Prova · UFSC 2024

Prova UFSC 2024: questões por disciplina

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O que caiu na prova 2024

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UFSC2024Prova 1Questao 1PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Dificil
**Texto 1 — O mundo é bárbaro (e o que nós temos a ver com isso)** — Luis Fernando Verissimo 01 Entreouvida na rua: “O que isso tem a ver com o meu café com leite?” Não sei se é uma 02 frase feita comum que só eu não conhecia ou se estava sendo inventada na hora, mas gostei. 03 Tudo, no fim, se resume no que tem e não tem a ver com o nosso café com leite, no que afeta 04 ou não afeta diretamente nossas vidas e nossos hábitos. É uma questão que envolve mais do 05 que a vizinhança próxima. Outro dia ficamos sabendo que o Stephen Hawking voltou atrás na 06 sua teoria sobre os buracos negros, aqueles furos no universo em que a matéria desaparece. 07 Nem eu nem você entendíamos a teoria, e agora somos obrigados a rever nossa ignorância: os 08 buracos negros não eram nada daquilo que a gente não sabia que eram, são outra coisa que a 09 gente nunca vai entender. Nosso consolo é que nada disto tem a ver com nosso café com leite. 10 Os buracos negros e o nosso café com leite são, mesmo, extremos opostos, a extrema 11 angústia do desconhecido e o extremo conforto do familiar. Não cabem na mesma mesa ou no 12 mesmo cérebro. 13 Mas da mesma forma que estes extremos não estão tão longe assim – basta o sol 14 inventar de implodir e iremos todos juntos para o buraco, nós, nosso café com leite, nosso pão 15 com manteiga, nosso santinho da sorte e aquele pulôver favorito – coisas da vizinhança 16 próxima que parecem não ter nada a ver com nossas vidas têm muito. Você lê essas histórias 17 de fortunas minguando entre os poucos bolsos de sempre, indo para paraísos fiscais e contas 18 ofishór e voltando disfarçadas, o milagre de dinheiro estéril gerando mais dinheiro estéril, a 19 grande e interminável farra do capital no Brasil, e é como se lesse sobre os buracos negros, 20 algo que não lhe diz respeito, que se passa longe do seu café com leite. E no entanto a moral 21 desse bordel é a moral dominante no país, agora, incrivelmente, mais do que nunca. É a que 22 determina nossa expectativa de vida. Seus apologistas dizem que não há nada de ilegal no 23 turismo sexual que o capital financeiro faz no Brasil para reproduzir a si mesmo, como se o 24 escândalo não fosse justamente sua legalidade. Também alegam que não há alternativa viável 25 à nossa dependência do capital amoral. Era o que o Stephen Hawking dizia da sua teoria para 26 os buracos negros, antes de mudar de ideia. Mas aparentemente as leis da física são mais 27 flexíveis do que a ortodoxia do bordel. (VERISSIMO, Luis Fernando. O mundo é bárbaro e o que nós temos a ver com isso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. p. 9-10.) Com base no texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)o trecho “no que afeta ou não afeta diretamente nossas vidas e nossos hábitos” (linhas 03-04) explica a expressão que dá mote ao texto 1.
  2. 02)em “são, mesmo, extremos opostos, a extrema angústia do desconhecido e o extremo conforto do familiar” (linhas 10-11), os termos em destaque são advérbios intensificadores dos termos a que se referem.
  3. 04)“Entreouvida” (linha 01) é um neologismo formado pela junção de dois verbos.
  4. 08)em “Não sei se é uma frase feita” (linhas 01-02), a expressão sublinhada equivale a “clichê”.
  5. 16)o trecho “aqueles furos no universo em que a matéria desaparece” (linha 06) é aposto de “buracos negros”.
  6. 32)em “coisas da vizinhança próxima que parecem não ter nada a ver com nossas vidas têm muito” (linhas 15-16), o verbo sublinhado está flexionado no plural para concordar com o sujeito “nossas vidas”.
UFSC2024Prova 2Questao 1HistóriaDitadura Militar no BrasilMedia
Observe o texto e a imagem abaixo. Vou voltar Sei que ainda vou voltar Para o meu lugar Foi lá e é ainda lá Que eu hei de ouvir cantar Uma sabiá Vou voltar Sei que ainda vou voltar Vou deitar à sombra De uma palmeira Que já não há Colher a flor Que já não dá E algum amor Talvez possa espantar As noites que eu não queria E anunciar o dia [...] Trecho da canção Sabiá, de Chico Buarque e Antônio Carlos Jobim, vencedora do Festival Internacional da Canção de 1968. Sobre o texto, a imagem e o contexto histórico relacionado, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
  1. 01)as duas obras acima são exemplos de como a classe artística brasileira criou estratégias para expor suas críticas à Ditadura Militar, apesar do recrudescimento do regime e dos dispositivos de censura impostos pelo Estado.
  2. 02)um dos mais importantes instrumentos de censura às artes durante a Ditadura Militar foi o DIP, Departamento de Imprensa e Propaganda, criado em 1968, no governo do presidente Emílio Garrastazu Médici.
  3. 04)o Ato Institucional nº 5 marcou uma nova fase da Ditadura Militar, pois retomou as atividades do Congresso Nacional e devolveu os direitos civis e políticos dos cidadãos brasileiros.
  4. 08)devido à ampliação e ao aperfeiçoamento dos dispositivos de censura do governo, os anos de Ditadura Militar coincidiram com um longo período de crise de criatividade, que impediu o desenvolvimento do cenário artístico e cultural brasileiro.
  5. 16)após a deflagração do Ato Institucional nº 5, inúmeros artistas e intelectuais brasileiros contrários ao regime foram exilados para diversos países, de onde continuaram denunciando os abusos e as violências da Ditadura Militar.
  6. 32)a censura e os dispositivos de repressão da Ditadura Militar foram responsáveis por inviabilizar os movimentos sociais, como o movimento estudantil, que encerrou suas atividades em 1964 e só voltou a atuar em 1984, com o início da redemocratização do país.
  7. 64)a obra de Cildo Meireles faz referência ao caso Vladimir Herzog, jornalista morto sob tortura nas dependências do DOI-CODI em São Paulo em 1975.
UFSC2024Prova 1Questao 2PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Dificil
**Texto 1 — O mundo é bárbaro (e o que nós temos a ver com isso)** — Luis Fernando Verissimo 01 Entreouvida na rua: “O que isso tem a ver com o meu café com leite?” Não sei se é uma 02 frase feita comum que só eu não conhecia ou se estava sendo inventada na hora, mas gostei. 03 Tudo, no fim, se resume no que tem e não tem a ver com o nosso café com leite, no que afeta 04 ou não afeta diretamente nossas vidas e nossos hábitos. É uma questão que envolve mais do 05 que a vizinhança próxima. Outro dia ficamos sabendo que o Stephen Hawking voltou atrás na 06 sua teoria sobre os buracos negros, aqueles furos no universo em que a matéria desaparece. 07 Nem eu nem você entendíamos a teoria, e agora somos obrigados a rever nossa ignorância: os 08 buracos negros não eram nada daquilo que a gente não sabia que eram, são outra coisa que a 09 gente nunca vai entender. Nosso consolo é que nada disto tem a ver com nosso café com leite. 10 Os buracos negros e o nosso café com leite são, mesmo, extremos opostos, a extrema 11 angústia do desconhecido e o extremo conforto do familiar. Não cabem na mesma mesa ou no 12 mesmo cérebro. 13 Mas da mesma forma que estes extremos não estão tão longe assim – basta o sol 14 inventar de implodir e iremos todos juntos para o buraco, nós, nosso café com leite, nosso pão 15 com manteiga, nosso santinho da sorte e aquele pulôver favorito – coisas da vizinhança 16 próxima que parecem não ter nada a ver com nossas vidas têm muito. Você lê essas histórias 17 de fortunas minguando entre os poucos bolsos de sempre, indo para paraísos fiscais e contas 18 ofishór e voltando disfarçadas, o milagre de dinheiro estéril gerando mais dinheiro estéril, a 19 grande e interminável farra do capital no Brasil, e é como se lesse sobre os buracos negros, 20 algo que não lhe diz respeito, que se passa longe do seu café com leite. E no entanto a moral 21 desse bordel é a moral dominante no país, agora, incrivelmente, mais do que nunca. É a que 22 determina nossa expectativa de vida. Seus apologistas dizem que não há nada de ilegal no 23 turismo sexual que o capital financeiro faz no Brasil para reproduzir a si mesmo, como se o 24 escândalo não fosse justamente sua legalidade. Também alegam que não há alternativa viável 25 à nossa dependência do capital amoral. Era o que o Stephen Hawking dizia da sua teoria para 26 os buracos negros, antes de mudar de ideia. Mas aparentemente as leis da física são mais 27 flexíveis do que a ortodoxia do bordel. (VERISSIMO, Luis Fernando. O mundo é bárbaro e o que nós temos a ver com isso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. p. 9-10.) Com base no texto 1 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)a tese do texto é a crítica à prática do turismo sexual no Brasil.
  2. 02)em “Mas da mesma forma que estes extremos não estão tão longe assim” (linha 13), a expressão sublinhada está no plural para retomar “Os buracos negros” (linha 10).
  3. 04)a retomada por Stephen Hawking de leis da física evidencia que o conhecimento científico passa por revisão.
  4. 08)“moral” (linha 20) e “amoral” (linha 25) são adjetivos formados pelo acréscimo de sufixo ‘al’, à semelhança das palavras “ilegal” (linha 22) e “sexual” (linha 23).
  5. 16)o texto 1 estabelece uma relação de antítese entre “buracos negros” e “café com leite”.
  6. 32)em “contas ofishór” (linhas 17-18), o termo sublinhado é o registro de um estrangeirismo grafado conforme sua pronúncia em língua portuguesa.
UFSC2024Prova 2Questao 2HistóriaMovimento negro e luta antirracistaMedia
Leia o texto a seguir. Bloco racista, nota destoante Conduzindo cartazes onde se liam inscrições tais como: “Mundo Negro”; “Black Power”; “Negros para você” etc., o bloco “Ile Aiyê”, apelidado de “Bloco do racismo”, proporcionou um feio espetáculo neste carnaval. Além da imprópria exploração do tema e da imitação norte-americana, revelando uma enorme falta de imaginação, uma vez que em nosso país existe uma infinidade de motivos a serem explorados, os integrantes do Ile Ayiê – todos de cor – chegaram até à gozação dos brancos e das demais pessoas que os observavam do palanque oficial. [...] Não temos, felizmente, problema racial. Esta é uma das grandes felicidades do povo brasileiro. A harmonia que reina entre as parcelas da população proveniente das diferentes etnias constitui, está claro, um dos motivos de inconformidade dos agentes de irritação que bem que gostariam de somar aos propósitos da luta de classes o espetáculo da luta de raças. Mas, isso no Brasil eles não conseguem. E sempre que põem o rabo de fora denunciam a origem ideológica a quem estão ligados. É muito difícil que aconteça diferentemente com esses mocinhos do Ile Aiyê. Com base no texto acima, relacionado à luta contra o racismo e à organização de movimentos sociais da população negra ao longo da história, é correto afirmar que:
  1. 01)a promulgação da Lei Afonso Arinos, de 1951, que tornava as práticas resultantes de preconceitos de raça ou de cor contravenção penal, resultou no fim da desigualdade racial no Brasil.
  2. 02)a luta do movimento negro nos EUA contra as práticas racistas enraizadas na sociedade americana ganhou fôlego em meados da década de 1950, após Rosa Parks, uma jovem negra, ter sido presa por não ceder seu assento no ônibus a um homem branco.
  3. 04)segundo o texto, o ativismo pelos direitos civis da população negra nos Estados Unidos expresso nas manifestações de grupos como os Black Power e os Panteras Negras foi irrelevante para o movimento negro brasileiro na década de 1970.
  4. 08)o pressuposto da democracia racial, difundido desde a década de 1930 e retomado durante a Ditadura Militar, contribuiu para a criação da ideia de que no Brasil o racismo se apresentava de forma branda, graças à miscigenação.
  5. 16)enquanto a escravidão esteve vigente no Brasil, os dispositivos de controle dos escravizados impediram que os negros se organizassem coletivamente e criassem estratégias de luta e resistência contra o regime escravocrata e contra as práticas racistas.
  6. 32)a roda de capoeira, hoje reconhecida como patrimônio cultural imaterial da humanidade, foi proibida e criminalizada durante a Primeira República, assim como outras práticas culturais afro-brasileiras.
UFSC2024Prova 1Questao 3PortuguêsInterpretação de texto (TIC)Dificil
**Texto 1 — O mundo é bárbaro (e o que nós temos a ver com isso)** — Luis Fernando Verissimo 01 Entreouvida na rua: “O que isso tem a ver com o meu café com leite?” Não sei se é uma 02 frase feita comum que só eu não conhecia ou se estava sendo inventada na hora, mas gostei. 03 Tudo, no fim, se resume no que tem e não tem a ver com o nosso café com leite, no que afeta 04 ou não afeta diretamente nossas vidas e nossos hábitos. É uma questão que envolve mais do 05 que a vizinhança próxima. Outro dia ficamos sabendo que o Stephen Hawking voltou atrás na 06 sua teoria sobre os buracos negros, aqueles furos no universo em que a matéria desaparece. 07 Nem eu nem você entendíamos a teoria, e agora somos obrigados a rever nossa ignorância: os 08 buracos negros não eram nada daquilo que a gente não sabia que eram, são outra coisa que a 09 gente nunca vai entender. Nosso consolo é que nada disto tem a ver com nosso café com leite. 10 Os buracos negros e o nosso café com leite são, mesmo, extremos opostos, a extrema 11 angústia do desconhecido e o extremo conforto do familiar. Não cabem na mesma mesa ou no 12 mesmo cérebro. 13 Mas da mesma forma que estes extremos não estão tão longe assim – basta o sol 14 inventar de implodir e iremos todos juntos para o buraco, nós, nosso café com leite, nosso pão 15 com manteiga, nosso santinho da sorte e aquele pulôver favorito – coisas da vizinhança 16 próxima que parecem não ter nada a ver com nossas vidas têm muito. Você lê essas histórias 17 de fortunas minguando entre os poucos bolsos de sempre, indo para paraísos fiscais e contas 18 ofishór e voltando disfarçadas, o milagre de dinheiro estéril gerando mais dinheiro estéril, a 19 grande e interminável farra do capital no Brasil, e é como se lesse sobre os buracos negros, 20 algo que não lhe diz respeito, que se passa longe do seu café com leite. E no entanto a moral 21 desse bordel é a moral dominante no país, agora, incrivelmente, mais do que nunca. É a que 22 determina nossa expectativa de vida. Seus apologistas dizem que não há nada de ilegal no 23 turismo sexual que o capital financeiro faz no Brasil para reproduzir a si mesmo, como se o 24 escândalo não fosse justamente sua legalidade. Também alegam que não há alternativa viável 25 à nossa dependência do capital amoral. Era o que o Stephen Hawking dizia da sua teoria para 26 os buracos negros, antes de mudar de ideia. Mas aparentemente as leis da física são mais 27 flexíveis do que a ortodoxia do bordel. (VERISSIMO, Luis Fernando. O mundo é bárbaro e o que nós temos a ver com isso. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008. p. 9-10.) **Texto 2 — Malvados (André Dahmer)** [tirinha — ver imagem] (Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2019/02/hq-nao-muda-o-mundo-mas-da-caminhos-diz-andre-dahmer-sobre-mostra-em-sp.shtml.) Com base nos textos 1 e 2 e de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
  1. 01)o texto 1 vincula a palavra “bárbaro” ao sentido de barbárie, já o texto 2 explora a ambiguidade do termo, da qual se depreende seu efeito de humor.
  2. 02)“Que absurdo!” e “Que bárbaro!”, no texto 2, são interjeições que expressam surpresa e admiração, respectivamente.
  3. 04)no segundo quadro do texto 2, o termo “o que” exerce a função de predicativo e tem referência indeterminada.
  4. 08)no terceiro quadro do texto 2, a frase “Que bárbaro!” expressa a empolgação da personagem em relação a um novo conceito de verdade.
  5. 16)no trecho “Muito mais bárbaro do que você imagina”, no texto 2, o adjetivo “bárbaro” está flexionado, comparando a realidade dada na tirinha com o que se supõe ser imaginado pelo interlocutor.
UFSC2024Prova 2Questao 3HistóriaIdade Média e comércio (Rota da Seda)Media
Leia o texto abaixo. Nova Rota da Seda: o que Brasil ganha ou perde se aderir a plano trilionário chinês A possível aproximação do Brasil ao controverso e ambicioso plano de investimentos em infraestrutura da China conhecido como “Nova Rota da Seda” está no centro das negociações entre diplomatas brasileiros e chineses às vésperas da chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao país asiático. [...] Diplomatas ouvidos em caráter reservado pela reportagem afirmam que o One Belt, One Road (Um Cinturão, uma Rota, em tradução livre) é um dos principais pontos ainda em discussão do comunicado. De acordo com negociadores brasileiros, embora os chineses sempre acenem com o assunto nas trocas diplomáticas, dessa vez eles exerceram um pouco mais de pressão sobre o lado brasileiro por uma adesão. O Brasil, no entanto, ainda não teria decidido se fará alguma menção ao projeto no comunicado conjunto que deverá ser divulgado ao final da visita, na sexta-feira (14/4). A respeito do texto e dos contextos históricos relacionados, é correto afirmar que:
  1. 01)o projeto político e econômico do atual governo chinês intitulado “Nova Rota da Seda” faz referência à rede de estradas e caminhos que impulsionou as trocas comerciais e culturais entre Oriente e Ocidente durante a Idade Média.
  2. 02)na Idade Média, cidades orientais como Constantinopla, Pequim e Trípoli tiveram suas atividades comerciais interrompidas e só vieram a se tornar grandes centros urbanos após a ampliação da Rota da Seda e o contato com a cultura europeia.
  3. 04)escrita no século XIII, a obra “O Livro das Maravilhas”, do mercador italiano Marco Polo, é uma importante fonte para compreendermos como se construiu na Europa um imaginário exótico e fantasioso a respeito do Oriente.
  4. 08)no período em que a Rota da Seda esteve sob domínio de Kublai Khan, soberano do Império Mongol, a comercialização para a Europa de qualquer produto que não fosse a seda chinesa foi proibida, provocando uma crise entre Oriente e Ocidente conhecida como “Guerra das Especiarias”.
  5. 16)a partir do século XI, comerciantes italianos estabeleceram relações comerciais com mercadores da região da Rota da Seda, estimulando a entrada na Europa de novas mercadorias, como especiarias e artigos de luxo, o que contribuiu para o crescimento do comércio europeu no período.
  6. 32)com o projeto “Nova Rota da Seda”, o governo chinês pretende restabelecer as antigas relações comerciais com o Brasil e com a América Latina, rompidas na derrocada do Império Mongol.
UFSC2024Prova 1Questao 4PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
**Texto 3 — Desculpas** — Alê Motta (de Velhos) 01 Sou preto e sou velho. Diferente da maioria dos pretos no Brasil, sou rico. Moro num 02 condomínio sofisticado, num bairro de brancos que acham muito esquisito a minha família 03 preta morar ali. 04 Tenho setenta anos e pratico muitos esportes. Gosto especialmente de corrida. 05 Dia desses fui correr até a beira da praia. Na segunda quadra após o condomínio, passei em 06 frente ao posto de gasolina. No momento em que passei, acontecia um assalto. 07 Dois dentes quebrados, três costelas fraturadas, as maçãs do rosto raladas, nariz sangrando, 08 braço esquerdo luxado. Cusparadas na cara, tapas na orelha, vários socos no estômago. 09 Uns brutamontes me agarraram, me esfregaram no chão de asfalto e me levaram para 10 a delegacia como suspeito. 11 Meu advogado-branco veio me socorrer. Sou médico, sou dono de uma clínica, tenho três 12 especializações, dou aulas, tenho vários livros publicados, falo quatro idiomas. 13 Até agora ninguém me pediu desculpas. Ficam repetindo que eu sou preto, nem pareço 14 um velho e estava correndo, como iam saber que eu não era um marginal? (MOTTA, Alê. Velhos. Rio de Janeiro: Reformatório, 2020. p. 17-20.) Com base no texto 3 e na leitura integral da obra Velhos, publicada originalmente em 2020, no contexto sócio-histórico e literário e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)embora o título explore diferentes sentidos de “desculpas”, a leitura integral do texto 3 enfatiza o emprego do termo mais como uma justificativa para a violência do que como uma retratação.
  2. 02)a ênfase das narrativas que compõem Velhos recai sobre as mazelas do envelhecimento e a situação degradante em que vivem os idosos no Brasil.
  3. 04)a precisão e a concisão dos contos que integram Velhos estão presentes inclusive nos títulos, formados por uma única palavra.
  4. 08)o fragmento “Dois dentes quebrados, três costelas fraturadas, as maçãs do rosto raladas, nariz sangrando, braço esquerdo luxado” (linhas 07-08) retoma o protagonista por metonímia.
  5. 16)no texto 3, ocorre a interação de diversos fatores sociais, como faixa etária, gênero, classe, formação acadêmica e atuação profissional, que definem a personagem, mas todos se revelam subordinados a questões étnico-raciais.
  6. 32)a autora subverte as regras de paragrafação ao eliminar o recuo para sinalizar os diálogos entre as personagens.
UFSC2024Prova 2Questao 4HistóriaBrasil Colônia: trabalho e escravidãoMedia
Leia o excerto e a charge abaixo. [...] no que diz respeito ao universo açucareiro, é importante sublinhar que o cultivo do “ouro branco” também esteve atrelado à fertilidade do solo de parte da região Nordeste e à maior proximidade dessa região com a metrópole. Mesmo que a escravização de africanos tenha sido amplamente utilizada na produção açucareira, a implementação dos primeiros engenhos só aconteceu graças à escravização de indígenas, que, entre 1550 e 1580, compunham o maior percentual de mão de obra colonial. SANTOS, Ynaê Lopes. Racismo brasileiro: uma história da formação do país. São Paulo: Todavia, 2022. p. 42. “E se o Marco Temporal fosse ao contrário?”. Arte de Petit Abel e Tukumã Pataxó. Disponível em: https://www.instagram.com/p/CtH4RnOOxks/?utm_source=ig_web_ copy_link&igshid=MzRlODBiNWFlZA==. A respeito do texto, da charge e de suas relações com a história do Brasil, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
  1. 01)ao chegarem ao Brasil em 1500, os portugueses verificaram um vazio populacional em toda a região do litoral, o que incentivou a Coroa portuguesa a dar início ao processo de colonização.
  2. 02)pelo fato de os indígenas serem preguiçosos e indisciplinados, o uso dessa mão de obra nas primeiras décadas da colonização foi ínfimo e pouco importante para a metrópole.
  3. 04)com a descoberta de ouro pelos bandeirantes em Minas Gerais, no final do século XVII, iniciou-se a utilização de mão de obra de africanos escravizados no Brasil.
  4. 08)após o chamado “ciclo do pau-brasil”, no qual a mão de obra indígena foi utilizada amplamente, durante os séculos XVI e XVII, a principal fonte de riquezas da colônia brasileira para a metrópole foi a produção de cana-de-açúcar.
  5. 16)a escravização dos indígenas foi fundamental para o estabelecimento dos primeiros engenhos de cana-de-açúcar no Brasil.
  6. 32)os movimentos contrários ao Marco Temporal, tese que define que somente as terras ocupadas por povos indígenas na data da promulgação da Constituição possam ser requeridas por eles, consideram que a sua aplicação impacta a demarcação das terras indígenas.
  7. 64)a charge faz uma crítica ao Marco Temporal, projeto que tramitou no Supremo Tribunal Federal em 2023 e segundo o qual o ano de 1500 deve ser tomado como referência temporal para iniciar as demarcações de terras indígenas.
UFSC2024Prova 2Questao 5HistóriaNazifascismo e Segunda GuerraMedia
Observe a charge abaixo, publicada na revista alemã Roter Pfeffer em 1932. Título: Nur die allerdümmsten Kälber wählen ihre Metzger selber. Tradução: “Apenas os bezerros mais estúpidos escolhem seus próprios açougueiros”. HUSBAND, Tony. Hitler in cartoons: lampooning the Evil Madness of a Dictator. Arcturus, 2016. p. 21. Sobre a charge e o momento histórico a que ela faz referência, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
  1. 01)no regime totalitário nazista, havia um sentimento antiliberal, no qual predominava o discurso da submissão das liberdades individuais em favor do Estado.
  2. 02)a charge satiriza algumas das características do regime nazista, como o culto ao líder e uma suposta manipulação das massas.
  3. 04)a ascensão de Hitler ao poder derivou de um golpe perpetrado pelas milícias civis armadas, que derrubaram o presidente democraticamente eleito, ligado ao Partido Comunista Alemão.
  4. 08)a grande votação do partido nazista nas eleições de julho de 1932 se deu pelo crescimento da economia alemã e pela diminuição do índice de desemprego no país.
  5. 16)ao representar os apoiadores de Hitler como bovinos, o cartunista procura destacar o apoio do agronegócio germânico ao partido nazista.
  6. 32)a charge exalta a liderança de Hitler e enaltece a alta capacidade intelectual de seus apoiadores.
  7. 64)o partido nazista buscava atrair o eleitorado alemão com o discurso de combate aos “inimigos da nação”, justificando a supressão das liberdades individuais de comunistas e judeus, por exemplo.
UFSC2024Prova 1Questao 5PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
**Texto 4 — A Musa das Ruas** — João do Rio (de A alma encantadora das ruas) 01 A musa das ruas é a musa que viceja nos becos e rebenta nas praças, entre o barulho da 02 populaça e a ânsia de todas as nevroses, é a musa igualitária, a musa-povo, que desfaz os 03 fatos mais graves em lundus e cançonetas, é a única sem pretensões porque se renova como 04 a própria Vida. Se o Brasil é a terra da poesia, a sua grande cidade é o armazém, o ferro-velho, 05 a aduana, o belchior, o grande empório das formas poéticas. Nesta Cosmópolis, que é o Rio, a 06 poesia brota nas classes mais heterogêneas. A câmara regurgita de vates, o hospício tem 07 dúzias de versejadores, as escolas grosas de nefelibatas, a cadeia fornadas de elegíacos. 08 Onde for o homem lá estará à sua espera, definitiva e teimosa, a musa. Se tomardes um bonde 09 modesto, encontrareis o palpite do bicho em verso nas costas do recibo; se entrais nos 10 tramways de Botafogo, o recibo convida V. Exa numa quadra a ir a Copacabana. Os cafés são 11 focos de micróbio rítmico, os blocos de folhinha, as balas de estalo, as adivinhações dos 12 pássaros sábios, as poliantéias, esse curioso gênero de engrossamento tipográfico e indireto, 13 as tabuletas, os reclamos, os jornais proclamam incessantemente a preocupação poética da 14 cidade, o anônimo mas formidável anseio de um milhão de almas pelo ritmo, que é a pulsação 15 arterial da palavra. O verso domina, o verso rege, o verso é o coração da urbs, o verso está em 16 toda a parte como o resultado absoluto das circunvoluções da cidade. E a musa urbana, a 17 musa anônima, é como o riso e o soluço, a chalaça e o suspiro dos sem-nome e dos humildes. 18 [...] (RIO, João do. A alma encantadora das ruas. Paris, França: H. Garnier, 1908. p. 173.) Com base no texto 4 e na leitura integral da obra A alma encantadora das ruas, de João do Rio, publicada originalmente em 1908, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
  1. 01)no emprego da vírgula antes da forma verbal “é” (linhas 02 e 03), o autor subverte as normas gramaticais, separando sujeito de predicado.
  2. 02)o narrador do texto 4 estabelece uma relação entre escrita e cidade, assim aquilo que viceja é a poesia que percorre ruas e quadras.
  3. 04)a ausência de acento gráfico em “vates” (linha 06), “versejadores” (linha 07) e “nefelibatas” (linha 07) restringe cada palavra a uma única possibilidade de pronúncia com relação à tonicidade.
  4. 08)João do Rio é considerado pioneiro da crônica-reportagem, dado o procedimento incomum à época de escrever matérias reais em forma de crônicas.
  5. 16)a não compreensão do significado das palavras “vates” (linha 06), “versejadores” (linha 07) e “nefelibatas” (linha 07) impossibilita o estabelecimento das relações sintáticas.
UFSC2024Prova 1Questao 6PortuguêsLiteratura: Carolina Maria de Jesus e ironiaDificil
**Texto 5 — Diário da Tarde** [recorte de jornal — ver imagem] **Texto 6 — Commercio do Paraná** [recorte de jornal — ver imagem] (XAVIER, Valêncio. O mez da grippe. Curitiba: Arte & Letra, 2020. p. 13 e 42.) Com base nos textos 5 e 6, na leitura integral da obra O mez da grippe, de Valêncio Xavier, publicada originalmente em 1981, no contexto sócio-histórico e literário da obra e, ainda, de acordo com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que:
Imagens anexadas
  1. 01)a polifonia do enredo é marcada pelo ponto de vista de documentos oficiais, do jornal Commercio do Paraná, do jornal Diário da Tarde, da D. Lúcia, dentre outras vozes.
  2. 02)a estrutura da narrativa é em forma de diário, marcada pela divisão nos meses outubro, novembro e dezembro de 1918.
  3. 04)se trata de uma obra de ficção histórica, composta principalmente pela colagem de notícias, propagandas, anúncios, documentos oficiais, cartazes, convites e fotografias, em que o leitor é o responsável por reestabelecer o fio narrativo entre eles.
  4. 08)no texto 5, o espaço em branco destinado à notícia sobre a influenza é uma homenagem ao número de vidas perdidas para a doença.
  5. 16)da ortografia da língua portuguesa do início do século XX, registrada no texto 6, depreende-se que a língua passa por mudanças.
  6. 32)o que no texto 6 é identificado como boato na epidemia da gripe espanhola pode ser relacionado ao que foi chamado de fake news na epidemia da covid-19.
  7. 64)a obra tem como tema principal os acontecimentos do final da Primeira Guerra Mundial, tendo como pano de fundo o surto da gripe espanhola ocorrido na Curitiba de 1918.
UFSC2024Prova 2Questao 6HistóriaRevolução CubanaMedia
Após a tentativa fracassada de assalto ao Quartel de Moncada em 26 de julho de 1953, Fidel Castro foi preso e redigiu sua própria defesa no tribunal montado para julgá-lo. No documento, Fidel apresentou cinco “leis revolucionárias” para o regime cubano caso a derrubada de Fulgencio Batista fosse concretizada. A primeira reconhecia a Constituição de 1940 como lei fundamental do Estado. A segunda lei atribuía terras a camponeses que ocupassem pequenas parcelas, até um total de cinco caballerias (13.430 metros quadrados). A terceira dava o direito aos trabalhadores assalariados de participar em 30% dos lucros das grandes empresas industriais, extrativistas e comerciais. A quarta concedia a todos os colonos 55% de participação nos lucros da cana-de-açúcar e uma cota mínima de quarenta mil arrobas àqueles que estivessem estabelecidos por um mínimo de três anos. A quinta lei confiscava todos os bens obtidos a partir da malversação dos recursos públicos, atingindo todos os governos. AYERBE, Luís Fernando. A Revolução Cubana. São Paulo: Ed. da UNESP, 2004. p. 23. Sobre os acontecimentos relacionados à história de Cuba, é correto afirmar que:
  1. 01)com a criação da Aliança para o Progresso, em 1961, os Estados Unidos garantiram a distribuição de terras e a participação nos lucros para os trabalhadores cubanos, o que evidencia o anacronismo das leis propostas por Fidel.
  2. 02)desde sua criação, o objetivo do movimento rebelde liderado por Fidel Castro era derrubar uma ditadura capitalista ligada aos EUA e implementar a ditadura do proletariado, vinculada à URSS.
  3. 04)na terceira e quarta “leis revolucionárias”, Fidel Castro pretendia reduzir as desigualdades existentes em Cuba com medidas que garantissem que os trabalhadores ampliassem sua participação nas riquezas que produziam.
  4. 08)Fidel foi condenado pelo tribunal do Moncada, exilou-se no México e de lá organizou o movimento revolucionário que voltaria a Cuba para derrubar o governo de Fulgencio Batista em 1º de janeiro de 1959.
  5. 16)após a tomada do Quartel de Moncada, em 1953, Fidel foi inocentado pelo tribunal, tornou-se presidente de Cuba e implementou as leis revolucionárias, levando o país ao socialismo.
  6. 32)nos anos 1950, os Estados Unidos exerciam forte influência nas atividades políticas, econômicas e culturais de Cuba, controlando parte do setor de serviços e das refinarias de cana-de-açúcar do país.
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