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UFSC2023Prova 2Questao 1HistóriaIndependência do BrasilMedia
Texto 1
‘Tratado como se Dom Pedro I fosse vivo entre nós’, diz Itamaraty sobre viagem do coração do imperador
No ano em que os brasileiros relembram os 200 anos da independência do Brasil, o país contará com um símbolo pouco peculiar: o coração de Dom Pedro I, imperador responsável pelo mítico ‘Grito do Ipiranga’. [...] Alan Coelho Séllos, atual chefe do cerimonial do Itamaraty, disse que a chegada do órgão é como uma visita oficial. “Será tratado como se Dom Pedro I fosse vivo entre nós, não é? Portanto, ele será objeto de todas as medidas que se costumam atribuir a uma visita oficial, uma visita de Estado, de um soberano estrangeiro, no caso de um soberano brasileiro ao Brasil”, explica Coelho.
AVENTURAS NA HISTÓRIA. ‘Tratado como se Dom Pedro I fosse vivo entre nós’, diz Itamaraty sobre viagem do coração do imperador . 22 ago. 2022. Disponível em: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/tratado-como-se-dom-pedro-i-fosse-vivo-entrenos-diz-itamaraty-sobre-viagem-do-coracao-do-imperador.phtml. Acesso em: 6 set. 2022.
Texto 2
Emicida dá indireta a vice-presidente do Rock in Rio em fala política
Rapper rebateu ‘pessoal falando que festival não é lugar para falar sobre política’, como Roberta Medina, uma das responsáveis pelo Rock in Rio. [...] “Que daqui a 30 anos a gente seja espelho a outros, para que a gente nunca mais precise importar o coração do colonizador, porque a gente tem gente com coração nessa p%$$@”, seguiu Emicida, agora falando sobre o coração de Dom Pedro I trazido ao Brasil por Jair Bolsonaro.
OLIVEIRA, Luccas. Emicida dá indireta a vice-presidente do Rock in Rio em fala política. Tangerina. 4 set. 2022. Disponível em: https://tangerina.uol.com.br/musica/emicida-rock-in-rio-politica-critica. [Adaptado]. Acesso em: 6 set. 2022.
Sobre o contexto histórico das independências no Brasil e nos demais países da América Latina e as conexões desse contexto com o tempo presente, é correto afirmar que:
01)a construção do mito do heroísmo do 7 de setembro ganhou força no II Reinado, quando Dom Pedro II buscou consagrar seu progenitor e construir a narrativa da independência como um ato individual.
02)na fala do rapper, critica-se a ação paradoxal do governo brasileiro de celebrar o bicentenário da independência com honras de chefe de Estado a um órgão de um monarca português falecido, endossando as relações de exploração coloniais.
04)as efemérides são usadas politicamente pelos governantes; em 1972, a ditadura militar trouxe o corpo de Dom Pedro I como forma de celebrar o ufanismo nacionalista embasado no lema “Brasil, ame-o ou deixe-o”.
08)a independência brasileira foi marcada por uma série de lutas na Bahia entre grupos que desejavam a permanência do Brasil na condição de colônia e aqueles que pleiteavam a emancipação, com um saldo de mais de uma centena de mortos.
16)ao contrário de Dom Pedro I, Simón Bolívar, líder da independência na América Espanhola e pertencente à elite criolla, negociou a independência de Equador, Venezuela e Peru e tornou-se soberano no governo monárquico da Grã-Colômbia.
32)o brado de Dom Pedro I de “independência ou morte” em 7 de setembro de 1822 ressoou no território brasileiro, tornando-se naquele momento o símbolo da soberania do país em relação a Portugal.
UFSC2023Prova 1Questao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Media
Texto 1
Os novos antropófagos — Artistas da periferia de São Paulo lançam sua própria Semana de Arte Moderna
Manifesto da Antropofagia Periférica
01 A Periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor. Dos becos e vielas há de vir a voz que grita
02 contra o silêncio que nos pune. Eis que surge das ladeiras um povo lindo e inteligente
03 galopando contra o passado. A favor de um futuro limpo, para todos os brasileiros.
04 A favor de um subúrbio que clama por arte e cultura, e universidade para a diversidade.
05 Agogôs e tamborins acompanhados de violinos, só depois da aula.
06 Contra a arte patrocinada pelos que corrompem a liberdade de opção. Contra a arte fabricada
07 para destruir o senso crítico, a emoção e a sensibilidade que nasce da múltipla escolha.
08 A Arte que liberta não pode vir da mão que escraviza.
09 A favor do batuque da cozinha que nasce na cozinha e sinhá não quer. Da poesia periférica
10 que brota na porta do bar.
11 Do teatro que não vem do “ter ou não ter…”. Do cinema real que transmite ilusão.
12 Das Artes Plásticas, que, de concreto, querem substituir os barracos de madeira.
13 Da Dança que desafoga no lago dos cisnes.
14 Da Música que não embala os adormecidos.
15 Da Literatura das ruas despertando nas calçadas.
16 A Periferia unida, no centro de todas as coisas.
17 Contra o racismo, a intolerância e as injustiças sociais das quais a arte vigente não fala.
18 Contra o artista surdo-mudo e a letra que não fala.
19 É preciso sugar da arte um novo tipo de artista: o artista-cidadão. Aquele que na sua arte não
20 revoluciona o mundo, mas também não compactua com a mediocridade que imbeciliza um
21 povo desprovido de oportunidades. Um artista a serviço da comunidade, do país. Que,
22 armado da verdade, por si só exercita a revolução.
23 Contra a arte domingueira que defeca em nossa sala e nos hipnotiza no colo da poltrona.
24 Contra a barbárie que é a falta de bibliotecas, cinemas, museus, teatros e espaços para o
25 acesso à produção cultural.
26 Contra reis e rainhas do castelo globalizado e quadril avantajado.
27 Contra o capital que ignora o interior a favor do exterior. Miami pra eles? “Me ame pra nós!”.
28 Contra os carrascos e as vítimas do sistema.
29 Contra os covardes e eruditos de aquário.
30 Contra o artista serviçal escravo da vaidade.
31 Contra os vampiros das verbas públicas e arte privada.
32 A Arte que liberta não pode vir da mão que escraviza.
33 Por uma Periferia que nos une pelo amor, pela dor e pela cor.
34 É TUDO NOSSO!
(Sérgio Vaz, Poeta da Periferia.)
Com base no texto 1, é correto afirmar que:
01)o trecho “Agogôs e tamborins acompanhados de violinos, só depois da aula” (linha 05) aponta que é necessário estudar para tocar esses instrumentos.
02)é estabelecida uma relação de oposição entre o “artista surdo-mudo” (linha 18) e o “artista-cidadão” (linha 19).
04)ao citar “ter ou não ter” (linha 11), o autor faz uma alusão à famosa passagem de Shakespeare “ser ou não ser”, deixando implícita uma crítica ao consumismo.
08)a ideia central do texto é que um novo tipo de artista muda o mundo com a sua arte.
16)é um manifesto de cunho político, cultural e social, que busca marcar um posicionamento sobre a arte periférica, além de sensibilizar e persuadir o público a engajar-se nesse movimento.
UFSC2023Prova 1Questao 2PortuguêsModernismoMedia
Texto 1
Os novos antropófagos — Artistas da periferia de São Paulo lançam sua própria Semana de Arte Moderna
Manifesto da Antropofagia Periférica
01 A Periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor. Dos becos e vielas há de vir a voz que grita
02 contra o silêncio que nos pune. Eis que surge das ladeiras um povo lindo e inteligente
03 galopando contra o passado. A favor de um futuro limpo, para todos os brasileiros.
04 A favor de um subúrbio que clama por arte e cultura, e universidade para a diversidade.
05 Agogôs e tamborins acompanhados de violinos, só depois da aula.
06 Contra a arte patrocinada pelos que corrompem a liberdade de opção. Contra a arte fabricada
07 para destruir o senso crítico, a emoção e a sensibilidade que nasce da múltipla escolha.
08 A Arte que liberta não pode vir da mão que escraviza.
09 A favor do batuque da cozinha que nasce na cozinha e sinhá não quer. Da poesia periférica
10 que brota na porta do bar.
11 Do teatro que não vem do “ter ou não ter…”. Do cinema real que transmite ilusão.
12 Das Artes Plásticas, que, de concreto, querem substituir os barracos de madeira.
13 Da Dança que desafoga no lago dos cisnes.
14 Da Música que não embala os adormecidos.
15 Da Literatura das ruas despertando nas calçadas.
16 A Periferia unida, no centro de todas as coisas.
17 Contra o racismo, a intolerância e as injustiças sociais das quais a arte vigente não fala.
18 Contra o artista surdo-mudo e a letra que não fala.
19 É preciso sugar da arte um novo tipo de artista: o artista-cidadão.
(Sérgio Vaz, Manifesto da Antropofagia Periférica.)
Com base no texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
01)a afirmação, no início e no fim do manifesto, de que a “Periferia” (grafada com inicial maiúscula) se une pelo amor, pela dor e pela cor imprime uma identidade ao movimento.
02)o texto propõe a ruptura com os paradigmas da cultura elitista propostos pela Semana de Arte Moderna.
04)o título “Manifesto da Antropofagia Periférica” remete a outros manifestos do Modernismo brasileiro, propondo que a periferia seja deglutida pelo centro, de onde provém a verdadeira arte.
08)a relação entre os instrumentos do samba e os da música erudita (“Agogôs”, “tamborins” e “violinos” – linha 05) faz jus à proposta de antropofagia cultural iniciada pelos modernistas da década de 1920.
16)ao posicionar-se “Contra o artista surdo-mudo e a letra que não fala” (linha 18), o texto revela-se não inclusivo às pessoas com deficiência.
UFSC2023Prova 2Questao 2HistóriaEstado, nação e nacionalismoMedia
Texto 1
A Nação é imaginada como comunidade porque, sem considerar a desigualdade e exploração que atualmente prevalecem em todas elas, a nação é sempre concebida como um companheirismo profundo e horizontal. Em última análise, essa fraternidade é que torna possível, no decorrer dos últimos dois séculos, que tantos milhões de pessoas não só se matem, mas morram voluntariamente por imaginações tão limitadas. ANDERSON, Benedict. Nação e consciência nacional. São Paulo: Ática, 1989. p. 16.
Texto 2
O nacionalismo […] parecia manejável na estrutura do liberalismo burguês e compatível com ele. Um mundo de nações viria a ser, acreditava-se, um mundo liberal, e um mundo liberal seria feito de nações. O futuro viria a mostrar que a relação entre os dois não era tão simples assim. HOBSBAWM, Eric. A era do capital. São Paulo: Paz e Terra, 1982. p. 116.
Sobre os textos acima e a concepção de Estado, nação e nacionalismo, é correto afirmar que:
01)por procurar romper com os padrões estrangeiros em defesa de expressões artísticas genuinamente nacionais, o modernismo brasileiro, simbolizado pela Semana de Arte Moderna de 1922, não teve influência de movimentos da arte europeia, como o cubismo e o futurismo.
02)no texto 1, Benedict Anderson destaca as virtudes do avanço dos movimentos nacionalistas para a garantia da paz mundial, por meio da defesa das individualidades e do respeito às diversidades.
04)entre os séculos XIII e XVI, a decadência do sistema feudal na Europa Ocidental deu espaço a uma maior centralização política e à formação dos chamados Estados nacionais modernos, como Portugal, Espanha, França e Inglaterra.
08)no Brasil, o avanço dos movimentos fascistas nos anos 1930 motivou o então presidente Getúlio Vargas a implantar um novo modelo de governo, baseado na defesa da pluralidade de ideias e na rejeição ao nacionalismo extremo, conhecido como “Estado Novo”.
16)na segunda metade do século XIX, o avanço dos movimentos nacionalistas na Europa desencadeou intensos conflitos que resultaram em transformações geopolíticas, como as unificações italiana, em 1870, e alemã, em 1871.
32)o estabelecimento do Estado nacional brasileiro, em 1822, estava atrelado aos movimentos nacionalistas europeus e foi baseado na sólida construção do ideal de nação brasileira, desde o período colonial.
64)no texto 2, Eric Hobsbawm indicou que o fortalecimento dos nacionalismos no mundo liberal proporcionou relações complexas, entre as quais podemos incluir as disputas por territórios neocoloniais entre as nações industrializadas.
UFSC2023Prova 1Questao 3PortuguêsSintaxe (sujeito, concordância e pronomes)Dificil
Texto 1
Manifesto da Antropofagia Periférica (Sérgio Vaz)
08 A Arte que liberta não pode vir da mão que escraviza.
09 A favor do batuque da cozinha que nasce na cozinha e sinhá não quer. Da poesia periférica
13 Da Dança que desafoga no lago dos cisnes.
14 Da Música que não embala os adormecidos.
17 Contra o racismo, a intolerância e as injustiças sociais das quais a arte vigente não fala.
19 É preciso sugar da arte um novo tipo de artista: o artista-cidadão.
27 Contra o capital que ignora o interior a favor do exterior. Miami pra eles? “Me ame pra nós!”.
31 Contra os vampiros das verbas públicas e arte privada.
(Os números remetem às linhas do Texto 1.)
Com base no texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
01)o termo “vampiros” (linha 31) está sendo empregado como uma metonímia, em que a parte (dinheiro privado) é tomada pelo todo (dinheiro público).
02)no trecho “Miami pra eles? ‘Me ame pra nós!’” (linha 27), o autor joga com diferenças fonológicas e ortográficas entre o inglês e o português, reforçando a importância do nacional sobre o estrangeiro.
04)em “é preciso sugar da arte um novo tipo de artista: o artista-cidadão” (linha 19), a parte sublinhada corresponde ao sujeito, termo oracional sobre o qual é feita uma afirmação.
08)a oração “que liberta” (linha 08) amplia a abrangência do nome “Arte”, correspondendo a uma oração adjetiva explicativa.
16)as expressões “do batuque” (linha 09), “Da Dança” (linha 13) e “Da Música” (linha 14) correspondem a complementos do nome “favor” (linha 09), indicados como os mais importantes elementos do Manifesto da Antropofagia Periférica.
UFSC2023Prova 2Questao 3HistóriaGuerra Fria e memória históricaMedia
Estímulo de Moscou contra o Pacto do Atlântico Classificada, dessa maneira, a Conferência Cultural e Científica pró-Paz Mundial, que se realizará, amanhã, em Nova York
Diário de Notícias. Rio de Janeiro, 24 mar. 1949.
O Departamento de Estado [dos EUA] considera a Conferência Cultural e Científica Pró-Paz Mundial, que se inicia sexta-feira em Nova York, como uma entre as muitas tentativas de Moscou de estimular a oposição ao Pacto do Atlântico Norte e de conseguir outros fins soviéticos. Em círculos oficiais diz-se que esta foi a razão de o governo haver impedido que 11 delegados da Europa e da América do Sul, inclusive o pintor brasileiro Cândido Portinari, entrassem no país.
Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=093718_02&pesq=portinari&pasta= ano%20194&hf=memoria.bn.br&pagfis=44332. [Adaptado]. Acesso em: 6 set. 2022.
Sobre o episódio descrito na notícia e os seus contextos e desdobramentos históricos, é correto afirmar que:
01)o Pacto do Atlântico mencionado na notícia refere-se à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), uma aliança entre países capitalistas criada em 1949 para se opor militarmente à URSS.
02)a Guerra da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022, teve seu estopim com a formalização do ingresso da Ucrânia na OTAN, levando a Rússia a invadir o país.
04)a OTAN esteve presente durante toda a Guerra Fria e encerrou suas operações com a dissolução da União Soviética, em 1991.
08)a criação da OTAN aconteceu como reação ao Pacto de Varsóvia, aliança militar entre os países do bloco soviético.
16)Portinari era um representante do movimento artístico que se consolidou com a Semana de Arte Moderna de 1922; o Manifesto Antropofágico fazia apologia ao comunismo internacional, impulsionado pela criação da URSS no mesmo ano.
32)o Plano Marshall, de 1947, tinha como objetivo ajudar economicamente a Europa capitalista do pós-guerra de modo a impedir a expansão do socialismo no continente.
UFSC2023Prova 1Questao 4PortuguêsDrummond — A Rosa do PovoMedia
Texto 2
Ode ao burguês (Mário de Andrade)
01 Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
02 O burguês-burguês!
03 A digestão bem-feita de São Paulo!
04 O homem-curva! o homem-nádegas!
05 O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
06 é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
07 Eu insulto as aristocracias cautelosas!
08 Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!
09 que vivem dentro de muros sem pulos;
10 e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
11 para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
12 e tocam os “Printemps” com as unhas!
13 Eu insulto o burguês-funesto!
14 O indigesto feijão com toucinho, dono das tradições!
15 Fora os que algarismam os amanhãs!
16 Olha a vida dos nossos setembros!
17 Fará Sol? Choverá? Arlequinal!
18 Mas à chuva dos rosais
19 O êxtase fará sempre Sol!
20 Morte à gordura!
21 Morte às adiposidades cerebrais!
22 Morte ao burguês-mensal!
23 ao burguês-cinema! ao burguês-tílburi!
24 Padaria Suissa! Morte viva ao Adriano!
25 “- Ai, filha, que te darei pelos teus anos?
26 – Um colar… – Conto e quinhentos!!!
27 Mas nós morremos de fome!”
28 Come! Come-te a ti mesmo, oh gelatina pasma!
29 Oh! purée de batatas morais!
30 Oh! cabelos nas ventas! oh! carecas!
31 Ódio aos temperamentos regulares!
32 Ódio aos relógios musculares! Morte à infâmia!
33 Ódio à soma! Ódio aos secos e molhados!
34 Ódio aos sem desfalecimentos nem arrependimentos,
35 sempiternamente as mesmices convencionais!
36 De mãos nas costas! Marco eu o compasso! Eia!
37 Dois a dois! Primeira posição! Marcha!
38 Todos para a Central do meu rancor inebriante!
39 Ódio e insulto! Ódio e raiva! Ódio e mais ódio!
40 Morte ao burguês de giolhos,
41 cheirando religião e que não crê em Deus!
42 Ódio vermelho! Ódio fecundo! Ódio cíclico!
43 Ódio fundamento, sem perdão!
44 Fora! Fu! Fora o bom burguês!…
Com base na obra Pauliceia desvairada, de Mário de Andrade, publicada originalmente em 1922, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
01)para exaltar a figura do burguês, personagem central da cultura brasileira do início do século XX, Mário de Andrade faz uso de um poema lírico composto de estrofes de versos com igual medida, em tom alegre e festivo, conhecido como ode.
02)são recorrentes na obra as referências à palavra ‘arlequim’ e suas variantes, como “arlequinal” (linha 17), remetendo a uma espécie de roupa adaptada ao clima chuvoso de São Paulo.
04)a posição do adjetivo na expressão “bom burguês” (linha 44) é empregada como recurso linguístico para caracterizar uma classe social, e não um indivíduo, diferentemente do sentido da expressão ‘burguês bom’.
08)o eu-lírico introduz um possível diálogo entre um burguês e sua filha (linhas 25-27), evidenciando o apego às aparências.
16)“algarismam” (linha 15) corresponde a um neologismo, formado a partir do nome ‘algarismo’, pelo acréscimo de desinências verbais e de um complemento direto (“os amanhãs”).
UFSC2023Prova 2Questao 4HistóriaHistória dos Estados UnidosMedia
Desde o século XIX a explicação dos norte-americanos para seu “sucesso” diante dos vizinhos da América hispânica e portuguesa foi clara: havia um “destino manifesto”, uma vocação dada por deus a eles, um caminho claro de êxito em função de ser um “povo escolhido”.
KARNAL, L. et. al. História dos Estados Unidos: das origens ao século XXI. São Paulo: Contexto, 2007. p. 23.
Sobre o texto acima e a história estadunidense, é correto afirmar que:
01)na segunda metade do século XVIII, a adoção de políticas liberais pela realeza britânica estimulou o fim do colonialismo mercantilista inglês e garantiu um pacífico processo de independência para os Estados Unidos, em 1776.
02)a Constituição dos Estados Unidos da América, aprovada em 1787, estabeleceu um regime republicano presidencial e federalista, sem negar o direito dos estados-membros da União de terem constituições próprias.
04)o processo de colonização das treze colônias britânicas na América do Norte se distinguiu da colonização realizada pelos países ibéricos em diversos aspectos, especialmente pela adoção exclusiva do trabalho livre assalariado.
08)o “destino manifesto” trazia uma ideia de superioridade do povo norte-americano, que se traduziu na ação de expansão territorial, por meio da compra de territórios, como nos casos da Louisiana e da Florida, e por guerra, com a incorporação de grandes áreas de domínio mexicano, como Califórnia, Novo México e Arizona.
16)no início do século XIX, os princípios de democracia e liberdade, preconizados pelo “destino manifesto”, foram materializados na promulgação de leis de integração dos povos indígenas à sociedade civil estadunidense.
32)a guerra civil estadunidense (1861-1865), conhecida como “Guerra de Secessão”, colocou em lados opostos estados do Norte e do Sul do país. Entre as principais motivações para o conflito estavam as divergências entre abolicionistas e escravistas.
UFSC2023Prova 2Questao 5HistóriaOriente Médio e religiões monoteístasMedia
Autor Salman Rushdie é alvo de facadas no pescoço e no abdômen em atentado
O autor anglo-indiano Salman Rushdie foi atacado nesta sexta-feira quando se preparava para dar uma palestra em uma organização beneficente no oeste do estado de Nova York, nos Estados Unidos. [...] Um dos maiores escritores de sua geração e conhecido por suas posições libertárias, Rushdie é perseguido por autoridades iranianas por blasfêmia desde a publicação de “Os Versos Satânicos” em 1980, romance de fantasia considerado ofensivo a Maomé e à fé islâmica. À época do lançamento do livro, o aiatolá Khomeini defendeu que o escritor fosse assassinado, e a perseguição foi mantida em vigor pelas mais altas autoridades religiosas do Irã.
PORTO, W. Autor Salman Rushdie é alvo de facadas no pescoço e no abdômen em atentado. Folha de São Paulo. 12 ago. 2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/08/salman-rushdie-sofre-ataque-instantes-antes-de-dar-palestra-em-novayork.shtml. Acesso em: 6 set. 2022.
Sobre a notícia e os contextos históricos a que remete, é correto afirmar que:
01)judaísmo, cristianismo e islamismo, as principais religiões monoteístas atualmente, têm aspectos em comum, como a existência de um livro sagrado (Torá, Bíblia e Corão) e o reconhecimento de Jerusalém como cidade sagrada por abrigar lugares importantes para as três: o Muro das Lamentações (judeus), o Santo Sepulcro (cristãos) e o Monte do Templo (muçulmanos).
02)os países islâmicos têm organizações políticas distintas: Irã e Arábia Saudita têm suas constituições regidas pela doutrina religiosa, enquanto a Turquia é um Estado laico.
04)as revelações feitas por Alá ao profeta Maomé, segundo o livro sagrado dos muçulmanos, foram compiladas por Moisés, que as disseminou pela costa do Mar Vermelho.
08)o atentado ao escritor Salman Rushdie é produto da jihad, o que comprova que não há espaço no islamismo para a convivência harmônica com outras crenças e religiões.
16)após o Irã nacionalizar a indústria do petróleo, Estados Unidos e Reino Unido atuaram para derrubar o primeiro-ministro do país Mohammed Mossadegh em 1953 e instaurar um governo favorável aos seus interesses.
32)o atentado fundamentalista contra o escritor vai na contramão da política migratória estadunidense de abrir suas fronteiras e facilitar a entrada de imigrantes de países árabes.
UFSC2023Prova 1Questao 5PortuguêsIntertextualidade texto e imagemMedia
Texto 3: reprodução da obra 'Composição com Vermelho, Amarelo e Azul' (Piet Mondrian, 1935/1942), pintura geométrica abstrata com linhas pretas e blocos nas cores primárias.
Texto 4: charge de Custódio com os dizeres 'No meu quarto, de manhã o sol desenha um mondrian' — a luz que entra pela janela projeta no chão um padrão semelhante ao quadro de Mondrian. (Ver imagem.)
Com base nos textos 3 e 4 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
01)no texto 4, existe uma relação de intratextualidade entre a sombra e a janela.
02)o texto 4 estabelece uma relação de intertextualidade com o texto 3.
04)nos textos 3 e 4, a linguagem verbal não é necessária para se compreender os sentidos dos textos.
08)no texto 4, “manhã” e “mondrian” rimam por as vogais serem pronunciadas como a vogal nasal ‘a’ no português.
16)no texto 4, “No meu quarto” e “de manhã” remetem à ideia de quantidade e tempo, respectivamente.
32)a charge de Custódio, texto 4, é construída estabelecendo uma relação entre a linguagem poética e a das artes plásticas.
Texto 5
ROSA NEGRA (Cruz e Sousa)
01 Nervosa Flor, carnívora, suprema,
02 Flor dos sonhos da Morte, Flor sombria,
03 Nos labirintos da tu'alma fria
04 Deixa que eu sofra, me debata e gema.
05 Do Dante o atroz, o tenebroso lema
06 Do inferno a porta em trágica ironia,
07 Eu vejo, com terrível agonia,
08 Sobre o teu coração, torvo problema.
09 Flor do delírio, flor do sangue estuoso
10 Que explode, porejando caudaloso,
11 Das volúpias da carne nos gemidos.
12 Rosa negra da treva, Flor do nada,
13 Dá-me essa boca acídula, rasgada,
14 Que vale mais que os corações proibidos!
Texto 6: fotografia de um grande painel (mural) pintado na lateral de um prédio em Florianópolis, com o rosto de Cruz e Sousa. (Ver imagem.)
Com base no texto 5, no texto 6, na leitura integral de Negro: Cruz e Sousa, coletânea de textos do poeta, organizada por Zilma Guesser Nunes em 2019, no contexto sócio-histórico e literário dos textos e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
01)no texto 6, o painel pintado na lateral de um prédio da capital catarinense resultou em um dos apelidos mais conhecidos de Cruz e Sousa, o de ‘poeta emparedado’.
02)parte da crítica literária brasileira acusou Cruz e Sousa de menosprezar sua condição de negro e de supervalorizar a cor branca, um equívoco que a coletânea Negro: Cruz e Sousa acaba por ignorar.
04)Cruz e Sousa foi um homem culto, poliglota e com um variado repertório de leituras, como evidencia sua produção em poesia, prosa e mesmo sua correspondência.
08)a valorização de elementos místicos e religiosos recorrentes na estética simbolista é neutralizada pelo ateísmo de Cruz e Sousa.
16)no texto 5, Cruz e Sousa faz referência à sua amante, Gavita Rosa Gonçalves, a Rosa Negra, com quem viveu uma tórrida história de amor antes do casamento.
32)em “tu’alma” (linha 03), temos o uso do apóstrofo marcando a supressão de um fonema, recurso comum na estética do poeta simbolista para explorar a sonoridade.
UFSC2023Prova 2Questao 6HistóriaEra VargasMedia
Fonte: Diário de Notícias. Rio de Janeiro, 26 out. 1930. Disponível em: http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=093718_01&pesq=washington%20luiz&pasta=ano% 20193&hf=memoria.bn.br&pagfis=2152. Acesso em: 8 set. 2022.
Sobre o contexto histórico da notícia e a participação das forças armadas na política brasileira, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
01)a notícia refere-se ao Estado Novo, implementado por Vargas como reação à tentativa dos comunistas de tomarem o poder com o Plano Cohen.
02)com a revolução de 1930, o Brasil deixou de ser um país agrário-exportador e católico para se transformar em uma República laica, de economia liberal e industrializada sem intervenção do Estado.
04)entre os vencedores do movimento de 1930 estão os tenentes, os quais ganharam notoriedade na revolta dos 18 do Forte, em 1922, e, a partir de então, construíram um movimento heterogêneo ideologicamente conhecido como “tenentismo”, com nomes como Eduardo Gomes e Luís Carlos Prestes.
08)Plínio Salgado, um dos líderes do movimento integralista da década de 1930, fez parte de uma vertente do movimento modernista brasileiro dos anos 1920 que rejeitava qualquer influência estrangeira, conhecida como “movimento verde-amarelo”.
16)a “campanha civilista” encabeçada por Rui Barbosa defendia que o poder político fosse exercido por civis e teve como consequência a derrota do marechal Hermes da Fonseca na eleição presidencial de 1910, retirando os militares das disputas políticas do Brasil até o golpe de 1964.
32)o periódico chama de “revolução” a deposição do presidente Washington Luiz pelo alto comando do Exército, o qual exercia naquele momento o controle do governo por meio de uma junta militar.
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