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UFSC2022Prova 1Questao 1PortuguêsInterpretação de textoMedia
Diário da quarentena
Um relato sincero de um confinamento em família durante a pandemia
01 Algum momento em janeiro de 2020 — Li num jornal sobre um vírus na China. Que viagem
02 se preocuparem com um vírus na China. As pessoas morrem de dengue no Brasil e a imprensa
03 preocupada com moléstia de morcego na Cochinchina?
04 15 de março de 2020 — Duas semanas sem sair de casa. Minha irmã conseguiu um
05 esquema de compra de álcool em gel 70% na dark-web. Ela comprou 100 litros para mim. A ex-
06 -namorada do meu primo é irmã de um traficante de drogas, mísseis terra-ar e animais silvestres
07 que me conseguiu 10 máscaras N-95 em troca do nosso Honda Fit, mais seis parcelas de
08 R$ 2.000,00. Minha mulher ficou um pouco ressabiada com minha atitude intempestiva, mas foi
09 convencida de que é melhor estar vivo sem carro do que morto com carro.
10 15 de março de 2020 — Tem álcool em gel e máscara pra vender nas lojas Americanas a
11 R$ 9,99 o litro e
R$ 20,00 a dúzia. Frete grátis. Minha mulher ameaçou sair de casa. Eu disse que
12 ela não podia sair de casa por causa da quarentena. Dividimos a casa. Eu fico quarentenado no
13 lavabo, ela e as crianças no resto do apartamento. Ainda acho que saiu barato.
14 01 de abril de 2020 — O traficante devolveu meu Honda Fit! Mentira: 1º de abril! (Sei que é
15 estúpido tentar enganar a mim mesmo no primeiro de abril. Coisas da quarentena. No lavabo.).
16 20 de abril de 2020 — Minha mulher teve dificuldades para abrir um pote de palmito. Pediu
17 ajuda. Negociei bem: em troca, eu poderia usar o resto da casa. Sorte que minha mulher ama
18 palmito mais do que me odeia. Vitória!
19 23 de abril de 2020 — As crianças não aguentam mais ficar fechadas no apartamento.
20 Liberamos Netflix o dia inteiro. Liberamos sorvete o dia inteiro. Banho só aos domingos. O único
21 ponto em que conseguimos não transigir foi sobre fumarem cigarro e beberem uísque antes do
22 meio-dia. Isso não. Eles têm seis e cinco anos, precisam de regras.
23 26 de maio de 2020 — Começaram as aulas em casa, com apostilas e lives por hang-out. Ao
24 contrário do que eu pensava, não é só conectar e deixá-los ali. Tem que ficar do lado o tempo todo
25 ajudando. Buscando régua. Buscando tesoura. Buscando “botões de diferentes cores”. Buscando
26 “barbante ou outro tipo de linha”. Ensinando como põe e tira do mudo. Explicando que caxorro não
27 é com x. Reconectando quando cai. Não consigo mais trabalhar. Nem comer. Nem dormir.
28 27 de maio de 2020 — Eu e a minha mulher decidimos acabar com essa história de
29 homeschooling. (Adaptando aquela piada do cunhado: se homeschooling fosse bom, não tinha
30 “choo” no meio). Caso eu morra e este diário venha a público: Pedro, Bel, Paula, cunhado e
31 cunhadas queridos, amo vocês. É só uma piada pra mim mesmo no meu diário. Coisas da
32 quarentena.
33 3 de junho de 2020 — Meus filhos se revoltaram por não ter aula. Liberamos sorvete e Netflix
34 desde o café da manhã e cigarro e uísque depois das dez. Insistimos para que não fumem na
35 cama nem na cabana da Peppa, pelo risco de incêndio.
36 187 de junho — Sim. Cento e oitenta e sete de junho. Os dias não passam. As semanas não
37 passam. Estamos presos em 2020. #diadamarmotafeelings.
38 Julho. Acho — Tomei todo o uísque das crianças. Peguei a máquina de fazer barba e cortei o
39 meu cabelo e o delas. Liguei pra uma ex-namorada da quinta série, chorando. Vomitei em cima do
40 quebra-cabeças de 2.000 peças da Patrulha Canina que minha mulher e as crianças estavam
41 terminando de montar. Tuitei contra a #foicedesaopaulo e a #globolixo e só lembrei que eu
42 trabalhava para a Folha e a Globo quando ligaram de lá para me demitir. De volta pro lavabo.
43 Rezando para que saia logo a vacina. Ou para que ainda haja na despensa algum pote de palmito.
Antonio Prata, escritor e roteirista, autor de Nu, de botas.
Folha de São Paulo. 25 jul. 2020.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2020/07/diario-da-quarentena.shtml. [Adaptado].
Acesso em: 20 out. 2021.
Com base no texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
01)o texto evidencia a intensificação das dificuldades econômicas enfrentadas pelo narrador, que perde o emprego e precisa vender o carro para sustentar a família.
02)a ideia central do texto é que deveríamos nos preocupar com doenças que matam muitas pessoas todos os anos no Brasil, como a dengue, em vez de ficar em quarentena.
04)o termo “Tuitei” (linha 41) caracteriza-se como um verbo que segue as regras de formação morfológica do português brasileiro.
08)a experiência de “homeschooling” permitiu que a família estabelecesse novos laços afetivos ao oportunizar que os filhos desenvolvessem atividades escolares com a mediação dos pais.
16)as passagens “187 de junho” (linha 36) e “Julho. Acho” (linha 38) servem para dar a ideia da desorientação mental do narrador em função da grande quantidade de dias em quarentena.
32)as hashtags “#diadamarmotafeelings”, “#foicedesaopaulo” e “#globolixo” indicam sentimentos e posicionamentos conflitantes do narrador.
UFSC2022Prova 2Questao 1HistóriaArte e cultura no Brasil (Modernismo e Tropicalismo)Media
Texto 1: MBL acusa o MAM de erotização infantil em performance Uma performance no Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo, é o novo alvo do Movimento Brasil Livre (MBL). O grupo acusa a instituição de promover a “erotização infantil”, depois que começaram a circular imagens de um homem nu sendo tocado por uma criança. A performance foi realizada pelo artista fluminense Wagner Schwartz, que participava do evento “35º Panorama da Arte Brasileira”, na última terça-feira. O ato, chamado “La Bête”, é baseado nos Bichos de Lygia Clark, que são esculturas de alumínio que podem ser manipuladas pelo público. Disponível em: https://exame.com/brasil/mbl-acusa-o-mam-de-erotizacao-infantil-em-performance.
Texto 2: Nota de esclarecimento do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) O Museu de Arte Moderna de São Paulo informa que a performance “La Bête”, que está sendo questionada em páginas no Facebook, foi realizada na abertura da Mostra Panorama da Arte Brasileira, em apresentação única. [...] O MAM reafirma que dedica especial atenção à orientação do público quanto ao teor de suas iniciativas, apontando com clareza eventuais temas sensíveis em exposição. O Museu lamenta as interpretações açodadas e manifestações de ódio e de intimidação à liberdade de expressão que rapidamente se espalharam pelas redes sociais. A instituição acredita no diálogo e no debate plural como modo de convivência no ambiente democrático, desde que pautados pela racionalidade e pela correta compreensão dos fatos.
Disponível em: https://www.facebook.com/MAMoficial/posts/1739164126114627. Acesso em: 14 out. 2021.
Texto 3: Rock’n’roll – Nando Reis
Em algum momento, virou o tempo Dessa gente doente, de língua maledicente Um deslizamento derramou cimento Transforme a inocência da nudez da gente somente em Entre a loucura e a razão perversão Já não há silêncio, tudo é barulhento Se Deus fosse consultado, qual seria o resultado? Muito movimento, pouco pensamento Escolheria algum dos lados dos inimigos tresloucados Sobra opinião [...] Lunáticos, fanáticos por suas crenças ou pela religião? Toda nudez é inocente, até que a mente indecente [...] Disponível em: https://www.letras.mus.br/nando-reis/rock-n-roll.
Sobre a arte e as manifestações artísticas ao longo da história, é correto afirmar que:
01)o MBL se baseia na compreensão de arte do Renascimento ao rejeitar o nu como forma artística e priorizar a racionalidade inerente aos bons costumes.
02)o texto 2 e o texto 3 veiculam opiniões semelhantes ao apontarem que as exposições artísticas contemporâneas são pautadas pela sexualidade e pela perversão, consideradas fundamentais para o ambiente democrático.
04)o tropicalismo dos anos 1960, liderado por Caetano Veloso e baseado no jargão “é proibido proibir”, pretendia criar um movimento de dissolução das famílias, de sexualização precoce das crianças e de implantação de um regime comunista aos moldes da URSS no Brasil.
08)os três textos referem-se a obras de arte; entretanto, para os historiadores, as artes plásticas, como quadros e esculturas, são mais importantes para a compreensão das sociedades do que canções, como o texto 3.
16)a nota do Museu de Arte Moderna de São Paulo e a letra da canção de Nando Reis convergem ao compreenderem a nudez como expressão artística e discordam da compreensão de arte do MBL, que enxergou no caso mencionado um exemplo de “erotização infantil”.
32)o modernismo brasileiro dos anos 1920 trouxe elementos que buscaram chocar a sociedade e romper com modelos importados considerados conservadores; tal postura provocou críticas de parte da sociedade da época, que não compreendia aquele movimento como artístico.
UFSC2022Prova 1Questao 2PortuguêsInterpretação de textoMedia
Diário da quarentena
Um relato sincero de um confinamento em família durante a pandemia
01 Algum momento em janeiro de 2020 — Li num jornal sobre um vírus na China. Que viagem
02 se preocuparem com um vírus na China. As pessoas morrem de dengue no Brasil e a imprensa
03 preocupada com moléstia de morcego na Cochinchina?
04 15 de março de 2020 — Duas semanas sem sair de casa. Minha irmã conseguiu um
05 esquema de compra de álcool em gel 70% na dark-web. Ela comprou 100 litros para mim. A ex-
06 -namorada do meu primo é irmã de um traficante de drogas, mísseis terra-ar e animais silvestres
07 que me conseguiu 10 máscaras N-95 em troca do nosso Honda Fit, mais seis parcelas de
08 R$ 2.000,00. Minha mulher ficou um pouco ressabiada com minha atitude intempestiva, mas foi
09 convencida de que é melhor estar vivo sem carro do que morto com carro.
10 15 de março de 2020 — Tem álcool em gel e máscara pra vender nas lojas Americanas a
11 R$ 9,99 o litro e
R$ 20,00 a dúzia. Frete grátis. Minha mulher ameaçou sair de casa. Eu disse que
12 ela não podia sair de casa por causa da quarentena. Dividimos a casa. Eu fico quarentenado no
13 lavabo, ela e as crianças no resto do apartamento. Ainda acho que saiu barato.
14 01 de abril de 2020 — O traficante devolveu meu Honda Fit! Mentira: 1º de abril! (Sei que é
15 estúpido tentar enganar a mim mesmo no primeiro de abril. Coisas da quarentena. No lavabo.).
16 20 de abril de 2020 — Minha mulher teve dificuldades para abrir um pote de palmito. Pediu
17 ajuda. Negociei bem: em troca, eu poderia usar o resto da casa. Sorte que minha mulher ama
18 palmito mais do que me odeia. Vitória!
19 23 de abril de 2020 — As crianças não aguentam mais ficar fechadas no apartamento.
20 Liberamos Netflix o dia inteiro. Liberamos sorvete o dia inteiro. Banho só aos domingos. O único
21 ponto em que conseguimos não transigir foi sobre fumarem cigarro e beberem uísque antes do
22 meio-dia. Isso não. Eles têm seis e cinco anos, precisam de regras.
23 26 de maio de 2020 — Começaram as aulas em casa, com apostilas e lives por hang-out. Ao
24 contrário do que eu pensava, não é só conectar e deixá-los ali. Tem que ficar do lado o tempo todo
25 ajudando. Buscando régua. Buscando tesoura. Buscando “botões de diferentes cores”. Buscando
26 “barbante ou outro tipo de linha”. Ensinando como põe e tira do mudo. Explicando que caxorro não
27 é com x. Reconectando quando cai. Não consigo mais trabalhar. Nem comer. Nem dormir.
28 27 de maio de 2020 — Eu e a minha mulher decidimos acabar com essa história de
29 homeschooling. (Adaptando aquela piada do cunhado: se homeschooling fosse bom, não tinha
30 “choo” no meio). Caso eu morra e este diário venha a público: Pedro, Bel, Paula, cunhado e
31 cunhadas queridos, amo vocês. É só uma piada pra mim mesmo no meu diário. Coisas da
32 quarentena.
33 3 de junho de 2020 — Meus filhos se revoltaram por não ter aula. Liberamos sorvete e Netflix
34 desde o café da manhã e cigarro e uísque depois das dez. Insistimos para que não fumem na
35 cama nem na cabana da Peppa, pelo risco de incêndio.
36 187 de junho — Sim. Cento e oitenta e sete de junho. Os dias não passam. As semanas não
37 passam. Estamos presos em 2020. #diadamarmotafeelings.
38 Julho. Acho — Tomei todo o uísque das crianças. Peguei a máquina de fazer barba e cortei o
39 meu cabelo e o delas. Liguei pra uma ex-namorada da quinta série, chorando. Vomitei em cima do
40 quebra-cabeças de 2.000 peças da Patrulha Canina que minha mulher e as crianças estavam
41 terminando de montar. Tuitei contra a #foicedesaopaulo e a #globolixo e só lembrei que eu
42 trabalhava para a Folha e a Globo quando ligaram de lá para me demitir. De volta pro lavabo.
43 Rezando para que saia logo a vacina. Ou para que ainda haja na despensa algum pote de palmito.
Antonio Prata, escritor e roteirista, autor de Nu, de botas.
Folha de São Paulo. 25 jul. 2020.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2020/07/diario-da-quarentena.shtml. [Adaptado].
Acesso em: 20 out. 2021.
Com base no texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
01)o texto 1 estimula o consumo de drogas lícitas, como cigarro e álcool, por menores de idade.
02)na passagem “Algum momento em janeiro de 2020” (linha 01), o pronome indefinido sublinhado se refere, de modo vago e impreciso, a uma data qualquer de janeiro.
04)após o ápice de seu descontrole no mês de julho, o narrador encerra o texto arrependido e em oração pelo fim da pandemia e para que não falte alimento em sua despensa.
08)os parênteses (linhas 14-15) são um recurso utilizado para oferecer explicações ao leitor sobre um ponto que não se relaciona com a narrativa.
16)a passagem “Ainda acho que saiu barato” (linha 13) faz referência ao valor pago pelas 10 máscaras N-95.
32)o texto é predominantemente narrado no pretérito.
UFSC2022Prova 2Questao 2HistóriaHistória da ciência, universidades e InquisiçãoMedia
Diálogo em processo inquisitorial do século XVI na Península Itálica INQUISIDOR: Os anjos, que para você são ministros de Deus na criação do mundo, foram feitos diretamente por Deus, ou então por quem? MENOCCHIO: Foram produzidos pela natureza, a partir da mais perfeita substância do mundo, assim como os vermes nascem do queijo, e quando apareceram receberam vontade, intelecto e memória de Deus, que os abençoou.
GINZBURG, Carlo. O queijo e os vermes: o cotidiano e as ideias de um moleiro perseguido pela Inquisição. São Paulo:
Sobre o fragmento acima, as universidades e as ciências ao longo da história, é correto afirmar que:
01)até o início do período moderno, em meados do século XV, não houve condições intelectuais para criar universidades; as primeiras universidades, como as de Salamanca, Paris e Bolonha, foram criadas para questionar os postulados do cristianismo e do capitalismo.
02)excelência de seus cursos de graduação e pós-graduação, reconhecimento este materializado em 2021 pelo aumento de recursos disponibilizados pelo governo federal para auxílios a estudantes, bolsas de pós-graduação, ampliação de vagas e criação de cursos.
04)a Inquisição foi uma instituição medieval que queimou pessoas com ideias contrárias aos postulados católicos; no entanto, com o desabrochar do Renascimento e do período moderno, a Igreja adotou o culto à razão e os inquisidores deixaram de existir.
08)os territórios da América espanhola e da América portuguesa instituíram suas primeiras universidades somente a partir de meados do século XX.
16)a ciência muitas vezes chocou-se com dogmas religiosos e crenças; no início do período moderno, a Inquisição condenou cientistas como Galileu Galilei, que defendia o heliocentrismo, ao passo que, no século XXI, parte da sociedade e alguns políticos rejeitaram vacinas produzidas por universidades e centros de pesquisa.
32)durante o período medieval, a austera cultura oficial promovida pelos governos feudais e pelas autoridades da Igreja, associada à repressão inquisitorial, impediu manifestações da cultura popular.
UFSC2022Prova 2Questao 3HistóriaNazifascismo e totalitarismoMedia
O fascínio é um fenômeno social, e o fascínio que Hitler exercia sobre o seu ambiente deve ser definido em termos daqueles que o rodeavam. A sociedade tende a aceitar uma pessoa pelo que ela pretende ser, de sorte que um louco que finja ser um gênio sempre tem certa possibilidade de merecer crédito, pelo menos no início. Na sociedade moderna, com sua falta de discernimento, essa tendência é ainda maior, de modo que uma pessoa que não apenas tem certas opiniões, mas as apresenta num tom de inabalável convicção, não perde facilmente o prestígio, não importa quantas vezes tenha sido demonstrado seu erro. ARENDT, Hannah. Origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. E-book. Com base no texto acima e no contexto histórico da época a que se refere, é correto afirmar que:
01)o bombardeio em Dresden, na Alemanha, pela força aérea britânica, assim como as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, foram ações militares imprescindíveis, sem as quais a II Guerra Mundial não terminaria.
02)a ascensão do nazifascismo após a I Guerra Mundial deu-se a partir da crítica ao “velho” Estado liberal, associada ao receio da expansão dos ideais de esquerda, comunistas e socialistas, e do sentimento nacionalista contra as imposições do Tratado de Versalhes.
04)no Brasil, as populações descendentes de alemães, italianos e japoneses foram afetadas pela proibição de manifestações culturais e de uso da língua, bem como pelo fechamento de escolas e jornais.
08)de acordo com a autora, um dos fatores para o poder de Hitler era a propalação de absurdos e mentiras com tamanha convicção que seus apoiadores nem sequer desconfiavam da veracidade das suas afirmações; atualmente, a internet eliminou a mentira como estratégia política.
16)Inglaterra, França e Estados Unidos formaram uma frente desde o primeiro momento para impedir a ascensão do totalitarismo e salvaguardar a democracia europeia; exemplo disso foi o envio de tropas em apoio à República durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).
32)o texto traça componentes sociais que fizeram com que as ideias totalitárias de Hitler encontrassem apoio entre o povo alemão.
Charge sobre coronavírus feita por jornal europeu irrita China
China afirma que a charge excedeu o “limite ético da liberdade de expressão”. Mais de 100
pessoas já morreram no país por causa do coronavírus.
Reprodução/Niels BoBojesen/Jyllands-Posten
Na charge, vírus da doença substituem as estrelas da bandeira chinesa.
01 Uma charge divulgada nesta segunda-feira (27/1/2020) pelo jornal dinamarquês Jyllands
02 Posten irritou as autoridades da China, ao substituir as estrelas da bandeira do país asiático
03 por moléculas do coronavírus. A embaixada chinesa na Dinamarca afirmou que o desenho é
04 um “insulto à China, que fere o povo chinês”.
05 O surto do coronavírus teve início na China. Mais de 100 pessoas já morreram no país e
06 outras 4.500 estão infectadas pela doença. A embaixada chinesa argumentou que a charge
07 excedeu o “limite ético da liberdade de expressão”. Por isso, a entidade exigiu que o jornal e o
08 cartunista, Niels Bo Bojesen, realizassem uma desculpa pública ao povo chinês.
09 Contudo, o editor do jornal, Jacob Nybroe, declarou nesta terça-feira (28/1/2020) que
10 “não podemos nos desculpar por algo que não achamos que está errado. Não temos a
11 intenção de humilhar, nem de brincar, e não acreditamos que a charge a tenha”.
Disponível em: https://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2020-01-28/charge-sobre-coronavirus-feita-por-jornal-
europeu-irrita-china.html. [Adaptado]. Acesso em: 20 out. 2021.
Com base no texto 2 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
01)a interpretação da charge depende do contexto das informações noticiadas a partir do surgimento do coronavírus.
02)a charge produzida pelo jornal dinamarquês Jyllands Posten e reproduzida no início da matéria jornalística é composta de linguagem verbal e não verbal.
04)o texto traz uma notícia cuja informação principal é o surgimento do surto de coronavírus na China.
08)o diretor do jornal dinamarquês Jyllands Posten desculpou-se pela publicação da charge alegando não ter a intenção de humilhar tampouco de brincar com a nação chinesa.
16)a palavra “coronavírus” é formada por derivação.
32)a acentuação gráfica das palavras “asiático” (linha 02), “ético” (linha 07) e “pública” (linha 08) obedece à regra das proparoxítonas; já a de “dinamarquês” (linha 01), “chinês” (linha 04) e “país” (linha 05) segue as regras das oxítonas.
Além do mais, com o predomínio do café na região, São Paulo ia se tornando a província mais rica da União, sem a correspondente representação no Congresso. Nas três últimas décadas do século, a cafeicultura expandiu-se decisivamente no Oeste Paulista, suplantando a produção fluminense já nos anos 1880. SCHWARCZ, Lilia M.; STARLING, Heloisa M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 301. A respeito da produção e da economia cafeeira no Brasil, é correto afirmar que:
01)o texto menciona a insatisfação dos cafeicultores paulistas com o governo de Vargas, que rompeu com a “política do café com leite”.
02)apesar de a grande produção cafeeira concentrar-se no Sudeste, possibilitando o surgimento dos barões do café, essa região não teve a mesma projeção econômica que o Sul, que se destacou na economia devido a sua grande produção de charque.
04)os incêndios na Amazônia são provocados por ativistas ambientais e ONGs estrangeiras cujo objetivo é usar o fértil solo amazônico para a produção cafeeira de exportação.
08)com a expansão da cafeicultura, proprietários que haviam ganhado terras da família real no Vale do Paraíba investiram contra posseiros, pequenos lavradores e grupos indígenas, expulsando-os e consolidando as grandes unidades cafeicultoras voltadas à exportação.
16)a produção cafeeira e o tráfico de escravos eram atividades complementares no Império brasileiro até 1850, data da promulgação da Lei Eusébio de Queiroz; a partir de então, o café passou a ser produzido por imigrantes italianos e alemães, encerrando a participação negra no principal ativo do II Reinado.
32)a criação da malha ferroviária brasileira está diretamente associada ao café; durante a “Era Mauá”, ferrovias foram construídas com investimentos ingleses de modo a escoar a produção para os portos do país.
UFSC2022Prova 1Questao 4PortuguêsInterpretação de textoMedia
Com base no texto 3 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
01)o texto 3 evidencia que a mãe não se preocupa com o filho, apenas com o trabalho.
02)o texto 3 é uma peça publicitária de uma marca de alimentos veiculada na mídia para problematizar a condição de gênero da mulher em tempos de pandemia.
04)no contexto, o uso do verbo “estar” no presente indica a ocupação da mãe naquele momento, o verbo “entrar” no imperativo sinaliza uma ordem e o verbo “ser” no futuro antecipa respostas a questões que podem vir a ser feitas.
08)trata-se de uma forma de interação produzida por uma mãe em que se respondem a perguntas que poderiam ser feitas durante a jornada de trabalho remoto dela.
16)a mãe justifica que não fará almoço pois estará em reunião.
32)o elenco de termos e frases desconexas como “UMA FRUTA”, “NÃO” e “NO SEU QUARTO” dificulta a compreensão da mensagem central.
64)o uso do advérbio “certamente” remete à ideia de que a mãe é questionada frequentemente sobre as mesmas coisas.
UFSC2022Prova 2Questao 5HistóriaPós-abolição e Primeira RepúblicaMedia
Texto 1: Na escravidão, em última análise, a responsabilidade de manter o produtor direto atrelado à produção cabia a cada proprietário/senhor individualmente. [...] Com a desagregação da escravidão e a consequente falência das práticas tradicionais, como garantir que os negros, agora libertos, se sujeitassem a trabalhar para a continuidade da acumulação de riqueza de seus senhores/patrões? [...] Se não era mais viável acorrentar o produtor ao local de trabalho, ainda restava amputar-lhe a possibilidade de não estar regularmente naquele lugar. Daí o porquê, em nosso século, de a questão da manutenção da “ordem” ser percebida como algo pertencente à esfera do poder público e suas instituições específicas de controle – polícia, carteira de identidade, carteira de trabalho etc. CHALHOUB, Sidney. Cidade febril: cortiços e epidemias na Corte Imperial. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.
Texto 2: A polícia, não sei como e porquê, adquiriu a mania das generalizações, e as mais infantis. Suspeita de todo o sujeito estrangeiro com polacos, romaicos são para ela forçosamente cáftens; todo o cidadão de cor há de ser por força um malandro; e todos os loucos hão de ser por força furiosos e só transportáveis em carros blindados.
Texto 3: A república no Brasil é o regime da corrupção. Todas as opiniões devem, por esta ou aquela paga, ser estabelecidas pelos poderosos do dia. Ninguém admite que se divirja deles e, para que não haja divergências, há a “verba secreta”, os reservados deste ou daquele Ministério e os empreguinhos que os medíocres não sabem conquistar por si e com independência [...]. BARRETO, Lima. “A política republicana”. In: SCHWARCZ, Lilia M. Lima Barreto: triste visionário. São Paulo: Companhia
Sobre o assunto dos textos acima, é correto afirmar que:
01)Lima Barreto demonstra seu apreço à República recém-instituída e sua confiança nas forças policiais para vencer a corrupção e acabar com os bandidos que circulavam nas ruas do Rio de Janeiro.
02)ao escrever Cemitério dos vivos, Lima Barreto fez uma crítica aos alcoólatras, considerados como degenerados e párias de uma república que surgia para superar a velha política imperial.
04)os textos têm ideias complementares em relação ao regime republicano proclamado em 1889; mesmo com o fim do trabalho escravo, a população negra continuou marginalizada e a República tratou de construir mecanismos de controle e coerção dessa população.
08)o autor do texto 1 defende que a população escrava, por não estar acostumada com a ordem civilizatória do Ocidente, ao receber sua liberdade, precisava dar sua contribuição para a República trabalhando nas lavouras, respeitando as forças policiais e obedecendo aos donos de terra.
16)os militares atuaram decisivamente três vezes na história do Brasil: em 1889, eliminaram a corrupção e as festas nababescas da monarquia; em 1964, impediram a instauração de uma ditadura comunista; e, desde 2016, agem para impedir o avanço do terrorismo de esquerda e a degeneração da família tradicional brasileira.
32)os textos 1 e 2 têm ideias complementares; enquanto Lima Barreto afirma que os negros têm maior propensão à malandragem, Sidney Chalhoub enfatiza a necessidade de a polícia agir de forma repressiva contra essa população.
64)a proclamação da República de 1889 pode ser vista como um golpe perpetrado pelos militares que rompeu com a ordem monárquica; no entanto, as promessas republicanas, pautadas na igualdade e no progresso para todos os cidadãos, sem distinção de cor ou credo religioso, não se concretizaram.
Escritor Luiz Ruffato abre na ABL o ciclo de conferências “Cadeira 41”, sob coordenação da
Acadêmica Ana Maria Machado
01 A intitulação “Cadeira 41” remonta aos tempos de fundação da ABL, em 20 de julho de
02 1897. Criada nos mesmos moldes da Academia Francesa, o máximo de Acadêmicos era de
03 40, o que continua até os dias de hoje. Este ciclo, no entanto, pretende apresentar quatro
04 nomes que poderiam ocupar, em suas épocas, uma dessas cadeiras e que, por razões
05 diferentes e individuais, não se tornaram membro da Academia: Júlia Lopes de
06 Almeida, Lúcio Cardoso, Lima Barreto e Clarice Lispector.
07 De acordo com o palestrante, Júlia Lopes de Almeida (1862-1934) é um dos maiores
08 escritores brasileiros – assim mesmo, no masculino, segundo afirmou – e, no entanto, os
09 principais manuais e compêndios de história da literatura nacional sequer registram seu nome
10 em notas de rodapé.
11 “Autora da obra-prima A falência (1901), exemplo maior do romance realista, Júlia foi
12 cogitada para ocupar uma das cadeiras na fundação da Academia Brasileira de Letras, mas
13 acabou preterida, como uma espécie de prêmio de consolação, por seu marido, Felinto de
14 Almeida, bom pai, bom esposo, mas poeta medíocre. Em um momento em que as mulheres
15 não tinham nenhum espaço no meio intelectual [...] Júlia foi pioneira na literatura infantil (seus
16 contos infantis datam de 1886), pioneira no jornalismo (colaborou por mais de 30 anos no
17 jornal O País), pioneira na defesa dos direitos da mulher, além de abolicionista e republicana.
18 O silêncio que ainda hoje recai sobre ela é inadmissível, fruto de uma sociedade machista e
19 de uma crítica literária conservadora e provinciana”, adiantou Ruffato sobre sua palestra.
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Escritor Luiz Ruffato abre na ABL o ciclo de conferências “Cadeira 41”.
Disponível em: https://www.academia.org.br/noticias/escritor-luiz-ruffato-abre-na-abl-o-ciclo-de-conferencias-
cadeira-41-sob-coordenacao-da. [Adaptado]. Acesso em: 15 out. 2021.
Com base na leitura do texto 4, no contexto sócio-histórico e literário dos autores indicados para o vestibular e na variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
01)a ideia central do texto é defender a criação de mais uma vaga na Academia Brasileira de Letras, intitulada “Cadeira 41”.
02)ao se referir a Júlia Lopes de Almeida como “um dos maiores escritores brasileiros” (linhas 07 e 08), Luiz Ruffato emprega o gênero masculino para marcar a grandeza da autora entre escritores homens e mulheres.
04)em “os principais manuais e compêndios de história da literatura nacional sequer registram seu nome em notas de rodapé” (linhas 08-10), o uso de “sequer” reforça a campanha de Ruffato para a inclusão de Júlia Lopes de Almeida nas notas de rodapé.
08)embora o texto não explicite as razões pelas quais Lima Barreto, Júlia Lopes de Almeida e Clarice Lispector não se tornaram membros da Academia Brasileira de Letras, inferem-se questões como conservadorismo e preconceito racial e de gênero.
16)Júlia Lopes de Almeida trouxe importantes contribuições à estética realista, mas também fez uso da narrativa fantástica, com a presença de ambientes noturnos e de elementos com contornos sobrenaturais.
32)Luiz Ruffato condena o silêncio que recaiu sobre Júlia Lopes de Almeida como algo inadmissível, fruto de uma sociedade machista e de uma crítica literária conservadora e provinciana, cenário superado na atualidade.
UFSC2022Prova 2Questao 6HistóriaIntervencionismo dos EUA na América LatinaMedia
Entre 1900 e 1920, os EUA intervieram nos assuntos internos de pelo menos seis países do Hemisfério. [...] O presidente Wilson fazia discursos anticolonialistas e, apesar disto, interveio em Cuba, estabeleceu protetorados norte-americanos no Haiti e na república dominicana (sic.) e ainda apoiou uma ditadura na Nicarágua. O conflito mais visível entre princípios e práticas ocorreu durante a revolução Mexicana (sic.), quando levou os Estados Unidos à beira da guerra a fim de “ensinar o conturbado México a eleger boa gente”. FERNANDES, Luiz. E.; MORAIS, Marcus. V. Os EUA no século XIX. In: KARNAL, Leandro et al. História dos Estados Unidos: das origens ao século XXI. São Paulo: Contexto, 2007. p. 172. Com base no texto acima e na política externa dos Estados Unidos, é correto afirmar que:
01)no século XXI, o governo brasileiro, ao manter o monopólio da exploração do pré-sal, impedir a exploração das riquezas naturais do país por empresas estrangeiras e assumir o controle da Base de Alcântara, restringiu a interferência dos Estados Unidos na sua soberania nacional.
02)de acordo com o texto, em função das lutas internas, o México foi incapaz de administrar seu vasto território, de modo que, após tratativas diplomáticas e pacíficas, optou por vender o Texas, o Novo México e a Alta Califórnia para os EUA, gerando os recursos necessários para seu desenvolvimento industrial.
04)tendo em vista a consolidação das democracias na América Latina, os EUA evitaram a prática intervencionista no continente americano.
08)com a dissolução da URSS, o regime de Fidel Castro passou por dificuldades de abastecimento de energia e gêneros de primeira necessidade (Período Especial); nesse contexto, os EUA aprovaram a Lei Helms-Burton, que aplicava sanções a empresas norte-americanas e estrangeiras que mantivessem relações comerciais com Cuba, aumentando ainda mais os efeitos do bloqueio econômico contra o país.
16)durante o processo conhecido como Revolução Mexicana, os Estados Unidos, que almejavam o controle do petróleo mexicano, atuaram militarmente para colocar governantes atrelados aos seus interesses no país e sufocar os movimentos populares.
32)graças ao apoio dos Estados Unidos, na segunda metade do século XX, militares de países como Argentina, Chile e Brasil derrubaram presidentes comunistas que preparavam a “entrega” de seus respectivos países para a União Soviética.
UFSC2022Prova 1Questao 6PortuguêsAnálise do conto (Júlia Lopes de Almeida)Dificil
OS PORCOS
A Arthur Azevedo
01 Quando a cabocla Umbelina apareceu grávida, o pai moeu-a de surras, afirmando que
02 daria o neto aos porcos para que o comessem.
03 O caso não era novo, nem a espantou, e que ele havia de cumprir a promessa, sabia-o
04 bem. Ela mesma, lembrava-se, encontrara uma vez um braço de criança entre as flores
05 douradas do aboboral. Aquilo, com certeza, tinha sido obra do pai.
06 Todo o tempo da gravidez pensou, numa obsessão crudelíssima, torturante, naquele
07 bracinho nu, solto, frio, resto de um banquete delicado, que a torpe voracidade dos animais
08 esquecera por cansaço e enfartamento.
09 Umbelina sentava-se horas inteiras na soleira da porta, alisando com um pente vermelho
10 de celuloide o cabelo negro e corredio. Seguia assim, preguiçosamente, com olhar agudo e
11 vagaroso, as linhas do horizonte, fugindo de fixar os porcos, aqueles porcos malditos, que lhe
12 rodeavam a casa desde manhã até a noite.
ALMEIDA, Júlia Lopes de. Os porcos. In: ALMEIDA, Júlia Lopes de. Ânsia eterna. Brasília: Senado Federal, 2019. p. 39.
Com base na leitura do texto 5, na obra Ânsia eterna, de Júlia Lopes de Almeida, bem como no contexto sócio-histórico e literário, é correto afirmar que:
01)o conto tem como protagonista uma mulher, uma característica importante na produção literária da autora.
02)no conto, é possível destacar a presença de sentimentos conflituosos, como o desejo de vingança do amante e o medo de amar o filho.
04)Umbelina detesta o pai por sua brutalidade, mas respeita a vontade dele, entregando o filho aos porcos após o parto.
08)a protagonista é retratada com traços de animalidade, razão pela qual se revela incapaz de amar alguém, inclusive o próprio filho.
16)o título do conto faz referência aos porcos que vivem nos arredores da propriedade, caracterizados como criaturas sobrenaturais que necessitam de carne humana para sobreviver.
32)os adjetivos “crudelíssima” e “torturante” (linha 06) caracterizam os pensamentos da protagonista; já “nu”, “solto” e “frio” (linha 07) descrevem parte do corpo de uma criança.
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