no assunto. Em quatro anos de existência, teve mais de 2 milhões de visitantes, marca considerável para um projeto acadêmico. Chagas, porém, sentia falta desta parte importante do trabalho: transformar o museu virtual numa exposição real. E assim ele chegou ao Museu da República, que hospeda a mostra até o dia 24 de agosto. [...]
Disponível em: https://piaui.folha.uol.com.br/materia/memes-no-museu. [Adaptado]. Acesso em: 2 set. 2019.
Com base no Texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
01)no penúltimo parágrafo do texto, em todas as orações o sujeito é o nome “Chagas”, o qual é retomado pelas formas nominal e pronominal.
02)na frase “Chagas, porém, sentia falta desta parte importante do trabalho: transformar o museu virtual numa exposição real.” (linhas 40-41), os dois-pontos são empregados para apresentar um esclarecimento.
04)os termos “oba-oba”, “besteirol” e “balbúrdia” (linha 23) estabelecem uma relação de antonímia com a expressão “algo relevante” (linhas 22-23).
08)na frase “Ver um meme na parede de um museu: essa provocação sempre foi nossa intenção” (linhas 20-21), os dois-pontos introduzem uma oração subordinada.
16)no trecho “Ordem e Progresso: é verdade esse bilete.” (linha 08), a expressão “É verdade esse bilete” expressa ironia ao estabelecer intertextualidade com o bilhete de um menino à sua mãe.
32)o texto é um exemplar de artigo científico, uma vez que nele se identifica o posicionamento crítico de um pesquisador que é referência em sua área.
UFSC2020Prova 1Questao 4PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Com base nos Textos 2 e 3 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
01)nos Textos 2 e 3, o garoto toma a decisão de não responder à questão que lhe é proposta.
02)o tema do Texto 2 é uma questão de matemática e o do Texto 3 é uma questão de física, mas o efeito de humor desses textos consiste em relacioná-los à literatura e à linguística, respectivamente.
04)a ideia central e comum aos dois textos é de que tanto para responder a uma questão de matemática quanto a uma de física são necessários conhecimentos de literatura e de linguística.
08)as palavras “transformo”, “instigantes” e “desinteressantes” são formadas por prefixo acrescido de radical.
16)o Texto 3 explora a ambiguidade identificada pelo garoto na expressão “suas próprias palavras”.
32)no Texto 2, as palavras “número”, “subtraído”, “literário” e “mistério” recebem acento gráfico agudo decorrente da mesma regra de acentuação.
64)no Texto 3, “essas brechas”, no quarto quadro, retoma o duplo sentido expresso pelo primeiro quadro, que permite ao garoto a resposta apresentada no terceiro quadro.
UFSC2020Prova 2Questao 4HistóriaDemocracia, cidadania e participação políticaMedia
[...] Mirem-se no exemplo Daquelas mulheres de Atenas Geram pros seus maridos Os novos filhos de Atenas Elas não têm gosto ou vontade Nem defeito, nem qualidade Têm medo apenas [...]
Sobre democracia e participação das mulheres na política, é correto afirmar que:
01)a sociedade ateniense foi organizada para o mundo masculino, portanto as mulheres não tinham cidadania plena.
02)desde o século XIX, as mulheres tinham os mesmos direitos que os homens e eram as protagonistas na política do Império brasileiro; a assinatura da Lei Áurea por uma mulher, a princesa Isabel, é exemplo disso.
04)o movimento feminista foi decisivo para a Revolução Industrial e a consolidação do capitalismo no século XIX; ao reivindicar e conquistar o direito ao trabalho nas fábricas, o movimento permitiu que as condições insalubres e as longas jornadas de trabalho atingissem igualmente homens e mulheres.
08)ao contrário do que se verificou em Atenas, assim que o voto foi instituído no Brasil as mulheres puderam votar e receber votos.
16)Atenas, considerada o berço da democracia, construiu um sistema político no qual parcelas da sociedade eram excluídas da participação política: escravos e estrangeiros, por exemplo.
32)o movimento sufragista britânico do final do século XIX e início do século XX contou com o apoio das forças policiais em seus protestos, que coagiram os parlamentares a aprovarem o direito das mulheres de votar e de receber votos.
UFSC2020Prova 1Questao 5PortuguêsGramática e Norma CultaDificil
Luiza Sahd 23/02/2018 5h
Você vivencia realmente o textão que publica na internet?
Este textão aqui não quer passar nem perto de te dar uma lição de moral. Viver de textão (como é o meu caso e de outros tantos colegas) faz com que a gente jamais tenha certeza do que está dizendo, principalmente porque as palavras escritas são estáticas. O mundo, não. Quando pergunto se você realmente vivencia o textão que compartilha na internet, minha preocupação não é com apontar hipocrisia ou incoerência na sua vida, mas que a gente consiga experimentar de verdade as coisas que prega exaustivamente. Ontem fui visitar um amigo e ele levantou a lebre do textão versus vida real. Particularmente, fiquei bolada com a quantidade de vezes em que exaltei iniciativas que nunca consegui ter na vida fora dos ecrãs. A gente se empolga com a hashtag #MeToo e tolera vagabundo assediando a colega de trabalho; reclama da piada impertinente do Silvio Santos, mas não consegue retrucar o primo mala que fez a mesma coisa no almoço de família; fica chocado com a negligência política em relação à saúde pública enquanto se enche de comida ensebada e cachaça. O textão tem sido um ensaio sem fim para o que queríamos da vida real – mas não temos muita disposição de bancar. Depois da conversa que tivemos sobre isso, saí da casa do amigo decidida a só abrir a boca para pregar sobre o que eu realmente fosse capaz de realizar no dia a dia. Não se passaram 24 horas desde então e eu já:
• Fui assediada sem esboçar reação, porque estava começando a chover e não quis ficar discutindo com um estranho enquanto meu cabelo se desfazia; • Me atrasei para a terapia, tempo contado e precioso de organização da minha vida; • Julguei secretamente uma mulher dando refrigerante para um moleque de fralda; • Ri da letra de uma música que, na verdade, deveria me dar motivos para chorar; • Burlei o boicote de anos a um restaurante porque estava morrendo de fome e pressa.
Pode ser que eu esteja enganada (adoraria!), mas como parte responsável pela existência de textões, meu único conselho útil nesse sentido, hoje, seria: se te falta coragem para pôr em prática o que colocamos na internet, desligue o textão e vá ver TV. Disponível em: https://luizasahd.blogosfera.uol.com.br/2018/02/23/voce-vivencia-realmente-o-textao-que-publica-na-internet. [Adaptado].
Acesso em: 31 ago. 2019.
Considere os trechos a seguir, extraídos do Texto 4, e a variedade padrão da língua escrita.
I. Este textão aqui não quer passar nem perto de te dar uma lição de moral. (linha 01) II. Viver de textão [...] faz com que a gente jamais tenha certeza do que está dizendo [...]. (linhas 01-03) III. Fui assediada sem esboçar reação, porque estava começando a chover e não quis ficar discutindo com um estranho enquanto meu cabelo se desfazia. (linhas 18-19) IV. [...] se te falta coragem para pôr em prática o que colocamos na internet, desligue o textão e vá ver TV. (linhas 25-26)
Em relação aos trechos, é correto afirmar que:
01)em I, os termos “Este” e “aqui” pertencem a classes de palavras diferentes, mas desempenham o papel de indicar que a autora refere-se ao seu próprio texto.
02)em II, a locução “a gente” apresenta valor semântico de pronome de primeira pessoa do plural.
04)em III, a reescrita da sentença com o sujeito no plural fica “Fomos assediadas sem esboçar reações, porque estava começando a chover e não queríamos ficar discutindo com um estranho enquanto nosso cabelo se desfazia.”.
08)em II e IV, as sentenças são escritas com verbos impessoais.
16)em III, as palavras “assediada”, “começando” e “discutindo” desempenham a mesma função gramatical.
32)em IV, a autora expressa seu posicionamento crítico à forma de fazer crítica por meio de “textão” publicado na internet.
UFSC2020Prova 2Questao 5HistóriaSociedade, meio ambiente e históriaMedia
O planeta passou por grandes mudanças geológicas, climáticas e ambientais no passado e continua a passar por isso ainda hoje [...]. Os humanos também criaram tecnologias que forjaram processos sem precedentes de mudanças ambientais, não igualadas por outra espécie. A história humana intensifica o alcance e a escala de seu impacto nas mudanças ecológicas do último século.
GOUCHER, Candice; WALTON, Linda. História mundial: jornadas do passado ao presente. Porto Alegre: Penso, 2011. p. 36-37. Em relação à ação humana, ao desenvolvimento, à tecnologia e aos impactos ambientais, é correto afirmar que:
01)os humanos moldaram os mais diversos ambientes, adaptando-os às suas conveniências e necessidades; no entanto, os ambientes não interferiram no curso da história humana.
02)as alterações ambientais verificadas especialmente no último século exigiram mudanças no estilo de vida e até mesmo a migração forçada de populações.
04)episódios como o recentemente verificado em Brumadinho (MG) apontam para a fatalidade dos desastres ambientais, contra os quais os seres humanos são impotentes.
08)as várias tecnologias empregadas nos mais diversos processos produtivos, como a mineração e o agronegócio, alteram a percepção que se tem da natureza, a qual passa a ser considerada como algo a ser dominado e controlado pelos esforços humanos, com vistas ao crescimento econômico.
16)a estratégia de ocupação da Amazônia nos anos 1970 levou em conta não apenas uma proposta de desenvolvimento econômico da região, mas também uma preocupação com a ecologia e a sustentabilidade.
32)o garimpo de Serra Pelada foi e continua sendo um exemplo de exploração mineral que observa os princípios técnicos da sustentabilidade.
UFSC2020Prova 2Questao 6HistóriaIluminismo e Revolução FrancesaDificil
Texto 1
Nesse contexto, entendo que “barbárie” signifique duas coisas. Primeiro, ruptura de regras e comportamento moral pelos quais todas as sociedades controlam as relações entre seus membros e, em menor extensão, entre seus membros e os de outras sociedades. Em segundo lugar, ou seja, mais especificamente, a reversão do que poderíamos chamar de projeto do Iluminismo do século XVIII, a saber, o estabelecimento de um sistema universal de tais regras e normas de comportamento moral, corporificado nas instituições dos Estados e dedicado ao progresso racional da humanidade: à Vida, Liberdade e Busca da Felicidade, à Igualdade, Liberdade e Fraternidade ou seja lá o que for. [...] Entretanto, o que torna as coisas piores, o que sem dúvida as tornará piores no futuro, é o constante desmantelamento das defesas que a civilização do Iluminismo havia erigido contra a barbárie, e que tentei esboçar nesta palestra. O pior é que passamos a nos habituar ao desumano. Aprendemos a tolerar o intolerável.
HOBSBAWM, Eric. Barbárie: manual do usuário. In: HOBSBAWM, Eric. Sobre história. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 268, 269, 279.
Texto 2
[...] desenvolvemos um conjunto de quatro sinais de alerta que podem nos ajudar a reconhecer um autoritário. Nós devemos nos preocupar quando políticos: 1) rejeitam, em palavras ou em ações, as regras democráticas do jogo; 2) negam a legitimidade de oponentes; 3) toleram e encorajam a violência; e 4) dão indicações de disposição para restringir liberdades civis de oponentes, inclusive a mídia. LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2018. p. 32.
Com base nos textos acima e nos conhecimentos de História, é correto afirmar que:
01)de acordo com o Texto 1, os filósofos iluministas padeciam de contradições; criticavam aqueles que se opunham às monarquias absolutistas e defendiam restrições às liberdades individuais, entretanto alardeavam que suas ideias eram inéditas e iluminadas.
02)os Textos 1 e 2 concordam ao afirmar que os conceitos de igualdade e de democracia fortaleceram-se progressivamente até estarem plenamente consolidados nos dias atuais.
04)o uso do Estado para perseguir opositores e censurar opiniões divergentes é característico da França pré-revolucionária; após a Revolução Francesa, os políticos dos países ocidentais não mais adotaram comportamentos como os descritos no Texto 2.
08)tanto o autor do Texto 1 quanto os autores do Texto 2 demonstram preocupação com o avanço de práticas autoritárias nas democracias modernas, colocando em risco alguns postulados da democracia.
16)inspirada por ideais iluministas, a Revolução Francesa teve fases e projetos políticos distintos: durante a República Jacobina, houve ações voltadas aos interesses das classes populares, como facilitar a aquisição de terras para o pequeno produtor e tabelar gêneros de primeira necessidade, já a “Reação Termidoriana” foi marcada pela aliança entre a alta burguesia francesa e o exército de modo a impedir tanto o retorno dos jacobinos quanto o do Antigo Regime.
32)o Congresso de Viena, de 1815, buscava restaurar o poder das dinastias após a derrota de Napoleão e suplantar as ideias liberais engendradas pela Revolução Francesa.
64)os autores do Texto 2, ao descreverem as características de um político autoritário, referem-se a Napoleão Bonaparte, conhecido como o primeiro imperador populista da Europa.
pós
os homens as mulheres nascem crescem
veem como os outros nascem
como desaparecem
desse mistério brota um cemitério
enterram carcaças depois esquecem
os homens as mulheres nascem crescem
veem como os outros nascem
como desaparecem
registram registram com o celular
fazem planilhas depois esquecem
torcem pra que demore sua vez
os homens as mulheres
não sabem o que vem depois
então fazem uma pós
os homens as mulheres nascem crescem
sabem que um dia nascem
noutro desaparecem
mas nem por isso se esquecem
de apagar o gás e a luz
FREITAS, Angélica. Um útero é do tamanho de um punho. São Paulo: Companhia das Letras, 2017, p. 54.
Com base no Texto 5, na leitura integral de Um útero é do tamanho de um punho, de Angélica Freitas, originalmente publicada em 2012, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
01)o termo “pós” no poema remete à passagem da vida e também pode ser associado pontualmente a um curso acadêmico.
02)a última estrofe do poema sintetiza a banalidade da vida, razão pela qual o eu poético afirma que é indiferente apagar o gás ou a luz.
04)em “veem” (versos 02 e 07), a vogal dobrada sinaliza a flexão do verbo “ver” na terceira pessoa do plural do presente do indicativo, tendo como sujeito “os homens as mulheres”.
08)o poema equipara o ciclo da vida de homens e de mulheres, o que contrasta com a maior parte da obra Um útero é do tamanho de um punho, em que são exploradas questões biológicas, construções sociais e relações afetivas da mulher.
16)os termos “crescem”, “nascem”, “desaparecem” e “esquecem” atuam como verbos intransitivos, uma vez que não necessitam de complemento.
No Presarium Vestibulares, você resolve essas questões com correção na hora, comentário e um painel que cruza a incidência com o seu desempenho — e monta sua lista de prioridade automaticamente.